Marcos

14. Depois que João foi preso, Jesus foi para a Galiléia, proclamando as boas novas de Deus.

15. "O tempo é chegado", dizia ele. "O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas! "

16. Andando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu Simão e seu irmão André lançando redes ao mar, pois eram pescadores.

17. E disse Jesus: "Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens".

18. No mesmo instante eles deixaram as suas redes e o seguiram.

19. Indo um pouco mais adiante, viu num barco Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, preparando as suas redes.

20. Logo os chamou, e eles o seguiram, deixando Zebedeu, seu pai, com os empregados no barco.

21. Eles foram para Cafarnaum e, assim que chegou o sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar.

22. Todos ficavam maravilhados com o seu ensino, porque lhes ensinava como alguém que tem autoridade e não como os mestres da lei.

23. Justamente naquela hora, na sinagoga, um homem possesso de um espírito imundo gritou:

24. "O que queres conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Sei quem tu és: o Santo de Deus! "

25. "Cale-se e saia dele! ", repreendeu-o Jesus.

26. O espírito imundo sacudiu o homem violentamente e saiu dele gritando.

27. Todos ficaram tão admirados que perguntavam uns aos outros: "O que é isto? Um novo ensino — e com autoridade! Até aos espíritos imundos ele dá ordens, e eles lhe obedecem! "

28. As notícias a seu respeito se espalharam rapidamente por toda a região da Galiléia.

29. Logo que saíram da sinagoga, foram com Tiago e João à casa de Simão e André.

30. A sogra de Simão estava de cama, com febre, e falaram a respeito dela a Jesus.

31. Então ele se aproximou dela, tomou-a pela mão e ajudou-a a levantar-se. A febre a deixou, e ela começou a servi-los.

32. Ao anoitecer, depois do pôr-do-sol, o povo levou a Jesus todos os doentes e os endemoninhados.

33. Toda a cidade se reuniu à porta da casa,

34. e Jesus curou muitos que sofriam de várias doenças. Também expulsou muitos demônios; não permitia, porém, que estes falassem, porque sabiam quem ele era.

35. De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando.

36. Simão e seus companheiros foram procurá-lo

37. e, ao encontrá-lo, disseram: "Todos estão te procurando! "

38. Jesus respondeu: "Vamos para outro lugar, para os povoados vizinhos, para que também lá eu pregue. Foi para isso que eu vim".

39. Então ele percorreu toda a Galiléia, pregando nas sinagogas e expulsando os demônios.

40. Um leproso aproximou-se dele e suplicou-lhe de joelhos: "Se quiseres, podes purificar-me! "

41. Cheio de compaixão, Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: "Quero. Seja purificado! "

42. Imediatamente a lepra o deixou, e ele foi purificado.

43. Em seguida Jesus o despediu, com uma severa advertência:

44. "Olhe, não conte isso a ninguém. Mas vá mostrar-se ao sacerdote e ofereça pela sua purificação os sacrifícios que Moisés ordenou, para que sirva de testemunho".

45. Ele, porém, saiu e começou a tornar público o fato, espalhando a notícia. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente em nenhuma cidade, mas ficava fora, em lugares solitários. Todavia, assim mesmo vinha a ele gente de todas as partes.

1. Poucos dias depois, tendo Jesus entrado novamente em Cafarnaum, o povo ouviu falar que ele estava em casa.

2. Então muita gente se reuniu ali, de forma que não havia lugar nem junto à porta; e ele lhes pregava a palavra.

3. Vieram alguns homens, trazendo-lhe um paralítico, carregado por quatro deles.

4. Não podendo levá-lo até Jesus, por causa da multidão, removeram parte da cobertura do lugar onde Jesus estava e, através de uma abertura no teto, baixaram a maca em que estava deitado o paralítico.

5. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: "Filho, os seus pecados estão perdoados".

6. Estavam sentados ali alguns mestres da lei, raciocinando em seu íntimo:

7. "Por que esse homem fala assim? Está blasfemando! Quem pode perdoar pecados, a não ser somente Deus? "

8. Jesus percebeu logo em seu espírito que era isso que eles estavam pensando e lhes disse: "Por que vocês estão remoendo essas coisas em seus corações?

9. Que é mais fácil dizer ao paralítico: ‘Os seus pecados estão perdoados’, ou: ‘Levante-se, pegue a sua maca e ande’?

10. Mas, para que vocês saibam que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados — disse ao paralítico —

11. eu lhe digo: Levante-se, pegue a sua maca e vá para casa".

12. Ele se levantou, pegou a maca e saiu à vista de todos. Estes ficaram atônitos e glorificaram a Deus, dizendo: "Nunca vimos nada igual! "

13. Jesus saiu outra vez para beira-mar. Uma grande multidão aproximou-se, e ele começou a ensiná-los.

14. Passando por ali, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria, e disse-lhe: "Siga-me". Levi levantou-se e o seguiu.

15. Durante uma refeição na casa de Levi, muitos publicanos e "pecadores" estavam comendo com Jesus e seus discípulos, pois havia muitos que o seguiam.

