1. Então respondeu Elifaz o temanita, e disse:

2. Se intentarmos falar-te, enfadar-te-ás? Mas quem poderia conter as palavras?

3. Eis que ensinaste a muitos, e tens fortalecido as mãos fracas.

4. As tuas palavras firmaram os que tropeçavam e os joelhos desfalecentes tens fortalecido.

5. Mas agora, que se trata de ti, te enfadas; e tocando-te a ti, te perturbas.

6. Porventura não é o teu temor de Deus a tua confiança, e a tua esperança a integridade dos teus caminhos?

7. Lembra-te agora qual é o inocente que jamais pereceu? E onde foram os sinceros destruídos?

8. Segundo eu tenho visto, os que lavram iniqüidade, e semeiam mal, segam o mesmo.

9. Com o hálito de Deus perecem; e com o sopro da sua ira se consomem.

10. O rugido do leão, e a voz do leão feroz, e os dentes dos leõezinhos se quebram.

11. Perece o leão velho, porque não tem presa; e os filhos da leoa andam dispersos.

12. Uma coisa me foi trazida em segredo; e os meus ouvidos perceberam um sussurro dela.

13. Entre pensamentos vindos de visões da noite, quando cai sobre os homens o sono profundo,

14. Sobrevieram-me o espanto e o tremor, e todos os meus ossos estremeceram.

15. Então um espírito passou por diante de mim; fez-me arrepiar os cabelos da minha carne.

16. Parou ele, porém não conheci a sua feição; um vulto estava diante dos meus olhos; houve silêncio, e ouvi uma voz que dizia:

17. Seria porventura o homem mais justo do que Deus? Seria porventura o homem mais puro do que o seu Criador?

18. Eis que ele não confia nos seus servos e aos seus anjos atribui loucura;

19. Quanto menos àqueles que habitam em casas de lodo, cujo fundamento está no pó, e são esmagados como a traça!

20. Desde a manhã até à tarde são despedaçados; e eternamente perecem sem que disso se faça caso.

21. Porventura não passa com eles a sua excelência? Morrem, mas sem sabedoria.

1. Chama agora; há alguém que te responda? E para qual dos santos te virarás?

2. Porque a ira destrói o louco; e o zelo mata o tolo.

3. Bem vi eu o louco lançar raízes; porém logo amaldiçoei a sua habitação.

4. Seus filhos estão longe da salvação; e são despedaçados às portas, e não há quem os livre.

5. A sua messe, o faminto a devora, e até dentre os espinhos a tira; e o salteador traga a sua fazenda.

6. Porque do pó não procede a aflição, nem da terra brota o trabalho.

7. Mas o homem nasce para a tribulação, como as faíscas se levantam para voar.

8. Porém eu buscaria a Deus; e a ele entregaria a minha causa.

9. Ele faz coisas grandes e inescrutáveis, e maravilhas sem número.

10. Ele dá a chuva sobre a terra, e envia águas sobre os campos.

11. Para pôr aos abatidos num lugar alto; e para que os enlutados se exaltem na salvação.

12. Ele aniquila as imaginações dos astutos, para que as suas mãos não possam levar coisa alguma a efeito.

13. Ele apanha os sábios na sua própria astúcia; e o conselho dos perversos se precipita.

14. Eles de dia encontram as trevas; e ao meio dia andam às apalpadelas como de noite.

15. Porém ao necessitado livra da espada, e da boca deles, e da mão do forte.

16. Assim há esperança para o pobre; e a iniqüidade tapa a sua boca.

17. Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus repreende; não desprezes, pois, a correção do Todo-Poderoso.

18. Porque ele faz a chaga, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas mãos curam.

19. Em seis angústias te livrará; e na sétima o mal não te tocará.

20. Na fome te livrará da morte; e na guerra, da violência da espada.

21. Do açoite da língua estarás encoberto; e não temerás a assolação, quando vier.

22. Da assolação e da fome te rirás, e os animais da terra não temerás.

23. Porque até com as pedras do campo terás o teu acordo, e as feras do campo serão pacíficas contigo.

24. E saberás que a tua tenda está em paz; e visitarás a tua habitação, e não pecarás.

25. Também saberás que se multiplicará a tua descendência e a tua posteridade como a erva da terra,

26. Na velhice irás à sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo.

27. Eis que isto já o havemos inquirido, e assim é; ouve-o, e medita nisso para teu bem.

1. Então respondeu, dizendo:

2. Oh! se a minha mágoa retamente se pesasse, e a minha miséria juntamente se pusesse numa balança!

3. Porque, na verdade, mais pesada seria, do que a areia dos mares; por isso é que as minhas palavras têm sido engolidas.

