Isaías

1. Ai da vaidosa coroa dos bêbados de Efraim, e da flor caduca do seu glorioso ornamento, que está sobre a cabeça do vale fertilíssimo dos que são vencidos de vinho!

2. Eis que o Senhor tem um valente e poderoso; como tempestade de saraiva, tormenta destruidora, como tempestade de grandes águas que trasbordam, ele com a mão derrubará por terra.

3. Aos pés será pisada a vaidosa coroa dos bêbados de Efraim;

4. e a flor caduca do seu glorioso ornamento, que está sobre a cabeça do vale fertilíssimo, será como o figo temporão que amadurece antes do verão; o qual, quando alguém o vir, pondo nele os olhos, o devora, mal tomando-o nas mãos.

5. Naquele dia Jeová dos exércitos servirá de coroa de glória e de diadema de formosura para o restante do seu povo,

6. de espírito de juízo para quem está sentado para julgar, e de fortaleza para os que fazem voltar a batalha até a porta.

7. Mas também estes cambaleiam por causa do vinho, e não podem ter-se em pé por causa da bebida forte; o sacerdote e o profeta cambaleiam por causa da bebida forte, são absorvidos pelo vinho, não podem ter-se em pé por causa da bebida forte; cambaleiam na visão, tropeçam no juízo.

8. Pois todas as mesas estão cheias de vômito e sujidade, de modo que não há lugar que esteja limpo.

9. A quem ensinará ele o conhecimento? a quem fará entender a mensagem? aos desmamados e aos que foram arrancados dos peitos.

10. Pois é preceito sobre preceito, preceito sobre preceito; regra sobre regra, regra sobre regra; um pouco aqui, um pouco ali.

11. Na verdade por lábios de gago e em língua estranha falará ele a este povo,

12. a quem disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; todavia não quiseram ouvir.

13. Portanto a palavra de Jeová lhes será preceito sobre preceito, preceito sobre preceito; regra sobre regra, regra sobre regra; um pouco aqui, um pouco ali; para que vão, e caiam para trás, e fiquem quebrantados, enlaçados e presos.

14. Por isso ouvi a palavra de Jeová, homens escarnecedores que tendes o domínio sobre este povo que está em Jerusalém.

15. Porquanto tendes dito: Temos feito uma aliança com a morte, e com o Cheol um pacto; quando passar o flagelo trasbordante, não chegará a nós; porque temos feito mentiras o nosso refúgio, e debaixo da falsidade nos temos escondido;

16. portanto assim diz o Senhor Jeová: Eis que ponho em Sião como alicerce uma pedra, pedra provada, pedra preciosa do ângulo de firme fundamento; aquele que crer, não se apressará.

17. Farei juízo a regra, e justiça o prumo. A saraiva varrerá o refúgio de mentiras e as águas inundarão o esconderijo.

18. A vossa aliança com a morte será anulada, e o vosso pacto com o Cheol não subsistirá; quando passar o flagelo trasbordante, sereis por ele pisados.

19. Todas as vezes que passar, vos arrebatará; porque de manhã em manhã passará, de dia e de noite: e será simplesmente um horror o entender a mensagem.

20. Pois a cama é tão curta que nela ninguém se pode estender, e a coberta tão estreita que com ela ninguém se pode cobrir.

21. Porque Jeová se levantará como no monte de Perazim, mostrar-se-á irado como no vale de Gibeom; para fazer a sua obra, a sua obra estranha, e para executar a sua tarefa, a sua tarefa estranha.

22. Agora, pois, não sejais escarnecedores, para que não se façam mais fortes os vossos grilhões; porque do Senhor Jeová dos exércitos tenho ouvido falar em uma consumação, e essa já determinada, sobre toda a terra.

23. Dai atenção, e ouvi a minha voz; escutai, e ouvi o meu discurso.

24. Acaso o lavrador está sempre lavrando, a fim de semear? está ele sempre abrindo e esterroando a sua terra?

25. Depois de lhe ter nivelado a superfície, não semeia a nigela, não espalha o cominho, não lança o trigo a eito, a cevada no lugar determinado, e a espelta na margem?

26. Pois o seu Deus o instrui devidamente e o ensina.

27. Porquanto a nigela não se trilha com trilho, nem sobre o cominho passa a roda de carro; mas a nigela é debulhada com a vara, e o cominho com um pau.