16. Quando os mestres da lei que eram fariseus o viram comendo com "pecadores" e publicanos, perguntaram aos discípulos de Jesus: "Por que ele come com publicanos e ‘pecadores’? "

17. Ouvindo isso, Jesus lhes disse: "Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores".

18. Os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Algumas pessoas vieram a Jesus e lhe perguntaram: "Por que os discípulos de João e os dos fariseus jejuam, mas os teus não? "

19. Jesus respondeu: "Como podem os convidados do noivo jejuar enquanto este está com eles? Não podem, enquanto o têm consigo.

20. Mas virão dias quando o noivo lhes será tirado; e nesse tempo jejuarão.

21. "Ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha, pois o remendo forçará a roupa, tornando pior o rasgo.

22. E ninguém põe vinho novo em vasilhas de couro velhas; se o fizer, o vinho rebentará as vasilhas, e tanto o vinho quanto as vasilhas se estragarão. Pelo contrário, põe-se vinho novo em vasilhas de couro novas".

23. Certo sábado Jesus estava passando pelas lavouras de cereal. Enquanto caminhavam, seus discípulos começaram a colher espigas.

24. Os fariseus lhe perguntaram: "Olha, por que eles estão fazendo o que não é permitido no sábado? "

25. Ele respondeu: "Vocês nunca leram o que fez Davi quando ele e seus companheiros estavam necessitados e com fome?

26. Nos dias de Abiatar, o sumo sacerdote, ele entrou na casa de Deus e comeu os pães da Presença, que apenas aos sacerdotes era permitido comer, e os deu também aos seus companheiros".

27. E então lhes disse: "O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.

28. Assim, pois, o Filho do homem é Senhor até mesmo do sábado".

1. Noutra ocasião ele entrou na sinagoga, e estava ali um homem com uma das mãos atrofiada.

2. Alguns deles estavam procurando um motivo para acusar Jesus; por isso o observavam atentamente, para ver se ele iria curá-lo no sábado.

3. Jesus disse ao homem da mão atrofiada: "Levante-se e venha para o meio".

4. Depois Jesus lhes perguntou: "O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar a vida ou matar? " Mas eles permaneceram em silêncio.

5. Irado, olhou para os que estavam à sua volta e, profundamente entristecido por causa dos seus corações endurecidos, disse ao homem: "Estenda a mão". Ele a estendeu, e ela foi restaurada.

6. Então os fariseus saíram e começaram a conspirar com os herodianos contra Jesus, sobre como poderiam matá-lo.

7. Jesus retirou-se com os seus discípulos para o mar, e uma grande multidão vinda da Galiléia o seguia.

8. Quando ouviram a respeito de tudo o que ele estava fazendo, muitas pessoas procedentes da Judéia, de Jerusalém, da Iduméia e das regiões do outro lado do Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidom foram atrás dele.

9. Por causa da multidão, ele disse aos discípulos que lhe preparassem um pequeno barco, para evitar que o comprimissem.

10. Pois ele havia curado a muitos, de modo que os que sofriam de doenças ficavam se empurrando para conseguir tocar nele.

11. Sempre que os espíritos imundos o viam, prostravam-se diante dele e gritavam: "Tu és o Filho de Deus".

12. Mas ele lhes dava ordens severas para que não dissessem quem ele era.

13. Jesus subiu a um monte e chamou a si aqueles que ele quis, os quais vieram para junto dele.

14. Escolheu doze, designando-os como apóstolos, para que estivessem com ele, os enviasse a pregar

15. e tivessem autoridade para expulsar demônios.

16. Estes são os doze que ele escolheu: Simão, a quem deu o nome de Pedro;

17. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais deu o nome de Boanerges, que significa filhos do trovão;

18. André; Filipe; Bartolomeu; Mateus; Tomé; Tiago, filho de Alfeu; Tadeu; Simão, o zelote,

19. e Judas Iscariotes, que o traiu.

20. Então Jesus entrou numa casa, e novamente reuniu-se ali uma multidão, de modo que ele e os seus discípulos não conseguiam nem comer.

21. Quando seus familiares ouviram falar disso, saíram para apoderar-se dele, pois diziam: "Ele está fora de si".

22. E os mestres da lei que haviam descido de Jerusalém diziam: "Ele está com Belzebu! Pelo príncipe dos demônios é que ele expulsa demônios".

23. Então Jesus os chamou e lhes falou por parábolas: "Como pode Satanás expulsar Satanás?

24. Se um reino estiver dividido contra si mesmo, não poderá subsistir.

25. Se uma casa estiver dividida contra si mesma, também não poderá subsistir.

26. E se Satanás se opuser a si mesmo e estiver dividido, não poderá subsistir; chegou o seu fim.

27. De fato, ninguém pode entrar na casa do homem forte e levar dali os seus bens, sem que antes o amarre. Só então poderá roubar a casa dele.

28. Eu lhes asseguro que todos os pecados e blasfêmias dos homens lhes serão perdoados,

29. mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão: é culpado de pecado eterno".

30. Jesus falou isso porque eles estavam dizendo: "Ele está com um espírito imundo".

31. Então chegaram a mãe e os irmãos de Jesus. Ficando do lado de fora, mandaram alguém chamá-lo.

32. Havia muita gente assentada ao seu redor; e lhe disseram: "Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te procuram".

33. "Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos? ", perguntou ele.

