2 Reis

1. No terceiro ano do reinado de Oséias, filho de Elá, rei de Israel, Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá, começou a reinar.

2. Ele tinha vinte e cinco anos de idade quando começou a reinar, e reinou vinte e nove anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Abia, filha de Zacarias.

3. Ele fez o que o Senhor aprova, tal como tinha feito Davi, seu predecessor.

4. Removeu os altares idólatras, quebrou as colunas sagradas e derrubou os postes sagrados. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés havia feito, pois até àquela época os israelitas lhe queimavam incenso. Ela era chamada Neustã.

5. Ezequias confiava no Senhor, o Deus de Israel. Nunca houve ninguém como ele entre todos os reis de Judá, nem antes nem depois dele.

6. Ele se apegou ao Senhor e não deixou de segui-lo; obedeceu aos mandamentos que o Senhor tinha dado a Moisés.

7. E o Senhor estava com ele; era bem sucedido em tudo o que fazia. Rebelou-se contra o rei da Assíria e deixou de submeter-se a ele.

8. Desde a torre de sentinela até à cidade fortificada, ele derrotou os filisteus, até Gaza e o seu território.

9. No quarto ano do reinado do rei Ezequias, o sétimo ano do reinado de Oséias, filho de Elá, rei de Israel, Salmaneser, rei da Assíria, marchou contra Samaria e a cercou.

10. Ao fim de três anos, os assírios a tomaram. Assim a cidade foi conquistada no sexto ano do reinado de Ezequias, o nono ano do reinado de Oséias, rei de Israel.

11. O rei assírio deportou os israelitas para a Assíria e os estabeleceu em Hala, em Gozã do rio Tabor e nas cidades dos medos.

12. Isto aconteceu porque os israelitas não obedeceram ao Senhor seu Deus, mas violaram a sua aliança: tudo o que Moisés, o servo do Senhor, tinha ordenado. Não o ouviram nem lhe obedeceram.

13. No décimo quarto ano do reinado do rei Ezequias, Senaqueribe, rei da Assíria, atacou todas as cidades fortificadas de Judá e as conquistou.

14. Então Ezequias, rei de Judá, enviou esta mensagem ao rei da Assíria, em Láquis: "Cometi um erro. Pára de atacar-me, e eu pagarei tudo que exigires". O rei da Assíria cobrou de Ezequias, rei de Judá, dez toneladas e meia de prata e uma tonelada e cinqüenta quilos de ouro.

15. Assim, Ezequias lhes deu toda a prata que se encontrou no templo e na tesouraria do palácio real.

16. Nessa ocasião Ezequias, rei de Judá, retirou o ouro com que havia coberto as portas e batentes do templo do Senhor, e o deu ao rei da Assíria.

17. De Láquis o rei da Assíria enviou ao rei Ezequias, em Jerusalém, seu general, seu oficial principal e seu comandante de campo com um grande exército. Eles subiram a Jerusalém e pararam no aqueduto do açude superior, na estrada que leva ao campo do Lavandeiro.

18. Eles chamaram pelo rei; e o administrador do palácio, Eliaquim, filho de Hilquias, o secretário Sebna e o arquivista real Joá, filho de Asafe, foram ao seu encontro.

19. O comandante de campo lhes disse: "Digam isto a Ezequias: Assim diz o grande rei, o rei da Assíria: Em que você baseia sua confiança?

20. Você pensa que meras palavras já são estratégia e poderio militar. Em quem você está confiando para se rebelar contra mim?

21. Você está confiando no Egito, aquele caniço quebrado, que espeta e perfura a mão do homem que nele se apóia! Assim o faraó, rei do Egito, retribui a quem confia nele.

22. Mas, se vocês me disserem: "Estamos confiando no Senhor nosso Deus"; não é ele aquele cujos santuários e altares Ezequias removeu, dizendo a Judá e Jerusalém: "Vocês devem adorar diante deste altar em Jerusalém? "

23. Aceite, pois, agora, o desafio do meu senhor, o rei da Assíria: Eu lhe darei dois mil cavalos; se você tiver cavaleiros para eles!

24. Como você pode derrotar o mais insignificante guerreiro do meu senhor? Você confia no Egito para lhe dar carros de guerra e cavaleiros?

25. Além disso, será que vim atacar e destruir este local sem uma palavra da parte do Senhor? O próprio Senhor me disse que marchasse contra este país e o destruísse".