28. Acaso é esmiuçado o trigo? não, o lavrador nem sempre o está debulhando, nem sempre está fazendo passar por cima dele a roda do seu carro e os seus cavalos; não o esmiuça.

29. Também isso procede de Jeová dos exércitos, que é maravilhoso em conselho, e grande em sabedoria.

1. Ah! Ariel, Ariel, cidade onde Davi acampou. Acrescentai ano a ano; completem as festas o seu ciclo;

2. então porei a Ariel em aperto, e haverá pranto e lamentação. Ela será para mim como um ariel.

3. Acamparei num círculo ao redor de ti, te cercarei de trincheiras e contra ti levantarei obras de sítio.

4. Serás abatida, e desde a terra falarás, e desde o pó sairá fraca a tua palavra; a tua voz, vinda desde a terra, será como a de um que tem espírito familiar, e a tua fala resmungará desde o pó.

5. Mas a multidão dos teus inimigos será como o pó miúdo, e a multidão dos terríveis como a palha volante: isso acontecerá num momento, repentinamente.

6. Da parte de Jeová dos exércitos será ela visitada com trovão, com terremoto e grande estrondo, com redemoinho e tempestade, e com chama de fogo devorante.

7. Será como sonho, visão noturna, a multidão de todas as nações que pelejarem contra Ariel, a multidão de todos os que pelejarem contra ela e contra todas as suas trincheiras, e dos que a puserem em aperto.

8. Assim como o faminto sonha que come, mas, despertando, tem vazia a sua alma; assim como o sedento sonha que bebe, mas, despertando, está fatigado e a sua alma tem sede: assim será a multidão de todas as nações que pelejarem contra o monte de Sião.

9. Demorai-vos, e ficai pasmados; cegai-vos, e ficai cegos; bêbados estão, porém não de vinho; cambaleiam, porém não de bebida forte.

10. Pois Jeová tem derramado sobre vós o espírito de profundo sono, tem fechado os vossos olhos que são os profetas, e tem coberto de véu as vossas cabeças que são os videntes.

11. Toda a visão já se vos tornou como as palavras de um livro selado, que se dá ao que sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele responde: Não posso, porque está selado;

12. e dá-se o livro ao que não sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele responde: Não sei ler.

13. Disse o Senhor: Como este povo se chega para mim, e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas tem apartado para longe de mim o seu coração, e como o temor que de mim tem, é mandamento de homens que lhes tem sido ensinado;

14. portanto eis que continuarei a fazer no meio deste povo uma obra maravilhosa, sim uma obra maravilhosa e um portento: a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá.

15. Ai dos que escondem profundamente de Jeová o seu conselho, dos que fazem as suas obras às escuras e dizem: Quem nos vê? quem nos conhece?

16. Ah! a vossa perversidade! Acaso o oleiro há de ser reputado como barro, de modo que a obra diga de quem a fez: Ele não me fez; ou a coisa formada diga de quem a formou: Ele não tem entendimento?

17. Acaso dentro ainda de muito pouco tempo não se converterá o Líbano num campo fértil, e não será tido um campo fértil como um bosque?

18. Naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro, e os olhos dos cegos verão dentre a escuridão e dentre as trevas.

19. Em Jeová alegrar-se-ão cada vez mais os mansos e no Santo de Israel exultarão os pobres dentre os homens.

20. Pois o opressor já não é mais, deixou de existir o escarnecedor, e se acham exterminados todos os que se dão à iniqüidade,

21. os quais por uma palavra fazem culpado um homem, armam laços ao que faz repreensões na porta e por um nada derrubam o justo.

22. Portanto acerca da casa de Jacó, assim diz Jeová, que remiu a Abraão: Jacó não será mais envergonhado, nem mais se empalidecerá o seu rosto.

23. Mas quando ele e seus filhos virem a obra das minhas mãos no meio deles, santificarão o meu nome; sim santificarão o Santo de Jacó e temerão o Deus de Israel.

24. Também os que erram de espírito, chegarão a ter entendimento; e os que murmuram, receberão instrução.

1. Ai dos filhos rebeldes, diz Jeová, que tomam conselho, porém não de mim; que urdem uma teia, porém não pelo meu espírito, para acrescentarem pecado sobre pecado;

2. que se põem a caminho para descer ao Egito, e não têm consultado a minha boca, para fugirem ao asilo de Faraó e para confiarem na sombra do Egito!