34. Então olhou para os que estavam assentados ao seu redor e disse: "Aqui estão minha mãe e meus irmãos!

35. Quem faz a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe".

1. Novamente Jesus começou a ensinar à beira-mar. Reuniu-se ao seu redor uma multidão tão grande que ele teve que entrar num barco e assentar-se nele. O barco estava no mar, enquanto todo o povo ficava na beira da praia.

2. Ele lhes ensinava muitas coisas por parábolas, dizendo em seu ensino:

3. "Ouçam! O semeador saiu a semear.

4. Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do caminho, e as aves vieram e a comeram.

5. Parte dela caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; e logo brotou, porque a terra não era profunda.

6. Mas quando saiu o sol, as plantas se queimaram e secaram, porque não tinham raiz.

7. Outra parte caiu entre espinhos, que cresceram e sufocaram as plantas, de forma que ela não deu fruto.

8. Outra ainda caiu em boa terra, germinou, cresceu e deu boa colheita, a trinta, sessenta e até cem por um".

9. A seguir Jesus acrescentou: "Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça! "

10. Quando ele ficou sozinho, os Doze e os outros que estavam ao seu redor lhe fizeram perguntas acerca das parábolas.

11. Ele lhes disse: "A vocês foi dado o mistério do Reino de Deus, mas aos que estão fora tudo é dito por parábolas,

12. a fim de que, ‘ainda que vejam, não percebam, ainda que ouçam, não entendam; de outro modo, poderiam converter-se e ser perdoados! ’"

13. Então Jesus lhes perguntou: "Vocês não entendem esta parábola? Como, então, compreenderão todas as outras parábolas?

14. O semeador semeia a palavra.

15. Algumas pessoas são como a semente à beira do caminho, onde a palavra é semeada. Logo que a ouvem, Satanás vem e retira a palavra nelas semeada.

16. Outras, como a semente lançada em terreno pedregoso, ouvem a palavra e logo a recebem com alegria.

17. Todavia, visto que não têm raiz em si mesmas, permanecem por pouco tempo. Quando surge alguma tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo a abandonam.

18. Outras ainda, como a semente lançada entre espinhos, ouvem a palavra;

19. mas quando chegam as preocupações desta vida, o engano das riquezas e os anseios por outras coisas, sufocam a palavra, tornando-a infrutífera.

20. Outras pessoas são como a semente lançada em boa terra: ouvem a palavra, aceitam-na e dão uma colheita de trinta, sessenta e até cem por um".

21. Ele lhes disse: "Quem traz uma candeia para ser colocada debaixo de uma vasilha ou de uma cama? Acaso não a coloca num lugar apropriado?

22. Porque não há nada oculto, senão para ser revelado, e nada escondido senão para ser trazido à luz.

23. Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça!

24. "Considerem atentamente o que vocês estão ouvindo", continuou ele. "Com a medida com que medirem, vocês serão medidos; e ainda mais lhes acrescentarão.

25. A quem tiver, mais lhe será dado; de quem não tiver, até o que tem lhe será tirado".

26. Ele prosseguiu dizendo: "O Reino de Deus é semelhante a um homem que lança a semente sobre a terra.

27. Noite e dia, quer ele durma quer se levante, a semente germina e cresce, embora ele não saiba como.

28. A terra por si própria produz o grão: primeiro o talo, depois a espiga e, então, o grão cheio na espiga.

29. Logo que o grão fica maduro, o homem lhe passa a foice, porque chegou a colheita".

30. Novamente ele disse: "Com que compararemos o Reino de Deus? Que parábola usaremos para descrevê-lo?

31. É como um grão de mostarda, que, quando plantada, é a menor semente de todas.

32. No entanto, plantada, ela cresce e se torna a maior de todas as hortaliças, com ramos tão grandes que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra".

33. Com muitas parábolas semelhantes Jesus lhes anunciava a palavra, tanto quanto podiam receber.

34. Não lhes dizia nada sem usar alguma parábola. Quando, porém, estava a sós com os seus discípulos, explicava-lhes tudo.

35. Naquele dia, ao anoitecer, disse ele aos seus discípulos: "Vamos atravessar para o outro lado".

36. Deixando a multidão, eles o levaram no barco, assim como estava. Outros barcos também o acompanhavam.

37. Levantou-se um forte vendaval, e as ondas se lançavam sobre o barco, de forma que este foi se enchendo de água.

38. Jesus estava na popa, dormindo com a cabeça sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e clamaram: "Mestre, não te importas que morramos? "

39. Ele se levantou, repreendeu o vento e disse ao mar: "Aquiete-se! Acalme-se! " O vento se aquietou, e fez-se completa bonança.

40. Então perguntou aos seus discípulos: "Por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé? "

41. Eles estavam apavorados e perguntavam uns aos outros: "Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem? "

1. Eles atravessaram o mar e foram para a região dos gerasenos.

2. Quando Jesus desembarcou, um homem com um espírito imundo veio dos sepulcros ao seu encontro.

3. Esse homem vivia nos sepulcros, e ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo com correntes;

4. pois muitas vezes lhe haviam sido acorrentados pés e mãos, mas ele arrebentara as correntes e quebrara os ferros de seus pés. Ninguém era suficientemente forte para dominá-lo.

