Isaías

1. Assim diz Jeová: Guardai o juízo, e fazei justiça; pois a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça prestes a se manifestar.

2. Feliz é o homem que faz isto e o filho do homem que lança mão disto: que guarda o sábado para não o profanar, e guarda as suas mãos para não praticar mal algum.

3. Não diga o estrangeiro que se uniu a Jeová: Certamente Jeová me separará do seu povo; não diga o eunuco: Eis que sou uma árvore seca.

4. Pois assim diz Jeová a respeito dos eunucos que guardam os seus sábados, e escolhem as coisas em que me agrado, e abraçam a minha aliança:

5. Dar-lhes-ei na minha casa e dentro dos meus muros um memorial e um nome melhor do que o de filhos e filhas; dar-lhes-ei um nome sempiterno, que não se apagará.

6. Também os estrangeiros que se unem a Jeová, para o servirem, e amarem o nome de Jeová, a fim de que lhe sejam servos, sim todos os que guardam o sábado, para que não o profanem, e abraçam a minha aliança;

7. a estes os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos sobre o meu altar, porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos.

8. O Senhor Jeová que congrega os dispersos de Israel diz: Ainda outros congregarei a ele, além dos seus que se acham congregados.

9. Vós, todos os animais do campo, todos os animais do bosque, vinde a devorar.

10. Os seus vigias são cegos, todos eles são sem entendimento; todos são cães mudos que não podem ladrar; sonham, deitam-se, gostam de dormir.

11. Os cães são vorazes, nunca podem fartar-se; e estes são pastores que não podem entender: todos eles declinaram para o seu caminho, cada um para a sua ganância, todos sem exceção.

12. Vinde, trarei vinho, e nos encheremos de bebida forte; amanhã será como hoje, dia desmesuradamente grande.

1. O justo perece e não há quem se importe com isto; e homens compassivos são arrebatados, sem que alguém considere que o justo é arrebatado para ser livre do mal.

2. Ele entra na paz; descansam nos seus leitos todos os que andam na sua retidão.

3. Vós, porém, chegai-vos para cá, filhos da agoureira, linhagem do adúltero e da prostituta.

4. De quem fazeis escárnio? contra quem distendeis a boca, e deitais fora a língua? porventura não sois vós filhos da transgressão, estirpe da falsidade,

5. vós os que vos inflamais junto aos terebintos, debaixo de toda a árvore verde, que sacrificais os filhos nos vales debaixo das fendas dos penhascos?

6. Por entre as pedras lisas do vale está a tua porção; estas, estas são a tua sorte: também a estas derramaste a tua libação, ofereceste uma oblação. Contentar-me-ia destas coisas?

7. Puseste o teu leito sobre um alto e elevado monte; e lá subiste para oferecer sacrifícios.

8. Detrás das portas e das umbreiras colocaste o teu memorial; pois te descobriste a um outro que não a mim, e subiste; alargaste a tua cama, e com eles fizeste aliança; amaste o seu leito, onde quer que o viste.

9. Foste ao rei com óleo e multiplicaste os teus perfumes, e enviaste os teus mensageiros para longe, e te abateste até o Cheol.

10. Tu te cansaste na tua comprida viagem; contudo não disseste: Não há esperança. Achaste com que renovar as tuas forças; por isso não enfraqueceste.

11. De quem tiveste receio e medo, para que mentisses, e não te lembrasses de mim, nem te importasses? Certamente me conservo calado e isso há muito tempo, pelo que não me temes.

12. Eu publicarei essa justiça tua; e quanto às tuas obras, elas não te aproveitarão.

13. Quando clamares, livrem-te os que tens ajuntado. Levá-los-á o vento, um assopro arrebatará a todos eles; porém o que em mim confia, possuirá a terra, e herdará o meu santo monte.

14. Este dirá: Aterrai, aterrai, preparai o caminho, tirai os tropeços do caminho do meu povo.

15. Pois assim diz o Alto, e o Excelso, que habita a eternidade, de quem o nome é Santo: Habito no alto e santo lugar, também com aquele que é contrito e humilde de espírito, para vivificar o espírito dos humildes, e vivificar o coração dos contritos.