26. Então Eliaquim, filho de Hilquias, Sebna e Joá disseram ao comandante de campo: "Por favor, fala com teus servos em aramaico, porque entendemos essa língua. Não fales em hebraico, pois assim o povo que está sobre os muros entenderá".

27. O comandante, porém, respondeu: "Será que meu senhor enviou-me para dizer essas coisas, somente para o seu senhor e para você e não para os que estão sentados no muro, que, como vocês, terão de comer as próprias fezes e beber a própria urina? "

28. Então o comandante levantou-se e gritou em hebraico: "Ouçam a palavra do grande rei, o rei da Assíria!

29. Assim diz o rei: Não deixem que Ezequias os engane. Ele não poderá livrá-los de minha mão.

30. Não deixem Ezequias convencê-los a confiar no Senhor, quando diz: ‘Com certeza o Senhor nos livrará; esta cidade não será entregue nas mãos do rei da Assíria’.

31. Não dêem ouvidos a Ezequias. Assim diz o rei da Assíria: Façam paz comigo e rendam-se. Então cada um de vocês comerá de sua própria videira e de sua própria figueira e beberá água de sua própria cisterna,

32. até que eu venha e os leve para uma terra igual à de vocês, terra de cereais, de vinho, terra de pão e de vinhas, terra de oliveiras e de mel. Escolham a vida e não a morte! Não dêem ouvidos a Ezequias, pois ele os está iludindo, quando diz: ‘O Senhor nos livrará’.

33. Será que o deus de alguma nação conseguiu livrar sua terra das mãos do rei da Assíria?

34. Onde estão os deuses de Hamate e de Arpade? Onde estão os deuses de Sefarvaim, Hena e Iva? Acaso livraram Samaria das minhas mãos?

35. Qual dentre todos os deuses dessas nações conseguiu livrar sua terra do meu poder? Como então o Senhor poderá livrar Jerusalém das minhas mãos? "

36. Mas o povo permaneceu calado e nada disse em resposta, pois o rei tinha ordenado: "Não lhe respondam".

37. Então o administrador do palácio, Eliaquim, filho de Hilquias, o secretário Sebna e o arquivista real Joá, filho de Asafe, retornaram com as vestes rasgadas a Ezequias e lhe relataram o que o comandante de campo tinha dito.

1. Ao ouvir o relato, o rei Ezequias rasgou as suas vestes, pôs roupas de luto e entrou no templo do Senhor.

2. Ele enviou o administrador do palácio, Eliaquim, o secretário Sebna e os sacerdotes principais, todos vestidos com pano de saco, ao profeta Isaías, filho de Amoz.

3. Eles lhe disseram: "Assim diz Ezequias: Hoje é dia de angústia, de repreensão e de humilhação; estamos como a mulher que está para dar à luz filhos, mas não tem forças para fazê-los nascer.

4. Talvez o Senhor seu Deus ouça todas as palavras do comandante de campo, a quem o senhor dele, o rei da Assíria, enviou para zombar do Deus vivo. E que o Senhor seu Deus o repreenda pelas palavras que ouviu. Portanto, suplique a Deus pelo remanescente que ainda sobrevive".

5. Quando os oficiais do rei Ezequias chegaram a Isaías,

6. este lhes disse: "Digam a seu senhor: ‘Assim diz o Senhor: Não tenha medo das palavras que você ouviu, das blasfêmias que os servos do rei da Assíria lançaram contra mim.

7. Ouça! Eu o farei tomar a decisão de retornar ao seu próprio país, quando ele ouvir certa notícia. E lá o farei morrer à espada’ ".

8. Quando o comandante de campo soube que o rei da Assíria havia partido de Láquis, retirou-se e encontrou o rei lutando contra Libna.

9. Ora, Senaqueribe fora informado de que Tiraca, rei etíope do Egito, estava vindo lutar contra ele, de modo que mandou novamente mensageiros a Ezequias com este recado:

10. "Digam a Ezequias, rei de Judá: Não deixe que o Deus no qual você confia o engane, quando diz: ‘Jerusalém não cairá nas mãos do rei da Assíria’.

11. Com certeza você ouviu o que os reis da Assíria têm feito a todas as nações, como as destruíram por completo. E você haveria de livrar-se?

12. Acaso os deuses das nações que foram destruídas por meus antepassados as livraram: os deuses de Gozã, Harã, Rezefe e do povo de Éden, que estava em Telassar?

