1 Reis

1. Foi Roboão a Siquém, pois todo o Israel lá se congregara para o fazer rei.

2. Tendo Jeroboão, filho de Nebate, ouvido isto (pois estava ainda no Egito, para onde tinha fugido da presença do rei Salomão, onde habitava,

3. e donde mandaram chamá-lo), veio com toda a congregação de Israel, e falaram a Roboão, dizendo:

4. Teu pai fez pesado o nosso jugo; agora alivia a dura servidão de teu pai e o pesado jugo que nos impôs, e nós te serviremos.

5. Ele lhes respondeu: Ide-vos e, depois de três dias, voltai a mim. Retirou-se o povo.

6. Teve o rei Roboão conselho com os velhos que tinham assistido diante de seu pai Salomão, quando este ainda vivia, dizendo: Que me aconselhais vós que eu responda a este povo?

7. Eles lhe disseram: Se te tornares hoje servo deste povo, e o servires, e lhe atenderes, e lhe falares boas palavras, eles se farão teus servos para sempre.

8. Ele, porém, abandonou o conselho que os velhos lhe tinham dado, e teve conselho com os mancebos que haviam crescido com ele, e lhe assistiam.

9. Perguntou-lhes: Que aconselhais vós que respondamos a este povo, que me disse: Alivia o jugo que teu pai nos impôs?

10. Responderam-lhe os mancebos que haviam crescido com ele: Assim dirás a este povo que te falou: Teu pai fez pesado o nosso jugo, porém alivia-o de sobre nós; assim lhe falarás: Meu dedo mínimo é mais grosso do que os lombos de meu pai.

11. Assim que se meu pai vos carregou de um jugo pesado, eu hei de acrescentar ainda sobre o vosso jugo; meu pai vos castigou com açoites, porém eu hei de vos castigar com escorpiões.

12. Veio Jeroboão com todo o povo a Roboão no terceiro dia, como o rei lhes ordenou, dizendo: Voltai a mim ao terceiro dia.

13. O rei respondeu asperamente ao povo, e deixou o conselho que os velhos lhe tinham dado;

14. e falou-lhe segundo o conselho dos mancebos, dizendo: Meu pai fez pesado o vosso jugo, porém eu hei de acrescentar sobre o vosso jugo; meu pai vos castigou com açoites, porém eu hei de vos castigar com escorpiões.

15. O rei não deu ouvidos ao povo, porque isso veio da parte de Jeová, para confirmar a palavra que Jeová falou a Jeroboão, filho de Nebate, por intermédio de Aías silonita.

16. Vendo o povo que o rei não lhe dava ouvidos, respondeu-lhe: Que parte temos nós em Davi? nem temos herança no filho de Jessé. Às vossas tendas, ó Israel! agora cuida da tua casa, ó Davi! Assim Israel se foi para as suas tendas.

17. Mas quanto aos filhos de Israel que habitavam nas cidades de Judá, sobre eles reinou Roboão.

18. Então o rei Roboão enviou Adoram que estava sobre a leva dos trabalhadores forçados; e todo o Israel o apedrejou até que ele morreu. O rei Roboão a toda a pressa montou no seu carro a fim de fugir para Jerusalém.

19. Assim Israel se rebelou contra a casa de Davi até o dia de hoje.

20. Tendo ouvido todo o Israel que Jeroboão tinha voltado, mandaram chamá-lo para a congregação, e fizeram-no rei sobre todo o Israel; não houve ninguém que seguisse a casa de Davi, senão somente a tribo de Judá.

21. Tendo Roboão chegado a Jerusalém, fez ajuntar toda a casa de Judá e a tribo de Benjamim, cento e oitenta mil homens escolhidos, que eram guerreiros, para pelejar contra a casa de Israel, a fim de restituir o reino a Roboão, filho de Salomão.

22. Veio, porém, a palavra de Deus a Semaías, homem de Deus, dizendo:

23. Fala a Roboão, filho de Salomão, rei de Judá, e a toda a casa de Judá e de Benjamim, e ao restante do povo:

24. Assim diz Jeová: Não subireis, nem pelejareis contra vossos irmãos, filhos de Israel; volte cada um para casa, porque isso veio da minha parte. Ouviram a palavra de Jeová, voltaram e se foram em obediência a ela.

25. Então edificou Jeroboão a Siquém na região montanhosa de Efraim, e residiu ali; dali saiu e edificou a Penuel.

26. Disse Jeroboão no seu coração: Agora tornará o reino para a casa de Davi.

27. Se este povo subir para oferecer sacrifícios na casa de Jeová, em Jerusalém, o coração dele se tornará para o seu senhor Roboão, rei de Judá; a mim me matarão, e voltarão para Roboão, rei de Judá.

28. Pelo que o rei, depois de conselhos tomados, fez de ouro dois bezerros; e disse ao povo: Basta de subirdes a Jerusalém; eis os teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egito.

29. Pôz um em Betel, e o outro colocou ele em .

30. Isso se tornou em pecado; pois o povo ia até a adorar o bezerro.

31. Nos altos fez casas, e dentre todo o povo constituiu sacerdotes, que não eram dos filhos de Levi.

32. Jeroboão ordenou uma festa no oitavo mês, aos quinze dias do mês, como a festa que se celebrava em Judá e subiu ao altar. Assim fez em Betel, oferecendo sacrifícios aos bezerros que tinha fabricado; e estabeleceu em Betel os sacerdotes dos altos que fizera.

33. Subiu ao altar que ele fizera em Betel ao décimo quinto dia do oitavo mês, isto é, do mês que ele tinha escolhido a seu bel prazer; e ordenou uma festa para os filhos de Israel, e subiu ao altar para queimar incenso.

1. Eis que por ordem de Deus veio de Judá a Betel um homem de Deus (e Jeroboão estava ao lado do altar para queimar incenso).

2. Por ordem de Jeová exclamou contra o altar, e disse: Altar, altar! assim diz Jeová: Eis que nascerá na casa de Davi um filho que se chamará Josias; ele sacrificará sobre ti os sacerdotes dos altos que sobre ti queimaram incenso, e ossos de homens se queimarão sobre ti.

3. Naquele mesmo dia deu um sinal, dizendo: Este é o sinal de que Jeová falou: eis que se fenderá o altar, e se espalhará a cinza que está por cima dele.

4. Tendo o rei ouvido as palavras que o homem de Deus proferira contra o altar em Betel, Jeroboão estendeu do altar a mão, dizendo: Prendei-o. A mão, que ele estendera contra o homem de Deus, secou, de sorte que ele não a pôde trazer a si.

5. O altar também se fendeu, e a cinza se espalhou do altar, conforme o sinal que por ordem de Jeová havia dado o homem de Deus.

6. Então respondeu o rei ao homem de Deus: Consegue o favor de Jeová teu Deus, e ora por mim, para que se me restitua a minha mão. Conseguiu o homem de Deus o favor de Jeová, e a mão do rei se lhe restituiu, e tornou-se como dantes era.

7. Disse o rei ao homem de Deus: Vem comigo para casa, e conforta-te, e dar-te-ei uma recompensa.

8. Respondeu o homem de Deus ao rei: Se me deres a metade da tua casa, não entrarei na tua casa nem comerei pão, nem beberei água neste lugar.

9. Pois assim me foi intimado por ordem de Jeová, dizendo: Não comerás pão, nem beberás água, nem voltarás pelo caminho por que vieste.

10. Ele, pois, se foi por outro caminho, e não voltou a Betel pelo caminho por que viera.

11. Ora morava em Betel um velho profeta; veio um de seus filhos e contou-lhe tudo o que o homem de Deus fizera aquele dia em Betel: as palavras que tinha dito ao rei, contaram-nas também a seu pai.

12. Perguntou-lhes seu pai: Por que caminho se foi ele? Ora, tinham visto seus filhos o caminho por que voltara o homem de Deus, que tinha vindo de Judá.

