2 Samuel

1. Vieram todas as tribos ter com Davi em Hebrom e disseram: Eis-nos aqui, somos teus ossos e tua carne.

2. Em tempos idos quando Saul era rei sobre nós, eras tu o que fazias que Israel saísse e entrasse. Jeová te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel, e tu serás príncipe sobre Israel.

3. Todos os anciãos de Israel vieram ter com o rei em Hebrom, e o rei Davi fez com eles aliança em Hebrom diante de Jeová. Ungiram a Davi rei sobre Israel.

4. Tinha Davi trinta anos quando começou a reinar, e reinou quarenta anos.

5. Em Hebrom reinou sete anos e seis meses sobre Judá: e em Jerusalém reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá.

6. Foi o rei com seus homens a Jerusalém contra os jebuseus, que habitavam naquela terra; os quais disseram a Davi: Não entrarás aqui, porque os cegos e os coxos te repelirão, querendo dizer com isso: Davi não poderá entrar aqui.

7. Todavia Davi tomou a fortaleza de Sião: esta é a cidade de Davi.

8. Disse Davi naquele dia: Todo o que ferir os jebuseus, suba ao canal e fira os cegos e os coxos, a quem a alma de Davi aborrece. Por isso se diz: Nem cego nem coxo entrará na casa.

9. Davi habitou na fortaleza, e chamou-lhe a cidade de Davi. Levantou edifícios ao redor desde Milo, e para dentro.

10. Davi ia-se engrandecendo cada vez mais, porque Jeová, Deus dos exércitos, era com ele.

11. Hirão, rei de Tiro, enviou mensageiros a Davi, e madeira de cedro, e carpinteiros e pedreiros, que edificaram uma casa para Davi.

12. Reconheceu Davi que Jeová o tinha estabelecido rei sobre Israel, e que tinha exaltado o reino dele por amor do seu povo de Israel.

13. Tomou Davi para si ainda concubinas e mulheres de Jerusalém, depois que viera de Hebrom; e nasceram a Davi mais filhos e filhas.

14. Estes são os nomes dos que lhe nasceram em Jerusalém; Samua, Sobabe, Natã e Salomão;

15. Ibar, Elisua, Nefegue e Jafia;

16. Elisama, Eliada e Elifelete.

17. Quando os filisteus ouviram que Davi fora ungido rei sobre Israel, subiram todos em busca dele; o que ouvindo, Davi desceu à fortaleza.

18. Os filisteus tinham vindo, e se tinham espalhado pelo vale de Refaim.

19. Davi consultou a Jeová, dizendo: Subirei contra os filisteus? entregar-mos-ás nas mãos? Respondeu Jeová a Davi: Sobe, pois, sem falta, te entregarei nas mãos os filisteus.

20. Veio Davi a Baal-Perazim, e ali os derrotou. Ele disse: Jeová rompeu os meus inimigos diante de mim, como as águas rompem barreiras. Por isso chamou o nome daquele lugar Baal-Perazim.

21. Os filisteus deixaram lá os seus ídolos, e Davi e seus homens os levaram.

22. Os filisteus tornaram a subir, e espalharam-se pelo vale de Refaim.

23. Quando Davi consultou a Jeová, respondeu Ele: Não subirás; toma por detrás deles, e dá sobre eles por defronte das balsamárias.

24. Ao ouvires o som de passos pelas copas das balsamárias, apressar-te-ás, porque Jeová marcha diante de ti para ferir ao arraial dos filisteus.

25. Fez Davi, como Jeová lhe havia ordenado; e feriu os filisteus desde Geba até Gezer.

1. Tornou Davi a ajuntar todos os escolhidos de Israel, em número de trinta mil.

2. Levantou-se e partiu com todo o povo que estava com ele de Baalim de Judá, para fazerem subir de lá a arca de Deus, a qual é chamada pelo nome de Jeová dos exércitos, que se assenta sobre os querubins.

3. Puseram a arca de Deus sobre um carro novo, e levaram-na da casa de Abinadabe, que estava sobre o outeiro; Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, guiavam o carro novo.

4. Levaram-no com a arca de Deus, da casa de Abinadabe, que estava sobre o outeiro; e Aiô ia adiante da arca.

5. Davi e toda a casa de Israel dançavam diante de Jeová com todas as suas forças, com cânticos, e ao som de harpas, e saltérios, e tambores, e pandeiros, e címbalos.

6. Quando chegaram à eira de Nacom, lançou Uzá a mão à arca de Deus, e pegou nela, porque os bois tropeçaram.

7. A ira de Jeová se acendeu contra Uzá, e Deus o feriu ali pela sua temeridade. Uzá ali morreu junto à arca de Deus.

8. Desgostou-se Davi, porque Jeová ferira a Uzá. Ficou-se chamando aquele lugar Peres-Uzá até o dia de hoje.

9. Davi teve medo de Jeová naquele dia, e disse: Como virá a mim a arca de Jeová?

10. Não quis Davi remover a arca de Jeová para junto de si na cidade de Davi, mas fê-la entrar na casa de Obede-Edom de Gete.

11. Ficou a arca de Jeová três meses na casa de Obede-Edom de Gete, e Jeová o abençoou juntamente com toda a sua casa.

12. Foi dito ao rei Davi: Jeová tem abençoado a casa de Obede-Edom, e tudo o que lhe pertence, por causa da arca de Deus. Foi Davi e trouxe com alegria da casa de Obede-Edom a arca de Deus para a cidade de Davi.

13. Quando os que levavam a arca de Jeová, tinham dado seis passos, sacrificava ele um boi e um animal cevado.

14. Davi dançava diante de Jeová com todas as suas forças, cingido dum efode de linho.

15. Assim Davi e toda a casa de Israel traziam a arca de Jeová, com júbilo e ao som de trombetas.

16. Ao entrar a arca de Jeová na cidade de Davi, Mical, filha de Saul, olhou duma janela, e viu ao rei Davi saltando e dançando diante de Jeová; e no seu coração ela o desprezou.

17. Introduziram a arca de Jeová, e puseram-na no seu lugar, no meio da tenda que Davi lhe armara; e Davi ofereceu holocaustos e ofertas pacíficas diante de Jeová.

18. Tendo Davi acabado de oferecer o holocausto e as ofertas pacíficas, abençoou o povo em nome de Jeová dos exércitos.

19. A todo o povo, a toda a multidão de Israel, tanto a homens como a mulheres, distribuiu a cada um um bolo de pão, um pedaço de carne e um cacho de passas. Assim se retirou todo o povo, cada um para sua casa.

20. Então voltou Davi para abençoar a sua casa. Mical, filha de Saul, saiu a receber a Davi, e disse: Que glória teve hoje o rei de Israel, descobrindo-se aos olhos das servas dos seus vassalos, como se descobre um indivíduo qualquer.

21. Davi respondeu a Mical: Diante de Jeová eu estava dançando. Bendito seja Jeová que me escolheu, preferindo-me a teu pai, e a toda a sua casa, para príncipe sobre o povo de Jeová, sobre Israel, por isso dançarei diante de Jeová.

22. Ainda mais do que isso me envilecerei, e me humilharei aos meus olhos; porém das servas, de que falaste, serei na verdade honrado.

23. Mical, filha de Saul, não teve filhos até o dia da sua morte.

1. Estando já o rei de assento na sua casa, e tendo-lhe Jeová dado descanso de todos os seus inimigos ao redor,

2. disse ele ao profeta Natã: Eis que eu estou morando numa casa de cedro, e a arca de Deus dentro de cortinas.

3. Respondeu Natã ao rei: Vai, faze tudo o que tens no teu coração, porque Jeová é contigo.

4. Mas naquela mesma noite veio a palavra de Jeová a Natã, dizendo:

5. Vai dizer ao meu servo Davi: Assim diz Jeová: Edificar-me-ás tu uma casa em que eu habite?

6. Desde o dia em que eu fiz subir os filhos de Israel do Egito até hoje, não tenho habitado em casa nenhuma, mas tenho peregrinado em tenda e em tabernáculo.

7. Em todos os lugares em que tenho peregrinado com todos os filhos de Israel, falei jamais palavra a alguma das suas tribos, a que mandei que apascentasse o meu povo de Israel, dizendo: Por que me não tendes edificado uma casa de cedro?

8. Agora assim dirás ao meu servo Davi: Assim diz Jeová dos exércitos: Eu te tirei da malhada de detrás das ovelhas, para que fosses príncipe sobre o meu povo, sobre Israel;

9. por onde quer que andaste, tenho estado contigo para exterminar os teus inimigos de diante de ti; e te farei um grande nome como o dos grandes que há na terra.

10. Designarei um lugar para o meu povo, para Israel, e o plantarei, e habitará no seu lugar; não mais será perturbado, nem os filhos da iniqüidade tornarão a afligi-lo como dantes,

11. e como desde o dia em que mandei que houvesse juízes sobre o meu povo de Israel. Dar-te-ei descanso de todos os teus inimigos. Também Jeová te diz que ele mesmo te fará uma casa.

12. Completos que forem os teus dias, e vieres a dormir com teus pais, suscitarei depois de ti a tua semente, que procederá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino.

13. Ele edificará uma casa para o meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino.

14. Eu lhe serei pai, e ele me será filho. Se ele cometer iniqüidade, castigá-lo-ei com varas de homens, e com açoites de filhos de homens;

15. porém a minha misericórdia não se retirará dele, como a retirei de Saul, a quem tirei de diante de ti.

16. Será estável para sempre diante de mim a tua casa e o teu reino; será estabelecido para sempre o teu trono.

17. Segundo todas estas palavras, e segundo toda esta visão, assim falou Natã a Davi.

18. Entrou o rei Davi, e sentou-se diante de Jeová, e disse: Quem sou eu, Senhor Jeová, e que casa é a minha, para que me tenhas trazido até aqui?

19. Isso ainda foi pouco aos teus olhos, Senhor Jeová; mas falaste a respeito da casa do teu servo para tempos distantes. É esta a lei de homens, Senhor Jeová?

20. Que mais te poderá dizer Davi? pois tu, Senhor Jeová, conheces o teu servo.

21. Por causa da tua palavra, e segundo o teu coração fizeste toda esta grandeza, dando-a a conhecer ao teu servo.

22. Pelo que tu és grande, Deus Jeová: pois ninguém há semelhante a ti, e não há outro Deus fora de ti, segundo tudo o que temos ouvido com os nossos ouvidos.

23. Quem há como o teu povo, como Israel, gente única na terra, a quem tu, ó Deus, foste resgatar para te ser povo, e fazer-te nome e obrar a seu favor grandes coisas, e coisas terríveis para a tua terra, diante do teu povo, que remiste para ti do Egito dentre as nações e os seus deuses.

24. Estabeleceste o teu povo de Israel para ser o teu povo para sempre, e tu, Jeová, te fizeste o seu Deus.

25. Agora Deus Jeová, quanto à palavra que falaste acerca do teu servo, e acerca da sua casa, confirma-a para sempre, e faze como tens falado.

26. Seja o teu nome engrandecido para sempre, e se diga: Jeová dos exércitos é Deus sobre Israel. A casa do teu servo Davi será estabelecida diante de ti.

27. Pois tu, Jeová dos exércitos, Deus de Israel, deste uma revelação ao teu servo, dizendo: Edificar-te-ei uma casa. Por isso teu servo se animou para te fazer esta oração.

28. Agora Senhor Jeová, tu és Deus, e as tuas palavras são verdade, e tens prometido ao teu servo este bem.

29. Sejas agora servido de abençoar a casa do teu servo, para que subsista para sempre diante de ti. Pois tu, Senhor Jeová, o falaste; e com a tua bênção seja para sempre abençoada a casa do teu servo.

