Mateus

1. E, quando se aproximaram de Jerusalém, e chegaram a Betfagé, ao Monte das Oliveiras, enviou, então, Jesus dois discípulos, dizendo-lhes:

2. Ide à aldeia que está defronte de vós, e logo encontrareis uma jumenta presa, e um jumentinho com ela; desprendei-a, e trazei-mos.

3. E, se alguém vos disser alguma coisa, direis que o Senhor os há de mister; e logo os enviará.

4. Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta, que diz:

5. Dizei à filha de Sião: Eis que o teu Rei aí te vem, Manso, e assentado sobre uma jumenta, E sobre um jumentinho, filho de animal de carga.

6. E, indo os discípulos, e fazendo como Jesus lhes ordenara,

7. Trouxeram a jumenta e o jumentinho, e sobre eles puseram as suas vestes, e fizeram-no assentar em cima.

8. E muitíssima gente estendia as suas vestes pelo caminho, e outros cortavam ramos de árvores, e os espalhavam pelo caminho.

9. E a multidão que ia adiante, e a que seguia, clamava, dizendo: Hosana ao Filho de Davi; bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas!

10. E, entrando ele em Jerusalém, toda a cidade se alvoroçou, dizendo: Quem é este?

11. E a multidão dizia: Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia.

12. E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas;

13. E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.

14. E foram ter com ele no templo cegos e coxos, e curou-os.

15. Vendo, então, os principais dos sacerdotes e os escribas as maravilhas que fazia, e os meninos clamando no templo: Hosana ao Filho de Davi, indignaram-se,

16. E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?

17. E, deixando-os, saiu da cidade para Betânia, e ali passou a noite.

18. E, de manhã, voltando para a cidade, teve fome;

19. E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela, e não achou nela senão folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente.

20. E os discípulos, vendo isto, maravilharam-se, dizendo: Como secou imediatamente a figueira?

21. Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se a este monte disserdes: Ergue-te, e precipita-te no mar, assim será feito;

22. E, tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis.

23. E, chegando ao templo, acercaram-se dele, estando já ensinando, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo, dizendo: Com que autoridade fazes isto? e quem te deu tal autoridade?

24. E Jesus, respondendo, disse-lhes: Eu também vos perguntarei uma coisa; se ma disserdes, também eu vos direi com que autoridade faço isto.

25. O batismo de João, de onde era? Do céu, ou dos homens? E pensavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então por que não o crestes?

26. E, se dissermos: Dos homens, tememos o povo, porque todos consideram João como profeta.

27. E, respondendo a Jesus, disseram: Não sabemos. Ele disse-lhes: Nem eu vos digo com que autoridade faço isto.

28. Mas, que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha.

29. Ele, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas depois, arrependendo-se, foi.

30. E, dirigindo-se ao segundo, falou-lhe de igual modo; e, respondendo ele, disse: Eu vou, senhor; e não foi.

31. Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles: O primeiro. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus.

32. Porque João veio a vós no caminho da justiça, e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o crer.

33. Ouvi, ainda, outra parábola: Houve um homem, pai de família, que plantou uma vinha, e circundou-a de um valado, e construiu nela um lagar, e edificou uma torre, e arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se para longe.

34. E, chegando o tempo dos frutos, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os seus frutos.

35. E os lavradores, apoderando-se dos servos, feriram um, mataram outro, e apedrejaram outro.

36. Depois enviou outros servos, em maior número do que os primeiros; e eles fizeram-lhes o mesmo.

37. E, por último, enviou-lhes seu filho, dizendo: Terão respeito a meu filho.

38. Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança.

39. E, lançando mão dele, o arrastaram para fora da vinha, e o mataram.

40. Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?

41. Dizem-lhe eles: Dará afrontosa morte aos maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe dêem os frutos.

42. Diz-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra, que os edificadores rejeitaram, Essa foi posta por cabeça do ângulo; Pelo Senhor foi feito isto, E é maravilhoso aos nossos olhos?

43. Portanto, eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos.

44. E, quem cair sobre esta pedra, despedaçar-se-á; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó.

45. E os príncipes dos sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas palavras, entenderam que falava deles;

46. E, pretendendo prendê-lo, recearam o povo, porquanto o tinham por profeta.

1. Então Jesus, tomando a palavra, tornou a falar-lhes em parábolas, dizendo:

2. O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho;

3. E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir.

4. Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já pronto; vinde às bodas.

