Isaías

1. Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus.

2. Falai ao coração de Jerusalém, e clamai-lhe que está acabada a sua milícia, que está perdoada a sua iniqüidade; que já recebeu em dobro da mão de Jeová por todos os seus pecados.

3. Eis a voz do que clama: Preparai no deserto o caminho de Jeová, endireitai no ermo uma estrada para o nosso Deus.

4. Todo o vale será exaltado, e todo o monte e outeiro será abatido; o torto far-se-á direito, e os lugares escabrosos planos.

5. A glória de Jeová se revelará, e toda a carne juntamente a verá; pois a boca de Jeová o disse.

6. Eis a voz do que diz: Clama. E respondeu um: Que hei de clamar? Toda a carne é erva, e toda a sua glória como a flor do campo;

7. seca-se a erva e cai a flor, porque o hálito de Jeová nela assopra: na verdade o povo é erva.

8. Seca-se a erva, cai a flor; mas a palavra do nosso Deus subsistirá para sempre.

9. Sobe a um alto monte Sião, tu que anuncias boas novas, levanta a tua voz com força, Jerusalém, tu que anuncias boas novas; levanta-a, não temas; dize às cidades de Judá: Eis aí o vosso Deus!

10. Eis que o Senhor Jeová virá como um valente, e o seu braço dominará por ele: eis que o seu galardão está com ele, a sua recompensa diante dele.

11. Como pastor ele apascentará o seu rebanho; entre os seus braços ajuntará os cordeirinhos, e os levará no seu seio, e guiará meigamente as paridas.

12. Quem mediu as águas com o seu punho, e repartiu os céus a palmos? quem pôs numa medida o pó da terra, e pesou os montes com peso e os outeiros em balanças?

13. Quem dirigiu o espírito de Jeová, ou, como seu conselheiro, o ensinou?

14. Com quem tomou ele conselho? quem o instruiu e lhe ensinou a vereda do juízo? quem lhe ensinou conhecimento e lhe mostrou o caminho de entendimento?

15. Eis que as nações são reputadas como a gota de água que está a cair de um balde, e como o pó miúdo nas balanças: eis que as ilhas são como uma aresta de pó que se levanta.

16. Não basta o Líbano para queimar, nem bastam os seus animais para um holocausto.

17. Todas as nações são como nada diante dele; são por ele reputadas como se não fossem e como caos.

18. A quem, pois, podeis assemelhar a Deus? ou que figura podeis comparar a ele?

19. A imagem esculpida o artífice a funde, o ourives a cobre de ouro e forja para ela cadeias de prata.

20. Quem se acha sem recursos para fazer uma tal oferta, escolhe uma madeira que não se corrompa; procura para si um artífice perito para erigir uma imagem esculpida que não se possa mover.

21. Acaso não sabeis? acaso não ouvis? não se vos tem sido notificado desde o princípio? não tendes entendido desde as fundações da terra?

22. É ele o que está sentado sobre a redondeza da terra, cujos habitantes são como gafanhotos; é ele o que estende os céus como uma cortina, e os desenrola como uma tenda para neles habitar;

23. é ele o que reduz a nada os príncipes e torna em caos os juízes da terra.

24. Na verdade não foram semeados; não foram mesmo semeados; não se arraigou o seu tronco; demais ele assopra, eles se secam e a tempestade os leva como palha.

25. A quem, pois, me assemelhareis, para que eu lhe seja igual? diz o Santo.

26. Levantai ao alto os vossos olhos, e vede. Quem criou estes? Foi aquele que faz sair um por um o exército deles; ele os chama a todos pelos seus nomes; por ser ele grande em força e forte em poder nem um só vem a faltar.

27. Porque dizes, ó Jacó, e falas, ó Israel: O meu caminho está escondido a Jeová, e o meu juízo passa desapercebido ao meu Deus?

28. Acaso não sabes? acaso não ouves? o sempiterno Deus, Jeová, Criador dos fins da terra, não desfalece nem se cansa; não se pode esquadrinhar o seu entendimento.

29. Ele dá força ao cansado e aumenta fortaleza ao que se acha debilitado.

30. Os jovens desfalecerão e se cansarão, e os mancebos cairão;

31. porém os que esperam em Jeová renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; andarão, e não desfalecerão.

1. Calai-vos diante de mim, ó ilhas; e renovem os povos as suas forças: cheguem-se, e então falem; juntos cheguemo-nos a juízo.

2. Quem suscitou do oriente aquele que a justiça chama para o seguir? Quem faz que as nações se lhe submetam, e que ele domine sobre reis? quem os entrega como pó à espada dele, e como a palha arrebatada do vento ao arco dele.

3. Persegue-os e passa adiante em segurança; sim por uma vereda que não tinha trilhado com os seus pés.

4. Quem produziu e efetuou isto, chamando as gerações desde o princípio? Eu, Jeová, que sou o primeiro e que sou com os últimos, sou eu mesmo.

5. As ilhas viram e temeram; as extremidades da terra tremeram; aproximaram-se e vieram.

6. Cada um auxiliou ao seu próximo; e cada um disse a seu irmão: Sê forte.

7. Assim o carpinteiro animou ao ourives, e o que alisa com o martelo, ao que bate na bigorna, dizendo da soldadura: É excelente; então o segurou com pregos, para que não abalasse.

8. Mas tu, Israel, servo meu, tu, Jacó, a quem escolhi, tu, semente de Abraão, meu amigo;

9. tu a quem tomei das extremidades da terra, e te chamei dos seus cantos, e te disse: Tu és meu servo, eu te escolhi, e não te rejeitei;

10. não temas, porque eu sou contigo; não te espantes, porque eu sou o teu Deus. Fortalecer-te-ei, ajudar-te-ei e sustentar-te-ei com a destra da minha justiça.

11. Eis que envergonhados e confundidos serão todos os que estão indignados contra ti; serão reduzidos a nada e perecerão os que pelejam contra ti.

12. Os que pelejam contra ti, buscá-los-ás, porém não os acharás; serão reduzidos a nada e a coisa de nenhum valor os que fazem guerra contra ti.

13. Pois eu, Jeová teu Deus, te tomarei pela tua mão direita, dizendo-te: Não temas; eu te ajudarei.

14. Não temas, bichinho de Jacó, nem vós, povozinho de Israel. Eu te ajudarei, diz Jeová, e o teu redentor é o Santo de Israel.

15. Eis que farei de ti um trilho agudo, novo e armado de dentes: virás a trilhar os montes, e fá-los-ás em migalhas, e tornarás os outeiros como folhelho.