13. Ele disse a seus filhos: Albardai-me o jumento. Albardaram-lhe o jumento, no qual ele montou.

14. Foi após o homem de Deus, e o achou sentado debaixo do terebinto. Perguntou-lhe: És tu o homem de Deus que vieste de Judá? Ele respondeu: Sou.

15. Então lhe disse: Vem comigo para casa, e come pão.

16. Porém ele respondeu: Não posso voltar contigo, nem entrar na tua casa; não comerei pão nem beberei água contigo neste lugar,

17. porque me foi dito por ordem de Jeová: Não comerás pão, nem beberás água ali, nem tornarás a ir pelo caminho por que foste.

18. Tornou-lhe: Eu também sou profeta como tu, e por ordem de Jeová falou-me um anjo, dizendo: Faze-o voltar contigo para a casa, para que ele coma pão e beba água. Mentiu-lhe.

19. Assim voltou com ele e comeu pão na sua casa, e bebeu água.

20. Estando eles à mesa, veio a palavra de Jeová ao profeta que o tinha feito voltar;

21. e clamou ao homem de Deus que tinha vindo de Judá, dizendo: Assim diz Jeová: Porquanto não obedeceste a ordem de Jeová, e não guardaste o mandamento que Jeová teu Deus te ordenou,

22. mas voltaste, e comeste pão e bebeste água no lugar de que te disse: Não comas pão, nem bebas água; o teu cadáver não entrará no sepulcro de teus pais.

23. Quando o profeta a quem tinha feito voltar havia comido pão e bebido água, albardou o jumento para ele.

24. Foi-se e no caminho um leão saiu-lhe ao encontro, e matou-o; o seu cadáver ficou estendido no caminho, o jumento estava parado junto a ele e também o leão ficou perto do cadáver.

25. Eis que passando por ali certos homens, viram o cadáver estendido no caminho, e o leão posto em pé ao lado; foram e contaram-no na cidade onde morava o velho profeta.

26. Tendo ouvido isto o profeta que o tinha feito voltar do caminho, disse: É o homem de Deus que desobedeceu à palavra de Jeová; por isso Jeová o entregou ao leão, que o despedaçou e matou, conforme a palavra que Jeová lhe falou.

27. Disse a seus filhos: Albardai-me o jumento. Eles o fizeram.

28. Então foi e achou o cadáver estendido no caminho, e o jumento e o leão que estavam ao lado; não tinha o leão devorado o cadáver, nem despedaçado ao jumento.

29. O profeta tomou o cadáver do homem de Deus, pô-lo em cima do jumento, e levou-o consigo; e chegou à cidade do profeta velho para o chorar e para o enterrar.

30. Meteu o cadáver no seu sepulcro; e eles o choraram, dizendo: Ai, meu irmão!

31. Depois de o haver enterrado, disse a seus filhos: Quando eu morrer, enterrai-me no sepulcro em que está enterrado o homem de Deus; ponde os meus ossos junto aos seus ossos.

32. Porque certamente se cumprirão as palavras que por ordem de Jeová exclamou contra o altar em Betel e contra todas as casas dos altos que estão nas cidades de Samaria.

33. Depois disto não tornou Jeroboão do seu mau caminho, porém dentre todo o povo fez ainda sacerdotes dos altos; e consagrou a todo aquele que o queria, para que houvesse sacerdotes dos altos.

34. Isso se tornou em pecado à casa de Jeroboão, para a cortar e para a destruir da face da terra.

1. Naquele tempo adoeceu Abias, filho de Jeroboão.

2. Disse Jeroboão a sua mulher: Levanta-te e disfarça-te para que não conheçam que és mulher de Jeroboão; e vai-te a Silo. Eis que lá está o profeta Aías, que a meu respeito falou que eu reinaria sobre este povo.

3. Leva contigo dez pães, e bolos, e uma botija de mel, e vai ter com ele, que te declarará o que há de acontecer a este menino.

4. A mulher de Jeroboão assim fez; levantou-se, foi a Silo e chegou à casa de Aías. Aías não podia ver, porque os olhos já se lhe tinham obscurecido por causa da sua muita idade.

5. Disse, porém, Jeová a Aías: Eis que vem a mulher de Jeroboão a consultar-te sobre seu filho, que está doente. Assim e assim lhe falarás, porque, quando ela entrar, há de fingir-se outra.

6. Ouvindo Aías o som de seus pés, ao entrar ela pela porta, disse: Entra mulher de Jeroboão; porque finges tu ser outra? pois eu sou enviado para te dar uma dura nova.

7. Vai, e dize a Jeroboão: Assim diz Jeová, Deus de Israel: Porquanto te exaltei do meio do povo, e te constituí príncipe sobre o meu povo de Israel,

8. e da casa de Davi tirei o reino, e to dei a ti: contudo não tens sido como o meu servo Davi, que guardou os meus mandamentos, e que me seguiu de todo o seu coração, fazendo o que era reto aos meus olhos;

9. mas tens praticado maiores males do que os que foram antes de ti, e foste e fabricaste para ti outros deuses e imagens de fundição, para me provocares à ira, e a mim me lançaste para trás das costas:

10. portanto eis que trarei o mal sobre a casa de Jeroboão e lhe exterminarei todo o homem, escravo ou livre, em Israel, e de todo varrerei a casa de Jeroboão, como se costuma varrer o esterco, até não ficar vestígio.

11. Quem morrer a Jeroboão na cidade, comê-lo-ão os cães; e quem lhe morrer no campo, comê-lo-ão as aves do céu: pois Jeová o disse.

12. Tu levanta-te, e vai para tua casa; e ao entrarem os teus pés na cidade, morrerá o menino.

13. Todo o Israel o chorará, e o sepultará, porque ele é o único da casa de Jeroboão que entrará na sepultura. Pois dos da casa de Jeroboão nele se achou alguma cousa boa para com Jeová, Deus de Israel.

14. Também Jeová suscitará para si um rei sobre Israel, que há de exterminar a casa de Jeroboão nesse dia: mas que digo eu? há de ser já.

15. Pois Jeová ferirá a Israel, fazendo-o tal como uma cana que se agita nas águas; e desarraigará a Israel desta boa terra, que deu aos seus pais, e os espalhará além do Rio, porque fizeram os seus Aserins, provocando Jeová à ira.

16. Entregará a Israel nas mãos dos seus inimigos por causa dos pecados de Jeroboão, que pecou, e fez pecar a Israel.

17. Levantou-se a mulher de Jeroboão, foi e veio para Tirza; e ao chegar ela ao limiar da casa, morreu o menino.

18. Todo o Israel o sepultou, e o chorou, conforme a palavra que Jeová falou por intermédio do profeta Aías, seu servo.

19. O restante dos atos de Jeroboão, como fazia guerras, e como reinava, eis que está escrito no livro das crônicas dos reis de Israel.

20. Os dias que reinou Jeroboão, foram vinte e dois anos. Adormeceu com seus pais, e em seu lugar reinou seu filho Nadabe.

21. Roboão, filho de Salomão, reinou em Judá. Roboão tinha quarenta e um anos de idade, quando começou a reinar, e reinou dezessete anos em Jerusalém, cidade que Jeová escolhera dentre todas as tribos de Israel, para nela pôr o seu nome. Era o nome de sua mãe Naamá amonita.

22. Judá fez o mal à vista de Jeová; e com os pecados que cometeram provocaram-no a zelos muito mais do que tinham feito seus pais.

23. Pois também edificaram para si altos, colunas e Aserins em cima de todos os elevados outeiros, e debaixo de todas as árvores verdes;

24. e havia também sodomitas na terra: fizeram conforme todas as abominações das gentes que expulsou Jeová diante dos filhos de Israel.

