2 Samuel

26. Ora, Joabe pelejou contra Rabá, dos filhos de Amom, e tomou a cidade real.

27. Enviou Joabe mensageiros a Davi, e disse: Tendo pelejado contra Rabá, já tomei a cidade das águas.

28. Agora ajunta o resto do povo, acampa contra a cidade e toma-a, para não suceder que, tomando eu a cidade, seja aclamado o meu nome sobre ela.

29. Ajuntou Davi a todo o povo e, indo a Rabá, pelejou contra ela, e tomou-a.

30. Tirou a coroa da cabeça do rei deles (o peso dela era de um talento de ouro, e nela havia pedras preciosas); e foi posta na cabeça de Davi. Da cidade levou mui grande despojo.

31. Trazendo os seus moradores, fê-los passar a serras, e a picaretas, e a machados, e em fornos de tijolos; assim o fez em todas as cidades dos filhos de Amom. Voltou Davi com todo o seu povo para Jerusalém.

1. Aconteceu depois disto que, tendo Absalão, filho de Davi, uma irmã formosa que se chamava Tamar; Amnom, filho de Davi, namorou-se dela.

2. Angustiou-se Amnom, de maneira que adoeceu por causa de sua irmã Tamar; porque era virgem, e parecia difícil a Amnom fazer-lhe alguma coisa.

3. Tinha porém, Amnom um amigo que se chamava Jonadabe, filho de Siméia, irmão de Davi. Era Jonadabe homem mui sagaz.

4. Este lhe perguntou: Por que vais tu emagrecendo de dia para dia, ó filho do rei? não mo dirás? Respondeu-lhe Amnom: Eu amo a Tamar, irmã de meu irmão Absalão.

5. Tornou-lhe Jonadabe: Deita-te na tua cama e finge que estás doente; e quando teu pai te vier visitar, dize-lhe: Rogo-te que venha minha irmã Tamar, e me dê de comer, preparando a comida diante dos meus olhos, para que eu veja e coma da sua mão.

6. Deitou-se Amnom na cama, e fingiu que estava doente. Tendo vindo o rei visitá-lo, disse-lhe Amnom: Rogo-te que venha minha irmã Tamar, e me faça diante dos meus olhos dois bolos, para que eu coma da sua mão.

7. Mandou Davi à casa de Tamar, a dizer-lhe: Vai à casa de teu irmão Amnom, e faze-lhe comida.

8. Foi Tamar à casa de seu irmão Amnom; e ele estava deitado. Ela, tomando massa, a amassou, fez bolos diante dele, e os cozeu.

9. Tomou a panela, e tirou os bolos à sua vista; mas ele recusou comer. Disse Amnom: Façam retirar todos da minha presença. Todos se retiraram.

10. Disse Amnom a Tamar: Traze a comida à câmara, para que eu coma da tua mão. Tomou Tamar os bolos que tinha preparado, e os trouxe à câmara a seu irmão Amnom.

11. Quando Tamar lhos havia chegado, para que ele comesse, Amnom pegou dela e disse-lhe: Vem, deita-te comigo, minha irmã.

12. Porém ela lhe respondeu: Não, meu irmão, não me faças esta violência, pois não se faz assim em Israel. Não cometas esta loucura.

13. Eu, para onde poderia levar o meu opróbrio? e tu passarias em Israel por um louco. Agora fala ao rei, porque ele não me negará a ti.

14. Todavia ele não quis dar ouvidos à sua voz; antes sendo mais forte do que ela, forçou-a e deitou-se com ela.

15. Amnom sentiu por ela grande aversão, pois maior era a aversão que sentiu por ela do que o amor que lhe votara. Amnom disse-lhe: Levanta-te, vai-te embora.

16. Ela lhe respondeu: Não, meu irmão; porque maior é esta injúria, lançando-me fora, do que a outra que me fizeste. Porém ele não a quis ouvir.

17. Chamou ao seu servo que lhe assistia, e disse: Deita fora a esta mulher, e fecha bem a porta após ela.

18. Ela trazia uma túnica talar com mangas compridas, porque este era o trajo de que usavam as donzelas filhas de rei. O servo de Amnom deitou-a fora, e fechou bem a porta após ela.

19. Tamar lançou cinzas sobre a cabeça, rasgou a túnica talar com mangas compridas e, postas as mãos na cabeça, foi-se dali gritando.

20. Absalão, seu irmão, disse-lhe: Esteve contigo Amnom, teu irmão? agora, minha irmã, cala-te. É teu irmão; não te angustie o coração por isso. Ficou Tamar, desolada na casa de seu irmão Absalão.

21. Quando o rei Davi ouviu todas estas coisas, muito se lhe acendeu a ira.

22. Absalão não falou a Amnom nem mal nem bem, porque Absalão aborrecia a Amnom por ter ele violado a Tamar, sua irmã.

23. Passados dois anos Absalão fazia a sua tosquia em Baal-Hazor, que está perto de Efraim, e convidou todos os filhos do rei.

24. Absalão foi ter com o rei e disse: Eis que agora o teu servo faz a tosquia. Venham o rei e os seus servos com o teu servo.

25. Respondeu o rei a Absalão: Não, meu filho, não vamos todos, para não suceder que te sejamos pesados. Absalão instou com ele; todavia ele não quis ir, mas deu-lhe a sua bênção.

26. Então disse Absalão: Rogo-te que ao menos venha conosco meu irmão Amnom. Perguntou-lhe o rei: Para que iria ele contigo?

27. Instando Absalão com ele, Davi deixou ir com ele Amnom e todos os mais filhos do rei.

28. Absalão deu ordem aos seus servos, dizendo: Prestai atenção quando o coração de Amnom estiver alegre do vinho, e eu vos disser: Feri a Amnom, matai-o. Não tenhais medo, não sou eu quem vô-lo ordena? Sede, pois, corajosos, e valentes.