1. Depois disto Davi bateu os filisteus e os subjugou, e tirou das suas mãos as rédeas da metrópole.

2. Bateu também a Moabe e mediu-os com cordel, fazendo-os deitar por terra; deles mediu dois cordéis para os matar e um cordel inteiro para os conservar em vida. Os moabitas tornaram-se servos de Davi, e pagavam-lhe tributos.

3. Bateu também Davi a Hadadezer, filho de Reobe, rei de Zobá, quando foi estabelecer o seu domínio sobre o Rio.

4. Davi tomou-lhe mil e setecentos cavaleiros, e vinte mil homens de pé; jarretou a todos os cavalos dos carros, mas deles reservou para cem carros.

5. Quando os siros de Damasco vieram a socorrer a Hadadezer, rei de Zobá, Davi matou dos siros vinte e dois mil homens.

6. Davi pôs guarnições em Síria de Damasco; os siros tornaram-se servos de Davi, e pagavam-lhe tributos. Jeová guardava a Davi, por onde quer que ele ia.

7. Tomou Davi os escudos de ouro, de que usavam os servos de Hadadezer, e levou-os para Jerusalém.

8. De Betá e de Berotai, cidades de Hadadezer, tomou o rei Davi bronze em grande quantidade.

9. Quando Toí, rei de Hamate, ouviu que Davi ferira toda a hoste de Hadadezer,

10. enviou-lhe seu filho Jorão para o saudar e para o abençoar, porque tinha pelejado contra Hadadezer, e porque o tinha batido. Pois Hadadezer de contínuo fazia guerra a Toí. Jorão trouxe na sua mão vasos de prata, vasos de ouro e vasos de bronze,

11. que o rei Davi consagrou a Jeová, juntamente com a prata e ouro que tinha consagrado de todas as nações que subjugara:

12. da Síria, e de Moabe, e dos filhos de Amom, e dos filisteus, e de Amaleque, e dos despojos de Hadadezer, filho de Reobe, rei de Zobá.

13. Davi adquiriu para si grande nome, quando voltou de ferir dos siros, no Vale do Sal, uns dezoito mil homens.

14. Pôs guarnições em Edom; em todo o Edom pôs guarnições, e todos os edomitas tornaram-se servos de Davi. Jeová guardava a Davi por onde quer que ele ia.

15. Reinou Davi sobre todo o Israel, e administrava o juízo e a justiça a todo o seu povo.

16. Joabe, filho de Zeruia, era sobre o exército; Josafá, filho de Ailude, era cronista;

17. Zadoque, filho de Aitube, e Aimeleque, filho de Abiatar, eram sacerdotes; Seraías era secretário;

18. Benaia, filho de Joiada, era sobre os quereteus e peleteus; e os filhos de Davi eram ministros de estado.

1. Disse Davi: Não resta, porventura, alguém da casa de Saul, para que eu lhe faça beneficência por amor de Jônatas?

2. Ora havia um servo da casa de Saul, cujo nome era Ziba, e chamaram-no à presença de Davi. O rei perguntou-lhe: És tu Ziba? Respondeu: Teu servo é ele.

3. Perguntou-lhe o rei: Não existe ainda alguém da casa de Saul, para que eu lhe faça grandes mercês? Respondeu Ziba ao rei: Ficou ainda um filho de Jônatas, aleijado dos pés.

4. Onde está ele? perguntou-lhe o rei. Ziba respondeu-lhe: Está em Lo-Debar, na casa de Maquir, filho de Amiel.

5. Enviou o rei Davi, e o tirou de Lo-Debar, da casa de Maquir, filho de Amiel.

6. Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, veio ter com Davi, prostrou-se com o rosto em terra e fez-lhe uma reverência. Disse Davi: Mefibosete. Ele respondeu: Eis aqui o teu servo.

7. Então lhe disse Davi: Não temas; eu te farei, sem falta, beneficência por amor de Jônatas, teu pai. Restituir-te-ei todas as terras de Saul, teu pai, e tu de contínuo comerás pão à minha mesa.

8. Prostrou-se Mefibosete, e disse: Que é o teu servo, para teres olhado para um cão morto qual eu sou?

9. Chamou o rei a Ziba, servo de Saul, e disse-lhe: Eu dei ao filho do teu senhor tudo o que pertencia a Saul e a toda a sua casa.

10. Trabalhar-lhe-ás as terras, tu, e teus filhos, e os teus servos; e recolherás os frutos, para que o filho do teu senhor tenha pão que coma; mas Mefibosete, filho do teu senhor, comerá sempre à minha mesa. Ziba tinha quinze filhos, e vinte servos.

11. Disse Ziba ao rei: Segundo tudo o que manda o rei meu senhor ao seu servo, assim o fará ele. Quanto a Mefibosete, disse o rei, ele comerá à minha mesa como um dos filhos do rei.

12. Mefibosete tinha um filho pequeno, que se chamava Mica. Todos os que moravam em casa de Ziba eram servos de Mefibosete.

13. Morava Mefibosete em Jerusalém, porque todos os dias comia à mesa do rei. Ele era coxo de ambos os pés.

1. Depois disto morreu o rei dos filhos de Amom, e em seu lugar reinou seu filho Hanum.

2. Então disse Davi: Usarei de beneficência para com Hanum, filho de Naás, como seu pai usou de beneficência para comigo. Davi enviou os seus servos para o consolar acerca de seu pai. Os servos de Davi foram à terra dos filhos de Amom.

3. Mas disseram os príncipes dos filhos de Amom ao seu senhor Hanum: Cuidas tu que em honra de teu pai Davi te enviou consoladores? não te enviou ele os seus servos para reconhecerem a cidade, a espiarem e a derrubarem?

4. Tomou Hanum os servos de Davi, e mandou-lhes rapar a metade da barba e, cortando-lhe a metade dos vestidos até o alto das coxas, despediu-os.

5. Quando isso foi dito a Davi, enviou a encontrá-los, porque estavam os homens sobremaneira envergonhados. Mandou o rei dizer-lhes: Deixai-vos estar em Jericó, até que vos cresça a barba, e então voltareis.

6. Vendo os filhos de Amom que se haviam feito abomináveis para com Davi, enviaram e alugaram dos filhos dos siros de Bete-Reobe, e dos siros de Zobá, vinte mil homens de pé, e do rei de Maaca mil homens, e dos homens de Tobe doze mil.

7. O que ouvindo Davi, enviou Joabe com toda a hoste dos valentes.

8. Saíram os filhos de Amom, e ordenaram a batalha à entrada da porta, e os siros de Zobá e de Reobe, e os homens de Tobe e Maaca estavam à parte no campo.

9. Vendo Joabe que estava preparada a batalha contra ele, assim pela frente como pela retaguarda, escolheu dentre toda a flor de Israel um corpo, que formou em linha de batalha contra os siros;

10. e o resto do povo, entregou-o a seu irmão Abisai, que o formou em linha de batalha contra os filhos de Amom.

11. Ele disse: Se os siros prevalecerem contra mim, tu me virás em socorro; mas se os filhos de Amom prevalecerem contra ti, eu irei ao teu socorro.

12. Tem bom ânimo, e sejamos corajosos pelo nosso povo e pelas cidades do nosso Deus; e faça Jeová o que bem lhe parecer.

13. Travou Joabe, e o povo que estava com ele, a peleja contra os siros, que fugiram de diante dele.

14. Vendo os filhos de Amom que os siros tinham fugido, fugiram também eles de diante de Abisai, e entraram na cidade. Então Joabe voltou dos filhos de Amom, e foi a Jerusalém.

15. Vendo os siros que tinham sido desbaratados diante de Israel, tornaram a refazer-se.

16. Enviou Hadadezer, e fez sair os siros que estavam da outra banda do rio; vieram a Helã, e diante deles marchava Soboque, general do exército de Hadadezer.

17. Davi, informado disso, ajuntou a todo o Israel, passou o Jordão e foi a Helã. Os siros dispuseram-se em linha de batalha contra Davi e pelejaram contra ele.

18. Mas os siros fugiram de diante de Israel; Davi matou deles os homens de setecentos carros, e quarenta mil homens de cavalo, e feriu a Soboque, general do exército, de sorte que morreu ali.

19. Vendo todos os reis, servos de Hadadezer, que estavam desbaratados diante de Israel, fizeram pazes com Israel, e os serviram. Temeram os siros de socorrer mais aos filhos de Amom.

1. Tendo decorrido um ano, ao tempo em que os reis saem para a guerra, enviou Davi a Joabe, juntamente com os seus servos e a todo o Israel; e destruíram aos amonitas, e sitiaram a Rabá. Davi, porém, ficou em Jerusalém.

2. À tarde levantou-se Davi de dormir a sesta, e pôs-se a passear no eirado do palácio real; e do eirado viu tomando banho uma mulher que era em extremo formosa.

3. Davi mandou saber quem era. Foi-lhe dito: É Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias heteu.

4. Enviou Davi mensageiros e fez que lha trouxessem. Chegada que foi Bate-Seba, ele se deitou com ela, pois já estava purificada da sua imundícia. Depois voltou ela para casa.

5. A mulher concebeu; e mandou dizer a Davi: Estou grávida.

6. Davi enviou a Joabe, dizendo: Remete a Urias heteu. Joabe remeteu Urias a Davi.

7. Quando Urias se apresentou a Davi, este lhe perguntou como passava Joabe, e o povo, e como ia a guerra.

8. Disse Davi a Urias: Desce para tua casa, e lava os teus pés. Saiu Urias da casa real e foi mandado após ele um presente do rei.

9. Mas Urias dormiu à porta da casa real com todos os servos do seu senhor, e não desceu para sua casa.

10. Avisaram disto a Davi, dizendo: Urias não desceu para sua casa. Perguntou Davi a Urias: Não és tu vindo duma jornada? porque não desceste para tua casa?

11. Respondeu Urias a Davi: A arca, e Israel, e Judá estão em tendas, e o meu senhor Joabe e os servos do meu senhor acampam-se ao ar livre; hei de entrar eu na minha casa, para comer e beber, e para dormir com minha mulher? Pela tua vida, e pela vida da tua alma, não farei tal coisa.

12. Disse Davi a Urias: Fica aqui hoje, e amanhã te despedirei. Urias, pois, ficou em Jerusalém aquele dia e o seguinte.

13. E Davi o convidou a comer e a beber na sua presença, e o embebedou. À tarde saiu Urias a deitar-se na sua cama com os servos do seu senhor, porém não desceu para sua casa.

14. Pela manhã escreveu Davi uma carta a Joabe, e lha enviou por mão de Urias.

15. Escreveu na carta, dizendo: Ponde a Urias na frente onde for mais renhido o combate, e deixai-o sozinho, para que seja ferido e morra.

16. Quando Joabe vigiava a cidade, pôs a Urias num lugar onde sabia que estavam homens valentes.

17. Tendo os homens da cidade feito uma surtida, pelejaram contra Joabe; do povo caíram alguns que eram servos de Davi; e morreu também Urias heteu.

18. Enviou Joabe e referiu a Davi todas as coisas que se tinham passado na batalha;

19. deu ordem ao mensageiro, dizendo: Quando tiveres acabado de referir ao rei tudo o que se passou na batalha,

20. se o rei se encolerizar e te disser: Por que chegastes tão perto da cidade para pelejardes? não sabíeis que haviam de atirar do alto do muro?

21. quem matou a Abimeleque, filho de Jerubesete? não foi uma mulher que do alto do muro lançou em cima dele a pedra superior dum moinho, de sorte que morreu em Tebes? por que chegastes tão perto do muro? então responderás: Também foi morto teu servo Urias heteu.

