Gênesis

1. Então o Senhor disse a Abrão: "Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei.

2. "Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção.

3. Abençoarei os que o abençoarem, e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem; e por meio de você todos os povos da terra serão abençoados".

4. Partiu Abrão, como lhe ordenara o Senhor, e foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos quando saiu de Harã.

5. Levou sua mulher Sarai, seu sobrinho , todos os bens que haviam acumulado e os seus servos, comprados em Harã; partiram para a terra de Canaã e lá chegaram.

6. Abrão atravessou a terra até o lugar do Carvalho de Moré, em Siquém. Naquela época os cananeus habitavam essa terra.

7. O Senhor apareceu a Abrão e disse: "À sua descendência darei esta terra". Abrão construiu ali um altar dedicado ao Senhor, que lhe havia aparecido.

8. Dali prosseguiu em direção às colinas a leste de Betel, onde armou acampamento, tendo Betel a oeste e Ai a leste. Construiu ali um altar dedicado ao Senhor e invocou o nome do Senhor.

9. Depois Abrão partiu e prosseguiu em direção ao Neguebe.

10. Houve fome naquela terra, e Abrão desceu ao Egito para ali viver algum tempo, pois a fome era rigorosa.

11. Quando estava chegando ao Egito, disse a Sarai, sua mulher: "Bem sei que você é bonita.

12. Quando os egípcios a virem, dirão: ‘Esta é a mulher dele’. E me matarão, mas deixarão você viva.

13. Diga que é minha irmã, para que me tratem bem por amor a você e minha vida seja poupada por sua causa".

14. Quando Abrão chegou ao Egito, viram os egípcios que Sarai era uma mulher muito bonita.

15. Vendo-a, os homens da corte do faraó a elogiaram diante do faraó, e ela foi levada ao seu palácio.

16. Ele tratou bem a Abrão por causa dela, e Abrão recebeu ovelhas e bois, jumentos e jumentas, servos e servas, e camelos.

17. Mas o Senhor puniu o faraó e sua corte com graves doenças, por causa de Sarai, mulher de Abrão.

18. Por isso o faraó mandou chamar Abrão e disse: "O que você fez comigo? Por que não me falou que ela era sua mulher?

19. Por que disse que ela era sua irmã? Foi por isso que eu a tomei para ser minha mulher. Aí está a sua mulher. Tome-a e vá! "

20. A seguir o faraó deu ordens para que providenciassem o necessário para que Abrão partisse, com sua mulher e com tudo o que possuía.

1. Saiu, pois, Abrão do Egito e foi para o Neguebe, com sua mulher e com tudo o que possuía, e foi com ele.

2. Abrão tinha enriquecido muito, tanto em gado como em prata e ouro.

3. Ele partiu do Neguebe em direção a Betel, indo de um lugar a outro, até que chegou ao lugar entre Betel e Ai onde já havia armado acampamento anteriormente

4. e onde, pela primeira vez, tinha construído um altar. Ali Abrão invocou o nome do Senhor.

5. , que acompanhava Abrão, também possuía rebanhos e tendas.

6. E não podiam morar os dois juntos na mesma região, porque possuíam tantos bens que a terra não podia sustentá-los.

7. Por isso surgiu uma desavença entre os pastores dos rebanhos de Abrão e os de . Nessa época os cananeus e os ferezeus habitavam aquela terra.

8. Então Abrão disse a : "Não haja desavença entre mim e você, ou entre os seus pastores e os meus; afinal somos irmãos!

9. Aí está a terra inteira diante de você. Vamos nos separar! Se você for para a esquerda, irei para a direita; se for para a direita, irei para a esquerda".

10. Olhou então e viu todo o vale do Jordão, todo ele bem irrigado, até Zoar; era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito. Isto se deu antes do Senhor destruir Sodoma e Gomorra.

11. escolheu todo o vale do Jordão e partiu em direção ao Leste. Assim os dois se separaram:

12. Abrão ficou na terra de Canaã, mas mudou seu acampamento para um lugar próximo a Sodoma, entre as cidades do vale.

13. Ora, os homens de Sodoma eram extremamente perversos e pecadores contra o Senhor.

14. Disse o Senhor a Abrão, depois que separou-se dele: "De onde você está, olhe para o Norte, para o Sul, para o Leste e para o Oeste:

15. Toda a terra que você está vendo darei a você e à sua descendência para sempre.

16. Tornarei a sua descendência tão numerosa como o pó da terra. Se for possível contar o pó da terra, também se poderá contar a sua descendência.

17. Percorra esta terra de alto a baixo, de um lado a outro, porque eu a darei a você".

18. Então Abrão mudou seu acampamento e passou a viver próximo aos carvalhos de Manre, em Hebrom, onde construiu um altar dedicado ao Senhor.

1. Naquela época Anrafel, rei de Sinear, Arioque, rei de Elasar, Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei de Goim,

2. foram à guerra contra Bera, rei de Sodoma, contra Birsa, rei de Gomorra, contra Sinabe, rei de Admá, contra Semeber, rei de Zeboim, e contra o rei de Belá, que é Zoar.

3. Todos esses últimos juntaram suas tropas no vale de Sidim, onde fica o mar Salgado.

4. Doze anos estiveram sujeitos a Quedorlaomer, mas no décimo terceiro ano se rebelaram.

5. No décimo quarto ano, Quedorlaomer e os reis que a ele se aliaram derrotaram os refains em Asterote-Carnaim, os zuzins em Hã, os emins em Savé-Quiriataim

6. e os horeus desde os montes de Seir até El-Parã, próximo ao deserto.

7. Depois, voltaram e foram para En-Mispate, que é Cades, e conquistaram todo o território dos amalequitas e dos amorreus que viviam em Hazazom-Tamar.

8. Então os reis de Sodoma, de Gomorra, de Admá, de Zeboim e de Belá, que é Zoar, marcharam e tomaram posição de combate no vale de Sidim

9. contra Quedorlaomer, rei de Elão, contra Tidal, rei de Goim, contra Anrafel, rei de Sinear, e contra Arioque, rei de Elasar. Eram quatro reis contra cinco.

10. Ora, o vale de Sidim era cheio de poços de betume e, quando os reis de Sodoma e de Gomorra fugiram, alguns dos seus homens caíram nos poços e o restante escapou para os montes.

11. Os vencedores saquearam todos os bens de Sodoma e de Gomorra e todo o seu mantimento, e partiram.

12. Levaram também , sobrinho de Abrão, e os bens que ele possuía, visto que morava em Sodoma.

13. Mas alguém que tinha escapado veio e relatou tudo a Abrão, o hebreu. Abrão vivia próximo aos carvalhos de Manre, o amorreu, irmão de Escol e de Aner, aliados de Abrão.

14. Quando Abrão ouviu que seu parente fora levado prisioneiro, mandou convocar os trezentos e dezoito homens treinados, nascidos em sua casa, e saiu em perseguição aos inimigos até .

15. Atacou-os durante a noite em grupos, e assim os derrotou, perseguindo-os até Hobá, ao norte de Damasco.

16. Recuperou todos os bens e trouxe de volta seu parente com tudo o que possuía, juntamente com as mulheres e o restante dos prisioneiros.

17. Voltando Abrão da vitória sobre Quedorlaomer e sobre os reis que a ele se haviam aliado, o rei de Sodoma foi ao seu encontro no vale de Savé, isto é, o vale do Rei.

18. Então Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, trouxe pão e vinho

19. e abençoou Abrão, dizendo: "Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra.

20. E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou seus inimigos em suas mãos". E Abrão lhe deu o dízimo de tudo.

21. O rei de Sodoma disse a Abrão: "Dê-me as pessoas e pode ficar com os bens".

22. Mas Abrão respondeu ao rei de Sodoma: "De mãos levantadas ao Senhor, Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra, juro

23. que não aceitarei nada do que lhe pertence, nem mesmo um cordão ou uma correia de sandália, para que você jamais venha a dizer: ‘Eu enriqueci Abrão’.

24. Nada aceitarei, a não ser o que os meus servos comeram e a porção pertencente a Aner, Escol e Manre, os quais me acompanharam. Que eles recebam a sua porção".

1. Depois dessas coisas o Senhor falou a Abrão numa visão: "Não tenha medo, Abrão! Eu sou o seu escudo; grande será a sua recompensa! "

2. Mas Abrão perguntou: "Ó Soberano Senhor, que me darás, se continuo sem filhos e o herdeiro do que possuo é Eliézer de Damasco? "

3. E acrescentou: "Tu não me deste filho algum! Um servo da minha casa será o meu herdeiro! "

4. Então o Senhor deu-lhe a seguinte resposta: "Seu herdeiro não será esse. Um filho gerado por você mesmo será o seu herdeiro".

5. Levando-o para fora da tenda, disse-lhe: "Olhe para o céu e conte as estrelas, se é que pode contá-las". E prosseguiu: "Assim será a sua descendência".

6. Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi creditado como justiça.

7. Disse-lhe ainda: "Eu sou o Senhor, que o tirei de Ur dos caldeus para dar-lhe esta terra como herança".

8. Perguntou-lhe Abrão: "Ó Soberano Senhor, como posso saber que tomarei posse dela? "

9. Respondeu-lhe o Senhor: "Traga-me uma novilha, uma cabra e um carneiro, todos com três anos de vida, e também uma rolinha e um pombinho".

10. Abrão trouxe todos esses animais, cortou-os ao meio e colocou cada metade em frente à outra; as aves, porém, ele não cortou.

11. Nisso, aves de rapina começaram a descer sobre os cadáveres, mas Abrão as enxotava.

12. Ao pôr-do-sol, Abrão foi tomado de sono profundo, e eis que vieram sobre ele trevas densas e apavorantes.

13. Então o Senhor lhe disse: "Saiba que os seus descendentes serão estrangeiros numa terra que não lhes pertencerá, onde também serão escravizados e oprimidos por quatrocentos anos.

14. Mas eu castigarei a nação a quem servirão como escravos e, depois de tudo, sairão com muitos bens.

15. Você, porém, irá em paz a seus antepassados e será sepultado em boa velhice.

16. Na quarta geração, os seus descendentes voltarão para cá, porque a maldade dos amorreus ainda não atingiu a medida completa".

17. Depois que o sol se pôs e veio a escuridão, eis que um fogareiro esfumaçante, com uma tocha acesa, passou por entre os pedaços dos animais.

18. Naquele dia o Senhor fez a seguinte aliança com Abrão: "Aos seus descendentes dei esta terra, desde o ribeiro do Egito até o grande rio, o Eufrates:

19. a terra dos queneus, dos quenezeus, dos cadmoneus,

20. dos hititas, dos ferezeus, dos refains,

21. dos amorreus, dos cananeus, dos girgaseus e dos jebuseus".

1. Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dera nenhum filho. Como tinha uma serva egípcia, chamada Hagar,

2. disse a Abrão: "Já que o Senhor me impediu de ter filhos, possua a minha serva; talvez eu possa formar família por meio dela". Abrão atendeu à proposta de Sarai.

3. Quando isso aconteceu já fazia dez anos que Abrão, seu marido, vivia em Canaã. Foi nessa ocasião que Sarai, sua mulher, entregou sua serva egípcia Hagar a Abrão.

4. Ele possuiu Hagar, e ela engravidou. Quando se viu grávida, começou a olhar com desprezo para a sua senhora.

5. Então Sarai disse a Abrão: "Caia sobre você a afronta que venho sofrendo. Coloquei minha serva em seus braços, e agora que ela sabe que engravidou, despreza-me. Que o Senhor seja o juiz entre mim e você".

6. Respondeu Abrão a Sarai: "Sua serva está em suas mãos. Faça com ela o que achar melhor". Então Sarai tanto maltratou Hagar que esta acabou fugindo.

7. O Anjo do Senhor encontrou Hagar perto de uma fonte no deserto, no caminho de Sur,

8. e perguntou-lhe: "Hagar, serva de Sarai, de onde você vem? Para onde vai? " Respondeu ela: "Estou fugindo de Sarai, a minha senhora".

9. Disse-lhe então o Anjo do Senhor: "Volte à sua senhora e sujeite-se a ela".

10. Disse mais o anjo: "Multiplicarei tanto os seus descendentes que ninguém os poderá contar".

11. Disse-lhe ainda o Anjo do Senhor: "Você está grávida e terá um filho, e lhe dará o nome de Ismael, porque o Senhor a ouviu em seu sofrimento.

12. Ele será como jumento selvagem; sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele, e ele viverá em hostilidade contra todos os seus irmãos".