29. Os servos de Absalão fizeram a Amnom como Absalão lhes havia ordenado. Todos os filhos do rei se levantaram, cada um na sua mula, e fugiram.

30. Indo eles ainda no caminho, chegou a Davi a nova, dizendo: Absalão matou a todos os filhos do rei, e não ficou deles nem um só.

31. Levantou-se o rei, e rasgou os seus vestidos, e lançou-se por terra; e todos os seus servos que estavam junto a ele rasgaram os seus vestidos.

32. Jonadabe, filho de Siméia, irmão de Davi, tomou a palavra e disse: Não imagine o meu senhor que mataram todos os mancebos, filhos do rei, porque só morreu Amnom; pois assim o tinha resolvido fazer Absalão desde o dia em que Amnom violou a sua irmã Tamar.

33. Agora não se lhe meta no coração ao rei meu senhor o pensar que todos os filhos do rei foram mortos; porque só morreu Amnom.

34. Fugiu, porém, Absalão. O mancebo que estava de sentinela, levantando os olhos, viu que vinha muita gente pelo caminho ao lado do monte por detrás de si.

35. Jonadabe disse ao rei: Eis aí vêm os filhos do rei; conforme a palavra do teu servo, assim sucedeu.

36. Logo que ele tinha acabado de falar, chegaram os filhos do rei e, levantando a voz, choraram; o rei e todos os seus servos também choraram muito.

37. Absalão, porém, fugiu, e foi a Talmai, filho de Amiur, rei de Gesur. Davi pranteava a seu filho todos os dias.

38. Assim Absalão fugiu, e foi a Gesur, e ali esteve três anos.

39. A alma do rei ansiava ir ter com Absalão, porque já se tinha consolado acerca de Amnom, visto que era morto.

1. Ora conheceu Joabe, filho de Zeruia, que o coração do rei estava inclinado para Absalão.

2. Enviou Joabe a Tecoa, e fez trazer de lá uma mulher sábia e disse-lhe: Finge que estás de nojo, e toma um vestido de luto, e não te unjas com óleo, mas faze-te como uma mulher que há muito tempo chora a um morto;

3. e entrando ao rei, fala-lhe da seguinte maneira. Joabe pôs-lhe as palavras na boca.

4. Tendo-se a mulher de Tecoa apresentado ao rei, prostrou-se com o rosto em terra, fez-lhe uma reverência, e disse: Socorro, ó rei!

5. Perguntou-lhe o rei: Que tens? Ela respondeu: Na verdade eu sou uma mulher viúva: morreu meu marido.

6. A tua serva tinha dois filhos, os quais brigaram entre si no campo, e não havia quem os apartasse, mas um feriu ao outro, e o matou.

7. Eis que se levantou a parentela toda contra a tua serva, e disseram: Dá-nos aquele que feriu a seu irmão, para o matarmos pela vida de seu irmão a quem matou, e tiraremos também a vida ao herdeiro; assim apagarão a brasa que me ficou, para não se deixar a meu marido nem nome nem resto sobre a face da terra.

8. O rei disse à mulher: Vai para tua casa, e eu darei ordem a respeito de ti.

9. Respondeu a mulher de Tecoa ao rei: Sobre mim, ó rei meu senhor, recaia a culpa, e sobre a casa de meu pai; e será inocente o rei e o seu trono.

10. Disse o rei: Quem te falar nisso, traze-o à minha presença, e ele não te tocará mais.

11. Ela disse: Lembra-te, ó rei, de Jeová teu Deus, para que o vingador do sangue não continui a destruição: não exterminem a meu filho. Respondeu ele: Pela vida de Jeová, não há de cair ao chão nem um cabelo de teu filho.

12. Disse a mulher: Permita que a tua serva fale uma palavra ao rei meu senhor. Ele disse: Fala.

13. Prosseguiu a mulher: Por que imaginas então tal coisa contra o povo de Deus? pois falando o rei esta palavra, fica como culpado, visto não fazer voltar o seu desterrado.

14. Porque morremos, e somos como água derramada sobre a terra, que não se pode mais juntar; pois Deus não tira a vida, porém cogita meios, para que o banido não fique desterrado da sua presença.

15. Agora se eu vim falar esta palavra ao rei meu senhor, é porque o povo me atemorizou; e a tua serva disse: Falarei ao rei; talvez o rei faça segundo a palavra da sua criada.

16. Porque o rei ouvirá para livrar a sua serva da mão de quem procura exterminar da herança de Deus tanto a mim como a meu filho.

17. Então acrescentou a tua serva: A palavra do rei, meu senhor, seja um descanso; pois como o anjo de Deus é o rei, meu senhor, para discernir o bem e o mal. Seja contigo Jeová teu Deus.

18. Respondendo o rei, disse à mulher: Não me encubras o que te vou perguntar. Respondeu a mulher: Fale agora o rei meu senhor.

19. O rei perguntou: Não é verdade que a mão de Joabe anda contigo em tudo isso? Respondeu a mulher: Pela tua vida, ó rei meu senhor, ninguém se poderá desviar, nem para a direita nem para a esquerda, de tudo o que o rei, meu senhor, acaba de dizer, porque foi o teu servo Joabe quem me deu ordem, e quem pôs na boca da tua serva todas estas palavras;

20. para mudar a feição do negócio foi que o teu servo Joabe fez isto. Porém, sábio é o meu senhor, como um anjo de Deus, para saber tudo o que se passa sobre a terra.

21. O rei disse a Joabe: Eis aí que o faço; vai e faze voltar o mancebo Absalão.

22. Joabe prostrou-se com o rosto em terra e, fazendo uma reverência, abençoou ao rei, e disse: Hoje, ó rei meu senhor, conhece o teu servo que achei graça aos teus olhos, porque o rei deferiu a súplica do teu servo.