16. Padejá-los-ás, o vento os levará e o redemoinho os espalhará; tu te regozijarás em Jeová, e te gloriarás no Santo de Israel.

17. Os pobres e necessitados buscam água, e não há, e a língua deles seca-se de sede; eu, Jeová, lhes responderei, eu, o Deus de Israel, não os desampararei.

18. Abrirei rios nos altos desnudados, e fontes no meio dos vales; tornarei o deserto num lago de água, e a terra sedenta em mananciais de água.

19. Plantarei no deserto o cedro, e a acácia, e a murta, e o oleastro; e porei no ermo juntamente o cipreste, o olmeiro e o buxo;

20. para que vejam e saibam, considerem e entendam juntamente que a mão de Jeová fez isto, e que o Santo de Israel é o seu autor.

21. Chegai-vos a defender a vossa causa, diz Jeová; alegai as vossas razões, diz o rei de Jacó.

22. Produzam-nas, e anunciem-nos o que há de acontecer; anunciai as coisas passadas, quais são, para que as consideremos, e saibamos o fim delas; ou mostrai-nos coisas vindouras.

23. Anunciai as coisas que hão de vir daqui em diante, para que saibamos que sois deuses; fazei o bem, ou fazei o mal, para que, espantados, o contemplemos juntamente.

24. Eis que vós vindes do nada, e a vossa obra daquilo que não é: abominação é quem vos escolhe.

25. Do norte suscitei a um que já é chegado; do nascente do sol a um que invoca o meu nome; pisará magistrados como lodo, e como o oleiro pisa o barro.

26. Quem o tem anunciado desde o princípio, para que saibamos? ou dantes, para que digamos: Ele é justo? Não há quem anuncie, tão pouco quem mostre, ou quem ouça as vossas palavras.

27. Eu, como o primeiro, direi a Sião: Ei-los, ei-los; e darei a Jerusalém um mensageiro de boas novas.

28. Quando eu olhar, não há ninguém; mesmo entre eles não há conselheiro, que possa responder palavra quando eu lhes perguntar.

29. Eis que todos eles são vaidade; as suas obras não são nada; as suas imagens fundidas são vento e caos.

1. Eis o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido no qual a minha alma se agrada. Tenho posto sobre ele o meu espírito, ele fará sair juízo às nações.

2. Não clamará, nem levantará, nem fará ouvir a sua voz na rua.

3. Não quebrará a cana rachada, nem apagará a torcida que fumega; com verdade fará sair o juízo.

4. Não se apagará nem será quebrado, até que estabeleça o juízo na terra; e as ilhas esperarão a sua lei.

5. Assim diz o Deus Jeová, que criou os céus e os estendeu; que alargou a terra e o que dela procede; aquele que dá respiração ao povo que está sobre ela e espírito aos que andam nela.

6. Eu, Jeová, te chamei em justiça, tomar-te-ei pela tua mão, conservar-te-ei e te porei para aliança do povo, para luz dos gentios;

7. a fim de abrir os olhos cegos, e de tirar da prisão os presos, da casa do cárcere os que estão sentados nas trevas.

8. Eu sou Jeová; este é o meu nome: a minha glória não a darei a outrem, nem o meu louvor às imagens esculpidas.

9. Eis que as primeiras coisas já se realizaram, e eu vos anuncio novas coisas: antes que sucedam, eu vos farei ouvi-las.

10. Cantai a Jeová um cântico novo, cantai o seu louvor desde a extremidade da terra, vós os que desceis ao mar, e tudo quanto há nele, vós, ilhas e os que nelas habitam.

11. Levantem a sua voz o deserto e suas cidades, as aldeias que habita Quedar; exultem os habitantes de Sela, clamem em alta voz do cume dos montes.

12. Dêem glória a Jeová, e anunciem nas ilhas o seu louvor.

13. Jeová sairá como valente, despertará o seu zelo como homem de guerra. Exultará, clamará em alta voz, mostrar-se-á valente contra os seus inimigos.

14. Já há muito que guardo silêncio, que me conservo quieto, e que me retenho; agora darei gritos como a que está de parto, abrirei a boca e ficarei esbaforido a um mesmo tempo.

15. Farei desertos os montes e outeiros, e secarei toda a sua verdura; tornarei os rios em ilhas, e secarei os lagos.

16. Guiarei os cegos por um caminho que não conhecem: por veredas que lhes são desconhecidas, fá-las-ei caminhar; tornarei as trevas em luz diante deles, e os caminhos tortos em direitos. Estas coisas lhes farei, e não os abandonarei.

17. Tornados para trás e cobertos de vergonha serão os que confiam em imagens esculpidas, e dizem: Vós sois os nossos deuses.

18. Ouvi, vós os que sois surdos; e olhai, vós os que sois cegos, para ver.

19. Quem é cego, senão o meu servo? ou surdo, como o meu mensageiro que envio? Quem é cego como aquele que tem paz comigo, e cego como o servo de Jeová?

20. Vês muitas coisas, porém não observas; ele tem abertos os seus ouvidos, porém não ouve.

21. Foi do agrado de Jeová, por amor da sua justiça, engrandecer a lei e torná-la gloriosa.

22. Mas este é um povo roubado e saqueado; todos eles estão enlaçados em cavernas, e estão escondidos nas casas dos cárceres: são postos como presa, e ninguém os livra; como despojo, e ninguém diz: Restitui.

23. Quem há entre vós que dará ouvidos a isso? que escutará e ouvirá doravante?

24. Quem entregou Jacó por despojo, e Israel aos roubadores? acaso não foi Jeová? aquele contra quem temos pecado, em cujos caminhos eles não queriam andar, e cuja lei não queriam observar.

25. Portanto Jeová derramou sobre Israel o furor da sua ira, e a violência da guerra; isto lhe ateou fogo ao redor, contudo ele não percebeu; e o queimou, contudo ele não entendeu.

1. Mas agora assim diz Jeová que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque te redimi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu.

2. Quando passares pelas águas, serei contigo; quando passares pelos rios, não te submergirão; quando andares pelo fogo, não serás queimado, nem a chama arderá em ti.

3. Pois eu sou Jeová teu Deus, o Santo de Israel, teu Salvador; como teu resgate dei o Egito, em teu lugar a Etiópia e Sabá.

4. Visto que te tornas precioso aos meus olhos, e digno de honra e eu te amo, portanto darei homens por ti e povos pela tua vida.

5. Não temas, porque eu sou contigo; trarei do oriente a tua semente, e te congregarei do ocidente.

6. Direi ao norte: Dá; e ao sul: Não retenhas. Traze de longe meus filhos, e das extremidades da terra minhas filhas;

7. traze todo aquele que é chamado pelo meu nome, e que tenho criado para minha glória, e que formei e fiz.

