Isaías

1. A visão que Isaías, filho de Amoz, teve acerca de Judá e de Jerusalém, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá.

2. Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, ó terra, porque fala Jeová: Nutri e fiz crescer filhos, mas eles se rebelaram contra mim.

3. O boi conhece ao seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende.

4. Ai da nação pecaminosa, do povo carregado de iniqüidade, da semente que consta de malfeitores, dos filhos que praticam a corrupção: abandonaram a Jeová, desprezaram ao Santo de Israel, retiraram-se para trás.

5. Por que quereis ainda ser feridos, continuando na apostasia? toda a cabeça está enferma, e todo o coração abatido.

6. Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã; há só feridas e contusões e chagas vivas: não foram exprimidas, nem atadas, nem amolecidas com óleo.

7. A vossa terra está desolada, as vossas cidades abrasadas de fogo; a vossa lavoura, os estrangeiros devoraram-na na vossa presença, e ela fica desolada, uma assolação feita por estrangeiros.

8. A filha de Sião é deixada como a choupana na vinha, como a choça no pepinal, como cidade sitiada.

9. Se Jeová dos exércitos não nos tivesse deixado alguns de resto, teríamos sido como Sodoma, ter-nos-íamos tornado tais como Gomorra.

10. Ouvi a palavra de Jeová, governadores de Sodoma, dai ouvidos à lei do nosso Deus, povo de Gomorra.

11. De que me serve a mim a multidão dos vossos sacrifícios? diz Jeová. Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; e não me agrado do sangue de novilhos, ou de cordeiros, ou de bodes.

12. Quando vindes a comparecer perante mim, quem requereu de vós isto, o pisardes os meus átrios?

13. Não continueis a trazer oblações; o incenso para mim é abominação; a lua nova e o sábado, a convocação das assembléias...não posso suportar a iniqüidade e o ajuntamento solene.

14. As vossas luas novas e as vossas festas fixas, a minha alma as aborrece; elas me são como carga: estou cansado de as sofrer.

15. Quando estenderdes as vossas mãos, esconderei de vós os meus olhos: ainda quando multipliqueis as vossas orações, não ouvirei: as vossas mãos estão cheias de sangue.

16. Lavai-vos, purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos a maldade das vossas ações; cessai de fazer o mal.

17. Aprendei a fazer o bem, procurai o que é justo, fazei que o opressor seja reto, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva.

18. Vinde, pois, arrazoemos, diz Jeová: ainda que os vossos pecados sejam como o escarlate, ficarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã.

19. Se for da vossa vontade e obedecerdes, comereis os produtos do país;

20. mas se recusardes e fordes rebeldes, sereis devorados pela espada. Pois a boca de Jeová o disse.

21. Como se fez prostituta a cidade fiel! ela que estava cheia de justiça! nela habitava a retidão, mas agora assassinos.

22. A tua prata tornou-se escória, o teu vinho foi misturado com água.

23. Os teus príncipes são rebeldes, companheiros de ladrões. Cada um deles ama peitas, e anda atrás de recompensas. Não fazem justiça ao órfão, nem a causa da viúva chega perante eles.

24. Portanto diz o Senhor, Jeová dos exércitos, o Poderoso de Israel! Ah! livrar-me-ei dos meus adversários, e vingar-me-ei dos meus inimigos;

25. voltarei a minha mão sobre ti, e purificarei como com potassa a tua escória, e tirarei de ti todo o teu estanho;

26. restituirei os teus juízes como foram dantes, e os teus conselheiros como no princípio; depois serás chamada a cidade da justiça, a cidade fiel.

27. Sião será remida pelo juízo e os que regressam a ela pela justiça.

28. Mas os transgressores e os pecadores serão destruídos juntos, e os que abandonarem a Jeová, perecerão.

29. Pois se terá vergonha por causa dos terebintos de que vos agradastes, e sereis confundidos por causa dos jardins que escolhestes.

30. Pois vos tornareis como um terebinto, cujas folhas são murchas, e como um jardim que não tem água.

31. O forte tornar-se-á como estopa, e a sua obra como faísca, e ambos arderão juntamente, e não haverá quem os apague.

1. A revelação que Isaías, filho de Amoz, viu no tocante a Judá e a Jerusalém.

2. Sucederá nos dias vindouros que o monte da casa de Jeová será estabelecido no cume dos montes, e será exaltado sobre os outeiros; e concorrerão a ele todas as nações.

3. Irão muitos povos e dirão: Vinde e subamos ao monte de Jeová, à casa do Deus de Jacó; dê-nos ele a lição dos seus caminhos, e andaremos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra de Jeová.