13. Onde estão o rei de Hamate, o rei de Arpade, o rei da cidade de Sevarfaim, de Hena ou de Iva? "

14. Ezequias recebeu a carta das mãos dos mensageiros e a leu. Então subiu ao templo do Senhor e estendeu-a perante o Senhor.

15. E Ezequias orou ao Senhor: "Senhor, Deus de Israel, que reina em teu trono, entre os querubins, só tu és Deus sobre todos os reinos da terra. Tu criaste os céus e a terra.

16. Dá ouvidos, Senhor, e vê; ouve as palavras que Senaqueribe enviou para insultar o Deus vivo.

17. É verdade, Senhor, que os reis assírios fizeram de todas essas nações e seus territórios um deserto.

18. Atiraram os deuses delas no fogo e os destruíram, pois não eram deuses; eram apenas madeira e pedra moldadas por mãos humanas.

19. Agora, Senhor nosso Deus, salva-nos das mãos dele, para que todos os reinos da terra saibam que só tu, Senhor, és Deus".

20. Então Isaías, filho de Amoz, enviou uma mensagem a Ezequias: "Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Ouvi a sua oração acerca de Senaqueribe, o rei da Assíria.

21. Esta é a palavra que o Senhor falou contra ele: ‘A virgem, a filha de Sião, o despreza e zomba de você. A filha de Jerusalém meneia a cabeça enquanto você foge.

22. De quem você zombou e contra quem blasfemou? Contra quem você levantou a voz e contra quem ergueu o seu olhar arrogante? Contra o Santo de Israel!

23. Sim, você insultou o Senhor por meio dos seus mensageiros. E declarou: "Com carros sem conta subi, aos pontos mais elevados e às inacessíveis alturas do Líbano. Derrubei os seus mais altos cedros, os seus melhores pinheiros. Entrei em suas regiões mais remotas, e nas suas mais densas florestas.

24. Em terras estrangeiras cavei poços e bebi água. Com as solas de meus pés sequei todos os rios do Egito".

25. Você não percebe que há muito tempo eu já havia determinado tudo isso. Desde a antigüidade planejei o que agora faço acontecer, que você deixaria cidades fortificadas em ruínas.

26. Seus habitantes, sem forças, desanimam-se envergonhados. São como pastagens, como brotos tenros e verdes, como ervas no telhado, queimadas antes de crescer.

27. Eu, porém, sei onde você está, sei quando você sai e quando retorna; e como você se enfurece contra mim.

28. Sim, contra mim você se enfureceu e o seu atrevimento chegou aos meus ouvidos. Por isso porei o meu anzol em seu nariz e o meu freio em sua boca, e o farei voltar pelo caminho por onde veio.

29. A você, Ezequias, darei este sinal: Neste ano vocês comerão do que crescer por si, e no próximo o que daquilo brotar. Mas no terceiro ano semeiem e colham, plantem vinhas e comam o seu fruto.

30. Mais uma vez, um remanescente da tribo de Judá sobreviverá, lançará raízes na terra e se encherão de frutos os seus ramos.

31. De Jerusalém sairão sobreviventes, e um remanescente do monte Sião. O zelo do Senhor dos Exércitos o executará’.

32. Portanto, assim diz o Senhor acerca do rei da Assíria: ‘Ele não invadirá esta cidade nem disparará contra ela uma só flecha. Não a enfrentará com escudo nem construirá rampas de cerco contra ela.

33. Pelo caminho por onde veio voltará; não invadirá esta cidade’, declara o Senhor.

34. ‘Eu a defenderei e a salvarei, por amor de mim mesmo e do meu servo Davi’ ".

35. Naquela noite o anjo do Senhor saiu e matou cento e oitenta e cinco mil homens no acampamento assírio. Quando o povo se levantou na manhã seguinte, o lugar estava repleto de cadáveres!

36. Assim Senaqueribe, rei da Assíria, desmontou o acampamento e foi embora. Voltou para Nínive e lá ficou.

37. Certo dia, enquanto ele estava adorando no templo de seu deus Nisroque, seus filhos Adrameleque e Sarezer mataram-no à espada e fugiram para a terra de Ararate. Seu filho Esar-Hadom foi o seu sucessor.

1. Naquele tempo Ezequias ficou doente, e quase morreu. O profeta Isaías, filho de Amoz, foi visitá-lo e lhe disse: "Assim diz o Senhor: Ponha em ordem a sua casa, pois você vai morrer; não se recuperará".