8. Faze sair o povo cego e que tem olhos, e os surdos que têm ouvidos.

9. Sejam reunidas todas as nações, e congregados os povos; quem dentre eles pode anunciar isto, e mostrar-nos coisas já passadas? produzam as suas testemunhas para que sejam justificados: ou ouçam e digam: Verdade é.

10. Vós sois as minhas testemunhas, diz Jeová, o meu servo a quem escolhi, para que saibais, me acrediteis, e entendais que eu sou; antes de mim não se formou nenhum deus nem haverá depois de mim.

11. Eu, sim eu, sou Jeová; e fora de mim não há salvador.

12. Eu é que tenho anunciado, que tenho trazido a salvação e que tenho mostrado, e não houve entre vós deus estranho; portanto vós sois as minhas testemunhas, e eu sou Deus.

13. Sim, de hoje em diante eu sou, não há quem possa livrar da minha mão; operarei, e quem o impedirá?

14. Assim diz Jeová, vosso redentor, o Santo de Israel: Por amor de vós enviei contra Babilônia, e nos navios em que exultam, farei embarcar a todos eles como fugitivos, os caldeus.

15. Eu sou Jeová, o vosso Santo, o Criador de Israel, vosso Rei.

16. Assim diz Jeová, que prepara um caminho no mar e uma vereda nas águas impetuosas;

17. que faz sair o carro e o cavalo, o exército e a força ... eles juntos se deitam, nem se levantarão; estão extintos, apagados como uma torcida:

18. Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas.

19. Eis que estou para fazer uma coisa nova; agora sairá à luz; porventura não a conhecereis? Farei um caminho no deserto, e rios no ermo.

20. Os animais do campo me honrarão, os chacais e as avestruzes; porque porei águas no deserto, e rios no ermo, a fim de dar de beber ao meu povo, ao meu escolhido:

21. ao povo que formei para mim mesmo, a fim de que manifestassem o meu louvor.

22. Todavia não me tens invocado, ó Jacó; mas de mim te hás cansado, ó Israel.

23. Não me tens trazido o gado miúdo dos teus holocaustos, nem me tens honrado com os teus sacrifícios. Não te hei feito servir com ofertas, nem te hei cansado com incenso.

24. Não me tens comprado por dinheiro cana aromática, nem me tens enchido da gordura dos teus sacrifícios; mas me tens feito servir com os teus pecados, me tens cansado com as tuas iniqüidades.

25. Eu, eu mesmo sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim; não me lembrarei dos teus pecados.

26. Aviva-me a memória, e juntos entremos em juízo: apresenta a tua causa, para que sejas justificado.

27. Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes transgrediram contra mim.

28. Portanto profanarei os príncipes do santuário, e farei de Jacó um anátema, e de Israel um opróbrio.

1. Contudo agora ouve, ó Jacó, meu servo; e Israel, a quem escolhi.

2. Assim diz Jeová que te fez, que te formou desde o ventre, e que te ajudará: Não temas, Jacó, meu servo; e tu, Jesurum, a quem escolhi;

3. porque derramei água sobre o sedento, e correntes sobre a terra seca. Derramarei o meu espírito sobre a tua semente, e a minha bênção sobre a tua descendência;

4. e brotarão entre a erva como salgueiros junto às correntes de águas.

5. Este dirá: Eu sou de Jeová; aquele se chamará do nome de Jacó, e aquele outro escreverá do seu punho: A Jeová, e por sobrenome tomará o nome de Israel.

6. Assim diz Jeová, rei de Israel, e o seu Redentor, Jeová dos exércitos: Eu sou o primeiro e eu sou o último, fora de mim não há Deus.

7. Quem, como eu, proclama desde que estabeleci o antigo povo? que me anuncie e exponha, e coisas vindouras e as que hão de suceder, anunciem-nas!

8. Não vos espanteis, nem temais; acaso não te fiz ouvir há muito tempo, não te anunciei? vós sois as minhas testemunhas. Porventura há outro Deus fora de mim? não, não há Rocha: não conheço nenhuma.

9. Quanto aos artífices de imagens esculpidas, todos eles são caos; as coisas que os deleitam, de nada aproveitarão; as suas testemunhas não vêem nem conhecem, para que sejam eles envergonhados.

10. Quem forma um deus ou funde uma imagem que de nada aproveita?

11. Eis que todos os seus associados serão cobertos de vergonha, e os artífices não passam de homens; ajuntem-se todos, e se apresentem: espantar-se-ão, e à uma serão envergonhados.

12. O ferreiro fabrica um instrumento, trabalhando nas brasas, e faz um deus a marteladas, formando-o com o seu forte braço; depois tem fome, e faltam-lhe as forças; se não bebe água, desfalece.

13. O carpinteiro estende a régua sobre um pau e com lápis esboça um deus; trabalhando-o com plainas, e determinando-lhe o esboço com o compasso, o fez semelhante à figura e beleza de homem, para habitar na casa.

14. Um homem corta para si cedros, e toma uma azinheira ou um carvalho, fazendo a sua escolha dentre as árvores do bosque. Qualquer planta um pinheiro, que a chuva faz crescer,

15. e que depois lhe servirá de combustível: tomando parte dele, esse homem com ela se aquenta; também acende um fogo, e assa pão; também faz um deus, e diante desse deus se prostra; faz uma imagem esculpida, e adora-a.

16. Ele queima no fogo a metade do pau; com a outra metade prepara a carne para dela comer; faz um assado, e dele se farta; também se aquenta e diz: Ah! estou me aquentando, sinto o calor!

17. Do que ficou do pau faz ele para si um deus, uma imagem esculpida, prostra-se diante dela e a adora, dirige-lhe a sua oração e diz: Livra-me, porque tu és o meu deus.

18. Eles não sabem, nem entendem; porque fechados estão os seus olhos, para que não possam ver, e os seus corações, para que não possam entender.

19. Ninguém reflete, e não há conhecimento nem entendimento para dizer: Queimei no fogo a metade desta madeira, e assei pão sobre as suas brasas; fiz um assado, e dele comi; e do seu resto farei eu uma abominação? prostrar-me-ei diante do tronco de uma árvore?

20. Tal homem se apascenta de cinza. O seu coração enganado o transviou, de modo que não possa livrar a sua alma nem dizer: Porventura não há uma mentira na minha mão direita?

21. Lembra-te destas coisas, ó Jacó, e tu, ó Israel; porque tu és o meu servo: eu te formei, tu és o meu servo; tu, ó Israel, não serás esquecido por mim.