23. Levantou-se Joabe, foi a Gesur e trouxe a Absalão para Jerusalém.

24. O rei disse: Torne para sua casa, porém não veja a minha face. Voltou Absalão para sua casa, e não viu a face do rei.

25. Não havia em todo o Israel um homem tão admirável pela sua beleza como o era Absalão; desde a planta do pé até o mais alto da cabeça não havia nele defeito algum.

26. Quando ele rapava a cabeça (que o fazia no fim de cada ano, por lhe ficar carregada), pesava o cabelo da cabeça duzentos siclos, segundo o peso real.

27. Nasceram a Absalão três filhos e uma filha de nome Tamar, que era mulher de bela aparência.

28. Absalão esteve em Jerusalém dois anos, e não viu a face do rei.

29. Então Absalão mandou chamar a Joabe, para o enviar ao rei; mas este não quis vir a ele. Mandou chamá-lo segunda vez, porém não quis vir.

30. Disse aos seus servos: Vede o campo de Joabe ao pé do meu. Ele ali tem cevada: ide e lançai-lhe fogo. Os servos de Absalão puseram fogo ao campo.

31. Então se levantou Joabe, e foi à casa de Absalão, e lhe perguntou: Por que puseram os teus servos fogo ao meu campo?

32. Respondeu Absalão a Joabe: Eis que mandei chamar-te, dizendo: Vem cá, para que eu te envie ao rei, a fim de lhe dizer: Para que vim de Gesur? Melhor me era estar lá ainda. Agora veja eu a face do rei; se houver em mim culpa, que me tire a vida.

33. Joabe foi à presença do rei, e lho disse. Foi chamado Absalão, o qual entrou à presença do rei, e se prostrou com o rosto em terra diante dele. O rei beijou a Absalão.

1. Depois disto Absalão adquiriu para si um carro, e cavalos, e cinqüenta homens que corressem adiante dele.

2. Levantando-se Absalão cedo, parava à entrada da porta; e a todo o homem que tinha uma demanda que devia ser submetida ao rei para julgamento, chamava-o a si e lhe dizia: De que cidade és tu? Ele respondia: De tal tribo de Israel é teu servo.

3. Então Absalão lhe dizia: As tuas alegações são boas e retas, porém não há da parte do rei quem te ouça.

4. Acrescentava Absalão: Quem me dera ser constituído juiz na terra, para que viesse ter comigo todo o homem que tem uma demanda ou um caso, e eu lhe faria justiça!

5. Quando se chegava alguém para lhe fazer uma reverência, estendia ele a mão e, pegando nele, o beijava.

6. Desta maneira fazia Absalão a todo o Israel que vinha ao rei para julgamento: assim furtou Absalão o coração dos homens de Israel.

7. Ao fim de quarenta anos disse Absalão ao rei: Permite que eu vá a Hebrom cumprir o voto que fiz a Jeová.

8. Porque, morando em Gesur, na Síria, fez o teu servo um voto, dizendo: Se Jeová, na verdade, me fizer voltar para Jerusalém, servirei a Jeová.

9. Disse-lhe o rei: Vai-te em paz. Levantou-se e foi a Hebrom.

10. Enviou, porém, Absalão a todas as tribos de Israel emissários que dissessem: Logo que ouvirdes o som da trombeta, direis: Absalão reina em Hebrom.

11. De Jerusalém foram com Absalão duzentos homens, que haviam sido convidados, mas o fizeram inocentemente, pois nada sabiam.

12. Então Absalão, enquanto fazia os sacrifícios, mandou chamar a Aitofel gilonita, conselheiro de Davi, de Giló, sua cidade. A conspiração tornava-se poderosa, e o povo do partido de Absalão ia crescendo em número.

13. Veio um mensageiro a Davi, dizendo: O coração dos homens de Israel vai após Absalão.

14. Davi disse a todos os seus servos que se achavam com ele em Jerusalém: Levantai-vos, e fujamos; porque de outra forma nenhum de nós poderá escapar das mãos de Absalão. Apressai-vos a sair, não suceda que ele nos apanhe de súbito, lance sobre nós a ruína e fira a cidade ao fio da espada.

15. Responderam ao rei os seus servos: Eis aqui os teus servos para tudo o que determinar o rei nosso senhor.

16. Saiu o rei, e todos os de sua casa o seguiram. Deixou, porém, o rei dez concubinas para guardarem a casa.

17. Saiu o rei e todo o povo que o seguiu, e fizeram alto em Bete-Meraque.

18. Todos os seus servos iam ao lado dele; todos os quereteus, e todos os peleteus, e todos os giteus, seiscentos homens que o seguiram de Gate, passaram adiante do rei.

19. Disse o rei a Itai giteu: Por que vens tu também conosco? volta e fica-te com o rei, porque és estrangeiro e exilado; torna ao teu lugar.

20. Ontem vieste, e te levarei eu hoje conosco a vaguear? pois eu vou para onde possa ir; volta, e faze voltar a teus irmãos. A misericórdia e a fidelidade sejam contigo.

21. Itai respondeu ao rei: Pela vida de Jeová, e pela vida do rei meu senhor, no lugar em que estiver o rei meu senhor, seja para a morte, seja para a vida, lá estará o teu servo!

22. Davi disse a Itai: Vai, e passa adiante. Passou Itai, e todos os seus homens, e todos os pequeninos que estavam com ele.

23. Toda a terra chorava em alta voz, e todo o povo passava; também o rei passou a torrente de Cedrom, e todo o povo passou em direção ao caminho do deserto.

24. Veio também Zadoque, e com ele todos os levitas que levavam a arca da aliança de Deus; e assentaram a arca de Deus (e subiu Abiatar), até que todo o povo acabou de passar da cidade.

25. Disse o rei a Zadoque: Leva a arca de Deus para a cidade. Se eu achar graça aos olhos de Jeová, ele me fará voltar, e me mostrará tanto a arca como a sua habitação.