25. No quinto ano do rei Roboão subiu contra Jerusalém Sisaque, rei do Egito.

26. Levou os tesouros da casa de Jeová e os tesouros da casa do rei; levou tudo. Também levou todos os escudos de ouro, que Salomão tinha feito.

27. Em lugar destes fez Roboão escudos de bronze, e os entregou nas mãos dos capitães da guarda, que guardavam a porta da casa do rei.

28. Todas as vezes que entrava o rei na casa de Jeová, os da guarda levavam os escudos, e os tornavam a por na câmara da guarda.

29. Ora, o restante dos atos de Roboão, e tudo o que ele fez, não estão, porventura, escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?

30. Houve guerra sempre entre Roboão e Jeroboão.

31. Roboão adormeceu com seus pais, e com eles foi sepultado na cidade de Davi. O nome de sua mãe era Naamá amonita. Em seu lugar reinou seu filho Abião.

1. Ora, no décimo oitavo ano do rei Jeroboão, filho de Nebate, começou Abião a reinar sobre Judá.

2. Reinou três anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Maaca, filha de Absalão.

3. Andou em todos os pecados que seu pai tinha cometido antes dele: o seu coração não era perfeito para com Jeová seu Deus, como o fora o coração de seu pai Davi.

4. Todavia em atenção a Davi deu-lhe Jeová uma lâmpada em Jerusalém, suscitando a seu filho depois dele, e dando estabilidade a Jerusalém;

5. porque Davi fez o que era reto aos olhos de Jeová, e em nada se afastou de tudo o que lhe ordenou em todos os dias da sua vida, exceto no que se passou a respeito de Urias heteu.

6. Houve sempre guerra entre Roboão e Jeroboão.

7. O restante dos atos de Abião, e tudo o que ele fez, não estão, porventura, escritos no livro das crônicas dos reis de Judá? Houve guerra entre Abião e Jeroboão.

8. Adormeceu Abião com seus pais, e sepultaram-no na cidade de Davi. Em seu lugar reinou seu filho Asa.

9. No vigésimo ano de Jeroboão, rei de Israel, começou Asa a reinar sobre Judá.

10. Reinou quarenta e um anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Maaca, filha de Absalão.

11. Asa fez o que era reto aos olhos de Jeová, como o fizera Davi, seu pai.

12. Tirou da terra os sodomitas, e removeu todos os ídolos que seus pais tinham feito.

13. Também a Maaca, sua mãe a removeu, para não ser ela rainha-mãe, porque tinha feito uma imagem horrível para servir de Asera; Asa cortou essa imagem que ela tinha feito, e a queimou junto à torrente de Cedrom.

14. Os altos, porém, não foram tirados, todavia o coração de Asa foi perfeito todos os seus dias para com Jeová.

15. Meteu na casa de Jeová as cousas que seu pai tinha dedicado, e as que ele mesmo tinha dedicado, prata e ouro e vasos.

16. Houve sempre guerra entre Asa e Baasa, rei de Israel.

17. Pois Baasa, rei de Israel, subiu contra Judá, e edificou a Ramá, para que não deixasse sair alguém dos territórios de Asa, rei de Judá, nem neles entrar.

18. Então tomou Asa toda a prata e ouro, que ficaram nos tesouros da casa de Jeová, e os tesouros da casa do rei, e os entregou nas mãos dos seus servos. O rei Asa enviou-os a Ben-Hadade, filho de Tabirimom, filho de Heziom, rei da Síria, que habitava em Damasco, dizendo:

19. Haja aliança entre mim e ti, como houve entre meu pai e teu pai. Eis que te envio um presente de prata e de ouro; vai e quebra a tua aliança com Baasa, rei de Israel, para que ele se retire de mim.

20. Ben-Hadade deu ouvidos ao rei Asa, e enviou os generais dos seus exércitos contra as cidades de Israel, e feriu a Ijom, a , a Abel-Bete-Maaca e todo o distrito de Quinerete, juntamente com toda a terra de Naftali.

21. O que tendo Baasa ouvido, deixou de edificar a Ramá, e habitou em Tirza.

22. O rei Asa convocou a todo o Judá, sem excetuar ninguém. Levaram as pedras de Ramá, e as suas madeiras, que Baasa havia empregado em a edificar, e com elas edificou o rei Asa a Geba de Benjamim e a Mispa.

23. Ora o restante de todos os atos de Asa, e todo o seu poder, e tudo o que ele fez, e as cidades que edificou, não estão, porventura, escritos no livro das crônicas dos reis de Judá? Porém no tempo da sua velhice padeceu dos pés.

24. Asa adormeceu com seus pais, e foi sepultado com eles na cidade de Davi, seu pai. Em seu lugar reinou seu filho Josafá.

25. Nadabe, filho de Jeroboão, começou a reinar sobre Israel no segundo ano de Asa, rei de Judá: e reinou sobre Israel dois anos.

26. Fez o mal à vista de Jeová, e andou nos caminhos de seu pai, e no pecado que seu pai tinha feito Israel cometer.

27. Conspirou contra ele Baasa, filho de Aías, da casa de Issacar, e feriu-o em Gibetom, que pertencia aos filisteus. Nadabe e todo o Israel sitiavam a Gibetom.

28. Baasa matou a Nadabe no terceiro ano de Asa, rei de Judá, e reinou em lugar dele.

29. Tanto que começou a reinar, matou a toda a casa de Jeroboão (não lhe deixou ninguém com vida, exterminando-o, conforme a palavra que Jeová falou por intermédio do seu servo Aías silonita),

30. por causa dos pecados que Jeroboão cometera, e pelos que fizera Israel cometer, por causa da provocação com que irritara a Jeová, Deus de Israel.

31. Ora, o restante dos atos de Nadabe, e tudo o que ele fez, não estão, porventura, escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?

32. Houve sempre guerra entre Asa e Baasa, rei de Israel.

33. No terceiro ano de Asa, rei de Judá, começou Baasa, filho de Aías, a reinar sobre todo o Israel em Tirza, e reinou vinte e quatro anos.

34. Ele fez o mal à vista de Jeová, e andou no caminho de Jeroboão, e no pecado que ele tinha feito Israel cometer.

1. A palavra de Jeová veio a Jeú, filho de Hanani, contra Baasa, dizendo:

2. Porquanto te exaltei do pó, e te constituí príncipe sobre o meu povo de Israel, e tens andado no caminho de Jeroboão, e tens feito o meu povo de Israel pecar, para me provocar à ira com os seus pecados;

3. eis que hei de exterminar a Baasa e a sua casa e hei de fazer a tua casa como a casa de Jeroboão, filho de Nebate.

4. Quem morrer a Baasa na cidade, comê-lo-ão os cães; e quem lhe morrer no campo, comê-lo-ão as aves do céu.

5. Ora, o restante dos atos de Baasa, e o que ele fez, e a sua força, não estão, porventura, escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?

6. Baasa adormeceu com seus pais, e foi sepultado em Tirza. Em seu lugar reinou seu filho Elá.

7. Além disso veio por intermédio do profeta Jeú, filho de Hanani, a palavra de Jeová contra Baasa, e contra a sua casa, não somente por causa de todo o mal que ele fez à vista de Jeová, para o provocar à ira com a obra das suas mãos, fazendo-se como a casa de Jeroboão, mas também porque matou a Jeroboão.

8. No vigésimo sexto ano de Asa, rei de Judá, começou Elá, filho de Baasa, a reinar sobre Israel em Tirza, e reinou dois anos.

9. Conspirou contra ele o seu servo Zinri, comandante da metade dos seus carros. Achava-se Elá em Tirza embebedando-se na casa de Arsa, que era seu mordomo em Tirza.

