Lucas

51. E aconteceu que, completando-se os dias para a sua assunção, manifestou o firme propósito de ir a Jerusalém.

52. E mandou mensageiros adiante de si; e, indo eles, entraram numa aldeia de samaritanos, para lhe prepararem pousada,

53. Mas não o receberam, porque o seu aspecto era como de quem ia a Jerusalém.

54. E os seus discípulos, Tiago e João, vendo isto, disseram: Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como Elias também fez?

55. Voltando-se, porém, repreendeu-os, e disse: Vós não sabeis de que espírito sois.

56. Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. E foram para outra aldeia.

57. E aconteceu que, indo eles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que fores.

58. E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.

59. E disse a outro: Segue-me. Mas ele respondeu: Senhor, deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai.

60. Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus.

61. Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa.

62. E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus.

1. E depois disto designou o Senhor ainda outros setenta, e mandou-os adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir.

2. E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara.

3. Ide; eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos.

4. Não leveis bolsa, nem alforje, nem alparcas; e a ninguém saudeis pelo caminho.

5. E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa.

6. E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós.

7. E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro de seu salário. Não andeis de casa em casa.

8. E, em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei do que vos for oferecido.

9. E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus.

10. Mas em qualquer cidade, em que entrardes e vos não receberem, saindo por suas ruas, dizei:

11. Até o pó, que da vossa cidade se nos pegou, sacudimos sobre vós. Sabei, contudo, isto, que já o reino de Deus é chegado a vós.

12. E digo-vos que mais tolerância haverá naquele dia para Sodoma do que para aquela cidade.

13. Ai de ti, Corazim, ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se fizessem as maravilhas que em vós foram feitas, já há muito, assentadas em saco e cinza, se teriam arrependido.

14. Portanto, para Tiro e Sidom haverá menos rigor, no juízo, do que para vós.

15. E tu, Cafarnaum, que te levantaste até ao céu, até ao inferno serás abatida.

16. Quem vos ouve a vós, a mim me ouve; e quem vos rejeita a vós, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou.

17. E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam.

18. E disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu.

19. Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum.

20. Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus.

21. Naquela mesma hora se alegrou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve.

22. Tudo por meu Pai me foi entregue; e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

23. E, voltando-se para os discípulos, disse-lhes em particular: Bem-aventurados os olhos que vêem o que vós vedes.

24. Pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o ouviram.

25. E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

26. E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês?

27. E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.

28. E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás.

29. Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?

30. E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.

31. E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.

32. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo.

33. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão;

34. E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;

35. E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar.

36. Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?

37. E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.

38. E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa;

39. E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.

40. Marta, porém andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude.

41. E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária;

42. E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.

1. E aconteceu que, estando ele a orar num certo lugar, quando acabou, lhe disse um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos.

2. E ele lhes disse: Quando orardes, dizei: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra, como no céu.

3. Dá-nos cada dia o nosso pão cotidiano;

4. E perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a qualquer que nos deve, e não nos conduzas em tentação, mas livra-nos do mal.

5. Disse-lhes também: Qual de vós terá um amigo, e, se for procurá-lo à meia-noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães,

6. Pois que um amigo meu chegou a minha casa, vindo de caminho, e não tenho que apresentar-lhe;

7. Se ele, respondendo de dentro, disser: Não me importunes; já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama; não posso levantar-me para tos dar;

8. Digo-vos que, ainda que não se levante a dar-lhos, por ser seu amigo, levantar-se-á, todavia, por causa da sua importunação, e lhe dará tudo o que houver mister.

9. E eu vos digo a vós: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á;

10. Porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate abrir-se-lhe-á.

11. E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente?

12. Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?

13. Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?

14. E estava ele expulsando um demônio, o qual era mudo. E aconteceu que, saindo o demônio, o mudo falou; e maravilhou-se a multidão.

