João

1. E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galiléia; e estava ali a mãe de Jesus.

2. E foi também convidado Jesus e os seus discípulos para as bodas.

3. E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho.

4. Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.

5. Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser.

6. E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam dois ou três almudes.

7. Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima.

8. E disse-lhes: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E levaram.

9. E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo.

10. E disse-lhe: Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.

11. Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.

12. Depois disto desceu a Cafarnaum, ele, e sua mãe, e seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.

13. E estava próxima a páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.

14. E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados.

15. E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas;

16. E disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes, e não façais da casa de meu Pai casa de venda.

17. E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorará.

18. Responderam, pois, os judeus, e disseram-lhe: Que sinal nos mostras para fazeres isto?

19. Jesus respondeu, e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei.

20. Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias?

21. Mas ele falava do templo do seu corpo.

22. Quando, pois, ressuscitou dentre os mortos, os seus discípulos lembraram-se de que lhes dissera isto; e creram na Escritura, e na palavra que Jesus tinha dito.

23. E, estando ele em Jerusalém pela páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome.

24. Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia;

25. E não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem.

1. E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.

2. Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.

3. Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

4. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?

5. Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.

6. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.

7. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.

8. O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

9. Nicodemos respondeu, e disse-lhe: Como pode ser isso?

10. Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e não sabes isto?

11. Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos o que vimos; e não aceitais o nosso testemunho.

12. Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?

13. Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu.

14. E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado;

15. Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

16. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

17. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.

18. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.

19. E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.

20. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.

21. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.

22. Depois disto foi Jesus com os seus discípulos para a terra da Judéia; e estava ali com eles, e batizava.

23. Ora, João batizava também em Enom, junto a Salim, porque havia ali muitas águas; e vinham ali, e eram batizados.

24. Porque ainda João não tinha sido lançado na prisão.

25. Houve então uma questão entre os discípulos de João e os judeus acerca da purificação.

26. E foram ter com João, e disseram-lhe: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tu deste testemunho, ei-lo batizando, e todos vão ter com ele.

27. João respondeu, e disse: O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu.

28. Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele.

29. Aquele que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. Assim, pois, já este meu gozo está cumprido.

30. É necessário que ele cresça e que eu diminua.

31. Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos.

32. E aquilo que ele viu e ouviu isso testifica; e ninguém aceita o seu testemunho.

33. Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro.

34. Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; pois não lhe dá Deus o Espírito por medida.

35. O Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou nas suas mãos.

36. Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.

1. E quando o Senhor entendeu que os fariseus tinham ouvido que Jesus fazia e batizava mais discípulos do que João

2. (Ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos),

3. Deixou a Judéia, e foi outra vez para a Galiléia.

4. E era-lhe necessário passar por Samaria.

5. Foi, pois, a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacó tinha dado a seu filho José.

6. E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase à hora sexta.

7. Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.

8. Porque os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida.

9. Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos).

10. Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.

11. Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva?

12. És tu maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado?

13. Jesus respondeu, e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede;

14. Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.

15. Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la.

16. Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá.

17. A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido;

18. Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.

19. Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta.

20. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar.

21. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.

22. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus.

23. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.

24. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.

25. A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo.

26. Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo.

27. E nisto vieram os seus discípulos, e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher; todavia nenhum lhe disse: Que perguntas? ou: Por que falas com ela?

28. Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, e foi à cidade, e disse àqueles homens:

29. Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Porventura não é este o Cristo?

30. Saíram, pois, da cidade, e foram ter com ele.

31. E entretanto os seus discípulos lhe rogaram, dizendo: Rabi, come.

32. Ele, porém, lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis.

33. Então os discípulos diziam uns aos outros: Trouxe-lhe, porventura, alguém algo de comer?

34. Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra.

35. Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo: Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa.

36. E o que ceifa recebe galardão, e ajunta fruto para a vida eterna; para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem.

37. Porque nisto é verdadeiro o ditado, que um é o que semeia, e outro o que ceifa.

38. Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho.

39. E muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele, pela palavra da mulher, que testificou: Disse-me tudo quanto tenho feito.