26. Se ele, porém, disser: Não tenho prazer em ti; eis-me aqui, faça a mim o que bem lhe parecer.

27. Acrescentou o rei ao sacerdote Zadoque: Não és tu vidente? volta para a cidade em paz, e convosco vossos dois filhos, Aimaás, teu filho, e Jônatas, filho de Abiatar.

28. Olhai que eu me demorarei aos vaus do deserto, até que tenha informações da vossa parte.

29. Zadoque e Abiatar, levaram a arca de Deus para Jerusalém, e lá ficaram.

30. Davi, subindo pela encosta do monte das Oliveiras, ia chorando; tinha a cabeça coberta, e caminhava descalço. Todo o povo que ia com ele, coberta a cabeça, subia chorando.

31. Foi dito a Davi: Aitofel está entre os que entraram na conspiração de Absalão. Disse Davi: Peço-te, Jeová, que tornes o conselho de Aitofel em loucura.

32. Quando Davi ia chegando ao cume do outeiro, onde se costuma adorar a Deus, veio-lhe ao encontro Husai arquita, rasgados os vestidos e a cabeça coberta de terra.

33. Disse-lhe Davi: Se fores comigo, ser-me-ás pesado;

34. porém se voltares para a cidade, e disseres a Absalão: Eu serei, ó rei, teu servo; como tenho sido no passado servo de teu pai, assim agora serei teu servo: então poderás frustrar para mim o conselho de Aitofel.

35. Tens ali contigo os sacerdotes Zadoque e Abiatar, portanto tudo o que ouvires da casa do rei, lhes dirás.

36. Estão ali com eles seus dois filhos, Aimaás, filho de Zadoque, e Jônatas, filho de Abiatar; por eles me avisareis de tudo o que ouvirdes.

37. Veio Husai, amigo de Davi, à cidade, e Absalão entrou em Jerusalém.

1. Tendo Davi passado um pouco além do cume, eis que lhe saiu ao encontro Ziba, servo de Mefibosete, com dois jumentos albardados, e sobre eles duzentos pães, e cem cachos de passas, e cem frutas de verão, e um odre de vinho.

2. Perguntou o rei a Ziba: Para que é isso? Respondeu Ziba: Os jumentos são para se montarem neles os da casa do rei; os pães e as frutas de verão, para os comerem os mancebos; e o vinho, para o beber quem se achar cansado no deserto.

3. O rei perguntou: Onde está o filho do teu senhor? Respondeu-lhe Ziba: Eis que ficou em Jerusalém, pois disse: Hoje me restituirá a casa de Israel o reino de meu pai.

4. Disse o rei a Ziba: Teu é tudo o que pertence a Mefibosete. Ziba respondeu: Faço reverência; ache eu graça aos teus olhos, ó rei meu senhor.

5. Tendo o rei Davi chegado a Baurim, eis que dali saiu um homem da linhagem da casa de Saul, que se chamava Simei, flho de Gera; saiu, e ia amaldiçoando.

6. Atirava pedras contra Davi, e contra todos os servos do rei Davi; e todo o povo e todos os valentes estavam à direita e à esquerda do rei.

7. Simei, quando amaldiçoava, dizia assim: Sai, sai, homem de sangue, homem de Belial.

8. Jeová fez cair sobre ti todo o sangue da casa de Saul, em cujo lugar tens reinado, e entregou o reino nas mãos de teu filho Absalão. Eis-te agora na tua desgraça! porque és um homem de sangue.

9. Abisai, filho de Zeruia, disse ao rei: Por que amaldiçoaria este cão morto ao rei meu senhor? permite que eu vá tirar-lhe a cabeça.

10. Respondeu o rei: Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia? Por ele amaldiçoar, e por Jeová lhe ter dito: Amaldiçoa a Davi; quem dirá: Por que fizeste assim?

11. Davi disse a Abisai e a todos os seus servos: Eis que se meu filho, que saiu das minhas entranhas, procura tirar-me a vida, quanto mais agora este benjamita? Deixai-o, que amaldiçoe, pois Jeová lho ordenou.

12. Porventura olhará Jeová para a minha aflição, e me reverterá em bem as maldições que ele me lança hoje.

13. Prosseguia Davi com seus homens o seu caminho; Simei pela encosta do outeiro, ao lado dele, ia amaldiçoando, e atirava pedras contra ele, e espalhava pó.

14. O rei e todo o povo que ia com ele chegaram a Aiefim; e ali ele se reanimou.

15. Absalão, e todo o povo, homens de Israel, chegaram a Jerusalém, e com ele Aitofel.

16. Tendo-se apresentado Husai arquita, amigo de Davi, a Absalão, disse-lhe: Viva o rei, viva o rei.

17. Perguntou Absalão a Husai: É esta a tua beneficência para com o teu amigo? por que não foste com o teu amigo?

18. Respondeu Husai a Absalão: Não; mas a quem elegeu Jeová, e este povo, e todos os homens de Israel, a ele pertencerei, e com ele habitarei.

19. Ainda mais a quem devo eu servir? não é seu filho? como servi a teu pai, assim servirei a ti.

20. Então disse Absalão a Aitofel: Dai o vosso conselho sobre o que havemos de fazer.

21. Disse Aitofel a Absalão: Entra às concubinas de teu pai, que ele deixou para guardarem a casa. Todo o Israel ouvirá que tu és abominável a teu pai, e fortalecer-se-ão as mãos de todos os que estão contigo.

22. Armaram uma tenda para Absalão sobre o eirado; e ele, à vista de todo o Israel, entrou às concubinas de seu pai.

23. O conselho que Aitofel dava naqueles dias era como uma consulta aos oráculos de Deus: e assim era todo o conselho que Aitofel dava tanto a Davi como a Absalão.