2. Ezequias virou o rosto para a parede e orou ao Senhor:

3. "Lembra-te, Senhor, como tenho te servido com fidelidade e com devoção sincera. Tenho feito o que tu aprovas". E Ezequias chorou amargamente.

4. Antes de Isaías deixar o pátio intermediário, a palavra do Senhor veio a ele:

5. "Volte e diga a Ezequias, líder do meu povo: ‘Assim diz o Senhor, Deus de Davi, seu predecessor: Ouvi sua oração e vi suas lágrimas; eu o curarei. Daqui a três dias você subirá ao templo do Senhor.

6. Acrescentarei quinze anos à sua vida. E livrarei você e esta cidade das mãos do rei da Assíria. Defenderei esta cidade por causa de mim mesmo e do meu servo Davi’ ".

7. Então disse Isaías: "Preparem um emplastro de figos". Eles o fizeram e o aplicaram na úlcera; e ele se recuperou.

8. Ezequias havia perguntado a Isaías: "Qual será o sinal de que o Senhor me curará e de que de hoje a três dias subirei ao templo do Senhor? "

9. Isaías respondeu: "O sinal de que o Senhor vai cumprir o que prometeu é este: Você prefere que a sombra avance ou recue dez degraus na escadaria? "

10. Disse Ezequias: "Como é fácil a sombra avançar dez degraus, prefiro que ela recue dez degraus".

11. Então o profeta Isaías clamou ao Senhor, e este fez a sombra recuar os dez degraus que havia descido na escadaria de Acaz.

12. Naquela época, o rei da Babilônia, Merodaque-Baladã, filho de Baladã, enviou cartas e um presente para Ezequias, pois soubera da doença de Ezequias.

13. Ezequias recebeu em audiência os mensageiros e mostrou-lhes tudo o que havia em seus armazéns, a prata, o ouro, as especiarias e o azeite finíssimo, o seu arsenal e tudo que estava em seus tesouros. Não houve nada em seu palácio ou em seu reino que Ezequias não lhes mostrasse.

14. Então o profeta Isaías foi ao rei Ezequias e lhe perguntou: "O que esses homens disseram? De onde vieram? " Ezequias respondeu: "De uma terra distante. Vieram da Babilônia".

15. O profeta perguntou: "O que eles viram em seu palácio? " Disse Ezequias: "Viram tudo em meu palácio. Não há nada em meus tesouros que não lhes tenha mostrado".

16. Então Isaías disse a Ezequias: "Ouça a palavra do Senhor:

17. Um dia tudo que se encontra em seu palácio bem como tudo o que os seus antepassados acumularam até hoje será levado para a Babilônia. Nada restará, diz o Senhor.

18. Alguns dos seus próprios descendentes serão levados, e eles se tornarão eunucos no palácio do rei da Babilônia".

19. Respondeu Ezequias ao profeta: "Boa é a palavra do Senhor que você anunciou", pois ele entendeu que durante sua vida haveria paz e segurança.

20. Os demais acontecimentos do reinado de Ezequias, todas as suas realizações, inclusive a construção do açude e do túnel que canalizou água para a cidade, estão escritos no livro dos registros históricos dos reis de Judá.

21. Ezequias descansou com os seus antepassados, e seu filho Manassés foi o seu sucessor.

1. Manassés tinha doze anos de idade quando começou a reinar, e reinou cinqüenta e cinco anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Hefzibá.

2. Ele fez o que o Senhor reprova, imitando as práticas detestáveis das nações que o Senhor havia expulsado de diante dos israelitas.

3. Reconstruiu os altares idólatras que seu pai Ezequias havia demolido; também ergueu altares para Baal e fez um poste sagrado, como fizera Acabe, rei de Israel. Inclinou-se diante de todos os exércitos celestes e lhes prestou culto.

4. Construiu altares no templo do Senhor, do qual este tinha dito: "Em Jerusalém porei meu nome".

5. Nos dois pátios do templo do Senhor ele construiu altares para todos os exércitos celestes.

6. Chegou a queimar o próprio filho em sacrifício, praticou feitiçaria e adivinhação e consultou médiuns e espíritas. Fez o que o Senhor reprova, provocando-o à ira.

7. Ele tomou o poste sagrado que havia feito e o pôs no templo, do qual o Senhor tinha dito a Davi e a seu filho Salomão: "Neste templo e em Jerusalém, que escolhi dentre todas as tribos de Israel, porei meu nome para sempre.

