Salmos

1. Senhor, tu tens sido o nosso refúgio de geração em geração.

2. Antes que nascessem os montes, ou que tivesses formado a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade tu és Deus.

3. Tu reduzes o homem ao pó, e dizes: Voltai, filhos dos homens!

4. Porque mil anos aos teus olhos são como o dia de ontem que passou, e como uma vigília da noite.

5. Tu os levas como por uma torrente; são como um sono; de manhã são como a erva que cresce;

6. de manhã cresce e floresce; à tarde corta-se e seca.

7. Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos conturbados.

8. Diante de ti puseste as nossas iniqüidades, à luz do teu rosto os nossos pecados ocultos.

9. Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; acabam-se os nossos anos como um suspiro.

10. A duração da nossa vida é de setenta anos; e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, a medida deles é canseira e enfado; pois passa rapidamente, e nós voamos.

11. Quem conhece o poder da tua ira? e a tua cólera, segundo o temor que te é devido?

12. Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios.

13. Volta-te para nós, Senhor! Até quando? Tem compaixão dos teus servos.

14. Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que nos regozijemos e nos alegremos todos os nossos dias.

15. Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste, e pelos anos em que vimos o mal.

16. Apareça a tua obra aos teus servos, e a tua glória sobre seus filhos.

17. Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; e confirma sobre nós a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos.

1. Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Todo-Poderoso descansará.

2. Direi do Senhor: Ele é o meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem confio.

3. Porque ele te livra do laço do passarinho, e da peste perniciosa.

4. Ele te cobre com as suas penas, e debaixo das suas asas encontras refúgio; a sua verdade é escudo e broquel.

5. Não temerás os terrores da noite, nem a seta que voe de dia,

6. nem peste que anda na escuridão, nem mortandade que assole ao meio-dia.

7. Mil poderão cair ao teu lado, e dez mil à tua direita; mas tu não serás atingido.

8. Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios.

9. Porquanto fizeste do Senhor o teu refúgio, e do Altíssimo a tua habitação,

10. nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.

11. Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.

12. Eles te susterão nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra.

13. Pisarás o leão e a áspide; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.

14. Pois que tanto me amou, eu o livrarei; pô-lo-ei num alto retiro, porque ele conhece o meu nome.

15. Quando ele me invocar, eu lhe responderei; estarei com ele na angústia, livrá-lo-ei, e o honrarei.

16. Com longura de dias fartá-lo-ei, e lhe mostrarei a minha salvação.

1. Bom é render graças ao Senhor, e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo,

2. anunciar de manhã a tua benignidade, e à noite a tua fidelidade,

3. sobre um instrumento de dez cordas, e sobre o saltério, ao som solene da harpa.

4. Pois me alegraste, Senhor, pelos teus feitos; exultarei nas obras das tuas mãos.

5. Quão grandes são, ó Senhor, as tuas obras! quão profundos são os teus pensamentos!

6. O homem néscio não sabe, nem o insensato entende isto:

7. quando os ímpios brotam como a erva, e florescem todos os que praticam a iniqüidade, é para serem destruídos para sempre.

8. Mas tu, Senhor, estás nas alturas para sempre.

9. Pois eis que os teus inimigos, Senhor, eis que os teus inimigos perecerão; serão dispersos todos os que praticam a iniqüidade.

10. Mas tens exaltado o meu poder, como o do boi selvagem; fui ungido com óleo fresco.

11. Os meus olhos já viram o que é feito dos que me espreitam, e os meus ouvidos já ouviram o que sucedeu aos malfeitores que se levantam contra mim.

12. Os justos florescerão como a palmeira, crescerão como o cedro no Líbano.

13. Estão plantados na casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus.

14. Na velhice ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes,

15. para proclamarem que o Senhor é reto. Ele é a minha rocha, e nele não há injustiça.

1. O Senhor reina; está vestido de majestade. O Senhor se revestiu, cingiu-se de fortaleza; o mundo também está estabelecido, de modo que não pode ser abalado.

2. O teu trono está firme desde a antigüidade; desde a eternidade tu existes.

3. Os rios levantaram, ó Senhor, os rios levantaram o seu ruído, os rios levantam o seu fragor.

4. Mais que o ruído das grandes águas, mais que as vagas estrondosas do mar, poderoso é o Senhor nas alturas.

5. Mui fiéis são os teus testemunhos; a santidade convém à tua casa, Senhor, para sempre.

1. Ó Senhor, Deus da vingança, ó Deus da vingança, resplandece!