15. Mas alguns deles diziam: Ele expulsa os demônios por Belzebu, príncipe dos demônios.

16. E outros, tentando-o, pediam-lhe um sinal do céu.

17. Mas, conhecendo ele os seus pensamentos, disse-lhes: Todo o reino, dividido contra si mesmo, será assolado; e a casa, dividida contra si mesma, cairá.

18. E, se também Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizeis que eu expulso os demônios por Belzebu.

19. E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam vossos filhos? Eles, pois, serão os vossos juízes.

20. Mas, se eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente a vós é chegado o reino de Deus.

21. Quando o valente guarda, armado, a sua casa, em segurança está tudo quanto tem;

22. Mas, sobrevindo outro mais valente do que ele, e vencendo-o, tira-lhe toda a sua armadura em que confiava, e reparte os seus despojos.

23. Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha.

24. Quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares secos, buscando repouso; e, não o achando, diz: Tornarei para minha casa, de onde saí.

25. E, chegando, acha-a varrida e adornada.

26. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e o último estado desse homem é pior do que o primeiro.

27. E aconteceu que, dizendo ele estas coisas, uma mulher dentre a multidão, levantando a voz, lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste.

28. Mas ele disse: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam.

29. E, ajuntando-se a multidão, começou a dizer: Maligna é esta geração; ela pede um sinal; e não lhe será dado outro sinal, senão o sinal do profeta Jonas;

30. Porquanto, assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, assim o Filho do homem o será também para esta geração.

31. A rainha do sul se levantará no juízo com os homens desta geração, e os condenará; pois até dos confins da terra veio ouvir a sabedoria de Salomão; e eis aqui está quem é maior do que Salomão.

32. Os homens de Nínive se levantarão no juízo com esta geração, e a condenarão; pois se converteram com a pregação de Jonas; e eis aqui está quem é maior do que Jonas.

33. E ninguém, acendendo uma candeia, a põe em oculto, nem debaixo do alqueire, mas no velador, para que os que entram vejam a luz.

34. A candeia do corpo é o olho. Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau, também o teu corpo será tenebroso.

35. Vê, pois, que a luz que em ti há não sejam trevas.

36. Se, pois, todo o teu corpo é luminoso, não tendo em trevas parte alguma, todo será luminoso, como quando a candeia te ilumina com o seu resplendor.

37. E, estando ele ainda falando, rogou-lhe um fariseu que fosse jantar com ele; e, entrando, assentou-se à mesa.

38. Mas o fariseu admirou-se, vendo que não se lavara antes de jantar.

39. E o Senhor lhe disse: Agora vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato; mas o vosso interior está cheio de rapina e maldade.

40. Loucos! Quem fez o exterior não fez também o interior?

41. Antes dai esmola do que tiverdes, e eis que tudo vos será limpo.

42. Mas ai de vós, fariseus, que dizimais a hortelã, e a arruda, e toda a hortaliça, e desprezais o juízo e o amor de Deus. Importava fazer estas coisas, e não deixar as outras.

43. Ai de vós, fariseus, que amais os primeiros assentos nas sinagogas, e as saudações nas praças.

44. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! que sois como as sepulturas que não aparecem, e os homens que sobre elas andam não o sabem.

45. E, respondendo um dos doutores da lei, disse-lhe: Mestre, quando dizes isso, também nos afrontas a nós.

46. E ele lhe disse: Ai de vós também, doutores da lei, que carregais os homens com cargas difíceis de transportar, e vós mesmos nem ainda com um dos vossos dedos tocais essas cargas.

47. Ai de vós que edificais os sepulcros dos profetas, e vossos pais os mataram.

48. Bem testificais, pois, que consentis nas obras de vossos pais; porque eles os mataram, e vós edificais os seus sepulcros.

49. Por isso diz também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns, e perseguirão outros;

50. Para que desta geração seja requerido o sangue de todos os profetas que, desde a fundação do mundo, foi derramado;

51. Desde o sangue de Abel, até ao sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo; assim, vos digo, será requerido desta geração.