4. Ele julgará entre as nações, e servirá de árbitro a muitos povos; das suas espadas forjarão relhas de arado, e das suas lanças podadeiras: uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.

5. Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz de Jeová.

6. Pois tu, Jeová, rejeitaste o teu povo, a casa de Jacó, porque estão cheios de costumes do oriente, e são agoureiros como os filisteus, e fazem alianças com os filhos dos estrangeiros.

7. A sua terra está cheia de prata e de ouro, e sem limite são os seus tesouros; também a sua terra está cheia de cavalos, e dos seus carros não há fim.

8. Também a sua terra está cheia de ídolos; adoram a obra das suas mãos, o que fizeram os seus dedos.

9. Por isso o homem tem de ser abatido, e o varão humilhado, e não lhes podes perdoar.

10. Entra nas rochas e esconde-te no pó, para evitar o terror de Jeová, e a glória da sua majestade.

11. Os olhos altivos do homem têm de ser humilhados, e abatida a altivez dos varões, e só Jeová será exaltado naquele dia.

12. Pois Jeová dos exércitos tem um dia contra tudo o que é soberbo e altivo, e contra tudo o que é elevado, para que seja humilhado;

13. contra todos os cedros do Líbano, que são altos e elevados, e contra todos os carvalhos de Basã;

14. contra todos os montes altos, e contra todos os outeiros elevados;

15. contra toda a torre alta, e contra todo o muro fortificado;

16. contra todos os navios de Társis, e contra toda a obra que agrada a vista.

17. A arrogância do homem será abatida, e a altivez dos varões será humilhada; e só Jeová será exaltado naquele dia.

18. Os ídolos de todo desaparecerão.

19. Os homens meter-se-ão nas cavernas das rochas e nos buracos da terra, para evitar o terror de Jeová e a glória da sua majestade, quando ele se levantar para espantar a terra.

20. Naquele dia o homem lançará às toupeiras e aos morcegos os seus ídolos de prata, e os seus ídolos de ouro, que se fizeram para adorar;

21. a fim de entrar nas cavernas das rochas e nas fendas dos rochedos, para evitar o terror de Jeová e a glória da sua majestade, quando ele se levantar para espantar a terra.

22. Deixai-vos de homem que não é senão o sopro dos seus narizes. Pois em que se deve ele estimar?

1. Pois eis que o Senhor, Jeová dos exércitos, tira de Jerusalém e de Judá, o sustento e o bordão, todo o sustento de pão e todo o sustento de água;

2. o valente e o guerreiro; o juiz e o profeta, o adivinho e o ancião;

3. o capitão de cinqüenta, e o homem acatado, e o conselheiro, e o artífice hábil e o encantador perito.

4. Dar-lhes-ei meninos por príncipes, e caprichos infantis dominarão sobre eles.

5. O povo oprimirá uns aos outros, homem a homem, e próximo a próximo: mostrar-se-ão atrevidos, o menino contra o ancião, e o vil contra o nobre.

6. Quando alguém pegar de seu irmão na casa de seu pai, dizendo: Tu tens roupa, tu dominarás sobre nós, e fique esta ruína debaixo da tua mão;

7. naquele dia exclamará, dizendo: Não quero ser médico, pois em minha casa não há pão nem roupa; não me haveis de constituir dominador sobre o povo.

8. Pois Jerusalém está arruinada, e Judá caído; porque a sua língua e as suas ações são contra Jeová, para desafiarem os olhos da sua glória.

9. O aspecto do seu semblante dá testemunho contra eles; e, como Sodoma, publicam o seu pecado, sem o disfarçar. Ai das suas almas! porque eles fazem mal a si mesmos.

10. Dizei do justo que ele será próspero, pois comerá o fruto das suas ações.

11. Ai do perverso! não será próspero, pois lhe será feito a ele o que fizeram as suas mãos.

12. Quanto ao meu povo, os que o oprimem, são crianças, e mulheres dominam sobre eles. Ó povo meu, os que te guiam, te enganam, e destroem o caminho das tuas veredas.

13. Jeová põe-se de pé para pleitear, e apresenta-se para julgar os povos.

14. Jeová entrará em juízo com os anciãos do seu povo e com os príncipes do mesmo. Vós sois os que consumistes a vinha; o despojo do aflito está em vossas casas.