2. Exalta-te, ó juiz da terra! dá aos soberbos o que merecem.

3. Até quando os ímpios, Senhor, até quando os ímpios exultarão?

4. Até quando falarão, dizendo coisas arrogantes, e se gloriarão todos os que praticam a iniqüidade?

5. Esmagam o teu povo, ó Senhor, e afligem a tua herança.

6. Matam a viúva e o estrangeiro, e tiram a vida ao órfão.

7. E dizem: O Senhor não vê; o Deus de Jacó não o percebe.

8. Atendei, ó néscios, dentre o povo; e vós, insensatos, quando haveis de ser sábios?

9. Aquele que fez ouvido, não ouvirá? ou aquele que formou o olho, não verá?

10. Porventura aquele que disciplina as nações, não corrigirá? Aquele que instrui o homem no conhecimento,

11. o Senhor, conhece os pensamentos do homem, que são vaidade.

12. Bem-aventurado é o homem a quem tu repreendes, ó Senhor, e a quem ensinas a tua lei,

13. para lhe dares descanso dos dias da adversidade, até que se abra uma cova para o ímpio.

14. Pois o Senhor não rejeitará o seu povo, nem desamparará a sua herança.

15. Mas o juízo voltará a ser feito com justiça, e hão de segui-lo todos os retos de coração.

16. Quem se levantará por mim contra os malfeitores? quem se porá ao meu lado contra os que praticam a iniqüidade?

17. Se o Senhor não tivesse sido o meu auxílio, já a minha alma estaria habitando no lugar do silêncio.

18. Quando eu disse: O meu pé resvala; a tua benignidade, Senhor, me susteve.

19. Quando os cuidados do meu coração se multiplicam, as tuas consolações recreiam a minha alma.

20. Pode acaso associar-se contigo o trono de iniqüidade, que forja o mal tendo a lei por pretexto?

21. Acorrem em tropel contra a vida do justo, e condenam o sangue inocente.

22. Mas o Senhor tem sido o meu alto retiro, e o meu Deus a rocha do meu alto retiro, e o meu Deus a rocha do meu refúgio.

23. Ele fará recair sobre eles a sua própria iniqüidade, e os destruirá na sua própria malícia; o Senhor nosso Deus os destruirá.

1. Vinde, cantemos alegremente ao Senhor, cantemos com júbilo à rocha da nossa salvação.

2. Apresentemo-nos diante dele com ações de graças, e celebremo-lo com salmos de louvor.

3. Porque o Senhor é Deus grande, e Rei grande acima de todos os deuses.

4. Nas suas mãos estão as profundezas da terra, e as alturas dos montes são suas.

5. Seu é o mar, pois ele o fez, e as suas mãos formaram a serra terra seca.

6. Oh, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor, que nos criou.

7. Porque ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas que ele conduz. Oxalá que hoje ouvísseis a sua voz:

8. Não endureçais o vosso coração como em Meribá, como no dia de Massá no deserto,

9. quando vossos pais me tentaram, me provaram e viram a minha obra.

10. Durante quarenta anos estive irritado com aquela geração, e disse: É um povo que erra de coração, e não conhece os meus caminhos;

11. por isso jurei na minha ira: Eles não entrarão no meu descanso.

1. Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, todos os moradores da terra.

2. Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome; anunciai de dia em dia a sua salvação.

3. Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos as suas maravilhas.

4. Porque grande é o Senhor, e digno de ser louvado; ele é mais temível do que todos os deuses.

5. Porque todos os deuses dos povos são ídolos; mas o Senhor fez os céus.

6. Glória e majestade estão diante dele, força e formosura no seu santuário.

7. Tributai ao Senhor, ó famílias dos povos, tributai ao Senhor glória e força.

8. Tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome; trazei oferendas, e entrai nos seus átrios.

9. Adorai ao Senhor vestidos de trajes santos; tremei diante dele, todos os habitantes da terra.

10. Dizei entre as nações: O Senhor reina; ele firmou o mundo, de modo que não pode ser abalado. Ele julgará os povos com retidão.

11. Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra; brame o mar e a sua plenitude.

12. Exulte o campo, e tudo o que nele há; então cantarão de júbilo todas as árvores do bosque

13. diante do Senhor, porque ele vem, porque vem julgar a terra: julgará o mundo com justiça e os povos com a sua fidelidade.

1. O Senhor reina, regozije-se a terra; alegrem-se as numerosas ilhas.

2. Nuvens e escuridão estão ao redor dele; justiça e eqüidade são a base do seu trono.

3. Adiante dele vai um fogo que abrasa os seus inimigos em redor.

4. Os seus relâmpagos alumiam o mundo; a terra os vê e treme.

5. Os montes, como cerca, se derretem na presença do Senhor, na presença do Senhor de toda a terra.

6. Os céus anunciam a sua justiça, e todos os povos vêem a sua glória.

7. Confundidos são todos os que servem imagens esculpidas, que se gloriam de ídolos; prostrai-vos diante dele, todos os deuses.

8. Sião ouve e se alegra, e regozijam-se as filhas de Judá por causa dos teus juízos, Senhor.

9. Pois tu, Senhor, és o Altíssimo sobre toda a terra; tu és sobremodo exaltado acima de todos os deuses.

10. O Senhor ama aos que odeiam o mal; ele preserva as almas dos seus santos, ele os livra das mãos dos ímpios.

11. A luz é semeada para o justo, e a alegria para os retos de coração.

12. Alegrai-vos, ó justos, no Senhor, e rendei graças ao seu santo nome.

1. Cantai ao Senhor um cântico novo, porque ele tem feito maravilhas; a sua destra e o seu braço santo lhe alcançaram a vitória.

2. O Senhor fez notória a sua salvação, manifestou a sua justiça perante os olhos das nações.

3. Lembrou-se da sua misericórdia e da sua fidelidade para com a casa de Israel; todas as extremidades da terra viram a salvação do nosso Deus.

4. Celebrai com júbilo ao Senhor, todos os habitantes da terra; dai brados de alegria, regozijai-vos, e cantai louvores.

5. Louvai ao Senhor com a harpa; com a harpa e a voz de canto.

6. Com trombetas, e ao som de buzinas, exultai diante do Rei, o Senhor.

7. Brame o mar e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam;

8. batam palmas os rios; à uma regozijem-se os montes

9. diante do Senhor, porque vem julgar a terra; com justiça julgará o mundo, e os povos com eqüidade.

1. O Senhor reina, tremam os povos; ele está entronizado sobre os querubins, estremeça a terra.

2. O Senhor é grande em Sião, e exaltado acima de todos os povos.

3. Louvem o teu nome, grande e tremendo; pois é santo.

4. És Rei poderoso que amas a justiça; estabeleces a eqüidade, executas juízo e justiça em Jacó.

5. Exaltai o Senhor nosso Deus, e prostrai-vos diante do escabelo de seus pés; porque ele é santo.

6. Moisés e Arão entre os seus sacerdotes, e Samuel entre os que invocavam o seu nome, clamavam ao Senhor, e ele os ouvia.

7. Na coluna de nuvem lhes falava; eles guardavam os seus testemunhos, e os estatutos que lhes dera.

8. Tu os ouviste, Senhor nosso Deus; tu foste para eles um Deus perdoador, embora vingador dos seus atos.

9. Exaltai o Senhor nosso Deus e adorai-o no seu santo monte, porque o Senhor nosso Deus é santo.

1. Celebrai com júbilo ao Senhor, todos os habitantes da terra.

2. Servi ao Senhor com alegria, e apresentai-vos a ele com cântico.

3. Sabei que o Senhor é Deus! Foi ele quem nos fez, e somos dele; somos o seu povo e ovelhas do seu pasto.

4. Entrai pelas suas portas com ação de graças, e em seus átrios com louvor; dai-lhe graças e bendizei o seu nome.

5. Porque o Senhor é bom; a sua benignidade dura para sempre, e a sua fidelidade de geração em geração.

1. Cantarei a benignidade e o juízo; a ti, Senhor, cantarei.

2. Portar-me-ei sabiamente no caminho reto. Oh, quando virás ter comigo? Andarei em minha casa com integridade de coração.