52. Ai de vós, doutores da lei, que tirastes a chave da ciência; vós mesmos não entrastes, e impedistes os que entravam.

53. E, dizendo-lhes ele isto, começaram os escribas e os fariseus a apertá-lo fortemente, e a fazê-lo falar acerca de muitas coisas,

54. Armando-lhe ciladas, e procurando apanhar da sua boca alguma coisa para o acusarem.

1. Ajuntando-se entretanto muitos milhares de pessoas, de sorte que se atropelavam uns aos outros, começou a dizer aos seus discípulos: Acautelai-vos primeiramente do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.

2. Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido.

3. Porquanto tudo o que em trevas dissestes, à luz será ouvido; e o que falastes ao ouvido no gabinete, sobre os telhados será apregoado.

4. E digo-vos, amigos meus: Não temais os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer.

5. Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei.

6. Não se vendem cinco passarinhos por dois ceitis? E nenhum deles está esquecido diante de Deus.

7. E até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos.

8. E digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus.

9. Mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus.

10. E a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem ser-lhe-á perdoada, mas ao que blasfemar contra o Espírito Santo não lhe será perdoado.

11. E, quando vos conduzirem às sinagogas, aos magistrados e potestades, não estejais solícitos de como ou do que haveis de responder, nem do que haveis de dizer.

12. Porque na mesma hora vos ensinará o Espírito Santo o que vos convenha falar.

13. E disse-lhe um da multidão: Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança.

14. Mas ele lhe disse: Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?

15. E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.

16. E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância;

17. E ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos.

18. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens;

19. E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga.

20. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?

21. Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.

22. E disse aos seus discípulos: Portanto vos digo: Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis.

23. Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que as vestes.

24. Considerai os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem têm despensa nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vós do que as aves?

25. E qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua estatura?

26. Pois, se nem ainda podeis as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?

27. Considerai os lírios, como eles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.

28. E, se Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?

29. Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos.

30. Porque as nações do mundo buscam todas essas coisas; mas vosso Pai sabe que precisais delas.

31. Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

32. Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.

33. Vendei o que tendes, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói.

34. Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração.

35. Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas as vossas candeias.

36. E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier, e bater, logo possam abrir-lhe.

37. Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa e, chegando-se, os servirá.

38. E, se vier na segunda vigília, e se vier na terceira vigília, e os achar assim, bem-aventurados são os tais servos.

39. Sabei, porém, isto: que, se o pai de família soubesse a que hora havia de vir o ladrão, vigiaria, e não deixaria minar a sua casa.

40. Portanto, estai vós também apercebidos; porque virá o Filho do homem à hora que não imaginais.

41. E disse-lhe Pedro: Senhor, dizes essa parábola a nós, ou também a todos?

42. E disse o Senhor: Qual é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor pôs sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a ração?

43. Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar fazendo assim.

44. Em verdade vos digo que sobre todos os seus bens o porá.

45. Mas, se aquele servo disser em seu coração: O meu senhor tarda em vir; e começar a espancar os criados e criadas, e a comer, e a beber, e a embriagar-se,

46. Virá o senhor daquele servo no dia em que o não espera, e numa hora que ele não sabe, e separá-lo-á, e lhe dará a sua parte com os infiéis.

47. E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites;

48. Mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá.

49. Vim lançar fogo na terra; e que mais quero, se já está aceso?

50. Importa, porém, que seja batizado com um certo batismo; e como me angustio até que venha a cumprir-se!

51. Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão;

52. Porque daqui em diante estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois contra três.

53. O pai estará dividido contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra sua nora, e a nora contra sua sogra.

54. E dizia também à multidão: Quando vedes a nuvem que vem do ocidente, logo dizeis: Lá vem chuva, e assim sucede.

55. E, quando assopra o sul, dizeis: Haverá calma; e assim sucede.

56. Hipócritas, sabeis discernir a face da terra e do céu; como não sabeis então discernir este tempo?

57. E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?

58. Quando, pois, vais com o teu adversário ao magistrado, procura livrar-te dele no caminho; para que não suceda que te conduza ao juiz, e o juiz te entregue ao meirinho, e o meirinho te encerre na prisão.