5. Eles, porém, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu tráfico;

6. E os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram.

7. E o rei, tendo notícia disto, encolerizou-se e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade.

8. Então diz aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos.

9. Ide, pois, às saídas dos caminhos, e convidai para as bodas a todos os que encontrardes.

10. E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial foi cheia de convidados.

11. E o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste de núpcias.

12. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu.

13. Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.

14. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.

15.

16. E enviaram-lhe os seus discípulos, com os herodianos, dizendo: Mestre, bem sabemos que és verdadeiro, e ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens.

17. Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não?

18. Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: Por que me experimentais, hipócritas?

19. Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro.

20. E ele diz-lhes: De quem é esta efígie e esta inscrição?

21. Dizem-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

22. E eles, ouvindo isto, maravilharam-se, e, deixando-o, se retiraram.

23.

24. Dizendo: Mestre, Moisés disse: Se morrer alguém, não tendo filhos, casará o seu irmão com a mulher dele, e suscitará descendência a seu irmão.

25. Ora, houve entre nós sete irmãos; e o primeiro, tendo casado, morreu e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão.

26. Da mesma sorte o segundo, e o terceiro, até ao sétimo;

27. Por fim, depois de todos, morreu também a mulher.

28. Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será a mulher, visto que todos a possuíram?

29. Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.

30. Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu.

31. E, acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo:

32. Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos.

33. E, as turbas, ouvindo isto, ficaram maravilhadas da sua doutrina.

34. E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar.

35. E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo:

36. Mestre, qual é o grande mandamento na lei?

37. E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

38. Este é o primeiro e grande mandamento.

39. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

40. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.

41. E, estando reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus,

42. Dizendo: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi.

43. Disse-lhes ele: Como é então que Davi, em espírito, lhe chama Senhor, dizendo:

44. Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés?

45. Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é seu filho?

46. E ninguém podia responder-lhe uma palavra; nem desde aquele dia ousou mais alguém interrogá-lo.

1. Então falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos,

2. Dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus.

3. Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem;

4. Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los;

5. E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes,

6. E amam os primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas,

7. E as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens; Rabi, Rabi.

8. Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos.

9. E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus.

10. Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo.

11. O maior dentre vós será vosso servo.

12. E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.

13. Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando.

14. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo.

15. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.

16. Ai de vós, condutores cegos! pois que dizeis: Qualquer que jurar pelo templo, isso nada é; mas o que jurar pelo ouro do templo, esse é devedor.

17. Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro, ou o templo, que santifica o ouro?

18. E aquele que jurar pelo altar isso nada é; mas aquele que jurar pela oferta que está sobre o altar, esse é devedor.

19. Insensatos e cegos! Pois qual é maior: a oferta, ou o altar, que santifica a oferta?

20. Portanto, o que jurar pelo altar, jura por ele e por tudo o que sobre ele está;

21. E, o que jurar pelo templo, jura por ele e por aquele que nele habita;

22. E, o que jurar pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que está assentado nele.

23. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.

24. Condutores cegos! que coais um mosquito e engolis um camelo.

25. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniqüidade.

26. Fariseu cego! limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo.

27. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.

28. Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.

29. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos,

30. E dizeis: Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas.

31. Assim, vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas.

32. Enchei vós, pois, a medida de vossos pais.

33. Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?

34. Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas; a uns deles matareis e crucificareis; e a outros deles açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade;

35. Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar.

36. Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração.

37. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!

38. Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta;

39. Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor.

1. E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo.

2. Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada.

3. E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?

4. E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane;

5. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.

6. E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim.

7. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares.

8. Mas todas estas coisas são o princípio de dores.

9. Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome.

10. Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão.

11. E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos.

12. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará.

13. Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.

14. E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.

15. Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, atenda;

16. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes;

17. E quem estiver sobre o telhado não desça a tirar alguma coisa de sua casa;

18. E quem estiver no campo não volte atrás a buscar as suas vestes.

19. Mas ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias!

20. E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado;

21. Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver.

22. E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias.

23. Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito;

24. Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.

25. Eis que eu vo-lo tenho predito.

26. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis.

27. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem.

28. Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias.

29. E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas.

30. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.

31. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.

32. Aprendei, pois, esta parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão.

33. Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas.

34. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam.

35. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar.

36. Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai.

37. E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem.

38. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca,

39. E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem.

40. Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro;

41. Estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra.

42. Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.

43. Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa.

44. Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis.

45. Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo?

46. Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim.

47. Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens.

48. Mas se aquele mau servo disser no seu coração: O meu senhor tarde virá;

49. E começar a espancar os seus conservos, e a comer e a beber com os ébrios,

50. Virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe,

51. E separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes.

1. Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo.

2. E cinco delas eram prudentes, e cinco loucas.

3. As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo.

4. Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas.

5. E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram.

6. Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro.

7. Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas.

8. E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam.

9. Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós.

10. E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta.

11. E depois chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos.

12. E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço.

13. Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir.

14. Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens.

15. E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe.

16. E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles, e granjeou outros cinco talentos.

17. Da mesma sorte, o que recebera dois, granjeou também outros dois.

18. Mas o que recebera um, foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.

19. E muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles.

20. Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles.

21. E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

22. E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles granjeei outros dois talentos.

23. Disse-lhe o seu senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

24. Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste;

25. E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.

26. Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei?

27. Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros.

28. Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos.

29. Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado.

30. Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.

31. E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória;

32. E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas;

33. E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda.

34. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;

35. Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;

36. Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.

37. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?

38. E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?

39. E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?

40. E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

41. Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;

42. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;

43. Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.

44. Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?

45. Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.

46. E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.

1.

2. Bem sabeis que daqui a dois dias é a páscoa; e o Filho do homem será entregue para ser crucificado.

3. Depois os príncipes dos sacerdotes, e os escribas, e os anciãos do povo reuniram-se na sala do sumo sacerdote, o qual se chamava Caifás.

4. E consultaram-se mutuamente para prenderem Jesus com dolo e o matarem.

5. Mas diziam: Não durante a festa, para que não haja alvoroço entre o povo.

6.

7. Aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, com ungüento de grande valor, e derramou-lho sobre a cabeça, quando ele estava assentado à mesa.

8. E os seus discípulos, vendo isto, indignaram-se, dizendo: Por que é este desperdício?

9. Pois este ungüento podia vender-se por grande preço, e dar-se o dinheiro aos pobres.

10. Jesus, porém, conhecendo isto, disse-lhes: Por que afligis esta mulher? pois praticou uma boa ação para comigo.

11. Porquanto sempre tendes convosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre.

12. Ora, derramando ela este ungüento sobre o meu corpo, fê-lo preparando-me para o meu sepultamento.

13. Em verdade vos digo que, onde quer que este evangelho for pregado em todo o mundo, também será referido o que ela fez, para memória sua.

14.

15. E disse: Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E eles lhe pesaram trinta moedas de prata,

16. E desde então buscava oportunidade para o entregar.

17.

18. E ele disse: Ide à cidade, a um certo homem, e dizei-lhe: O Mestre diz: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a páscoa com os meus discípulos.

19. E os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara, e prepararam a páscoa.

20. E, chegada a tarde, assentou-se à mesa com os doze.

21. E, comendo eles, disse: Em verdade vos digo que um de vós me há de trair.

22. E eles, entristecendo-se muito, começaram cada um a dizer-lhe: Porventura sou eu, Senhor?

23. E ele, respondendo, disse: O que põe comigo a mão no prato, esse me há de trair.

24. Em verdade o Filho do homem vai, como acerca dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído! Bom seria para esse homem se não houvera nascido.

25. E, respondendo Judas, o que o traía, disse: Porventura sou eu, Rabi? Ele disse: Tu o disseste.

26.

27. E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos;

28. Porque isto é o meu sangue; o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados.

29. E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai.

30. E, tendo cantado o hino, saíram para o Monte das Oliveiras.

31. Então Jesus lhes disse: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão.

32. Mas, depois de eu ressuscitar, irei adiante de vós para a Galiléia.

33. Mas Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei.

34. Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes me negarás.

35. Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja mister morrer contigo, não te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo.

36. Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar.

37. E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito.

38. Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo.

39. E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.

40. E, voltando para os seus discípulos, achou-os adormecidos; e disse a Pedro: Então nem uma hora pudeste velar comigo?

41. Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca.