1. Disse também Aitofel a Absalão: Deixa-me escolher doze mil homens, e me levantarei e perseguirei a Davi esta noite.

2. Virei sobre ele, enquanto está cansado e frouxo de mãos, e o espantarei. Fugirá todo o povo que está com ele; e ferirei tão somente ao rei.

3. Farei tornar a ti todo o povo como todo o povo costuma voltar (é o que tu buscas), e todo o povo ficará em paz.

4. O parecer agradou a Absalão, e a todos os anciãos de Israel.

5. Disse Absalão: Chamai agora a Husai arquita, e ouçamos também o que ele diz.

6. Tendo Husai chegado à presença de Absalão, disse-lhe Absalão: Desta maneira falou Aitofel: Seguiremos o seu conselho? Se não, fala tu.

7. Husai respondeu a Absalão: Não é bom o conselho que Aitofel deu esta vez.

8. Prosseguiu Husai: Tu sabes que teu pai e os homens que estão com ele são valentes, e que estão com o espírito amargurado como a ursa no campo roubada dos seus cachorros. Teu pai é homem de guerra, e não passará a noite com o povo.

9. Eis que agora está ele escondido em alguma caverna ou em qualquer outro lugar, e ao caírem alguns do povo no primeiro ataque, quem isso ouvir, dirá: Há matança entre o povo que segue a Absalão.

10. Até o valente, cujo coração é como o dum leão, sem dúvida se derreterá. Porque todo o Israel sabe que teu pai é um herói e tem bravos consigo.

11. O meu conselho, porém, é que se ajunte a ti sem demora todo o Israel, desde até Berseba, em multidão como a areia do mar; e que tu vás em pessoa no meio deles.

12. Assim daremos sobre ele em qualquer lugar em que for achado, e desceremos sobre ele como costuma cair o orvalho sobre a terra; não será deixado nem sequer um só homem dos que estão com ele.

13. Porém se ele se retirar para alguma cidade, todo o Israel trará cordas àquela cidade, e arrastá-la-emos para o ribeiro, até que não se ache ali nem uma só pedrinha.

14. Disse Absalão, e todos os homens de Israel: O conselho de Husai arquita é melhor do que o de Aitofel. Pois Jeová ordenara que fosse dissipado o bom conselho de Aitofel, para trazer o mal sobre Absalão.

15. Disse Husai ao sacerdote Zadoque e Abiatar: Assim e assim aconselhou Aitofel a Absalão, e os anciãos de Israel; porém eu aconselhei assim e assim.

16. Agora enviai depressa a avisar a Davi, dizendo: Não fiques esta noite nos vaus do deserto, mas sem demora atravessa para a outra banda; não suceda que seja engulido o rei e todo o povo que com ele está.

17. Ora, Jônatas e Aimaás estavam junto a En-Rogel; uma criada ia avisar-lhes, pois não podiam ser vistos entrar na cidade; eles partiram a dizer ao rei Davi.

18. Viu-os, porém, um rapaz, e avisou a Absalão. Mas ambos partiram às pressas, e entraram em casa dum homem de Baurim, que tinha um poço no pátio de sua casa, ao qual desceram.

19. A mulher, tomando a tampa, estendeu-a sobre a boca do poço, espalhou frutas sobre ela; e nada se soube.

20. Chegando os servos de Absalão à casa da mulher, perguntaram: Onde estão Aimaás e Jônatas? Respondeu-lhes a mulher: Já passaram o ribeiro. Tendo-os procurado, sem os acharem, voltaram para Jerusalém.

21. Logo que se retiraram, saíram Aimaás e Jônatas do poço e foram avisar o rei Davi, e disseram-lhe: Levantai-vos, e passai depressa as águas, porque assim e assim aconselhou Aitofel contra vós.

22. Então se levantou Davi, e todo o povo que estava com ele, e passaram o Jordão; antes de raiar o dia, não lhes faltava nem sequer um que não tivesse passado o Jordão.

23. Vendo Aitofel que não se havia seguido o seu conselho, albardou o seu jumento, e levantou-se e foi para casa, para a sua cidade; tendo posto em ordem a sua casa, enforcou-se, morreu e foi enterrado na sepultura de seu pai.

24. Davi chegou a Maanaim. Absalão, tendo passado o Jordão com todos os homens de Israel,

25. deu o mando do exército a Amasa em lugar de Joabe. Ora Amasa era filho dum homem, que se chamava Itra israelita, que entrou a Abigail, filha de Naás, irmã de Zeruia, mãe de Joabe.

26. Israel e Absalão acamparam-se na terra de Gileade.

27. Tendo Davi chegado a Maanaim, Sobi, filho de Naás de Rabá que pertencia aos filhos de Amom, e Maquir, filho de Amiel de Lo-Debar, e Barzilai gileadita de Rogelim,

28. tomaram camas, bacias e louça de barro: trigo, cevada, farinha, grão torrado, favas e lentilhas também torradas;

29. e mel, coalhada, ovelhas e queijos de vacas, os quais trouxeram a Davi e ao povo que estava com ele, para que comessem. Porque disseram: O povo está faminto, cansado e sedento, no deserto.

1. Davi passou revista ao povo que tinha consigo, e pôs sobre eles capitães de mil e capitães de cem.

2. Enviou Davi ao povo, um terço sob o mando de Joabe, outro terço sob o mando de Abisai, filho de Zeruia, irmão de Joabe, e o outro terço sob o mando de Itai geteu. O rei disse ao povo: Também eu hei de sair convosco.

3. Respondeu, porém, o povo: Não sairás; pois se, na verdade, fugirmos, eles não se importarão conosco; nem se importarão conosco se morrer a metade de nós; pois tu és igual a dez mil de nós. É melhor que fiques na cidade para dali nos socorreres.

4. Tornou-lhes o rei: O que vos parece bem, isso farei. O rei pôs-se ao lado da porta, e saiu todo o povo a centenas e milhares.