13. Este foi o nome que ela deu ao Senhor que lhe havia falado: "Tu és o Deus que me vê", pois dissera: "Teria eu visto Aquele que me vê? "

14. Por isso o poço, que fica entre Cades e Berede, foi chamado Beer-Laai-Roi.

15. Hagar teve um filho de Abrão, e este lhe deu o nome de Ismael.

16. Abrão estava com oitenta e seis anos de idade quando Hagar lhe deu Ismael.

1. Quando Abrão estava com noventa e nove anos de idade o Senhor lhe apareceu e disse: "Eu sou o Deus Todo-poderoso; ande segundo a minha vontade e seja íntegro.

2. Estabelecerei a minha aliança entre mim e você e multiplicarei muitíssimo a sua descendência".

3. Abrão prostrou-se, rosto em terra, e Deus lhe disse:

4. "De minha parte, esta é a minha aliança com você. Você será o pai de muitas nações.

5. Não será mais chamado Abrão; seu nome será Abraão, porque eu o constituí pai de muitas nações.

6. Eu o tornarei extremamente prolífero; de você farei nações e de você procederão reis.

7. Estabelecerei a minha aliança como aliança eterna entre mim e você e os seus futuros descendentes, para ser o seu Deus e o Deus dos seus descendentes.

8. Toda a terra de Canaã, onde agora você é estrangeiro, darei como propriedade perpétua a você e a seus descendentes; e serei o Deus deles.

9. "De sua parte", disse Deus a Abraão, "guarde a minha aliança, tanto você como os seus futuros descendentes.

10. Esta é a minha aliança com você e com os seus descendentes, aliança que terá que ser guardada: Todos os do sexo masculino entre vocês serão circuncidados na carne.

11. Terão que fazer essa marca, que será o sinal da aliança entre mim e vocês.

12. Da sua geração em diante, todo menino de oito dias de idade entre vocês terá que ser circuncidado, tanto os nascidos em sua casa quanto os que forem comprados de estrangeiros e que não forem descendentes de vocês.

13. Sejam nascidos em sua casa, sejam comprados, terão que ser circuncidados. Minha aliança, marcada no corpo de vocês, será uma aliança perpétua.

14. Qualquer do sexo masculino que for incircunciso, que não tiver sido circuncidado, será eliminado do meio do seu povo; quebrou a minha aliança".

15. Disse também Deus a Abraão: "De agora em diante sua mulher já não se chamará Sarai; seu nome será Sara.

16. Eu a abençoarei e também por meio dela darei a você um filho. Sim, eu a abençoarei e dela procederão nações e reis de povos".

17. Abraão prostrou-se, rosto em terra; riu-se e disse a si mesmo: "Poderá um homem de cem anos de idade gerar filhos? Poderá Sara dar à luz aos noventa anos? "

18. E Abraão disse a Deus: "Permite que Ismael seja o meu herdeiro! "

19. Então Deus respondeu: "Na verdade Sara, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe chamará Isaque. Com ele estabelecerei a minha aliança, que será aliança eterna para os seus futuros descendentes.

20. E no caso de Ismael, levarei em conta o seu pedido. Também o abençoarei; eu o farei prolífero e multiplicarei muito a sua descendência. Ele será pai de doze príncipes e dele farei um grande povo.

21. Mas a minha aliança, eu a estabelecerei com Isaque, filho que Sara lhe dará no ano que vem, por esta época".

22. Quando terminou de falar com Abraão, Deus subiu e retirou-se da presença dele.

23. Naquele mesmo dia Abraão tomou seu filho Ismael, todos os nascidos em sua casa e os que foram comprados, todos os do sexo masculino de sua casa, e os circuncidou, como Deus lhe ordenara.

24. Abraão tinha noventa e nove anos quando foi circuncidado,

25. e seu filho Ismael tinha treze;

26. Abraão e seu filho Ismael foram circuncidados naquele mesmo dia.

27. E com ele foram circuncidados todos os de sua casa, tanto os nascidos em casa como os comprados de estrangeiros.

1. O Senhor apareceu a Abraão perto dos carvalhos de Manre, quando ele estava sentado à entrada de sua tenda, na hora mais quente do dia.

2. Abraão ergueu os olhos e viu três homens em pé, a pouca distância. Quando os viu, saiu da entrada de sua tenda, correu ao encontro deles e curvou-se até ao chão.

3. Disse ele: "Meu senhor, se mereço o seu favor, não passe pelo seu servo sem fazer uma parada.

4. Mandarei buscar um pouco d’água para que lavem os pés e descansem debaixo desta árvore.

5. Vou trazer-lhes também o que comer, para que recobrem forças e prossigam pelo caminho, agora que já chegaram até este seu servo". "Está bem; faça como está dizendo", responderam.

6. Abraão foi apressadamente à tenda e disse a Sara: "Depressa, pegue três medidas da melhor farinha, amasse-a e faça uns pães".

7. Depois correu ao rebanho e escolheu o melhor novilho, e o deu a um servo, que se apressou em prepará-lo.

8. Trouxe então coalhada, leite e o novilho que havia sido preparado, e os serviu. Enquanto comiam, ele ficou perto deles em pé, debaixo da árvore.

9. "Onde está Sara, sua mulher? ", perguntaram. "Ali na tenda", respondeu ele.

10. Então disse o Senhor: "Voltarei a você na primavera, e Sara, sua mulher, terá um filho". Sara escutava à entrada da tenda, atrás dele.

11. Abraão e Sara já eram velhos, de idade bem avançada, e Sara já tinha passado da idade de ter filhos.

12. Por isso riu consigo mesma, quando pensou: "Depois de já estar velha e meu senhor já idoso, ainda terei esse prazer? "

13. Mas o Senhor disse a Abraão: "Por que Sara riu e disse: ‘Poderei realmente dar à luz, agora que sou idosa? ’

14. Existe alguma coisa impossível para o Senhor? Na primavera voltarei a você, e Sara terá um filho".

15. Sara teve medo, e por isso mentiu: "Eu não ri". Mas ele disse: "Não negue, você riu".

16. Quando os homens se levantaram para partir, avistaram lá embaixo Sodoma; e Abraão os acompanhou para despedir-se.

17. Então o Senhor disse: "Esconderei de Abraão o que estou para fazer?

18. Abraão será o pai de uma nação grande e poderosa, e por meio dele todas as nações da terra serão abençoadas.

19. Pois eu o escolhi, para que ordene aos seus filhos e aos seus descendentes que se conservem no caminho do Senhor, fazendo o que é justo e direito, para que o Senhor faça vir a Abraão o que lhe havia prometido".

20. Disse-lhe, pois, o Senhor: "As acusações contra Sodoma e Gomorra são tantas e o seu pecado é tão grave

21. que descerei para ver se o que eles têm feito corresponde ao que tenho ouvido. Se não, eu saberei".

22. Os homens partiram dali e foram para Sodoma, mas Abraão permaneceu diante do Senhor.

23. Abraão aproximou-se dele e disse: "Exterminarás o justo com o ímpio?

24. E se houver cinqüenta justos na cidade? Ainda a destruirás e não pouparás o lugar por amor aos cinqüenta justos que nele estão?

25. Longe de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio, tratando o justo e o ímpio da mesma maneira. Longe de ti! Não agirá com justiça o Juiz de toda a terra? "

26. Respondeu o Senhor: "Se eu encontrar cinqüenta justos em Sodoma, pouparei a cidade toda por amor a eles".

27. Mas Abraão tornou a falar: "Sei que já fui muito ousado a ponto de falar ao Senhor, eu que não passo de pó e cinza.

28. Ainda assim pergunto: E se faltarem cinco para completar os cinqüenta justos? Destruirás a cidade por causa dos cinco? " Disse ele: "Se encontrar ali quarenta e cinco, não a destruirei".

29. "E se encontrares apenas quarenta? ", insistiu Abraão. Ele respondeu: "Por amor aos quarenta não a destruirei".

30. Então continuou ele: "Não te ires, Senhor, mas permite-me falar. E se apenas trinta forem encontrados ali? " Ele respondeu: "Se encontrar trinta, não a destruirei".

31. Prosseguiu Abraão: "Agora que já fui tão ousado falando ao Senhor, pergunto: E se apenas vinte forem encontrados ali? " Ele respondeu: "Por amor aos vinte não a destruirei".

32. Então Abraão disse ainda: "Não te ires, Senhor, mas permite-me falar só mais uma vez. E se apenas dez forem encontrados? " Ele respondeu: "Por amor aos dez não a destruirei".

33. Tendo acabado de falar com Abraão, o Senhor partiu, e Abraão voltou para casa.

1. Os dois anjos chegaram a Sodoma ao anoitecer, e estava sentado à porta da cidade. Quando os avistou, levantou-se e foi recebê-los. Prostrou-se, rosto em terra,

2. e disse: "Meus senhores, por favor, acompanhem-me à casa do seu servo. Lá poderão lavar os pés, passar a noite e, pela manhã, seguir caminho. Não, passaremos a noite na praça", responderam.

3. Mas ele insistiu tanto com eles que, finalmente, o acompanharam e entraram em sua casa. mandou preparar-lhes uma refeição e assar pão sem fermento, e eles comeram.

4. Ainda não tinham ido deitar-se, quando todos os homens de toda parte da cidade de Sodoma, dos mais jovens aos mais velhos, cercaram a casa.

5. Chamaram e lhe disseram: "Onde estão os homens que vieram à sua casa esta noite? Traga-os para nós aqui fora para que tenhamos relações com eles".

6. saiu da casa, fechou a porta atrás de si

7. e lhes disse: "Não, meus amigos! Não façam essa perversidade!

8. Olhem, tenho duas filhas que ainda são virgens. Vou trazê-las para que vocês façam com elas o que bem entenderem. Mas não façam nada a estes homens, porque se acham debaixo da proteção do meu teto".

9. "Saia da frente! ", gritaram. E disseram: "Este homem chegou aqui como estrangeiro, e agora quer ser o juiz! Faremos a você pior do que a eles". Então empurraram com violência e avançaram para arrombar a porta.

10. Nisso, os dois visitantes agarraram , puxaram-no para dentro e fecharam a porta.

11. Depois feriram de cegueira os homens que estavam à porta da casa, dos mais jovens aos mais velhos, de maneira que não conseguiam encontrar a porta.

12. Os dois homens perguntaram a : "Você tem mais alguém na cidade — genros, filhos ou filhas, ou qualquer outro parente? Tire-os daqui,

13. porque estamos para destruir este lugar. As acusações feitas ao Senhor contra este povo são tantas que ele nos enviou para destruir a cidade".

14. Então foi falar com seus genros, os quais iam casar-se com suas filhas, e lhes disse: "Saiam imediatamente deste lugar, porque o Senhor está para destruir a cidade! " Mas eles pensaram que ele estava brincando.

15. Ao raiar do dia, os anjos insistiam com , dizendo: "Depressa! Leve daqui sua mulher e suas duas filhas, ou vocês também serão mortos quando a cidade for castigada".

16. Tendo ele hesitado, os homens o agarraram pela mão, como também a mulher e as duas filhas, e os tiraram dali à força e os deixaram fora da cidade, porque o Senhor teve misericórdia deles.

17. Assim que os tiraram da cidade, um deles disse a : "Fuja por amor à vida! Não olhe para trás e não pare em lugar nenhum da planície! Fuja para as montanhas, ou você será morto! "

18. , porém, lhes disse: "Não, meu senhor!

19. Seu servo foi favorecido por sua benevolência, pois o senhor foi bondoso comigo, poupando-me a vida. Não posso fugir para as montanhas, se não esta calamidade cairá sobre mim, e morrerei.

20. Aqui perto há uma cidade pequena. Está tão próxima que dá para correr até lá. Deixe-me ir para lá! Mesmo sendo tão pequena, lá estarei a salvo".

21. "Está bem", respondeu ele. "Também lhe atenderei esse pedido; não destruirei a cidade da qual você fala.

22. Fuja depressa, porque nada poderei fazer enquanto você não chegar lá". Por isso a cidade foi chamada Zoar.

23. Quando chegou a Zoar, o sol já havia nascido sobre a terra.

24. Então o Senhor, o próprio Senhor, fez chover do céu fogo e enxofre sobre Sodoma e Gomorra.

25. Assim ele destruiu aquelas cidades e toda a planície, com todos os habitantes das cidades e a vegetação.

26. Mas a mulher de olhou para trás e se transformou numa coluna de sal.

27. Na manhã seguinte, Abraão se levantou e voltou ao lugar onde tinha estado diante do Senhor.

28. E olhou para Sodoma e Gomorra, para toda a planície, e viu uma densa fumaça subindo da terra, como fumaça de uma fornalha.

29. Quando Deus arrasou as cidades da planície, lembrou-se de Abraão e tirou do meio da catástrofe que destruiu as cidades onde vivia.