22. Apaguei as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados como a nuvem; volta-te para mim, porque te remi.

23. Exultai, ó céus, porque Jeová o fez; clamai, ó profundezas da terra, rompei em cânticos, ó montes, bosques e todas as vossas árvores; porque Jeová remiu a Jacó e se glorificará em Israel.

24. Assim diz Jeová, que te remiu e que te formou desde o ventre: Eu sou Jeová, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus, que desdobrei a terra (quem estava comigo?)

25. que desfaço os sinais dos paroleiros, e torno loucos os adivinhos; que faço os sábios voltar para trás e converto em loucura a sua ciência;

26. que confirmo a palavra do meu servo, e cumpro o conselho dos meus mensageiros; que digo de Jerusalém: Ela será habitada, e das cidades de Judá: Elas serão edificadas, e eu levantarei as suas ruínas;

27. que digo ao abismo: Seca-te, e eu secarei os teus rios;

28. que digo de Ciro: Ele é meu pastor, e cumprirá todo o meu beneplácito; que digo também de Jerusalém: Ela será habitada, e ao templo: Tu serás fundado.

1. Assim diz Jeová ao seu ungido, a Ciro a quem tomei pela mão direita para lhe sujeitar nações ante a sua face, desapertar os lombos de reis e lhe abrir portas cujas entradas não serão fechadas.

2. Eu irei diante de ti, e farei planos os lugares escabrosos; quebrarei as portas de bronze e despedaçarei as trancas de ferro.

3. Dar-te-ei os tesouros das trevas, e as riquezas escondidas em lugares secretos, para que saibas que eu sou Jeová, o Deus de Israel, que te chamo pelo teu nome.

4. Por amor do meu servo Jacó e de Israel meu escolhido te chamei pelo teu nome, e te dei títulos, embora não me conhecesses.

5. Eu sou Jeová, e não há outro; fora de mim não há Deus; cingir-te-ei, ainda que não me tenhas conhecido;

6. para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de mim não há outro: eu sou Jeová, e não há outro.

7. Eu formo a luz, e crio as trevas; faço a paz, e crio o mal; eu sou Jeová que faço todas estas coisas.

8. Destilai, ó céus, lá de cima, e chovam as nuvens a justiça para que produzam a salvação; abrase a terra, e ao mesmo tempo faça nascer a justiça; eu Jeová criei tudo isso.

9. Ai daquele que contende com o seu Criador! ai do caco entre os cacos da terra! Porventura dirá o barro ao que o forma: Que fazes? porventura dirá a tua obra do seu artífice: Ele não tem mãos?

10. Ai de quem diz ao pai: Que é o que geras? ou à mulher: Que é o de que estás de parto?

11. Assim diz Jeová, o Santo de Israel e seu Criador: Perguntai-me que há de suceder: demandai-me acerca de meus filhos, e acerca da obra das minhas mãos.

12. Eu é que fiz a terra, e sobre ela criei o homem: eu com as minhas mãos estendi os céus, e a todo o seu exército dei as minhas ordens.

13. Eu o despertei em justiça e o endireitarei em todos os seus caminhos. Ele edificará a minha cidade, e deixará ir livres os meus exilados, não por preço nem por presentes, diz Jeová dos exércitos.

14. Assim diz Jeová: O trabalho do Egito e o tráfico da Etiópia, e os sabeus, homens de grande estatura, passarão para ti, e serão teus. Irão atrás de ti, em cadeias virão; diante de ti se prostrarão, e a ti te suplicarão, dizendo: Certamente Deus está em ti; e não há outro que seja Deus.

15. Deveras tu, ó Deus de Israel, Salvador, és um Deus que te encobres.

16. Envergonhados e confundidos serão todos eles; cairão a uma em confusão todos os que fabricam ídolos.

17. Israel, porém, será salvo por Jeová com uma salvação eterna; vós não sereis envergonhados nem confundidos para todo o sempre.

18. Pois assim diz Jeová, o Deus que criou os céus, que formou a terra e a fez (ele a estabeleceu, não a criou para ser um caos, mas formou-a para ser habitada): eu sou Jeová, e não há outro.

19. Não tenho falado em oculto, em algum lugar da terra de trevas: eu não disse à semente de Jacó: Buscai-me em vão; eu, Jeová, falo a justiça, anuncio o que é reto.

20. Congregai-vos e vinde; chegai-vos todos juntos, os que escapastes das nações; não têm entendimento os que carregam o lenho da sua imagem esculpida, e oram a um deus que não pode salvar.

21. Anunciai e apresentai as razões; juntamente tomem conselho. Quem mostrou estas coisas desde os tempos antigos? quem as anunciou de há muito? não o fiz eu, Jeová? fora de mim não há outro Deus; Deus justo e salvador não há outro fora de mim.

22. Olhai para mim, e sede salvos, todos os confins da terra; pois eu sou Deus, e não há outro.

23. Por mim mesmo jurei da minha boca, já saiu em justiça a palavra, que não voltará: Diante de mim se dobrará todo o joelho, e jurará toda a língua.

24. Tão somente em Jeová, dir-me-ão, há justiça e força. A ele virão os homens, e serão envergonhados todos os que se indignarem contra ele.

25. Em Jeová será justificada, e se gloriará toda a semente de Israel.

1. Bel encurva-se, Nebo abaixa-se; os seus ídolos estão entregues aos animais e às bestas. Essas imagens que costumáveis levar já estão postas sobre animais que se cansam do peso delas.

2. Bel e Nebo abaixam-se, juntamente se encurvam; não puderam salvar a carga, mas eles mesmos lá se foram para o cativeiro.

3. Escutai-me, casa de Jacó, e todo o resto da casa de Israel, vós que por mim tendes sido carregados desde o ventre, que tendes sido levados desde a madre.

4. Até à vossa velhice eu serei o mesmo, e eu vos carregarei quando vos sobrevierem as cãs: o que eu gerei, também carregarei, e levarei e livrarei.

5. A quem me assemelhareis e me igualareis e me comparareis, para que sejamos semelhantes?

6. Os que derramam da bolsa o ouro, e pesam a prata na balança, alugam um ourives para que faça um deus; prostram-se diante dele, e adoram-no.

7. Eles o carregam sobre o ombro, o transportam, e o colocam no seu lugar; aí ficará de pé; do seu lugar não se moverá. Ainda que alguém clame a ele, não poderá ouvir, nem salva-o da sua tribulação.