22. Partiu o mensageiro, foi e referiu a Davi tudo o que Joabe lhe tinha mandado.

23. Disse o mensageiro a Davi: Na verdade os homens prevaleceram contra nós, e saíram a nós no campo, mas dando sobre eles, os repelimos até a porta.

24. Do alto do muro atiraram os flecheiros contra os teus servos; morreram alguns dos servos do rei, e morreu também o teu servo Urias heteu.

25. Disse Davi ao mensageiro: Assim dirás a Joabe: Não te desagrade isso, porque a espada destrói ora este, ora aquele. Faze mais rija a tua peleja contra a cidade, e derruba-a. Quanto a ti encoraja a Joabe.

26. Quando a mulher de Urias ouviu que seu marido era morto, o chorou.

27. Passado o tempo do nojo, mandou Davi buscá-la para sua casa. Ela lhe foi por mulher e deu-lhe à luz um filho. Mas o que Davi fizera desagradou a Jeová.

1. Jeová enviou Natã a Davi. Natã veio ter com Davi e disse-lhe: Havia dois homens numa cidade; um rico e outro pobre.

2. O rico tinha ovelhas e gados em grande número;

3. o pobre, porém, não tinha coisa alguma, senão uma só cordeirinha, que comprara e criara, e que tinha crescido juntamente com ele, e com seus filhos; do seu bocado comia, e do seu copo bebia, e dormia no seu regaço, e ele a tinha como filha.

4. Chegou um viajante à casa do rico, e este não quis tomar das suas ovelhas e do seu gado, para preparar comida para o peregrino que lhe chegara à casa, mas tomou a cordeira do pobre e preparou-a para o hóspede que lhe havia chegado.

5. A ira de Davi se acendeu sobremaneira contra aquele homem; e disse a Natã: Pela vida de Jeová, o homem que fez isso é digno de morte.

6. Há de pagar o quadruplicado da cordeira, porque fez isso, e porque não mostrou compaixão.

7. Disse Natã a Davi: Tu és aquele homem. Assim diz Jeová, Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel e eu te livrei da mão de Saul;

8. dei-te a casa do teu senhor, e as mulheres do teu senhor no teu seio, e te dei a casa de Israel e de Judá. Se isso fosse pouco, te acrescentaria outro tanto.

9. Por que desprezaste as palavras de Jeová, fazendo o mal diante dos seus olhos? Feriste à espada Urias heteu, e tomaste sua mulher para ser tua mulher, e mataste-o com a espada dos filhos de Amom.

10. Agora da tua casa não se apartará jamais a espada, porque me desprezaste e tomaste a mulher de Urias heteu para ser tua mulher.

11. Assim diz Jeová: Eis que suscitarei da tua própria casa o mal sobre ti; tomarei tuas mulheres à tua vista, dá-las-ei ao teu próximo, e ele se deitará com elas aos olhos deste sol.

12. Porque tu o fizeste às escondidas, mas eu farei isto perante todo o Israel e perante o sol.

13. Respondeu Davi a Natã: Pequei contra Jeová. Tornou Natã a Davi: Também Jeová fez passar o teu pecado; não morrerás.

14. Todavia, porquanto com este feito deste lugar a que os inimigos de Jeová blasfemem, sem falta morrerá também o filho que te nasceu.

15. Retirou-se Natã para sua casa. Feriu Jeová o menino que a mulher de Urias dera à luz a Davi; e adoeceu gravemente.

16. Davi recorreu a Deus pelo menino; Davi jejuava com rigoroso jejum e, entrando, passava a noite toda prostrado sobre a terra.

17. Então os anciãos da sua casa se punham ao lado dele, para o levantarem do chão; mas ele não queria, nem comia com eles.

18. Ao sétimo dia morreu o menino. Os servos de Davi temiam dizer-lhe que o menino era morto. Porque diziam: Quando o menino ainda vivia, nós lhe falávamos, e ele não dava ouvidos à nossa voz; qual não será a sua aflição, se lhe dissermos que o menino é morto?

19. Vendo Davi que os seus servos falavam uns aos outros em voz baixa, entendeu que o menino era morto, e perguntou aos seus servos: É morto o menino? Eles responderam: É morto.

20. Davi levantou-se do chão: lavou-se, ungiu-se e mudou de vestidos; e tendo entrado na casa de Jeová, adorou. Depois foi para sua casa; às suas ordens deram-lhe de comer, e comeu.

21. Então lhe disseram os seus servos: Que é isto que fizeste? Jejuaste e choraste pelo menino, quando ele ainda vivia; porém agora que ele morreu, te levantaste e comeste.

22. Davi respondeu: Quando o menino ainda vivia, jejuei e chorei; pois dizia: Quem sabe se Jeová não terá piedade de mim, e viverá o menino?

23. Porém agora que ele morreu, por que hei de jejuar eu? posso eu fazê-lo voltar? Eu irei para ele, mas ele não voltará para mim.

24. Consolou Davi a Bate-Seba, sua mulher, e, entrando, dormiu com ela. Ela deu à luz um filho, e Davi deu-lhe o nome de Salomão. Jeová o amou;

25. enviou por intermédio do profeta Natã, e deu ao menino o nome de Jedidias, por amor de Jeová.

26. Ora, Joabe pelejou contra Rabá, dos filhos de Amom, e tomou a cidade real.

27. Enviou Joabe mensageiros a Davi, e disse: Tendo pelejado contra Rabá, já tomei a cidade das águas.

28. Agora ajunta o resto do povo, acampa contra a cidade e toma-a, para não suceder que, tomando eu a cidade, seja aclamado o meu nome sobre ela.

29. Ajuntou Davi a todo o povo e, indo a Rabá, pelejou contra ela, e tomou-a.

30. Tirou a coroa da cabeça do rei deles (o peso dela era de um talento de ouro, e nela havia pedras preciosas); e foi posta na cabeça de Davi. Da cidade levou mui grande despojo.

31. Trazendo os seus moradores, fê-los passar a serras, e a picaretas, e a machados, e em fornos de tijolos; assim o fez em todas as cidades dos filhos de Amom. Voltou Davi com todo o seu povo para Jerusalém.

1. Aconteceu depois disto que, tendo Absalão, filho de Davi, uma irmã formosa que se chamava Tamar; Amnom, filho de Davi, namorou-se dela.

2. Angustiou-se Amnom, de maneira que adoeceu por causa de sua irmã Tamar; porque era virgem, e parecia difícil a Amnom fazer-lhe alguma coisa.

3. Tinha porém, Amnom um amigo que se chamava Jonadabe, filho de Siméia, irmão de Davi. Era Jonadabe homem mui sagaz.

4. Este lhe perguntou: Por que vais tu emagrecendo de dia para dia, ó filho do rei? não mo dirás? Respondeu-lhe Amnom: Eu amo a Tamar, irmã de meu irmão Absalão.

5. Tornou-lhe Jonadabe: Deita-te na tua cama e finge que estás doente; e quando teu pai te vier visitar, dize-lhe: Rogo-te que venha minha irmã Tamar, e me dê de comer, preparando a comida diante dos meus olhos, para que eu veja e coma da sua mão.

6. Deitou-se Amnom na cama, e fingiu que estava doente. Tendo vindo o rei visitá-lo, disse-lhe Amnom: Rogo-te que venha minha irmã Tamar, e me faça diante dos meus olhos dois bolos, para que eu coma da sua mão.

7. Mandou Davi à casa de Tamar, a dizer-lhe: Vai à casa de teu irmão Amnom, e faze-lhe comida.

8. Foi Tamar à casa de seu irmão Amnom; e ele estava deitado. Ela, tomando massa, a amassou, fez bolos diante dele, e os cozeu.

9. Tomou a panela, e tirou os bolos à sua vista; mas ele recusou comer. Disse Amnom: Façam retirar todos da minha presença. Todos se retiraram.

10. Disse Amnom a Tamar: Traze a comida à câmara, para que eu coma da tua mão. Tomou Tamar os bolos que tinha preparado, e os trouxe à câmara a seu irmão Amnom.

11. Quando Tamar lhos havia chegado, para que ele comesse, Amnom pegou dela e disse-lhe: Vem, deita-te comigo, minha irmã.

12. Porém ela lhe respondeu: Não, meu irmão, não me faças esta violência, pois não se faz assim em Israel. Não cometas esta loucura.

13. Eu, para onde poderia levar o meu opróbrio? e tu passarias em Israel por um louco. Agora fala ao rei, porque ele não me negará a ti.

14. Todavia ele não quis dar ouvidos à sua voz; antes sendo mais forte do que ela, forçou-a e deitou-se com ela.

15. Amnom sentiu por ela grande aversão, pois maior era a aversão que sentiu por ela do que o amor que lhe votara. Amnom disse-lhe: Levanta-te, vai-te embora.

16. Ela lhe respondeu: Não, meu irmão; porque maior é esta injúria, lançando-me fora, do que a outra que me fizeste. Porém ele não a quis ouvir.

17. Chamou ao seu servo que lhe assistia, e disse: Deita fora a esta mulher, e fecha bem a porta após ela.

18. Ela trazia uma túnica talar com mangas compridas, porque este era o trajo de que usavam as donzelas filhas de rei. O servo de Amnom deitou-a fora, e fechou bem a porta após ela.

19. Tamar lançou cinzas sobre a cabeça, rasgou a túnica talar com mangas compridas e, postas as mãos na cabeça, foi-se dali gritando.

20. Absalão, seu irmão, disse-lhe: Esteve contigo Amnom, teu irmão? agora, minha irmã, cala-te. É teu irmão; não te angustie o coração por isso. Ficou Tamar, desolada na casa de seu irmão Absalão.

21. Quando o rei Davi ouviu todas estas coisas, muito se lhe acendeu a ira.

22. Absalão não falou a Amnom nem mal nem bem, porque Absalão aborrecia a Amnom por ter ele violado a Tamar, sua irmã.

23. Passados dois anos Absalão fazia a sua tosquia em Baal-Hazor, que está perto de Efraim, e convidou todos os filhos do rei.

24. Absalão foi ter com o rei e disse: Eis que agora o teu servo faz a tosquia. Venham o rei e os seus servos com o teu servo.

25. Respondeu o rei a Absalão: Não, meu filho, não vamos todos, para não suceder que te sejamos pesados. Absalão instou com ele; todavia ele não quis ir, mas deu-lhe a sua bênção.

26. Então disse Absalão: Rogo-te que ao menos venha conosco meu irmão Amnom. Perguntou-lhe o rei: Para que iria ele contigo?

27. Instando Absalão com ele, Davi deixou ir com ele Amnom e todos os mais filhos do rei.

28. Absalão deu ordem aos seus servos, dizendo: Prestai atenção quando o coração de Amnom estiver alegre do vinho, e eu vos disser: Feri a Amnom, matai-o. Não tenhais medo, não sou eu quem vô-lo ordena? Sede, pois, corajosos, e valentes.

29. Os servos de Absalão fizeram a Amnom como Absalão lhes havia ordenado. Todos os filhos do rei se levantaram, cada um na sua mula, e fugiram.

30. Indo eles ainda no caminho, chegou a Davi a nova, dizendo: Absalão matou a todos os filhos do rei, e não ficou deles nem um só.

31. Levantou-se o rei, e rasgou os seus vestidos, e lançou-se por terra; e todos os seus servos que estavam junto a ele rasgaram os seus vestidos.

32. Jonadabe, filho de Siméia, irmão de Davi, tomou a palavra e disse: Não imagine o meu senhor que mataram todos os mancebos, filhos do rei, porque só morreu Amnom; pois assim o tinha resolvido fazer Absalão desde o dia em que Amnom violou a sua irmã Tamar.