3. Portanto o asilo de Faraó se vos tornará em vergonha, e a confiança na sombra do Egito em confusão.

4. Pois os seus príncipes já estão em Zoã, e os seus embaixadores já chegaram a Hanes.

5. Todos serão envergonhados de um povo que não lhes pode aproveitar, que não serve de auxílio nem de proveito, porém de vergonha como também de opróbrio.

6. A sentença acerca das bestas do sul. Através da terra da tribulação e angústia, de onde vêm a leoa e o leão, a víbora e a serpente ardente e voadora, levam sobre os ombros de jumentinhos as suas riquezas e sobre as corcovas dos camelos os seus tesouros, para um povo que não lhes aproveitará.

7. Pois quanto ao Egito, vão e de nenhum valor é o seu auxílio; por isso lhe tenho chamado Raabe que não se move.

8. Vai, escreve isso numa tabuinha perante eles e registra-o num livro, a fim de que fique até os dias vindouros, para sempre e perpetuamente.

9. Pois é um povo rebelde, são filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a instrução de Jeová.

10. Eles dizem aos videntes: Não vejais; e aos profetas: Não nos profetizeis coisas retas, falai-nos coisas aprazíveis, profetizai ilusões;

11. apartai-vos do caminho, desviai-vos da vereda, fazei que o Santo de Israel desapareça de diante de nós.

12. Por isso assim diz o Santo de Israel: Porquanto rejeitais esta palavra, confiais na opressão e perversidade e sobre elas vos estribais;

13. portanto esta iniqüidade vos será como uma brecha que, prestes a cair, forma barriga num alto muro, cuja queda vem de repente, num momento.

14. Jeová o quebrará como se quebra um vaso de oleiro, despedaçando-o por completo; de sorte que não se achará entre os seus pedacinhos um caco em que se leve fogo da lareira, ou com que se tire água da cisterna.

15. Pois assim disse o Senhor Jeová, o Santo de Israel: Voltando e descansando, sereis salvos; no sossego e na confiança estará a vossa força. Vós não quisestes,

16. antes dissestes: Não, mas sobre cavalos fugiremos (portanto haveis de fugir) e sobre cavalos ligeiros cavalgaremos (portanto hão de ser ligeiros os que te perseguirem).

17. Pela ameaça de um só fugirão mil; e pela ameaça de cinco fugireis, até que fiqueis como um mastro no cume de um monte, e como um estandarte sobre um outeiro.

18. Por este motivo esperará Jeová para se apiedar de vós, e se levantará para ter compaixão de vós, porque Jeová é Deus de juízos: bem-aventurados todos os que por ele esperam.

19. Na verdade o povo habitará em Sião em Jerusalém. Tu não chorarás mais: certamente se compadecerá de ti à voz do seu clamor; quando te ouvir, te responderá.

20. Embora Jeová vos dê pão de adversidade, e água de aflição, contudo não se esconderão mais os teus mestres, os teus olhos verão os teus mestres.

21. Quando vos desviardes para a direita, e quando vos desviardes para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: Este é o caminho, andai por ele.

22. Contaminareis a cobertura das tuas imagens esculpidas, de prata, e a vestidura das tuas imagens fundidas, de ouro; lançá-las-ás fora como coisa imunda, e dir-lhe-ás: Vai-te daqui.

23. Jeová dará chuva para a tua semente, com a qual semearás a terra, e pão da novidade da terra, o qual será pingue e abundante. Naquele dia será apascentado o teu gado em largos pastos.

24. Também os bois e os jumentinhos que lavram a terra, comerão feno com sal, feno que terá sido alimpado com a pá e com a joeira.

25. Sobre todo o monte elevado e sobre todo o outeiro alto haverá ribeiros e torrentes de águas, no dia da grande matança, quando caírem as torres.

26. Demais a luz da lua será como a luz do sol, e a luz do sol será sétupla como a luz de sete dias, no dia em que Jeová atar a ferida do seu povo, e curar o golpe da sua chaga.

27. Eis que o nome de Jeová vem de longe, ardendo na sua ira e numa densa massa de fumo; os seus lábios estão cheios de indignação, e a sua língua é como um fogo devorante.

28. O seu assopro é como uma torrente que inunda e chega até o pescoço para cirandar as nações com a ciranda de vaidade; um freio que induz ao erro estará nos queixos dos povos.