30. partiu de Zoar com suas duas filhas e passou a viver nas montanhas, porque tinha medo de permanecer em Zoar. Ele e suas duas filhas ficaram morando numa caverna.

31. Um dia, a filha mais velha disse à mais jovem: "Nosso pai já está velho, e não há homens nas redondezas que nos possuam, segundo o costume de toda a terra.

32. Vamos dar vinho a nosso pai e então nos deitaremos com ele para preservar a linhagem de nosso pai".

33. Naquela noite deram vinho ao pai, e a filha mais velha entrou e se deitou com ele. E ele não percebeu quando ela se deitou nem quando se levantou.

34. No dia seguinte a filha mais velha disse à mais nova: "Ontem à noite deitei-me com meu pai. Vamos dar-lhe vinho também esta noite, e você se deitará com ele, para que preservemos a linhagem de nosso pai".

35. Então, outra vez deram vinho ao pai naquela noite, e a mais nova foi e se deitou com ele. E ele não percebeu quando ela se deitou nem quando se levantou.

36. Assim, as duas filhas de engravidaram do próprio pai.

37. A mais velha teve um filho, e deu-lhe o nome de Moabe; este é o pai dos moabitas de hoje.

38. A mais nova também teve um filho, e deu-lhe o nome de Ben-Ami; este é o pai dos amonitas de hoje.

1. Abraão partiu dali para a região do Neguebe e foi viver entre Cades e Sur. Depois morou algum tempo em Gerar.

2. Ele dizia que Sara, sua mulher, era sua irmã. Então Abimeleque, rei de Gerar, mandou buscar Sara e tomou-a para si.

3. Certa noite Deus veio a Abimeleque num sonho e lhe disse: "Você morrerá! A mulher que você tomou é casada".

4. Mas Abimeleque, que ainda não havia tocado nela, disse: "Senhor, destruirias um povo inocente?

5. Não foi ele que me disse: ‘Ela é minha irmã’? E ela também não disse: ‘Ele é meu irmão’? O que fiz foi de coração puro e de mãos limpas".

6. Então Deus lhe respondeu no sonho: "Sim, eu sei que você fez isso de coração puro. Eu mesmo impedi que você pecasse contra mim e por isso não lhe permiti tocá-la.

7. Agora devolva a mulher ao marido dela. Ele é profeta, e orará em seu favor, para que você não morra. Mas se não a devolver, esteja certo de que você e todos os seus morrerão".

8. Na manhã seguinte, Abimeleque convocou todos os seus conselheiros e, quando lhes contou tudo o que acontecera, tiveram muito medo.

9. Depois Abimeleque chamou Abraão e disse: "O que fizeste conosco? Em que foi que pequei contra ti para que trouxesses tamanha culpa sobre mim e sobre o meu reino? O que me fizeste não se faz a ninguém! "

10. E perguntou Abimeleque a Abraão: "O que te levou a fazer isso? "

11. Abraão respondeu: "Eu disse a mim mesmo: Certamente ninguém teme a Deus neste lugar, e irão matar-me por causa da minha mulher.

12. Além disso, na verdade ela é minha irmã por parte de pai, mas não por parte de mãe; e veio a ser minha mulher.

13. E quando Deus me fez sair errante da casa de meu pai, eu disse a ela: Assim você me provará sua lealdade: em qualquer lugar aonde formos, diga que sou seu irmão".

14. Então Abimeleque trouxe ovelhas e bois, servos e servas, deu-os a Abraão e devolveu-lhe Sara, sua mulher.

15. E disse Abimeleque: "Minha terra está diante de ti; podes ficar onde quiseres".

16. A Sara ele disse: "Estou dando a seu irmão mil peças de prata, para reparar a ofensa feita a você diante de todos os seus; assim todos saberão que você é inocente".

17. A seguir Abraão orou a Deus, e Deus curou Abimeleque, sua mulher e suas servas, de forma que puderam novamente ter filhos,

18. porque o Senhor havia tornado estéreis todas as mulheres da casa de Abimeleque por causa de Sara, mulher de Abraão.

1. O Senhor foi bondoso com Sara, como lhe dissera, e fez por ela o que prometera.

2. Sara engravidou e deu um filho a Abraão em sua velhice, na época fixada por Deus em sua promessa.

3. Abraão deu o nome de Isaque ao filho que Sara lhe dera.

4. Quando seu filho Isaque tinha oito dias de vida, Abraão o circuncidou, conforme Deus lhe havia ordenado.

5. Estava ele com cem anos de idade quando lhe nasceu Isaque, seu filho.

6. E Sara disse: "Deus me encheu de riso, e todos os que souberem disso rirão comigo".

7. E acrescentou: "Quem diria a Abraão que Sara amamentaria filhos? Contudo eu lhe dei um filho em sua velhice! "

8. O menino cresceu e foi desmamado. No dia em que Isaque foi desmamado, Abraão deu uma grande festa.

9. Sara, porém, viu que o filho que Hagar, a egípcia, dera a Abraão estava rindo de Isaque,

10. e disse a Abraão: "Livre-se daquela escrava e do seu filho, porque ele jamais será herdeiro com o meu filho Isaque".

11. Isso perturbou demais Abraão, pois envolvia um filho seu.

12. Mas Deus lhe disse: "Não se perturbe por causa do menino e da escrava. Atenda a tudo o que Sara lhe pedir, porque será por meio de Isaque que a sua descendência há de ser considerada.

13. Mas também do filho da escrava farei um povo; afinal ele é seu descendente".

14. Na manhã seguinte, Abraão pegou alguns pães e uma vasilha de couro cheia d’água, entregou-os a Hagar e, tendo-os colocado nos ombros dela, despediu-a com o menino. Ela se pôs a caminho e ficou vagando pelo deserto de Berseba.

15. Quando acabou a água da vasilha, ela deixou o menino debaixo de um arbusto

16. e foi sentar-se perto dali, à distância de um tiro de flecha, porque pensou: "Não posso ver o menino morrer". Sentada ali perto, começou a chorar.

17. Deus ouviu o choro do menino, e o anjo de Deus, do céu, chamou Hagar e lhe disse: "O que a aflige, Hagar? Não tenha medo; Deus ouviu o menino chorar, lá onde você o deixou.

18. Levante o menino e tome-o pela mão, porque dele farei um grande povo".

19. Então Deus lhe abriu os olhos, e ela viu uma fonte. Foi até lá, encheu de água a vasilha e deu de beber ao menino.

20. Deus estava com o menino. Ele cresceu, viveu no deserto e tornou-se flecheiro.

21. Vivia no deserto de Parã, e sua mãe conseguiu-lhe uma mulher da terra do Egito.

22. Naquela ocasião, Abimeleque, acompanhado de Ficol, comandante do seu exército, disse a Abraão: "Deus está contigo em tudo o que fazes.

23. Agora, jura-me, diante de Deus, que não vais enganar-me, nem a mim nem a meus filhos e descendentes. Trata a nação que te acolheu como estrangeiro com a mesma bondade com que te tratei".

24. Respondeu Abraão: "Eu juro! "

25. Todavia Abraão reclamou com Abimeleque a respeito de um poço que os servos de Abimeleque lhe tinham tomado à força.

26. Mas Abimeleque lhe respondeu: "Não sei quem fez isso. Nunca me disseste nada, e só fiquei sabendo disso hoje".

27. Então Abraão trouxe ovelhas e bois, deu-os a Abimeleque, e os dois firmaram um acordo.

28. Abraão separou sete ovelhas do rebanho,

29. pelo que Abimeleque lhe perguntou: "Que significam estas sete ovelhas que separaste das demais? "

30. Ele respondeu: "Aceita estas sete ovelhas de minhas mãos como testemunho de que eu cavei este poço".

31. Por isso aquele lugar foi chamado Berseba, porque ali os dois fizeram um juramento.

32. Firmado esse acordo em Berseba, Abimeleque e Ficol, comandante das suas tropas, voltaram para a terra dos filisteus.

33. Abraão, por sua vez, plantou uma tamargueira em Berseba e ali invocou o nome do Senhor, o Deus Eterno.

34. E morou Abraão na terra dos filisteus por longo tempo.

1. Passado algum tempo, Deus pôs Abraão à prova, dizendo-lhe: "Abraão! " Ele respondeu: "Eis-me aqui".

2. Então disse Deus: "Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei".

3. Na manhã seguinte, Abraão levantou-se e preparou o seu jumento. Levou consigo dois de seus servos e Isaque seu filho. Depois de cortar lenha para o holocausto, partiu em direção ao lugar que Deus lhe havia indicado.

4. No terceiro dia de viagem, Abraão olhou e viu o lugar ao longe.

5. Disse ele a seus servos: "Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o rapaz vamos até lá. Depois de adorarmos, voltaremos".

6. Abraão pegou a lenha para o holocausto e a colocou nos ombros de seu filho Isaque, e ele mesmo levou as brasas para o fogo, e a faca. E caminhando os dois juntos,

7. Isaque disse a seu pai Abraão: "Meu pai! " "Sim, meu filho", respondeu Abraão. Isaque perguntou: "As brasas e a lenha estão aqui, mas onde está o cordeiro para o holocausto? "

8. Respondeu Abraão: "Deus mesmo há de prover o cordeiro para o holocausto, meu filho". E os dois continuaram a caminhar juntos.

9. Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu um altar e sobre ele arrumou a lenha. Amarrou seu filho Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha.

10. Então estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar seu filho.

11. Mas o Anjo do Senhor o chamou do céu: "Abraão! Abraão! " "Eis-me aqui", respondeu ele.

12. "Não toque no rapaz", disse o Anjo. "Não lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho. "

13. Abraão ergueu os olhos e viu um carneiro preso pelos chifres num arbusto. Foi lá, pegou-o e sacrificou-o como holocausto em lugar de seu filho.

14. Abraão deu àquele lugar o nome de "O Senhor proverá". Por isso até hoje se diz: "No monte do Senhor se proverá".

15. Pela segunda vez o Anjo do Senhor chamou do céu a Abraão

16. e disse: "Juro por mim mesmo", declara o Senhor, "que por ter feito o que fez, não me negando seu filho, o seu único filho,

17. esteja certo de que o abençoarei e farei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar. Sua descendência conquistará as cidades dos que lhe forem inimigos

18. e, por meio dela, todos povos da terra serão abençoados, porque você me obedeceu".

19. Então voltou Abraão a seus servos, e juntos partiram para Berseba, onde passou a viver.

20. Passado algum tempo, disseram a Abraão que Milca dera filhos a seu irmão Naor:

21. Uz, o mais velho, Buz, seu irmão, Quemuel, pai de Arã,

22. Quésede, Hazo, Pildas, Jidlafe e Betuel,

23. pai de Rebeca. Estes foram os oito filhos que Milca deu a Naor, irmão de Abraão.

24. E sua concubina, chamada Reumá, teve os seguintes filhos: Tebá, Gaã, Taás e Maaca.

1. Sara viveu cento e vinte e sete anos

2. e morreu em Quiriate-Arba, que é Hebrom, em Canaã; e Abraão foi lamentar e chorar por ela.

3. Depois Abraão deixou ali o corpo de sua mulher e foi falar com os hititas:

4. "Sou apenas um estrangeiro entre vocês. Cedam-me alguma propriedade para sepultura, para que eu tenha onde enterrar a minha mulher".

5. Responderam os hititas a Abraão:

6. "Ouça-nos, senhor; o senhor é um príncipe de Deus em nosso meio. Enterre a sua mulher numa de nossas sepulturas, na que lhe parecer melhor. Nenhum de nós recusará ceder-lhe sua sepultura para que enterre a sua mulher".

7. Abraão levantou-se, curvou-se perante o povo daquela terra, os hititas,

8. e disse-lhes: "Já que vocês me dão permissão para sepultar minha mulher, peço que intercedam por mim junto a Efrom, filho de Zoar,

9. a fim de que ele me ceda a caverna de Macpela, que lhe pertence e se encontra na divisa do seu campo. Peçam-lhe que a ceda a mim pelo preço justo, para que eu tenha uma propriedade para sepultura entre vocês".

10. Efrom, o hitita, estava sentado no meio do seu povo e respondeu a Abraão, sendo ouvido por todos os hititas que tinham vindo à porta da cidade:

11. "Não, meu senhor. Ouça-me, eu lhe cedo o campo e também a caverna que nele está. Cedo-os na presença do meu povo. Sepulte a sua mulher".

12. Novamente Abraão curvou-se perante o povo daquela terra

13. e disse a Efrom, sendo ouvido por todos: "Ouça-me, por favor. Pagarei o preço do campo. Aceite-o, para que eu possa sepultar a minha mulher".