5. Noite e dia ele andava gritando e cortando-se com pedras entre os sepulcros e nas colinas.

6. Quando ele viu Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele,

7. e gritou em alta voz: "Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te por Deus que não me atormentes! "

8. Pois Jesus lhe tinha dito: "Saia deste homem, espírito imundo! "

9. Então Jesus lhe perguntou: "Qual é o seu nome? " "Meu nome é Legião", respondeu ele, "porque somos muitos".

10. E implorava a Jesus, com insistência, que não os mandasse sair daquela região.

11. Uma grande manada de porcos estava pastando numa colina próxima.

12. Os demônios imploraram a Jesus: "Manda-nos para os porcos, para que entremos neles".

13. Ele lhes deu permissão, e os espíritos imundos saíram e entraram nos porcos. A manada de cerca de dois mil porcos atirou-se precipício abaixo, em direção ao mar, e nele se afogou.

14. Os que cuidavam dos porcos fugiram e contaram esses fatos na cidade e nos campos, e o povo foi ver o que havia acontecido.

15. Quando se aproximaram de Jesus, viram ali o homem que fora possesso da legião de demônios, assentado, vestido e em perfeito juízo; e ficaram com medo.

16. Os que o tinham visto contaram ao povo o que acontecera ao endemoninhado, e falaram também sobre os porcos.

17. Então o povo começou a suplicar a Jesus que saísse do território deles.

18. Quando Jesus estava entrando no barco, o homem que estivera endemoninhado suplicava-lhe que o deixasse ir com ele.

19. Jesus não o permitiu, mas disse: "Vá para casa, para a sua família e anuncie-lhes quanto o Senhor fez por você e como teve misericórdia de você".

20. Então, aquele homem se foi e começou a anunciar em Decápolis quanto Jesus tinha feito por ele. Todos ficavam admirados.

21. Tendo Jesus voltado de barco para a outra margem, uma grande multidão se reuniu ao seu redor, enquanto ele estava à beira do mar.

22. Então chegou ali um dos dirigentes da sinagoga, chamado Jairo. Vendo Jesus, prostrou-se aos seus pés

23. e lhe implorou insistentemente: "Minha filhinha está morrendo! Vem, por favor, e impõe as mãos sobre ela, para que seja curada e viva".

24. Jesus foi com ele. Uma grande multidão o seguia e o comprimia.

25. E estava ali certa mulher que havia doze anos vinha sofrendo de uma hemorragia.

26. Ela padecera muito sob o cuidado de vários médicos e gastara tudo o que tinha, mas, em vez de melhorar, piorava.

27. Quando ouviu falar de Jesus, chegou-se por trás dele, no meio da multidão, e tocou em seu manto,

28. porque pensava: "Se eu tão-somente tocar em seu manto, ficarei curada".

29. Imediatamente cessou sua hemorragia e ela sentiu em seu corpo que estava livre do seu sofrimento.

30. No mesmo instante, Jesus percebeu que dele havia saído poder, virou-se para a multidão e perguntou: "Quem tocou em meu manto? "

31. Responderam os seus discípulos: "Vês a multidão aglomerada ao teu redor e ainda perguntas: ‘Quem tocou em mim? ’ "

32. Mas Jesus continuou olhando ao seu redor para ver quem tinha feito aquilo.

33. Então a mulher, sabendo o que lhe tinha acontecido, aproximou-se, prostrou-se aos seus pés e, tremendo de medo, contou-lhe toda a verdade.

34. Então ele lhe disse: "Filha, a sua fé a curou! Vá em paz e fique livre do seu sofrimento".

35. Enquanto Jesus ainda estava falando, chegaram algumas pessoas da casa de Jairo, o dirigente da sinagoga. "Sua filha morreu", disseram eles. "Não precisa mais incomodar o mestre! "

36. Não fazendo caso do que eles disseram, Jesus disse ao dirigente da sinagoga: "Não tenha medo; tão-somente creia".

37. E não deixou ninguém segui-lo, senão Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago.

38. Quando chegaram à casa do dirigente da sinagoga, Jesus viu um alvoroço, com gente chorando e se lamentando em alta voz.

39. Então entrou e lhes disse: "Por que todo este alvoroço e lamento? A criança não está morta, mas dorme".

40. Mas todos começaram a rir de Jesus. Ele, porém, ordenou que eles saíssem, tomou consigo o pai e a mãe da criança e os discípulos que estavam com ele, e entrou onde se encontrava a criança.

41. Tomou-a pela mão e lhe disse: "Talita cumi! ", que significa: "Menina, eu lhe ordeno, levante-se! ".

42. Imediatamente a menina, que tinha doze anos de idade, levantou-se e começou a andar. Isso os deixou atônitos.

43. Ele deu ordens expressas para que não dissessem nada a ninguém e mandou que dessem a ela alguma coisa para comer.

1. Jesus saiu dali e foi para a sua cidade, acompanhado dos seus discípulos.

2. Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga, e muitos dos que o ouviam ficavam admirados. "De onde lhe vêm estas coisas? ", perguntavam eles. "Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E estes milagres que ele faz?

3. Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, José, Judas e Simão? Não estão aqui conosco as suas irmãs? " E ficavam escandalizados por causa dele.