4. Porque as flechas do Todo-Poderoso estão em mim, cujo ardente veneno suga o meu espírito; os terrores de Deus se armam contra mim.

5. Porventura zurrará o jumento montês junto à relva? Ou mugirá o boi junto ao seu pasto?

6. Ou comer-se-á sem sal o que é insípido? Ou haverá gosto na clara do ovo?

7. A minha alma recusa tocá-las, pois são para mim como comida repugnante.

8. Quem dera que se cumprisse o meu desejo, e que Deus me desse o que espero!

9. E que Deus quisesse quebrantar-me, e soltasse a sua mão, e me acabasse!

10. Isto ainda seria a minha consolação, e me refrigeraria no meu tormento, não me poupando ele; porque não ocultei as palavras do Santo.

11. Qual é a minha força, para que eu espere? Ou qual é o meu fim, para que tenha ainda paciência?

12. E porventura a minha força a força da pedra? Ou é de cobre a minha carne?

13. Está em mim a minha ajuda? Ou desamparou-me a verdadeira sabedoria?

14. Ao que está aflito devia o amigo mostrar compaixão, ainda ao que deixasse o temor do Todo-Poderoso.

15. Meus irmãos aleivosamente me trataram, como um ribeiro, como a torrente dos ribeiros que passam,

16. Que estão encobertos com a geada, e neles se esconde a neve,

17. No tempo em que se derretem com o calor, se desfazem, e em se aquentando, desaparecem do seu lugar.

18. Desviam-se as veredas dos seus caminhos; sobem ao vácuo, e perecem.

19. Os caminhantes de Tema os vêem; os passageiros de Sabá esperam por eles.

20. Ficam envergonhados, por terem confiado e, chegando ali, se confundem.

21. Agora sois semelhantes a eles; vistes o terror, e temestes.

22. Acaso disse eu: Dai-me ou oferecei-me presentes de vossos bens?

23. Ou livrai-me das mãos do opressor? Ou redimi-me das mãos dos tiranos?

24. Ensinai-me, e eu me calarei; e fazei-me entender em que errei.

25. Oh! quão fortes são as palavras da boa razão! Mas que é o que censura a vossa argüição?

26. Porventura buscareis palavras para me repreenderdes, visto que as razões do desesperado são como vento?

27. Mas antes lançais sortes sobre o órfão; e cavais uma cova para o amigo.

28. Agora, pois, se sois servidos, olhai para mim; e vede se minto em vossa presença.

29. Voltai, pois, não haja iniqüidade; tornai-vos, digo, que ainda a minha justiça aparecerá nisso.

30. Há porventura iniqüidade na minha língua? Ou não poderia o meu paladar distinguir coisas iníquas?

1. Porventura não tem o homem guerra sobre a terra? E não são os seus dias como os dias do jornaleiro?

2. Como o servo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga,

3. Assim me deram por herança meses de vaidade; e noites de trabalho me prepararam.

4. Deitando-me a dormir, então digo: Quando me levantarei? Mas comprida é a noite, e farto-me de me revolver na cama até à alva.

5. A minha carne se tem vestido de vermes e de torrões de pó; a minha pele está gretada, e se fez abominável.

6. Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e acabam-se, sem esperança.

7. Lembra-te de que a minha vida é como o vento; os meus olhos não tornarão a ver o bem.

8. Os olhos dos que agora me vêem não me verão mais; os teus olhos estarão sobre mim, porém não serei mais.

9. Assim como a nuvem se desfaz e passa, assim aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir.

10. Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar jamais o conhecerá.