16. Não contenderei para sempre, nem ficarei continuamente irado; porque diante de mim desfaleceria o espírito, bem como as almas que tenho feito.

17. Por causa da iniqüidade da sua cobiça indignei-me e o feri; escondi a face, indignei-me e ele se foi andando perverso no caminho do seu coração.

18. Tenho visto os seus caminhos, e o sararei; também o conduzirei, e tornarei a dar consolação a ele e aos que o pranteiam.

19. Eu crio o fruto dos lábios; paz, paz ao que está longe e ao que está perto, diz Jeová; e o sararei.

20. Os iníquos, porém, são como o mar agitado; pois não pode ficar quieto, e as suas águas lançam de si lama e lodo.

21. Não há paz para os iníquos, diz o meu Deus.

1. Clama em alta voz, não cesses, levanta como trombeta a tua voz, e anuncia ao meu povo a sua transgressão, e à casa de Jacó os seus pecados.

2. Contudo me buscam cada dia, e têm prazer em conhecerem os meus caminhos; como uma nação que praticou a justiça e não abandonou o juízo do seu Deus, pedem-me juízos retos, têm prazer em se chegarem a Deus.

3. Por que temos nós jejuado, dizem eles, e tu não atentas? por que temos afligido as nossas almas e tu não o sabes? Eis que no dia do vosso jejum prosseguis as vossas empresas, e exigis que se façam todos os vossos trabalhos.

4. Eis que jejuais para contendas e rixas, e para ferirdes com punho iníquo; não jejuais hoje, de maneira que a vossa voz se faça ouvir no alto.

5. Acaso pode tal jejum ser o que escolhi? o dia em que o homem humilha a sua alma? Consiste, porventura, em inclinar o homem a cabeça como junco e em estender debaixo de si saco e cinza? porventura chamará a isso jejum, e dia aceitável a Jeová?

6. Acaso não é este o jejum que escolhi-romper as ligaduras da iniqüidade, desatar as ligaduras do jugo, deixar ir livres os oprimidos e quebrar todo o jugo?

7. Acaso não consiste ele em repartires o teu pão com o faminto, e recolheres em casa os pobres desamparados? em cobrires o nu quando o vires, e não te esconderes da tua carne?

8. Então romperá a tua luz como a aurora, e depressa nascerá a tua cura; a tua justiça irá diante de ti; a glória de Jeová será a tua retaguarda.

9. Então clamarás, e Jeová responderá; chamarás, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo e o falar iniqüamente;

10. se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita; então nascerá a tua luz nas trevas, e a tua escuridão tornar-se-á como o meio dia.

11. Jeová te guiará continuamente, fartará a tua alma mesmo em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado, e como um manancial de águas, cujas águas não falham.

12. Os que de ti procederem, edificarão as antigas ruínas; levantarás os fundamentos de muitas gerações; e serás chamado reparador da brecha, restaurador de veredas para que o país se torne habitável.

13. Se apartares do sábado o teu pé, e não prosseguires as tuas empresas no meu santo dia, se ao sábado chamares deleitoso, santificado por Jeová e digno de honra; se o honrares, não seguindo os teus caminhos, nem te ocupando nas tuas empresas, nem falando as tuas palavras;

14. então te deleitarás em Jeová. Eu te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te alimentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca de Jeová falou.

1. Eis que a mão de Jeová não é tão curta que não possa salvar, nem o seu ouvido tão pesado que não possa ouvir;

2. mas as vossas iniqüidades são as que fizeram uma separação entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados fizeram-lhe esconder de vós o seu rosto, de sorte que não vos ouça.

3. Pois as vossas mãos estão manchadas de sangue, e os vossos dedos de iniqüidade; os vossos lábios falam mentiras, a vossa língua profere a iniqüidade.

4. Não há ninguém que invoque a justiça com retidão, nem há quem pleiteie com verdade; confiam na vaidade, e falam mentiras; concebem o mal e dão à luz iniqüidade.