15. Que quereis vós os que esmigalhais o meu povo, e moeis o rosto dos aflitos? diz o Senhor, Jeová dos exércitos.

16. Ainda mais disse Jeová: Porque as filhas de Sião são altivas, e andam com o pescoço emproado, fazendo acenos com os olhos, e passeiam andando a passos contados e fazendo tinir os ornamentos dos seus pés;

17. portanto Jeová tornará caspenta a mioleira da cabeça das filhas de Sião, e descobri-lhes-á a nudez.

18. Naquele dia tirará Jeová o enfeite dos anéis dos artelhos, e das coifas, e das luetas;

19. os pendentes e os braceletes, e os véus leves;

20. os diademas, e as cadeias para regularem os passos, e os cintos, e os vasos de perfume, e os amuletos;

21. os anéis, e as jóias pendentes do nariz;

22. os vestidos de gala, e os mantos, e os chales, e os bolsos;

23. os espelhos, e as camisas de linho, e os turbantes e os véus grandes.

24. Será que em lugar de perfume haverá mau cheiro; e por cinto, corda; e por cabelo encrespado, calva; e por faixa de peito, cinto de cilício; marca a fogo em lugar de formosura.

25. Os teus homens cairão à espada, e os teus valentes na guerra.

26. As portas de Sião lamentarão e prantearão; ela será desolada e se assentará no chão.

1. Sete mulheres naquele dia lançarão mão dum só homem, dizendo: Do nosso pão comeremos e dos nossos vestidos nos vestiremos; concede-nos apenas que sejamos chamados do teu nome; tira o nosso opróbrio.

2. Naquele dia o renovo de Jeová se tornará em beleza e glória, e o fruto da terra em orgulho e adorno para os de Israel que tiverem escapado.

3. Será que quem for deixado em Sião, e ficar em Jerusalém, chamar-se-á santo, todo aquele que está inscrito entre os vivos em Jerusalém;

4. quando Jeová tiver lavado a imundícia das filhas de Sião, e tiver purgado a Jerusalém do sangue que há no meio dela pelo sopro do juízo e pelo sopro do incêndio.

5. Jeová criará sobre toda a extensão do monte de Sião, e sobre as assembléias dela, uma nuvem e fumo de dia, e o resplendor dum fogo chamejante de noite. Pois sobre toda a glória se estenderá um docel.

6. Haverá um pavilhão para sombra de dia contra o calor, e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e a chuva.

1. Seja-me permitido, pois, cantar para o meu bem amado, o cântico do meu amado no tocante à sua vinha. O meu bem amado teve uma vinha num alto fertilíssimo.

2. Revolveu-a com enxada, e limpou-a das pedras e plantou-a de vides escolhidas, e edificou no meio dela uma torre, e abriu nela um lagar. Ele esperava que desse uvas, mas deu uvas bravas.

3. Agora, moradores de Jerusalém e homens de Judá, julgai entre mim e a minha vinha.

4. Que havia ainda a fazer à minha vinha, que eu não lhe tenha feito? por que, esperando eu que ela desse uvas, veio a dar uvas bravas?

5. Agora, pois, vos direi o que eu hei de fazer à minha vinha: tirar-lhe-ei a sebe, para que sirva de pasto; derrubar-lhe-ei o muro, para que seja pisada:

6. e de todo a destruirei. Não será podada nem será revolvida com enxada, mas crescerão nela espinhos e abrolhos. Também às nuvens darei ordem que não derramem chuva sobre ela.

7. Pois a vinha de Jeová dos exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a sua plantação dileta. Ele esperou a justiça, mas eis aí a opressão; a retidão, mas eis aí o clamor.

8. Ai dos que ajuntam casa a casa, achegam campo a campo, até que não haja mais lugar, de modo que habitem sós no meio da terra!

9. Aos meus ouvidos diz Jeová dos exércitos: Na verdade muitas casas se tornarão desoladas, sim casas grandes e belas não terão habitadores.

10. Pois dez geiras da vinha darão um bato, e um ômer de semente dará apenas uma efa.

11. Ai dos que se levantam de manhã cedo para correrem atrás de bebidas fortes, e continuam até alta noite, até que o vinho os esquente!

12. O alaúde e a harpa, o tamboril e a flauta e o vinho se acham no seu festim; porém não olham para as obras de Jeová, nem consideram as operações das suas mãos.

13. Portanto o meu povo é levado cativo, por lhes faltar conhecimento; os seus homens ilustres são famintos, e a sua multidão seca-se de sede.

14. Por isso o Cheol alarga a sua garganta, e abre a sua boca desmesuradamente; para lá desce a glória deles, e o seu tumulto, e o seu arruído, e quem entre eles se regozija.