8. Não farei os pés dos israelitas andarem errantes novamente, longe da terra que dei aos seus antepassados, se tão-somente tiverem o cuidado de fazer tudo o que lhes ordenei e obedecer à toda a Lei que meu servo Moisés lhes deu".

9. Mas o povo não quis ouvir. Manassés os desviou, a ponto de fazerem pior do que as nações que o Senhor havia destruído diante dos israelitas.

10. E o Senhor disse por meio dos seus servos, os profetas:

11. "Manassés, rei de Judá, cometeu esses atos repugnantes. Agiu pior do que os amorreus que o antecederam e também levou Judá a pecar com os ídolos que fizera.

12. Portanto, assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Causarei uma tal desgraça em Jerusalém e em Judá que os ouvidos de quem ouvir a respeito ficarão zumbindo.

13. Estenderei sobre Jerusalém o fio de medir utilizado contra Samaria e o fio de prumo usado contra a família de Acabe. Limparei Jerusalém como se lava um prato, lavando-o e virando-o de cabeça para baixo.

14. Abandonarei o remanescente da minha herança e o entregarei nas mãos de seus inimigos. Serão despojados e saqueados por todos os seus adversários,

15. pois fizeram o que eu reprovo e me provocaram à ira, desde o dia em que seus antepassados saíram do Egito até hoje".

16. Manassés também derramou tanto sangue inocente que encheu Jerusalém de um lado a outro; além disso levou Judá a cometer pecado, a fim de que fizessem o que o Senhor reprova.

17. Os demais acontecimentos do reinado de Manassés e todas as suas realizações, inclusive o pecado que cometeu, estão escritos no livro dos registros históricos dos reis de Judá.

18. Manassés descansou com seus antepassados e foi sepultado no jardim do seu palácio, o jardim de Uzá. E seu filho Amom foi o seu sucessor.

19. Amom tinha vinte e dois anos de idade quando começou a reinar, e reinou dois anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Mesulemete, filha de Haruz; ela era de Jotbá.

20. Ele fez o que o Senhor reprova, como fizera Manassés, seu pai.

21. Imitou o seu pai em tudo; prestou culto aos ídolos aos quais seu pai havia cultuado e inclinou-se diante deles.

22. Abandonou o Senhor, o Deus de seus antepassados e não andou no caminho do Senhor.

23. Os oficiais de Amom conspiraram contra ele e o assassinaram em seu palácio.

24. Mas o povo matou todos os que haviam conspirado contra o rei Amom, e a seu filho Josias proclamou rei em seu lugar.

25. Os demais acontecimentos do reinado de Amom e as suas realizações, estão escritos no livro dos registros históricos dos reis de Judá.

26. Ele foi sepultado em seu túmulo no jardim de Uzá. Seu filho Josias foi o seu sucessor.

1. Josias tinha oito anos de idade quando começou a reinar, e reinou trinta e um anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Jedida, filha de Adaías; ela era de Bozcate.

2. Ele fez o que o Senhor aprova e andou nos caminhos de Davi, seu predecessor, sem desviar-se nem para a direita nem para a esquerda.

3. No décimo oitavo ano do seu reinado, o rei Josias enviou o secretário Safã, filho de Azalias e neto de Mesulão, ao templo do Senhor, dizendo:

4. "Vá ao sumo sacerdote Hilquias e mande-o ajuntar a prata que foi trazida ao templo do Senhor, que os guardas das portas recolheram do povo.

5. Eles deverão entregar a prata aos homens nomeados para supervisionar a reforma do templo, para poderem pagar os trabalhadores que fazem os reparos no templo do Senhor:

6. os carpinteiros, os construtores e os pedreiros. Além disso comprarão madeira e pedras lavradas para os reparos no templo.

7. Mas eles não precisarão prestar contas da prata que lhes foi confiada, pois estão agindo com honestidade".

8. Então o sumo sacerdote Hilquias disse ao secretário Safã: "Encontrei o livro da Lei no templo do Senhor". Ele o entregou a Safã, que o leu.

9. O secretário Safã voltou ao rei e lhe informou: "Teus servos entregaram a prata que havia no templo do Senhor e a confiaram aos trabalhadores e supervisores no templo".

