Lucas

28. Tendo Jesus assim falado, ia caminhando adiante deles, subindo para Jerusalém.

29. Ao aproximar-se de Betfagé e de Betânia, junto do monte que se chama das Oliveiras, enviou dois dos discípulos,

30. dizendo-lhes: Ide à aldeia que está defronte, e aí, ao entrar, achareis preso um jumentinho em que ninguém jamais montou; desprendei-o e trazei-o.

31. Se alguém vos perguntar: Por que o desprendeis? respondereis assim: O Senhor precisa dele.

32. Partiram, pois, os que tinham sido enviados, e acharam conforme lhes dissera.

33. Enquanto desprendiam o jumentinho, os seus donos lhes perguntaram: Por que desprendeis o jumentinho?

34. Responderam eles: O Senhor precisa dele.

35. Trouxeram-no, pois, a Jesus e, lançando os seus mantos sobre o jumentinho, fizeram que Jesus montasse.

36. E, enquanto ele ia passando, outros estendiam no caminho os seus mantos.

37. Quando já ia chegando à descida do Monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que tinha visto,

38. dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor; paz no céu, e glória nas alturas.

39. Nisso, disseram-lhe alguns dos fariseus dentre a multidão: Mestre, repreende os teus discípulos.

40. Ao que ele respondeu: Digo-vos que, se estes se calarem, as pedras clamarão.

41. E quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela,

42. dizendo: Ah! se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! mas agora isso está encoberto aos teus olhos.

43. Porque dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados,

44. e te derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visitação.

45. Então, entrando ele no templo, começou a expulsar os que ali vendiam,

46. dizendo-lhes: Está escrito: A minha casa será casa de oração; vós, porém, a fizestes covil de salteadores.

47. E todos os dias ensinava no templo; mas os principais sacerdotes, os escribas, e os principais do povo procuravam matá-lo;

48. mas não achavam meio de o fazer; porque todo o povo ficava enlevado ao ouvi-lo.

1. Num desses dias, quando Jesus ensinava o povo no templo, e anunciava o evangelho, sobrevieram os principais sacerdotes e os escribas, com os anciãos.

2. e falaram-lhe deste modo: Dize-nos, com que autoridade fazes tu estas coisas? Ou, quem é o que te deu esta autoridade?

3. Respondeu-lhes ele: Eu também vos farei uma pergunta; dizei-me, pois:

4. O batismo de João era do céu ou dos homens?

5. Ao que eles arrazoavam entre si: Se dissermos: do céu, ele dirá: Por que não crestes?

6. Mas, se dissermos: Dos homens, todo o povo nos apedrejará; pois está convencido de que João era profeta.

7. Responderam, pois, que não sabiam donde era.

8. Replicou-lhes Jesus: Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.

9. Começou então a dizer ao povo esta parábola: Um homem plantou uma vinha, arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se do país por muito tempo.

10. No tempo próprio mandou um servo aos lavradores, para que lhe dessem dos frutos da vinha; mas os lavradores, espancando-o, mandaram-no embora de mãos vazias.

11. Tornou a mandar outro servo; mas eles espancaram também a este e, afrontando-o, mandaram-no embora de mãos vazias.

12. E mandou ainda um terceiro; mas feriram também a este e lançaram-no fora.

13. Disse então o senhor da vinha: Que farei? Mandarei o meu filho amado; a ele talvez respeitarão.

14. Mas quando os lavradores o viram, arrazoaram entre si, dizendo: Este é o herdeiro; matemo-lo, para que a herança seja nossa.

15. E lançando-o fora da vinha, o mataram. Que lhes fará, pois, o senhor da vinha?

16. Virá e destruirá esses lavradores, e dará a vinha a outros. Ouvindo eles isso, disseram: Tal não aconteça!

17. Mas Jesus, olhando para eles, disse: Pois, que quer dizer isto que está escrito: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular?

18. Todo o que cair sobre esta pedra será despedaçado; mas aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó.

19. Ainda na mesma hora os escribas e os principais sacerdotes, percebendo que contra eles proferira essa parábola, procuraram deitar-lhe as mãos, mas temeram o povo.

20. E, aguardando oportunidade, mandaram espias, os quais se fingiam justos, para o apanharem em alguma palavra, e o entregarem à jurisdição e à autoridade do governador.

21. Estes, pois, o interrogaram, dizendo: Mestre, sabemos que falas e ensinas retamente, e que não consideras a aparência da pessoa, mas ensinas segundo a verdade o caminho de Deus;

22. é-nos lícito dar tributo a César, ou não?