11. Por isso não reprimirei a minha boca; falarei na angústia do meu espírito; queixar-me-ei na amargura da minha alma.

12. Sou eu porventura o mar, ou a baleia, para que me ponhas uma guarda?

13. Dizendo eu: Consolar-me-á a minha cama; meu leito aliviará a minha ânsia;

14. Então me espantas com sonhos, e com visões me assombras;

15. Assim a minha alma escolheria antes a estrangulação; e antes a morte do que a vida.

16. A minha vida abomino, pois não viveria para sempre; retira-te de mim; pois vaidade são os meus dias.

17. Que é o homem, para que tanto o engrandeças, e ponhas nele o teu coração,

18. E cada manhã o visites, e cada momento o proves?

19. Até quando não apartarás de mim, nem me largarás, até que engula a minha saliva?

20. Se pequei, que te farei, ó Guarda dos homens? Por que fizeste de mim um alvo para ti, para que a mim mesmo me seja pesado?

21. E por que não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniqüidade? Porque agora me deitarei no pó, e de madrugada me buscarás, e não existirei mais.

1. Então respondendo Bildade o suíta, disse:

2. Até quando falarás tais coisas, e as palavras da tua boca serão como um vento impetuoso?

3. Porventura perverteria Deus o direito? E perverteria o Todo-Poderoso a justiça?

4. Se teus filhos pecaram contra ele, também ele os lançou na mão da sua transgressão.

5. Mas, se tu de madrugada buscares a Deus, e ao Todo-Poderoso pedires misericórdia;

6. Se fores puro e reto, certamente logo despertará por ti, e restaurará a morada da tua justiça.

7. O teu princípio, na verdade, terá sido pequeno, porém o teu último estado crescerá em extremo.

8. Pois, eu te peço, pergunta agora às gerações passadas; e prepara-te para a inquirição de seus pais.

9. Porque nós somos de ontem, e nada sabemos; porquanto nossos dias sobre a terra são como a sombra.

10. Porventura não te ensinarão eles, e não te falarão, e do seu coração não tirarão palavras?

11. Porventura cresce o junco sem lodo? Ou cresce a espadana sem água?

12. Estando ainda no seu verdor, ainda que não cortada, todavia antes de qualquer outra erva se seca.

13. Assim são as veredas de todos quantos se esquecem de Deus; e a esperança do hipócrita perecerá.

14. Cuja esperança fica frustrada; e a sua confiança será como a teia de aranha.

15. Encostar-se-á à sua casa, mas ela não subsistirá; apegar-se-á a ela, mas não ficará em pé.

16. Ele é viçoso perante o sol, e os seus renovos saem sobre o seu jardim;

17. As suas raízes se entrelaçam, junto à fonte; para o pedregal atenta.

18. Se Deus o consumir do seu lugar, negá-lo-á este, dizendo: Nunca te vi!

19. Eis que este é a alegria do seu caminho, e outros brotarão do pó.

20. Eis que Deus não rejeitará ao reto; nem toma pela mão aos malfeitores;

21. Até que de riso te encha a boca, e os teus lábios de júbilo.

22. Os que te odeiam se vestirão de confusão, e a tenda dos ímpios não existirá mais.

1. Então respondeu, dizendo:

2. Na verdade sei que assim é; porque, como se justificaria o homem para com Deus?

3. Se quiser contender com ele, nem a uma de mil coisas lhe poderá responder.

4. Ele é sábio de coração, e forte em poder; quem se endureceu contra ele, e teve paz?

5. Ele é o que remove os montes, sem que o saibam, e o que os transtorna no seu furor.

6. O que sacode a terra do seu lugar, e as suas colunas estremecem.

7. O que fala ao sol, e ele não nasce, e sela as estrelas.

8. O que sozinho estende os céus, e anda sobre os altos do mar.

9. O que fez a Ursa, o Orion, e o Sete-estrelo, e as recâmaras do sul.

10. O que faz coisas grandes e inescrutáveis; e maravilhas sem número.

11. Eis que ele passa por diante de mim, e não o vejo; e torna a passar perante mim, e não o sinto.

12. Eis que arrebata a presa; quem lha fará restituir? Quem lhe dirá: Que é o que fazes?

13. Deus não revogará a sua ira; debaixo dele se encurvam os auxiliadores soberbos.

14. Quanto menos lhe responderia eu, ou escolheria diante dele as minhas palavras!