8. Lembrai-vos disto, portai-vos varonilmente; trazei-o à memória, transgressores.

9. Lembrai-vos das coisas passadas da antigüidade; lembrai-vos de que eu sou Deus, e de que não há outro. Eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim;

10. que anuncio o fim desde o princípio, e desde os tempos antigos as coisas que ainda não têm sido feitas; que digo: O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade;

11. que do oriente chamo uma ave de rapina, e de um país remoto o homem do meu conselho. Eu o disse, eu também o cumprirei; formei este propósito, também o executarei.

12. Escutai-me, vós os que sois de coração duro, que estais longe da justiça;

13. Vou fazer aproximar-se a minha justiça; ela não estará de longe, e a minha salvação não se demorará; estabelecerei em Sião a salvação, e em Israel a minha glória.

1. Desce e assenta-te no pó, virgem filha de Babilônia; assenta-te no chão sem trono, filha dos caldeus. Pois não serás chamada mais mimosa e delicada.

2. Toma a mó, e moe a farinha; tira o teu véu e arranca a cauda da vestidura, descobre as pernas, e passa os rios.

3. A tua nudez será descoberta, ver-se-á a tua vergonha; tomarei vingança, e não pouparei a homem algum.

4. Quanto ao nosso redentor, Jeová dos exércitos é o seu nome, o Santo de Israel.

5. Senta-te calada, e entra nas trevas, filha dos caldeus; porque não serás chamada mais a senhora dos reinos.

6. Eu me agastei contra o meu povo, profanei a minha herança, e entreguei-os nas tuas mãos; tu não usaste de misericórdia com eles, sobre os velhos fizeste muito pesado o teu jugo.

7. Disseste: Eu serei senhora para sempre; assim não te importaste destas coisas, nem te lembraste do fim delas.

8. Agora, pois, ouve isto, tu a que estás entregue a prazeres, que habitas descuidada, e que dizes no teu coração: Eu sou, e fora de mim não há outra; não me sentarei como viúva, nem conhecerei a perda de filhos.

9. Porém num momento, num só dia, virão sobre ti ambos estes males, a perda de filhos e a viuvez-em toda a sua plenitude virão sobre ti apesar da multidão das tuas feitiçarias, e da grande abundância dos teus encantamentos.

10. Pois confiaste na tua maldade; disseste: Ninguém me vê. A tua sabedoria e a tua ciência, essas te perverteram. Disseste no teu coração: Eu sou, e fora de mim não há outra.

11. Por isso virá sobre ti o mal de que por encantamentos não saberás livrar-te, cairá sobre ti uma calamidade, que não poderás espiar, e virá sobre ti repentinamente uma desolação que ignorarás.

12. Deixa-te estar com os teus encantamentos e com a multidão das tuas feitiçarias, em que tens trabalhado desde a tua mocidade, para ver se acaso podes tirar algum proveito, se acaso podes prevalecer.

13. Tens-te cansado na multidão dos teus conselhos; apresentem-se, pois, e te salvem, os teus astrólogos, os que contemplam os astros, os que te anunciam de lua nova em lua nova o que há de vir sobre ti.

14. Eis que se tornarão como o restolho; o fogo os queimará, e eles não se poderão livrar do poder das chamas. Essas chamas não serão umas brasas a que se aquentem, nem fogo, para que diante dele se assentem.

15. Assim te virão a parar as coisas em que tens trabalhado; os que tiveram negócios contigo desde a tua mocidade andarão errantes, cada um para o seu lugar; não haverá quem te salve.

1. Ouve isto, casa de Jacó, vós os que vos chamais do nome de Israel, e saístes das águas de Judá; que jurais pelo nome de Jeová, e fazeis menção do Deus de Israel, porém não em verdade nem em justiça.

2. Pois eles se chamam da cidade santa, e se firmam sobre o Deus de Israel; Jeová dos exércitos é o seu nome.

3. Há muito anunciei as coisas passadas; e da minha boca é que saíram, e as fiz ouvir. De repente as pus por obra, e elas aconteceram.

4. Porque eu sabia que és obstinado, que a tua cerviz é um nervo de ferro, e a tua testa de bronze;

5. por isso há muito eu as anunciei; antes que acontecessem, eu as manifestei: para que não dissesses: O meu ídolo é o que fez estas coisas, e a minha imagem esculpida e a minha imagem fundida as ordenaram.

6. Já o tens ouvido; olha para tudo isto; acaso vós não o anunciareis? desde agora te mostro coisas novas, coisas escondidas que não sabias.

7. São criadas agora, e não de há muito; e antes deste dia não as ouviste; para que não dissesses: Eis que eu já sabia.

8. Tu nem as ouviste, nem as soubeste, nem há muito que se lhe abriu o teu ouvido; porque eu sabia que procedeste mui perfidamente, e foste chamado transgressor desde o ventre.

9. Por amor do meu nome dilatarei a minha ira, e por causa do meu louvor me refrearei para contigo, a fim de que eu não te extermine.

10. Eis que eu te purifiquei, porém não como a prata; escolhi-te na fornalha da aflição.

11. Por amor de mim, por amor de mim o farei; pois como seria o meu nome profanado? A minha glória não a darei a outrem.

12. Escuta-me, ó Jacó, e tu, ó Israel, a quem eu chamei; eu sou o mesmo, eu sou o primeiro, também eu sou o último.

13. A minha mão é também a que fundou a terra, e a minha destra é a que estendeu os céus. Quando eu os chamar, eles se apresentarão juntos.

14. Ajuntai-vos, todos vós, e ouvi; qual dentre eles anunciou estas coisas? Aquele a quem Jeová amou, executará a sua vontade contra Babilônia, e o seu braço estará sobre os caldeus.

15. Eu, eu tenho falado; também já o chamei. Eu o trouxe, e o seu caminho será próspero.

16. Chegai-vos perto de mim, ouvi isto; desde o princípio não falei às escondidas; desde o tempo em que aconteceu, estava eu ali. Agora o Senhor Jeová me enviou, e o seu espírito.

17. Assim diz Jeová, teu redentor, o Santo de Israel: Eu sou Jeová teu Deus, que te ensino o que é útil, que te guio pelo caminho em que deves andar.

18. Oxalá que tivesses atendido aos meus mandamentos! então a tua paz teria sido como um rio, e a tua justiça como as ondas do mar:

19. teria sido a tua posteridade como a areia, e os que procedem das tuas entranhas como os seus grãos: não havia de ser o seu nome cortado nem destruído de diante de mim.

20. Saí de Babilônia, fugi dos caldeus. Anunciai com voz de júbilo, fazei ouvir isto, e levai-o até os fins da terra; dizei: Jeová remiu ao seu servo Jacó.

21. Eles não tinham sede quando os conduzia pelos desertos; da pedra lhes fez correr águas; fendeu a pedra, e as águas correram.