3. Não porei coisa torpe diante dos meus olhos; aborreço as ações daqueles que se desviam; isso não se apagará a mim.

4. Longe de mim estará o coração perverso; não conhecerei o mal.

5. Aquele que difama o seu próximo às escondidas, eu o destruirei; aquele que tem olhar altivo e coração soberbo, não o tolerarei.

6. Os meus olhos estão sobre os fiéis da terra, para que habitem comigo; o que anda no caminho perfeito, esse me servirá.

7. O que usa de fraude não habitará em minha casa; o que profere mentiras não estará firme perante os meus olhos.

8. De manhã em manhã destruirei todos os ímpios da terra, para desarraigar da cidade do Senhor todos os que praticam a iniqüidade.

1. Ó Senhor, ouve a minha oração, e chegue a ti o meu clamor.

2. Não escondas de mim o teu rosto no dia da minha angústia; inclina para mim os teus ouvidos; no dia em que eu clamar, ouve-me depressa.

3. Pois os meus dias se desvanecem como fumaça, e os meus ossos ardem como um tição.

4. O meu coração está ferido e seco como a erva, pelo que até me esqueço de comer o meu pão.

5. Por causa do meu doloroso gemer, os meus ossos se apegam à minha carne.

6. Sou semelhante ao pelicano no deserto; cheguei a ser como a coruja das ruínas.

7. Vigio, e tornei-me como um passarinho solitário no telhado.

8. Os meus inimigos me afrontam todo o dia; os que contra mim se enfurecem, me amaldiçoam.

9. Pois tenho comido cinza como pão, e misturado com lágrimas a minha bebida,

10. por causa da tua indignação e da tua ira; pois tu me levantaste e me arrojaste de ti.

11. Os meus dias são como a sombra que declina, e eu, como a erva, me vou secando.

12. Mas tu, Senhor, estás entronizado para sempre, e o teu nome será lembrado por todas as gerações.

13. Tu te levantarás e terás piedade de Sião; pois é o tempo de te compadeceres dela, sim, o tempo determinado já chegou.

14. Porque os teus servos têm prazer nas pedras dela, e se compadecem do seu pó.

15. As nações, pois, temerão o nome do Senhor, e todos os reis da terra a tua glória,

16. quando o Senhor edificar a Sião, e na sua glória se manifestar,

17. atendendo à oração do desamparado, e não desprezando a sua súplica.

18. Escreva-se isto para a geração futura, para que um povo que está por vir louve ao Senhor.

19. Pois olhou do alto do seu santuário; dos céus olhou o Senhor para a terra,

20. para ouvir o gemido dos presos, para libertar os sentenciados à morte;

21. a fim de que seja anunciado em Sião o nome do Senhor, e o seu louvor em Jerusalém,

22. quando se congregarem os povos, e os reinos, para servirem ao Senhor.

23. Ele abateu a minha força no caminho; abreviou os meus dias.

24. Eu clamo: Deus meu, não me leves no meio dos meus dias, tu, cujos anos alcançam todas as gerações.

25. Desde a antigüidade fundaste a terra; e os céus são obra das tuas mãos.

26. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles, como um vestido, envelhecerão; como roupa os mudarás, e ficarão mudados.

27. Mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão.

28. Os filhos dos teus servos habitarão seguros, e a sua descendência ficará firmada diante de ti.

1. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome.

2. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios.

3. É ele quem perdoa todas as tuas iniqüidades, quem sara todas as tuas enfermidades,

4. quem redime a tua vida da cova, quem te coroa de benignidade e de misericórdia,

5. quem te supre de todo o bem, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia.

6. O Senhor executa atos de justiça, e juízo a favor de todos os oprimidos.

7. Fez notórios os seus caminhos a Moisés, e os seus feitos aos filhos de Israel.

8. Compassivo e misericordioso é o Senhor; tardio em irar-se e grande em benignidade.

9. Não repreenderá perpetuamente, nem para sempre conservará a sua ira.

10. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui segundo as nossas iniqüidades.

11. Pois quanto o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua benignidade para com os que o temem.

12. Quanto o oriente está longe do ocidente, tanto tem ele afastado de nós as nossas transgressões.

13. Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem.

14. Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó.