5. Chocam ovos de basiliscos, e tecem teias de aranha; o que comer dos ovos deles, morrerá, e se um dos ovos for pisado, sairá uma víbora.

6. As suas teias não servirão para vestidos, nem os homens se cobrirão das obras deles; as suas obras são obras de iniqüidade, e atos de violência estão nas suas mãos.

7. Os seus pés correm para o mal, e se apressam para derramar o sangue inocente; os seus pensamentos são pensamentos de iniqüidade; a desolação e a destruição acham-se nas suas veredas.

8. O caminho da paz eles não o conhecem; e não há juízo nos seus passos; fizeram para si veredas tortas; todo o que anda por elas, não conhece a paz.

9. Por isso está longe de nós o juízo, e não nos alcança a justiça; esperamos pela luz, mas eis as trevas; pelos raios de luz, mas andamos na escuridão.

10. Como cegos apalpamos as pedras, e como homens sem olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio dia como no crepúsculo, e nos achamos como os mortos entre os que são cheios de vida.

11. Todos nós bramamos como ursos, e andamos gemendo como pombas: esperamos o juízo, e não o há; a salvação, e ela fica longe de nós.

12. Pois as nossas transgressões se multiplicam diante de ti, e os nossos pecados dão testemunho contra nós; as nossas transgressões estão conosco, e quanto às nossas iniqüidades, nós as conhecemos.

13. Transgredimos, negamos a Jeová, e nos desviamos de seguir após o nosso Deus; falamos a opressão e a rebelião, concebemos e proferimos do coração palavras de falsidade.

14. O juízo já se tornou para trás, e a justiça põe-se de longe; porque na praça caiu por terra a verdade, e não pode entrar a eqüidade.

15. A verdade foi posta em esquecimento, e quem se desvia do mal, expõe-se a ser despojado. Jeová o viu, e desagradou-lhe o não haver juízo.

16. Viu que não havia varão e maravilhou-se por não haver quem intercedesse; por isso o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve.

17. Vestiu-se de justiça como de uma couraça, e pôs na cabeça o capacete da salvação; por vestidura pôs sobre si vestidos de vingança, e cobriu-se de zelo como de um manto.

18. Segundo as obras deles, assim retribuirá com furor aos seus adversários, e com recompensa aos seus inimigos; ele retribuirá recompensa às ilhas.

19. Assim temerão o nome de Jeová desde o poente, e a sua glória desde o nascente do sol; porque virá como uma corrente impetuosa, que o assopro de Jeová impele.

20. Virá um redentor a Sião e aos que em Jacó se desviam de transgressão, diz Jeová.

21. Quanto a mim, esta é a minha aliança com ele, diz Jeová: o meu espírito que está sobre ti, e as minhas palavras que pus na tua boca, não se apartarão da tua boca, nem da boca da tua posteridade, nem da boca da posteridade da tua posteridade, diz Jeová, desde agora e para todo o sempre.

1. Levanta-te, resplandece; porque é chegada a tua luz, e é nascida sobre ti a glória de Jeová.

2. Pois eis que as trevas cobrirão a terra, e a escuridão os povos; sobre ti, porém, nascerá Jeová, sobre ti se verá a sua glória.

3. As nações se encaminharão para a tua luz, e os reis para o resplendor da tua aurora.

4. Levanta em roda os teus olhos, e vê; todos estes se ajuntam, eles vêm ter contigo; teus filhos virão de longe, e tuas filhas serão levadas nos braços.

5. Então verás, e estarás radiante: o teu coração palpitará e se dilatará; porque a abundância do mar se tornará a ti, as riquezas das nações virão a ti.

6. A multidão de camelos te cobrirá, os dromedários de Midiã e de Efa; todos virão de Sabá, trarão ouro e incenso, e publicarão os louvores de Jeová.

7. Todos os rebanhos de Quedar se ajuntarão em ti, os carneiros de Nebaiote te servirão; serão aceitos ao serem oferecidos sobre o meu altar, e glorificarei a casa da minha glória.