4. Jesus lhes disse: "Só em sua própria terra, entre seus parentes e em sua própria casa, é que um profeta não tem honra".

5. E não pôde fazer ali nenhum milagre, exceto impor as mãos sobre alguns doentes e curá-los.

6. E ficou admirado com a incredulidade deles. Então Jesus passou a percorrer os povoados, ensinando.

7. Chamando os Doze para junto de si, enviou-os de dois em dois e deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos.

8. Estas foram as suas instruções: "Não levem nada pelo caminho, a não ser um bordão. Não levem pão, nem saco de viagem, nem dinheiro em seus cintos;

9. calcem sandálias, mas não levem túnica extra;

10. sempre que entrarem numa casa, fiquem ali até partirem;

11. e, se algum povoado não os receber nem os ouvir, sacudam a poeira dos seus pés quando saírem de lá, como testemunho contra eles".

12. Eles saíram e pregaram ao povo que se arrependesse.

13. Expulsavam muitos demônios, ungiam muitos doentes com óleo e os curavam.

14. O rei Herodes ouviu falar dessas coisas, pois o nome de Jesus havia se tornado bem conhecido. Algumas pessoas estavam dizendo: "João Batista ressuscitou dos mortos! Por isso estão operando nele poderes miraculosos".

15. Outros diziam: "Ele é Elias". E ainda outros afirmavam: "Ele é um profeta, como um dos antigos profetas".

16. Mas quando Herodes ouviu essas coisas, disse: "João, o homem a quem decapitei, ressuscitou dos mortos! "

17. Pois o próprio Herodes tinha dado ordens para que prendessem João, o amarrassem e o colocassem na prisão, por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão, com a qual se casara.

18. Porquanto João dizia a Herodes: "Não te é permitido viver com a mulher do teu irmão".

19. Assim, Herodias o odiava e queria matá-lo. Mas não podia fazê-lo,

20. porque Herodes temia a João e o protegia, sabendo que ele era um homem justo e santo; e quando o ouvia, ficava perplexo. Mesmo assim gostava de ouvi-lo.

21. Finalmente chegou uma ocasião oportuna. No seu aniversário, Herodes ofereceu um banquete aos seus líderes mais importantes, aos comandantes militares e às principais personalidades da Galiléia.

22. Quando a filha de Herodias entrou e dançou, agradou a Herodes e aos convidados. O rei disse à jovem: "Peça-me qualquer coisa que você quiser, e eu lhe darei".

23. E prometeu-lhe sob juramento: "Seja o que for que me pedir, eu lhe darei, até a metade do meu reino".

24. Ela saiu e disse à sua mãe: "Que pedirei? " "A cabeça de João Batista", respondeu ela.

25. Imediatamente a jovem apressou-se em apresentar-se ao rei com o pedido: "Desejo que me dês agora mesmo a cabeça de João Batista num prato".

26. O rei ficou muito aflito, mas por causa do seu juramento e dos convidados, não quis negar o pedido à jovem.

27. Assim enviou imediatamente um carrasco com ordens para trazer a cabeça de João. O homem foi, decapitou João na prisão

28. e trouxe sua cabeça num prato. Ele a entregou à jovem, e esta a deu à sua mãe.

29. Tendo ouvido isso, os discípulos de João vieram, levaram o seu corpo e o colocaram num túmulo.

30. Os apóstolos reuniram-se a Jesus e lhe relataram tudo o que tinham feito e ensinado.

31. Havia muita gente indo e vindo, a ponto de eles não terem tempo para comer. Jesus lhes disse: "Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco".

32. Assim, eles se afastaram num barco para um lugar deserto.

33. Mas muitos dos que os viram retirar-se, tendo-os reconhecido, correram a pé de todas as cidades e chegaram lá antes deles.

34. Quando Jesus saiu do barco e viu uma grande multidão, teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Então começou a ensinar-lhes muitas coisas.

35. Já era tarde e, por isso, os seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: "Este é um lugar deserto, e já é tarde.

36. Manda embora o povo para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar algo para comer".

37. Ele, porém, respondeu: "Dêem-lhes vocês algo para comer". Eles lhe disseram: "Isto exigiria duzentos denários! Devemos gastar tanto dinheiro em pão e dar-lhes de comer? "

38. Perguntou ele: "Quantos pães vocês têm? Verifiquem". Quando ficaram sabendo, disseram: "Cinco pães e dois peixes".

39. Então Jesus ordenou que fizessem todo o povo assentar-se em grupos na grama verde.

40. Assim, eles se assentaram em grupos de cem e de cinqüenta.

41. Tomando os cinco pães e os dois peixes e, olhando para o céu, deu graças e partiu os pães. Em seguida, entregou-os aos seus discípulos para que os servissem ao povo. E também dividiu os dois peixes entre todos eles.

42. Todos comeram e ficaram satisfeitos,

43. e os discípulos recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe.

44. Os que comeram foram cinco mil homens.

45. Logo em seguida, Jesus insistiu com os discípulos para que entrassem no barco e fossem adiante dele para Betsaida, enquanto ele despedia a multidão.