14. Efrom respondeu a Abraão:

15. "Ouça-me, meu senhor: aquele pedaço de terra vale quatrocentas peças de prata, mas o que significa isso entre mim e você? Sepulte a sua mulher".

16. Abraão concordou com Efrom e pesou-lhe o valor por ele estipulado diante dos hititas: quatrocentas peças de prata, de acordo com o peso corrente entre os mercadores.

17. Assim o campo de Efrom em Macpela, perto de Manre, o próprio campo com a caverna que nele há e todas as árvores dentro das divisas do campo, foi transferido

18. a Abraão como sua propriedade diante de todos os hititas que tinham vindo à porta da cidade.

19. Depois disso, Abraão sepultou sua mulher Sara na caverna do campo de Macpela, perto de Manre, que se encontra em Hebrom, na terra de Canaã.

20. Assim o campo e a caverna que nele há foram transferidos a Abraão pelos hititas como propriedade para sepultura.

1. Abraão já era velho, de idade bem avançada, e o Senhor em tudo o abençoara.

2. Disse ele ao servo mais velho de sua casa, que era o responsável por tudo quanto tinha: "Ponha a mão debaixo da minha coxa

3. e jure pelo Senhor, o Deus dos céus e o Deus da terra, que não buscará mulher para meu filho entre as filhas dos cananeus, no meio dos quais estou vivendo,

4. mas irá à minha terra e buscará entre os meus parentes uma mulher para meu filho Isaque".

5. O servo lhe perguntou: "E se a mulher não quiser vir comigo a esta terra? Devo então levar teu filho de volta à terra de onde vieste? "

6. "Cuidado! ", disse Abraão, "Não deixe o meu filho voltar para lá.

7. "O Senhor, o Deus dos céus, que me tirou da casa de meu pai e de minha terra natal e que me prometeu sob juramento que à minha descendência daria esta terra, enviará o seu anjo adiante de você para que de lá traga uma mulher para meu filho.

8. Se a mulher não quiser vir, você estará livre do juramento. Mas não leve o meu filho de volta para lá".

9. Então o servo pôs a mão debaixo da coxa de Abraão, seu senhor, e jurou cumprir aquela palavra.

10. O servo partiu, com dez camelos do seu senhor, levando também do que o seu senhor tinha de melhor. Partiu para a Mesopotâmia, em direção à cidade onde Naor tinha morado.

11. Ao cair da tarde, quando as mulheres costumam sair para buscar água, ele fez os camelos se ajoelharem junto ao poço que ficava fora da cidade.

12. Então orou: "SENHOR, Deus do meu senhor Abraão, dá-me neste dia bom êxito e seja bondoso com o meu senhor Abraão.

13. Como vês, estou aqui ao lado desta fonte, e as jovens do povo desta cidade estão vindo para tirar água.

14. Concede que a jovem a quem eu disser: ‘Por favor, incline o seu cântaro e dê-me de beber’, e ela me responder: ‘Bebe; também darei água aos teus camelos’, seja essa a que escolheste para teu servo Isaque. Saberei assim que foste bondoso com o meu senhor".

15. Antes que ele terminasse de orar, surgiu Rebeca, filha de Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão, trazendo no ombro o seu cântaro.

16. A jovem era muito bonita e virgem; nenhum homem tivera relações com ela. Rebeca desceu à fonte, encheu seu cântaro e voltou.

17. O servo apressou-se ao encontro dela e disse: "Por favor, dê-me um pouco de água do seu cântaro".

18. "Beba, meu senhor", disse ela, e tirou rapidamente dos ombros o cântaro e o serviu.

19. Depois que lhe deu de beber, disse: "Tirarei água também para os seus camelos até saciá-los".

20. Assim ela esvaziou depressa seu cântaro no bebedouro e correu de volta ao poço para tirar mais água para todos os camelos.

21. Sem dizer nada, o homem a observava atentamente para saber se o Senhor tinha ou não coroado de êxito a sua missão.

22. Quando os camelos acabaram de beber, o homem deu à jovem um pendente de ouro de seis gramas e duas pulseiras de ouro de cento e vinte gramas,

23. e perguntou: "De quem você é filha? Diga-me, por favor, se há lugar na casa de seu pai para eu e meus companheiros passarmos a noite".

24. "Sou filha de Betuel, o filho que Milca deu a Naor", respondeu ela;

25. e acrescentou: "Temos bastante palha e forragem, e também temos lugar para vocês passarem a noite".

26. Então o homem curvou-se em adoração ao Senhor,

27. dizendo: "Bendito seja o Senhor, o Deus do meu senhor Abraão, que não retirou sua bondade e sua fidelidade do meu senhor. Quanto a mim, o Senhor me conduziu na jornada até a casa dos parentes do meu senhor".

28. A jovem correu para casa e contou tudo à família de sua mãe.

29. Rebeca tinha um irmão chamado Labão. Ele saiu apressado à fonte para conhecer o homem,

30. pois tinha visto o pendente, e as pulseiras no braço de sua irmã, e ouvira Rebeca contar o que o homem lhe dissera. Saiu, pois, e foi encontrá-lo parado junto à fonte, ao lado dos camelos.

31. E disse: "Venha, bendito do Senhor! Por que ficar aí fora? Já arrumei a casa e um lugar para os camelos".

32. Assim o homem dirigiu-se à casa, e os camelos foram descarregados. Deram palha e forragem aos camelos, e água ao homem e aos que estavam com ele para lavarem os pés.

33. Depois lhe trouxeram comida, mas ele disse: "Não comerei enquanto não disser o que tenho para dizer". Disse Labão: "Então fale".

34. E ele disse: "Sou servo de Abraão.

35. O Senhor o abençoou muito, e ele se tornou muito rico. Deu-lhe ovelhas e bois, prata e ouro, servos e servas, camelos e jumentos.

36. Sara, mulher do meu senhor, na velhice lhe deu um filho, que é o herdeiro de tudo o que Abraão possui.

37. E meu senhor fez-me jurar, dizendo: ‘Você não buscará mulher para meu filho entre as filhas dos cananeus, em cuja terra estou vivendo,

38. mas irá à família de meu pai, ao meu próprio clã, buscar uma mulher para meu filho’.

39. "Então perguntei a meu senhor: ‘E se a mulher não quiser me acompanhar? ’

40. "Ele respondeu: ‘O Senhor, a quem tenho servido, enviará seu anjo com você e coroará de êxito a sua missão, para que você traga para meu filho uma mulher do meu próprio clã, da família de meu pai.

41. Quando chegar aos meus parentes, você estará livre do juramento se eles se recusarem a entregá-la a você. Só então você estará livre do juramento’.

42. "Hoje, quando cheguei à fonte, eu disse: Ó Senhor, Deus do meu senhor Abraão, se assim desejares, dá êxito à missão de que fui incumbido.

43. Aqui estou em pé diante desta fonte; se uma moça vier tirar água e eu lhe disser: ‘Por favor, dê-me de beber um pouco de seu cântaro’,

44. e ela me responder: ‘Bebe. Também darei água aos teus camelos’, seja essa a que o Senhor escolheu para o filho do meu senhor.

45. "Antes de terminar de orar em meu coração, surgiu Rebeca, com o cântaro ao ombro. Dirigiu-se à fonte e tirou água, e eu lhe disse: Por favor, dê-me de beber.

46. "Ela se apressou a tirar o cântaro do ombro e disse: ‘Bebe; também darei água aos teus camelos’. Eu bebi, e ela deu de beber também aos camelos.

47. "Depois lhe perguntei: ‘De quem você é filha? ’ "Ela me respondeu: ‘De Betuel, filho de Naor e Milca’. "Então coloquei o pendente em seu nariz e as pulseiras em seus braços,

48. e curvei-me em adoração ao Senhor. Bendisse ao Senhor, o Deus do meu senhor Abraão, que me guiou pelo caminho certo para buscar para o filho dele a neta do irmão do meu senhor.

49. Agora, se quiserem mostrar fidelidade e bondade a meu senhor, digam-me; e, se não quiserem, digam-me também, para que eu decida o que fazer".

50. Labão e Betuel responderam: "Isso vem do Senhor; nada lhe podemos dizer, nem a favor, nem contra.

51. Aqui está Rebeca; leve-a com você e que ela se torne a mulher do filho do seu senhor, como disse o Senhor".

52. Quando o servo de Abraão ouviu o que disseram, curvou-se até ao chão diante do Senhor.

53. Então o servo deu jóias de ouro e de prata e vestidos a Rebeca; deu também presentes valiosos ao irmão dela e à sua mãe.

54. Depois ele e os homens que o acompanhavam comeram, beberam e ali passaram a noite. Ao se levantarem na manhã seguinte, ele disse: "Deixem-me voltar ao meu senhor".

55. Mas o irmão e a mãe dela responderam: "Deixe a jovem ficar mais uns dez dias conosco; então você poderá partir".

56. Mas ele disse: "Não me detenham, agora que o Senhor coroou de êxito a minha missão. Vamos despedir-nos, e voltarei ao meu senhor".

57. Então lhe disseram: "Vamos chamar a jovem e ver o que ela diz".

58. Chamaram Rebeca e lhe perguntaram: "Você quer ir com este homem? " "Sim, quero", respondeu ela.

59. Despediram-se, pois, de sua irmã Rebeca, de sua ama, do servo de Abraão e dos que o acompanhavam.

60. E abençoaram Rebeca, dizendo-lhe: "Que você cresça, nossa irmã, até ser milhares de milhares; e que a sua descendência conquiste as cidades dos seus inimigos".

61. Então Rebeca e suas servas se aprontaram, montaram seus camelos e partiram com o homem. E assim o servo partiu levando Rebeca.

62. Isaque tinha voltado de Beer-Laai-Roi, pois habitava no Neguebe.

63. Certa tarde, saiu ao campo para meditar. Ao erguer os olhos, viu que se aproximavam camelos.

64. Rebeca também ergueu os olhos e viu Isaque. Ela desceu do camelo

65. e perguntou ao servo: "Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro? " "É meu senhor", respondeu o servo. Então ela se cobriu com o véu.

66. Depois o servo contou a Isaque tudo o que havia feito.

67. Isaque levou Rebeca para a tenda de sua mãe Sara; fez dela sua mulher, e a amou; assim Isaque foi consolado após a morte de sua mãe.

1. Abraão casou-se com outra mulher, chamada Quetura.

2. Ela lhe deu os seguintes filhos: Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Isbaque e Suá.

3. Jocsã gerou Sabá e Dedã; os descendentes de Dedã foram os assuritas, os letusitas e os leumitas.

4. Os filhos de Midiã foram Efá, Éfer, Enoque, Abida e Elda. Todos esses foram descendentes de Quetura.

5. Abraão deixou tudo o que tinha para Isaque.

6. Mas para os filhos de suas concubinas deu presentes; e, ainda em vida, enviou-os para longe de Isaque, para a terra do Oriente.

7. Abraão viveu cento e setenta e cinco anos.

8. Morreu em boa velhice, em idade bem avançada, e foi reunido aos seus antepassados.

9. Seus filhos, Isaque e Ismael, o sepultaram na caverna de Macpela, perto de Manre, no campo de Efrom, filho de Zoar, o hitita,

10. campo que Abraão comprara dos hititas. Foi ali que Abraão e Sara, sua mulher, foram sepultados.

11. Depois da morte de Abraão, Deus abençoou seu filho Isaque. Isaque morava próximo a Beer-Laai-Roi.

12. Este é o registro da descendência de Ismael, o filho de Abraão que Hagar, a serva egípcia de Sara, deu a ele.

13. São estes os nomes dos filhos de Ismael, alistados por ordem de nascimento: Nebaiote, o filho mais velho de Ismael, Quedar, Adbeel, Mibsão,

14. Misma, Dumá, Massá,

15. Hadade, Temá, Jetur, Nafis e Quedemá.

16. Foram esses os doze filhos de Ismael, que se tornaram os líderes de suas tribos; os seus povoados e acampamentos receberam os seus nomes.

17. Ismael viveu cento e trinta e sete anos. Morreu e foi reunido aos seus antepassados.

18. Seus descendentes se estabeleceram na região que vai de Havilá a Sur, próximo à fronteira com o Egito, na direção de quem vai para Assur. E viveram em hostilidade contra todos os seus irmãos.

19. Esta é a história da família de Isaque, filho de Abraão: Abraão gerou Isaque,

20. o qual aos quarenta anos se casou com Rebeca, filha de Betuel, o arameu de Padã-Arã, e irmã de Labão, também arameu.

21. Isaque orou ao Senhor em favor de sua mulher, porque era estéril. O SENHOR respondeu à sua oração, e Rebeca, sua mulher, engravidou.