8. Quem são estes que vêm voando como as nuvens, e como as pombas para as suas janelas?

9. Certamente as ilhas me esperarão, e as naus de Társis virão primeiro para trazerem de longe teus filhos, e com eles a sua prata e o seu ouro para o nome de Jeová teu Deus e para o Santo de Israel, porque ele te glorificou.

10. Estrangeiros edificarão os teus muros, e os seus reis te servirão; porque na minha ira te feri, mas no meu furor tive compaixão de ti.

11. As tuas portas também de contínuo estarão abertas; não serão fechadas nem de dia nem de noite, para que te sejam trazidas as riquezas das nações e conduzidos com elas os seus reis.

12. Pois a nação e o reino, que não te servirem, perecerão; as tuas nações serão de todo assoladas.

13. A glória do Líbano virá a ti, o cipreste, o olmeiro e o buxo juntamente, para adornar o lugar do meu santuário, e farei glorioso o lugar dos meus pés.

14. Virão a ti, inclinando-se, os filhos dos que te oprimiram; e prostrar-se-ão diante das plantas dos teus pés todos os que te desprezaram, e chamar-te-ão a cidade de Jeová, Sião do Santo de Israel.

15. Em lugar de seres abandonada e aborrecida sem que ninguém por ti passe, far-te-ei uma excelência perpétua, delícias de muitas gerações.

16. Mamarás o leite das nações, e mamarás o peito dos reis; saberás que eu Jeová sou o teu salvador e o teu redentor, o Poderoso de Jacó.

17. Em lugar de cobre trarei ouro, em lugar de ferro trarei prata, e por madeira cobre e por pedra ferro; e farei paz os teus oficiais, e justiça os teus magistrados.

18. Não se ouvirá mais falar de violência na tua terra, de desolação e de destruição nos teus termos; mas chamarás aos teus muros Salvação, e às tuas portas Louvor.

19. Não te servirá mais o sol para luz de dia, nem com o seu resplendor te alumiará a lua; mas Jeová te servirá de luz perpétua, e o teu Deus será a tua glória.

20. Não se porá mais o sol, nem a tua lua se retirará, porque Jeová será a tua luz perpétua, e acabados serão os dias do teu pranto.

21. O teu povo também, todos serão justos, eles herdarão a terra para sempre-renovos da minha plantação, obras das minhas mãos, para que eu seja glorificado.

22. O mais pequeno virá a ser mil, e o mínimo uma nação forte; eu Jeová apressarei isto a seu tempo.

1. O espírito de Jeová está sobre mim, porque Jeová me ungiu para pregar boas novas aos mansos: enviou-me para sarar os quebrantados de coração, para apregoar liberdade aos cativos e abertura de prisão aos que estão encarcerados;

2. para apregoar o ano aceitável de Jeová, e o dia da vingança do nosso Deus; para confortar a todos os que choram;

3. para pôr sobre os que choram em Sião uma grinalda em vez de cinzas, e dar-lhes óleo de gozo em vez de pranto, vestidos de louvor em vez de espírito de tristeza; para que sejam chamados árvores de justiça, plantação de Jeová, a fim de que seja ele glorificado.

4. Edificarão as antigas ruínas, levantarão as desolações de seus antepassados e repararão as cidades assoladas, as desolações de muitas gerações.

5. Estranhos apresentar-se-ão e apascentarão os vossos rebanhos, e estrangeiros serão os vossos lavradores e os vossos vinheiros.

6. Vós, porém, sereis chamados sacerdotes de Jeová; chamar-vos-ão ministros do vosso Deus: comereis as riquezas das nações e da glória deles vos ufanareis.

7. Em lugar da vossa vergonha, haveis de ter uma porção dobrada; e em lugar de confusão vos exultareis na vossa porção: por isso na vossa terra possuireis o dobro; tereis uma alegria sempiterna.

8. Pois eu Jeová amo o juízo, aborreço aquilo que é injustamente arrebatado; dar-lhes-ei fielmente sua recompensa, e com eles farei uma aliança perpétua.

9. A sua posteridade será conhecida entre as nações, e os seus descendentes entre os povos; todos os que os virem os reconhecerão, que são a semente que Jeová abençoou.