15. Porque, ainda que eu fosse justo, não lhe responderia; antes ao meu Juiz pediria misericórdia.

16. Ainda que chamasse, e ele me respondesse, nem por isso creria que desse ouvidos à minha voz.

17. Porque me quebranta com uma tempestade, e multiplica as minhas chagas sem causa.

18. Não me permite respirar, antes me farta de amarguras.

19. Quanto às forças, eis que ele é o forte; e, quanto ao juízo, quem me citará com ele?

20. Se eu me justificar, a minha boca me condenará; se for perfeito, então ela me declarará perverso.

21. Se for perfeito, não estimo a minha alma; desprezo a minha vida.

22. A coisa é esta; por isso eu digo que ele consome ao perfeito e ao ímpio.

23. Quando o açoite mata de repente, então ele zomba da prova dos inocentes.

24. A terra é entregue nas mãos do ímpio; ele cobre o rosto dos juízes; se não é ele, quem é, logo?

25. E os meus dias são mais velozes do que um correio; fugiram, e não viram o bem.

26. Passam como navios veleiros; como águia que se lança à comida.

27. Se eu disser: Eu me esquecerei da minha queixa, e mudarei o meu aspecto e tomarei alento,

28. Receio todas as minhas dores, porque bem sei que não me terás por inocente.

29. E, sendo eu ímpio, por que trabalharei em vão?

30. Ainda que me lave com água de neve, e purifique as minhas mãos com sabão,

31. Ainda me submergirás no fosso, e as minhas próprias vestes me abominarão.

32. Porque ele não é homem, como eu, a quem eu responda, vindo juntamente a juízo.

33. Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos.

34. Tire ele a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o seu terror.

35. Então falarei, e não o temerei; porque não sou assim em mim mesmo.

1. A minha alma tem tédio da minha vida; darei livre curso à minha queixa, falarei na amargura da minha alma.

2. Direi a Deus: Não me condenes; faze-me saber por que contendes comigo.

3. Parece-te bem que me oprimas, que rejeites o trabalho das tuas mãos e resplandeças sobre o conselho dos ímpios?

4. Tens tu porventura olhos de carne? Vês tu como vê o homem?

5. São os teus dias como os dias do homem? Ou são os teus anos como os anos de um homem,

6. Para te informares da minha iniqüidade, e averiguares o meu pecado?

7. Bem sabes tu que eu não sou iníquo; todavia ninguém há que me livre da tua mão.

8. As tuas mãos me fizeram e me formaram completamente; contudo me consomes.

9. Peço-te que te lembres de que como barro me formaste e me farás voltar ao pó.

10. Porventura não me vazaste como leite, e como queijo não me coalhaste?

11. De pele e carne me vestiste, e de ossos e nervos me teceste.

12. Vida e misericórdia me concedeste; e o teu cuidado guardou o meu espírito.

13. Porém estas coisas as ocultaste no teu coração; bem sei eu que isto esteve contigo.

14. Se eu pecar, tu me observas; e da minha iniqüidade não me escusarás.

15. Se for ímpio, ai de mim! E se for justo, não levantarei a minha cabeça; farto estou da minha ignomínia; e vê qual é a minha aflição,

16. Porque se vai crescendo; tu me caças como a um leão feroz; tornas a fazer maravilhas para comigo.

17. Tu renovas contra mim as tuas testemunhas, e multiplicas contra mim a tua ira; revezes e combate estão comigo.

18. Por que, pois, me tiraste da madre? Ah! se então tivera expirado, e olho nenhum me visse!

19. Então eu teria sido como se nunca fora; e desde o ventre seria levado à sepultura!

20. Porventura não são poucos os meus dias? Cessa, pois, e deixa-me, para que por um pouco eu tome alento.

21. Antes que eu vá para o lugar de que não voltarei, à terra da escuridão e da sombra da morte;

22. Terra escuríssima, como a própria escuridão, terra da sombra da morte e sem ordem alguma, e onde a luz é como a escuridão.

1. Então respondeu Zofar, o naamatita, e disse:

2. Porventura não se dará resposta à multidão de palavras? E o homem falador será justificado?

3. Às tuas mentiras se hão de calar os homens? E zombarás tu sem que ninguém te envergonhe?