40. Indo, pois, ter com ele os samaritanos, rogaram-lhe que ficasse com eles; e ficou ali dois dias.

41. E muitos mais creram nele, por causa da sua palavra.

42. E diziam à mulher: Já não é pelo teu dito que nós cremos; porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo.

43. E dois dias depois partiu dali, e foi para a Galiléia.

44. Porque Jesus mesmo testificou que um profeta não tem honra na sua própria pátria.

45. Chegando, pois, à Galiléia, os galileus o receberam, vistas todas as coisas que fizera em Jerusalém, no dia da festa; porque também eles tinham ido à festa.

46. Segunda vez foi Jesus a Caná da Galiléia, onde da água fizera vinho. E havia ali um nobre, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum.

47. Ouvindo este que Jesus vinha da Judéia para a Galiléia, foi ter com ele, e rogou-lhe que descesse, e curasse o seu filho, porque já estava à morte.

48. Então Jesus lhe disse: Se não virdes sinais e milagres, não crereis.

49. Disse-lhe o nobre: Senhor, desce, antes que meu filho morra.

50. Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe disse, e partiu.

51. E descendo ele logo, saíram-lhe ao encontro os seus servos, e lhe anunciaram, dizendo: O teu filho vive.

52. Perguntou-lhes, pois, a que hora se achara melhor. E disseram-lhe: Ontem às sete horas a febre o deixou.

53. Entendeu, pois, o pai que era aquela hora a mesma em que Jesus lhe disse: O teu filho vive; e creu ele, e toda a sua casa.

54. Jesus fez este segundo milagre, quando ia da Judéia para a Galiléia.

1. Depois disto havia uma festa entre os judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.

2. Ora, em Jerusalém há, próximo à porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres.

3. Nestes jazia grande multidão de enfermos, cegos, mancos e ressicados, esperando o movimento da água.

4. Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque, e agitava a água; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse.

5. E estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo.

6. E Jesus, vendo este deitado, e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são?

7. O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me ponha no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim.

8. Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma o teu leito, e anda.

9. Logo aquele homem ficou são; e tomou o seu leito, e andava. E aquele dia era sábado.

10. Então os judeus disseram àquele que tinha sido curado: É sábado, não te é lícito levar o leito.

11. Ele respondeu-lhes: Aquele que me curou, ele próprio disse: Toma o teu leito, e anda.

12. Perguntaram-lhe, pois: Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito, e anda?

13. E o que fora curado não sabia quem era; porque Jesus se havia retirado, em razão de naquele lugar haver grande multidão.

14. Depois Jesus encontrou-o no templo, e disse-lhe: Eis que já estás são; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior.

15. E aquele homem foi, e anunciou aos judeus que Jesus era o que o curara.

16. E por esta causa os judeus perseguiram a Jesus, e procuravam matá-lo, porque fazia estas coisas no sábado.

17. E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.

18. Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.

19. Mas Jesus respondeu, e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente.

20. Porque o Pai ama o Filho, e mostra-lhe tudo o que faz; e ele lhe mostrará maiores obras do que estas, para que vos maravilheis.

21. Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer.

22. E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo;

23. Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou.

24. Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.

25. Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão.

26. Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo;

27. E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem.

28. Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz.

29. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação.

30. Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou.

31. Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro.

32. Há outro que testifica de mim, e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro.

33. Vós mandastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade.

34. Eu, porém, não recebo testemunho de homem; mas digo isto, para que vos salveis.

35. Ele era a candeia que ardia e alumiava, e vós quisestes alegrar-vos por um pouco de tempo com a sua luz.

36. Mas eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pai me enviou.

37. E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer.

38. E a sua palavra não permanece em vós, porque naquele que ele enviou não credes vós.

39. Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;

40. E não quereis vir a mim para terdes vida.

41. Eu não recebo glória dos homens;

42. Mas bem vos conheço, que não tendes em vós o amor de Deus.

43. Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis.

44. Como podeis vós crer, recebendo honra uns dos outros, e não buscando a honra que vem só de Deus?

45. Não cuideis que eu vos hei de acusar para com o Pai. Há um que vos acusa, Moisés, em quem vós esperais.

46. Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu ele.

47. Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?