15. Quanto ao homem, os seus dias são como a erva; como a flor do campo, assim ele floresce.

16. Pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não a conhece mais.

17. Mas é de eternidade a eternidade a benignidade do Senhor sobre aqueles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos,

18. sobre aqueles que guardam o seu pacto, e sobre os que se lembram dos seus preceitos para os cumprirem.

19. O Senhor estabeleceu o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo.

20. Bendizei ao Senhor, vós anjos seus, poderosos em força, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra!

21. Bendizei ao Senhor, vós todos os seus exércitos, vós ministros seus, que executais a sua vontade!

22. Bendizei ao Senhor, vós todas as suas obras, em todos os lugares do seu domínio! Bendizei, ó minha alma ao Senhor!

1. Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Senhor, Deus meu, tu és magnificentíssimo! Estás vestido de honra e de majestade,

2. tu que te cobres de luz como de um manto, que estendes os céus como uma cortina.

3. És tu que pões nas águas os vigamentos da tua morada, que fazes das nuvens o teu carro, que andas sobre as asas do vento;

4. que fazes dos ventos teus mensageiros, dum fogo abrasador os teus ministros.

5. Lançaste os fundamentos da terra, para que ela não fosse abalada em tempo algum.

6. Tu a cobriste do abismo, como dum vestido; as águas estavam sobre as montanhas.

7. À tua repreensão fugiram; à voz do teu trovão puseram-se em fuga.

8. Elevaram-se as montanhas, desceram os vales, até o lugar que lhes determinaste.

9. Limite lhes traçaste, que não haviam de ultrapassar, para que não tornassem a cobrir a terra.

10. És tu que nos vales fazes rebentar nascentes, que correm entre as colinas.

11. Dão de beber a todos os animais do campo; ali os asnos monteses matam a sua sede.

12. Junto delas habitam as aves dos céus; dentre a ramagem fazem ouvir o seu canto.

13. Da tua alta morada regas os montes; a terra se farta do fruto das tuas obras.

14. Fazes crescer erva para os animais, e a verdura para uso do homem, de sorte que da terra tire o alimento,

15. o vinho que alegra o seu coração, o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que lhe fortalece o coração.

16. Saciam-se as árvores do Senhor, os cedros do Líbano que ele plantou,

17. nos quais as aves se aninham, e a cegonha, cuja casa está nos ciprestes.

18. Os altos montes são um refúgio para as cabras montesas, e as rochas para os querogrilos.

19. Designou a lua para marcar as estações; o sol sabe a hora do seu ocaso.

20. Fazes as trevas, e vem a noite, na qual saem todos os animais da selva.

21. Os leões novos os animais bramam pela presa, e de Deus buscam o seu sustento.

22. Quando nasce o sol, logo se recolhem e se deitam nos seus covis.

23. Então sai o homem para a sua lida e para o seu trabalho, até a tarde.

24. Ó Senhor, quão multiformes são as tuas obras! Todas elas as fizeste com sabedoria; a terra está cheia das tuas riquezas.

25. Eis também o vasto e espaçoso mar, no qual se movem seres inumeráveis, animais pequenos e grandes.

26. Ali andam os navios, e o leviatã que formaste para nele folgar.

27. Todos esperam de ti que lhes dês o sustento a seu tempo.

28. Tu lho dás, e eles o recolhem; abres a tua mão, e eles se fartam de bens.

29. Escondes o teu rosto, e ficam perturbados; se lhes tiras a respiração, morrem, e voltam para o seu pó.

30. Envias o teu fôlego, e são criados; e assim renovas a face da terra.

31. Permaneça para sempre a glória do Senhor; regozije-se o Senhor nas suas obras;

32. ele olha para a terra, e ela treme; ele toca nas montanhas, e elas fumegam.

33. Cantarei ao Senhor enquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus enquanto eu existir.

34. Seja-lhe agradável a minha meditação; eu me regozijarei no Senhor.

35. Sejam extirpados da terra os pecadores, e não subsistam mais os ímpios. Bendize, ó minha alma, ao Senhor. Louvai ao Senhor.

1. Dai graças ao Senhor; invocai o seu nome; fazei conhecidos os seus feitos entre os povos.

2. Cantai-lhe, cantai-lhe louvores; falai de todas as suas maravilhas.

3. Gloriai-vos no seu santo nome; regozije-se o coração daqueles que buscam ao Senhor.

4. Buscai ao Senhor e a sua força; buscai a sua face continuamente.

5. Lembrai-vos das maravilhas que ele tem feito, dos seus prodígios e dos juízos da sua boca,

6. vós, descendência de Abraão, seu servo, vós, filhos de Jacó, seus escolhidos.