59. Digo-te que não sairás dali enquanto não pagares o derradeiro ceitil.

1. E, Naquele mesmo tempo, estavam presentes ali alguns que lhe falavam dos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrifícios.

2. E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas?

3. Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.

4. E aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalém?

5. Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.

6. E dizia esta parábola: Um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi procurar nela fruto, não o achando;

7. E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho. Corta-a; por que ocupa ainda a terra inutilmente?

8. E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque;

9. E, se der fruto, ficará e, se não, depois a mandarás cortar.

10. E ensinava no sábado, numa das sinagogas.

11. E eis que estava ali uma mulher que tinha um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; e andava curvada, e não podia de modo algum endireitar-se.

12. E, vendo-a Jesus, chamou-a a si, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade.

13. E pôs as mãos sobre ela, e logo se endireitou, e glorificava a Deus.

14. E, tomando a palavra o príncipe da sinagoga, indignado porque Jesus curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que é mister trabalhar; nestes, pois, vinde para serdes curados, e não no dia de sábado.

15. Respondeu-lhe, porém, o Senhor, e disse: Hipócrita, no sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi, ou jumento, e não o leva a beber?

16. E não convinha soltar desta prisão, no dia de sábado, esta filha de Abraão, a qual há dezoito anos Satanás tinha presa?

17. E, dizendo ele isto, todos os seus adversários ficaram envergonhados, e todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas que eram feitas por ele.

18. E dizia: A que é semelhante o reino de Deus, e a que o compararei?

19. É semelhante ao grão de mostarda que um homem, tomando-o, lançou na sua horta; e cresceu, e fez-se grande árvore, e em seus ramos se aninharam as aves do céu.

20. E disse outra vez: A que compararei o reino de Deus?

21. É semelhante ao fermento que uma mulher, tomando-o, escondeu em três medidas de farinha, até que tudo levedou.

22. E percorria as cidades e as aldeias, ensinando, e caminhando para Jerusalém.

23. E disse-lhe um: Senhor, são poucos os que se salvam? E ele lhe respondeu:

24. Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão.

25. Quando o pai de família se levantar e cerrar a porta, e começardes, de fora, a bater à porta, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos; e, respondendo ele, vos disser: Não sei de onde vós sois;

26. Então começareis a dizer: Temos comido e bebido na tua presença, e tu tens ensinado nas nossas ruas.

27. E ele vos responderá: Digo-vos que não sei de onde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais a iniqüidade.

28. Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, e Isaque, e Jacó, e todos os profetas no reino de Deus, e vós lançados fora.

29. E virão do oriente, e do ocidente, e do norte, e do sul, e assentar-se-ão à mesa no reino de Deus.

30. E eis que derradeiros há que serão os primeiros; e primeiros há que serão os derradeiros.

31. Naquele mesmo dia chegaram uns fariseus, dizendo-lhe: Sai, e retira-te daqui, porque Herodes quer matar-te.

32. E respondeu-lhes: Ide, e dizei àquela raposa: Eis que eu expulso demônios, e efetuo curas, hoje e amanhã, e no terceiro dia sou consumado.

33. Importa, porém, caminhar hoje, amanhã, e no dia seguinte, para que não suceda que morra um profeta fora de Jerusalém.

34. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste?

35. Eis que a vossa casa se vos deixará deserta. E em verdade vos digo que não me vereis até que venha o tempo em que digais: Bendito aquele que vem em nome do Senhor.

1. Aconteceu num sábado que, entrando ele em casa de um dos principais dos fariseus para comer pão, eles o estavam observando.

2. E eis que estava ali diante dele um certo homem hidrópico.

3. E Jesus, tomando a palavra, falou aos doutores da lei, e aos fariseus, dizendo: É lícito curar no sábado?

4. Eles, porém, calaram-se. E, tomando-o, o curou e despediu.

5. E disse-lhes: Qual será de vós o que, caindo-lhe num poço, em dia de sábado, o jumento ou o boi, o não tire logo?

6. E nada lhe podiam replicar sobre isto.

7. E disse aos convidados uma parábola, reparando como escolhiam os primeiros assentos, dizendo-lhes:

8. Quando por alguém fores convidado às bodas, não te assentes no primeiro lugar; não aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu;

9. E, vindo o que te convidou a ti e a ele, te diga: Dá o lugar a este; e então, com vergonha, tenhas de tomar o derradeiro lugar.