1. Depois disto partiu Jesus para o outro lado do mar da Galiléia, que é o de Tiberíades.

2. E grande multidão o seguia, porque via os sinais que operava sobre os enfermos.

3. E Jesus subiu ao monte, e assentou-se ali com os seus discípulos.

4. E a páscoa, a festa dos judeus, estava próxima.

5. Então Jesus, levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: Onde compraremos pão, para estes comerem?

6. Mas dizia isto para o experimentar; porque ele bem sabia o que havia de fazer.

7. Filipe respondeu-lhe: Duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão, para que cada um deles tome um pouco.

8. E um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe:

9. Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos?

10. E disse Jesus: Mandai assentar os homens. E havia muita relva naquele lugar. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil.

11. E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos pelos que estavam assentados; e igualmente também dos peixes, quanto eles queriam.

12. E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.

13. Recolheram-nos, pois, e encheram doze alcofas de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido.

14. Vendo, pois, aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, diziam: Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo.

15. Sabendo, pois, Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, ele só, para o monte.

16. E, quando veio a tarde, os seus discípulos desceram para o mar.

17. E, entrando no barco, atravessaram o mar em direção a Cafarnaum; e era já escuro, e ainda Jesus não tinha chegado ao pé deles.

18. E o mar se levantou, porque um grande vento assoprava.

19. E, tendo navegado uns vinte e cinco ou trinta estádios, viram a Jesus, andando sobre o mar e aproximando-se do barco; e temeram.

20. Mas ele lhes disse: Sou eu, não temais.

21. Então eles de boa mente o receberam no barco; e logo o barco chegou à terra para onde iam.

22. No dia seguinte, a multidão que estava do outro lado do mar, vendo que não havia ali mais do que um barquinho, a não ser aquele no qual os discípulos haviam entrado, e que Jesus não entrara com os seus discípulos naquele barquinho, mas que os seus discípulos tinham ido sozinhos

23. (Contudo, outros barquinhos tinham chegado de Tiberíades, perto do lugar onde comeram o pão, havendo o Senhor dado graças).

24. Vendo, pois, a multidão que Jesus não estava ali nem os seus discípulos, entraram eles também nos barcos, e foram a Cafarnaum, em busca de Jesus.

25. E, achando-o no outro lado do mar, disseram-lhe: Rabi, quando chegaste aqui?

26. Jesus respondeu-lhes, e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.

27. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou.

28. Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus?

29. Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou.

30. Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu?

31. Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu.

32. Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu.

33. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.

34. Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão.

35. E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.

36. Mas já vos disse que também vós me vistes, e contudo não credes.

37. Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.

38. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

39. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia.

40. Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.

41. Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu.

42. E diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu?

43. Respondeu, pois, Jesus, e disse-lhes: Não murmureis entre vós.

44. Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.

45. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim.

46. Não que alguém visse ao Pai, a não ser aquele que é de Deus; este tem visto ao Pai.

47. Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna.

48. Eu sou o pão da vida.

49. Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram.

50. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra.

51. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.

52. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como nos pode dar este a sua carne a comer?

53. Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.

54. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.

55. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida.

56. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.

57. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.

58. Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.

59. Ele disse estas coisas na sinagoga, ensinando em Cafarnaum.

60. Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?

61. Sabendo, pois, Jesus em si mesmo que os seus discípulos murmuravam disto, disse-lhes: Isto escandaliza-vos?

62. Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava?

63. O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida.

64. Mas há alguns de vós que não crêem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar.

65. E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido.

66. Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele.

67. Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?

68. Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.

69. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente.

70. Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é um diabo.

71. E isto dizia ele de Judas Iscariotes, filho de Simão; porque este o havia de entregar, sendo um dos doze.

1. E depois disto Jesus andava pela Galiléia, e já não queria andar pela Judéia, pois os judeus procuravam matá-lo.

2. E estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos.

3. Disseram-lhe, pois, seus ir-mãos: Sai daqui, e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes.

4. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo.

5. Porque nem mesmo seus irmãos criam nele.

6. Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo sempre está pronto.