29. O vosso cântico será como o da noite em que se guarda uma santa festividade; e a alegria do vosso coração como a de quem se põe a caminho ao som da flauta para ir ao monte de Jeová, à Rocha de Israel.

30. Jeová fará ouvir a sua voz gloriosa, e mostrará a descida do seu braço na indignação da sua ira, na chama de um fogo devorante, no arrebentar de nuvens, na tempestade de chuva, e na saraiva.

31. Pois pela voz de Jeová será despedaçado o assírio, a quem ele feriu com a vara.

32. Cada varada que Jeová lhe aplicar com a vara para isso destinada, será com tambores e harpas; e pelejará contra eles em batalhas em que agitará essa vara.

33. Na verdade Tofete está, de há muito, preparado; sim para o rei está aparelhado. Foi feito profundo e dilatado: a sua pira tem fogo e muita lenha; o assopro de Jeová, como uma torrente de enxofre, é o que o acende.

1. Ai dos que descem ao Egito em busca de socorro, e se estribam em cavalos; ai dos que confiam em carros, por serem muitos e em cavaleiros, por serem fortes; porém não olham para o Santo de Israel, nem buscam a Jeová!

2. Contudo também ele é sábio: fará vir o mal, não deixará de cumprir as suas palavras, mas levantar-se-á contra a casa dos malfeitores, e contra o auxílio dos que obram a iniqüidade.

3. Ora os egípcios são homens e não Deus; os seus cavaleiros são carne, e não espírito. Quando Jeová estender a mão tanto tropeçará quem dá o auxílio, como cairá quem recebe o auxílio, e todos juntamente serão consumidos.

4. Pois assim me diz Jeová: Assim como ruge sobre a sua presa o leão, o cachorro do leão, contra o qual se convoca um tropel de pastores e não se espanta da vozeria deles nem pelo seu alarido se abate, assim descerá Jeová dos exércitos para pelejar sobre o monte de Sião, e sobre o seu outeiro.

5. Como aves quando adejam, assim Jeová dos exércitos protegerá a Jerusalém, protegendo e livrando, passando e pondo a salvo.

6. Voltai-vos, filhos de Israel, para aquele contra quem vos tendes profundamente rebelado.

7. Pois naquele dia lançará fora cada um os seus ídolos de prata, e os seus ídolos de ouro, que vos fabricaram as vossas mãos para pecardes.

8. Então o assírio cairá pela espada, não de homem; e a espada, não de homem, o devorará: fugirá diante da espada, e os seus mancebos serão condenados a trabalhos forçados.

9. Devido ao terror desaparecerá a sua rocha, e os seus príncipes se assombrarão do estandarte, diz Jeová, cujo fogo está em Sião, e cuja fornalha em Jerusalém.

1. Eis que em justiça reinará um rei, e em retidão governarão príncipes.

2. Um varão servirá de abrigo contra o vento, de esconderijo contra a tempestade, de rios de água numa terra árida, e de sombra de uma grande penha numa terra sedenta.

3. Os olhos dos que vêem, não se ofuscarão, e os ouvidos dos que ouvem escutarão.

4. Também o coração dos temerários entenderá o conhecimento, e a língua dos gagos estará pronta a falar distintamente.

5. O tolo não será mais chamado nobre, nem o fraudulento será mais intitulado generoso.

6. Pois o tolo falará tolices, e o seu coração obrará a iniqüidade, para praticar a profanidade e proferir erros contra Jeová, para deixar vazia a alma do faminto e fazer faltar a bebida ao sedento.

7. Também as maquinações do fraudulento são más; é ele quem forma planos sinistros para perder os mansos com palavras mentirosas, ainda quando o pobre fala o que é justo.

8. O nobre, porém, forma planos nobres, e neles permanecerá.

9. Levantai-vos, mulheres indolentes, e ouvi a minha voz; escutai, filhas descuidadas, o meu discurso.

10. Num ano e dias sereis perturbadas, mulheres descuidadas: pois a víndima está consumida, e não virá a colheita.

11. Tremei, mulheres indolentes, turbai-vos, ó descuidadas; despi-vos, ponde-vos nuas e cingi de saco os vossos lombos.

12. Baterão nos seus peitos por causa dos campos aprazíveis, por causa da vinha frutífera.

13. Espinhos e abrolhos virão sobre a terra do meu povo, sobre todas as casas de alegria numa cidade jubilosa.

14. O palácio será abandonado; a cidade populosa ficará deserta; o outeiro e a atalaia servirão de covis para sempre, folga dos asnos monteses, e pasto dos rebanhos;

15. até que sobre nós se derrame o espírito lá do alto, o deserto se torne em campo fértil e o campo fértil seja reputado por um bosque.