33. Agora não se lhe meta no coração ao rei meu senhor o pensar que todos os filhos do rei foram mortos; porque só morreu Amnom.

34. Fugiu, porém, Absalão. O mancebo que estava de sentinela, levantando os olhos, viu que vinha muita gente pelo caminho ao lado do monte por detrás de si.

35. Jonadabe disse ao rei: Eis aí vêm os filhos do rei; conforme a palavra do teu servo, assim sucedeu.

36. Logo que ele tinha acabado de falar, chegaram os filhos do rei e, levantando a voz, choraram; o rei e todos os seus servos também choraram muito.

37. Absalão, porém, fugiu, e foi a Talmai, filho de Amiur, rei de Gesur. Davi pranteava a seu filho todos os dias.

38. Assim Absalão fugiu, e foi a Gesur, e ali esteve três anos.

39. A alma do rei ansiava ir ter com Absalão, porque já se tinha consolado acerca de Amnom, visto que era morto.

1. Ora conheceu Joabe, filho de Zeruia, que o coração do rei estava inclinado para Absalão.

2. Enviou Joabe a Tecoa, e fez trazer de lá uma mulher sábia e disse-lhe: Finge que estás de nojo, e toma um vestido de luto, e não te unjas com óleo, mas faze-te como uma mulher que há muito tempo chora a um morto;

3. e entrando ao rei, fala-lhe da seguinte maneira. Joabe pôs-lhe as palavras na boca.

4. Tendo-se a mulher de Tecoa apresentado ao rei, prostrou-se com o rosto em terra, fez-lhe uma reverência, e disse: Socorro, ó rei!

5. Perguntou-lhe o rei: Que tens? Ela respondeu: Na verdade eu sou uma mulher viúva: morreu meu marido.

6. A tua serva tinha dois filhos, os quais brigaram entre si no campo, e não havia quem os apartasse, mas um feriu ao outro, e o matou.

7. Eis que se levantou a parentela toda contra a tua serva, e disseram: Dá-nos aquele que feriu a seu irmão, para o matarmos pela vida de seu irmão a quem matou, e tiraremos também a vida ao herdeiro; assim apagarão a brasa que me ficou, para não se deixar a meu marido nem nome nem resto sobre a face da terra.

8. O rei disse à mulher: Vai para tua casa, e eu darei ordem a respeito de ti.

9. Respondeu a mulher de Tecoa ao rei: Sobre mim, ó rei meu senhor, recaia a culpa, e sobre a casa de meu pai; e será inocente o rei e o seu trono.

10. Disse o rei: Quem te falar nisso, traze-o à minha presença, e ele não te tocará mais.

11. Ela disse: Lembra-te, ó rei, de Jeová teu Deus, para que o vingador do sangue não continui a destruição: não exterminem a meu filho. Respondeu ele: Pela vida de Jeová, não há de cair ao chão nem um cabelo de teu filho.

12. Disse a mulher: Permita que a tua serva fale uma palavra ao rei meu senhor. Ele disse: Fala.

13. Prosseguiu a mulher: Por que imaginas então tal coisa contra o povo de Deus? pois falando o rei esta palavra, fica como culpado, visto não fazer voltar o seu desterrado.

14. Porque morremos, e somos como água derramada sobre a terra, que não se pode mais juntar; pois Deus não tira a vida, porém cogita meios, para que o banido não fique desterrado da sua presença.

15. Agora se eu vim falar esta palavra ao rei meu senhor, é porque o povo me atemorizou; e a tua serva disse: Falarei ao rei; talvez o rei faça segundo a palavra da sua criada.

16. Porque o rei ouvirá para livrar a sua serva da mão de quem procura exterminar da herança de Deus tanto a mim como a meu filho.

17. Então acrescentou a tua serva: A palavra do rei, meu senhor, seja um descanso; pois como o anjo de Deus é o rei, meu senhor, para discernir o bem e o mal. Seja contigo Jeová teu Deus.

18. Respondendo o rei, disse à mulher: Não me encubras o que te vou perguntar. Respondeu a mulher: Fale agora o rei meu senhor.

19. O rei perguntou: Não é verdade que a mão de Joabe anda contigo em tudo isso? Respondeu a mulher: Pela tua vida, ó rei meu senhor, ninguém se poderá desviar, nem para a direita nem para a esquerda, de tudo o que o rei, meu senhor, acaba de dizer, porque foi o teu servo Joabe quem me deu ordem, e quem pôs na boca da tua serva todas estas palavras;

20. para mudar a feição do negócio foi que o teu servo Joabe fez isto. Porém, sábio é o meu senhor, como um anjo de Deus, para saber tudo o que se passa sobre a terra.

21. O rei disse a Joabe: Eis aí que o faço; vai e faze voltar o mancebo Absalão.

22. Joabe prostrou-se com o rosto em terra e, fazendo uma reverência, abençoou ao rei, e disse: Hoje, ó rei meu senhor, conhece o teu servo que achei graça aos teus olhos, porque o rei deferiu a súplica do teu servo.

23. Levantou-se Joabe, foi a Gesur e trouxe a Absalão para Jerusalém.

24. O rei disse: Torne para sua casa, porém não veja a minha face. Voltou Absalão para sua casa, e não viu a face do rei.

25. Não havia em todo o Israel um homem tão admirável pela sua beleza como o era Absalão; desde a planta do pé até o mais alto da cabeça não havia nele defeito algum.

26. Quando ele rapava a cabeça (que o fazia no fim de cada ano, por lhe ficar carregada), pesava o cabelo da cabeça duzentos siclos, segundo o peso real.

27. Nasceram a Absalão três filhos e uma filha de nome Tamar, que era mulher de bela aparência.

28. Absalão esteve em Jerusalém dois anos, e não viu a face do rei.

29. Então Absalão mandou chamar a Joabe, para o enviar ao rei; mas este não quis vir a ele. Mandou chamá-lo segunda vez, porém não quis vir.

30. Disse aos seus servos: Vede o campo de Joabe ao pé do meu. Ele ali tem cevada: ide e lançai-lhe fogo. Os servos de Absalão puseram fogo ao campo.

31. Então se levantou Joabe, e foi à casa de Absalão, e lhe perguntou: Por que puseram os teus servos fogo ao meu campo?

32. Respondeu Absalão a Joabe: Eis que mandei chamar-te, dizendo: Vem cá, para que eu te envie ao rei, a fim de lhe dizer: Para que vim de Gesur? Melhor me era estar lá ainda. Agora veja eu a face do rei; se houver em mim culpa, que me tire a vida.

33. Joabe foi à presença do rei, e lho disse. Foi chamado Absalão, o qual entrou à presença do rei, e se prostrou com o rosto em terra diante dele. O rei beijou a Absalão.

1. Depois disto Absalão adquiriu para si um carro, e cavalos, e cinqüenta homens que corressem adiante dele.

2. Levantando-se Absalão cedo, parava à entrada da porta; e a todo o homem que tinha uma demanda que devia ser submetida ao rei para julgamento, chamava-o a si e lhe dizia: De que cidade és tu? Ele respondia: De tal tribo de Israel é teu servo.

3. Então Absalão lhe dizia: As tuas alegações são boas e retas, porém não há da parte do rei quem te ouça.

4. Acrescentava Absalão: Quem me dera ser constituído juiz na terra, para que viesse ter comigo todo o homem que tem uma demanda ou um caso, e eu lhe faria justiça!

5. Quando se chegava alguém para lhe fazer uma reverência, estendia ele a mão e, pegando nele, o beijava.

6. Desta maneira fazia Absalão a todo o Israel que vinha ao rei para julgamento: assim furtou Absalão o coração dos homens de Israel.

7. Ao fim de quarenta anos disse Absalão ao rei: Permite que eu vá a Hebrom cumprir o voto que fiz a Jeová.

8. Porque, morando em Gesur, na Síria, fez o teu servo um voto, dizendo: Se Jeová, na verdade, me fizer voltar para Jerusalém, servirei a Jeová.

9. Disse-lhe o rei: Vai-te em paz. Levantou-se e foi a Hebrom.

10. Enviou, porém, Absalão a todas as tribos de Israel emissários que dissessem: Logo que ouvirdes o som da trombeta, direis: Absalão reina em Hebrom.

11. De Jerusalém foram com Absalão duzentos homens, que haviam sido convidados, mas o fizeram inocentemente, pois nada sabiam.

12. Então Absalão, enquanto fazia os sacrifícios, mandou chamar a Aitofel gilonita, conselheiro de Davi, de Giló, sua cidade. A conspiração tornava-se poderosa, e o povo do partido de Absalão ia crescendo em número.

13. Veio um mensageiro a Davi, dizendo: O coração dos homens de Israel vai após Absalão.

14. Davi disse a todos os seus servos que se achavam com ele em Jerusalém: Levantai-vos, e fujamos; porque de outra forma nenhum de nós poderá escapar das mãos de Absalão. Apressai-vos a sair, não suceda que ele nos apanhe de súbito, lance sobre nós a ruína e fira a cidade ao fio da espada.

15. Responderam ao rei os seus servos: Eis aqui os teus servos para tudo o que determinar o rei nosso senhor.

16. Saiu o rei, e todos os de sua casa o seguiram. Deixou, porém, o rei dez concubinas para guardarem a casa.

17. Saiu o rei e todo o povo que o seguiu, e fizeram alto em Bete-Meraque.

18. Todos os seus servos iam ao lado dele; todos os quereteus, e todos os peleteus, e todos os giteus, seiscentos homens que o seguiram de Gate, passaram adiante do rei.

19. Disse o rei a Itai giteu: Por que vens tu também conosco? volta e fica-te com o rei, porque és estrangeiro e exilado; torna ao teu lugar.

20. Ontem vieste, e te levarei eu hoje conosco a vaguear? pois eu vou para onde possa ir; volta, e faze voltar a teus irmãos. A misericórdia e a fidelidade sejam contigo.

21. Itai respondeu ao rei: Pela vida de Jeová, e pela vida do rei meu senhor, no lugar em que estiver o rei meu senhor, seja para a morte, seja para a vida, lá estará o teu servo!

22. Davi disse a Itai: Vai, e passa adiante. Passou Itai, e todos os seus homens, e todos os pequeninos que estavam com ele.

23. Toda a terra chorava em alta voz, e todo o povo passava; também o rei passou a torrente de Cedrom, e todo o povo passou em direção ao caminho do deserto.

24. Veio também Zadoque, e com ele todos os levitas que levavam a arca da aliança de Deus; e assentaram a arca de Deus (e subiu Abiatar), até que todo o povo acabou de passar da cidade.

25. Disse o rei a Zadoque: Leva a arca de Deus para a cidade. Se eu achar graça aos olhos de Jeová, ele me fará voltar, e me mostrará tanto a arca como a sua habitação.

26. Se ele, porém, disser: Não tenho prazer em ti; eis-me aqui, faça a mim o que bem lhe parecer.

27. Acrescentou o rei ao sacerdote Zadoque: Não és tu vidente? volta para a cidade em paz, e convosco vossos dois filhos, Aimaás, teu filho, e Jônatas, filho de Abiatar.

28. Olhai que eu me demorarei aos vaus do deserto, até que tenha informações da vossa parte.

29. Zadoque e Abiatar, levaram a arca de Deus para Jerusalém, e lá ficaram.

30. Davi, subindo pela encosta do monte das Oliveiras, ia chorando; tinha a cabeça coberta, e caminhava descalço. Todo o povo que ia com ele, coberta a cabeça, subia chorando.

31. Foi dito a Davi: Aitofel está entre os que entraram na conspiração de Absalão. Disse Davi: Peço-te, Jeová, que tornes o conselho de Aitofel em loucura.