4. Pois dizes: A minha doutrina é pura, e limpo sou aos teus olhos.

5. Mas na verdade, quem dera que Deus falasse e abrisse os seus lábios contra ti!

6. E te fizesse saber os segredos da sabedoria, que é multíplice em eficácia; sabe, pois, que Deus exige de ti menos do que merece a tua iniqüidade.

7. Porventura alcançarás os caminhos de Deus, ou chegarás à perfeição do Todo-Poderoso?

8. Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? E mais profunda do que o inferno, que poderás tu saber?

9. Mais comprida é a sua medida do que a terra, e mais larga do que o mar.

10. Se ele passar, aprisionar, ou chamar a juízo, quem o impedirá?

11. Porque ele conhece aos homens vãos, e vê o vício; e não o terá em consideração?

12. Mas o homem vão é falto de entendimento; sim, o homem nasce como a cria do jumento montês.

13. Se tu preparares o teu coração, e estenderes as tuas mãos para ele;

14. Se há iniqüidade na tua mão, lança-a para longe de ti e não deixes habitar a injustiça nas tuas tendas.

15. Porque então o teu rosto levantarás sem mácula; e estarás firme, e não temerás.

16. Porque te esquecerás do cansaço, e lembrar-te-ás dele como das águas que já passaram.

17. E a tua vida mais clara se levantará do que o meio dia; ainda que haja trevas, será como a manhã.

18. E terás confiança, porque haverá esperança; olharás em volta e repousarás seguro.

19. E deitar-te-ás, e ninguém te espantará; muitos suplicarão o teu favor.

20. Porém os olhos dos ímpios desfalecerão, e perecerá o seu refúgio; e a sua esperança será o expirar da alma.

1. Então respondeu, dizendo:

2. Na verdade, vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedoria.

3. Também eu tenho entendimento como vós, e não vos sou inferior; e quem não sabe tais coisas como essas?

4. Eu sou motivo de riso para os meus amigos; eu, que invoco a Deus, e ele me responde; o justo e perfeito serve de zombaria.