22. Para os ímpios não há paz, diz Jeová.

1. Ouvi-me, ilhas; e escutai, povos de longe. Jeová chamou-me desde o ventre, desde as entranhas de minha mãe fez menção do meu nome;

2. fez a minha boca como uma espada aguda, na sombra da sua mão me escondeu; fez-me como uma seta polida, na sua aljava me encobriu

3. e me disse: Tu és o meu servo; és Israel, no qual hei de ser glorificado.

4. Mas eu disse: Debalde tenho trabalhado, inútil e vãmente tenho gasto as minhas forças; contudo certamente o meu direito está com Jeová, e a minha recompensa com o meu Deus.

5. Agora diz Jeová que me formou desde o ventre para ser o seu servo, para de novo trazer Jacó a ele, e para se reunir Israel a ele (pois sou glorificado aos olhos de Jeová, e o meu Deus se faz a minha fortaleza),

6. sim, diz ele: Pouco é que sejas o meu servo para suscitares as tribos de Jacó e restaurares os que de Israel têm sido preservados; também te porei para a luz dos gentios, a fim de seres a minha salvação até os confins da terra.

7. Assim diz Jeová, o redentor de Israel, e o Santo dele, ao que é desprezado dos homens, ao que é aborrecido da nação, ao servo dos que dominam: Reis bem como príncipes verão, se levantarão, adorarão, por causa de Jeová que é fiel, por causa do Santo de Israel que te escolheu.

8. Assim diz Jeová: No tempo aceitável te respondi, e no dia da salvação te auxiliei; conservar-te-ei e te darei por uma aliança do povo, para restaurares a terra, para distribuires as herdades assoladas,

9. e para dizeres aos que estão em cadeias: Sai; aos que estão em trevas: Mostrai-vos. Eles pastarão nos caminhos, e em todos os altos desnudados haverá o seu pasto.

10. Não terão fome nem sede; não os molestará nem a miragem nem o sol; porque o que deles se compadece, os guiará, sim os conduzirá aos mananciais de água.

11. Transformarei em caminho todos os meus montes, e as minhas estradas serão exaltadas.

12. Eis que estes virão de longe, eis que aqueles do norte e do ocidente e aqueles outros da terra de Sinim.

13. Cantai, céus; regozija-te, terra; rompei em cânticos, montes; porque Jeová conforta ao seu povo, e se compadecerá dos seus aflitos.

14. Sião, porém, disse: Jeová desamparou-me, e o Senhor esqueceu-se de mim.

15. Acaso pode uma mulher esquecer-se de seu filho de peito, de sorte que ela não se compadeça do filho das suas entranhas? embora as mães se esqueçam, contudo eu não me esquecerei de ti.

16. Eis que te gravei nas palmas das minhas mãos; os teus muros estão continuamente diante de mim.

17. Os teus filhos se apressam; sairão para fora de ti os que te destruíam e te assolavam.

18. Levanta os teus olhos ao redor, e olha; todos estes se reúnem, e vêm ter comigo. Por minha vida juro, diz Jeová, que de todos estes te vestirás como de um ornamento, e te cingirás deles, à moda de uma noiva.

19. Pois quanto aos teus lugares desertos e desolados, e à tua terra arruinada, agora tu, ó Sião, serás certamente estreita demais para os moradores; e os que te devoravam estarão longe.

20. Ainda dirão em teus ouvidos os filhos de que fostes privados: Este lugar é demasiadamente estreito para mim; dá-me espaço, em que eu habite.

21. Então dirás no teu coração: Quem me gerou estes, visto que fui privada de meus filhos, e sou solitária, exilada e errante? estes, quem os criou? Eis que fui deixada sozinha; estes onde estavam?

22. Assim diz o Senhor Jeová: Eis que eu levantarei as minhas mãos para as nações, e arvorarei o meu estandarte para os povos; eles trarão teus filhos nos braços e tuas filhas sobre os ombros.

23. Terás reis por teus aios, e as suas rainhas por tuas amas; diante de ti se inclinarão com o rosto em terra, e lamberão o pó dos teus pés; saberás que eu sou Jeová, e que os que por mim esperam não serão envergonhados.

24. Acaso tirar-se-á a presa ao forte, ou serão libertados os que são legalmente cativos?

25. Mas assim diz Jeová: Certamente os cativos serão tirados ao forte, e a presa do tirano será libertada; porque eu contenderei com o que contende contigo, e salvarei teus filhos.

26. Os que te oprimem alimentarei com as suas próprias carnes; e com o seu próprio sangue eles se embriagarão como com o mosto. Toda a carne saberá que eu, Jeová, sou o teu salvador, e que o teu redentor é o Poderoso de Jacó.

1. Assim diz Jeová: Onde está a carta de divórcio de vossa mãe, pela qual carta eu a repudiei? ou qual dos meus credores é aquele a quem vos vendi? Eis que por causa das vossas iniqüidades é que fostes vendidos, e por causa das vossas transgressões foi repudiada vossa mãe.

2. Por que, quando vim, não houve ninguém? quando chamei, não houve quem respondesse? acaso tanto se encolheu a minha mão que não possa remir? ou não tenho eu poder de livrar? Eis que pela minha repreensão faço secar o mar e torno os rios em deserto; por não haver água, apodrecem os seus peixes, e morrem de sede.

3. Eu visto de luto os céus e lhes ponho saco por coberta.

4. O Senhor Jeová deu-me a língua dos que são instruídos, para que eu saiba sustentar com palavras o que está cansado: desperta-me de manhã em manhã, desperta-me o ouvido para que eu ouça como os que são instruídos.

5. O Senhor Jeová abriu-me o ouvido, e eu não fui rebelde, nem me retirei para trás.

6. Dei as minhas costas aos que me feriam, e as minhas faces aos que me arrancavam os cabelos da barba; o meu rosto, não o escondi de opróbrios e de escarros.

7. O Senhor Jeová, porém, me ajudará; pelo que não me sinto confundido, e por este motivo pus o meu rosto como uma pederneira, e sei que não serei envergonhado.

8. Perto está aquele que me justifica; quem contenderá comigo? apresentemo-nos juntos: quem é o meu adversário? chegue-se para mim.

9. Eis que o Senhor Jeová me ajudará; quem há que me condene? eis que todos eles envelhecerão como um vestido; a traça os comerá.

10. Quem há entre vós que tema a Jeová, que escute a voz do seu servo? Aquele que anda em trevas, e não tem luz, confie em o nome de Jeová, e firme-se sobre o seu Deus.