10. Entrou Zinri e o feriu, e o matou no ano vigésimo sétimo de Asa, rei de Judá, e reinou em lugar dele.

11. Quando ele começou a reinar, logo que se assentou no seu trono, feriu a toda a casa de Baasa, sem deixar a este um só homem, nem dos seus parentes nem dos seus amigos.

12. Assim extinguiu Zinri toda a casa de Baasa, conforme a palavra que Jeová falou contra Baasa por intermédio do profeta Jeú,

13. por causa de todos os pecados de Baasa, e dos pecados de seu filho Elá, que eles cometeram, e pelos que fizeram Israel pecar, irritando com as suas vaidades a Jeová, Deus de Israel.

14. Ora, o restante dos atos de Elá, e tudo o que ele fez, não estão, porventura, escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?

15. No vigésimo sétimo ano de Asa, rei de Judá, reinou Zinri sete dias em Tirza. O povo estava acampado contra Gibetom, que pertencia aos filisteus.

16. O povo que estava acampado ouviu dizer: Zinri acaba de conspirar contra o rei e de matá-lo. Pelo que naquele dia, no arraial, todo o Israel constituiu rei sobre Israel a Onri, general do exército.

17. Subiu de Gibetom Onri com todo o Israel, e sitiaram a Tirza.

18. Vendo Zinri que a cidade era tomada, entrou no castelo da casa do rei, e queimou-a sobre si, e morreu,

19. por causa dos pecados que cometeu, fazendo o mal à vista de Jeová, andando no caminho de Jeroboão, e no pecado que este cometeu, para fazer Israel pecar.

20. Ora, o restante dos atos de Zinri, e a traição que praticou, não estão, porventura, escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?

21. Então se dividiu o povo de Israel em dois partidos: metade do povo seguia a Tibni, filho de Ginate, para o constituir rei; e outra metade seguia a Onri.

22. O povo, porém, que seguia a Onri prevaleceu contra o que seguia a Tibni, filho de Ginate. Assim morreu Tibni, e reinou Onri.

23. No trigésimo primeiro ano de Asa, rei de Judá, começou Onri a reinar sobre Israel, e reinou doze anos. Em Tirza reinou seis anos.

24. Comprou de Semer o outeiro de Samaria por dois talentos de prata; edificou no outeiro, e chamou a cidade que edificou Samaria, do nome de Semer, senhor do outeiro.

25. Fez Onri o mal à vista de Jeová, e procedeu mais perversamente do que todos os que foram antes dele.

26. Pois ele andou em todos os caminhos de Jeroboão, filho de Nebate, e em todos os pecados, com que este fizera Israel pecar, para irritar com suas vaidades a Jeová, Deus de Israel.

27. Ora, o restante dos atos que Onri fez, e o poder que manifestou, não estão, porventura, escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?

28. Onri adormeceu com seus pais, e foi sepultado em Samaria. Em seu lugar reinou seu filho Acabe.

29. No trigésimo oitavo ano de Asa, rei de Judá, começou Acabe, filho de Onri, a reinar sobre Israel; e reinou sobre Israel em Samaria vinte e dois anos.

30. Acabe, filho de Onri, fez o mal à vista de Jeová mais do que todos os que foram antes dele.

31. Como se fora cousa de somenos importância andar ele nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos Sidônios, e foi e serviu a Baal, e o adorou.

32. Levantou um altar para Baal na casa de Baal, que ele tinha edificado em Samaria.

33. Também fabricou Acabe a Asera, e fez muito mais para irritar a Jeová, Deus de Israel, do que todos os reis de Israel que foram antes dele.

34. Foi em seus dias que Hiel betelita edificou a Jericó: quando lançou os seus aliceres, morreu-lhe Abirão, seu primogênito; e quando colocou as suas portas, morreu-lhe Segube, seu filho mais moço; conforme a palavra que Jeová falou por intermédio de Josué, filho de Num.

1. Elias tisbita, que era dos que peregrinavam em Gileade, disse a Acabe: Pela vida de Jeová, Deus de Israel, em cuja presença estou, não haverá neste ano nem orvalho nem chuva, senão conforme a minha palavra.

2. Veio a ele a palavra de Jeová, dizendo:

3. Retira-te daqui, vai para a banda do Oriente, e esconde-te junto da torrente de Querite, que está defronte do Jordão.

4. Beberás da torrente; eu ordenei aos corvos que te sustentem ali mesmo.

5. Partiu e fez conforme a ordem de Jeová, porque foi e habitou junto da torrente de Querite, que está defronte do Jordão.

6. Os corvos traziam-lhe pela manhã pão e carne, também de tarde pão e carne; e ele bebia da torrente.

7. Mas passados dias, secou a torrente, porque não chovia sobre a terra.

8. Veio-lhe a palavra de Jeová, dizendo:

9. Levanta-te, vai para Sarepta, que pertence a Sidom, e ali habita. Eis que ordenei ali a uma mulher viúva que te sustente.

10. Levantou-se e foi para Sarepta. Quando chegou à porta da cidade, estava ali uma mulher viúva apanhando lenha; ele a chamou e lhe disse: Traze-me num vaso um pouco de água para eu beber.

11. Indo ela a trazê-la, ele a chamou e lhe disse: Traze-me também um bocado de pão na tua mão.

12. Ela respondeu: Pela vida de Jeová teu Deus não tenho pão, senão somente um punhado de farinha no vaso e um pouco de azeite na almotolia. Eis que ando apanhando uns gravetos para ir prepará-lo para mim e para meu filho, a fim de que o comamos, e morramos.

13. Elias disse-lhe: Não temas, vai e faze como disseste; mas primeiro faze dele para mim um pãozinho, e traze-mo cá fora; para ti e para teu filho o farás depois.

14. Porque assim diz Jeová, Deus de Israel: A farinha que está no vaso não se acabará, nem o azeite da almotolia faltará, até o dia em que Jeová faça cair chuva sobre a terra.

15. Ela foi e fez conforme a palavra de Elias; comeram ele, e ela e sua casa muitos dias.

16. A farinha não se acabou no vaso, nem o azeite faltou na almotolia, conforme a palavra que Jeová falou por meio de Elias.

17. Depois destas cousas adoeceu o filho da mulher, dona da casa, e a sua doença foi tão grave, que não lhe ficou mais fôlego.

18. Então disse ela a Elias: Que tenho eu contigo, ó homem de Deus? vieste a mim para trazeres à memória o meu pecado, e para matares a meu filho!

19. Ele lhe disse: Dá-me teu filho. Tomou-o do seu regaço, e levou-o para cima à câmara, onde ele mesmo assistia, e pô-lo em cima do seu leito.

20. Clamou a Jeová, e disse: Ó Jeová, meu Deus, trouxeste também o mal sobre a viúva, em cuja casa assisto, matando-lhe o filho?

21. Estendeu-se sobre o menino três vezes, e clamou a Jeová e disse: Ó Jeová, meu Deus, faze que a alma deste menino torne a entrar nele.

22. Jeová ouviu a voz de Elias, e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu.

23. Elias tomou o menino e desceu-o da sua câmara à casa, e entregou-o à sua mãe e disse: Vê, teu filho vive.

24. Então disse a mulher a Elias: Agora sei que tu és um homem de Deus, e que a palavra de Jeová na tua boca é verdade.

1. Passados muitos dias veio a palavra de Jeová a Elias no terceiro ano, dizendo: Vai mostrar-te a Acabe; e farei cair chuva sobre a terra.

2. Partiu Elias a se mostrar a Acabe. A fome era extrema em Samaria.

3. Acabe chamou a Obadias, que estava sobre a sua casa (Ora Obadias temia muito a Jeová,

4. porque quando Jezabel exterminava os profetas de Jeová, tomou Obadias cem profetas, e os escondeu cinqüenta numa caverna e cinqüenta na outra e os sustentou de pão e água).

5. Disse Acabe a Obadias: Vai pela terra a todas as fontes de água e a todas as torrentes; talvez possamos achar erva e salvar a vida aos cavalos e machos, de maneira que não percamos todos os animais.