7. O mundo não vos pode odiar, mas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más.

8. Subi vós a esta festa; eu não subo ainda a esta festa, porque ainda o meu tempo não está cumprido.

9. E, havendo-lhes dito isto, ficou na Galiléia.

10. Mas, quando seus irmãos já tinham subido à festa, então subiu ele também, não manifestamente, mas como em oculto.

11. Ora, os judeus procuravam-no na festa, e diziam: Onde está ele?

12. E havia grande murmuração entre a multidão a respeito dele. Diziam alguns: Ele é bom. E outros diziam: Não, antes engana o povo.

13. Todavia ninguém falava dele abertamente, por medo dos judeus.

14. Mas, no meio da festa subiu Jesus ao templo, e ensinava.

15. E os judeus maravilhavam-se, dizendo: Como sabe este letras, não as tendo aprendido?

16. Jesus lhes respondeu, e disse: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.

17. Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo.

18. Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória; mas o que busca a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça.

19. Não vos deu Moisés a lei? e nenhum de vós observa a lei. Por que procurais matar-me?

20. A multidão respondeu, e disse: Tens demônio; quem procura matar-te?

21. Respondeu Jesus, e disse-lhes: Fiz uma só obra, e todos vos maravilhais.

22. Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão (não que fosse de Moisés, mas dos pais), no sábado circuncidais um homem.

23. Se o homem recebe a circuncisão no sábado, para que a lei de Moisés não seja quebrantada, indignais-vos contra mim, porque no sábado curei de todo um homem?

24. Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.

25. Então alguns dos de Jerusalém diziam: Não é este o que procuram matar?

26. E ei-lo aí está falando abertamente, e nada lhe dizem. Porventura sabem verdadeiramente os príncipes que de fato este é o Cristo?

27. Todavia bem sabemos de onde este é; mas, quando vier o Cristo, ninguém saberá de onde ele é.

28. Clamava, pois, Jesus no templo, ensinando, e dizendo: Vós conheceis-me, e sabeis de onde sou; e eu não vim de mim mesmo, mas aquele que me enviou é verdadeiro, o qual vós não conheceis.

29. Mas eu conheço-o, porque dele sou e ele me enviou.

30. Procuravam, pois, prendê-lo, mas ninguém lançou mão dele, porque ainda não era chegada a sua hora.

31. E muitos da multidão creram nele, e diziam: Quando o Cristo vier, fará ainda mais sinais do que os que este tem feito?

32. Os fariseus ouviram que a multidão murmurava dele estas coisas; e os fariseus e os principais dos sacerdotes mandaram servidores para o prenderem.

33. Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda um pouco de tempo estou convosco, e depois vou para aquele que me enviou.

34. Vós me buscareis, e não me achareis; e onde eu estou, vós não podeis vir.

35. Disseram, pois, os judeus uns para os outros: Para onde irá este, que o não acharemos? Irá porventura para os dispersos entre os gregos, e ensinará os gregos?

36. Que palavra é esta que disse: Buscar-me-eis, e não me achareis; e: Aonde eu estou vós não podeis ir?

37. E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba.

38. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.

39. E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado.

40. Então muitos da multidão, ouvindo esta palavra, diziam: Verdadeiramente este é o Profeta.

41. Outros diziam: Este é o Cristo; mas diziam outros: Vem, pois, o Cristo da Galiléia?

42. Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi, e de Belém, da aldeia de onde era Davi?

43. Assim entre o povo havia dissensão por causa dele.

44. E alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém lançou mão dele.

45. E os servidores foram ter com os principais dos sacerdotes e fariseus; e eles lhes perguntaram: Por que não o trouxestes?

46. Responderam os servidores: Nunca homem algum falou assim como este homem.

47. Responderam-lhes, pois, os fariseus: Também vós fostes enganados?

48. Creu nele porventura algum dos principais ou dos fariseus?

49. Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita.

50. Nicodemos, que era um deles (o que de noite fora ter com Jesus), disse-lhes:

51. Porventura condena a nossa lei um homem sem primeiro o ouvir e ter conhecimento do que faz?

52. Responderam eles, e disseram-lhe: És tu também da Galiléia? Examina, e verás que da Galiléia nenhum profeta surgiu.

53. E cada um foi para sua casa.

1. Jesus, porém, foi para o Monte das Oliveiras.

2. E pela manhã cedo tornou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-se, os ensinava.

3. E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério;

4. E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando.

5. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?

6. Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra.

7. E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.

8. E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra.

9. Quando ouviram isto, redargüidos da consciência, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficou só Jesus e a mulher que estava no meio.

10. E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?

11. E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.

12. Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.

13. Disseram-lhe, pois, os fariseus: Tu testificas de ti mesmo; o teu testemunho não é verdadeiro.

14. Respondeu Jesus, e disse-lhes: Ainda que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei de onde vim, e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho, nem para onde vou.

15. Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo.

16. E, se na verdade julgo, o meu juízo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai que me enviou.

17. E na vossa lei está também escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro.

18. Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai que me enviou.

19. Disseram-lhe, pois: Onde está teu Pai? Jesus respondeu: Não me conheceis a mim, nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai.

20. Estas palavras disse Jesus no lugar do tesouro, ensinando no templo, e ninguém o prendeu, porque ainda não era chegada a sua hora.

21. Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Eu retiro-me, e buscar-me-eis, e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, não podeis vós vir.

22. Diziam, pois, os judeus: Porventura quererá matar-se a si mesmo, pois diz: Para onde eu vou não podeis vir?

23. E dizia-lhes: Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.

24. Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.

25. Disseram-lhe, pois: Quem és tu? Jesus lhes disse: Isso mesmo que já desde o princípio vos disse.

26. Muito tenho que dizer e julgar de vós, mas aquele que me enviou é verdadeiro; e o que dele tenho ouvido, isso falo ao mundo.

27. Mas não entenderam que ele lhes falava do Pai.

28. Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis quem eu sou, e que nada faço por mim mesmo; mas falo como meu Pai me ensinou.

29. E aquele que me enviou está comigo. O Pai não me tem deixado só, porque eu faço sempre o que lhe agrada.

30. Dizendo ele estas coisas, muitos creram nele.

31. Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos;

32. E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

33. Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?

34. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado.

35. Ora o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre.

36. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.

37. Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-me, porque a minha palavra não entra em vós.

38. Eu falo do que vi junto de meu Pai, e vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai.

39. Responderam, e disseram-lhe: Nosso pai é Abraão. Jesus disse-lhes: Se fósseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão.

40. Mas agora procurais matar-me, a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isto.

41. Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é Deus.

42. Disse-lhes, pois, Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, certamente me amaríeis, pois que eu saí, e vim de Deus; não vim de mim mesmo, mas ele me enviou.

43. Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra.

44. Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.

45. Mas, porque vos digo a verdade, não me credes.

46. Quem dentre vós me convence de pecado? E se vos digo a verdade, por que não credes?

47. Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso vós não as escutais, porque não sois de Deus.

48. Responderam, pois, os judeus, e disseram-lhe: Não dizemos nós bem que és samaritano, e que tens demônio?

49. Jesus respondeu: Eu não tenho demônio, antes honro a meu Pai, e vós me desonrais.

50. Eu não busco a minha glória; há quem a busque, e julgue.

51. Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte.

52. Disseram-lhe, pois, os judeus: Agora conhecemos que tens demônio. Morreu Abraão e os profetas; e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte.

53. És tu maior do que o nosso pai Abraão, que morreu? E também os profetas morreram. Quem te fazes tu ser?

54. Jesus respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus.

55. E vós não o conheceis, mas eu conheço-o. E, se disser que o não conheço, serei mentiroso como vós; mas conheço-o e guardo a sua palavra.

56. Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se.

57. Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos, e viste Abraão?

58. Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou.

59. Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou.

1. E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença.

2. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?

3. Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.

4. Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.

5. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.

6. Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego.

7. E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo.

8. Então os vizinhos, e aqueles que dantes tinham visto que era cego, diziam: Não é este aquele que estava assentado e mendigava?

9. Uns diziam: É este. E outros: Parece-se com ele. Ele dizia: Sou eu.

10. Diziam-lhe, pois: Como se te abriram os olhos?

11. Ele respondeu, e disse: O homem, chamado Jesus, fez lodo, e untou-me os olhos, e disse-me: Vai ao tanque de Siloé, e lava-te. Então fui, e lavei-me, e vi.