32. Quando Davi ia chegando ao cume do outeiro, onde se costuma adorar a Deus, veio-lhe ao encontro Husai arquita, rasgados os vestidos e a cabeça coberta de terra.

33. Disse-lhe Davi: Se fores comigo, ser-me-ás pesado;

34. porém se voltares para a cidade, e disseres a Absalão: Eu serei, ó rei, teu servo; como tenho sido no passado servo de teu pai, assim agora serei teu servo: então poderás frustrar para mim o conselho de Aitofel.

35. Tens ali contigo os sacerdotes Zadoque e Abiatar, portanto tudo o que ouvires da casa do rei, lhes dirás.

36. Estão ali com eles seus dois filhos, Aimaás, filho de Zadoque, e Jônatas, filho de Abiatar; por eles me avisareis de tudo o que ouvirdes.

37. Veio Husai, amigo de Davi, à cidade, e Absalão entrou em Jerusalém.

1. Tendo Davi passado um pouco além do cume, eis que lhe saiu ao encontro Ziba, servo de Mefibosete, com dois jumentos albardados, e sobre eles duzentos pães, e cem cachos de passas, e cem frutas de verão, e um odre de vinho.

2. Perguntou o rei a Ziba: Para que é isso? Respondeu Ziba: Os jumentos são para se montarem neles os da casa do rei; os pães e as frutas de verão, para os comerem os mancebos; e o vinho, para o beber quem se achar cansado no deserto.

3. O rei perguntou: Onde está o filho do teu senhor? Respondeu-lhe Ziba: Eis que ficou em Jerusalém, pois disse: Hoje me restituirá a casa de Israel o reino de meu pai.

4. Disse o rei a Ziba: Teu é tudo o que pertence a Mefibosete. Ziba respondeu: Faço reverência; ache eu graça aos teus olhos, ó rei meu senhor.

5. Tendo o rei Davi chegado a Baurim, eis que dali saiu um homem da linhagem da casa de Saul, que se chamava Simei, flho de Gera; saiu, e ia amaldiçoando.

6. Atirava pedras contra Davi, e contra todos os servos do rei Davi; e todo o povo e todos os valentes estavam à direita e à esquerda do rei.

7. Simei, quando amaldiçoava, dizia assim: Sai, sai, homem de sangue, homem de Belial.

8. Jeová fez cair sobre ti todo o sangue da casa de Saul, em cujo lugar tens reinado, e entregou o reino nas mãos de teu filho Absalão. Eis-te agora na tua desgraça! porque és um homem de sangue.

9. Abisai, filho de Zeruia, disse ao rei: Por que amaldiçoaria este cão morto ao rei meu senhor? permite que eu vá tirar-lhe a cabeça.

10. Respondeu o rei: Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia? Por ele amaldiçoar, e por Jeová lhe ter dito: Amaldiçoa a Davi; quem dirá: Por que fizeste assim?

11. Davi disse a Abisai e a todos os seus servos: Eis que se meu filho, que saiu das minhas entranhas, procura tirar-me a vida, quanto mais agora este benjamita? Deixai-o, que amaldiçoe, pois Jeová lho ordenou.

12. Porventura olhará Jeová para a minha aflição, e me reverterá em bem as maldições que ele me lança hoje.

13. Prosseguia Davi com seus homens o seu caminho; Simei pela encosta do outeiro, ao lado dele, ia amaldiçoando, e atirava pedras contra ele, e espalhava pó.

14. O rei e todo o povo que ia com ele chegaram a Aiefim; e ali ele se reanimou.

15. Absalão, e todo o povo, homens de Israel, chegaram a Jerusalém, e com ele Aitofel.

16. Tendo-se apresentado Husai arquita, amigo de Davi, a Absalão, disse-lhe: Viva o rei, viva o rei.

17. Perguntou Absalão a Husai: É esta a tua beneficência para com o teu amigo? por que não foste com o teu amigo?

18. Respondeu Husai a Absalão: Não; mas a quem elegeu Jeová, e este povo, e todos os homens de Israel, a ele pertencerei, e com ele habitarei.

19. Ainda mais a quem devo eu servir? não é seu filho? como servi a teu pai, assim servirei a ti.

20. Então disse Absalão a Aitofel: Dai o vosso conselho sobre o que havemos de fazer.

21. Disse Aitofel a Absalão: Entra às concubinas de teu pai, que ele deixou para guardarem a casa. Todo o Israel ouvirá que tu és abominável a teu pai, e fortalecer-se-ão as mãos de todos os que estão contigo.

22. Armaram uma tenda para Absalão sobre o eirado; e ele, à vista de todo o Israel, entrou às concubinas de seu pai.

23. O conselho que Aitofel dava naqueles dias era como uma consulta aos oráculos de Deus: e assim era todo o conselho que Aitofel dava tanto a Davi como a Absalão.

1. Disse também Aitofel a Absalão: Deixa-me escolher doze mil homens, e me levantarei e perseguirei a Davi esta noite.

2. Virei sobre ele, enquanto está cansado e frouxo de mãos, e o espantarei. Fugirá todo o povo que está com ele; e ferirei tão somente ao rei.

3. Farei tornar a ti todo o povo como todo o povo costuma voltar (é o que tu buscas), e todo o povo ficará em paz.

4. O parecer agradou a Absalão, e a todos os anciãos de Israel.

5. Disse Absalão: Chamai agora a Husai arquita, e ouçamos também o que ele diz.

6. Tendo Husai chegado à presença de Absalão, disse-lhe Absalão: Desta maneira falou Aitofel: Seguiremos o seu conselho? Se não, fala tu.

7. Husai respondeu a Absalão: Não é bom o conselho que Aitofel deu esta vez.

8. Prosseguiu Husai: Tu sabes que teu pai e os homens que estão com ele são valentes, e que estão com o espírito amargurado como a ursa no campo roubada dos seus cachorros. Teu pai é homem de guerra, e não passará a noite com o povo.

9. Eis que agora está ele escondido em alguma caverna ou em qualquer outro lugar, e ao caírem alguns do povo no primeiro ataque, quem isso ouvir, dirá: Há matança entre o povo que segue a Absalão.

10. Até o valente, cujo coração é como o dum leão, sem dúvida se derreterá. Porque todo o Israel sabe que teu pai é um herói e tem bravos consigo.

11. O meu conselho, porém, é que se ajunte a ti sem demora todo o Israel, desde até Berseba, em multidão como a areia do mar; e que tu vás em pessoa no meio deles.

12. Assim daremos sobre ele em qualquer lugar em que for achado, e desceremos sobre ele como costuma cair o orvalho sobre a terra; não será deixado nem sequer um só homem dos que estão com ele.

13. Porém se ele se retirar para alguma cidade, todo o Israel trará cordas àquela cidade, e arrastá-la-emos para o ribeiro, até que não se ache ali nem uma só pedrinha.

14. Disse Absalão, e todos os homens de Israel: O conselho de Husai arquita é melhor do que o de Aitofel. Pois Jeová ordenara que fosse dissipado o bom conselho de Aitofel, para trazer o mal sobre Absalão.

15. Disse Husai ao sacerdote Zadoque e Abiatar: Assim e assim aconselhou Aitofel a Absalão, e os anciãos de Israel; porém eu aconselhei assim e assim.

16. Agora enviai depressa a avisar a Davi, dizendo: Não fiques esta noite nos vaus do deserto, mas sem demora atravessa para a outra banda; não suceda que seja engulido o rei e todo o povo que com ele está.

17. Ora, Jônatas e Aimaás estavam junto a En-Rogel; uma criada ia avisar-lhes, pois não podiam ser vistos entrar na cidade; eles partiram a dizer ao rei Davi.

18. Viu-os, porém, um rapaz, e avisou a Absalão. Mas ambos partiram às pressas, e entraram em casa dum homem de Baurim, que tinha um poço no pátio de sua casa, ao qual desceram.

19. A mulher, tomando a tampa, estendeu-a sobre a boca do poço, espalhou frutas sobre ela; e nada se soube.

20. Chegando os servos de Absalão à casa da mulher, perguntaram: Onde estão Aimaás e Jônatas? Respondeu-lhes a mulher: Já passaram o ribeiro. Tendo-os procurado, sem os acharem, voltaram para Jerusalém.

21. Logo que se retiraram, saíram Aimaás e Jônatas do poço e foram avisar o rei Davi, e disseram-lhe: Levantai-vos, e passai depressa as águas, porque assim e assim aconselhou Aitofel contra vós.

22. Então se levantou Davi, e todo o povo que estava com ele, e passaram o Jordão; antes de raiar o dia, não lhes faltava nem sequer um que não tivesse passado o Jordão.

23. Vendo Aitofel que não se havia seguido o seu conselho, albardou o seu jumento, e levantou-se e foi para casa, para a sua cidade; tendo posto em ordem a sua casa, enforcou-se, morreu e foi enterrado na sepultura de seu pai.

24. Davi chegou a Maanaim. Absalão, tendo passado o Jordão com todos os homens de Israel,

25. deu o mando do exército a Amasa em lugar de Joabe. Ora Amasa era filho dum homem, que se chamava Itra israelita, que entrou a Abigail, filha de Naás, irmã de Zeruia, mãe de Joabe.

26. Israel e Absalão acamparam-se na terra de Gileade.

27. Tendo Davi chegado a Maanaim, Sobi, filho de Naás de Rabá que pertencia aos filhos de Amom, e Maquir, filho de Amiel de Lo-Debar, e Barzilai gileadita de Rogelim,

28. tomaram camas, bacias e louça de barro: trigo, cevada, farinha, grão torrado, favas e lentilhas também torradas;

29. e mel, coalhada, ovelhas e queijos de vacas, os quais trouxeram a Davi e ao povo que estava com ele, para que comessem. Porque disseram: O povo está faminto, cansado e sedento, no deserto.

1. Davi passou revista ao povo que tinha consigo, e pôs sobre eles capitães de mil e capitães de cem.

2. Enviou Davi ao povo, um terço sob o mando de Joabe, outro terço sob o mando de Abisai, filho de Zeruia, irmão de Joabe, e o outro terço sob o mando de Itai geteu. O rei disse ao povo: Também eu hei de sair convosco.

3. Respondeu, porém, o povo: Não sairás; pois se, na verdade, fugirmos, eles não se importarão conosco; nem se importarão conosco se morrer a metade de nós; pois tu és igual a dez mil de nós. É melhor que fiques na cidade para dali nos socorreres.

4. Tornou-lhes o rei: O que vos parece bem, isso farei. O rei pôs-se ao lado da porta, e saiu todo o povo a centenas e milhares.

5. O rei deu ordem a Joabe, a Abisai e a Itai, dizendo: Por amor de mim tratai com brandura ao mancebo, a Absalão. Todo o povo ouviu quando o rei dava ordem a todos os capitães acerca de Absalão.

6. Assim saiu o povo ao campo contra Israel; e deu-se a batalha no bosque de Efraim.

7. Ali foi o povo de Israel derrotado diante dos servos de Davi, e naquele dia houve uma grande derrota com a perda de vinte mil homens.

8. Pois ali se estendeu a batalha por toda a região; e o bosque consumiu naquele dia mais gente do que a espada consumiu.

9. Absalão, indo montado na sua mula, encontrou-se com os servos de Davi; a mula entrou debaixo dos ramos espessos dum grande carvalho, e Absalão, preso pela cabeça ao carvalho, ficou pendurado entre o céu e a terra; e a mula em que ia montado passou adiante.

