1. Cessaram estes três homens de responder a , porque era justo aos seus próprios olhos.

2. Então se acendeu a ira de Eliú, filho de Baraquel buzita, da família de Rão; acendeu-se a sua ira contra , porque se justificava a si mesmo e não a Deus.

3. Também contra os seus três amigos se acendeu a sua ira, porque não tinham achado que responder, e contudo tinham condenado a .

4. Como eram mais velhos do que ele, Eliú tinha esperado até este momento para falar a .

5. Vendo Eliú que não havia resposta na boca destes três homens, acendeu-se-lhe a ira.

6. Então respondeu Eliú, filho de Baraquel buzita: Eu sou de pouca idade, e vós sois muito velhos, Pelo que receei e não me atrevi a manifestar a minha opinião.

7. Dizia eu: Falem os dias, E a multidão dos anos ensine a sabedoria.

8. Há, porém, um espírito no homem, E o assopro do Todo-poderoso dá-lhe entendimento.

9. Os de muitos anos não é que são sábios, Nem os velhos, que entendem o juízo.

10. Portanto eu dizia: Ouvi-me; Também eu manifestarei a minha opinião.

11. Eis que aguardei as vossas palavras, Escutei as vossas razões, Enquanto buscáveis que dizer.

12. Eu vos dei toda a minha atenção, E não houve entre vós quem convencesse a , Nem refutasse as suas palavras.

13. Não digais: Nele achamos a sabedoria, Deus é que pode vencê-lo, não o homem!

14. Ele não se dirigiu diretamente a mim, E eu não lhe responderei com as vossas razões.

15. Estão pasmados, não respondem mais! Faltam-lhes palavras.

16. Hei de eu esperar, porque eles não falam, Por que estão parados e não respondem mais?

17. Eu também darei a minha resposta, Também manifestarei a minha opinião.

18. Pois estou cheio de palavras, O espírito dentro de mim me constrange.

19. Eis que o meu peito é como o mosto sem respiradouro, Como odres novos que estão para arrebentar.

20. Falarei, para que eu ache alívio; Abrirei os meus lábios e responderei.

21. Que não seja eu, pois, levado de respeitos humanos, Nem use de lisonja para com homem algum.

22. Pois não sei usar de lisonja; Se assim fizesse, em breve me levaria o meu Criador.

1. Todavia peço-te, , que ouças o meu discurso, E que dês ouvidos a todas as minhas palavras.

2. Eis que agora abro a minha boca, E em minha boca fala a minha língua.

3. As minhas palavras vão mostrar que é reto o meu coração! Os meus lábios falarão com sinceridade o que sabem.

4. O espírito de Deus me fez, E o assopro do Todo-poderoso me dá vida.

5. Se puderes, responde-me; Põe as tuas palavras em ordem diante de mim, apresenta-te.

6. Eis que diante de Deus sou o que tú és; Eu também sou formado do barro.

7. Eis que não inspiro terror que te amedronte, Nem será pesada sobre ti a minha mão.

8. Na verdade disseste aos meus ouvidos, E ouvi o som das tuas palavras:

9. Estou limpo, sem transgressão; Sou inocente, e não há em mim iniqüidade:

10. Eis que Deus procura motivos de inimizade comigo, E me considera como o seu inimigo,

11. Põe no tronco os meus pés, E observa todas as minhas veredas.

12. Eu te responderei que nisso não tens razão, Pois Deus é maior do que o homem.

13. Queres contender com ele, Porque ele não dá conta dos seus atos.

14. Entretanto Deus fala de um modo, E ainda de outro modo, sem que o homem lhe atenda.

15. Em sonho, em visão noturna, Quando cai sono profundo sobre os homens, E dormem na cama;

16. Então lhes abre os ouvidos, E lhes sela a instrução,

17. Para apartar o homem do seu mau propósito, E escondê-lo da soberba;

18. Para guardar da cova a sua alma, E que a sua vida não pereça pela espada.

19. É castigado no seu leito com dores, E com luta constante nos seus ossos.