16. Então o juízo habitará no deserto, e a justiça morará no campo fértil.

17. A obra da justiça será a paz; e o efeito da justiça será o sossego e confiança para sempre.

18. O meu povo habitará em morada de paz, e em lugares quietos de descanso.

19. Mas haverá saraiva quando cair o bosque, e a cidade será de todo abatida.

20. Felizes sois vós os que semeais junto a todas as águas, que deixais livres os pés do boi e do jumento.

1. Ai de ti que despojas e que não foste despojado; que procedes perfidamente, e que não foste tratado perfidamente. Quando tiveres cessado de despojar, serás despojado, e quando tiveres acabado de proceder perfidamente, contra ti procederão perfidamente.

2. Compadece-te de nós, Jeová; por ti temos esperado. Sê o braço deles de manhã em manhã, como também a nossa salvação no tempo da tribulação.

3. Ao som do tumulto fogem os povos; quando te levantas, são dispersas as nações.

4. O vosso despojo será ajuntado como ajunta a lagarta; como saltam os gafanhotos, assim sobre ele saltarão.

5. Exaltado é Jeová, porque habita no alto; tem enchido a Sião de juízo e justiça.

6. Nos teus tempos haverá estabilidade, abundância de salvação, sabedoria e conhecimento. O temor de Jeová é o tesouro de Sião.

7. Eis que os valentes clamam de fora: os embaixadores da paz choram amargamente.

8. As estradas estão desoladas, cessa o viandante; o inimigo violou a aliança, desprezou as cidades e não faz caso algum dos homens.

9. A terra pranteia, desfalece; o Líbano está envergonhado e se murcha; Sarom torna-se como um deserto; Basã e o Carmelo ficam despidos de folhas.

10. Agora me levantarei, diz Jeová; agora me erguerei; agora serei exaltado.

11. Concebereis feno, parireis rastolho; o vosso fôlego e o fogo que vos há de devorar.

12. Os povos serão como as queimas de cal, como espinhos cortados que são queimados no fogo.

13. Ouvi, vós os que estais longe, o que tenho feito; reconhecei, vós os que estais perto, o meu poder.

14. Os pecadores em Sião estão assombrados; o tremor apodera-se dos ímpios. Quem dentre nós habitará com o fogo devorante? quem dentre nós habitará com os ardores sempiternos?

15. Aquele que anda em justiça e fala o que é reto; aquele que despreza o ganho da opressão, que sacode as suas mãos para não receber peitas, que tapa os seus ouvidos para não ouvir falar do derramamento de sangue e fecha os seus olhos para não ver o mal;

16. este habitará nas alturas. As fortificações das rochas será o seu alto refúgio; dar-se-lhe-á o seu pão, as suas águas são seguras.

17. Os teus olhos verão o rei na sua formosura; verão a terra que se estende amplamente.

18. O teu coração meditará o terror: onde está aquele que registrou, onde está quem pesou o tributo, onde está o que numerou as torres?

19. Não verás o povo feroz, povo de fala profunda que não se pode perceber, de língua estranha que não se pode entender.

20. Olha para Sião, cidade das nossas solenidades; os teus olhos verão a Jerusalém, habitação quieta, tenda que não será removida, cujas estacas nunca serão arrancadas, nem será quebrada nenhuma das suas cordas.

21. Mas Jeová ali estará conosco em majestade, ali nesse lugar de largos rios e correntes, no qual não entrará baixel a remo, nem por ele passará navio grande.

22. Porque Jeová é o nosso juiz, Jeová é o nosso legislador, Jeová é o nosso rei: ele nos salvará.

23. As tuas enxárcias estão afrouxadas; não puderam ter firme o seu mastro nem desfraldar a vela. Então se repartiu a presa de grandes despojos; até os coxos participaram dela.