12. Disseram-lhe, pois: Onde está ele? Respondeu: Não sei.

13. Levaram, pois, aos fariseus o que dantes era cego.

14. E era sábado quando Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos.

15. Tornaram, pois, também os fariseus a perguntar-lhe como vira, e ele lhes disse: Pôs-me lodo sobre os olhos, lavei-me, e vejo.

16. Então alguns dos fariseus diziam: Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado. Diziam outros: Como pode um homem pecador fazer tais sinais? E havia dissensão entre eles.

17. Tornaram, pois, a dizer ao cego: Tu, que dizes daquele que te abriu os olhos? E ele respondeu: Que é profeta.

18. Os judeus, porém, não creram que ele tivesse sido cego, e que agora visse, enquanto não chamaram os pais do que agora via.

19. E perguntaram-lhes, dizendo: É este o vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Como, pois, vê agora?

20. Seus pais lhes responderam, e disseram: Sabemos que este é o nosso filho, e que nasceu cego;

21. Mas como agora vê, não sabemos; ou quem lhe tenha aberto os olhos, não sabemos. Tem idade, perguntai-lho a ele mesmo; e ele falará por si mesmo.

22. Seus pais disseram isto, porque temiam os judeus. Porquanto já os judeus tinham resolvido que, se alguém confessasse ser ele o Cristo, fosse expulso da sinagoga.

23. Por isso é que seus pais disseram: Tem idade, perguntai-lho a ele mesmo.

24. Chamaram, pois, pela segunda vez o homem que tinha sido cego, e disseram-lhe: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador.

25. Respondeu ele pois, e disse: Se é pecador, não sei; uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo.

26. E tornaram a dizer-lhe: Que te fez ele? Como te abriu os olhos?

27. Respondeu-lhes: Já vo-lo disse, e não ouvistes; para que o quereis tornar a ouvir? Quereis vós porventura fazer-vos também seus discípulos?

28. Então o injuriaram, e disseram: Discípulo dele sejas tu; nós, porém, somos discípulos de Moisés.

29. Nós bem sabemos que Deus falou a Moisés, mas este não sabemos de onde é.

30. O homem respondeu, e disse-lhes: Nisto, pois, está a maravilha, que vós não saibais de onde ele é, e contudo me abrisse os olhos.

31. Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve.

32. Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença.

33. Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer.

34. Responderam eles, e disseram-lhe: Tu és nascido todo em pecados, e nos ensinas a nós? E expulsaram-no.

35. Jesus ouviu que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: Crês tu no Filho de Deus?

36. Ele respondeu, e disse: Quem é ele, Senhor, para que nele creia?

37. E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo.

38. Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou.

39. E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem sejam cegos.

40. E aqueles dos fariseus, que estavam com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: Também nós somos cegos?

41. Disse-lhes Jesus: Se fósseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece.

1. Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.

2. Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas.

3. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora.

4. E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz.

5. Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.

6. Jesus disse-lhes esta parábola; mas eles não entenderam o que era que lhes dizia.

7. Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas.

8. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram.

9. Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.

10. O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.

11. Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.

12. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas.

13. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas.

14. Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido.

15. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas.

16. Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor.

17. Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la.

18. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai.

19. Tornou, pois, a haver divisão entre os judeus por causa destas palavras.

20. E muitos deles diziam: Tem demônio, e está fora de si; por que o ouvis?

21. Diziam outros: Estas palavras não são de endemoninhado. Pode, porventura, um demônio abrir os olhos aos cegos?

22. E em Jerusalém havia a festa da dedicação, e era inverno.

23. E Jesus andava passeando no templo, no alpendre de Salomão.

24. Rodearam-no, pois, os judeus, e disseram-lhe: Até quando terás a nossa alma suspensa? Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente.

25. Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo tenho dito, e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim.

26. Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito.

27. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem;

28. E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão.

29. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai.

30. Eu e o Pai somos um.

31. Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar.

32. Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais?

33. Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo.

34. Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses?

35. Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada),

36. Àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?

37. Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis.