46. Tendo-a despedido, subiu a um monte para orar.

47. Ao anoitecer, o barco estava no meio do mar, e Jesus se achava sozinho em terra.

48. Ele viu os discípulos remando com dificuldade, porque o vento soprava contra eles. Alta madrugada, Jesus dirigiu-se a eles, andando sobre o mar; e estava já a ponto de passar por eles.

49. Quando o viram andando sobre o mar, pensaram que fosse um fantasma. Então gritaram,

50. pois todos o tinham visto e ficam aterrorizados. Mas Jesus imediatamente lhes disse: "Coragem! Sou eu! Não tenham medo! "

51. Então subiu no barco para junto deles, e o vento se acalmou; e eles ficaram atônitos,

52. pois não tinham entendido o milagre dos pães. Seus corações estavam endurecidos.

53. Depois de atravessarem o mar, chegaram a Genesaré e ali amarraram o barco.

54. Logo que desembarcaram, o povo reconheceu Jesus.

55. Eles percorriam toda aquela região e levavam os doentes em macas, para onde ouviam que ele estava.

56. E aonde quer que ele fosse, povoados, cidades ou campos, levavam os doentes para as praças. Suplicavam-lhe que pudessem pelo menos tocar na borda do seu manto; e todos os que nele tocavam eram curados.

1. Os fariseus e alguns dos mestres da lei, vindos de Jerusalém, reuniram-se a Jesus e

2. viram alguns dos seus discípulos comerem com as mãos "impuras", isto é, por lavar.

3. ( Os fariseus e todos os judeus não comem sem lavar as mãos cerimonialmente, apegando-se, assim, à tradição dos líderes religiosos.

4. Quando chegam da rua, não comem sem antes se lavarem. E observam muitas outras tradições, tais como o lavar de copos, jarros e vasilhas de metal. )

5. Então os fariseus e os mestres da lei perguntaram a Jesus: "Por que os seus discípulos não vivem de acordo com a tradição dos líderes religiosos, em vez de comerem o alimento com as mãos ‘impuras’? "

6. Ele respondeu: "Bem profetizou Isaías acerca de vocês, hipócritas; como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.

7. Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens’.

8. Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens".

9. E disse-lhes: "Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira para pôr de lado os mandamentos de Deus, a fim de obedecer às suas tradições!

10. Pois Moisés disse: ‘Honra teu pai e tua mãe’, e ‘quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe terá que ser executado’.

11. Mas vocês afirmam que se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: ‘Qualquer ajuda que vocês poderiam receber de mim é Corbã’, isto é, uma oferta dedicada a Deus,

12. vocês o desobrigam de qualquer dever para com seu pai ou sua mãe.

13. Assim vocês anulam a palavra de Deus, por meio da tradição que vocês mesmos transmitiram. E fazem muitas coisas como essa".

14. Jesus chamou novamente a multidão para junto de si e disse: "Ouçam-me todos e entendam isto:

15. não há nada fora do homem que, nele entrando, possa torná-lo ‘impuro’. Pelo contrário, o que sai do homem é que o torna ‘impuro’.

16. Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça! "

17. Depois de deixar a multidão e entrar em casa, os discípulos lhe pediram explicação da parábola.

18. "Será que vocês também não conseguem entender? ", perguntou-lhes Jesus. "Não percebem que nada que entre no homem pode torná-lo ‘impuro’?

19. Porque não entra em seu coração, mas em seu estômago, sendo depois eliminado". Ao dizer isto, Jesus declarou "puros" todos os alimentos.

20. E continuou: "O que sai do homem é que o torna ‘impuro’.

21. Pois do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios,

22. as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez.

23. Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem ‘impuro’ ".

24. Jesus saiu daquele lugar e foi para os arredores de Tiro e de Sidom. Entrou numa casa e não queria que ninguém o soubesse; contudo, não conseguiu manter em segredo a sua presença.

25. De fato, logo que ouviu falar dele, certa mulher, cuja filha estava com um espírito imundo, veio e lançou-se aos seus pés.

26. A mulher era grega, siro-fenícia de origem, e rogava a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio.

27. Ele lhe disse: "Deixe que primeiro os filhos comam até se fartar; pois não é correto tirar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos".

28. Ela respondeu: "Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças".

29. Então ele lhe disse: "Por causa desta resposta, você pode ir; o demônio já saiu da sua filha".

30. Ela foi para casa e encontrou sua filha deitada na cama, e o demônio já a tinha deixado.

31. A seguir Jesus saiu dos arredores de Tiro e atravessou Sidom, até o mar da Galiléia e a região de Decápolis.

32. Ali algumas pessoas lhe trouxeram um homem que era surdo e mal podia falar, suplicando que lhe impusesse as mãos.

33. Depois de levá-lo à parte, longe da multidão, Jesus colocou os dedos nos ouvidos dele. Em seguida, cuspiu e tocou na língua do homem.

34. Então voltou os olhos para os céus e, com um profundo suspiro, disse-lhe: "Efatá! ", que significa: Abra-se.

35. Com isso, os ouvidos do homem se abriram, sua língua ficou livre e ele começou a falar corretamente.

36. Jesus ordenou-lhes que não o contassem a ninguém. Contudo, quanto mais ele os proibia, mais eles falavam.

37. O povo ficava simplesmente maravilhado e dizia: "Ele faz tudo muito bem. Faz até o surdo ouvir e o mudo falar".

1. Naqueles dias, outra vez reuniu-se uma grande multidão. Visto que não tinham nada para comer, Jesus chamou os seus discípulos e disse-lhes:

2. "Tenho compaixão desta multidão; já faz três dias que eles estão comigo e nada têm para comer.