6. Repartiram entre si a terra, para a percorrerem; Acabe foi sozinho por um caminho, e Obadias foi sozinho por outro caminho.

7. Quando Obadias estava em caminho, eis que Elias se encontrou com ele. Obadias, reconhecendo-o, prostrou-se com o rosto em terra e disse: És tu, meu senhor Elias?

8. Ele respondeu: Sou eu; vai, dize ao teu senhor: Eis aqui está Elias.

9. Ele disse: Em que pequei, para que tu entregues o teu servo nas mãos de Acabe, para ele me matar?

10. Pela vida de Jeová teu Deus que não há nação nem reino, aonde o meu senhor não tenha enviado em busca de ti, e dizendo eles: Não está aqui; fazia ele jurar a nação e o reino que não te haviam achado.

11. Agora tu dizes: Vai, dize ao teu senhor: Eis aqui está Elias.

12. Logo que eu me apartar de ti, levar-te-á o espírito de Jeová para um lugar que ignoro; quando eu vier e o disser a Acabe, e ele não te puder achar, tirar-me-á a vida. Porém, eu, teu servo, temo a Jeová desde a minha mocidade.

13. Acaso não se te disse o que fiz quando Jezabel matava os profetas de Jeová, a saber, como escondi cem dos profetas de Jeová, cinqüenta numa caverna e cinqüenta na outra, e os sustentei de pão e água?

14. Agora dizes tu: Vai, dize ao teu senhor: Eis aqui está Elias. Ele me matará.

15. Elias disse: Pela vida de Jeová em cuja presença estou, hoje mesmo me hei de mostrar a ele.

16. Foi Obadias encontrar-se com Acabe, e avisou-o; e foi Acabe ter com Elias.

17. Vendo-o, disse-lhe: És tu, ó perturbador de Israel?

18. Respondeu Elias: Eu não tenho perturbado a Israel; mas tu e a casa de teu pai, por terdes deixado os mandamentos de Jeová, e por teres tu seguido os Baalins.

19. Agora envia e ajunta a mim todo o Israel no monte Carmelo e os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas da Asera, que comem da mesa de Jezabel.

20. Acabe enviou a todos os filhos de Israel, e ajuntou os profetas no monte Carmelo.

21. Elias, chegando-se a todo o povo, disse: Até quando claudicareis para duas partes? se Jeová é Deus, segui-o; se, porém, Baal o é, segui-o. O povo não lhe respondeu palavra.

22. Então disse Elias ao povo: Eu sou o único que fiquei dos profetas de Jeová, mas os profetas de Baal são quatrocentos e cinqüenta homens.

23. Dêem-se-nos, portanto, dois novilhos; escolham eles para si um novilho, e dividindo-o em pedaços, o ponham sobre a lenha, porém não metam fogo por baixo; eu prepararei o outro novilho, e pô-lo-ei sobre a lenha, porém não meterei fogo por baixo.

24. Invocai vós o nome do vosso deus, e eu invocarei o nome de Jeová; o Deus que responder por meio do fogo, seja esse o Deus. Todo o povo, respondendo, disse: É boa a proposta.

25. Disse Elias aos profetas de Baal: Escolhei para vós um novilho, e preparai-o primeiro, porque sois muitos, invocai o nome do vosso deus, e não metais fogo por baixo.

26. Tendo eles tomado o novilho que lhes fora dado, prepararam-no, e invocaram o nome de Baal desde a manhã até o meio dia, dizendo: Baal, responde-nos. Porém não havia voz, nem havia quem respondesse. Rodeavam manquejando o altar que se tinha feito.

27. Ao meio dia Elias zombava deles, e dizia: Gritai em altas vozes, pois ele é um deus; ou está meditando, ou está em retiro, ou está em viagem, ou porventura está dormindo, e necessita que o acordem.

28. Clamavam em altas vozes, e segundo o seu costume se retalhavam com facas e lancetas, até sair-lhes sangue.

29. Passado o meio dia, profetizavam até o tempo de se oferecer a oblação da tarde; porém não havia voz, nem havia quem respondesse, nem atendesse.

30. Então disse Elias a todo o povo: Chegai-vos a mim. Chegou-se a ele todo o povo. Elias consertou o altar de Jeová, que tinha sido derrubado.

31. Tomou doze pedras, conforme o número das tribos dos filhos de Jacó, a quem viera a palavra de Jeová, dizendo: Israel será o teu nome.

32. Com as pedras edificou um altar ao nome de Jeová; e fez um sulco capaz de conter duas medidas de semente ao redor do altar.

33. Dispôs a lenha, dividiu o novilho em pedaços e pô-lo sobre a lenha. Ele disse: Enchei de água quatro talhas, e entornai-a sobre o holocausto e sobre a lenha.

34. Disse ainda: Fazei-o segunda vez; e fizeram-no segunda vez. De novo disse: Fazei-o terceira vez; e fizeram-no terceira vez.

35. A água corria ao redor do altar; ele encheu também de água o sulco.

36. Sendo já o tempo de se oferecer a oblação da tarde, chegou-se Elias e disse: Ó Jeová, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, seja manifestado hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que por tua ordem tenho feito todas estas cousas.

37. Responde-me, Jeová, responde-me para que este povo conheça que tu, Jeová, és Deus, porque fizeste voltar para trás o seu coração.

38. Caiu o fogo de Jeová, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e sorveu a água que estava no sulco.

39. O que tendo visto todo o povo, prostraram-se com o rosto em terra e disseram: Jeová é o Deus; Jeová é o Deus.

40. Disse-lhes Elias: Agarrai os profetas de Baal; que nenhum deles escape. Agarraram-nos. Elias fê-los descer à torrente de Quisom, e ali os matou.

41. Disse Elias a Acabe: Sobe, come e bebe, porque se ouve o ruído duma grande chuva.

42. Subiu Acabe a comer e a beber. Elias subiu ao cume do Carmelo e, inclinado por terra, meteu o rosto entre os joelhos.

43. Disse ao seu criado: Sobe agora, e olha para a banda do mar. Subiu, olhou e disse: Não há nada. Elias disse-lhe: Torna a ir sete vezes.

44. À sétima vez, disse: Eis que se levanta do mar uma nuvem, ao tamanho da mão dum homem. Disse-lhe Elias: Sobe, e dize a Acabe: Manda aprontar o teu carro, e desce, para que a chuva não te impeça de o fazer.

45. Em pouco tempo o céu enegreceu de nuvens e de vento, e caiu uma grande chuva. Acabe subiu ao carro, e foi para Jezreel.

46. A mão de Jeová foi sobre Elias, que cingiu os lombos, e correu adiante de Acabe até a entrada de Jezreel.

1. Referiu Acabe a Jezabel tudo o que Elias havia feito, e como matara todos os profetas à espada.

2. Jezabel enviou um mensageiro a Elias a dizer-lhe: Assim me façam os deuses e ainda mais, se eu amanhã a esta hora não fizer à tua vida o que fizeste à deles.

3. O que vendo, levantou-se e, para conservar a vida, foi-se e chegou a Berseba, que pertence a Judá, e ali deixou o seu criado.

4. Ele, porém, andou pelo deserto o caminho dum dia, e veio e se assentou debaixo dum junípero; pediu para si a morte, e disse: Basta; tira, Jeová, a minha vida, porque eu não sou melhor do que meus pais.

5. Deitou-se e dormiu debaixo de um junípero; eis que um anjo o tocou, e lhe disse: Levanta-te e come.

6. Olhou ele, e viu junto à cabeça um pão cozido sobre as brasas, e uma botija de água. Comeu e bebeu e tornou a deitar-se.

7. Voltou segunda vez o anjo de Jeová, e tocou-o e disse-lhe: Levanta-te e come, porque a viagem é demasiado longa para ti.