10. Vendo isso um homem, avisou a Joabe e disse: Eis que vi Absalão pendurado num carvalho.

11. Respondeu Joabe ao homem que lhe dera a notícia: Pois que o viste, por que não o feriste ali, derrubando-o por terra? e eu te haveria dado dez siclos de prata e um cinto.

12. Tornou o homem a Joabe: Ainda quando eu pudesse pesar nas minhas mãos mil siclos de prata, não estenderia eu a mão contra o filho do rei; porque nós ouvimos a ordem que o rei te deu a ti, a Abisai e a Itai, dizendo: Guardai-me o mancebo Absalão.

13. Se eu tivesse obrado falsamente contra a sua vida, nada teria sido oculto ao rei, e tu mesmo te esquivarias de mim.

14. Disse Joabe: Não posso demorar-me contigo. Tomou na mão três dardos e traspassou com eles o coração de Absalão, que ainda estava vivo no carvalho.

15. Cercaram-no dez mancebos que levavam as armas de Joabe, e feriram a Absalão e mataram-no.

16. Joabe tocou a trombeta, e o povo voltou de perseguir a Israel; pois Joabe deteve ao povo.

17. Levaram a Absalão, e lançaram-no numa grande cova no bosque, e erigiram sobre ele um mui grande montão de pedras. Todo o Israel fugiu, cada um para a sua tenda.

18. Ora Absalão, quando ainda vivia, tinha feito levantar para si a coluna, que está no vale do rei, porque disse: Eu não tenho filho que conserve a memória do meu nome. Deu o seu nome à coluna; até o dia de hoje ela se chama o monumento de Absalão.

19. Disse Aimaás, filho de Zadoque: Deixa-me correr e dar notícia ao rei que Jeová o vingou dos seus inimigos.

20. E Joabe lhe disse: Tu não serás hoje o portador das novas, mas noutro dia as levarás; hoje, porém, não as levarás; porque é morto o filho do rei.

21. Disse Joabe ao cuchita: Vai dizer ao rei o que viste. O cuchita fez uma reverência a Joabe, e partiu a correr.

22. Então tornou Aimaás, filho de Zadoque, a dizer a Joabe: Seja o que for, deixa-me também correr após o cuchita. Joabe disse: Por que queres correr, meu filho? visto que não receberás recompensa pelas novas.

23. Aconteça, porém, o que acontecer, hei de correr, respondeu Aimaás. Então disse Joabe: Corre. Aimaás correu pelo caminho de Quicar, e passou ao cuchita.

24. Ora, Davi estava assentado entre as duas portas; a sentinela subiu ao eirado da porta acima da muralha e levantou os olhos e viu vir um homem correndo só.

25. Clamou a sentinela e deu a nova ao rei. O rei disse: Se ele vem só, traz notícias. O mensageiro aproximava-se cada vez mais.

26. Viu a sentinela outro homem correndo, e clamou ao porteiro e disse: Eis que vem outro homem correndo só. O rei disse: Este também traz notícias.

27. Acrescentou a sentinela: Parece-me que o correr do primeiro é como o correr de Aimaás, filho de Zadoque. Disse o rei: Ele é homem de bem, e trará boas novas.

28. Gritou Aimaás e disse ao rei: Paz. Prostrou-se com o rosto em terra perante o rei e disse: Bendito seja Jeová teu Deus que entregou os homens que levantaram a mão contra o rei meu senhor.

29. Perguntou o rei: Está bem o mancebo Absalão? Respondeu Aimaás: Quando Joabe enviou ao servo do rei, que sou eu, vi um grande alvoroço, porém não sei o que era.

30. Disse o rei: Põe-te ao lado e espera aqui. Ele se pôs ao lado e esperou de pé.

31. Eis que chegou o cuchita, e disse: Receba o rei meu senhor as novas. Hoje Jeová te vingou de todos os que se levantaram contra ti.

32. O rei perguntou ao cuchita: Está bem o mancebo Absalão? Respondeu o cuchita: Como aquele mancebo o é, assim sejam os inimigos do rei meu senhor, e todos os que se levantam contra ti para te fazerem o mal.

33. O rei ficou muito comovido e subiu à sala que estava por cima da porta, e pôs-se a chorar; e andando, dizia assim: Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, filho meu, filho meu!

1. Foi dito a Joabe: Eis que o rei chora e lamenta a Absalão.

2. E a vitória converteu-se em luto naquele dia para todo o povo, porque o povo ouviu dizer naquele dia: O rei faz lamentações por seu filho.

3. Entrou o povo naquele dia na cidade às furtadelas, como o faz quando foge envergonhado da batalha.

4. O rei, tendo coberto o rosto, clamava em alta voz: Meu filho Absalão! Absalão, filho meu, filho meu!

5. Joabe entrou ao rei em casa, e disse: Cobriste hoje de confusão o rosto de todos os teus servos que hoje salvaram a tua vida, a vida de teus filhos e filhas, e a de tuas mulheres e concubinas,

6. amando aos que te aborrecem, e aborrecendo aos que te amam. Hoje declaraste que não se te dá nem de príncipes nem de servos, pois conheço agora que, se Absalão vivesse e todos nós fôssemos mortos, tu ficarias muito contente.

7. Levanta-te sem demora, sai e fala palavras de conforto aos teus servos. Juro por Jeová que, se não saíres, nem sequer um homem ficará contigo esta noite; e isto será pior do que todos os males que têm vindo sobre ti desde a tua mocidade até agora.

8. O rei levantou-se e assentou-se à porta; e todo o povo veio apresentar-se perante o rei. Ora, Israel havia fugido, cada um para a sua tenda.

9. Todo o povo em todas as tribos de Israel queixava-se, dizendo: O rei livrou-nos da mão dos nossos inimigos, ele nos salvou das mãos dos filisteus, e agora saiu da terra fugindo de Absalão.

10. Absalão, a quem ungimos sobre nós, morreu na batalha. Agora por que não tratais vós de fazer voltar o rei?

11. O rei Davi mandou dizer aos sacerdotes Zadoque e Abiatar: Falai aos anciãos de Judá: Por que sois vós os últimos em fazer voltar o rei para a sua casa? pois já a palavra de todo o Israel é chegada ao rei no sentido de o trazer para sua casa.

12. Vós sois meus irmãos, sois meu osso e minha carne; por que então sois vós os últimos em fazer voltar o rei?

13. Dizei a Amasa: Não és tu meu osso e minha carne? Assim me faça Deus, e ainda mais, se não fores diante de mim para sempre general do exército, em lugar de Joabe.

14. Então moveu ele o coração de todos os homens de Judá como se fora um só homem, de modo que enviaram a dizer ao rei: Volta com todos os teus servos.

15. Voltou o rei, e chegou ao Jordão. Judá foi a Gilgal para receber o rei, a fim de fazê-lo passar o Jordão.

16. Apressou-se Simei, filho de Gera benjamita, que era de Baurim e desceu com os homens de Judá a encontrar-se com o rei Davi.

17. Com ele estavam mil homens de Benjamim, e Ziba, servo da casa de Saul, acompanhado de seus quinze filhos e dos seus vinte servos. Meteram-se pelo Jordão adiante do rei,

18. passando repetidas vezes o vau, para conduzirem os da casa real e para fazerem o que lhe era agradável. Simei prostrou-se perante o rei, quando havia passado o Jordão,

19. e disse-lhe: Não me tenhas por culpado, meu senhor, nem te lembres do que perversamente fez o teu servo no dia em que o rei meu senhor saiu de Jerusalém, para levá-lo em conta.

20. Pois eu, teu servo, conheço que pequei; por isso sou vindo hoje o primeiro de toda a casa de José para descer ao encontro do rei meu senhor.

21. Abisai, porém, filho de Zeruia, respondeu e disse: Não será morto Simei, por ter amaldiçoado o ungido de Jeová?

22. Davi disse: Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia, para que hoje me sejais adversários? há de hoje tirar-se a vida a alguém em Israel? pois não sei eu que hoje sou feito rei em Israel?

23. Então disse o rei a Simei: Não morrerás. O rei lho jurou.

24. Desceu também Mefibosete, filho de Saul, a receber o rei; ele não dera cuidado aos pés, nem tinha feito a barba, nem lavado os vestidos desde o dia em que o rei saíra até o dia em que voltou em paz.

25. Tendo chegado a Jerusalém para se encontrar com o rei, perguntou-lhe este: Por que não foste comigo, Mefibosete?

26. Respondeu ele: Ó rei meu senhor, o meu criado me enganou. Pois o teu servo disse: Eu albardarei um jumento, para nele montar e ir com o rei; porque o teu servo é coxo.

27. Mas ele falsamente acusou o teu servo diante do rei meu senhor; porém tu, ó rei meu senhor, és como um anjo de Deus. Faze, pois, o que bem te parecer.

28. Pois toda a casa de meu pai não era senão digna de morte diante do rei meu senhor; contudo puseste o teu servo entre os que comem à tua mesa. Que direito mais tenho eu de clamar ainda ao rei?

29. Respondeu-lhe o rei: Por que falas ainda dos teus negócios? Resolvo que com Ziba repartas as terras.

30. Disse Mefibosete ao rei: Fique ele muito embora com tudo, uma vez que o rei meu senhor já voltou em paz à sua casa.

31. Também Barzilai gileadita desceu de Rogelim; e passou na companhia do rei para o acompanhar até a outra banda do Jordão.

32. Era Barzilai muito velho, da idade de oitenta anos. Ele tinha provido o rei de víveres, quando estava em Maanaim, porque era um homem muito rico.

33. Disse o rei a Barzilai: Passa tu comigo, e te sustentarei em Jerusalém.

34. Respondeu Barzilai ao rei: Quantos são os dias dos anos da minha vida, para que eu suba com o rei a Jerusalém?

35. Oitenta anos tenho hoje; poderei eu discernir entre o bom e o mau? poderá o teu servo perceber o sabor no que come ou no que bebe? poderei mais ouvir a voz dos cantores ou das cantoras? por que há de ser o teu servo ainda pesado ao rei meu senhor?

36. O teu servo só quer passar o Jordão com o rei; por que há de me pagar o rei com tal recompensa?

37. Deixa voltar o teu servo para que eu morra na minha cidade, e seja enterrado junto à sepultura de meu pai, e de minha mãe. Mas eis aqui o teu servo Quimã. Passe ele com o rei meu senhor; e faze-lhe o que for do teu agrado.

38. Respondeu o rei: Quimã passará comigo e far-lhe-ei o que bem te parecer. Tudo o que de mim exigires, isso te farei.

39. Todo o povo passou o Jordão; também o rei passou. O rei beijou a Barzilai, e o abençoou; e este voltou para o seu lugar.

40. Passou o rei para Gilgal, e Quimã passou em sua companhia. Todo o povo de Judá conduziu o rei, e bem assim a metade do povo de Israel.

41. Eis que todos os homens de Israel vieram ter com o rei e lhe disseram: Por que te roubaram nossos irmãos, os homens de Judá, e fizeram ao rei e a toda a sua casa, e a todos os homens de Davi passar o Jordão?

42. Todos os homens de Judá responderam aos homens de Israel: Porque o rei é nosso parente chegado. Por que é que vos irais por isso? acaso temos comido à custa do rei? ou tem-se-nos dado algum presente?

43. Os homens de Israel responderam aos homens de Judá: Dez partes temos no rei, e mais nos toca também Davi a nós do que a vós; por que não fizestes caso de nós, quando fomos nós que primeiro falamos em fazer voltar o nosso rei? Porém as palavras dos homens de Judá eram mais desabridas do que as palavras dos homens de Israel.

1. Ora sucedeu achar-se ali um homem de Belial, que se chamava Seba, filho de Bicri, homem benjamita. Ele tocou a trombeta e disse: Nós não temos parte em Davi, nem herança no filho de Jessé; cada um para as suas tendas, ó Israel.