23. Mas Jesus, percebendo a astúcia deles, disse-lhes:

24. Mostrai-me um denário. De quem é a imagem e a inscrição que ele tem? Responderam: De César.

25. Disse-lhes então: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

26. E não puderam apanhá-lo em palavra alguma diante do povo; e admirados da sua resposta, calaram-se.

27. Chegaram então alguns dos saduceus, que dizem não haver ressurreição, e perguntaram-lhe:

28. Mestre, Moisés nos deixou escrito que se morrer alguém, tendo mulher mas não tendo filhos, o irmão dele case com a viúva, e suscite descendência ao irmão.

29. Havia, pois, sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem filhos;

30. então o segundo, e depois o terceiro, casaram com a viúva;

31. e assim todos os sete, e morreram, sem deixar filhos.

32. Depois morreu também a mulher.

33. Portanto, na ressurreição, de qual deles será ela esposa, pois os sete por esposa a tiveram?

34. Respondeu-lhes Jesus: Os filhos deste mundo casaram-se e dão-se em casamento;

35. mas os que são julgados dignos de alcançar o mundo vindouro, e a ressurreição dentre os mortos, nem se casam nem se dão em casamento;

36. porque já não podem mais morrer; pois são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição.

37. Mas que os mortos hão de ressurgir, o próprio Moisés o mostrou, na passagem a respeito da sarça, quando chama ao Senhor; Deus de Abraão, e Deus de Isaque, e Deus de Jacó.

38. Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele todos vivem.

39. Responderam alguns dos escribas: Mestre, disseste bem.

40. Não ousavam, pois, perguntar-lhe mais coisa alguma.

41. Jesus, porém, lhes perguntou: Como dizem que o Cristo é filho de Davi?

42. Pois o próprio Davi diz no livro dos Salmos: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita,

43. até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.

44. Logo Davi lhe chama Senhor como, pois, é ele seu filho?

45. Enquanto todo o povo o ouvia, disse Jesus aos seus discípulos:

46. Guardai-vos dos escribas, que querem andar com vestes compridas, e gostam das saudações nas praças, dos primeiros assentos nas sinagogas, e dos primeiros lugares nos banquetes;

47. que devoram as casas das viúvas, fazendo, por pretexto, longas orações; estes hão de receber maior condenação.

1. Jesus, levantando os olhos, viu os ricos deitarem as suas ofertas no cofre;

2. viu também uma pobre viúva lançar ali dois leptos;

3. e disse: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deu mais do que todos;

4. porque todos aqueles deram daquilo que lhes sobrava; mas esta, da sua pobreza, deu tudo o que tinha para o seu sustento.

5. E falando-lhe alguns a respeito do templo, como estava ornado de formosas pedras e dádivas, disse ele:

6. Quanto a isto que vedes, dias virão em que não se deixará aqui pedra sobre pedra, que não seja derribada.

7. Perguntaram-lhe então: Mestre, quando, pois, sucederão estas coisas? E que sinal haverá, quando elas estiverem para se cumprir?

8. Respondeu então ele: Acautelai-vos; não sejais enganados; porque virão muitos em meu nome, dizendo: Sou eu; e: O tempo é chegado; não vades após eles.

9. Quando ouvirdes de guerras e tumultos, não vos assusteis; pois é necessário que primeiro aconteçam essas coisas; mas o fim não será logo.

10. Então lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, e reino contra reino;

11. e haverá em vários lugares grandes terremotos, e pestes e fomes; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu.

12. Mas antes de todas essas coisas vos hão de prender e perseguir, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, e conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome.

13. Isso vos acontecerá para que deis testemunho.

14. Proponde, pois, em vossos corações não premeditar como haveis de fazer a vossa defesa;

15. porque eu vos darei boca e sabedoria, a que nenhum dos vossos adversário poderá resistir nem contradizer.

16. E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós;

17. e sereis odiados de todos por causa do meu nome.

18. Mas não se perderá um único cabelo da vossa cabeça.

19. Pela vossa perseverança ganhareis as vossas almas.

20. Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação.

21. Então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes; os que estiverem dentro da cidade, saiam; e os que estiverem nos campos não entrem nela.

22. Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas.

23. Ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem naqueles dias! porque haverá grande angústia sobre a terra, e ira contra este povo.

24. E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos destes se completem.

25. E haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e sobre a terra haverá angústia das nações em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas.