8. Levantou-se, comeu e bebeu, e com a força daquela comida caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus.

9. Entrou ali numa caverna, onde pousou. Eis que lhe veio a palavra de Jeová, e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?

10. Ele respondeu: Tenho sido zeloso por Jeová, Deus dos exércitos; porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derrubaram os teus altares e mataram à espada os teus profetas; eu, somente eu, fiquei, e procuram tirar-me a vida.

11. Foi-lhe dito: Sai para fora, e põe-te no monte diante de Jeová. Eis que passava Jeová, e um grande e forte vento fendia os montes e esmigalhava as penhas diante dele, porém, Jeová não estava no vento; depois do vento um terremoto, porém, Jeová não estava no terremoto;

12. depois do terremoto um fogo, porém, Jeová não estava no fogo; e depois do fogo uma voz dum suave silêncio.

13. Ouvindo-a Elias, envolveu o rosto na sua capa e saindo para fora, pôs-se à entrada da caverna. Eis que lhe veio uma voz e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?

14. Ele respondeu: Tenho sido zeloso por Jeová, Deus de Israel, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derrubaram os teus altares e mataram à espada os teus profetas; eu, somente eu, fiquei, e procuram tirar-me a vida.

15. Disse-lhe Jeová: Vai, torna ao teu caminho pelo deserto de Damasco; quando lá chegares, ungirás a Hazael em rei sobre a Síria.

16. A Jeú, filho de Ninsi, ungi-lo-ás rei sobre Israel; e a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungi-lo-ás para ser profeta em teu lugar.

17. Quem escapar da espada de Hazael, Jeú o matará; e quem escapar da espada de Jeú, Eliseu o matará.

18. Todavia hei de reservar para mim sete mil em Israel: todos os joelhos que se não dobraram a Baal, e toda a boca que o não beijou.

19. Partiu dali Elias e achou Eliseu, filho de Safate, que andava lavrando com doze juntas de bois à sua frente, estando ele com a duodécima; chegando-se Elias a Eliseu, lançou a sua capa sobre ele.

20. Deixando este os bois, correu após Elias e disse: Permite-me beijar a meu pai e a minha mãe, e então te seguirei. Elias respondeu-lhe: Torna a voltar, pois que te fiz eu?

21. Voltou Eliseu de seguir a Elias, tomou a junta de bois, e matou-os, e com os aparelhos dos bois cozeu as carnes, e deu-as ao povo, e comeram. Então se levantou, seguiu a Elias e o servia.

1. Ben-Hadade, rei da Síria, ajuntou todo o seu exército; e havia com ele trinta e dois reis, e cavalos e carros. Subindo, sitiou a Samaria, e pelejou contra ela.

2. Enviou mensageiros a Acabe, rei de Israel, na cidade, e disse-lhe: Assim diz Ben-Hadade:

3. A tua prata e o teu ouro é meu; também o melhor de tuas mulheres e filhos é meu.

4. O rei de Israel respondeu: É conforme a tua palavra, ó rei meu senhor; eu sou teu, e tudo o que tenho.

5. Voltaram os mensageiros e disseram: Assim diz Ben-Hadade: Enviei-te, na verdade, mensageiros que dissessem: Tu me hás de entregar a tua prata, e o teu ouro, e tuas mulheres, e teus filhos.

6. Amanhã a estas horas te enviarei os meus servos, que esquadrinharão a tua casa, e as casas dos teus servos; meterão as mãos em tudo o que tens de precioso, e o levarão.

7. O rei de Israel chamou todos os anciãos da terra e disse-lhes: Notai e vede como este homem procura o mal; pois me mandou pedir minhas mulheres, meus filhos, a minha prata e o meu ouro; e não lhos neguei a ele.

8. Todos os anciãos e todo o povo lhe disseram: Não ouças nem consintas.

9. Pelo que disse aos mensageiros de Ben-Hadade: Dizei ao rei meu senhor: Farei tudo o que mandaste pedir no princípio ao teu servo; mas esta cousa não a posso fazer. Foram-se os mensageiros, e referiram-lhe a resposta.

10. Ben-Hadade tornou a enviar-lhe mensageiros, e disse-lhe: Assim me façam os deuses e ainda mais, se o pó de Samaria bastar para encher as mãos de todo o povo que me segue.

11. O rei de Israel respondeu: Dizei-lhe: Não se vanglorie quem veste as armas como quem as depõe.

12. Quando Ben-Hadade ouviu esta resposta, estando bebendo com os reis nas tendas, disse aos seus servos: Ponde-vos de prontidão. Puseram-se de prontidão contra a cidade.

13. Eis que um profeta, chegando-se a Acabe, rei de Israel, lhe disse: Assim diz Jeová: Vês toda esta grande multidão? pois hoje a entregarei nas tuas mãos, e saberás que eu sou Jeová.

14. Perguntou Acabe: Por quem? Ele respondeu: Assim diz Jeová: Pelos servos dos príncipes das províncias. Acabe perguntou: Quem começará a batalha? Respondeu ele: Tu.

15. Então fez revista dos servos dos príncipes das províncias, e eram duzentos e trinta e dois; depois deles fez revista de todo o povo, a saber, dos filhos de Israel, e eram sete mil.

16. Saíram ao meio dia. Ben-Hadade, porém, estava bebendo e embriagando-se nas tendas com os trinta e dois reis que o ajudavam.

17. Saíram primeiro os servos dos príncipes das províncias; e Ben-Hadade enviou espias, que lhe vieram dizer: São homens que saíram de Samaria.

18. Ele disse: Ou eles venham tratar de paz, tomai-os vivos; ou venham pelejar, tomai-os vivos.

19. Os servos dos príncipes das províncias, e o exército que os seguia, saíram da cidade.

20. Eles feriram, cada um ao que se lhe opunha; e os siros fugiram, e Israel os perseguiu. Ben-Hadade, rei da Síria, escapou a cavalo com cavaleiros.

21. Saiu o rei de Israel, e feriu os cavalos e os carros, fazendo nos siros grande matança.

22. Então o profeta se chegou ao rei de Israel, e lhe disse: Vai, fortifica- te, considera e vê o que fazes; porque daqui há um ano subirá o rei da Síria contra ti.

23. Os servos do rei da Síria disseram-lhe: O seu Deus é Deus de montes: por isso eram mais fortes do que nós; mas pelejemos contra eles em planície, e com certeza seremos mais fortes do que eles.

24. Faze isto: tira os reis, cada um do seu lugar, e substitui-os por capitães,

25. e forma um exército igual em número ao que perdeste, cavalo por cavalo, e carro por carro. Pelejaremos contra eles em planície, e com certeza seremos mais fortes do que eles. Ele deu ouvidos ao que disseram, e assim o fez.

26. Passado um ano, fez Ben-Hadade revista dos siros, e subiu a Afeque para pelejar contra Israel.

27. Também dos filhos de Israel se fez revista, e foram providos de víveres, e marcharam contra eles. Os filhos de Israel acamparam-se em frente deles, como dois pequenos rebanhos de cabritos; os siros, porém, enchiam a terra.

28. Chegou um homem de Deus, e disse ao rei de Israel: Assim diz Jeová: Porque os Siros disseram: Jeová é deus de montes, e não é deus de vales, portanto entregarei toda esta grande multidão nas tuas mãos, e sabereis que eu sou Jeová.

29. Estiveram acampados sete dias uns em frente de outros. Ao sétimo dia deu-se batalha, e os filhos de Israel num dia mataram dos Siros cerca de cem mil homens de pé.

30. Os restantes, porém, fugiram para Afeque, e entraram na cidade; e caiu o muro sobre vinte e sete mil homens que restavam. Ben-Hadade fugiu, entrou na cidade e meteu-se numa câmara interior.