15. Assim o homem é abatido e o varão humilhado, e os olhos dos altivos são humilhados;

16. mas Jeová dos exércitos é exaltado pelo juízo, e Deus, o Santo, é santificado pela justiça.

17. Então os cordeiros pastarão como no seu pasto, e os nômades apascentarão nos campos abandonados dos ricos.

18. Ai dos que puxam a iniqüidade com cordas de impiedade, e o pecado como com tirantes de carro;

19. os quais dizem: Apresse-se Deus, avie-se a sua obra, para que a vejamos; chegue-se e venha o conselho do Santo de Israel, para que o conheçamos!

20. Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; os quais põem trevas por luz e luz por trevas, e mudam o amargo em doce e o doce em amargo!

21. Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos, e prudentes em seu conceito!

22. Ai dos que são poderosos para beberem vinho, e valentes para misturarem bebidas fortes;

23. os quais por peitas justificam o ímpio, e ao justo lhe tiram a sua justiça!

24. Por isso como a língua do fogo devora a palha, e como o feno se desfaz na chama, assim a raiz deles se tornará como podridão, e a sua flor subirá como o pó; porque rejeitaram a lei de Jeová dos exércitos, e desprezaram a palavra do Santo de Israel.

25. Pelo que a ira de Jeová já se acendeu contra Israel; Jeová estendeu a mão contra ele, e o feriu de modo que tremeram os montes, e os seus cadáveres ficaram como lixo no meio das ruas. Com tudo isto não se aplacou a sua ira, mas a sua mão ainda está estendida.

26. Ele arvorará um estandarte para as nações de longe, e assobiará a elas desde a extremidade da terra; eis que virão à pressa, velozmente.

27. Não haverá entre eles quem esteja cansado nem tropece; ninguém dormitará nem dormirá; nem se lhe desatará dos lombos o cinto, nem se lhe quebrará dos sapatos a correia.

28. As suas setas são agudas e todos os seus arcos entesados; as unhas dos seus cavalos são reputadas como pederneira, e as rodas dos seus carros como redemoinho.

29. O seu rugido será como o da leoa, e rugirão como os cachorros dos leões; e rosnando agarrarão a presa, e leva-la-ão com segurança, e não haverá quem lha tire.

30. Bramirão contra eles naquele dia como o bramido do mar; olhando para a terra, ver-se-ão trevas e angústia, e as nuvens sobre ela escurecem a luz.

1. No ano em que morreu o rei Uzias, vi a Jeová sentado sobre um alto e elevado trono, e as orlas do seu vestido enchiam o templo.

2. Serafins estavam por cima dele: cada um tinha seis asas; com duas cobria o rosto, com duas cobria os pés e com duas voava.

3. Um chamava ao outro e dizia: Santo, santo, santo, é Jeová dos exércitos; a terra toda está cheia da sua glória.

4. As bases das umbreiras moveram-se à voz do que clamava, e a casa encheu-se de fumo.

5. Então disse eu: Ai de mim! pois estou perdido; porque, sendo eu homem de lábios impuros e habitando no meio de um povo de lábios impuros, os meus olhos viram o Rei, Jeová dos exércitos.

6. Então voou para mim um dos serafins, tendo na sua mão uma brasa viva, que ele havia tomado de sobre o altar com uma tenaz.

7. Com a brasa tocou-me a boca e disse: Eis que esta brasa tocou os teus lábios; já se foi a tua iniqüidade e perdoado está o teu pecado.

8. Ouvi a voz de Jeová dizer: Quem enviarei eu, e quem irá por nós? Disse eu: Eis-me aqui; envia-me a mim.

9. Ele disse: Vai e dize a este povo: Haveis de ouvir, porém não entendereis; haveis de ver, porém não percebereis.

10. Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos, e fecha-lhe os olhos, para não suceder que, vendo com os olhos, e ouvindo com os ouvidos, entenda no coração, e se converta, e seja sarado.

11. Então disse eu: Até quando, Senhor? Ele respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitadores e as casas sem homens, e a terra seja de todo desolada,

12. e Jeová tenha removido para longe os homens e sejam muitos os lugares abandonados no meio da terra.

13. Se ainda ficar nela a décima parte, essa tornará a ser exterminada. Como terebinto e como carvalho, dos quais, depois de derrubados, ainda fica o tronco; assim a santa semente é o seu tronco.

1. Nos dias de Acaz, filho de Jotão, filho de Uzias, rei de Judá, subiu Rezim, rei da Síria, com Peca, filho de Remalias, rei de Israel, a Jerusalém para pelejar contra ela; e não podia prevalecer contra ela.