7. Ele é o Senhor nosso Deus; os seus juízos estão em toda a terra.

8. Lembra-se perpetuamente do seu pacto, da palavra que ordenou para mil gerações;

9. do pacto que fez com Abraão, e do seu juramento a Isaque;

10. o qual ele confirmou a Jacó por estatuto, e a Israel por pacto eterno,

11. dizendo: A ti darei a terra de Canaã, como porção da vossa herança.

12. Quando eles eram ainda poucos em número, de pouca importância, e forasteiros nela,

13. andando de nação em nação, dum reino para outro povo,

14. não permitiu que ninguém os oprimisse, e por amor deles repreendeu reis, dizendo:

15. Não toqueis nos meus ungidos, e não maltrateis os meus profetas.

16. Chamou a fome sobre a terra; retirou-lhes todo o sustento do pão.

17. Enviou adiante deles um varão; José foi vendido como escravo;

18. feriram-lhe os pés com grilhões; puseram-no a ferro,

19. até o tempo em que a sua palavra se cumpriu; a palavra do Senhor o provou.

20. O rei mandou, e fez soltá-lo; o governador dos povos o libertou.

21. Fê-lo senhor da sua casa, e governador de toda a sua fazenda,

22. para, a seu gosto, dar ordens aos príncipes, e ensinar aos anciãos a sabedoria.

23. Então Israel entrou no Egito, e Jacó peregrinou na terra de Cam.

24. E o Senhor multiplicou sobremodo o seu povo, e o fez mais poderoso do que os seus inimigos.

25. Mudou o coração destes para que odiassem o seu povo, e tratassem astutamente aos seus servos.

26. Enviou Moisés, seu servo, e Arão, a quem escolhera,

27. os quais executaram entre eles os seus sinais e prodígios na terra de Cam.

28. Mandou à escuridão que a escurecesse; e foram rebeldes à sua palavra.

29. Converteu-lhes as águas em sangue, e fez morrer os seus peixes.

30. A terra deles produziu rãs em abundância, até nas câmaras dos seus reis.

31. Ele falou, e vieram enxames de moscas em todo o seu termo.

32. Deu-lhes saraiva por chuva, e fogo abrasador na sua terra.

33. Feriu-lhes também as vinhas e os figueirais, e quebrou as árvores da sua terra.

34. Ele falou, e vieram gafanhotos, e pulgões em quantidade inumerável,

35. que comeram toda a erva da sua terra, e devoraram o fruto dos seus campos.

36. Feriu também todos os primogênitos da terra deles, as primícias de toda a sua força.

37. E fez sair os israelitas com prata e ouro, e entre as suas tribos não havia quem tropeçasse.

38. O Egito alegrou-se quando eles saíram, porque o temor deles o dominara.

39. Estendeu uma nuvem para os cobrir, e um fogo para os alumiar de noite.

40. Eles pediram, e ele fez vir codornizes, e os saciou com pão do céu.

41. Fendeu a rocha, e dela brotaram águas, que correram pelos lugares áridos como um rio.

42. Porque se lembrou da sua santa palavra, e de Abraão, seu servo.

43. Fez sair com alegria o seu povo, e com cânticos de júbilo os seus escolhidos.

44. Deu-lhes as terras das nações, e eles herdaram o fruto do trabalho dos povos,

45. para que guardassem os seus preceitos, e observassem as suas leis. Louvai ao Senhor

1. Louvai ao Senhor. Louvai ao Senhor, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre.

2. Quem pode referir os poderosos feitos do Senhor, ou anunciar todo o seu louvor?

3. Bem-aventurados os que observam o direito, que praticam a justiça em todos os tempos.

4. Lembra-te de mim, Senhor, quando mostrares favor ao teu povo; visita-me com a tua salvação,

5. para que eu veja a prosperidade dos teus escolhidos, para que me alegre com a alegria da tua nação, e me glorie juntamente com a tua herança.