5. O rei deu ordem a Joabe, a Abisai e a Itai, dizendo: Por amor de mim tratai com brandura ao mancebo, a Absalão. Todo o povo ouviu quando o rei dava ordem a todos os capitães acerca de Absalão.

6. Assim saiu o povo ao campo contra Israel; e deu-se a batalha no bosque de Efraim.

7. Ali foi o povo de Israel derrotado diante dos servos de Davi, e naquele dia houve uma grande derrota com a perda de vinte mil homens.

8. Pois ali se estendeu a batalha por toda a região; e o bosque consumiu naquele dia mais gente do que a espada consumiu.

9. Absalão, indo montado na sua mula, encontrou-se com os servos de Davi; a mula entrou debaixo dos ramos espessos dum grande carvalho, e Absalão, preso pela cabeça ao carvalho, ficou pendurado entre o céu e a terra; e a mula em que ia montado passou adiante.

10. Vendo isso um homem, avisou a Joabe e disse: Eis que vi Absalão pendurado num carvalho.

11. Respondeu Joabe ao homem que lhe dera a notícia: Pois que o viste, por que não o feriste ali, derrubando-o por terra? e eu te haveria dado dez siclos de prata e um cinto.

12. Tornou o homem a Joabe: Ainda quando eu pudesse pesar nas minhas mãos mil siclos de prata, não estenderia eu a mão contra o filho do rei; porque nós ouvimos a ordem que o rei te deu a ti, a Abisai e a Itai, dizendo: Guardai-me o mancebo Absalão.

13. Se eu tivesse obrado falsamente contra a sua vida, nada teria sido oculto ao rei, e tu mesmo te esquivarias de mim.

14. Disse Joabe: Não posso demorar-me contigo. Tomou na mão três dardos e traspassou com eles o coração de Absalão, que ainda estava vivo no carvalho.

15. Cercaram-no dez mancebos que levavam as armas de Joabe, e feriram a Absalão e mataram-no.

16. Joabe tocou a trombeta, e o povo voltou de perseguir a Israel; pois Joabe deteve ao povo.

17. Levaram a Absalão, e lançaram-no numa grande cova no bosque, e erigiram sobre ele um mui grande montão de pedras. Todo o Israel fugiu, cada um para a sua tenda.

18. Ora Absalão, quando ainda vivia, tinha feito levantar para si a coluna, que está no vale do rei, porque disse: Eu não tenho filho que conserve a memória do meu nome. Deu o seu nome à coluna; até o dia de hoje ela se chama o monumento de Absalão.

19. Disse Aimaás, filho de Zadoque: Deixa-me correr e dar notícia ao rei que Jeová o vingou dos seus inimigos.

20. E Joabe lhe disse: Tu não serás hoje o portador das novas, mas noutro dia as levarás; hoje, porém, não as levarás; porque é morto o filho do rei.

21. Disse Joabe ao cuchita: Vai dizer ao rei o que viste. O cuchita fez uma reverência a Joabe, e partiu a correr.

22. Então tornou Aimaás, filho de Zadoque, a dizer a Joabe: Seja o que for, deixa-me também correr após o cuchita. Joabe disse: Por que queres correr, meu filho? visto que não receberás recompensa pelas novas.

23. Aconteça, porém, o que acontecer, hei de correr, respondeu Aimaás. Então disse Joabe: Corre. Aimaás correu pelo caminho de Quicar, e passou ao cuchita.

24. Ora, Davi estava assentado entre as duas portas; a sentinela subiu ao eirado da porta acima da muralha e levantou os olhos e viu vir um homem correndo só.

25. Clamou a sentinela e deu a nova ao rei. O rei disse: Se ele vem só, traz notícias. O mensageiro aproximava-se cada vez mais.

26. Viu a sentinela outro homem correndo, e clamou ao porteiro e disse: Eis que vem outro homem correndo só. O rei disse: Este também traz notícias.

27. Acrescentou a sentinela: Parece-me que o correr do primeiro é como o correr de Aimaás, filho de Zadoque. Disse o rei: Ele é homem de bem, e trará boas novas.

28. Gritou Aimaás e disse ao rei: Paz. Prostrou-se com o rosto em terra perante o rei e disse: Bendito seja Jeová teu Deus que entregou os homens que levantaram a mão contra o rei meu senhor.

29. Perguntou o rei: Está bem o mancebo Absalão? Respondeu Aimaás: Quando Joabe enviou ao servo do rei, que sou eu, vi um grande alvoroço, porém não sei o que era.

30. Disse o rei: Põe-te ao lado e espera aqui. Ele se pôs ao lado e esperou de pé.

31. Eis que chegou o cuchita, e disse: Receba o rei meu senhor as novas. Hoje Jeová te vingou de todos os que se levantaram contra ti.

32. O rei perguntou ao cuchita: Está bem o mancebo Absalão? Respondeu o cuchita: Como aquele mancebo o é, assim sejam os inimigos do rei meu senhor, e todos os que se levantam contra ti para te fazerem o mal.

33. O rei ficou muito comovido e subiu à sala que estava por cima da porta, e pôs-se a chorar; e andando, dizia assim: Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, filho meu, filho meu!

1. Foi dito a Joabe: Eis que o rei chora e lamenta a Absalão.

2. E a vitória converteu-se em luto naquele dia para todo o povo, porque o povo ouviu dizer naquele dia: O rei faz lamentações por seu filho.

3. Entrou o povo naquele dia na cidade às furtadelas, como o faz quando foge envergonhado da batalha.

4. O rei, tendo coberto o rosto, clamava em alta voz: Meu filho Absalão! Absalão, filho meu, filho meu!

5. Joabe entrou ao rei em casa, e disse: Cobriste hoje de confusão o rosto de todos os teus servos que hoje salvaram a tua vida, a vida de teus filhos e filhas, e a de tuas mulheres e concubinas,

6. amando aos que te aborrecem, e aborrecendo aos que te amam. Hoje declaraste que não se te dá nem de príncipes nem de servos, pois conheço agora que, se Absalão vivesse e todos nós fôssemos mortos, tu ficarias muito contente.