22. Os meninos se empurravam dentro dela, pelo que disse: "Por que está me acontecendo isso? " Foi então consultar o Senhor.

23. Disse-lhe o Senhor: "Duas nações estão em seu ventre, já desde as suas entranhas dois povos se separarão; um deles será mais forte que o outro, mas o mais velho servirá ao mais novo".

24. Ao chegar a época de dar à luz, confirmou-se que havia gêmeos em seu ventre.

25. O primeiro a sair era ruivo, e todo o seu corpo era como um manto de pêlos; por isso lhe deram o nome de Esaú.

26. Depois saiu seu irmão, com a mão agarrada no calcanhar de Esaú; pelo que lhe deram o nome de Jacó. Tinha Isaque sessenta anos de idade quando Rebeca os deu à luz.

27. Os meninos cresceram. Esaú tornou-se caçador habilidoso e vivia percorrendo os campos, ao passo que Jacó cuidava do rebanho e vivia nas tendas.

28. Isaque preferia Esaú, porque gostava de comer de suas caças; Rebeca preferia Jacó.

29. Certa vez, quando Jacó preparava um ensopado, Esaú chegou faminto, voltando do campo,

30. e pediu-lhe: "Dê-me um pouco desse ensopado vermelho aí. Estou faminto! " Por isso também foi chamado Edom.

31. Respondeu-lhe Jacó: "Venda-me primeiro o seu direito de filho mais velho".

32. Disse Esaú: "Estou quase morrendo. De que me vale esse direito? "

33. Jacó, porém, insistiu: "Jure primeiro". Então ele fez um juramento, vendendo o seu direito de filho mais velho a Jacó.

34. Então Jacó serviu a Esaú pão com ensopado de lentilhas. Ele comeu e bebeu, levantou-se e se foi. Assim Esaú desprezou o seu direito de filho mais velho.

1. Houve fome naquela terra, como tinha acontecido no tempo de Abraão. Por isso Isaque foi para Gerar, onde Abimeleque era o rei dos filisteus.

2. O Senhor apareceu a Isaque e disse: "Não desça ao Egito; procure estabelecer-se na terra que eu lhe indicar.

3. Permaneça nesta terra mais um pouco, e eu estarei com você e o abençoarei. Porque a você e a seus descendentes darei todas estas terras e confirmarei o juramento que fiz a seu pai Abraão.

4. Tornarei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e lhes darei todas estas terras; e por meio da sua descendência todos os povos da terra serão abençoados,

5. porque Abraão me obedeceu e guardou meus preceitos, meus mandamentos, meus decretos e minhas leis".

6. Assim Isaque ficou em Gerar.

7. Quando os homens do lugar lhe perguntaram sobre a sua mulher, ele disse: "Ela é minha irmã". Teve medo de dizer que era sua mulher, pois pensou: "Os homens deste lugar podem matar-me por causa de Rebeca, por ser ela tão bonita".

8. Isaque estava em Gerar já fazia muito tempo. Certo dia, Abimeleque, rei dos filisteus, estava olhando do alto de uma janela quando viu Isaque acariciando Rebeca, sua mulher.

9. Então Abimeleque chamou Isaque e lhe disse: "Na verdade ela é tua mulher! Por que me disseste que ela era tua irmã? " Isaque respondeu: "Porque pensei que eu poderia ser morto por causa dela".

10. Então disse Abimeleque: "Tens idéia do que nos fizeste? Qualquer homem bem poderia ter-se deitado com tua mulher, e terias trazido culpa sobre nós".

11. E Abimeleque ordenou a todo o povo: "Quem tocar neste homem ou em sua mulher certamente morrerá! "

12. Isaque formou lavoura naquela terra e no mesmo ano colheu a cem por um, porque o Senhor o abençoou.

13. O homem enriqueceu, e a sua riqueza continuou a aumentar, até que ficou riquíssimo.

14. Possuía tantos rebanhos e servos que os filisteus o invejavam.

15. Estes taparam todos os poços que os servos de Abraão, pai de Isaque, tinham cavado na sua época, enchendo-os de terra.

16. Então Abimeleque pediu a Isaque: "Sai de nossa terra, pois já és poderoso demais para nós".

17. Então Isaque mudou-se de lá, acampou no vale de Gerar e ali se estabeleceu.

18. Isaque reabriu os poços cavados no tempo de seu pai Abraão, os quais os filisteus fecharam depois que Abraão morreu, e deu-lhes os mesmos nomes que seu pai lhes tinha dado.

19. Os servos de Isaque cavaram no vale e descobriram um veio d’água.

20. Mas os pastores de Gerar discutiram com os pastores de Isaque, dizendo: "A água é nossa! " Por isso Isaque deu ao poço o nome de Eseque, porque discutiram por causa dele.

21. Então os seus servos cavaram outro poço, mas eles também discutiram por causa dele; por isso o chamou Sitna.

22. Isaque mudou-se dali e cavou outro poço, e ninguém discutiu por causa dele. Deu-lhe o nome de Reobote, dizendo: "Agora o Senhor nos abriu espaço e prosperaremos na terra".

23. Dali Isaque foi para Berseba.

24. Naquela noite, o Senhor lhe apareceu e disse: "Eu sou o Deus de seu pai Abraão. Não tema, porque estou com você; eu o abençoarei e multiplicarei os seus descendentes por amor ao meu servo Abraão".

25. Isaque construiu nesse lugar um altar e invocou o nome do Senhor. Ali armou acampamento, e os seus servos cavaram outro poço.

26. Por aquele tempo, veio a ele Abimeleque, de Gerar, com Auzate, seu conselheiro pessoal, e Ficol, o comandante dos seus exércitos.

27. Isaque lhes perguntou: "Por que me vieram ver, uma vez que foram hostis e me mandaram embora? "

28. Eles responderam: "Vimos claramente que o Senhor está contigo; por isso dissemos: Façamos um juramento entre nós. Queremos firmar um acordo contigo:

29. Tu não nos farás mal, assim como nada te fizemos, mas sempre te tratamos bem e te despedimos em paz. Agora sabemos que o SENHOR te tem abençoado".

30. Então Isaque ofereceu-lhes um banquete, e eles comeram e beberam.

31. Na manhã seguinte os dois fizeram juramento. Depois Isaque os despediu e partiram em paz.

32. Naquele mesmo dia os servos de Isaque vieram falar-lhe sobre o poço que tinham cavado, e disseram: "Achamos água! "

33. Isaque deu-lhe o nome de Seba e, por isso, até o dia de hoje aquela cidade é conhecida como Berseba.

34. Tinha Esaú quarenta anos de idade quando escolheu por mulher a Judite, filha de Beeri, o hitita, e também a Basemate, filha de Elom, o hitita.

35. Elas amarguraram a vida de Isaque e de Rebeca.

1. Tendo Isaque envelhecido, seus olhos ficaram tão fracos que ele já não podia enxergar. Certo dia chamou Esaú, seu filho mais velho, e lhe disse: "Meu filho! " Ele respondeu: "Estou aqui".

2. Disse-lhe Isaque: "Já estou velho e não sei o dia da minha morte.

3. Pegue agora suas armas, o arco e a aljava, e vá ao campo caçar alguma coisa para mim.

4. Prepare-me aquela comida saborosa que tanto aprecio e traga-me, para que eu a coma e o abençoe antes de morrer".

5. Ora, Rebeca estava ouvindo o que Isaque dizia a seu filho Esaú. Quando Esaú saiu ao campo para caçar,

6. Rebeca disse a seu filho Jacó: "Ouvi seu pai dizer a seu irmão Esaú:

7. ‘Traga-me alguma caça e prepare-me aquela comida saborosa, para que eu a coma e o abençoe na presença do Senhor antes de morrer’.

8. Agora, meu filho, ouça bem e faça o que lhe ordeno:

9. Vá ao rebanho e traga-me dois cabritos escolhidos, para que eu prepare uma comida saborosa para seu pai, como ele aprecia.

10. Leve-a então a seu pai, para que ele a coma e o abençoe antes de morrer".

11. Disse Jacó a Rebeca, sua mãe: "Mas o meu irmão Esaú é homem peludo, e eu tenho a pele lisa.

12. E se meu pai me apalpar? Vai parecer que estou tentando enganá-lo, fazendo-o de tolo e, em vez de bênção, trarei sobre mim maldição".

13. Disse-lhe sua mãe: "Caia sobre mim a maldição, meu filho. Faça apenas o que eu digo: Vá e traga-os para mim".

14. Então ele foi, apanhou-os e os trouxe à sua mãe, que preparou uma comida saborosa, como seu pai apreciava.

15. Rebeca pegou as melhores roupas de Esaú, seu filho mais velho, roupas que tinha em casa, e colocou-as em Jacó, seu filho mais novo.

16. Depois cobriu-lhe as mãos e a parte lisa do pescoço com as peles dos cabritos,

17. e por fim entregou a Jacó a refeição saborosa e o pão que tinha feito.

18. Ele se dirigiu ao pai e disse: "Meu pai". Respondeu ele: "Sim, meu filho. Quem é você? "

19. Jacó disse a seu pai: "Sou Esaú, seu filho mais velho. Fiz como o senhor me disse. Agora, assente-se e coma do que cacei para que me abençoe".

20. Isaque perguntou ao filho: "Como encontrou a caça tão depressa, meu filho? " Ele respondeu: "O Senhor, o seu Deus, a colocou no meu caminho".

21. Então Isaque disse a Jacó: "Chegue mais perto, meu filho, para que eu possa apalpá-lo e saber se você é realmente meu filho Esaú".

22. Jacó aproximou-se do seu pai Isaque, que o apalpou e disse: "A voz é de Jacó, mas os braços são de Esaú".

23. Não o reconheceu, pois seus braços estavam peludos como os de Esaú, seu irmão; e o abençoou.

24. Isaque perguntou-lhe outra vez: "Você é mesmo meu filho Esaú? " E ele respondeu: "Sou".

25. Então lhe disse: "Meu filho, traga-me da sua caça para que eu coma e o abençoe". Jacó a trouxe, e o pai comeu; também trouxe vinho, e ele bebeu.

26. Então seu pai Isaque lhe disse: "Venha cá, meu filho, dê-me um beijo".

27. Ele se aproximou e o beijou. Quando sentiu o cheiro de suas roupas, Isaque o abençoou, dizendo: "Ah, o cheiro de meu filho é como o cheiro de um campo que o Senhor abençoou.

28. Que Deus lhe conceda do céu o orvalho e da terra a riqueza, com muito cereal e muito vinho.

29. Que as nações o sirvam e os povos se curvem diante de você. Seja senhor dos seus irmãos, e curvem-se diante de você os filhos de sua mãe. Malditos sejam os que o amaldiçoarem e benditos sejam os que o abençoarem".

30. Quando Isaque acabou de abençoar Jacó, mal tendo ele saído da presença do pai, seu irmão Esaú chegou da caçada.

31. Ele também preparou uma comida saborosa e a trouxe a seu pai. E lhe disse: "Meu pai, levante-se e coma da minha caça, para que o senhor me dê sua bênção".

32. Perguntou-lhe seu pai Isaque: "Quem é você? " Ele respondeu: "Sou Esaú, seu filho mais velho".

33. Profundamente abalado, Isaque começou a tremer muito e disse: "Quem então apanhou a caça e a trouxe para mim? Acabei de comê-la antes de você entrar e a ele abençoei; e abençoado ele será! "

34. Quando Esaú ouviu as palavras de seu pai, deu um forte grito e, cheio de amargura, implorou ao pai: "Abençoe também a mim, meu pai! "

35. Mas ele respondeu: "Seu irmão chegou astutamente e recebeu a bênção que pertencia a você".

36. E disse Esaú: "Não é com razão que o seu nome é Jacó? Já é a segunda vez que ele me engana! Primeiro, tomou o meu direito de filho mais velho e agora recebeu a minha bênção! " Então perguntou ao pai: "O senhor não reservou nenhuma bênção para mim? "

37. Isaque respondeu a Esaú: "Eu o constituí senhor sobre você, e a todos os seus parentes tornei servos dele; a ele supri de cereal e de vinho. Que é que eu poderia fazer por você, meu filho? "

38. Esaú pediu ao pai: "Meu pai, o senhor tem apenas uma bênção? Abençoe-me também, meu pai! " Então chorou Esaú em alta voz.

39. Seu pai Isaque respondeu-lhe: "Sua habitação será longe das terras férteis, distante do orvalho que desce do alto céu.

40. Você viverá por sua espada e servirá a seu irmão. Mas quando você não suportar mais, arrancará do pescoço o jugo".

41. Esaú guardou rancor contra Jacó por causa da bênção que seu pai lhe dera. E disse a si mesmo: "Os dias de luto pela morte de meu pai estão próximos; então matarei meu irmão Jacó".