10. Mas, quando fores convidado, vai, e assenta-te no derradeiro lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, sobe mais para cima. Então terás honra diante dos que estiverem contigo à mesa.

11. Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.

12. E dizia também ao que o tinha convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado.

13. Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos,

14. E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado te será na ressurreição dos justos.

15. E, ouvindo isto, um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bem-aventurado o que comer pão no reino de Deus.

16. Porém, ele lhe disse: Um certo homem fez uma grande ceia, e convidou a muitos.

17. E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos convidados: Vinde, que já tudo está preparado.

18. E todos à uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e importa ir vê-lo; rogo-te que me hajas por escusado.

19. E outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; rogo-te que me hajas por escusado.

20. E outro disse: Casei, e portanto não posso ir.

21. E, voltando aquele servo, anunciou estas coisas ao seu senhor. Então o pai de família, indignado, disse ao seu servo: Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e aleijados, e mancos e cegos.

22. E disse o servo: Senhor, feito está como mandaste; e ainda há lugar.

23. E disse o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados, e força-os a entrar, para que a minha casa se encha.

24. Porque eu vos digo que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.

25. Ora, ia com ele uma grande multidão; e, voltando-se, disse-lhe:

26. Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.

27. E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo.

28. Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar?

29. Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele,

30. Dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar.

31. Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil?

32. De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz.

33. Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo.

34. Bom é o sal; mas, se o sal degenerar, com que se há de salgar?

35. Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

1. E Chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir.

2. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles.

3. E ele lhes propôs esta parábola, dizendo:

4. Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la?

5. E achando-a, a põe sobre os seus ombros, gostoso;

6. E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.

7. Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

8. Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar?

9. E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida.

10. Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.

11. E disse: Um certo homem tinha dois filhos;

12. E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda.

13. E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.

14. E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades.

15. E foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos, a apascentar porcos.

16. E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada.

17. E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!

18. Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti;

19. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros.

20. E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.

21. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.

22. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés;

23. E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos;

24. Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se.

25. E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veio, e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças.

26. E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo.

27. E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.

28. Mas ele se indignou, e não queria entrar.

29. E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos;

30. Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.

31. E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas;

32. Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se.

1. E dizia também aos seus discípulos: Havia um certo homem rico, o qual tinha um mordomo; e este foi acusado perante ele de dissipar os seus bens.

2. E ele, chamando-o, disse-lhe: Que é isto que ouço de ti? Dá contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo.

3. E o mordomo disse consigo: Que farei, pois que o meu senhor me tira a mordomia? Cavar, não posso; de mendigar, tenho vergonha.

4. Eu sei o que hei de fazer, para que, quando for desapossado da mordomia, me recebam em suas casas.

5. E, chamando a si cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor?

6. E ele respondeu: Cem medidas de azeite. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e assentando-te já, escreve cinqüenta.

7. Disse depois a outro: E tu, quanto deves? E ele respondeu: Cem alqueires de trigo. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e escreve oitenta.

8. E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz.

9. E eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos.

10. Quem é fiel no mínimo, também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo, também é injusto no muito.

11. Pois, se nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras?

12. E, se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso?

13. Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.

14. E os fariseus, que eram avarentos, ouviam todas estas coisas, e zombavam dele.

15. E disse-lhes: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece os vossos corações, porque o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação.

16. A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele.

17. E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei.

18. Qualquer que deixa sua mulher, e casa com outra, adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido, adultera também.

19. Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.

20. Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele;

21. E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas.

22. E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado.

23. E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio.

24. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.

25. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado.

26. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá.

27. E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai

28. Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento.

29. Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.

30. E disse ele: Não, pai Abraão; mas, se algum dentre os mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam.

31. Porém, Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite.

1. E disse aos discípulos: É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem!

2. Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos.

3. Olhai por vós mesmos. E, se teu irmão pecar contra ti, repreende-o e, se ele se arrepender, perdoa-lhe.

4. E, se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe.

5. Disseram então os apóstolos ao Senhor: Acrescenta-nos a fé.

6. E disse o Senhor: Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: Desarraiga-te daqui, e planta-te no mar; e ela vos obedeceria.

7. E qual de vós terá um servo a lavrar ou a apascentar gado, a quem, voltando ele do campo, diga: Chega-te, e assenta-te à mesa?

8. E não lhe diga antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, e serve-me até que tenha comido e bebido, e depois comerás e beberás tu?

9. Porventura dá graças ao tal servo, porque fez o que lhe foi mandado? Creio que não.

10. Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer.

11. E aconteceu que, indo ele a Jerusalém, passou pelo meio de Samaria e da Galiléia;

12. E, entrando numa certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez homens leprosos, os quais pararam de longe;

13. E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós.

14. E ele, vendo-os, disse-lhes: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, indo eles, ficaram limpos.

15. E um deles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz;

16. E caiu aos seus pés, com o rosto em terra, dando-lhe graças; e este era samaritano.

17. E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde estão os nove?

18. Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?

19. E disse-lhe: Levanta-te, e vai; a tua fé te salvou.

20. E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior.

21. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós.

22. E disse aos discípulos: Dias virão em que desejareis ver um dos dias do Filho do homem, e não o vereis.

23. E dir-vos-ão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali. Não vades, nem os sigais;

24. Porque, como o relâmpago ilumina desde uma extremidade inferior do céu até à outra extremidade, assim será também o Filho do homem no seu dia.

25. Mas primeiro convém que ele padeça muito, e seja reprovado por esta geração.

26. E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem.

27. Comiam, bebiam, casavam, e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos.

28. Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de : Comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam;

29. Mas no dia em que saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos.

30. Assim será no dia em que o Filho do homem se há de manifestar.

31. Naquele dia, quem estiver no telhado, tendo as suas alfaias em casa, não desça a tomá-las; e, da mesma sorte, o que estiver no campo não volte para trás.

32. Lembrai-vos da mulher de .

33. Qualquer que procurar salvar a sua vida, perdê-la-á, e qualquer que a perder, salvá-la-á.

34. Digo-vos que naquela noite estarão dois numa cama; um será tomado, e outro será deixado.

35. Duas estarão juntas, moendo; uma será tomada, e outra será deixada.

36. Dois estarão no campo; um será tomado, o outro será deixado.

37. E, respondendo, disseram-lhe: Onde, Senhor? E ele lhes disse: Onde estiver o corpo, aí se ajuntarão as águias.

1. E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer,

2. Dizendo: Havia numa cidade um certo juiz, que nem a Deus temia, nem respeitava o homem.

3. Havia também, naquela mesma cidade, uma certa viúva, que ia ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário.

4. E por algum tempo não quis atendê-la; mas depois disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens,

5. Todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte, e me importune muito.

6. E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz.

7. E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?

8. Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?

9. E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros:

10. Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano.

11. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: O Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano.

12. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo.

13. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: O Deus, tem misericórdia de mim, pecador!

14. Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.

15. E traziam-lhe também meninos, para que ele lhes tocasse; e os discípulos, vendo isto, repreendiam-nos.

16. Mas Jesus, chamando-os para si, disse: Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus.

17. Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como menino, não entrará nele.

18. E perguntou-lhe um certo príncipe, dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?

19. Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus.

20. Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe.

21. E disse ele: Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade.

22. E quando Jesus ouviu isto, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa; vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; vem, e segue-me.