2. Aviso foi dado à casa de Davi, dizendo: A Síria está aliada com Efraim. Foi agitado o coração de Acaz e o coração do seu povo, como se agitam as árvores do bosque à força do vento.

3. Disse Jeová a Isaías: Sai agora ao encontro de Acaz, tu e teu filho Sear-Jasube, junto ao fim do aqueduto da piscina superior, na estrada do campo do lavandeiro;

4. e dize-lhe: Guarda-te e conserva-te tranqüilo; não temas, nem te desfaleça o coração por causa destes dois restos de tições fumegantes, por causa do ardor da ira de Rezim e Síria, e do filho de Remalias.

5. Porquanto a Síria resolveu fazer-te mal, bem como Efraim e o filho de Remalias, dizendo:

6. Subamos contra Judá e amedrontemo-lo, e demos sobre ele e tomemo-lo para nós, e façamos reinar no meio dele ao filho de Tabeel;

7. por isso diz o Senhor Jeová: Isto não subsistirá, nem acontecerá.

8. Pois a capital da Síria é Damasco, e o cabeça de Damasco é Rezim (e dentro de sessenta e cinco anos Efraim será despedaçado, de modo que deixe de ser povo);

9. e a capital de Efraim é Samaria, e o cabeça de Samaria é o filho de Remalias. Se o não crerdes, não haveis de permanecer.

10. De novo falou Jeová com Acaz:

11. Pede a Jeová teu Deus um sinal em baixo nas profundezas, ou em cima nas alturas.

12. Respondeu, porém, Acaz: Não pedirei, nem tentarei a Jeová.

13. Disse Isaías: Ouvi agora, ó casa de Davi; porventura não vos basta fatigardes aos homens, mas ainda fatigais também ao meu Deus?

14. Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal; eis que uma donzela conceberá e dará à luz um filho, e por-lhe-á o nome de Emanuel.

15. Ele comerá manteiga e mel, quando souber rejeitar o mal e escolher o bem.

16. Pois antes que o menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, será desolada a terra, ante cujos dois reis tu tremes de medo.

17. Jeová fará vir sobre ti, sobre o teu povo e sobre a casa de teu pai, dias quais não têm vindo desde que Efraim se retirou de Judá-a saber, o rei da Assíria.

18. Naquele dia acontecerá que Jeová assobiará às moscas que estão no extremo dos rios do Egito, e às abelhas que estão na terra da Assíria.

19. Elas virão e pousarão todas nos vales desolados, e nas fendas dos rochedos, e sobre todos os pastos.

20. Naquele dia rapará o Senhor com uma navalha alugada, que está nas regiões além do Rio, a saber, com o rei da Assíria, a cabeça e os cabelos dos pés; também ela tirará a barba.

21. Sucederá naquele dia que um homem criará uma vaca nova e duas ovelhas;

22. e, por causa da abundância do leite que lhe derem, comerá manteiga. Pois todo aquele que for deixado no meio da terra comerá manteiga e mel.

23. Naquele dia todo o lugar, em que antes havia mil vides do valor de mil moedas de prata, será entregue aos espinhos e abrolhos.

24. Com setas e arco entrarão ali, porque toda a terra será espinhos e abrolhos.

25. Quanto a todos os outeiros que com enxada se revolviam, para ali não chegarás com medo dos espinhos e abrolhos, mas servirão de lugar para soltar bois e para ser pisado do gado miúdo.

1. Jeová disse-me: Toma uma tabuinha grande e escreve nela com estilo de homem: Para Maer-Salal-Hás-Baz.

2. Eu tomarei duas testemunhas fidedignas, Urias, sacerdote, e Zacarias, filho de Jeberequias.

3. Cheguei-me a profetisa; ela concebeu, e deu à luz um filho. Então me disse Jeová: Põe-lhe por nome Maer-Salal-Hás-Baz.

4. Pois, antes que o menino saiba clamar: Pai meu, e mãe minha, se levarão as riquezas de Damasco e os despojos de Samaria diante do rei da Assíria.

5. Falou-me ainda outra vez Jeová:

6. Porquanto este povo tem rejeitado as águas de Siloé, que correm mansamente, e se regozija em Rezim e no filho de Remalias;

7. agora, pois, o Senhor faz subir sobre eles as águas do Rio, águas fortes e grandes, a saber, o rei da Assíria e toda a sua glória. Ele subirá sobre todos os seus leitos, e correrá por cima de todas as suas ribanceiras;

8. passará adiante, entrando em Judá, trasbordará, passará por ele e chegará até o pescoço; a extensão das suas asas encherá a largura da tua terra, ó Emanuel.