3. Se eu os mandar para casa com fome, vão desfalecer no caminho, porque alguns deles vieram de longe".

4. Os seus discípulos responderam: "Onde, neste lugar deserto, poderia alguém conseguir pão suficiente para alimentá-los? "

5. "Quantos pães vocês têm? ", perguntou Jesus. "Sete", responderam eles.

6. Ele ordenou à multidão que se assentasse no chão. Depois de tomar os sete pães e dar graças, partiu-os e os entregou aos seus discípulos, para que os servissem à multidão; e eles o fizeram.

7. Tinham também alguns peixes pequenos; ele deu graças igualmente por eles e disse aos discípulos que os distribuíssem.

8. O povo comeu até se fartar. E ajuntaram sete cestos cheios de pedaços que sobraram.

9. Cerca de quatro mil homens estavam presentes. E, tendo-os despedido,

10. entrou no barco com seus discípulos e foi para a região de Dalmanuta.

11. Os fariseus vieram e começaram a interrogar Jesus. Para pô-lo à prova, pediram-lhe um sinal do céu.

12. Ele suspirou profundamente e disse: "Por que esta geração pede um sinal miraculoso? Eu lhes afirmo que nenhum sinal lhe será dado".

13. Então se afastou deles, voltou para o barco e atravessou para o outro lado.

14. Os discípulos haviam se esquecido de levar pão, a não ser um pão que tinham consigo no barco.

15. Advertiu-os Jesus: "Estejam atentos e tenham cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes".

16. E eles discutiam entre si, dizendo: "É porque não temos pão".

17. Percebendo a discussão, Jesus lhes perguntou: "Por que vocês estão discutindo sobre não terem pão? Ainda não compreendem nem percebem? Seus corações estão endurecidos?

18. Vocês têm olhos, mas não vêem? Têm ouvidos, mas não ouvem? Não se lembram?

19. Quando eu parti os cinco pães para os cinco mil, quantos cestos cheios de pedaços vocês recolheram? " "Doze", responderam eles.

20. "E quando eu parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de pedaços vocês recolheram? " "Sete", responderam eles.

21. Ele lhes disse: "Vocês ainda não entendem? "

22. Eles foram para Betsaida, e algumas pessoas trouxeram um cego a Jesus, suplicando-lhe que tocasse nele.

23. Ele tomou o cego pela mão e o levou para fora do povoado. Depois de cuspir nos olhos do homem e impor-lhe as mãos, Jesus perguntou: "Você está vendo alguma coisa? "

24. Ele levantou os olhos e disse: "Vejo pessoas; elas parecem árvores andando".

25. Mais uma vez, Jesus colocou as mãos sobre os olhos do homem. Então seus olhos foram abertos, e sua vista lhe foi restaurada, e ele via tudo claramente.

26. Jesus mandou-o para casa, dizendo: "Não entre no povoado! "

27. Jesus e os seus discípulos dirigiram-se para os povoados nas proximidades de Cesaréia de Filipe. No caminho, ele lhes perguntou: "Quem o povo diz que eu sou? "

28. Eles responderam: "Alguns dizem que és João Batista; outros, Elias; e, ainda outros, um dos profetas".

29. "E vocês? ", perguntou ele. "Quem vocês dizem que eu sou? " Pedro respondeu: "Tu és o Cristo".

30. Jesus os advertiu que não falassem a ninguém a seu respeito.

31. Então ele começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem sofresse muitas coisas e fosse rejeitado pelos líderes religiosos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos mestres da lei, fosse morto e três dias depois ressuscitasse.

32. Ele falou claramente a esse respeito. Então Pedro, chamando-o à parte, começou a repreendê-lo.

33. Jesus, porém, voltou-se, olhou para os seus discípulos e repreendeu Pedro, dizendo: "Para trás de mim, Satanás! Você não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens".

34. Então ele chamou a multidão e os discípulos e disse: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.

35. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa e pelo evangelho, a salvará.

36. Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?

37. Ou, o que o homem poderia dar em troca de sua alma?

38. Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, o Filho do homem se envergonhará dele quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos".

1. E lhes disse: "Garanto-lhes que alguns dos que aqui estão de modo nenhum experimentarão a morte, antes de verem o Reino de Deus vindo com poder".

2. Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e os levou a um alto monte, onde ficaram a sós. Ali ele foi transfigurado diante deles.

3. Suas roupas se tornaram brancas, de um branco resplandecente, como nenhum lavandeiro no mundo seria capaz de branqueá-las.

4. E apareceram diante deles Elias e Moisés, os quais conversavam com Jesus.

5. Então Pedro disse a Jesus: "Mestre, é bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e uma para Elias".

6. Ele não sabia o que dizer, pois estavam apavorados.

7. A seguir apareceu uma nuvem e os envolveu, e dela saiu uma voz, que disse: "Este é o meu Filho amado. Ouçam-no! "

8. Repentinamente, quando olharam ao redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus.

9. Enquanto desciam do monte, Jesus lhes ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do homem tivesse ressuscitado dos mortos.