38. Mas, se as faço, e não credes em mim, crede nas obras; para que conheçais e acrediteis que o Pai está em mim e eu nele.

39. Procuravam, pois, prendê-lo outra vez, mas ele escapou-se de suas mãos,

40. E retirou-se outra vez para além do Jordão, para o lugar onde João tinha primeiramente batizado; e ali ficou.

41. E muitos iam ter com ele, e diziam: Na verdade João não fez sinal algum, mas tudo quanto João disse deste era verdade.

42. E muitos ali creram nele.

1. Estava, porém, enfermo um certo Lázaro, de betânia, aldeia de Maria e de sua irmã Marta.

2. E Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com ungüento, e lhe tinha enxugado os pés com os seus cabelos, cujo irmão Lázaro estava enfermo.

3. Mandaram-lhe, pois, suas irmãs dizer: Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas.

4. E Jesus, ouvindo isto, disse: Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.

5. Ora, Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro.

6. Ouvindo, pois, que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde estava.

7. Depois disto, disse aos seus discípulos: Vamos outra vez para a Judéia.

8. Disseram-lhe os discípulos: Rabi, ainda agora os judeus procuravam apedrejar-te, e tornas para lá?

9. Jesus respondeu: Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo;

10. Mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz.

11. Assim falou; e depois disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono.

12. Disseram, pois, os seus discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo.

13. Mas Jesus dizia isto da sua morte; eles, porém, cuidavam que falava do repouso do sono.

14. Então Jesus disse-lhes claramente: Lázaro está morto;

15. E folgo, por amor de vós, de que eu lá não estivesse, para que acrediteis; mas vamos ter com ele.

16. Disse, pois, Tomé, chamado Dídimo, aos condiscípulos: Vamos nós também, para morrermos com ele.

17. Chegando, pois, Jesus, achou que já havia quatro dias que estava na sepultura.

18. (Ora betânia distava de Jerusalém quase quinze estádios.)

19. E muitos dos judeus tinham ido consolar a Marta e a Maria, acerca de seu irmão.

20. Ouvindo, pois, Marta que Jesus vinha, saiu-lhe ao encontro; Maria, porém, ficou assentada em casa.

21. Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.

22. Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá.

23. Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar.

24. Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia.

25. Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;

26. E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?

27. Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo.

28. E, dito isto, partiu, e chamou em segredo a Maria, sua irmã, dizendo: O Mestre está cá, e chama-te.

29. Ela, ouvindo isto, levantou-se logo, e foi ter com ele.

30. (Ainda Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar onde Marta o encontrara.)

31. Vendo, pois, os judeus, que estavam com ela em casa e a consolavam, que Maria apressadamente se levantara e saíra, seguiram-na, dizendo: Vai ao sepulcro para chorar ali.

32. Tendo, pois, Maria chegado aonde Jesus estava, e vendo-o, lançou-se aos seus pés, dizendo-lhe: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.

33. Jesus pois, quando a viu chorar, e também chorando os judeus que com ela vinham, moveu-se muito em espírito, e perturbou-se.

34. E disse: Onde o pusestes? Disseram-lhe: Senhor, vem, e vê.

35. Jesus chorou.

36. Disseram, pois, os judeus: Vede como o amava.

37. E alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também com que este não morresse?

38. Jesus, pois, movendo-se outra vez muito em si mesmo, veio ao sepulcro; e era uma caverna, e tinha uma pedra posta sobre ela.

39. Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-lhe: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias.

40. Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?

41. Tiraram, pois, a pedra de onde o defunto jazia. E Jesus, levantando os olhos para cima, disse: Pai, graças te dou, por me haveres ouvido.

42. Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste.

43. E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora.

44. E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o, e deixai-o ir.

45. Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo a Maria, e que tinham visto o que Jesus fizera, creram nele.

46. Mas alguns deles foram ter com os fariseus, e disseram-lhes o que Jesus tinha feito.

47. Depois os principais dos sacerdotes e os fariseus formaram conselho, e diziam: Que faremos? porquanto este homem faz muitos sinais.

48. Se o deixamos assim, todos crerão nele, e virão os romanos, e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação.

49. E Caifás, um deles que era sumo sacerdote naquele ano, lhes disse: Vós nada sabeis,

50. Nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação.

51. Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação.