9. Exasperai-vos, povos, e sereis despedaçados; dai ouvidos, todos os que sois de países longínquos; cingi-vos e sereis despedaçados; cingi-vos e sereis despedaçados.

10. Tomai juntamente um conselho, e ele será frustrado; dizei uma palavra, e ela não subsistirá. Pois Deus é conosco.

11. Porque assim falou comigo Jeová com forte pressão de mão e me admoestou a que eu não andasse pelo caminho deste povo, dizendo:

12. Não chameis conspiração a tudo o que este povo chama conspiração; não temais aquilo que ele teme, nem o tenhais por temível.

13. A Jeová dos exércitos, a ele santificai; seja ele o vosso temor, seja ele o vosso pavor.

14. Ele servirá de santuário; porém será pedra de tropeço e rocha de escândalo para as duas casas de Israel, armadilha e laço para os habitantes de Jerusalém.

15. Muitos dentre eles tropeçarão, cairão e serão quebrantados, enredados e presos.

16. Ata o testemunho e sela a lei entre os meus discípulos.

17. Eu esperarei a Jeová, que esconde da casa de Jacó o seu rosto, e a ele aguardarei.

18. Eis que eu e os filhos que Jeová me tem dado, são para sinais e para portentos em Israel da parte de Jeová dos exércitos, que habita no monte de Sião.

19. Quando vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os feiticeiros, os quais chilram e murmuram: acaso não consultará o povo ao seu Deus? acaso a favor dos vivos consultará aos mortos?

20. À lei e ao testemunho! se o povo não falar segundo esta palavra, não lhes raiará a alva.

21. Passarão pela terra duramente oprimidos e famintos; sucederá que, quando estiverem famintos, se agastarão e em nome do seu Deus e do seu rei lançarão pragas, e olharão para cima.

22. Olharão para a terra, e eis tribulação e trevas, a obscuridade da aflição, e para a escuridão serão empurrados.

1. Mas para a que estava aflita não continuará a obscuridade. No tempo passado ele tornou desprezível a terra de Zebulom, e a terra de Naftali, porém no tempo vindouro tornará glorioso o caminho do mar além do Jordão, o distrito das nações.

2. O povo que anda nas trevas vê uma grande luz; aos que estão de assento na terra da sombra da morte, a estes raia a luz.

3. Tens multiplicado a nação; tens-lhe aumentado a alegria: alegram-se diante de ti segundo a alegria do tempo da ceifa, como exultam quando repartem os despojos.

4. Pois tens despedaçado o jugo da sua carga e o bordão do seu ombro, que é a vara do seu exator, e como fizeste no dia de Midiã.

5. Todo o calçado de quem anda calçado no tumulto, e toda a capa revolvida em sangue, hão de ser queimados como pasto do fogo.

6. Porque a nós nos é nascido um menino, e a nós nos é dado um filho: o governo está sobre os seus ombros, e ele tem por nome Maravilhoso, Conselheiro, Poderoso Deus, Eterno Pai, Príncipe da Paz.

7. Do aumento do seu governo e da paz não haverá fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e para o firmar com juízo e com justiça desde agora e para sempre. O zelo de Jeová dos exércitos cumprirá isto.

8. O Senhor enviou uma palavra a Jacó e ela caiu sobre Israel.

9. Todo o povo o saberá, isto é, Efraim e os habitantes de Samaria, os quais em soberba e em altivez de coração dizem:

10. Os tijolos têm caído, mas edificaremos com pedra lavrada; os sicômoros têm sido cortados, mas em lugar deles poremos cedros.

11. Jeová, porém, exaltou contra eles os adversários de Rezim e incitou os inimigos dele,

12. os siros do oriente e os filisteus do ocidente, e estes devoraram a Israel à boca aberta. Com tudo isso não se aplacou a sua ira, mas a sua mão ainda está estendida.

13. Todavia o povo não se voltou para quem o feriu, nem buscou a Jeová dos exércitos.

14. Portanto, Jeová num só dia exterminará de Israel a cabeça e a cauda, o ramo da palmeira e o junco.

15. O ancião e o homem acatado, esse é a cabeça, e o profeta que ensina mentiras, esse é a cauda.

16. Os que guiam a este povo, o desencaminham; e os que por eles são guiados são destruídos.

17. Por isso o Senhor não se regozijará nos mancebos dele, nem se compadecerá dos seus órfãos e das suas viúvas; porque todos eles são profanos, e malfeitores, e toda a boca fala loucuras. Com tudo isso não se aplacou a sua ira, mas a sua mão ainda está estendida.