10. Eles guardaram o assunto apenas entre si, discutindo o que significaria "ressuscitar dos mortos".

11. E lhe perguntaram: "Por que os mestres da lei dizem que é necessário que Elias venha primeiro? "

12. Jesus respondeu: "De fato, Elias vem primeiro e restaura todas as coisas. Então, por que está escrito que é necessário que o Filho do homem sofra muito e seja rejeitado com desprezo?

13. Mas eu lhes digo: Elias já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram, como está escrito a seu respeito".

14. Quando chegaram onde estavam os outros discípulos, viram uma grande multidão ao redor deles e os mestres da lei discutindo com eles.

15. Logo que todo o povo viu Jesus, ficou muito surpreso e correu para saudá-lo.

16. Perguntou Jesus: "O que vocês estão discutindo? "

17. Um homem, no meio da multidão, respondeu: "Mestre, eu te trouxe o meu filho, que está com um espírito que o impede de falar.

18. Onde quer que o apanhe, joga-o no chão. Ele espuma pela boca, range os dentes e fica rígido. Pedi aos teus discípulos que expulsassem o espírito, mas eles não conseguiram".

19. Respondeu Jesus: "Ó geração incrédula, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los? Tragam-me o menino".

20. Então, eles o trouxeram. Quando o espírito viu Jesus, imediatamente causou uma convulsão no menino. Este caiu no chão e começou a rolar, espumando pela boca.

21. Jesus perguntou ao pai do menino: "Há quanto tempo ele está assim? " "Desde a infância", respondeu ele.

22. "Muitas vezes o tem lançado no fogo e na água para matá-lo. Mas, se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos. "

23. "Se podes? ", disse Jesus. "Tudo é possível àquele que crê. "

24. Imediatamente o pai do menino exclamou: "Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade! "

25. Quando Jesus viu que uma multidão estava se ajuntando, repreendeu o espírito imundo, dizendo: "Espírito mudo e surdo, eu ordeno que o deixe e nunca mais entre nele".

26. O espírito gritou, agitou-o violentamente e saiu. O menino ficou como morto, a ponto de muitos dizerem: "Ele morreu".

27. Mas Jesus tomou-o pela mão e o levantou, e ele ficou em pé.

28. Depois de Jesus ter entrado em casa, seus discípulos lhe perguntaram em particular: "Por que não conseguimos expulsá-lo? "

29. Ele respondeu: "Essa espécie só sai pela oração e pelo jejum".

30. Eles saíram daquele lugar e atravessaram a Galiléia. Jesus não queria que ninguém soubesse onde eles estavam,

31. porque estava ensinando os seus discípulos. E lhes dizia: "O Filho do homem está para ser entregue nas mãos dos homens. Eles o matarão, e três dias depois ele ressuscitará".

32. Mas eles não entendiam o que ele queria dizer e tinham receio de perguntar-lhe.

33. E chegaram a Cafarnaum. Quando ele estava em casa, perguntou-lhes: "O que vocês estavam discutindo no caminho? "

34. Mas eles guardaram silêncio, porque no caminho haviam discutido sobre quem era o maior.

35. Assentando-se, Jesus chamou os Doze e disse: "Se alguém quiser ser o primeiro, será o último, e servo de todos".

36. E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles. Pegando-a nos braços, disse-lhes:

37. "Quem recebe uma destas crianças em meu nome, está me recebendo; e quem me recebe, não está apenas me recebendo, mas também àquele que me enviou".

38. "Mestre", disse João, "vimos um homem expulsando demônios em teu nome e procuramos impedi-lo, porque ele não era um dos nossos. "

39. "Não o impeçam", disse Jesus. "Ninguém que faça um milagre em meu nome, pode falar mal de mim logo em seguida,

40. pois quem não é contra nós está a nosso favor.

41. Eu lhes digo a verdade: Quem lhes der um copo de água em meu nome, por vocês pertencerem a Cristo, de modo nenhum perderá a sua recompensa. "

42. "Se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, seria melhor que fosse lançado no mar com uma grande pedra amarrada no pescoço.

43. Se a sua mão o fizer tropeçar, corte-a. É melhor entrar na vida mutilado do que, tendo as duas mãos, ir para o inferno, onde o fogo nunca se apaga,

44. onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.

45. E se o seu pé o fizer tropeçar, corte-o. É melhor entrar na vida aleijado do que, tendo os dois pés, ser lançado no inferno.

46. onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.

47. E se o seu olho o fizer tropeçar, arranque-o. É melhor entrar no Reino de Deus com um só olho do que, tendo os dois olhos, ser lançado no inferno,

48. onde ‘o seu verme não morre, e o fogo não se apaga’.

49. Cada um será salgado com fogo.

50. "O sal é bom, mas se deixar de ser salgado, como restaurar o seu sabor? Tenham sal em vocês mesmos e vivam em paz uns com os outros".

Você está lendo Marcos na edição NVI, Nova Versão Internacional, em Português.
Este lívro compôe o Novo Testamento, tem 16 capítulos, e 678 versículos.