10. Grandemente me regozijarei em Jeová, e a minha alma se alegrará no meu Deus; porque me vestiu dos vestidos de salvação, me cobriu do manto de justiça, como um noivo se adorna com uma grinalda, e como a noiva se enfeita com as suas jóias.

11. Pois como a terra produz os seus renovos, e como o jardim faz brotar o que nele se semeia; assim o Senhor Jeová fará brotar a justiça e o louvor diante de todas as nações.

1. Por amor de Sião não me calarei, e por amor de Jerusalém não descansarei, até que saia a sua justiça como um resplendor, a sua salvação como uma tocha acesa.

2. As nações verão a tua justiça, e todos os reis a tua glória; e serás chamado por um novo nome que a boca de Jeová ordenará.

3. Também serás uma coroa de adorno na mão de Jeová, e um diadema real na mão do teu Deus.

4. Não serás chamada dali em diante Desamparada; nem a tua terra será mais chamada Desolada: mas serás chamada Hefezi-Bá, e a tua terra Beulá; porque Jeová se deleita em ti, e a tua terra será casada.

5. Porque como o mancebo se casa com a donzela, assim teus filhos se casarão contigo; e como o noivo se alegra da noiva, assim o teu Deus se alegrará de ti.

6. Tenho posto vigias sobre os teus muros, ó Jerusalém; eles não se calarão jamais em todo o dia nem em toda a noite: não descanseis vós os que fazeis lembrar a Jeová,

7. e não lhe deis a ele descanso, até que estabeleça, e até que ponha a Jerusalém por objeto de louvor na terra.

8. Jeová jurou pela sua destra e pelo braço da sua fortaleza, dizendo: Certamente não darei mais o teu trigo por comida aos teus inimigos; e não beberão estrangeiros o teu vinho em que trabalhaste.

9. Mas os que o tiverem recolhido, o comerão; e os que o tiverem recolhido, o beberão nos átrios do meu santuário.

10. Passai, passai pelas portas; preparai o caminho ao povo; aterrai, aterrai a estrada; tirai as pedras; arvorai um estandarte aos povos.

11. Eis que Jeová fez ouvir até os confins da terra estas palavras: Dizei à filha de Sião: Eis que vem o teu Salvador; eis que o seu galardão está com ele, e a sua recompensa diante dele.

12. Chamar-lhes-ão o povo santo, os remidos de Jeová; e tu serás chamada Buscada, cidade não desamparada.

1. Quem é este que vem de Edom, de Bozra, com as vestiduras tintas de escarlate? este que é glorioso no seu traje, que marcha na plenitude da sua fortaleza? Eu que falo a justiça, poderoso para salvar.

2. Por que então é vermelho o teu traje, e as tuas vestiduras como as do que pisa no lagar?

3. Sozinho pisei o lagar, e dos povos não se achava comigo homem algum; pisei-os na minha ira, e calquei-os aos pés no meu furor, e o seu sangue veio salpicar as minhas vestiduras, e manchei o meu traje todo.

4. Porque o dia da vingança estava no meu coração, e é chegado o ano dos meus remidos.

5. Olhei, e não houve quem me ajudasse; e admirei-me de que não houvesse quem me sustivesse: pelo que o meu próprio braço me trouxe a salvação; e o meu furor, ele me susteve.

6. Calquei aos pés os povos na minha ira, e embriaguei-os no meu furor, e derramei sobre a terra o seu sangue.

7. Celebrarei as benignidades de Jeová, os louvores de Jeová, segundo tudo o que ele nos tem concedido, e a grande bondade para com a casa de Israel, a qual bondade ele lhes tem concedido segundo as suas misericórdias e segundo a multidão das suas benignidades.

8. Pois ele disse: Certamente eles são o meu povo, filhos que não serão falsos; assim se lhes tornou salvador.

9. Em toda a angústia deles, foi ele angustiado, e o anjo da sua face os salvou; no seu amor e na sua clemência os remiu, os tomou e os levou em todos os dias da antigüidade.