18. A perversidade arde como um fogo; consome os espinhos e os abrolhos; acende-se nas brenhas do bosque, e elas sobem em espessas nuvens de fumo.

19. Pelo furor de Jeová dos exércitos está queimada a terra; o povo também vem a ser como pasto do fogo: ninguém poupa a seu irmão.

20. Devorará da banda direita, e ficará com fome; comerá da banda esquerda, e não se fartará: cada um comerá a carne do seu próprio braço.

21. Manassés será contra Efraim, e Efraim contra Manassés: e estes, juntos, serão contra Judá. Com tudo isso não se aplacou a sua ira, mas a sua mão ainda está estendida.

1. Ai dos que fazem decretos injustos, e dos escrivães que registram a opressão,

2. para desviarem do juízo aos necessitados, e para arrebatarem dos pobres do meu povo o direito, a fim de que as viúvas sejam o seu despojo, e os órfãos a sua presa!

3. Que fareis no dia da visitação, e na desolação que vem de longe? a quem recorrereis? e onde deixareis a vossa glória?

4. Terão de curvar-se debaixo dos presos, e cair debaixo dos mortos. Com tudo isso não se aplacou a sua ira, mas a sua mão ainda está estendida.

5. Ai de Assur, vara da minha ira, em cujas mãos o bordão é a minha indignação!

6. Enviá-lo-ei contra uma nação profana, e despachá-lo-ei contra o povo do meu furor, para tomar o despojo, para arrebatar a presa e para os pisar como a lama das ruas.

7. Todavia não julga assim ele, nem pensa assim o seu coração; porém está no seu coração o destruir, e exterminar não poucas nações.

8. Pois diz: Porventura não são os meus príncipes de todo reis?

9. Não é Calno como Carquemis? não é Hamate como Arpade? não é Samaria como Damasco?

10. Do mesmo modo que a minha mão achou os reinos dos ídolos (as suas imagens esculpidas excederam as de Jerusalém e de Samaria)-

11. não farei eu também a Jerusalém e aos seus ídolos, como tenho feito a Samaria e aos seus ídolos?

12. Quando o Senhor tiver cumprido toda a sua obra no monte de Sião e em Jerusalém, visitarei sobre o rei da Assíria o fruto da arrogância do seu coração, e a glória da altivez dos seus olhos.

13. Porquanto ele disse: Eu o fiz pela força da minha mão, e pela minha sabedoria, pois sou entendido; removi os termos do povo, roubei os seus tesouros, e como homem valente abati os que se assentavam sobre tronos.

14. A minha mão achou como a um ninho as riquezas dos povos; como se ajuntam os ovos que são abandonados, assim ajuntei eu toda a terra; não houve quem movesse a asa, nem abrisse a boca, nem chilrasse.

15. Porventura gloriar-se-á o machado contra o que corta com ele? porventura engrandecer-se-á a serra contra o que a põe em movimento? Isso seria, como se a vara movesse os que a levantam, ou como se o bordão levantasse aquele que não é pau.

16. Por isso o Senhor Jeová dos exércitos enviará magreza entre os gordos dele e debaixo da sua glória se acenderá uma queima como a queima do fogo.

17. A luz de Israel tornar-se-á fogo, e o seu Santo labareda; num só dia serão abrasados e devorados os espinhos dele e os seus abrolhos.

18. A glória do seu bosque e do seu jardim será consumida, tanto a alma como a carne; e será como quando um doente vai definhando.

19. O resto das árvores do seu bosque será tão pouco em número, que um menino as possa escrever.

20. Naquele dia o resto de Israel e os da casa de Jacó que tiverem escapado, não tornarão a estribar-se sobre aquele que os feriu, mas estribar-se-ão em verdade sobre Jeová, o Santo de Israel.

21. O resto, sim o resto de Jacó, voltará para Deus Poderoso.

22. Pois ainda que o teu povo, ó Israel, seja como a areia do mar, apenas um resto dele voltará; uma consumação está determinada, trasbordando em justiça.

23. Pois uma consumação, e essa já determinada, o Senhor Jeová dos exércitos a executará no meio de toda a terra.

24. Portanto assim diz o Senhor Jeová dos exércitos: Ó povo meu que habitas em Sião, não temas a Assur, ainda que te fira com a vara, e levante contra ti o seu bordão ao modo do Egito.