10. E o secretário Safã acrescentou: "O sacerdote Hilquias entregou-me um livro". E Safã o leu para o rei.

11. Assim que o rei ouviu as palavras do livro da Lei, rasgou suas vestes

12. e deu estas ordens ao sacerdote Hilquias, a Aicam, filho de Safã, a Acbor, filho de Micaías, ao secretário Safã e ao auxiliar real Asaías:

13. "Vão consultar o Senhor por mim, pelo povo e por todo Judá acerca do que está escrito neste livro que foi encontrado. A ira do Senhor contra nós deve ser grande, pois nossos antepassados não obedeceram às palavras deste livro, nem agiram de acordo com tudo que nele está escrito a nosso respeito".

14. O sacerdote Hilquias, Aicam, Acbor, Safã e Asaías foram falar com a profetisa Hulda, mulher de Salum, filho de Ticvá e neto de Harás, responsável pelo guarda-roupa do templo. Ela morava no bairro novo de Jerusalém.

15. Ela lhes disse: "Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: ‘Digam ao homem que os enviou a mim:

16. Assim diz o Senhor: Eu vou trazer desgraça sobre este lugar e sobre seus habitantes; tudo o que está escrito no livro que o rei de Judá leu.

17. Porque me abandonaram e queimaram incenso a outros deuses, provocando-me à ira por meio de todos os ídolos que as mãos deles têm feito, minha ira arderá contra este lugar e não será apagada’.

18. Digam ao rei de Judá, que os enviou para consultar o Senhor: ‘Assim diz o Senhor, o Deus de Israel, acerca das palavras que você ouviu:

19. Já que o seu coração se abriu e você se humilhou diante do Senhor, ao ouvir o que falei contra este lugar e contra seus habitantes, que seriam arrasados e amaldiçoados, e porque você rasgou as vestes e chorou na minha presença, eu o ouvi, declara o Senhor.

20. Portanto, eu o reunirei aos seus antepassados, e você será sepultado em paz. Seus olhos não verão toda a desgraça que eu vou trazer sobre este lugar’ ". Então eles levaram a resposta ao rei.

1. Então o rei convocou todas as autoridades de Judá e de Jerusalém.

2. Depois o rei subiu ao templo do Senhor acompanhado por todos os homens de Judá, todo o povo de Jerusalém, os sacerdotes e os profetas; todo o povo, dos mais simples aos mais importantes. Para todos o rei leu em voz alta todas as palavras do Livro da Aliança, que havia sido encontrado no templo do Senhor.

3. O rei colocou-se junto à coluna real e, na presença do Senhor, fez uma aliança, comprometendo-se a seguir o Senhor e obedecer de todo o coração e de toda a alma aos seus mandamentos, seus preceitos e seus decretos, confirmando assim as palavras da aliança escritas naquele livro. Então todo o povo se comprometeu com a aliança.

4. O rei deu ordens ao sumo sacerdote Hilquias, aos sacerdotes auxiliares e aos guardas das portas que retirassem do templo do Senhor todos os utensílios feitos para Baal e Aserá e para todos os exércitos celestes. Ele os queimou fora de Jerusalém, nos campos do vale de Cedrom e levou as cinzas para Betel.

5. E eliminou os sacerdotes pagãos nomeados pelos reis de Judá para queimar incenso nos altares idólatras das cidades de Judá e dos arredores de Jerusalém, aqueles que queimavam incenso a Baal, ao sol e à lua, às constelações e a todos os exércitos celestes.

6. Também mandou levar o poste sagrado do templo do Senhor para o vale de Cedrom, fora de Jerusalém, para ser queimado e reduzido a cinzas, que foram espalhadas sobre os túmulos de um cemitério público.

7. Também derrubou as acomodações dos prostitutos cultuais, que ficavam no templo do Senhor, onde as mulheres teciam para Aserá.

8. Josias trouxe todos os sacerdotes das cidades de Judá e, desde Geba até Berseba, profanou os altares onde os sacerdotes haviam queimado incenso. Derrubou os altares idólatras junto às portas, inclusive o altar da entrada da porta de Josué, o governador da cidade, que fica à esquerda da porta da cidade.

9. Embora os sacerdotes dos altares não servissem no altar do Senhor em Jerusalém, comiam pães sem fermento junto com os sacerdotes, seus colegas.

10. Também profanou Tofete, que ficava no vale de Ben-Hinom, de modo que ninguém mais pudesse usá-lo para queimar seu filho ou filha em sacrifício a Moloque.