26. os homens desfalecerão de terror, e pela expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto os poderes do céu serão abalados.

27. Então verão vir o Filho do homem em uma nuvem, com poder e grande glória.

28. Ora, quando essas coisas começarem a acontecer, exultai e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima.

29. Propôs-lhes então uma parábola: Olhai para a figueira, e para todas as árvores;

30. quando começam a brotar, sabeis por vós mesmos, ao vê-las, que já está próximo o verão.

31. Assim também vós, quando virdes acontecerem estas coisas, sabei que o reino de Deus está próximo.

32. Em verdade vos digo que não passará esta geração até que tudo isso se cumpra.

33. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão.

34. Olhai por vós mesmos; não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos sobrevenha de improviso como um laço.

35. Porque há de vir sobre todos os que habitam na face da terra.

36. Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que hão de acontecer, e estar em pé na presença do Filho do homem.

37. Ora, de dia ensinava no templo, e à noite, saindo, pousava no monte chamado das Oliveiras.

38. E todo o povo ia ter com ele no templo, de manhã cedo, para o ouvir.

1. Aproximava-se a festa dos pães ázimos, que se chama a páscoa.

2. E os principais sacerdotes e os escribas andavam procurando um modo de o matar; pois temiam o povo.

3. Entrou então Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, que era um dos doze;

4. e foi ele tratar com os principais sacerdotes e com os capitães de como lho entregaria.

5. Eles se alegraram com isso, e convieram em lhe dar dinheiro.

6. E ele concordou, e buscava ocasião para lho entregar sem alvoroço.

7. Ora, chegou o dia dos pães ázimos, em que se devia imolar a páscoa;

8. e Jesus enviou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos.

9. Perguntaram-lhe eles: Onde queres que a preparemos?

10. Respondeu-lhes: Quando entrardes na cidade, sair-vos-á ao encontro um homem, levando um cântaro de água; segui-o até a casa em que ele entrar.

11. E direis ao dono da casa: O Mestre manda perguntar-te: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos?

12. Então ele vos mostrará um grande cenáculo mobiliado; aí fazei os preparativos.

13. Foram, pois, e acharam tudo como lhes dissera e prepararam a páscoa.

14. E, chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa, e com ele os apóstolos.

15. E disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta páscoa, antes da minha paixão;

16. pois vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus.

17. Então havendo recebido um cálice, e tendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós;

18. porque vos digo que desde agora não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus.

19. E tomando pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.

20. Semelhantemente, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto em meu sangue, que é derramado por vós.

21. Mas eis que a mão do que me trai está comigo à mesa.

22. Porque, na verdade, o Filho do homem vai segundo o que está determinado; mas ai daquele homem por quem é traído!

23. Então eles começaram a perguntar entre si qual deles o que ia fazer isso.

24. Levantou-se também entre eles contenda, sobre qual deles parecia ser o maior.

25. Ao que Jesus lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que sobre eles exercem autoridade são chamados benfeitores.

26. Mas vós não sereis assim; antes o maior entre vós seja como o mais novo; e quem governa como quem serve.

27. Pois qual é maior, quem está à mesa, ou quem serve? porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, estou entre vós como quem serve.

28. Mas vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas provações;

29. e assim como meu Pai me conferiu domínio, eu vo-lo confiro a vós;

30. para que comais e bebais à minha mesa no meu reino, e vos senteis sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel.

31. Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo;

32. mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos.

33. Respondeu-lhe Pedro: Senhor, estou pronto a ir contigo tanto para a prisão como para a morte.

34. Tornou-lhe Jesus: Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o galo antes que três vezes tenhas negado que me conheces.

35. E perguntou-lhes: Quando vos mandei sem bolsa, alforje, ou alparcas, faltou-vos porventura alguma coisa? Eles responderam: Nada.

36. Disse-lhes pois: Mas agora, quem tiver bolsa, tome-a, como também o alforje; e quem não tiver espada, venda o seu manto e compre-a.

37. Porquanto vos digo que importa que se cumpra em mim isto que está escrito: E com os malfeitores foi contado. Pois o que me diz respeito tem seu cumprimento.

38. Disseram eles: Senhor, eis aqui duas espadas. Respondeu-lhes: Basta.

39. Então saiu e, segundo o seu costume, foi para o Monte das Oliveiras; e os discípulos o seguiam.

40. Quando chegou àquele lugar, disse-lhes: Orai, para que não entreis em tentação.

41. E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e pondo-se de joelhos, orava,

42. dizendo: Pai, se queres afasta de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua.