10. Eles, porém, se rebelaram, e lhe contristaram o seu santo espírito; por isso ele se lhes tornou inimigo, e pelejou contra eles.

11. Então se lembrou dos dias da antigüidade, de Moisés e do seu povo, dizendo: Onde está o que os tirou do mar com os pastores do seu rebanho? onde está o que pôs no meio deles o seu santo espírito?

12. o que fez o seu braço glorioso andar à mão direita de Moisés; o que dividiu as águas diante deles, para adquirir para si um nome sempiterno?

13. o que os fez passar pelos abismos como a um cavalo pelo deserto, sem que tropeçassem?

14. Como o gado que desce ao vale, o espírito de Jeová fê-los descansar; assim guiaste o teu povo para adquirires um nome glorioso.

15. Atenta lá do céu, e olha lá da habitação da tua santidade e da tua glória; onde está o teu zelo, e as tuas grandezas? o anelo das tuas entranhas e as tuas misericórdias estancaram para mim.

16. Pois tu és nosso pai, ainda que Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece; tu, Jeová, és nosso pai; nosso redentor desde a antigüidade é o teu nome.

17. Por que nos fazes, Jeová, errar dos teus caminhos, e endureces o nosso coração para te não temermos? Volta por amor dos teus servos, das tribos da tua herança.

18. Só por um pouco de tempo o teu povo santo possuiu o país; os nossos adversários pisaram o teu santuário.

19. Somos feitos como aqueles sobre quem nunca dominaste, como aqueles sobre quem nunca foi invocado o teu nome.

1. Oxalá fenderas tu os céus, e desceras, para que tremessem os montes na tua presença,

2. como quando o fogo pega em acendalhas, como quando o fogo faz ferver a água, a fim de fazeres notório o teu nome, aos teus adversários, de sorte que à tua presença tremam as nações!

3. Quando fizeste coisas terríveis, que não esperávamos, desceste; os montes tremeram à tua presença.

4. Desde a antigüidade não têm ouvido os homens, nem com os ouvidos têm percebido, nem tem o olho visto a um Deus fora de ti, o qual opera a favor daquele que o espera.

5. Sais ao encontro àquele que se alegra e pratica a justiça, aos que se lembram de ti nos teus caminhos; eis que tu te iraste, e nós pecamos; há muito tempo temos estado em pecados, e havemos de ser salvos?

6. Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo de imundície; todos nós murchamos como a folha; e as nossas iniqüidades, como o vento, nos arrebatam.

7. Não há quem invoque o teu nome, quem se desperte para pegar de ti; porque escondeste de nós a tua face, e nos consumiste pelas nossas iniqüidades.

8. Mas agora, Jeová, tu és nosso pai; nós somos o barro, e tu o nosso oleiro; e todos nós somos obra das tuas mãos.

9. Não te agastes muito, Jeová, nem para sempre te lembres da iniqüidade; olha, te pedimos, todos nós somos o teu povo.

10. As tuas cidades santas tornaram-se um deserto; Sião está feita um deserto, Jerusalém uma desolação.

11. A nossa santa e gloriosa casa, em que nossos pais te louvaram, está queimada a fogo; e todas as nossas coisas deleitáveis estão consumidas.

12. Acaso conter-te-ás, Jeová, apesar disso? ficarás calado e afligir-nos-ás até as últimas?

1. Fui consultado dos que não perguntavam por mim; fui achado dos que me não buscavam. Eu disse a uma nação que não se chamava do meu nome: Eis-me aqui, eis-me aqui.

2. Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde, que anda por um caminho que não é bom, após os seus pensamentos;

3. ao povo que de contínuo me provoca diante da minha face, sacrificando nos jardins e queimando incenso sobre os tijolos;

4. que se assenta nos sepulcros e passa a noite em lugares secretos, que come carne de porco, e em cujos vasos acha-se caldo de coisas abomináveis;

5. que diz: Fica-te lá, não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu. Estes são um fumo no meu nariz, um fogo que arde o dia todo.