11. Acabou com os cavalos que os reis de Judá tinham consagrado ao sol. Estavam na entrada do templo do Senhor perto da sala de um oficial chamado Natã-Meleque. Também queimou as carruagens consagradas ao sol.

12. Derrubou os altares que os seus antecessores haviam erguido no terraço, em cima do quarto superior de Acaz, e os altares que Manassés havia construído nos dois pátios do templo do Senhor. Retirou-os dali, despedaçou-os e atirou o entulho no vale de Cedrom.

13. O rei também profanou os altares que ficavam a leste de Jerusalém no sul do monte da Destruição, os quais Salomão, rei de Israel, havia construído para o poste sagrado, a detestável deusa dos sidônios, para Camos, o detestável deus de Moabe, e para Moloque, o detestável deus do povo de Amom.

14. Josias despedaçou as colunas sagradas, derrubou os postes sagrados e cobriu os locais com ossos humanos.

15. Até o altar de Betel, o altar idólatra edificado por Jeroboão, filho de Nebate, que levou Israel a pecar; até aquele altar e o seu santuário, ele os demoliu. Queimou o santuário e o reduziu a pó, queimando também o poste sagrado.

16. Quando Josias olhou em volta e, viu os túmulos que havia na encosta da colina, mandou retirar os ossos dos túmulos e queimá-los no altar a fim de contaminá-lo, conforme a palavra do Senhor proclamada pelo homem de Deus que predisse essas coisas.

17. O rei perguntou: "Que monumento é este que estou vendo? " Os homens da cidade disseram: "É o túmulo do homem de Deus que veio de Judá e proclamou estas coisas que tu fizeste ao altar de Betel".

18. Então ele disse: "Deixem-no em paz. Ninguém toque nos seus ossos". Assim pouparam seus ossos bem como os do profeta que tinha vindo de Samaria.

19. Como havia feito em Betel, Josias tirou e profanou todos os santuários idólatras que os reis de Israel haviam construído nas cidades de Samaria e que provocaram o Senhor à ira.

20. Josias também mandou sacrificar todos os sacerdotes daqueles altares idólatras e queimou ossos humanos sobre os altares. Depois voltou a Jerusalém.

21. Então o rei deu a seguinte ordem a todo o povo: "Celebrem a Páscoa ao Senhor seu Deus, conforme está escrito neste livro da Aliança".

22. Nem nos dias dos juízes que lideraram Israel, nem durante todos os dias dos reis de Israel e dos reis de Judá, foi celebrada uma Páscoa como esta.

23. Mas no décimo oitavo ano do reinado de Josias, esta Páscoa foi celebrada ao Senhor em Jerusalém.

24. Além disso, Josias eliminou os médiuns, os espíritas, os ídolos da família, os ídolos e todas as outras coisas repugnantes que havia em Judá e em Jerusalém. Ele fez isto para cumprir as exigências da lei escritas no livro que o sacerdote Hilquias havia descoberto no templo do Senhor.

25. Nem antes nem depois de Josias houve um rei como ele, que se voltasse para o Senhor de todo o coração, de toda a alma e de todas as suas forças, de acordo com toda a Lei de Moisés.

26. Entretanto, o Senhor não voltou atrás do fogo de sua grande ira, que se acendeu contra Judá por causa de tudo o que Manassés fizera para provocá-lo à ira.

27. Por isso o Senhor disse: "Também retirarei Judá da minha presença, tal como retirei de Israel, e rejeitarei Jerusalém, a cidade que escolhi, e este templo, do qual eu disse: ‘Ali porei o meu nome’ ".

28. Os demais acontecimentos do reinado de Josias e todas as suas realizações, estão escritos no livro dos registros históricos dos reis de Judá.

29. Durante o seu reinado, o faraó Neco, rei do Egito, avançou até o rio Eufrates ao encontro do rei da Assíria. O rei Josias marchou para combatê-lo, mas o faraó Neco o enfrentou e o matou em Megido.

30. Os oficiais de Josias levaram o seu corpo de Megido para Jerusalém, e o sepultaram em seu próprio túmulo. O povo tomou Jeoacaz, filho de Josias, ungiu-o e o proclamou como rei no lugar de seu pai.

31. Jeoacaz tinha vinte e três anos de idade quando começou a reinar, e reinou três meses em Jerusalém. O nome de sua mãe era Hamutal, filha de Jeremias; ela era de Libna.