24. Nenhum morador dirá: Estou doente; quanto ao povo que nela habitar, perdoar-se-lhe-á a sua iniqüidade.

1. Chegai-vos, nações, para ouvir, e escutai, povos; ouça a terra, e a sua plenitude, o mundo e tudo o que ele produz.

2. Pois Jeová tem indignação contra todas as nações, e furor contra todo o seu exército: tem-nas destruído totalmente, tem-nas entregue à matança.

3. Os seus mortos também serão arrojados, subirá o mau cheiro dos seus cadáveres e os montes serão derretidos pelo seu sangue.

4. Todo o exército do céu dissolverá, e os céus se enrolarão como um livro: todo o seu exército desvanecerá, como cai a folha da vide e da figueira.

5. Pois a minha espada se tem embriagado no céu; eis que descerá sobre Edom e sobre o povo devotado por mim à destruição, para exercer juízo.

6. A espada de Jeová está cheia de sangue, está engrossada com gordura, com o sangue de cordeiros e de bodes, com a gordura dos rins de carneiros; porque Jeová tem sacrifício em Bozra, e grande matança na terra de Edom.

7. Descerão com eles os bois monteses, e os novilhos com os touros; a sua terra embriagar-se-á de sangue, e o seu pó se engrossará de gordura.

8. Pois é o dia da vingança de Jeová, e o ano da retribuição na controvérsia de Sião.

9. Converter-se-ão em pez as suas torrentes e o seu pó em enxofre, a sua terra tornar-se-á em pez ardente.

10. Nem de noite nem de dia se apagará; o seu fumo subirá para sempre: de geração em geração ficará deserta; pelos séculos dos séculos ninguém por ela passará.

11. Mas o pelicano e o ouriço a possuirão; o bufo e o corvo nela habitarão. Estender-se-á sobre ela a regra de confusão, e o prumo de vaidade.

12. Os seus nobres serão chamados ao reino, porém não haverá nenhum; e todos os seus príncipes serão reduzidos a nada.

13. Nascerão espinhos nos seus palácios, urtigas e cardos nas suas fortalezas. Será uma habitação de chacais, pastagem de avestruzes.

14. As feras do deserto se encontrarão com as hienas, e os sátiros clamarão uns para os outros; a bruxa se pousará ali e achará para si um lugar de descanso.

15. Ali fará a serpente o seu ninho, porá os ovos e os chocará, e debaixo da sua sombra ajuntará os seus filhotes. Ali se ajuntarão os abutres, macho e fêmea.

16. Buscai no livro de Jeová e lede: nenhuma destas criaturas faltará, nenhuma será privada do seu companheiro: porque a boca de Jeová o ordenou, e o seu espírito as ajuntou.

17. Ele deitou sortes por elas e a sua mão lhes repartiu por medida esta terra: possuí-la-ão para sempre, de geração em geração nela habitarão.

1. O deserto e a terra sedenta se regozijarão; o ermo exultará e florescerá como o narciso.

2. Florescerá abundantemente e exultará de júbilo e romperá em cânticos; dar-se-lhe-á a glória do Líbano, a excelência de Carmelo e de Sarom. Eles verão a glória de Jeová, a excelência de nosso Deus.

3. Confortai as mãos fracas, e firmai os joelhos que vacilam.

4. Dizei aos tímidos de coração: Sede fortes, não temais: eis que há de vir o vosso Deus com vingança, com recompensa de Deus; ele virá e vos salvará.

5. Então se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos.

6. Então saltará o coxo como veado, e a língua dos mudos cantará de júbilo. Pois águas arrebentarão no deserto, e torrentes no ermo.

7. A miragem tornar-se-á em lagos, e a terra sedenta em mananciais de água; na habitação onde se deitam os chacais, nascerá a erva com canas e juncos.

8. Haverá ali uma estrada, um caminho, que se chamará o caminho santo; não passará por ele o imundo, porém será para eles: dos que caminham por ele, até os loucos, não errarão.

9. Ali não haverá leão, por ali não subirão feras de rapina; elas não se acharão ali, mas por ali andarão os remidos.

10. Os resgatados por Jeová voltarão e virão a Sião com cânticos de júbilo, e sobre as suas cabeças haverá alegria sempiterna; obterão alegria e gozo, e deles fugirá a tristeza e o gemido.

Você está lendo Isaías na edição TB, Sociedade Bíblica Britânica, em Português.
Este lívro compôe o Antigo Testamento, tem 66 capítulos, e 1292 versículos.