11. Eia! todos vós, os que acendeis um fogo, e vos cingis com tições acesos, andai no lume do vosso fogo, e por entre os tições que ateastes. Da minha mão vos sobrevirá isto: em tormentos vos deitareis.

1. Escutai-me, vós os que seguis a justiça, que buscais a Jeová; olhai para a rocha de que fostes cortados, e para a caverna do poço de que fostes cavados.

2. Olhai para Abraão, vosso pai, e para Sara que vos deu à luz; porque, estando ele só, o chamei e o abençoei e o multipliquei.

3. Pois Jeová conforta a Sião, conforta todos os lugares desolados, e faz o seu deserto como o Éden e o seu ermo como o jardim de Jeová; nela se achará gozo e alegria, ação de graças e som de música.

4. Atendei-me, povo meu, e escutai-me, nação minha; porque de mim sairá a lei, e o meu juízo, estabelece-lo-ei para a luz dos povos.

5. Perto está a minha justiça, já saiu a minha salvação, e os meus braços julgarão os povos; as ilhas me aguardarão, e no meu braço confiarão.

6. Levantai os vossos olhos para os céus, e olhai para a terra cá em baixo; porque os céus desaparecerão como o fumo, e a terra envelhecerá como um vestido, e os seus moradores perecerão da mesma maneira; a minha salvação, porém, será para sempre, e a minha justiça não será abolida.

7. Escutai-me, vós os que seguis a justiça, povo em cujo coração está a minha lei; não temais o opróbrio dos homens, nem vos perturbeis por causa dos seus vilipêndios.

8. Pois a traça os consumirá como a um vestido e o bicho os comerá como à lã; a minha justiça, porém, será para sempre e a minha salvação de geração em geração.

9. Desperta-te, desperta-te, veste-te de fortaleza, ó braço de Jeová; desperta-te como nos dias da antigüidade, nas gerações dos tempos antigos. Porventura não és tu o que cortou em pedaços a Raabe, o que traspassou ao dragão?

10. Não és tu o que secou o mar, as águas do grande abismo; o que fez do fundo do mar um caminho, para que por ele passassem os remidos?

11. Os resgatados de Jeová voltarão, e com júbilo virão para Sião; e alegria sempiterna descansará sobre as suas cabeças. Eles alcançarão gozo e alegria, e a tristeza e o gemido fugirão.

12. Eu, eu sou o que vos conforta; quem és tu, para teres medo de um homem que morre, e do filho do homem que se tornará como feno?

13. Quem és tu que te esqueces de Jeová, teu Criador, o qual estendeu os céus e fundou a terra; e que o dia todo temes continuamente por causa do furor do opressor, quando se prepara para destruir? onde está o furor do opressor?

14. O exilado cativo depressa será solto; e não morrerá para ir à sepultura, nem lhe faltará o pão.

15. Pois eu sou Jeová teu Deus, que agito o mar, de modo que bramem as suas ondas: Jeová dos exércitos é o seu nome.

16. Pus as minhas palavras na tua boca, e na sombra da minha mão te escondi, para que eu plante os céus, funde a terra e diga a Sião: Tu és o meu povo.

17. Desperta-te, desperta-te, põe-te de pé, Jerusalém, que bebeste da mão de Jeová o cálice do seu furor, que bebeste da taça de atordoamento, e a esgotaste.

18. De todos os filhos que ela teve, não há nenhum que a guie; e de todos os filhos que ela criou, não há nenhum que a tome pela mão.

19. Estas duas coisas te sobrevieram; quem se condoerá de ti? a desolação e a destruição, a fome e a espada: como te consolarei?

20. Teus filhos já desmaiaram, jazem nas esquinas de todas as ruas, como um antílope tomado no laço; cheios estão do furor de Jeová, da repreensão de teu Deus.

21. Agora ouve isto, ó tu que estás aflita, e embriagada, porém não de vinho.

22. Assim diz o teu Senhor, Jeová, e teu Deus, que pleitea a causa do teu povo: Eis que tiro da tua mão o cálice de atordoamento, a taça do meu furor; tu não o tornarás mais a beber,

23. mas eu o porei nas mãos dos que te afligem; os quais diziam à tua alma: Abaixa-te, para que passemos. Tu punhas as tuas costas como o chão e como a rua para os que passavam.

1. Desperta, desperta, veste-te da tua fortaleza, ó Sião; veste-te dos teus vestidos formosos, ó Jerusalém, cidade santa. Pois não mais tornará a entrar em ti o incircunciso nem o imundo.

2. Sacode-te do pó; levanta-te, senta-te, Jerusalém: desata as cadeias do teu pescoço, cativa filha de Sião.

3. Pois assim diz Jeová: Por nada fostes vendidos; e sem dinheiro sereis remidos.

4. Pois assim diz o Senhor Jeová: O meu povo desceu no princípio ao Egito para peregrinar ali, e a Assíria sem razão o oprimiu.

5. Agora que tenho eu que fazer aqui, diz Jeová, visto haver sido o meu povo levado sem preço? os que dominam sobre ele, dão uivos, diz Jeová, e o meu nome é blasfemado continuamente o dia todo.

6. Portanto o meu povo saberá o meu nome; portanto saberá naquele dia que sou eu o que falo: eis que sou eu.

7. Quão formosos são sobre os montes os pés do que anuncia coisas boas, do que prega a paz, do que anuncia coisas boas, do que prega a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!

8. Ouve a voz dos teus vigias! eles alçam a voz, juntamente exultam; porque olho a olho verão, quando Jeová voltar a Sião.

9. Rompei em júbilo, exultai à uma, lugares desertos de Jerusalém; porque Jeová confortou ao seu povo, remiu a Jerusalém.

10. Jeová tem desnudado o seu santo braço aos olhos de todas as nações, e todos os confins da terra verão a salvação de nosso Deus.

11. Retirai-vos, retirai-vos, sai daí, não toqueis coisa imunda; sai do meio dela; purificai-vos, os que levais os vasos de Jeová,

12. Pois não saireis em tumulto, nem vos ireis fugindo; porque Jeová irá diante de vós, e o Deus de Israel será a vossa retaguarda.

13. Eis que o meu servo procederá com prudência, será exaltado e elevado, e mui sublime.

14. Como muitos pasmaram à vista dele (tão desfigurado estava o seu aspecto que não era o de um homem, e a sua figura não era a dos filhos dos homens),

15. assim borrifará muitas nações; por causa dele reis taparão a boca. Pois verão aquilo que não se lhes havia anunciado, e entenderão aquilo que não tinham ouvido.