5. Tocha desprezível é, na opinião do que está descansado, aquele que está pronto a vacilar com os pés.

6. As tendas dos assoladores têm descanso, e os que provocam a Deus estão seguros; nas suas mãos Deus lhes põe tudo.

7. Mas, pergunta agora às alimárias, e cada uma delas te ensinará; e às aves dos céus, e elas te farão saber;

8. Ou fala com a terra, e ela te ensinará; até os peixes do mar te contarão.

9. Quem não entende, por todas estas coisas, que a mão do SENHOR fez isto?

10. Na sua mão está a alma de tudo quanto vive, e o espírito de toda a carne humana.

11. Porventura o ouvido não provará as palavras, como o paladar prova as comidas?

12. Com os idosos está a sabedoria, e na longevidade o entendimento.

13. Com ele está a sabedoria e a força; conselho e entendimento tem.

14. Eis que ele derruba, e ninguém há que edifique; prende um homem, e ninguém há que o solte.

15. Eis que ele retém as águas, e elas secam; e solta-as, e elas transtornam a terra.

16. Com ele está a força e a sabedoria; seu é o que erra e o que o faz errar.

17. Aos conselheiros leva despojados, e aos juízes faz desvairar.

18. Solta a autoridade dos reis, e ata o cinto aos seus lombos.

19. Aos sacerdotes leva despojados, aos poderosos transtorna.

20. Aos acreditados tira a fala, e tira o entendimento aos anciãos.

21. Derrama desprezo sobre os príncipes, e afrouxa o cinto dos fortes.

22. Das trevas descobre coisas profundas, e traz à luz a sombra da morte.

23. Multiplica as nações e as faz perecer; dispersa as nações, e de novo as reconduz.

24. Tira o entendimento aos chefes dos povos da terra, e os faz vaguear pelos desertos, sem caminho.

25. Nas trevas andam às apalpadelas, sem terem luz, e os faz desatinar como ébrios.

1. Eis que tudo isto viram os meus olhos, e os meus ouvidos o ouviram e entenderam.

2. Como vós o sabeis, também eu o sei; não vos sou inferior.

3. Mas eu falarei ao Todo-Poderoso, e quero defender-me perante Deus.

4. Vós, porém, sois inventores de mentiras, e vós todos médicos que não valem nada.

5. Quem dera que vos calásseis de todo, pois isso seria a vossa sabedoria.

6. Ouvi agora a minha defesa, e escutai os argumentos dos meus lábios.

7. Porventura por Deus falareis perversidade e por ele falareis mentiras?

8. Fareis acepção da sua pessoa? Contendereis por Deus?

9. Ser-vos-ia bom, se ele vos esquadrinhasse? Ou zombareis dele, como se zomba de algum homem?

10. Certamente vos repreenderá, se em oculto fizerdes acepção de pessoas.

11. Porventura não vos espantará a sua alteza, e não cairá sobre vós o seu terror?

12. As vossas memórias são como provérbios de cinza; as vossas defesas como defesas de lodo.

13. Calai-vos perante mim, e falarei eu, e venha sobre mim o que vier.

14. Por que razão tomarei eu a minha carne com os meus dentes, e porei a minha vida na minha mão?

15. Ainda que ele me mate, nele esperarei; contudo os meus caminhos defenderei diante dele.

16. Também ele será a minha salvação; porém o hipócrita não virá perante ele.

17. Ouvi com atenção as minhas palavras, e com os vossos ouvidos a minha declaração.

18. Eis que já tenho ordenado a minha causa, e sei que serei achado justo.

19. Quem é o que contenderá comigo? Se eu agora me calasse, renderia o espírito.

20. Duas coisas somente não faças para comigo; então não me esconderei do teu rosto:

21. Desvia a tua mão para longe, de mim, e não me espante o teu terror.

22. Chama, pois, e eu responderei; ou eu falarei, e tu me responderás.

23. Quantas culpas e pecados tenho eu? Notifica-me a minha transgressão e o meu pecado.

24. Por que escondes o teu rosto, e me tens por teu inimigo?

25. Porventura acossarás uma folha arrebatada pelo vento? E perseguirás o restolho seco?

26. Por que escreves contra mim coisas amargas e me fazes herdar as culpas da minha mocidade?

27. Também pões os meus pés no tronco, e observas todos os meus caminhos, e marcas os sinais dos meus pés.

28. E ele me consome como a podridão, e como a roupa, à qual rói a traça.

1. O homem, nascido da mulher, é de poucos dias e farto de inquietação.

2. Sai como a flor, e murcha; foge também como a sombra, e não permanece.

3. E sobre este tal abres os teus olhos, e a mim me fazes entrar no juízo contigo.

4. Quem do imundo tirará o puro? Ninguém.

5. Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles.

6. Desvia-te dele, para que tenha repouso, até que, como o jornaleiro, tenha contentamento no seu dia.

7. Porque há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos.

8. Se envelhecer na terra a sua raiz, e o seu tronco morrer no pó,

9. Ao cheiro das águas brotará, e dará ramos como uma planta.

10. Porém, morto o homem, é consumido; sim, rendendo o homem o espírito, então onde está ele?

11. Como as águas se retiram do mar, e o rio se esgota, e fica seco,

12. Assim o homem se deita, e não se levanta; até que não haja mais céus, não acordará nem despertará de seu sono.

13. Quem dera que me escondesses na sepultura, e me ocultasses até que a tua ira se fosse; e me pusesses um limite, e te lembrasses de mim!

14. Morrendo o homem, porventura tornará a viver? Todos os dias de meu combate esperaria, até que viesse a minha mudança.

15. Chamar-me-ias, e eu te responderia, e terias afeto à obra de tuas mãos.

16. Mas agora contas os meus passos; porventura não vigias sobre o meu pecado?

17. A minha transgressão está selada num saco, e amontoas as minhas iniqüidades.

18. E, na verdade, caindo a montanha, desfaz-se; e a rocha se remove do seu lugar.

19. As águas gastam as pedras, as cheias afogam o pó da terra; e tu fazes perecer a esperança do homem;

20. Tu para sempre prevaleces contra ele, e ele passa; mudas o seu rosto, e o despedes.

21. Os seus filhos recebem honra, sem que ele o saiba; são humilhados; sem que ele o perceba;

22. Mas a sua carne nele tem dores; e a sua alma nele lamenta.

Significados: Elifaz, Deus, .

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Este lívro compôe o Antigo Testamento, tem 42 capítulos, e 1070 versículos.