52. E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos.

53. Desde aquele dia, pois, consultavam-se para o matarem.

54. Jesus, pois, já não andava manifestamente entre os judeus, mas retirou-se dali para a terra junto do deserto, para uma cidade chamada Efraim; e ali ficou com os seus discípulos.

55. E estava próxima a páscoa dos judeus, e muitos daquela região subiram a Jerusalém antes da páscoa para se purificarem.

56. Buscavam, pois, a Jesus, e diziam uns aos outros, estando no templo: Que vos parece? Não virá à festa?

57. Ora, os principais dos sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem para que, se alguém soubesse onde ele estava, o denunciasse, para o prenderem.

1. Foi, pois, Jesus seis dias antes da páscoa a betânia, onde estava Lázaro, o que falecera, e a quem ressuscitara dentre os mortos.

2. Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele.

3. Então Maria, tomando um arrátel de ungüento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do ungüento.

4. Então, um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo, disse:

5. Por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres?

6. Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava.

7. Disse, pois, Jesus: Deixai-a; para o dia da minha sepultura guardou isto;

8. Porque os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes.

9. E muita gente dos judeus soube que ele estava ali; e foram, não só por causa de Jesus, mas também para ver a Lázaro, a quem ressuscitara dentre os mortos.

10. E os principais dos sacerdotes tomaram deliberação para matar também a Lázaro;

11. Porque muitos dos judeus, por causa dele, iam e criam em Jesus.

12. No dia seguinte, ouvindo uma grande multidão, que viera à festa, que Jesus vinha a Jerusalém,

13. Tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor.

14. E achou Jesus um jumentinho, e assentou-se sobre ele, como está escrito:

15. Não temas, ó filha de Sião; eis que o teu Rei vem assentado sobre o filho de uma jumenta.

16. Os seus discípulos, porém, não entenderam isto no princípio; mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que isto estava escrito dele, e que isto lhe fizeram.

17. A multidão, pois, que estava com ele quando Lázaro foi chamado da sepultura, testificava que ele o ressuscitara dentre os mortos.

18. Por isso a multidão lhe saiu ao encontro, porque tinham ouvido que ele fizera este sinal.

19. Disseram, pois, os fariseus entre si: Vedes que nada aproveitais? Eis que toda a gente vai após ele.

20. Ora, havia alguns gregos, entre os que tinham subido a adorar no dia da festa.

21. Estes, pois, dirigiram-se a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queríamos ver a Jesus.

22. Filipe foi dizê-lo a André, e então André e Filipe o disseram a Jesus.

23. E Jesus lhes respondeu, dizendo: E chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado.

24. Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.

25. Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna.

26. Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará.

27. Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isto vim a esta hora.

28. Pai, glorifica o teu nome. Então veio uma voz do céu que dizia: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei.

29. Ora, a multidão que ali estava, e que a ouvira, dizia que havia sido um trovão. Outros diziam: Um anjo lhe falou.

30. Respondeu Jesus, e disse: Não veio esta voz por amor de mim, mas por amor de vós.

31. Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo.

32. E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim.

33. E dizia isto, significando de que morte havia de morrer.

34. Respondeu-lhe a multidão: Nós temos ouvido da lei, que o Cristo permanece para sempre; e como dizes tu que convém que o Filho do homem seja levantado? Quem é esse Filho do homem?

35. Disse-lhes, pois, Jesus: A luz ainda está convosco por um pouco de tempo. Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai.

36. Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles.

37. E, ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele;

38. Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?

39. Por isso não podiam crer, então Isaías disse outra vez:

40. Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, A fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, E se convertam, E eu os cure.

41. Isaías disse isto quando viu a sua glória e falou dele.

42. Apesar de tudo, até muitos dos principais creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga.

43. Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus.

44. E Jesus clamou, e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou.

45. E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou.

46. Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.

47. E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo.

48. Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia.

49. Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar.

50. E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito.

Você está lendo João na edição ACF, Almeida Corrigida e Revisada Fiel, em Português.
Este lívro compôe o Novo Testamento, tem 21 capítulos, e 879 versículos.