2. Todos os homens de Israel se separaram de Davi, e seguiram a Seba, filho de Bicri; porém os homens de Judá se apegaram ao seu rei desde o Jordão até Jerusalém.

3. Veio Davi para sua casa em Jerusalém. O rei tomou as dez mulheres, suas concubinas, que tinha deixado para guardarem a casa, e as meteu em custódia, e as sustentou, porém não entrou a elas. Assim estiveram encerradas até o dia da sua morte, vivendo como viúvas.

4. Disse o rei a Amasa: Convoca-me dentro de três dias os homens de Judá, e apresenta-te aqui.

5. Partiu Amasa para convocar os homens de Judá, mas tardou além do tempo que o rei lhe aprazara.

6. Davi disse a Abisai: Mais mal agora nos fará Seba, filho de Bicri, do que nos fez Absalão. Portanto toma os servos do teu senhor, e persegue-o, não suceda que ele consiga cidades fortificadas, e nos escape.

7. Saíram após ele os homens de Joabe, e os quereteus e os peleteus e todos os homens valentes; e saíram de Jerusalém para perseguirem a Seba, filho de Bicri.

8. Eles estavam junto da grande pedra em Gibeom, quando Amasa lhes veio ao encontro. Estava Joabe cingido com as armas que levara, e sobre elas um cinto, no qual, presa aos seus lombos estava uma espada, dentro da sua bainha; e adiantando-se ele, caiu a espada.

9. Disse Joabe a Amasa: Vais bem, meu irmão? Com a mão direita Joabe tomou a Amasa pela barba, para o beijar.

10. Amasa, porém, não reparou na espada que estava na mão de Joabe. Assim este o feriu com ela no ventre, e lhe lançou por terra os intestinos, sem o ferir segunda vez; e Amasa caiu morto. Joabe e Abisai, seu irmão, perseguiram a Seba, filho de Bicri.

11. Um dos mancebos de Joabe ficou junto de Amasa e dizia: Quem favorece a Joabe, e quem está a favor de Davi, siga a Joabe.

12. Amasa se revolvia no seu sangue no meio da estrada. Quando o mancebo viu que todo o povo parava, levou a Amasa da estrada para o campo, e lançou sobre ele um manto, porque viu que todo aquele que chegava ao pé dele, parava.

13. Tirado que foi Amasa da estrada, todo o povo seguiu a Joabe, para perseguir a Seba, filho de Bicri.

14. Joabe passou por todas as tribos de Israel até Abel, e a Bete-Maaca e a todos os beritas, os quais se ajuntaram, e saíram também após ele.

15. Foram e sitiaram-no em Abel de Bete-Maaca, e levantaram contra a cidade um montão, da altura do muro; e todo o povo que estava com Joabe batia o muro para o derribar.

16. Gritou uma mulher sábia de dentro da cidade: Ouvi, ouvi; dizei a Joabe: Chega-te cá, para que eu fale contigo.

17. Tendo ele se chegado perto dela, perguntou a mulher: És tu Joabe? Respondeu ele: Sou. Ela lhe disse: Ouve as palavras da tua escrava. Disse ele: Ouço.

18. A mulher prosseguiu: Antigamente era costume dizer: Peça-se conselho em Abel; e assim punham termo às questões.

19. Eu sou dentre as pacíficas e fiéis em Israel: tu estás procurando destruir uma cidade e uma mãe em Israel; por que queres devorar a herança de Jeová?

20. Respondeu Joabe: Longe, longe de mim que eu devore ou destrua.

21. A coisa não é assim. Porém um homem da região montanhosa de Efraim, de nome Seba, filho de Bicri, levantou a mão contra o rei, contra Davi; entregai só este, e retirar-me-ei da cidade. Disse a mulher a Joabe: Eis que te será lançada a sua cabeça pelo muro.

22. A mulher na sua sabedoria foi ter com todo o povo. Cortada a cabeça de Seba, filho de Bicri, lançaram-na a Joabe. Ele tocou a trombeta, e retiraram-se da cidade, cada um para a sua tenda. Joabe voltou a Jerusalém a ter com o rei.

23. Joabe estava sobre todo o exército de Israel; Benaia, filho de Joiada, estava sobre os quereteus e sobre os peleteus;

24. Adoram sobre os que trabalhavam forçados; Josafá, filho de Ailude, era cronista;

25. Seva era secretário; Zadoque e Abiatar eram sacerdotes;

26. e também Ira o jairita era ministro de estado de Davi.

1. Houve nos dias de Davi uma fome de três anos consecutivos; e Davi consultou a Jeová. Jeová disse: Há sangue sobre Saul e sobre a sua casa, porque matou os gibeonitas.

2. Chamou o rei aos gibeonitas e disse-lhes (ora os gibeonitas não eram dos filhos de Israel, mas do resto dos amorreus; e os filhos de Israel se tinham ligado a eles por juramento; Saul, porém, procurou feri-los no seu zelo pelos filhos de Israel e de Judá),

3. sim, Davi perguntou-lhes: Que quereis que eu vos faça? com que farei expiação, para que abençoeis a herança de Jeová?

4. Responderam-lhe os gibeonitas: Não é por prata nem por ouro que temos questão com Saul ou com a sua casa; nem pretendemos tirar a vida a homem algum em Israel. Davi disse: O que vós disserdes, isso vos farei.

5. Responderam ao rei: Quanto ao homem que nos consumiu e pensou em nos destruir, para que não ficássemos em qualquer termo de Israel,

6. dêem-se-nos sete de seus filhos, para que os enforquemos a Jeová em Gibeá de Saul, o eleito de Jeová. Disse o rei: Eu os darei.

7. O rei, porém, poupou a Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, por causa do juramento de Jeová que havia entre eles, a saber, entre Davi e Jônatas, filho de Saul.

8. Mas o rei tomou os dois filhos de Rispa, filha de Aiá, Armoni e Mefibosete, os quais houvera de Saul, também os cinco filhos de Merabe, filha de Saul, que ela deu à luz a Adriel, filho de Barzilai meolatita,

9. e entregou-os nas mãos dos gibeonitas, que os enforcaram no monte diante de Jeová, e todos os sete caíram juntos. Foram mortos nos dias da ceifa, nos primeiros dias, no princípio da ceifa da cevada.

10. Rispa, filha de Aiá, tomou um pano de cilício, e estendeu-o para si sobre uma pedra, desde o princípio da ceifa até que a água caiu do céu sobre eles; não deixou aproximar-se deles as aves de dia, nem as feras de noite.

11. Foi contado a Davi o que fizera Rispa, filha de Aiá e concubina de Saul.

12. Foi Davi e tomou os ossos de Saul e os ossos de Jônatas aos homens de Jabes-Gileade, que os tinham roubado da praça de Bate-Sã, na qual os filisteus os tinham pendurado no dia em que mataram a Saul em Gilboa.

13. Dali trouxe Davi os ossos de Saul e os de seu filho Jônatas; e recolheram os ossos dos que foram enforcados.

14. Enterraram os ossos de Saul e de seu filho Jônatas na terra de Benjamim, em Zela, na sepultura de Quis seu pai. Fizeram tudo o que o rei ordenara. Depois disto Deus se tornou propício para com a terra.

15. De novo fizeram os filisteus guerra contra Israel. Desceu Davi com os seus servos, e pelejaram contra os filisteus. Ficando Davi muito fatigado,

16. Isbi-Benobe, que era dos filhos do gigante, cuja lança pesava trezentos siclos de cobre, e que cingia uma espada nova, intentou matá-lo.

17. Abisai, porém, filho de Zeruia, socorreu-o, feriu ao filisteu e matou-o. Então os homens de Davi lhe juraram, dizendo: Não tornarás a sair conosco à batalha, para que não apagues a lâmpada de Israel.

18. Depois disto houve ainda em Gobe uma guerra contra os filisteus; então Sibecai husatita matou a Safe, que era dos filhos do gigante.

19. Houve ainda em Gobe mais uma guerra contra os filisteus; e Elanã, filho de Jaaré-Oregim, belemita, matou a Golias geteu, de cuja lança a haste era como órgão de tecelão.

20. De novo houve guerra em Gate, onde estava um homem de grande estatura, o qual tinha seis dedos em cada mão, e em cada pé seis dedos, vinte e quatro ao todo. Este também nasceu gigante.

21. Quando ele injuriava a Israel, tirou-lhe a vida Jônatas, filho de Simei, irmão de Davi.

22. Estes quatro nasceram ao gigante em Gate; e caíram pela mão de Davi e pela mão dos seus servos.

1. Davi falou a Jeová as palavras deste cântico no dia em que Jeová o livrou da mão de todos os seus inimigos e da mão de Saul;

2. e disse: Jeová é o meu rochedo, a minha fortaleza e o meu libertador;

3. É o Deus da minha rocha, nele confiarei: É o meu escudo, e a força da minha salvação, a minha alta torre, e o meu refúgio: Ó meu salvador, da violência tu me livras.

4. Hei de invocar a Jeová, que é digno de louvor; Assim serei salvo dos meus inimigos.

5. Porque me cercaram as ondas da morte, As torrentes da impiedade me atemorizaram.

6. As cordas do Cheol me cingiram, Os laços da morte me apanharam.

7. Na minha angústia invoquei a Jeová, Sim invoquei ao meu Deus; Do seu templo ouviu a minha voz, E o meu clamor chegou aos seus ouvidos.

8. Então a terra se comoveu e estremeceu, Os fundamentos do céu se moveram, E se abalaram porque ele se irou.

9. Das suas narinas subiu fumo, E da sua boca saiu fogo devorador, Que pôs carvões em chamas.

10. Abaixou também os céus, e desceu; E havia escuridade debaixo dos seus pés.

11. Montou num querubim, e voou: E foi visto sobre as asas do vento.

12. Fez das trevas tendas ao redor de si, Ajuntamento de águas, espessas nuvens do céu.

13. Pelo esplendor que estava diante dele acenderam-se carvões de fogo.

14. Jeová trovejou do céu, E o altíssimo fez soar a sua voz.

15. Disparou setas, e dissipou-os; Raios, e desbaratou-os.

16. Então apareceram as profundezas do mar, Descobriram-se os fundamentos do mundo, Pela repreensão de Jeová, Ao assopro do vento dos seus narizes.

17. Enviou do alto, e recebeu-me; Tirou-me das muitas águas;

18. Livrou-me do meu inimigo poderoso, E dos que me tinham ódio, porque eram mais fortes do que eu.

19. Vieram sobre mim no dia da minha calamidade; Porém Jeová se fez o meu esteio.

20. Conduziu-me para um lugar espaçoso; Livrou-me porque se agradou de mim.

21. Jeová recompensou-me segundo a minha justiça, Retribuiu-me segundo a pureza das minhas mãos.

22. Pois guardei os caminhos de Jeová, E não obrei impiamente, apartando-me do meu Deus.

23. Porque todos os seus juízos estavam diante de mim; E quanto aos seus estatutos, deles não me arredei.

24. Fui também perfeito para com ele, E guardei-me da minha iniqüidade.

25. Por isso me retribuiu Jeová segundo a minha justiça, Segundo a minha pureza diante dos seus olhos.

26. Para com o misericordioso mostrar-te-ás misericordioso, Para com o homem perfeito mostrar-te-ás perfeito,

27. Para com o puro mostrar-te-ás puro, E para com o pervertido mostrar-te-ás tortuoso.

28. Livrarás o povo humilhado, Mas os teus olhos estão sobre os altivos, para que os abatas.

29. Pois, tu és, Jeová, a minha candeia; E Jeová alumiará as minhas trevas.

30. Pois com o teu auxílio posso atacar uma tropa; E com o auxílio do meu Deus posso saltar um muro.

31. Quanto a Deus, o seu caminho é perfeito; A palavra de Jeová é purificada; Ele é o escudo de todos os que nele confiam.