42. Quando contaram a Rebeca o que seu filho Esaú dissera, ela mandou chamar Jacó, seu filho mais novo, e lhe disse: "Esaú está se consolando com a idéia de matá-lo.

43. Ouça, pois, o que lhe digo, meu filho: Fuja imediatamente para a casa de meu irmão Labão, em Harã.

44. Fique com ele algum tempo, até que passe o furor de seu irmão.

45. Quando seu irmão não estiver mais irado contra você e esquecer o que você lhe fez, mandarei buscá-lo. Por que perderia eu vocês dois num só dia? "

46. Então Rebeca disse a Isaque: "Estou desgostosa da vida, por causa destas mulheres hititas. Se Jacó escolher esposa entre as mulheres desta terra, entre mulheres hititas como estas, perderei a razão de viver".

1. Então Isaque chamou Jacó, deu-lhe sua bênção e lhe ordenou: "Não se case com mulher cananéia.

2. Vá a Padã-Arã, à casa de Betuel, seu avô materno, e case-se com uma das filhas de Labão, irmão de sua mãe.

3. Que o Deus Todo-poderoso o abençoe, faça-o prolífero e multiplique os seus descendentes, para que você se torne uma comunidade de povos.

4. Que ele dê a você e a seus descendentes a bênção de Abraão, para que você tome posse da terra na qual vive como estrangeiro, a terra dada por Deus a Abraão".

5. Então Isaque despediu Jacó e este foi a Padã-Arã, a Labão, filho de Betuel, o arameu, e irmão de Rebeca, mãe de Jacó e Esaú.

6. Esaú viu que Isaque havia abençoado a Jacó e o havia mandado a Padã-Arã para escolher ali uma mulher e que, ao abençoá-lo, dera-lhe a ordem de não se casar com mulher cananéia.

7. Também soube que Jacó obedecera a seu pai e a sua mãe e fora para Padã-Arã.

8. Percebendo então Esaú que seu pai Isaque não aprovava as mulheres cananéias,

9. foi à casa de Ismael e tomou a Maalate, irmã de Nebaiote, filha de Ismael, filho de Abraão, além das outras mulheres que já tinha.

10. Jacó partiu de Berseba e foi para Harã.

11. Chegando a determinado lugar, parou para pernoitar, porque o sol já se havia posto. Tomando uma das pedras dali, usou-a como travesseiro e deitou-se.

12. E teve um sonho no qual viu uma escada apoiada na terra; o seu topo alcançava os céus, e os anjos de Deus subiam e desciam por ela.

13. Ao lado dele estava o Senhor, que lhe disse: "Eu sou o Senhor, o Deus de seu pai Abraão e o Deus de Isaque. Darei a você e a seus descendentes a terra na qual você está deitado.

14. Seus descendentes serão como o pó da terra, e se espalharão para o Oeste e para o Leste, para o Norte e para o Sul. Todos os povos da terra serão abençoados por meio de você e da sua descendência.

15. Estou com você e cuidarei de você, aonde quer que vá; e eu o trarei de volta a esta terra. Não o deixarei enquanto não fizer o que lhe prometi".

16. Quando Jacó acordou do sono, disse: "Sem dúvida o Senhor está neste lugar, mas eu não sabia! "

17. Teve medo e disse: "Temível é este lugar! Não é outro, senão a casa de Deus; esta é a porta dos céus".

18. Na manhã seguinte, Jacó pegou a pedra que tinha usado como travesseiro, colocou-a de pé como coluna e derramou óleo sobre o seu topo.

19. E deu o nome de Betel àquele lugar, embora a cidade anteriormente se chamasse Luz.

20. Então Jacó fez um voto, dizendo: "Se Deus estiver comigo, cuidar de mim nesta viagem que estou fazendo, prover-me de comida e roupa,

21. e levar-me de volta em segurança à casa de meu pai, então o Senhor será o meu Deus.

22. E esta pedra que hoje coloquei como coluna servirá de santuário de Deus; e de tudo o que me deres certamente te darei o dízimo".

1. Então Jacó seguiu viagem e chegou à Mesopotâmia.

2. Certo dia, olhando ao redor, viu um poço no campo e três rebanhos de ovelhas deitadas por perto, pois os rebanhos bebiam daquele poço, que era tapado por uma grande pedra.

3. Por isso, quando todos os rebanhos se reuniam ali, os pastores rolavam a pedra da boca do poço e davam água às ovelhas. Depois recolocavam a pedra em seu lugar, sobre o poço.

4. Jacó perguntou aos pastores: "Meus amigos, de onde são vocês? " "Somos de Harã", responderam.

5. "Vocês conhecem Labão, neto de Naor? ", perguntou-lhes Jacó. Eles responderam: "Sim, nós o conhecemos".

6. Então Jacó perguntou: "Ele vai bem? " "Sim, vai bem", disseram eles, "e ali vem sua filha Raquel com as ovelhas".

7. Disse ele: "Olhem, o sol ainda vai alto e não é hora de recolher os rebanhos. Dêem de beber às ovelhas e levem-nas de volta ao pasto".

8. Mas eles responderam: "Não podemos, enquanto os rebanhos não se agruparem e a pedra não for removida da boca do poço. Só então daremos de beber às ovelhas".

9. Ele ainda estava conversando, quando chegou Raquel com as ovelhas de seu pai, pois ela era pastora.

10. Quando Jacó viu Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, e as ovelhas de Labão, aproximou-se, removeu a pedra da boca do poço e deu de beber às ovelhas de seu tio Labão.

11. Depois Jacó beijou Raquel e começou a chorar bem alto.

12. Então contou a Raquel que era parente do pai dela e filho de Rebeca. E ela foi correndo contar tudo a seu pai.

13. Logo que Labão ouviu as notícias acerca de Jacó, seu sobrinho, correu ao seu encontro, abraçou-o e o beijou. Depois, levou-o para casa, e Jacó contou-lhe tudo o que havia ocorrido.

14. Então Labão lhe disse: "Você é sangue do meu sangue". Já fazia um mês que Jacó estava na casa de Labão,

15. quando este lhe disse: "Só por ser meu parente você vai trabalhar de graça? Diga-me qual deve ser o seu salário".

16. Ora, Labão tinha duas filhas; o nome da mais velha era Lia, e o da mais nova, Raquel.

17. Lia tinha olhos meigos, mas Raquel era bonita e atraente.

18. Como Jacó gostava muito de Raquel, disse: "Trabalharei sete anos em troca de Raquel, sua filha mais nova".

19. Labão respondeu: "Será melhor dá-la a você do que a algum outro homem. Fique aqui comigo".

20. Então Jacó trabalhou sete anos por Raquel, mas lhe pareceram poucos dias, pelo tanto que a amava.

21. Então disse Jacó a Labão: "Entregue-me a minha mulher. Cumpri o prazo previsto e quero deitar-me com ela".

22. Então Labão reuniu todo o povo daquele lugar e deu uma festa.

23. Mas quando a noite chegou, deu sua filha Lia a Jacó, e Jacó deitou-se com ela.

24. Labão também entregou sua serva Zilpa à sua filha, para que ficasse a serviço dela.

25. Quando chegou a manhã, lá estava Lia. Então Jacó disse a Labão: "Que foi que você me fez? Eu não trabalhei por Raquel? Por que você me enganou? "

26. Labão respondeu: "Aqui não é costume entregar em casamento a filha mais nova antes da mais velha.

27. Deixe passar esta semana de núpcias e lhe daremos também a mais nova, em troca de mais sete anos de trabalho".

28. Jacó concordou. Passou aquela semana de núpcias com Lia, e Labão lhe deu sua filha Raquel por mulher.

29. Labão deu a Raquel sua serva Bila, para que ficasse a serviço dela.

30. Jacó deitou-se também com Raquel, que era a sua preferida. E trabalhou para Labão outros sete anos.

31. Quando o Senhor viu que Lia era desprezada, concedeu-lhe filhos; Raquel, porém, era estéril.

32. Lia engravidou, deu à luz um filho, e deu-lhe o nome de Rúben, pois dizia: "O Senhor viu a minha infelicidade. Agora, certamente o meu marido me amará".

33. Lia engravidou de novo e, quando deu à luz outro filho, disse: "Porque o Senhor ouviu que sou desprezada, deu-me também este". Pelo que o chamou Simeão.

34. De novo engravidou e, quando deu à luz mais um filho, disse: "Agora, finalmente, meu marido se apegará a mim, porque já lhe dei três filhos". Por isso deu-lhe o nome de Levi.

35. Engravidou ainda outra vez e, quando deu à luz mais outro filho, disse: "Desta vez louvarei ao SENHOR". Assim deu-lhe o nome de Judá. Então parou de ter filhos.

1. Quando Raquel viu que não dava filhos a Jacó, teve inveja de sua irmã. Por isso disse a Jacó: "Dê-me filhos ou morrerei! "

2. Jacó ficou irritado e disse: "Por acaso estou no lugar de Deus, que a impediu de ter filhos? "

3. Então ela respondeu: "Aqui está Bila, minha serva. Deite-se com ela, para que tenha filhos em meu lugar e por meio dela eu também possa formar família".

4. Por isso ela deu a Jacó sua serva Bila por mulher. Ele deitou-se com ela,

5. Bila engravidou e deu-lhe um filho.

6. Então Raquel disse: "Deus me fez justiça, ouviu o meu clamor e deu-me um filho". Por isso deu-lhe o nome de .

7. Bila, serva de Raquel, engravidou novamente e deu a Jacó o segundo filho.

8. Então disse Raquel: "Tive grande luta com minha irmã e venci". Pelo que o chamou Naftali.

9. Quando Lia viu que tinha parado de ter filhos, tomou sua serva Zilpa e a deu a Jacó por mulher.

10. Zilpa, serva de Lia, deu a Jacó um filho.

11. Então disse Lia: "Que grande sorte! " Por isso o chamou Gade.

12. Zilpa, serva de Lia, deu a Jacó mais um filho.

13. Então Lia exclamou: "Como sou feliz! As mulheres dirão que sou feliz". Por isso lhe deu o nome de Aser.

14. Durante a colheita do trigo, Rúben saiu ao campo, encontrou algumas mandrágoras e as trouxe a Lia, sua mãe. Então Raquel disse a Lia: "Dê-me algumas mandrágoras do seu filho".

15. Mas ela respondeu: "Não lhe foi suficiente tomar de mim o marido? Vai tomar também as mandrágoras que o meu filho trouxe? " Então disse Raquel: "Jacó se deitará com você esta noite, em troca das mandrágoras trazidas pelo seu filho".

16. Quando Jacó chegou do campo naquela tarde, Lia saiu ao seu encontro e lhe disse: "Hoje você me possuirá, pois eu comprei esse direito com as mandrágoras do meu filho". E naquela noite ele se deitou com ela.

17. Deus ouviu Lia, e ela engravidou e deu a Jacó o quinto filho.

18. Disse Lia: "Deus me recompensou por ter dado a minha serva ao meu marido". Por isso deu-lhe o nome de Issacar.

19. Lia engravidou de novo e deu a Jacó o sexto filho.

20. Disse Lia: "Deus presenteou-me com uma dádiva preciosa. Agora meu marido me tratará melhor; afinal já lhe dei seis filhos". Por isso deu-lhe o nome de Zebulom.

21. Algum tempo depois, ela deu à luz uma menina a quem chamou Diná.

22. Então Deus lembrou-se de Raquel. Deus ouviu o seu clamor e a tornou fértil.

23. Ela engravidou, e deu à luz um filho e disse: "Deus tirou de mim a minha humilhação".

24. Deu-lhe o nome de José e disse: "Que o Senhor me acrescente ainda outro filho".

25. Depois que Raquel deu à luz José, Jacó disse a Labão: "Deixe-me voltar para a minha terra natal.

26. Dê-me as minhas mulheres, pelas quais o servi, e os meus filhos, e partirei. Você bem sabe quanto trabalhei para você".

27. Mas Labão lhe disse: "Se mereço sua consideração, peço-lhe que fique. Por meio de adivinhação descobri que o Senhor me abençoou por sua causa".

28. E acrescentou: "Diga o seu salário, e eu lhe pagarei".

29. Jacó lhe respondeu: "Você sabe quanto trabalhei para você e como os seus rebanhos cresceram sob os meus cuidados.

30. O pouco que você possuía antes da minha chegada aumentou muito, pois o Senhor o abençoou depois que vim para cá. Contudo, quando farei algo em favor da minha própria família? "

31. Então Labão perguntou: "Que você quer que eu lhe dê? " "Não me dê coisa alguma", respondeu Jacó. "Voltarei a cuidar dos seus rebanhos se você concordar com o seguinte:

32. Hoje passarei por todos os seus rebanhos e tirarei do meio deles todas as ovelhas salpicadas e pintadas, todos os cordeiros pretos e todas as cabras pintadas e salpicadas. Eles serão o meu salário.