43. Então lhe apareceu um anjo do céu, que o confortava.

44. E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue, que caíam sobre o chão.

45. Depois, levantando-se da oração, veio para os seus discípulos, e achou-os dormindo de tristeza;

46. e disse-lhes: Por que estais dormindo? Lenvantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação.

47. E estando ele ainda a falar, eis que surgiu uma multidão; e aquele que se chamava Judas, um dos doze, ia adiante dela, e chegou-se a Jesus para o beijar.

48. Jesus, porém, lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do homem?

49. Quando os que estavam com ele viram o que ia suceder, disseram: Senhor, feri-los-emos a espada?

50. Então um deles feriu o servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe a orelha direita.

51. Mas Jesus disse: Deixei-os; basta. E tocando-lhe a orelha, o curou.

52. Então disse Jesus aos principais sacerdotes, oficiais do templo e anciãos, que tinham ido contra ele: Saístes, como a um salteador, com espadas e varapaus?

53. Todos os dias estava eu convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim; mas esta é a vossa hora e o poder das trevas.

54. Então, prendendo-o, o levaram e o introduziram na casa do sumo sacerdote; e Pedro seguia-o de longe.

55. E tendo eles acendido fogo no meio do pátio e havendo-se sentado à roda, sentou-se Pedro entre eles.

56.

57. Mas Pedro o negou, dizendo: Mulher, não o conheço.

58. Daí a pouco, outro o viu, e disse: Tu também és um deles. Mas Pedro disse: Homem, não sou.

59. E, tendo passado quase uma hora, outro afirmava, dizendo: Certamente este também estava com ele, pois é galileu.

60. Mas Pedro respondeu: Homem, não sei o que dizes. E imediatamente estando ele ainda a falar, cantou o galo.

61. Virando-se o Senhor, olhou para Pedro; e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Hoje, antes que o galo cante, três vezes me negarás.

62. E, havendo saído, chorou amargamente.

63. Os homens que detinham Jesus zombavam dele, e feriam-no;

64. e, vendando-lhe os olhos, perguntavam, dizendo: Profetiza, quem foi que te bateu?

65. E, blasfemando, diziam muitas outras coisas contra ele.

66. Logo que amanheceu reuniu-se a assembléia dos anciãos do povo, tanto os principais sacerdotes como os escribas, e o conduziam ao sinédrio deles, onde lhe disseram:

67. Se tu és o Cristo, dize-no-lo. Replicou-lhes ele: Se eu vo-lo disser, não o crereis;

68. e se eu vos interrogar, de modo algum me respondereis.

69. Mas desde agora estará assentado o Filho do homem à mão direita do poder de Deus.

70. Ao que perguntaram todos: Logo, tu és o Filho de Deus? Respondeu-lhes: Vós dizeis que eu sou.

71. Então disseram: Por que ainda temos necessidade de testemunho? pois nós mesmos o ouvimos da sua própria boca.

1. E levantando-se toda a multidão deles, conduziram Jesus a Pilatos.

2. E começaram a acusá-lo, dizendo: Achamos este homem pervertendo a nossa nação, proibindo dar o tributo a César, e dizendo ser ele mesmo Cristo, rei.

3. Pilatos, pois, perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: É como dizes.

4. Então disse Pilatos aos principais sacerdotes, e às multidões: Não acho culpa alguma neste homem.

5. Eles, porém, insistiam ainda mais, dizendo: Alvoroça o povo ensinando por toda a Judéia, começando desde a Galiléia até aqui.

6. Então Pilatos, ouvindo isso, perguntou se o homem era galileu;

7. e, quando soube que era da jurisdição de Herodes, remeteu-o a Herodes, que também naqueles dias estava em Jerusalém.

8. Ora, quando Herodes viu a Jesus, alegrou-se muito; pois de longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; e esperava ver algum sinal feito por ele;

9. e fazia-lhe muitas perguntas; mas ele nada lhe respondeu.

10. Estavam ali os principais sacerdotes, e os escribas, acusando-o com grande veemência.

11. Herodes, porém, com os seus soldados, desprezou-o e, escarnecendo dele, vestiu-o com uma roupa resplandecente e tornou a enviá-lo a Pilatos.