1. Quem creu a nossa mensagem? e a quem foi revelado o braço de Jeová?

2. Crescia diante dele, como servo, e como raiz que sai de uma terra seca. Ele não tinha beleza nem formosura; quando olhávamos para ele, não mostrava beleza, para que nele tivéssemos prazer.

3. Era desprezado e rejeitado dos homens; um varão de dores, e que tinha experiência de enfermidades. Como um de quem os homens escondiam o rosto, era ele desprezado, e dele não fizemos caso.

4. Verdadeiramente foi ele quem tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos como aflito, ferido de Deus e oprimido.

5. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos nós sarados.

6. Todos nós temos andado desgarrados como ovelhas; temo-nos desviado cada um para o seu caminho; e Jeová fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.

7. Ele foi oprimido, contudo humilhou-se a si mesmo, e não abriu a boca. Como o cordeiro que é levado ao matadouro, e como a ovelha que é muda diante dos que a tosquiam; assim não abriu ele a boca.

8. Pela opressão e pelo juízo foi ele arrebatado, e quanto a sua geração, quem considerou que ele foi cortado da terra dos viventes? por causa da transgressão do meu povo foi ele ferido.

9. Deram-lhe a sepultura com os ímpios, e com o rico esteve na sua morte; ainda que ele não tinha cometido violência, nem havia dolo na sua boca.

10. Todavia foi do agrado de Jeová esmagá-lo; deu-lhe enfermidades. Quando a sua alma fizer uma oferta pelo pecado, ele verá a sua semente, prolongará os seus dias, e na sua mão será próspera a boa vontade de Jeová.

11. Ele verá o fruto do trabalho de sua alma, e ficará satisfeito; pelo seu conhecimento o meu servo justo justificará a muitos, e as iniqüidades deles ele as tomará sobre si.

12. Por isso lhe darei a sua parte com os grandes, e com os fortes ele partilhará os despojos; porque derramou a sua alma até a morte, e foi contado com os transgressores. Contudo levou sobre si os pecados de muitos, e intercedeu pelos transgressores.

1. Canta, estéril, que não deste à luz; rompe em cânticos, e clama, tu que não tiveste dores de parto; porque mais são os filhos da desolada, do que os da que tem marido, diz Jeová.

2. Alarga o sítio da tua tenda, e estendam-se as cortinas das tuas habitações; não o impeças: alonga as tuas cordas, e segura as tuas estacas.

3. Porque trasbordarás para a direita e para a esquerda; a tua posteridade possuirá as nações, e fará que sejam habitadas as cidades desertas.

4. Não temas, porque não serás envergonhada; não te envergonhes, porque não terás que sofrer afrontas. Certamente te esquecerás da vergonha da tua mocidade e não te lembrarás mais do opróbrio da tua viuvez.

5. Pois o teu Criador é teu marido; Jeová dos exércitos é o seu nome: e o Santo de Israel é o teu redentor; será chamado o Deus de toda a terra.

6. Porque Jeová te chamou como a mulher desamparada e angustiada de espírito, sim como a mulher da mocidade, que fora repudiada, diz o teu Deus.

7. Pois um breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias te recolherei.

8. Num ímpeto de indignação escondi de ti por um momento a minha face, mas com sempiterna benignidade me compadecerei de ti, diz Jeová, teu redentor.

9. Pois isto é para mim como as águas de Noé. Como jurei que as águas de Noé não passariam mais sobre a terra, assim juro que não me irarei mais contra ti, nem te repreenderei.

10. Pois os montes se retirarão, e os outeiros serão removidos; a minha benignidade, porém, não se apartará de ti, nem será removida a minha aliança de paz, diz Jeová que se compadece de ti.

11. Ó tu aflita, combatida da tempestade e desconsolada, eis que eu porei as tuas pedras com antimônio, e lançarei os teus alicerces com safiras.

12. Farei os teus baluartes de rubins, e as tuas portas de carbúnculos, e todo o teu termo de pedras preciosas.

13. Todos os teus filhos serão ensinados de Jeová; e grande será a paz de teus filhos.

14. Pela justiça serás estabelecida; estarás removida longe de opressão, porque não temerás; e do terror, porque a ti não se chegará.

15. Eis que embora se ajuntem os teus inimigos, isto não procede de mim; todos os que se ajuntarem contra ti, por amor de ti cairão.

16. Eis que sou eu o que criei o ferreiro que assopra o fogo de brasas, e que produz a ferramenta para a sua obra; também sou eu o que criei o assolador para destruir.

17. Não prosperará nenhuma ferramenta que tiver sido fabricada contra ti, e toda a língua que se levantar contra ti em juízo, tu a condenarás. Esta é a herança dos servos de Jeová, e a sua justiça que de mim procede, diz Jeová.

1. Ah! todos vós os que tendes sede, vinde às águas, bem como vós os que não tendes dinheiro; vinde, comprai e comei; sim vinde, comprai sem dinheiro e sem preço vinho e leite.

2. Por que gastais dinheiro naquilo que não é pão? e o fruto do vosso trabalho naquilo que não pode dar satisfação? Ouvi-me com atenção e comei o que é bom, e deleite-se a vossa alma com a gordura.

3. Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá: farei convosco uma aliança sempiterna, a saber, as santas e firmes coisas prometidas a Davi.

4. Eis que o dei por testemunha aos povos, por príncipe e comandante aos povos.

5. Eis que chamarás uma nação que não conheces, e uma nação que não te conheceu correrá a ti, por amor de Jeová teu Deus, e do Santo de Israel, porque ele te glorificou.

6. Buscai a Jeová enquanto se pode achar; invocai-o enquanto está perto.

7. Deixe o iníquo o seu caminho, e o injusto os seus pensamentos: volte-se para Jeová, porque se compadecerá dele; e para o nosso Deus, porque muito perdoará.

8. Pois os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos são os meus caminhos, diz Jeová.

9. Assim como os céus são mais altos do que a terra, assim os meus caminhos são mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos do que os vossos pensamentos.

10. Assim como do céu desce a chuva e a neve, e para lá não torna, mas rega a terra, e a faz produzir e brotar, e dá semente ao que semeia e pão ao que come;

11. assim será a minha palavra que sair da minha boca. Não tornará para mim vazia, mas efetuará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.

12. Pois saireis em alegria e em paz sereis conduzidos; os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas.

13. Em lugar do espinheiro nascerá o cipreste, e em lugar da urtiga nascerá a murta: o que será para Jeová por nome, por sinal sempiterno que não se apagará.

Você está lendo Isaías na edição TB, Sociedade Bíblica Britânica, em Português.
Este lívro compôe o Antigo Testamento, tem 66 capítulos, e 1292 versículos.