33. E a minha honestidade dará testemunho de mim no futuro, toda vez que você resolver verificar o meu salário. Se estiver em meu poder alguma cabra que não seja salpicada ou pintada, e algum cordeiro que não seja preto, poderá considerá-los roubados. "

34. E disse Labão: "De acordo. Seja como você disse".

35. Naquele mesmo dia Labão separou todos os bodes que tinham listras ou manchas brancas, todas as cabras que tinham pintas ou manchas brancas, e todos os cordeiros pretos e os colocou aos cuidados de seus filhos.

36. Afastou-se então de Jacó, à distância equivalente a três dias de viagem, e Jacó continuou a apascentar o resto dos rebanhos de Labão.

37. Jacó pegou galhos verdes de estoraque, amendoeira e plátano e neles fez listras brancas, descascando-os parcialmente e expondo assim a parte branca interna dos galhos.

38. Depois fixou os galhos descascados junto aos bebedouros, na frente dos rebanhos, no lugar onde costumavam beber água. Na época do cio, os rebanhos vinham beber e

39. se acasalavam diante dos galhos. E geravam filhotes listrados, salpicados e pintados.

40. Jacó separava os filhotes do rebanho dos demais, e fazia com que esses ficassem juntos dos animais listrados e pretos de Labão. Assim foi formando o seu próprio rebanho que separou do de Labão.

41. Toda vez que as fêmeas mais fortes estavam no cio, Jacó colocava os galhos nos bebedouros, em frente dos animais, para que estes se acasalassem perto dos galhos;

42. mas, se os animais eram fracos, não os colocava ali. Desse modo, os animais fracos ficavam para Labão e os mais fortes para Jacó.

43. Assim o homem ficou extremamente rico, tornando-se dono de grandes rebanhos e de servos e servas, camelos e jumentos.

1. Jacó, porém, ouviu falar que os filhos de Labão estavam dizendo: "Jacó tomou tudo que o nosso pai tinha e juntou toda a sua riqueza à custa do nosso pai".

2. E Jacó percebeu que a atitude de Labão para com ele já não era a mesma de antes.

3. E o Senhor disse a Jacó: "Volte para a terra de seus pais e de seus parentes, e eu estarei com você".

4. Então Jacó mandou chamar Raquel e Lia para virem ao campo onde estavam os seus rebanhos,

5. e lhes disse: "Vejo que a atitude do seu pai para comigo não é mais a mesma, mas o Deus de meu pai tem estado comigo.

6. Vocês sabem que trabalhei para seu pai com todo o empenho,

7. mas ele tem me feito de tolo, mudando o meu salário dez vezes. Contudo, Deus não permitiu que ele me prejudicasse.

8. Se ele dizia: ‘As crias salpicadas serão o seu salário’, todos os rebanhos geravam filhotes salpicados; e se ele dizia: ‘As que têm listras serão o seu salário’, todos os rebanhos geravam filhotes com listras.

9. Foi assim que Deus tirou os rebanhos de seu pai e os deu a mim.

10. "Na época do acasalamento, tive um sonho em que olhei e vi que os machos que fecundavam o rebanho tinham listras, eram salpicados e malhados.

11. O anjo de Deus me disse no sonho: ‘Jacó! ’ Eu respondi: ‘Eis-me aqui! ’

12. Então ele disse: ‘Olhe e veja que todos os machos que fecundam o rebanho têm listras, são salpicados e malhados, porque tenho visto tudo o que Labão lhe fez.

13. Sou o Deus de Betel, onde você ungiu uma coluna e me fez um voto. Saia agora desta terra e volte para a sua terra natal’ ".

14. Raquel e Lia disseram a Jacó: "Temos ainda parte na herança dos bens de nosso pai?

15. Não nos trata ele como estrangeiras? Não apenas nos vendeu como também gastou tudo o que foi pago por nós!

16. Toda a riqueza que Deus tirou de nosso pai é nossa e de nossos filhos. Portanto, faça tudo quanto Deus lhe ordenou".

17. Então Jacó ajudou seus filhos e suas mulheres a montar nos camelos,

18. e conduziu todo o seu rebanho, junto com todos os bens que havia acumulado em Padã-Arã, para ir à terra de Canaã, à casa de seu pai Isaque.

19. Enquanto Labão tinha saído para tosquiar suas ovelhas, Raquel roubou de seu pai os ídolos do clã.

20. Foi assim que Jacó enganou a Labão, o arameu, fugindo sem lhe dizer nada.

21. Ele fugiu com tudo o que tinha e, atravessando o Eufrates, foi para os montes de Gileade.

22. Três dias depois, Labão foi informado de que Jacó tinha fugido.

23. Tomando consigo os homens de sua família, perseguiu Jacó por sete dias e o alcançou nos montes de Gileade.

24. Então, de noite, Deus veio em sonho a Labão, o arameu, e o advertiu: "Cuidado! Não diga nada a Jacó, não lhe faça promessas nem ameaças".

25. Labão alcançou Jacó, que estava acampado nos montes de Gileade. Então Labão e os homens se acamparam ali também.

26. Ele perguntou a Jacó: "Que foi que você fez? Não só me enganou como também raptou minhas filhas como se fossem prisioneiras de guerra.

27. Por que você me enganou, fugindo em segredo, sem avisar-me? Eu teria celebrado a sua partida com alegria e cantos, ao som dos tamborins e das harpas.

28. Você sequer me deixou beijar meus netos e minhas filhas para despedir-me deles. Você foi insensato.

29. Tenho poder para prejudicá-los; mas, na noite passada, o Deus do pai de vocês me advertiu: ‘Cuidado! Não diga nada a Jacó, não lhe faça promessas nem ameaças’.

30. Agora, se você partiu porque tinha saudade da casa de seu pai, por que roubou meus deuses? "

31. Jacó respondeu a Labão: "Tive medo, pois pensei que você tiraria suas filhas de mim à força.

32. Quanto aos seus deuses, quem for encontrado com eles não ficará vivo. Na presença dos nossos parentes, veja você mesmo se está aqui comigo qualquer coisa que lhe pertença, e, se estiver, leve-a de volta". Ora, Jacó não sabia que Raquel os havia roubado.

33. Então Labão entrou na tenda de Jacó, e nas tendas de Lia e de suas duas servas, mas nada encontrou. Depois de sair da tenda de Lia, entrou na tenda de Raquel.

34. Raquel tinha colocado os ídolos dentro da sela do seu camelo e estava sentada em cima. Labão vasculhou toda a tenda, mas nada encontrou.

35. Raquel disse ao pai: "Não se irrite, meu senhor, por não poder me levantar em sua presença, pois estou com o fluxo das mulheres". Ele procurou os ídolos, mas não os encontrou.

36. Jacó ficou irado e queixou-se a Labão: "Qual foi meu crime? Que pecado cometi para que você me persiga furiosamente?

37. Você já vasculhou tudo o que me pertence. Encontrou algo que lhe pertença? Então coloque tudo aqui na frente dos meus parentes e dos seus, e que eles julguem entre nós dois.

38. "Vinte anos estive com você. Suas ovelhas e cabras nunca abortaram, e jamais comi um só carneiro do seu rebanho.

39. Eu nunca levava a você os animais despedaçados por feras; eu mesmo assumia o prejuízo. E você pedia contas de todo animal roubado de dia ou de noite.

40. O calor me consumia de dia, e o frio, de noite, e o sono fugia dos meus olhos.

41. Foi assim nos vinte anos em que fiquei em sua casa. Trabalhei para você catorze anos em troca de suas duas filhas e seis anos por seus rebanhos, e dez vezes você alterou o meu salário.

42. Se o Deus de meu pai, o Deus de Abraão, o Temor de Isaque, não estivesse comigo, certamente você me despediria de mãos vazias. Mas Deus viu o meu sofrimento e o trabalho das minhas mãos e, na noite passada, ele manifestou a sua decisão".

43. Labão respondeu a Jacó: "As mulheres são minhas filhas, os filhos são meus, os rebanhos são meus. Tudo o que você vê é meu. Que posso fazer por essas minhas filhas ou pelos filhos que delas nasceram?

44. Façamos agora, eu e você, um acordo que sirva de testemunho entre nós dois".

45. Então Jacó tomou uma pedra e a colocou de pé como coluna.

46. E disse aos seus parentes: "Juntem algumas pedras". Eles apanharam pedras e as amontoaram. Depois comeram ali, ao lado do monte de pedras.

47. Labão o chamou Jegar-Saaduta, e Jacó o chamou Galeede.

48. Labão disse: "Este monte de pedras é uma testemunha entre mim e você, no dia de hoje". Por isso foi chamado Galeede.

49. Foi também chamado Mispá, porque ele declarou: "Que o Senhor nos vigie, a mim e a você, quando estivermos separados um do outro.

50. Se você maltratar minhas filhas ou menosprezá-las, tomando outras mulheres além delas, ainda que ninguém saiba, lembre-se de que Deus é testemunha entre mim e você".

51. Disse ainda Labão a Jacó: "Aqui estão este monte de pedras e esta coluna que coloquei entre mim e você.

52. São testemunhas de que não passarei para o lado de lá para prejudicá-lo, nem você passará para o lado de cá para prejudicar-me.

53. Que o Deus de Abraão, o Deus de Naor, o Deus do pai deles, julgue entre nós". Então Jacó fez um juramento em nome do Temor de seu pai Isaque.

54. Ofereceu um sacrifício no monte e chamou os parentes que lá estavam para uma refeição. Depois de comerem, passaram a noite ali.

55. Na manhã seguinte, Labão beijou seus netos e suas filhas e os abençoou, e depois voltou para a sua terra.

1. Jacó também seguiu o seu caminho, e anjos de Deus vieram ao encontro dele.

2. Quando Jacó os avistou, disse: "Este é o exército de Deus! " Por isso deu àquele lugar o nome de Maanaim.

3. Jacó mandou mensageiros adiante dele a seu irmão Esaú, na região de Seir, território de Edom.

4. E lhes ordenou: "Vocês dirão o seguinte ao meu senhor Esaú: assim diz teu servo Jacó: Morei na casa de Labão e com ele permaneci até agora.

5. Tenho bois e jumentos, ovelhas e cabras, servos e servas. Envio agora esta mensagem ao meu senhor, para que me recebas bem".

6. Quando os mensageiros voltaram a Jacó, disseram-lhe: "Fomos até seu irmão Esaú, e ele está vindo ao seu encontro, com quatrocentos homens".

7. Jacó encheu-se de medo e foi tomado de angústia. Então dividiu em dois grupos todos os que estavam com ele, bem como as ovelhas, as cabras, os bois, e os camelos,

8. pois assim pensou: "Se Esaú vier e atacar um dos grupos, o outro poderá escapar".

9. Então Jacó orou: "Ó Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaque, ó Senhor que me disseste: ‘Volte para a sua terra e para os seus parentes e eu o farei prosperar’;

10. não sou digno de toda a bondade e lealdade com que trataste o teu servo. Quando atravessei o Jordão eu tinha apenas o meu cajado, mas agora possuo duas caravanas.

11. Livra-me, rogo-te, das mãos de meu irmão Esaú, porque tenho medo que ele venha nos atacar, tanto a mim como às mães e às crianças.

12. Pois tu prometeste: ‘Esteja certo de que eu o farei prosperar e farei os seus descendentes tão numerosos como a areia do mar, que não se pode contar’ ".

13. Depois de passar ali a noite, escolheu entre os seus rebanhos um presente para o seu irmão Esaú:

14. duzentas cabras e vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte carneiros,

15. trinta fêmeas de camelo com seus filhotes, quarenta vacas e dez touros, vinte jumentas e dez jumentos.

16. Colocou cada rebanho sob o cuidado de um servo, e disse-lhes: "Vão à minha frente e mantenham certa distância entre um rebanho e outro".

17. Ao que ia à frente deu a seguinte instrução: "Quando meu irmão Esaú encontrar-se com você e lhe perguntar: ‘A quem você pertence, para onde vai e de quem é todo este rebanho à sua frente? ’,

18. você responderá: É do teu servo Jacó. É um presente para o meu senhor Esaú; e ele mesmo está vindo atrás de nós".

19. Também instruiu o segundo, o terceiro e todos os outros que acompanhavam os rebanhos: "Digam também a mesma coisa a Esaú quando o encontrarem.

20. E acrescentem: Teu servo Jacó está vindo atrás de nós". Porque pensava: "Eu o apaziguarei com esses presentes que estou enviando antes de mim; mais tarde, quando eu o vir, talvez me receba".