12. Nesse mesmo dia Pilatos e Herodes tornaram-se amigos; pois antes andavam em inimizade um com o outro.

13. Então Pilatos convocou os principais sacerdotes, as autoridades e o povo,

14. e disse-lhes: Apresentastes-me este homem como pervertedor do povo; e eis que, interrogando-o diante de vós, não achei nele nenhuma culpa, das de que o acusais;

15. nem tampouco Herodes, pois no-lo tornou a enviar; e eis que não tem feito ele coisa alguma digna de morte.

16. Castigá-lo-ei, pois, e o soltarei.

17. {E era-lhe necessário soltar-lhes um pela festa.}

18. Mas todos clamaram à uma, dizendo: Fora com este, e solta-nos Barrabás!

19. Ora, Barrabás fora lançado na prisão por causa de uma sedição feita na cidade, e de um homicídio.

20. Mais uma vez, pois, falou-lhes Pilatos, querendo soltar a Jesus.

21. Eles, porém, bradavam, dizendo: Crucifica-o! crucifica-o!

22. Falou-lhes, então, pela terceira vez: Pois, que mal fez ele? Não achei nele nenhuma culpa digna de morte. Castigá-lo-ei, pois, e o soltarei.

23. Mas eles instavam com grandes brados, pedindo que fosse crucificado. E prevaleceram os seus clamores.

24. Então Pilatos resolveu atender-lhes o pedido;

25. e soltou-lhes o que fora lançado na prisão por causa de sedição e de homicídio, que era o que eles pediam; mas entregou Jesus à vontade deles.

26. Quando o levaram dali tomaram um certo Simão, cireneu, que vinha do campo, e puseram-lhe a cruz às costas, para que a levasse após Jesus.

27. Seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quais o pranteavam e lamentavam.

28. Jesus, porém, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai antes por vós mesmas, e por vossos filhos.

29. Porque dias hão de vir em que se dirá: Bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram!

30. Então começarão a dizer aos montes: Caí sobre nós; e aos outeiros: Cobri-nos.

31. Porque, se isto se faz no lenho verde, que se fará no seco?

32. E levavam também com ele outros dois, que eram malfeitores, para serem mortos.

33. Quando chegaram ao lugar chamado Caveira, ali o crucificaram, a ele e também aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda.

34. Jesus, porém, dizia: Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem. Então repartiram as vestes dele, deitando sortes sobre elas.

35. E o povo estava ali a olhar. E as próprias autoridades zombavam dele, dizendo: Aos outros salvou; salve-se a si mesmo, se é o Cristo, o escolhido de Deus.

36. Os soldados também o escarneciam, chegando-se a ele, oferecendo-lhe vinagre,

37. e dizendo: Se tu és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.

38. Por cima dele estava esta inscrição {em letras gregas, romanas e hebraicas:} ESTE É O REI DOS JUDEUS.

39. Então um dos malfeitores que estavam pendurados, blasfemava dele, dizendo: Não és tu o Cristo? salva-te a ti mesmo e a nós.

40. Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando na mesma condenação?

41. E nós, na verdade, com justiça; porque recebemos o que os nossos feitos merecem; mas este nenhum mal fez.

42. Então disse: Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.

43. Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.

44. Era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até a hora nona, pois o sol se escurecera;

45. e rasgou-se ao meio o véu do santuário.

46. Jesus, clamando com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isso, expirou.

47. Quando o centurião viu o que acontecera, deu glória a Deus, dizendo: Na verdade, este homem era justo.

48. E todas as multidões que presenciaram este espetáculo, vendo o que havia acontecido, voltaram batendo no peito.

49. Entretanto, todos os conhecidos de Jesus, e as mulheres que o haviam seguido desde a Galiléia, estavam de longe vendo estas coisas.

50. Então um homem chamado José, natural de Arimatéia, cidade dos judeus, membro do sinédrio, homem bom e justo,

51. o qual não tinha consentido no conselho e nos atos dos outros, e que esperava o reino de Deus,

52. chegando a Pilatos, pediu-lhe o corpo de Jesus;

53. e tirando-o da cruz, envolveu-o num pano de linho, e pô-lo num sepulcro escavado em rocha, onde ninguém ainda havia sido posto.

54. Era o dia da preparação, e ia começar o sábado.

55. E as mulheres que tinham vindo com ele da Galiléia, seguindo a José, viram o sepulcro, e como o corpo foi ali depositado.

56. Então voltaram e prepararam especiarias e ungüentos. E no sábado repousaram, conforme o mandamento.

Você está lendo Lucas na edição AA, Almeida Revisada Imprensa Bíblica, em Português.
Este lívro compôe o Novo Testamento, tem 24 capítulos, e 1151 versículos.