6. Eis que isso está escrito diante de mim; não me calarei, mas retribuirei (sim retribuirei no seio deles),

7. as vossas iniqüidades, e juntamente as iniqüidades de vossos pais, diz Jeová, os quais queimaram incenso sobre os montes, e me blasfemaram sobre os outeiros: portanto primeiro lhes medirei a recompensa no seu seio.

8. Assim diz Jeová: Como quando se acha o mosto num cacho de uvas, e se diz: Não o desperdices, porque nele há uma bênção; assim farei por amor do meu servo, de sorte que eu não os destrua a todos.

9. Farei sair de Jacó uma semente, e de Judá um herdeiro dos meus montes; os meus escolhidos herdarão a terra, e os meus servos nela habitarão.

10. Sarom servirá de curral de rebanhos, e o vale de Acor de um lugar onde se deitam os gados, para os do meu povo que me buscaram.

11. Mas quanto a vós que deixais a Jeová, que vos esqueceis do meu santo monte, que preparais uma mesa para a Fortuna, e que misturais bebidas para o Destino;

12. destinar-vos-ei à espada, e todos vós vos prostrareis diante da matança; porque quando chamei, não respondestes; quando falei, não ouvistes, mas fizestes o que era mau aos meus olhos, e escolheste aquilo em que eu não tinha prazer.

13. Portanto assim diz o Senhor Jeová: Eis que os meus servos comerão, mas vós tereis fome; os meus servos beberão, mas vós tereis sede; os meus servos se regozijarão, mas vós sereis envergonhados;

14. os meus servos exultarão pela alegria de coração, mas vós chorareis pela tristeza de coração, e uivareis pela vexação de espírito.

15. Deixareis o vosso nome para maldição aos meus escolhidos, e o Senhor Jeová te matará; aos seus servos chamarás por outro nome;

16. de modo que o que se abençoar sobre a terra, se abençoará no Deus de verdade; e o que jurar sobre a terra, jurará pelo Deus de verdade; porque já estão esquecidas as angústias passadas, e porque estão escondidas dos meus olhos.

17. Pois eis que crio uns céus novos e uma terra nova; e não persistirão na memória as coisas passadas, nem serão elas lembradas.

18. Mas alegrai-vos e regozijai-vos para sempre no que eu crio, porque crio a Jerusalém para exultação e ao seu povo para gozo.

19. Exultarei em Jerusalém, e folgarei no meu povo; não se ouvirá mais nela voz de choro nem voz de lamento.

20. Não haverá mais ali criança de dias, nem velho que não tenha enchido os seus dias; porque o menino morrerá de cem anos, e o pecador de cem anos será amaldiçoado.

21. Eles edificarão casas e nelas habitarão; plantarão vinhas, e comerão o fruto delas.

22. Não edificarão para que outrem habite; não plantarão para que outrem coma. Pois como os dias da árvore são os dias do meu povo, e os meus escolhidos gozarão por longo tempo das obras das suas mãos.

23. Não trabalharão debalde, nem gerarão filhos para calamidade; porque são a semente dos benditos de Jeová, juntamente com os seus descendentes.

24. Acontecerá que, antes de clamarem eles, eu responderei; e estando eles ainda falando, eu os ouvirei.

25. O lobo e o cordeiro se apascentarão juntos, e o leão comerá palha como o boi; o pó será a comida da serpente. Eles não farão o mal, nem destruirão em todo o meu santo monte, diz Jeová.

1. Assim diz Jeová: O céu é o meu trono, e a terra é o escabelo dos meus pés. Que casa é essa que me haveis de edificar? e em que lugar será o meu descanso?

2. A minha mão fez todas estas coisas, e assim vieram a ser todas elas, diz Jeová; mas para esse homem olharei, isto é, para aquele que é pobre, e de um espírito contrito e que treme da minha palavra.

3. Quem mata um boi, é como o que tira a vida a um homem; quem sacrifica um cordeiro como o que quebra o pescoço a um cão; quem oferece uma oblação, como o que oferece sangue de porco; quem queima incenso, como o que bendiz a um ídolo. Eles fizeram escolha dos seus caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações.