21. Assim os presentes de Jacó seguiram à sua frente; ele, porém, passou a noite no acampamento.

22. Naquela noite Jacó levantou-se, tomou suas duas mulheres, suas duas servas e seus onze filhos para atravessar o lugar de passagem do Jaboque.

23. Depois de havê-los feito atravessar o ribeiro, fez passar também tudo o que possuía.

24. E Jacó ficou sozinho. Então veio um homem que se pôs a lutar com ele até o amanhecer.

25. Quando o homem viu que não poderia dominá-lo, tocou na articulação da coxa de Jacó, de forma que lhe deslocou a coxa, enquanto lutavam.

26. Então o homem disse: "Deixe-me ir, pois o dia já desponta". Mas Jacó lhe respondeu: "Não te deixarei ir, a não ser que me abençoes".

27. O homem lhe perguntou: "Qual é o seu nome? " "Jacó", respondeu ele.

28. Então disse o homem: "Seu nome não será mais Jacó, mas sim Israel, porque você lutou com Deus e com homens e venceu".

29. Prosseguiu Jacó: "Peço-te que digas o teu nome". Mas ele respondeu: "Por que pergunta o meu nome? " E o abençoou ali.

30. Jacó chamou àquele lugar Peniel, pois disse: "Vi a Deus face a face e, todavia, minha vida foi poupada".

31. Ao nascer do sol atravessou Peniel, mancando por causa da coxa.

32. Por isso, até o dia de hoje, os israelitas não comem o músculo ligado à articulação do quadril, porque nesse músculo Jacó foi ferido.

1. Quando Jacó olhou e viu que Esaú estava se aproximando, com quatrocentos homens, dividiu as crianças entre Lia, Raquel e as duas servas.

2. Colocou as servas e os seus filhos à frente, Lia e seus filhos depois, e Raquel com José por último.

3. Ele mesmo passou à frente e, ao aproximar-se do seu irmão, curvou-se até o chão sete vezes.

4. Mas Esaú correu ao encontro de Jacó e abraçou-se ao seu pescoço, e o beijou. E eles choraram.

5. Então Esaú ergueu o olhar e viu as mulheres e as crianças. E perguntou: "Quem são estes? " Jacó respondeu: "São os filhos que Deus concedeu ao teu servo".

6. Então as servas e os seus filhos se aproximaram e se curvaram.

7. Depois, Lia e os seus filhos vieram e se curvaram. Por último, chegaram José e Raquel, e também se curvaram.

8. Esaú perguntou: "O que você pretende com todos os rebanhos que encontrei pelo caminho? " "Ser bem recebido por ti, meu senhor", respondeu Jacó.

9. Disse, porém, Esaú: "Eu já tenho muito, meu irmão. Guarde para você o que é seu".

10. Mas Jacó insistiu: "Não! Se te agradaste de mim, aceita este presente de minha parte, porque ver a tua face é como contemplar a face de Deus; além disso, tu me recebeste tão bem!

11. Aceita, pois, o presente que te foi trazido, pois Deus tem sido favorável para comigo, e eu já tenho tudo o que necessito". Jacó tanto insistiu que Esaú acabou aceitando.

12. Então disse Esaú: "Vamos seguir em frente. Eu o acompanharei".

13. Jacó, porém, lhe disse: "Meu senhor sabe que as crianças são frágeis e que estão sob os meus cuidados ovelhas e vacas que amamentam suas crias. Se forçá-las demais na caminhada, um só dia que seja, todo o rebanho morrerá.

14. Por isso, meu senhor, vai à frente do teu servo, e eu sigo atrás, devagar, no passo dos rebanhos e das crianças, até que eu chegue ao meu senhor em Seir".

15. Esaú sugeriu: "Permita-me, então, deixar alguns homens com você". Jacó perguntou: "Mas para quê, meu senhor? Ter sido bem recebido já me foi suficiente! "

16. Naquele dia Esaú voltou para Seir.

17. Jacó, todavia, foi para Sucote, onde construiu uma casa para si e abrigos para o seu gado. Foi por isso que o lugar recebeu o nome de Sucote.

18. Tendo voltado de Padã-Arã, Jacó chegou a salvo à cidade de Siquém, em Canaã, e acampou próximo da cidade.

19. Por cem peças de prata comprou dos filhos de Hamor, pai de Siquém, a parte do campo onde tinha armado acampamento.

20. Ali edificou um altar e lhe chamou El Elohe Israel.

1. Certa vez, Diná, a filha que Lia dera a Jacó, saiu para conhecer as mulheres daquela terra.

2. Siquém, filho de Hamor, o heveu, governador daquela região, viu-a, agarrou-a e violentou-a.

3. Mas o seu coração foi atraído por Diná, filha de Jacó, e ele amou a moça e falou-lhe com ternura.

4. Por isso Siquém foi dizer a seu pai Hamor: "Consiga-me aquela moça para que seja minha mulher".

5. Quando Jacó soube que sua filha Diná tinha sido desonrada, seus filhos estavam no campo, com os rebanhos; por isso esperou calado, até que regressassem.

6. Então Hamor, pai de Siquém, foi conversar com Jacó.

7. Quando os filhos de Jacó voltaram do campo e souberam de tudo, ficaram profundamente entristecidos e irados, porque Siquém tinha cometido um ato vergonhoso em Israel, ao deitar-se com a filha de Jacó — coisa que não se faz.

8. Mas Hamor lhes disse: "Meu filho Siquém apaixonou-se pela filha de vocês. Por favor, entreguem-na a ele para que seja sua mulher.

9. Casem-se entre nós; dêem-nos suas filhas e tomem para si as nossas.

10. Estabeleçam-se entre nós. A terra está aberta para vocês: Habitem-na, façam comércio nela e adquiram propriedades".

11. Então Siquém disse ao pai e aos irmãos de Diná: "Concedam-me este favor, e eu lhes darei o que me pedirem.

12. Aumentem quanto quiserem o preço e o presente pela noiva, e pagarei o que me pedirem. Tão-somente me dêem a moça por mulher".

13. Os filhos de Jacó, porém, responderam com falsidade a Siquém e a seu pai Hamor, por ter Siquém desonrado Diná, a irmã deles.

14. Disseram: "Não podemos fazer isso; jamais entregaremos nossa irmã a um homem que não seja circuncidado. Seria uma vergonha para nós.

15. Daremos nosso consentimento a vocês com uma condição: que vocês se tornem como nós, circuncidando todos os do sexo masculino.

16. Só então lhes daremos as nossas filhas e poderemos casar-nos com as suas. Nós nos estabeleceremos entre vocês e seremos um só povo.

17. Mas se não aceitarem circuncidar-se, tomaremos nossa irmã e partiremos".

18. A proposta deles pareceu boa a Hamor e a seu filho Siquém.

19. O jovem, que era o mais respeitado de todos os da casa de seu pai, não demorou em cumprir o que pediram, porque realmente gostava da filha de Jacó.

20. Assim Hamor e seu filho Siquém dirigiram-se à porta da cidade para conversar com os seus concidadãos. E disseram:

21. "Esses homens são de paz. Permitam que eles habitem em nossa terra e façam comércio entre nós; a terra tem bastante lugar para eles. Poderemos casar com as suas filhas, e eles com as nossas.

22. Mas eles só consentirão em viver conosco como um só povo sob a condição de que todos os nossos homens sejam circuncidados, como eles.

23. Lembrem-se de que os seus rebanhos, os seus bens e todos os seus outros animais passarão a ser nossos. Aceitemos então a condição para que se estabeleçam em nosso meio".

24. Todos os que saíram para reunir-se à porta da cidade concordaram com Hamor e com seu filho Siquém, e todos os homens e meninos da cidade foram circuncidados.

25. Três dias depois, quando ainda sofriam dores, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, pegaram suas espadas e atacaram a cidade desprevenida, matando todos os homens.

26. Mataram ao fio da espada Hamor e seu filho Siquém, tiraram Diná da casa de Siquém e partiram.

27. Vieram então os outros filhos de Jacó e, passando pelos corpos, saquearam a cidade onde sua irmã tinha sido desonrada.

28. Apoderaram-se das ovelhas, dos bois e dos jumentos, e de tudo o que havia na cidade e no campo.

29. Levaram as mulheres e as crianças, e saquearam todos os bens e tudo o que havia nas casas.

30. Então Jacó disse a Simeão e a Levi: "Vocês me puseram em grandes apuros, atraindo sobre mim o ódio dos cananeus e dos ferezeus, habitantes desta terra. Somos poucos, e se eles juntarem suas forças e nos atacarem, eu e a minha família seremos destruídos".

31. Mas eles responderam: "Está certo ele tratar nossa irmã como uma prostituta? "

1. Deus disse a Jacó: "Suba a Betel e se estabeleça lá, e faça um altar ao Deus que lhe apareceu quando você fugia do seu irmão Esaú".

2. Disse, pois, Jacó aos de sua casa e a todos os que estavam com ele: "Livrem-se dos deuses estrangeiros que estão entre vocês, purifiquem-se e troquem de roupa.

3. Venham! Vamos subir a Betel, onde farei um altar ao Deus que me ouviu no dia da minha angústia e que tem estado comigo por onde tenho andado".

4. Então entregaram a Jacó todos os deuses estrangeiros que possuíam e os brincos que usavam nas orelhas, e Jacó os enterrou ao pé da grande árvore, próximo a Siquém.

5. Quando eles partiram, o terror de Deus caiu de tal maneira sobre as cidades ao redor que ninguém ousou perseguir os filhos de Jacó.

6. Jacó e todos os que com ele estavam chegaram a Luz, que é Betel, na terra de Canaã.

7. Nesse lugar construiu um altar e lhe deu o nome de El-Betel, porque ali Deus havia se revelado a ele, quando fugia do seu irmão.

8. Débora, ama de Rebeca, morreu e foi sepultada perto de Betel, ao pé do Carvalho, que por isso foi chamado Alom-Bacute.

9. Depois que Jacó retornou de Padã-Arã, Deus lhe apareceu de novo e o abençoou,

10. dizendo: "Seu nome é Jacó, mas você não será mais chamado Jacó; seu nome será Israel". Assim lhe deu o nome de Israel.

11. E Deus ainda lhe disse: "Eu sou o Deus Todo-poderoso; seja prolífero e multiplique-se. De você procederão uma nação e uma comunidade de nações, e reis estarão entre os seus descendentes.

12. A terra que dei a Abraão e a Isaque, dou a você; e também aos seus futuros descendentes darei esta terra".

13. A seguir, Deus elevou-se do lugar onde estivera falando com Jacó.

14. Jacó levantou uma coluna de pedra no lugar em que Deus lhe falara, e derramou sobre ela uma oferta de bebidas e a ungiu com óleo.

15. Jacó deu o nome de Betel ao lugar onde Deus tinha falado com ele.

16. Eles partiram de Betel, e quando ainda estavam a certa distância de Efrata, Raquel começou a dar à luz com grande dificuldade.

17. E, enquanto padecia muito, tentando dar à luz, a parteira lhe disse: "Não tenha medo, pois você ainda terá outro menino".

18. Já ao ponto de sair-lhe a vida, quando estava morrendo, deu ao filho o nome de Benoni. Mas o pai deu-lhe o nome de Benjamim.

19. Assim morreu Raquel e foi sepultada junto do caminho de Efrata, que é Belém.

20. Sobre a sua sepultura Jacó levantou uma coluna, e até o dia de hoje aquela coluna marca o túmulo de Raquel.

21. Israel partiu novamente e armou acampamento adiante de Migdal-Éder.

22. Na época em que Israel vivia naquela região, Rúben deitou-se com Bila, concubina de seu pai. E Israel ficou sabendo disso. Jacó teve doze filhos:

23. Estes foram seus filhos com Lia: Rúben, o filho mais velho de Jacó, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom.

24. Estes foram seus filhos com Raquel: José e Benjamim.

25. Estes foram seus filhos com Bila, serva de Raquel: e Naftali.

26. Estes foram seus filhos com Zilpa, serva de Lia: Gade e Aser. Foram esses os filhos de Jacó, nascidos em Padã-Arã.

27. Depois Jacó foi visitar seu pai Isaque em Manre, perto de Quiriate-Arba, que é Hebrom, onde Abraão e Isaque tinham morado.

28. Isaque viveu cento e oitenta anos.

29. Morreu em idade bem avançada e foi reunido aos seus antepassados. E seus filhos Esaú e Jacó o sepultaram.

Você está lendo Gênesis na edição NVI, Nova Versão Internacional, em Português.
Este lívro compôe o Antigo Testamento, tem 50 capítulos, e 1533 versículos.