25. Pois ainda um pouquinho, e será cumprida a indignação, e a minha ira servirá para os consumir.

26. Jeová dos exércitos suscitará contra ele um flagelo, como na matança de Midiã junto à rocha de Orebe; a sua vara estará sobre o mar, e ele a levantará ao modo do Egito.

27. Naquele dia a carga dele se retirará dos teus ombros, e o seu jugo do teu pescoço, e o jugo será quebrado por causa da gordura.

28. Assur vem a Aiate, passa por Migrom; em Micmás deixa depositada a sua bagagem.

29. Atravessam o desfiladeiro, já se alojam em Geba; Ramá treme, Gibeá de Saul foge.

30. Levanta a tua voz em gritos, filha de Galim! Escuta, Laís! pobrezinha de Anatote!

31. Madmena vai-se; os moradores de Gebim salvam-se pela fuga.

32. Hoje mesmo parará em Nobe; moverá a sua mão contra o monte da filha de Sião, o outeiro de Jerusalém.

33. Eis que o Senhor Jeová dos exércitos cortará os ramos com grande violência; os altos de estatura serão cortados, e os elevados serão abatidos.

34. Cortará as brenhas do bosque com ferro, e o Líbano cairá pela mão de um poderoso.

1. Então do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes sairá um renovo que dará fruto.

2. Descansará sobre ele o espírito de Jeová, espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor a Jeová,

3. e terá o seu prazer no temor a Jeová. Não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem reprovará segundo o ouvir dos seus ouvidos;

4. porém com justiça julgará os necessitados, e com eqüidade reprovará em defesa dos mansos da terra. Ferirá a terra com a vara da sua boca, e matará ao perverso com o assopro dos seus lábios.

5. A justiça será o cinto dos seus lombos, a fidelidade o cinto dos seus rins.

6. O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará ao pé do cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um menino pequenino os conduzirá.

7. A vaca e a ursa pastarão, as suas crias se deitarão juntas e o leão comerá palha como o boi.

8. A criança de peito brincará sobre a toca do áspide, e a criança desmamada meterá a mão na cova do basilisco.

9. Não farão dano nem destruirão em todo o meu santo monte, porque a terra será cheia do conhecimento de Jeová, assim como as águas cobrem o mar.

10. Naquele dia a raiz de Jessé, que está posta por estandarte dos povos, a ele recorrerão as nações, e o lugar do seu repouso será glorioso.

11. Naquele dia Jeová tornará a estender a sua mão outra vez para adquirir o resto do seu povo, que for deixado, da Assíria, e do Egito, e de Patros, e de Cus, e de Elão, e de Sinear, e de Hamate, e das ilhas do mar.

12. Levantará um estandarte para as nações, congregará os expulsos de Israel e ajuntará os dispersos de Judá desde os quatro confins da terra.

13. O ciúme de Efraim será removido, e serão extirpados os adversários de Judá. Efraim não terá ciúmes de Judá, e Judá não será adversário de Efraim.

14. Eles, voando, descerão sobre o ombro dos filisteus ao ocidente; juntos despojarão os filhos do oriente; estenderão as suas mãos sobre Edom e Moabe, e os filhos de Amom lhes obedecerão.

15. Jeová destruirá totalmente a língua do mar do Egito; com o seu vento abrasador levantará a mão sobre o Rio, feri-lo-á, dividindo-o em sete canais, e fará que por ele passem a pé enxuto.

16. Haverá uma estrada para o resto do seu povo, que tiver escapado da Assíria, assim como houve para Israel no dia em que saiu da terra do Egito.

1. Dirás então naquele dia: Graças te dou, Jeová; pois ainda que te iraste contra mim, a tua ira já se aplacou, e tu me confortas.

2. Eis que Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei, porque Jeová é a minha fortaleza e o meu cântico; ele se tornou a minha salvação.

3. Portanto com gozo tirareis águas das fontes da salvação.

4. Direis naquele dia: Dai graças a Jeová, invocai o seu nome, fazei notórios entre os povos os seus feitos, declarai que exaltado é o seu nome.

5. Cantai louvores a Jeová, porque ele tem feito grandezas. Seja isto conhecido em toda a terra.

6. Grita e exulta, moradora de Sião, porque grande é o Santo de Israel no meio de ti.

Você está lendo Isaías na edição TB, Sociedade Bíblica Britânica, em Português.
Este lívro compôe o Antigo Testamento, tem 66 capítulos, e 1292 versículos.