42. E, indo segunda vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade.

43. E, voltando, achou-os outra vez adormecidos; porque os seus olhos estavam pesados.

44. E, deixando-os de novo, foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras.

45. Então chegou junto dos seus discípulos, e disse-lhes: Dormi agora, e repousai; eis que é chegada a hora, e o Filho do homem será entregue nas mãos dos pecadores.

46. Levantai-vos, partamos; eis que é chegado o que me trai.

47. E, estando ele ainda a falar, eis que chegou Judas, um dos doze, e com ele grande multidão com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo.

48. E o que o traía tinha-lhes dado um sinal, dizendo: O que eu beijar é esse; prendei-o.

49. E logo, aproximando-se de Jesus, disse: Eu te saúdo, Rabi; e beijou-o.

50. Jesus, porém, lhe disse: Amigo, a que vieste? Então, aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus, e o prenderam.

51. E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou da espada e, ferindo o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe uma orelha.

52. Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão.

53. Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?

54. Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?

55. Então disse Jesus à multidão: Saístes, como para um salteador, com espadas e varapaus para me prender? Todos os dias me assentava junto de vós, ensinando no templo, e não me prendestes.

56. Mas tudo isto aconteceu para que se cumpram as escrituras dos profetas. Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram.

57. E os que prenderam a Jesus o conduziram à casa do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e os anciãos estavam reunidos.

58. E Pedro o seguiu de longe, até ao pátio do sumo sacerdote e, entrando, assentou-se entre os criados, para ver o fim.

59. Ora, os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos, e todo o conselho, buscavam falso testemunho contra Jesus, para poderem dar-lhe a morte;

60. E não o achavam; apesar de se apresentarem muitas testemunhas falsas, não o achavam. Mas, por fim chegaram duas testemunhas falsas,

61. E disseram: Este disse: Eu posso derrubar o templo de Deus, e reedificá-lo em três dias.

62. E, levantando-se o sumo sacerdote, disse-lhe: Não respondes coisa alguma ao que estes depõem contra ti?

63. Jesus, porém, guardava silêncio. E, insistindo o sumo sacerdote, disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus.

64. Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu.

65. Então o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que bem ouvistes agora a sua blasfêmia.

66. Que vos parece? E eles, respondendo, disseram: É réu de morte.

67. Então cuspiram-lhe no rosto e lhe davam punhadas, e outros o esbofeteavam,

68. Dizendo: Profetiza-nos, Cristo, quem é o que te bateu?

69. Ora, Pedro estava assentado fora, no pátio; e, aproximando-se dele uma criada, disse: Tu também estavas com Jesus, o galileu.

70. Mas ele negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes.

71. E, saindo para o vestíbulo, outra criada o viu, e disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o Nazareno.

72. E ele negou outra vez com juramento: Não conheço tal homem.

73. E, daí a pouco, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente também tu és deles, pois a tua fala te denuncia.

74. Então começou ele a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou.

75. E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente.

1. E, chegando a manhã, todos os príncipes dos sacerdotes, e os anciãos do povo, formavam juntamente conselho contra Jesus, para o matarem;

2. E maniatando-o, o levaram e entregaram ao presidente Pôncio Pilatos.

3. Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos,

4. Dizendo: Pequei, traindo o sangue inocente. Eles, porém, disseram: Que nos importa? Isso é contigo.

5. E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar.

6. E os príncipes dos sacerdotes, tomando as moedas de prata, disseram: Não é lícito colocá-las no cofre das ofertas, porque são preço de sangue.

7. E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo de um oleiro, para sepultura dos estrangeiros.

8. Por isso foi chamado aquele campo, até ao dia de hoje, Campo de Sangue.

9. Então se realizou o que vaticinara o profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço do que foi avaliado, que certos filhos de Israel avaliaram,

10. E deram-nas pelo campo do oleiro, segundo o que o Senhor determinou.

11. E foi Jesus apresentado ao presidente, e o presidente o interrogou, dizendo: És tu o Rei dos Judeus? E disse-lhe Jesus: Tu o dizes.

12. E, sendo acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu.

13. Disse-lhe então Pilatos: Não ouves quanto testificam contra ti?

14. E nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o presidente estava muito maravilhado.

15. Ora, por ocasião da festa, costumava o presidente soltar um preso, escolhendo o povo aquele que quisesse.

16. E tinham então um preso bem conhecido, chamado Barrabás.

17. Portanto, estando eles reunidos, disse-lhes Pilatos: Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo?

18. Porque sabia que por inveja o haviam entregado.

19. E, estando ele assentado no tribunal, sua mulher mandou-lhe dizer: Não entres na questão desse justo, porque num sonho muito sofri por causa dele.

20. Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram à multidão que pedisse Barrabás e matasse Jesus.

21. E, respondendo o presidente, disse-lhes: Qual desses dois quereis vós que eu solte? E eles disseram: Barrabás.

22. Disse-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado.

23. O presidente, porém, disse: Mas que mal fez ele? E eles mais clamavam, dizendo: Seja crucificado.

24. Então Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo. Considerai isso.

25. E, respondendo todo o povo, disse: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos.

26. Então soltou-lhes Barrabás, e, tendo mandado açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado.

27. E logo os soldados do presidente, conduzindo Jesus à audiência, reuniram junto dele toda a coorte.

28. E, despindo-o, o cobriram com uma capa de escarlate;

29. E, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e em sua mão direita uma cana; e, ajoelhando diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeus.

30. E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana, e batiam-lhe com ela na cabeça.

31. E, depois de o haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe as suas vestes e o levaram para ser crucificado.

32. E, quando saíam, encontraram um homem cireneu, chamado Simão, a quem constrangeram a levar a sua cruz.

33. E, chegando ao lugar chamado Gólgota, que se diz: Lugar da Caveira,

34. Deram-lhe a beber vinagre misturado com fel; mas ele, provando-o, não quis beber.

35. E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes, lançando sortes, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançaram sortes.

36. E, assentados, o guardavam ali.

37. E por cima da sua cabeça puseram escrita a sua acusação: ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS.

38. E foram crucificados com ele dois salteadores, um à direita, e outro à esquerda.

39. E os que passavam blasfemavam dele, meneando as cabeças,

40. E dizendo: Tu, que destróis o templo, e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo. Se és Filho de Deus, desce da cruz.

41. E da mesma maneira também os príncipes dos sacerdotes, com os escribas, e anciãos, e fariseus, escarnecendo, diziam:

42. Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e crê-lo-emos.

43. Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus.

44. E o mesmo lhe lançaram também em rosto os salteadores que com ele estavam crucificados.

45. E desde a hora sexta houve trevas sobre toda a terra, até à hora nona.

46. E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?

47. E alguns dos que ali estavam, ouvindo isto, diziam: Este chama por Elias,

48. E logo um deles, correndo, tomou uma esponja, e embebeu-a em vinagre, e, pondo-a numa cana, dava-lhe de beber.

49. Os outros, porém, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem livrá-lo.

50. E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito.

51. E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras;

52. E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados;

53. E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos.

54. E o centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto, e as coisas que haviam sucedido, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era Filho de Deus.

55. E estavam ali, olhando de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galiléia, para o servir;

56. Entre as quais estavam Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.

57. E, vinda já a tarde, chegou um homem rico, de Arimatéia, por nome José, que também era discípulo de Jesus.

58. Este foi ter com Pilatos, e pediu-lhe o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que o corpo lhe fosse dado.

59. E José, tomando o corpo, envolveu-o num fino e limpo lençol,

60. E o pôs no seu sepulcro novo, que havia aberto em rocha, e, rodando uma grande pedra para a porta do sepulcro, retirou-se.

61. E estavam ali Maria Madalena e a outra Maria, assentadas defronte do sepulcro.

62. E no dia seguinte, que é o dia depois da Preparação, reuniram-se os príncipes dos sacerdotes e os fariseus em casa de Pilatos,

63. Dizendo: Senhor, lembramo-nos de que aquele enganador, vivendo ainda, disse: Depois de três dias ressuscitarei.

64. Manda, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até ao terceiro dia, não se dê o caso que os seus discípulos vão de noite, e o furtem, e digam ao povo: Ressuscitou dentre os mortos; e assim o último erro será pior do que o primeiro.

65. E disse-lhes Pilatos: Tendes a guarda; ide, guardai-o como entenderdes.

66. E, indo eles, seguraram o sepulcro com a guarda, selando a pedra.

Você está lendo Mateus na edição ACF, Almeida Corrigida e Revisada Fiel, em Português.
Este lívro compôe o Novo Testamento, tem 28 capítulos, e 1071 versículos.