7. Levanta-te sem demora, sai e fala palavras de conforto aos teus servos. Juro por Jeová que, se não saíres, nem sequer um homem ficará contigo esta noite; e isto será pior do que todos os males que têm vindo sobre ti desde a tua mocidade até agora.

8. O rei levantou-se e assentou-se à porta; e todo o povo veio apresentar-se perante o rei. Ora, Israel havia fugido, cada um para a sua tenda.

9. Todo o povo em todas as tribos de Israel queixava-se, dizendo: O rei livrou-nos da mão dos nossos inimigos, ele nos salvou das mãos dos filisteus, e agora saiu da terra fugindo de Absalão.

10. Absalão, a quem ungimos sobre nós, morreu na batalha. Agora por que não tratais vós de fazer voltar o rei?

11. O rei Davi mandou dizer aos sacerdotes Zadoque e Abiatar: Falai aos anciãos de Judá: Por que sois vós os últimos em fazer voltar o rei para a sua casa? pois já a palavra de todo o Israel é chegada ao rei no sentido de o trazer para sua casa.

12. Vós sois meus irmãos, sois meu osso e minha carne; por que então sois vós os últimos em fazer voltar o rei?

13. Dizei a Amasa: Não és tu meu osso e minha carne? Assim me faça Deus, e ainda mais, se não fores diante de mim para sempre general do exército, em lugar de Joabe.

14. Então moveu ele o coração de todos os homens de Judá como se fora um só homem, de modo que enviaram a dizer ao rei: Volta com todos os teus servos.

15. Voltou o rei, e chegou ao Jordão. Judá foi a Gilgal para receber o rei, a fim de fazê-lo passar o Jordão.

16. Apressou-se Simei, filho de Gera benjamita, que era de Baurim e desceu com os homens de Judá a encontrar-se com o rei Davi.

17. Com ele estavam mil homens de Benjamim, e Ziba, servo da casa de Saul, acompanhado de seus quinze filhos e dos seus vinte servos. Meteram-se pelo Jordão adiante do rei,

18. passando repetidas vezes o vau, para conduzirem os da casa real e para fazerem o que lhe era agradável. Simei prostrou-se perante o rei, quando havia passado o Jordão,

19. e disse-lhe: Não me tenhas por culpado, meu senhor, nem te lembres do que perversamente fez o teu servo no dia em que o rei meu senhor saiu de Jerusalém, para levá-lo em conta.

20. Pois eu, teu servo, conheço que pequei; por isso sou vindo hoje o primeiro de toda a casa de José para descer ao encontro do rei meu senhor.

21. Abisai, porém, filho de Zeruia, respondeu e disse: Não será morto Simei, por ter amaldiçoado o ungido de Jeová?

22. Davi disse: Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia, para que hoje me sejais adversários? há de hoje tirar-se a vida a alguém em Israel? pois não sei eu que hoje sou feito rei em Israel?

23. Então disse o rei a Simei: Não morrerás. O rei lho jurou.

24. Desceu também Mefibosete, filho de Saul, a receber o rei; ele não dera cuidado aos pés, nem tinha feito a barba, nem lavado os vestidos desde o dia em que o rei saíra até o dia em que voltou em paz.

25. Tendo chegado a Jerusalém para se encontrar com o rei, perguntou-lhe este: Por que não foste comigo, Mefibosete?

26. Respondeu ele: Ó rei meu senhor, o meu criado me enganou. Pois o teu servo disse: Eu albardarei um jumento, para nele montar e ir com o rei; porque o teu servo é coxo.

27. Mas ele falsamente acusou o teu servo diante do rei meu senhor; porém tu, ó rei meu senhor, és como um anjo de Deus. Faze, pois, o que bem te parecer.

28. Pois toda a casa de meu pai não era senão digna de morte diante do rei meu senhor; contudo puseste o teu servo entre os que comem à tua mesa. Que direito mais tenho eu de clamar ainda ao rei?

29. Respondeu-lhe o rei: Por que falas ainda dos teus negócios? Resolvo que com Ziba repartas as terras.

30. Disse Mefibosete ao rei: Fique ele muito embora com tudo, uma vez que o rei meu senhor já voltou em paz à sua casa.

31. Também Barzilai gileadita desceu de Rogelim; e passou na companhia do rei para o acompanhar até a outra banda do Jordão.

32. Era Barzilai muito velho, da idade de oitenta anos. Ele tinha provido o rei de víveres, quando estava em Maanaim, porque era um homem muito rico.

33. Disse o rei a Barzilai: Passa tu comigo, e te sustentarei em Jerusalém.

34. Respondeu Barzilai ao rei: Quantos são os dias dos anos da minha vida, para que eu suba com o rei a Jerusalém?

35. Oitenta anos tenho hoje; poderei eu discernir entre o bom e o mau? poderá o teu servo perceber o sabor no que come ou no que bebe? poderei mais ouvir a voz dos cantores ou das cantoras? por que há de ser o teu servo ainda pesado ao rei meu senhor?

36. O teu servo só quer passar o Jordão com o rei; por que há de me pagar o rei com tal recompensa?

37. Deixa voltar o teu servo para que eu morra na minha cidade, e seja enterrado junto à sepultura de meu pai, e de minha mãe. Mas eis aqui o teu servo Quimã. Passe ele com o rei meu senhor; e faze-lhe o que for do teu agrado.

38. Respondeu o rei: Quimã passará comigo e far-lhe-ei o que bem te parecer. Tudo o que de mim exigires, isso te farei.

39. Todo o povo passou o Jordão; também o rei passou. O rei beijou a Barzilai, e o abençoou; e este voltou para o seu lugar.