23. Mas, ouvindo ele isto, ficou muito triste, porque era muito rico.

24. E, vendo Jesus que ele ficara muito triste, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!

25. Porque é mais fácil entrar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.

26. E os que ouviram isto disseram: Logo quem pode salvar-se?

27. Mas ele respondeu: As coisas que são impossíveis aos homens são possíveis a Deus.

28. E disse Pedro: Eis que nós deixamos tudo e te seguimos.

29. E ele lhes disse: Na verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou pais, ou irmãos, ou mulher, ou filhos, pelo reino de Deus,

30. Que não haja de receber muito mais neste mundo, e na idade vindoura a vida eterna.

31. E, tomando consigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém, e se cumprirá no Filho do homem tudo o que pelos profetas foi escrito;

32. Pois há de ser entregue aos gentios, e escarnecido, injuriado e cuspido;

33. E, havendo-o açoitado, o matarão; e ao terceiro dia ressuscitará.

34. E eles nada disto entendiam, e esta palavra lhes era encoberta, não percebendo o que se lhes dizia.

35. E aconteceu que chegando ele perto de Jericó, estava um cego assentado junto do caminho, mendigando.

36. E, ouvindo passar a multidão, perguntou que era aquilo.

37. E disseram-lhe que Jesus Nazareno passava.

38. Então clamou, dizendo: Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim.

39. E os que iam passando repreendiam-no para que se calasse; mas ele clamava ainda mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim!

40. Então Jesus, parando, mandou que lho trouxessem; e, chegando ele, perguntou-lhe,

41. Dizendo: Que queres que te faça? E ele disse: Senhor, que eu veja.

42. E Jesus lhe disse: Vê; a tua fé te salvou.

43. E logo viu, e seguia-o, glorificando a Deus. E todo o povo, vendo isto, dava louvores a Deus.

1. E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando.

2. E eis que havia ali um homem chamado Zaqueu; e era este um chefe dos publicanos, e era rico.

3. E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura.

4. E, correndo adiante, subiu a um sicômoro bravo para o ver; porque havia de passar por ali.

5. E quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa.

6. E, apressando-se, desceu, e recebeu-o alegremente.

7. E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador.

8. E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado.

9. E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão.

10. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.

11. E, ouvindo eles estas coisas, ele prosseguiu, e contou uma parábola; porquanto estava perto de Jerusalém, e cuidavam que logo se havia de manifestar o reino de Deus.

12. Disse pois: Certo homem nobre partiu para uma terra remota, a fim de tomar para si um reino e voltar depois.

13. E, chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas, e disse-lhes: Negociai até que eu venha.

14. Mas os seus concidadãos odiavam-no, e mandaram após ele embaixadores, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós.

15. E aconteceu que, voltando ele, depois de ter tomado o reino, disse que lhe chamassem aqueles servos, a quem tinha dado o dinheiro, para saber o que cada um tinha ganhado, negociando.

16. E veio o primeiro, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu dez minas.

17. E ele lhe disse: Bem está, servo bom, porque no mínimo foste fiel, sobre dez cidades terás autoridade.

18. E veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco minas.

19. E a este disse também: Sê tu também sobre cinco cidades.

20. E veio outro, dizendo: Senhor, aqui está a tua mina, que guardei num lenço;

21. Porque tive medo de ti, que és homem rigoroso, que tomas o que não puseste, e segas o que não semeaste.

22. Porém, ele lhe disse: Mau servo, pela tua boca te julgarei. Sabias que eu sou homem rigoroso, que tomo o que não pus, e sego o que não semeei;

23. Por que não puseste, pois, o meu dinheiro no banco, para que eu, vindo, o exigisse com os juros?

24. E disse aos que estavam com ele: Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem dez minas.

25. (E disseram-lhe eles: Senhor, ele tem dez minas.)

26. Pois eu vos digo que a qualquer que tiver ser-lhe-á dado, mas ao que não tiver, até o que tem lhe será tirado.

27. E quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim.

Você está lendo Lucas na edição ACF, Almeida Corrigida e Revisada Fiel, em Português.
Este lívro compôe o Novo Testamento, tem 24 capítulos, e 1151 versículos.