31. Disseram-lhe os servos: Eis que temos ouvido dizer que os reis da casa de Israel são clementes; ponhamos, pois, sacos sobre os lombos, e cordas à roda das cabeças, e saiamos a ter com o rei de Israel; talvez ele te salve a vida.

32. Cingiram-se de sacos pelos lombos, puseram cordas à roda das cabeças e, indo ter com o rei de Israel, disseram: Diz o teu servo Ben-Hadade: Concede-me a vida. O rei de Israel disse: Vive ele ainda? ele é meu irmão.

33. Ora os homens observavam atenciosamente, e logo se apoderaram da expressão que tinha usado; e disseram: Teu irmão Ben-Hadade! Ele disse: Ide, trazei-mo. Ben-Hadade saiu a ter com ele; e ele o fez subir ao carro.

34. Ben-Hadade disse-lhe: Restituirei a ti as cidades que meu pai tomou a teu pai; e farás para ti ruas em Damasco, como meu pai as fez em Samaria. Eu, disse Acabe, feita esta aliança, te deixarei ir. Fez a aliança com ele, e o deixou ir.

35. Ora, certo homem dentre os filhos dos profetas disse, por ordem de Jeová, ao seu companheiro: Fere-me, te peço. O homem recusou feri-lo.

36. Ele lhe disse: Porquanto não obedeceste a voz de Jeová, eis que, em te apartando de mim, te matará um leão. Logo que dele se apartara, um leão o encontrou e matou.

37. Tendo ele encontrado outro homem, disse-lhe: Fere-me, te peço. O homem o bateu e feriu.

38. Partiu o profeta, ficou esperando ao rei no caminho e disfarçou-se, cobrindo os olhos com o seu turbante.

39. Ao passar o rei, gritou e disse: O teu servo estava no meio da peleja; eis um homem, voltando-se, me trouxe outro homem, e disse: Guarda-me este homem; se ele vier de qualquer maneira a faltar, a tua vida responderá pela vida dele, ou senão pagarás um talento de prata.

40. Estando o teu servo ocupado na peleja de uma e outra parte, ele desapareceu. Respondeu-lhe o rei de Israel: Esta será a tua sentença; tu mesmo a pronunciaste.

41. Ele se apressou, e tirou de sobre os olhos o turbante; e o rei de Israel reconheceu que era um dos profetas.

42. Ele lhe disse: Assim diz Jeová: Porquanto deixaste escapar da tua mão o homem que eu havia votado à destruição, portanto a tua vida responderá pela vida dele, e o teu povo pelo povo dele.

43. Foi-se o rei de Israel, desgostoso e indignado, para sua casa, e veio para Samaria.

1. Sucedeu depois destas cousas que Nabote jezreelita tinha uma vinha, que estava em Jezreel, perto do palácio de Acabe, rei de Samaria.

2. Acabe disse a Nabote: Dá-me a tua vinha, para que me sirva de horta, pois está perto da minha casa. Dar-te-ei por ela uma vinha melhor: ou, se for do teu agrado, dar-te-ei em dinheiro o que ela vale.

3. Respondeu Nabote a Acabe: Deus me guarde de que eu te dê a herança de meus pais.

4. Veio Acabe para sua casa desgostoso e indignado, por causa da palavra que Nabote jezreelita lhe falara; pois este lhe dissera: Não te darei a herança de meus pais. Tendo-se deitado na sua cama, voltou o rosto, e não quis comer.

5. Porém Jezabel, sua mulher, veio ter com ele, e lhe disse: Por que está o teu espírito tão desgostoso, que não comes pão?

6. Ele lhe respondeu: Porque falei a Nabote jezreelita, e lhe disse: Dá me por dinheiro a tua vinha, ou, se te apraz, te darei por ela outra vinha; e ele respondeu: Não te darei a minha vinha.

7. Disse-lhe Jezabel, sua mulher: És tu mesmo que estás governando agora o reino de Israel! levanta-te, come e seja alegre o teu coração; eu te darei a vinha de Nabote jezreelita.

8. Escreveu ela cartas em nome de Acabe e, selando-as com o selo dele, enviou as cartas aos anciãos e aos nobres que havia na cidade, e habitavam com Nabote.

9. Eis o que escreveu nas cartas: Proclamai um jejum, e dai a Nabote um lugar proeminente entre o povo;

10. ponde defronte dele dois homens, filhos de Belial, que testemunhem contra ele, dizendo: Amaldiçoaste a Deus e ao rei. Depois levai-o para fora, e apedrejai-o, até que morra.

11. Os homens da cidade dele, os anciãos e os nobres que nela habitavam, fizeram como Jezabel lhes ordenara, conforme estava escrito nas cartas que ela lhes enviara.

12. Proclamaram um jejum, e deram a Nabote um lugar proeminente entre o povo.

13. Entraram os dois homens, filhos de Belial, e sentaram-se defronte dele. Estes homens de Belial deram testemunho contra Nabote na presença do povo, dizendo: Nabote amaldiçoou a Deus e ao rei. Então o levaram para fora da cidade e o apedrejaram, de sorte que morreu.

14. Depois mandaram dizer a Jezabel: Nabote foi apedrejado e morreu.

15. Tendo Jezabel ouvido que Nabote fora apedrejado e morrera, disse a Acabe: Levanta-te e toma posse da vinha que Nabote jezreelita recusou dar-te por dinheiro; pois Nabote já não vive, mas é morto.

16. Tendo Acabe ouvido que Nabote era morto, levantou-se para descer à vinha de Nabote jezreelita, a fim de tomar posse dela.

17. A palavra de Jeová veio a Elias tesbita, dizendo:

18. Levanta-te, desce para te encontrar com Acabe, rei de Israel, que habita em Samaria. Eis que está na vinha de Nabote, aonde desceu para tomar posse dela.

19. Falar-lhe-ás, dizendo: Assim diz Jeová: Mataste e ainda por cima te apoderaste da vinha? Dir-lhe-ás: Assim diz Jeová: No lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabote, lamberão os cães o teu próprio sangue.

20. Acabe perguntou a Elias: Achaste-me, ó meu inimigo? Respondeu ele: Achei-te; porquanto te vendeste para fazeres o mal aos olhos de Jeová.

21. Eis que trarei o mal sobre ti, e te arruinarei, e exterminarei de Acabe todo o homem, tanto escravo como livre, em Israel.

22. Farei a tua casa como a casa de Jeroboão, filho de Nebate, e como a casa de Baasa, filho de Aías, por causa da provocação, com que me irritaste e fizeste pecar a Israel.

23. Também de Jezabel falou Jeová: Os cães comerão a Jezabel junto à muralha de Jezreel.

24. Quem morrer a Acabe na cidade, comê-lo-ão os cães; e quem lhe morrer no campo, comê-lo-ão as aves do céu

25. (Não houve, porém, ninguém como Acabe, que se vendeu para fazer o que era mau aos olhos de Jeová, sendo instigado por sua mulher Jezabel.

26. Procedeu mui perversamente, seguindo a ídolos, conforme tudo o que fizeram os amorreus, aos quais Jeová desapossou diante dos filhos de Israel).

27. Tendo Acabe ouvido estas palavras, rasgou os seus vestidos, cobriu de saco a sua carne e jejuou; deitava-se em saco, e andava humildemente.

28. Então veio a palavra de Jeová a Elias tesbita, dizendo:

29. Estás vendo como Acabe se humilha diante de mim? Porque se humilha diante de mim, não trarei o mal nos seus dias; mas nos dias de seu filho trarei o mal sobre a sua casa.

1. Passaram-se três anos sem haver guerra entre a Síria e Israel.

2. No terceiro ano, porém, desceu Josafá, rei de Judá, a ter com o rei de Israel.

3. Disse o rei de Israel aos seus servos: Não sabeis vós que Ramote-Gileade é nossa, e nós ficamos quietos e não a tiramos das mãos do rei da Síria?