32. Pois quem é Deus, senão Jeová? E quem é rocha, senão o nosso Deus?

33. Deus é o meu refúgio poderoso, E faz o meu caminho perfeito.

34. Ele iguala os meus pés com os das gazelas, E me põe sobre as minhas alturas.

35. Ele instrui as minhas mãos para a peleja, De modo que os meus braços podem entesar um arco de cobre.

36. Também me deste o escudo da tua salvação; E a tua condescendência me engrandeceu.

37. Alargaste os meus passos debaixo de mim, E não vacilaram os meus artelhos.

38. Persegui os meus inimigos, e os derrotei, E não tornei atrás, até os consumir.

39. Consumi-os e os atravessei de sorte que não se pudessem levantar: Sim, caíram debaixo dos meus pés.

40. Pois me cingiste de força para a peleja; Fizeste curvar-se debaixo de mim os que se levantaram contra mim.

41. Fizeste que me voltassem as costas os meus inimigos, Para que eu exterminasse os que me aborrecem.

42. Olharam ao redor, porém não houve ninguém que os salvasse; Olharam para Jeová, mas ele não lhes respondeu.

43. Então os moí como o pó da terra, Como a lama das ruas os pisei, e os dissipei.

44. Também me livraste das contendas do meu povo; Guardaste-me para ser o cabeça das nações: Um povo que não conheço me servirá.

45. Os estrangeiros submeter-se-ão a mim; Logo que me conhecerem, obedecer-me-ão.

46. Os estrangeiros dissipar-se-ão, E, tremendo, sairão dos seus lugares fortes.

47. Jeová vive, e bendita seja a minha rocha; E exaltado seja o Deus da rocha da minha salvação:

48. O Deus que me dá vingança, Que sujeita povos debaixo de mim,

49. E que me tira dentre os meus inimigos; Tu me exaltas acima dos que se levantam contra mim; Tu me livras do homem violento.

50. Por isso, Jeová, te darei graças entre as nações, E entoarei louvores ao teu nome.

51. Ele dá grande salvamento ao seu rei, E faz misericórdia ao seu ungido, A Davi, e à sua semente para sempre.

1. Estas são as últimas palavras de Davi. Diz Davi, filho de Jessé, E diz o homem que foi exaltado, O ungido do Deus de Jacó, E o suave salmista de Israel:

2. O espírito de Jeová fala por mim, E a sua palavra está na minha língua.

3. Disse-me o Deus de Israel, A Rocha de Israel falou: Aquele que domina sobre os homens com justiça, Que domina no temor de Deus,

4. Será como a luz da manhã ao sair do sol. Manhã sem nuvens, Quando, depois da chuva, o seu esplendor faz brotar da terra a relva.

5. Na verdade não é tal a minha casa para com Deus; Contudo estabeleceu comigo uma aliança eterna, Em tudo bem regulada e segura; Pois é ele toda a minha salvação e todo o meu desejo, Ainda que ele não a faz brotar agora.

6. Porém os ímpios serão todos lançados fora como os espinhos, Pois não podem ser tocados com a mão:

7. Mas para alguém os tocar Deve ser armado de ferro, e da haste duma lança; A fogo serão de todo queimados no seu lugar.

8. Estes são os nomes dos valentes: Josebe-Bassebete, taquemonita, chefe dos capitães; este era Adino o esnita...contra oitocentos mortos de uma vez.

9. Depois dele Eleazar, filho de Dodó, filho dum aoíta, um dos três valentes que estavam com Davi, quando desafiaram aos filisteus ali reunidos para a peleja, e quando os filhos de Israel se haviam retirado.

10. Este se levantou e feriu os filisteus até lhe cansar a mão e ficar pegada à espada. Naquele dia efetuou Jeová um grande livramento; e voltou o povo após Eleazar somente para tomar os despojos.

11. Depois dele era Samá, filho de Agé ararita. Os filisteus haviam-se ajuntado em Leí, onde havia um pedaço de terra cheio de lentilhas; e o povo fugiu de diante dos filisteus.

12. Porém este se pôs no meio do terreno, e o defendeu, e feriu os filisteus: e Jeová efetuou um grande livramento.

13. Três dos trinta cabeças desceram, e foram ter com Davi, no tempo da ceifa, à cova de Adulão; uma tropa dos filisteus acampava no vale de Refaim.

14. Davi estava então no lugar forte, e em Belém a guarnição dos filisteus.

15. Davi teve desejos, e disse: Quem me dera beber água do poço que está junto à porta de Belém!

16. Os três valentes romperam pelo arraial dos filisteus, e tiraram água do poço que estava junto à porta de Belém, tomaram-na e a trouxeram a Davi. Ele não a quis beber, porém a derramou para Jeová.

17. Disse: Guarda-me, Jeová, de que tal faça; este é o sangue dos homens que foram a risco das suas vidas. Por isso não a quis beber. Estas coisas fizeram os três valentes.

18. Abisai, irmão de Joabe, filho de Zeruia, era cabeça dos três. Este levantou a sua lança contra trezentos e os matou, e tinha nome entre os três.

19. Não era ele mais insigne do que os três? portanto se lhes tornou o cabeça; contudo não chegou aos três primeiros nomeados.

20. Benaia, filho de Joiada, filho dum homem de Cabzeel, valente e de grandes feitos; matou os dois filhos de Ariel de Moabe. Desceu e matou um leão na cova em dia de neve.

21. Foi ele quem matou a um egípcio, homem de boa aparência; o egípcio tinha na mão uma lança, mas Benaia desceu a ele com um cajado, arrebatou-lhe da mão a lança, e matou-o com ela.

22. Estas coisas fez Benaia, filho de Joiada, e tinha nome entre os três valentes.

23. Ele era mais insigne do que os trinta, porém não chegou aos três primeiros. Davi pô-lo sobre a sua guarda.

24. Asael, irmão de Joabe, era um dos trinta; El-Hanã, filho de Dedó, de Belém;

25. Samá harodita, Elica harodita;

26. Helez paltita, Ira, filho Iques Tecoita;

27. Abiezer natotita; Mebunai husatita;

28. Zalmom aoíta, Maarai netofatita;

29. Helebe, filho de Baaná netofatita, Itai, filho de Ribai de Gibeá dos filhos de Benjamim.

30. Benaia piratonita, Hidai das torrentes de Gaás;

31. Abi-Albom arbatita, Azmavete barumita;

32. Eliaba saalbonita, dos filhos de Jásen; Jônatas;

33. Samá ararita, Aião, filho de Sarar ararita;

34. Elifelete, filho de Aasbai, filho do maacatita, Eliã, filho de Aitofel gilonita;

35. Hezrai carmelita, Paarai arbita;

36. Igal, filho de Natã de Zobá, Bani gadita;

37. Zeleque amonita, Naarai beerotita, que levavam as armas de Joabe, filho de Zeruia;

38. Ira itrita, Garebe itrita;

39. e Urias heteu: por todos trinta e sete.

1. Tornou-se de novo a acender a ira de Jeová contra Israel, e incitou contra eles a Davi, dizendo: Vai, numera a Israel e a Judá.

2. Disse o rei a Joabe, general do seu exército: Corre todas as tribos de Israel, desde até Berseba, e fazei resenha do povo, para que eu saiba o número do povo.

3. Joabe respondeu ao rei: Queira Jeová teu Deus multiplicar o povo cem vezes mais do que agora é, e veja-o o rei meu senhor! mas por que tem prazer nisto o rei meu senhor?

4. Todavia a palavra do rei prevaleceu contra Joabe, e contra os generais do exército. Saiu da presença do rei Joabe, com os generais do exército a contar o povo de Israel.

5. Tendo eles passado o Jordão, acamparam-se em Aroer, ao lado direito da cidade que está no meio do vale de Gade, indo até Jazer.

6. Em seguida foram a Gileade e à terra de Tatim-Hodchi; foram a Dã-Jaã, dali virando-se para Sidom,

7. chegaram à fortaleza de Tiro, e a todas as cidades dos heveus e dos cananeus; e acabaram a viagem no Neguebe de Judá em Berseba.

8. Tendo corrido toda a terra, chegaram a Jerusalém ao fim de nove meses e vinte dias.

9. Deu Joabe ao rei a soma do recenseamento do povo. Havia em Israel oitocentos mil homens valentes que puxavam da espada, e em Judá eram quinhentos mil.

10. O coração de Davi o acusou, depois de ter ele numerado o povo. Disse Davi a Jeová: Muito pequei no que fiz; porém agora, Jeová, rogo-te que perdoes a iniqüidade do teu servo, porque procedi muito nesciamente.

11. Levantando-se Davi pela manhã, veio a palavra de Jeová ao profeta Gade, vidente de Davi, dizendo:

12. Vai e fala a Davi: Assim diz Jeová: Três coisas te ofereço; escolhe qual delas queres que te faça.

13. Gade, indo ter com Davi, lho intimou e disse: Queres que te venham sete anos de fome na tua terra? ou queres fugir por três meses diante dos teus inimigos, enquanto estes te perseguirem? ou que haja por três dias peste na tua terra? delibera agora, e vê que resposta hei de levar a quem me enviou.

14. Respondeu Davi a Gade: Acho-me em grande aperto. Caiamos nas mãos de Jeová, porque muitas são as suas misericórdias; porém nas mãos dos homens não caia eu.

15. Então enviou Jeová a peste a Israel desde a manhã até o tempo determinado; e morreram do povo, desde até Berseba, setenta mil homens.

16. Quando o anjo estendeu a mão sobre Jerusalém para a destruir, arrependeu-se do mal Jeová, e disse ao anjo que exterminava ao povo: Basta; detém agora a tua mão. O anjo de Jeová estava junto à eira de Araúna, jebuseu.

17. Davi quando viu ao anjo que feriu o povo, falou a Jeová: Eis que eu pequei, e eu procedi perversamente: porém estas ovelhas, que fizeram? seja a tua mão contra mim, e contra a casa de meu pai.

18. Veio Gade naquele dia ter com Davi, e disse-lhe: Sobe e levanta um altar a Jeová na eira de Araúna, jebuseu.

19. Davi subiu conforme a palavra de Gade, como Jeová ordenou.

20. Olhou Araúna e, vendo que vinham ter com ele o rei e seus servos, saiu e prostrou-se perante o rei com o rosto em terra.

21. Perguntou: Por que vem o rei meu senhor ter com o seu servo? respondeu Davi: Para comprar de ti a eira, para edificar um altar a Jeová, a fim de que cesse dentre o povo a praga.

22. Araúna disse a Davi: Tome, e sacrifique o rei meu senhor o que bem lhe parecer: eis os bois para o holocausto, e os trilhos e os aparelhos dos bois para a lenha.

23. Tudo isto, ó rei, Araúna te oferece. Disse Araúna ao rei: Que Jeová teu Deus te aceite!

24. Então disse o rei a Araúna: Não; porém to comprarei pelo que vale; não oferecerei a Jeová meu Deus holocaustos que me não custem nada. Comprou Davi a eira e os bois por cinqüenta siclos de prata.

25. Edificou ali um altar a Jeová, e ofereceu holocaustos e ofertas pacíficas. Assim Jeová se tornou propício para com a terra, e a praga cessou de Israel.

Você está lendo 2 Samuel na edição TB, Sociedade Bíblica Britânica, em Português.
Este lívro compôe o Antigo Testamento, tem 24 capítulos, e 695 versículos.