4. Também eu escolherei os seus infortúnios, e trarei sobre eles o que eles temem; porque quando chamei, ninguém respondeu; quando falei, eles não ouviram, mas fizeram o que era mau aos meus olhos, e escolheram aquilo em que eu não tinha prazer.

5. Ouvi a palavra de Jeová, os que tremeis da sua palavra. Vossos irmãos que vos odeiam, e vos rejeitam por causa do meu nome, disseram: Seja glorificado Jeová, para que vejamos o vosso gozo; eles, porém, serão envergonhados.

6. Uma voz do tumulto, vinda da cidade, uma voz vinda do templo, uma voz de Jeová que dá o pago aos seus inimigos.

7. Antes que ela estivesse de parto, deu à luz; antes que lhe viessem as dores, nasceu-lhe um filho varão.

8. Quem jamais ouviu tal coisa? quem viu coisas semelhantes? Acaso nascerá a terra num só dia? acaso será uma nação dada à luz de uma só vez? Pois logo que Sião esteve de parto, deu à luz seus filhos.

9. Acaso farei eu abrir a madre, e não farei nascer? diz Jeová; acaso eu que faço nascer, fecharei a madre? diz o teu Deus.

10. Regozijai-vos com Jerusalém, e alegrai-vos por causa dela, todos vós os que a amais; regozijai-vos com ela de alegria, todos vós os que chorais sobre ela; para que mameis, e vos farteis dos peitos das suas consolações;

11. para que chupeis, e vos deleiteis com a abundância da sua glória.

12. Pois assim diz Jeová: Eis que eu estenderei sobre ela a paz como um rio, e a glória das nações como uma torrente que trasborda, e delas chupareis; nos braços sereis levados, e sobre os joelhos sereis acariciados.

13. Como quem recebe de sua mãe conforto, assim eu vos confortarei, e em Jerusalém sereis confortados.

14. Vós o vereis, e o vosso coração se regozijará, e os vossos ossos como a relva verde florescerão; conhecer-se-á a mão de Jeová a favor dos seus servos, e ele se indignará contra os seus inimigos.

15. Pois eis que virá Jeová com fogo, e os seus carros serão como o torvelinho, para retribuir a sua ira com furor, e a sua repreensão com labaredas de fogo.

16. Pois com o fogo e com a sua espada entrará Jeová em juízo com toda a carne; e serão muitos os que ficarão mortos por Jeová.

17. Os que se santificam e se purificam para entrarem nos jardins após a deusa que está no meio, os que comem de carne de porco, e da abominação, e do rato, todos eles serão consumidos, diz Jeová.

18. Pois eu conheço as suas obras e os seus pensamentos; vem o dia em que ajuntarei todas as nações e línguas; elas comparecerão e verão a minha glória.

19. Porei nela um sinal, e os que dentre eles escaparem, eu os enviarei às nações, a Társis, Pul e Lude, cujos povos atiram com setas, a Tubal e Javã, às ilhas remotas, que não ouviram a minha fama, nem viram a minha glória; eles anunciarão entre as nações a minha glória.

20. A todos os vossos irmãos, tirados dentre todas as nações, eles os trarão como uma oferta para Jeová; sobre cavalos, em carros, e em liteiras, e sobre mulas, e sobre dromedários, os trarão ao meu santo monte, a Jerusalém, diz Jeová, como os filhos de Israel trazem a sua oferta num vaso limpo à casa de Jeová.

21. Deles também tomarei alguns para sacerdotes e para levitas, diz Jeová.

22. Pois como diante de mim durarão os céus novos, e a terra nova, que hei de fazer, assim durará a vossa posteridade e o vosso nome.

23. Desde uma lua nova até outra, e desde um sábado até outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz Jeová.

24. Eles sairão, e verão os cadáveres dos homens que transgrediram contra mim. Pois o seu verme não morrerá, nem o seu fogo se apagará, e eles serão uma abominação para toda a carne.

Você está lendo Isaías na edição TB, Sociedade Bíblica Britânica, em Português.
Este lívro compôe o Antigo Testamento, tem 66 capítulos, e 1292 versículos.