40. Passou o rei para Gilgal, e Quimã passou em sua companhia. Todo o povo de Judá conduziu o rei, e bem assim a metade do povo de Israel.

41. Eis que todos os homens de Israel vieram ter com o rei e lhe disseram: Por que te roubaram nossos irmãos, os homens de Judá, e fizeram ao rei e a toda a sua casa, e a todos os homens de Davi passar o Jordão?

42. Todos os homens de Judá responderam aos homens de Israel: Porque o rei é nosso parente chegado. Por que é que vos irais por isso? acaso temos comido à custa do rei? ou tem-se-nos dado algum presente?

43. Os homens de Israel responderam aos homens de Judá: Dez partes temos no rei, e mais nos toca também Davi a nós do que a vós; por que não fizestes caso de nós, quando fomos nós que primeiro falamos em fazer voltar o nosso rei? Porém as palavras dos homens de Judá eram mais desabridas do que as palavras dos homens de Israel.

1. Ora sucedeu achar-se ali um homem de Belial, que se chamava Seba, filho de Bicri, homem benjamita. Ele tocou a trombeta e disse: Nós não temos parte em Davi, nem herança no filho de Jessé; cada um para as suas tendas, ó Israel.

2. Todos os homens de Israel se separaram de Davi, e seguiram a Seba, filho de Bicri; porém os homens de Judá se apegaram ao seu rei desde o Jordão até Jerusalém.

3. Veio Davi para sua casa em Jerusalém. O rei tomou as dez mulheres, suas concubinas, que tinha deixado para guardarem a casa, e as meteu em custódia, e as sustentou, porém não entrou a elas. Assim estiveram encerradas até o dia da sua morte, vivendo como viúvas.

4. Disse o rei a Amasa: Convoca-me dentro de três dias os homens de Judá, e apresenta-te aqui.

5. Partiu Amasa para convocar os homens de Judá, mas tardou além do tempo que o rei lhe aprazara.

6. Davi disse a Abisai: Mais mal agora nos fará Seba, filho de Bicri, do que nos fez Absalão. Portanto toma os servos do teu senhor, e persegue-o, não suceda que ele consiga cidades fortificadas, e nos escape.

7. Saíram após ele os homens de Joabe, e os quereteus e os peleteus e todos os homens valentes; e saíram de Jerusalém para perseguirem a Seba, filho de Bicri.

8. Eles estavam junto da grande pedra em Gibeom, quando Amasa lhes veio ao encontro. Estava Joabe cingido com as armas que levara, e sobre elas um cinto, no qual, presa aos seus lombos estava uma espada, dentro da sua bainha; e adiantando-se ele, caiu a espada.

9. Disse Joabe a Amasa: Vais bem, meu irmão? Com a mão direita Joabe tomou a Amasa pela barba, para o beijar.

10. Amasa, porém, não reparou na espada que estava na mão de Joabe. Assim este o feriu com ela no ventre, e lhe lançou por terra os intestinos, sem o ferir segunda vez; e Amasa caiu morto. Joabe e Abisai, seu irmão, perseguiram a Seba, filho de Bicri.

11. Um dos mancebos de Joabe ficou junto de Amasa e dizia: Quem favorece a Joabe, e quem está a favor de Davi, siga a Joabe.

12. Amasa se revolvia no seu sangue no meio da estrada. Quando o mancebo viu que todo o povo parava, levou a Amasa da estrada para o campo, e lançou sobre ele um manto, porque viu que todo aquele que chegava ao pé dele, parava.

13. Tirado que foi Amasa da estrada, todo o povo seguiu a Joabe, para perseguir a Seba, filho de Bicri.

14. Joabe passou por todas as tribos de Israel até Abel, e a Bete-Maaca e a todos os beritas, os quais se ajuntaram, e saíram também após ele.

15. Foram e sitiaram-no em Abel de Bete-Maaca, e levantaram contra a cidade um montão, da altura do muro; e todo o povo que estava com Joabe batia o muro para o derribar.

16. Gritou uma mulher sábia de dentro da cidade: Ouvi, ouvi; dizei a Joabe: Chega-te cá, para que eu fale contigo.

17. Tendo ele se chegado perto dela, perguntou a mulher: És tu Joabe? Respondeu ele: Sou. Ela lhe disse: Ouve as palavras da tua escrava. Disse ele: Ouço.

18. A mulher prosseguiu: Antigamente era costume dizer: Peça-se conselho em Abel; e assim punham termo às questões.

19. Eu sou dentre as pacíficas e fiéis em Israel: tu estás procurando destruir uma cidade e uma mãe em Israel; por que queres devorar a herança de Jeová?

20. Respondeu Joabe: Longe, longe de mim que eu devore ou destrua.

21. A coisa não é assim. Porém um homem da região montanhosa de Efraim, de nome Seba, filho de Bicri, levantou a mão contra o rei, contra Davi; entregai só este, e retirar-me-ei da cidade. Disse a mulher a Joabe: Eis que te será lançada a sua cabeça pelo muro.

22. A mulher na sua sabedoria foi ter com todo o povo. Cortada a cabeça de Seba, filho de Bicri, lançaram-na a Joabe. Ele tocou a trombeta, e retiraram-se da cidade, cada um para a sua tenda. Joabe voltou a Jerusalém a ter com o rei.

23. Joabe estava sobre todo o exército de Israel; Benaia, filho de Joiada, estava sobre os quereteus e sobre os peleteus;

24. Adoram sobre os que trabalhavam forçados; Josafá, filho de Ailude, era cronista;

25. Seva era secretário; Zadoque e Abiatar eram sacerdotes;

26. e também Ira o jairita era ministro de estado de Davi.

Você está lendo 2 Samuel na edição TB, Sociedade Bíblica Britânica, em Português.
Este lívro compôe o Antigo Testamento, tem 24 capítulos, e 695 versículos.