6. Nós pecamos, como nossos pais; cometemos a iniqüidade, andamos perversamente.

7. Nossos pais não atentaram para as tuas maravilhas no Egito, não se lembraram da multidão das tuas benignidades; antes foram rebeldes contra o Altíssimo junto ao Mar Vermelho.

8. Não obstante, ele os salvou por amor do seu nome, para fazer conhecido o seu poder.

9. Pois repreendeu o Mar Vermelho e este se secou; e os fez caminhar pelos abismos como pelo deserto.

10. Salvou-os da mão do adversário, livrou-os do poder do inimigo.

11. As águas, porém, cobriram os seus adversários; nem um só deles ficou.

12. Então creram nas palavras dele e cantaram-lhe louvor.

13. Cedo, porém, se esqueceram das suas obras; não esperaram pelo seu conselho;

14. mas deixaram-se levar pela cobiça no deserto, e tentaram a Deus no ermo.

15. E ele lhes deu o que pediram, mas fê-los definhar de doença.

16. Tiveram inveja de Moisés no acampamento, e de Arão, o santo do Senhor.

17. Abriu-se a terra, e engoliu a Datã, e cobriu a companhia de Abirão;

18. ateou-se um fogo no meio da congregação; e chama abrasou os ímpios.

19. Fizeram um bezerro em Horebe, e adoraram uma imagem de fundição.

20. Assim trocaram a sua glória pela figura de um boi que come erva.

21. Esqueceram-se de Deus seu Salvador, que fizera grandes coisas no Egito,

22. maravilhas na terra de Cam, coisas tremendas junto ao Mar Vermelho.

23. Pelo que os teria destruído, como dissera, se Moisés, seu escolhido, não se tivesse interposto diante dele, para desviar a sua indignação, a fim de que não os destruísse.

24. Também desprezaram a terra aprazível; não confiaram na sua promessa;

25. antes murmuraram em suas tendas e não deram ouvidos à voz do Senhor.

26. Pelo que levantou a sua mão contra eles, afirmando que os faria cair no deserto;

27. que dispersaria também a sua descendência entre as nações, e os espalharia pelas terras.

28. Também se apegaram a Baal-Peor, e comeram sacrifícios oferecidos aos mortos.

29. Assim o provocaram à ira com as suas ações; e uma praga rebentou entre eles.

30. Então se levantou Finéias, que executou o juízo; e cessou aquela praga.

31. E isto lhe foi imputado como justiça, de geração em geração, para sempre.

32. Indignaram-no também junto às águas de Meribá, de sorte que sucedeu mal a Moisés por causa deles;

33. porque amarguraram o seu espírito; e ele falou imprudentemente com seus lábios.

34. Não destruíram os povos, como o Senhor lhes ordenara;

35. antes se misturaram com as nações, e aprenderam as suas obras.

36. Serviram aos seus ídolos, que vieram a ser-lhes um laço;

37. sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios;

38. e derramaram sangue inocente, o sangue de seus filhos e de suas filhas, que eles sacrificaram aos ídolos de Canaã; e a terra foi manchada com sangue.

39. Assim se contaminaram com as suas obras, e se prostituíram pelos seus feitos.

40. Pelo que se acendeu a ira do Senhor contra o seu povo, de modo que abominou a sua herança;

41. entregou-os nas mãos das nações, e aqueles que os odiavam dominavam sobre eles.

42. Os seus inimigos os oprimiram, e debaixo das mãos destes foram eles humilhados.

43. Muitas vezes os livrou; mas eles foram rebeldes nos seus desígnios, e foram abatidos pela sua iniqüidade.

44. Contudo, atentou para a sua aflição, quando ouviu o seu clamor;

45. e a favor deles lembrou-se do seu pacto, e aplacou-se, segundo a abundância da sua benignidade.

46. Por isso fez com que obtivessem compaixão da parte daqueles que os levaram cativos.

47. Salva-nos, Senhor, nosso Deus, e congrega-nos dentre as nações, para que louvemos o teu santo nome, e nos gloriemos no teu louvor.

48. Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, de eternidade em eternidade! E diga todo o povo: Amém. Louvai ao Senhor.

Você está lendo Salmos na edição AA, Almeida Revisada Imprensa Bíblica, em Português.
Este lívro compôe o Antigo Testamento, tem 150 capítulos, e 2461 versículos.