4. Perguntou a Josafá: Virás comigo à guerra contra Ramote-Gileade? Respondeu Josafá ao rei de Israel: Como tu és, sou eu, o meu povo como o teu povo, os meus cavalos como os teus cavalos.

5. Disse Josafá ao rei de Israel: Consulta a palavra de Jeová.

6. O rei de Israel ajuntou os profetas, cerca de quatrocentos homens, e perguntou-lhes: Irei à peleja contra Ramote-Gileade, ou deixarei de ir? Responderam eles: Sobe, porque Jeová a entregará nas mãos do rei.

7. Mas Josafá disse: Não há aqui ainda algum profeta de Jeová para o consultarmos?

8. O rei de Israel respondeu a Josafá: Ainda há um homem por quem podemos consultar a Jeová, Micaías, filho de Inlá. Eu, porém, o aborreço, porque ele não profetiza acerca de mim o bem, mas o mal. Josafá disse: Não fale assim o rei.

9. Chamou o rei de Israel a um oficial, e disse: Traze-me aqui depressa a Micaías, filho de Inlá.

10. Ora, o rei de Israel e Josafá, rei de Judá, estavam sentados, cada um no seu trono, vestidos de trajes reais, numa eira à entrada da porta de Samaria; e todos os profetas profetizavam diante deles.

11. Zedequias, filho de Quenaaná, fez para si uns chifres de ferro, e disse: Assim diz Jeová: Com estes repelirás os siros, até serem eles consumidos.

12. Todos os profetas profetizavam da mesma maneira, dizendo: Sobe a Ramote-Gileade, e sê bem sucedido; porque Jeová a entregará nas mãos do rei.

13. O mensageiro que foi chamar a Micaías, disse-lhe: Eis que agora as palavras dos profetas declaram, a uma voz, boas cousas ao rei; seja, pois, a tua palavra como a dum deles, e fala tu o que é bom.

14. Respondeu Micaías: Pela vida de Jeová, o que Jeová me disser, isso falarei.

15. Tendo ele chegado ao rei, perguntou-lhe este: Micaías, iremos à peleja contra Ramote-Gileade, ou deixaremos de ir? Ele lhe respondeu: Sobe, e sê bem sucedido, que Jeová a entregará nas mãos do rei.

16. O rei disse-lhe: Quantas vezes te hei de conjurar que não me fales em nome de Jeová senão a verdade?

17. Então disse ele: Vi todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não têm pastor; e Jeová disse: Estes não têm senhor; torne cada um em paz para sua casa.

18. Disse o rei de Israel a Josafá: Não te disse eu que ele não profetizaria acerca de mim o bem, mas o mal?

19. Micaías prosseguiu: Ouve, portanto, a palavra de Jeová: Vi a Jeová sentado no seu trono, e todo o exército do céu em pé junto a ele à sua mão direita e à sua esquerda.

20. Perguntou Jeová: Quem enganará a Acabe, para que suba e caia em Ramote-Gileade? Um disse uma cousa, e outro outra.

21. Saiu um espírito, apresentou-se diante de Jeová e disse: Eu o enganarei.

22. Perguntou-lhe Jeová: Como? Respondeu ele: Sairei e serei um espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas. Disse Jeová: Tu o enganarás, e virás a prevalecer; sai e faze-o assim.

23. Agora eis que Jeová pôs um espírito mentiroso na boca de todos estes teus profetas; e Jeová pronunciou o mal a respeito de ti.

24. Chegou-se Zedequias, filho de Quenaaná, e feriu a Micaías no queixo, e disse: Por onde saiu de mim o espírito de Jeová para falar a ti?

25. Micaías disse: Tu o verás naquele dia, em que entrares numa câmara interior para te esconderes.

26. Disse o rei de Israel: Tomai a Micaías, e levai-o a Amom, governador da cidade, e a Joás, filho do rei;

27. e dizei: Assim diz o rei: Metei este homem na cadeia, e sustentai-o com pão e água de angústia, até que eu volte em paz.

28. Micaías disse: Se, na verdade, voltares em paz, não falou Jeová por meio de mim. Acrescentou: Ouvi, povos, todos vós.

29. Subiram o rei de Israel e Josafá, rei de Judá, a Ramote-Gileade.

30. O rei de Israel disse a Josafá: Eu me disfarçarei e entrarei na peleja; porém veste tu os teus vestidos. Disfarçou-se o rei de Israel e entrou na peleja.

31. Ora, o rei da Síria tinha ordenado aos trinta e dois capitães dos seus carros, dizendo: Não pelejeis nem contra pequeno nem contra grande, mas tão somente contra o rei de Israel.

32. Quando os capitães dos carros viram a Josafá, disseram: Sem dúvida este é o rei de Israel. Desviaram-se para pelejar contra ele: e Josafá gritou.

33. Vendo os capitães dos carros que ele não era o rei de Israel, voltaram deixando de persegui-lo.

34. Um homem armou o seu arco ao acaso, e feriu ao rei de Israel por entre as juntas da sua armadura; pelo que ele disse a quem lhe guiava o carro: Dá volta, leva-me para fora do exército, porque estou gravemente ferido.

35. A peleja tornou-se renhida naquele dia. O rei foi sustido no seu carro contra os Siros, e à tarde morreu. O sangue corria da ferida para o fundo do carro.

36. Ao por do sol percorreu pelas hostes a palavra: Cada um para a sua cidade e cada um para a sua terra.

37. Morreu o rei, e foi levado a Samaria, onde o enterraram.

38. Lavaram o carro junto ao tanque de Samaria, e os cães lamberam-lhe o sangue (ora as prostitutas ali se banhavam), segundo a palavra que Jeová proferiu.

39. O restante dos atos de Acabe, e tudo o que ele fez, e a casa de marfim que construiu, e todas as cidades que edificou, porventura não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?

40. Assim adormeceu Acabe com seus pais. Em seu lugar reinou Acazias, seu filho.

41. Josafá, filho de Asa, começou a reinar sobre Judá no quarto ano de Acabe, rei de Israel.

42. Josafá tinha trinta e cinco anos, quando começou a reinar, e reinou vinte e cinco anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Azuba, filha de Sili.

43. Ele andou em todo o caminho de Asa, seu pai; dele não se desviou, fazendo o que era bom aos olhos de Jeová.

44. Todavia não se tiraram os altos; o povo ainda oferecia sacrifícios e queimava incenso nos altos.

45. Josafá fez paz com o rei de Israel.

46. Ora o restante dos atos de Josafá, e o poder que manifestou, e como guerreou, porventura não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?

47. O restante dos sodomitas que ficaram nos dias de seu pai Asa, expeliu-o da terra.

48. Não havia rei em Edom, porém um vice-rei.

49. Josafá fez navios de Társis para irem a Ofir em busca de ouro; mas não foram, porque os navios se destroçaram em Eziom-Geber.

50. Então disse Acazias, filho de Acabe, a Josafá: Vão os meus servos embarcados com os teus. Mas Josafá não quis.

51. Adormeceu Josafá com seus pais, e foi enterrado com eles na cidade de seu pai Davi. Em seu lugar reinou seu filho Jorão.

52. Acazias, filho de Acabe, começou a reinar sobre Israel em Samaria no ano dezessete de Josafá, rei de Judá, e reinou sobre Israel dois anos.

53. Ele fez o mal aos olhos de Jeová, e andou no caminho de seu pai, e no caminho de sua mãe, e no caminho de Jeroboão, filho de Nebate, pelo qual fez pecar a Israel.

54. Ele serviu a Baal, e o adorou, e provocou à ira a Jeová, Deus de Israel, segundo tudo o que seu pai havia feito.

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Este lívro compôe o Antigo Testamento, tem 22 capítulos, e 817 versículos.