32. Ele fez o que o Senhor reprova, tal como seus antepassados.

33. O faraó Neco o prendeu em Ribla, na terra de Hamate, de modo que não mais reinou em Jerusalém. O faraó também impôs a Judá um tributo de três toneladas e meia de prata e trinta e cinco quilos de ouro.

34. Colocou Eliaquim, filho de Josias, como rei no lugar do seu pai Josias, e mudou o nome de Eliaquim para Jeoaquim. Mas levou Jeoacaz consigo para o Egito, onde ele morreu.

35. Jeoaquim pagou ao faraó Neco a prata e o ouro. Mas, para cumprir as exigências do faraó, Jeoaquim impôs tributos ao povo, cobrando a prata e o ouro, de cada um conforme suas posses.

36. Jeoaquim tinha vinte e cinco anos de idade quando começou a reinar, e reinou onze anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Zebida, filha de Pedaías; ela era de Ruma.

37. Ele fez o que o Senhor reprova, tal como seus antepassados.

1. Durante o reinado de Jeoaquim, Nabucodonosor, rei da Babilônia, invadiu o país, e Jeoaquim tornou-se seu vassalo por três anos. Então ele voltou atrás e rebelou-se contra Nabucodonosor.

2. O Senhor enviou contra ele tropas babilônicas, aramaicas, moabitas e amonitas, para destruir Judá, de acordo com a palavra do Senhor proclamada por seus servos, os profetas.

3. Com certeza isto aconteceu a Judá conforme a ordem do Senhor, a fim de removê-los da sua presença, por causa de todos os pecados que Manassés cometeu,

4. inclusive o derramamento de sangue inocente. Pois ele havia enchido Jerusalém de sangue inocente, e o Senhor não o quis perdoar.

5. Os demais acontecimentos do reinado de Jeoaquim e todas as suas realizações, estão escritos no livro dos registros históricos dos reis de Judá.

6. Jeoaquim descansou com seus antepassados. Seu filho Joaquim foi o seu sucessor.

7. O rei do Egito não mais se atreveu a sair com seu exército de suas próprias fronteiras, pois o rei da Babilônia havia ocupado todo o território entre o ribeiro do Egito e o rio Eufrates, que antes pertencera ao Egito.

8. Joaquim tinha dezoito anos de idade quando começou a reinar, e reinou três meses em Jerusalém. O nome da sua mãe era Neusta, filha de Elnatã; ela era de Jerusalém.

9. Ele fez o que o Senhor reprova, tal como seu pai.

10. Naquela ocasião os oficiais de Nabucodonosor, rei da Babilônia, avançaram até Jerusalém e a cercaram,

11. Enquanto seus oficiais a cercavam o próprio Nabucodonosor veio à cidade.

12. Então Joaquim, rei de Judá, sua mãe, seus conselheiros, seus nobres e seus oficiais se entregaram; todos se renderam a ele. No oitavo ano do reinado do rei da Babilônia, ele levou Joaquim como prisioneiro.

13. Conforme o Senhor tinha declarado, Nabucodonosor retirou todos os tesouros do templo do Senhor e do palácio real, quebrando todos os utensílios de ouro que Salomão, rei de Israel, fizera para o templo do Senhor.

14. Levou para o exílio toda Jerusalém: todos os líderes e os homens de combate, todos os artesãos e artífices. Era um total de dez mil pessoas; só ficaram os mais pobres.

15. Nabucodonosor levou prisioneiro Joaquim para a Babilônia. Também levou de Jerusalém para a Babilônia a mãe do rei, as mulheres do rei e os oficiais do rei e os líderes do país.

16. O rei da Babilônia também deportou para a Babilônia toda a força de sete mil homens de combate, homens fortes e preparados para a guerra, e mil artífices e artesãos.

17. Fez Matanias, tio de Joaquim, reinar em seu lugar, e mudou seu nome para Zedequias.

18. Zedequias tinha vinte e um anos de idade quando começou a reinar, e reinou onze anos em Jerusalém. O nome de sua mãe era Hamutal, filha de Jeremias; ela era de Libna.

19. Ele fez o que o Senhor reprova, tal como fizera Jeoaquim.

20. Por causa da ira do Senhor tudo isso aconteceu a Jerusalém e a Judá; por fim ele os lançou para longe da sua presença. Ora, Zedequias rebelou-se contra o rei da Babilônia.

Você está lendo 2 Reis na edição NVI, Nova Versão Internacional, em Português.
Este lívro compôe o Antigo Testamento, tem 25 capítulos, e 719 versículos.