20. De modo que a sua vida abomina o pão, E a sua alma a comida apetecível.

21. Consome-se a sua carne, de maneira que desaparece, E os seus ossos que não se viam, se descobrem.

22. A sua alma aproxima-se da cova; E a sua vida, dos mensageiros da morte.

23. Se houver com ele um anjo, Um intérprete, um entre mil, Para mostrar ao homem qual é o seu dever;

24. Então Deus se compadece dele, e diz ao anjo: Livra-o, para que não desça à cova, Acabo de achar resgate.

25. A sua carne faz-se mais fresca do que a duma criança, Ele torna aos dias da sua mocidade.

26. Ele ora a Deus, e Deus lhe é propício; De modo que lhe vê o rosto com júbilo, E lhe restitui a sua justiça.

27. Canta diante dos homens, e diz: Pequei, e perverti o que era reto, E não fui punido como merecia.

28. Deus resgatou a minha alma da cova, E a minha vida verá a luz.

29. Eis que tudo isso faz Deus Duas, e três vezes, ao homem,

30. Para reconduzir da cova a sua alma, A fim de que seja iluminado com a luz dos viventes.

31. Atende, , ouve-me; Cala-te, e eu falarei.

32. Se tens alguma cousa que dizer, responde-me; Fala, porque gostaria de te dar razão.

33. Se não, escuta-me; Cala-te, e eu te ensinarei a sabedoria.

1. Disse mais Eliú:

2. Ouvi, sábios, as minhas palavras; Escutai-me, vós que tendes conhecimento,

3. Pois o ouvido prova as palavras, Como o paladar experimenta a comida.

4. Escolhamos para nós o que é reto; Conheçamos entre nós o que é bom.

5. Porque disse: Sou justo, E Deus me tirou o direito.

6. Apesar do meu direito sou tido por mentiroso; Incurável é a minha ferida, embora não seja um transgressor.

7. Que homem há como , Que bebe o escárnio como água?

8. Que anda com os que obram a iniqüidade, E caminha com os homens iníquos?

9. Pois disse: De nada aproveita ao homem Ter o seu prazer em Deus.

10. Portanto ouvi-me, homens de entendimento: Longe esteja de Deus, que pratique ele a maldade; E do Todo-poderoso, que cometa a iniqüidade!

11. Pois retribuirá ao homem segundo as suas obras, E pagará a cada um segundo os seus caminhos.

12. Na verdade Deus não procederá iniquamente, Nem o Todo-poderoso perverterá o juízo.

13. Quem lhe encarregou de governar a terra? Ou quem organizou o mundo todo?

14. Se ele pensar no homem, Se recolher a si o seu espírito e o seu fôlego,

15. Toda a carne perecerá dum golpe, E o homem voltará para o pó.

16. Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto; Escuta ao som das minhas palavras.

17. Acaso governará aquele que odeia o direito? Condenarás tu aquele que é justo e potente?

18. Deve dizer-se ao rei: Tu és vil? Ou aos nobres: Vós sois iníquos?

19. Quanto menos àquele que não guarda respeito às pessoas de príncipes, Nem estima o rico mais do que o pobre? Pois todos são obras das suas mãos.

20. De improviso morrem, à meia noite; Estremecem os povos e passam, E os poderosos são tirados sem intervenção humana.

21. Os olhos de Deus estão sobre os caminhos do homem, E vê todos os seus passos.

22. Não há trevas nem sombra da morte, Onde se escondam os que obram a iniqüidade.

23. Pois Deus não precisa observar o homem por longo tempo, Para que este compareça perante ele em juízo.

24. Ele despedaça os poderosos sem tomar informação, E põe outros em lugar deles.

25. Portanto toma conhecimento das suas obras, E de noite os transtorna, de sorte que são esmagados.

26. Ele os fere como iníquos, À vista de todos;

27. Porque se desviaram e não o seguiram. Não quiseram compreender nenhum dos seus caminhos,

28. Fazendo que o clamor do pobre subisse a Deus, Que ouviu o clamor dos aflitos.

29. Quando ele dá tranqüilidade, quem pode condenar? Quando esconde o seu rosto, quem o pode contemplar? Trata igualmente seja uma nação seja um homem:

30. Para que o ímpio não reine, E não haja quem iluda o povo.

31. Pois jamais disse alguém a Deus: Tenho suportado castigos, ainda que não ofendo.

32. O que não vejo, ensina-mo tu; Se tenho feito iniqüidade, não a tornarei a fazer?

33. Será a sua recompensa, como queres, para que a recuses? Pois tu tens que fazer a escolha e não eu: Portanto fala o que sabes.

34. Os homens de entendimento dir-me-ão, E todo o sábio que me ouve:

35. fala sem conhecimento, E as suas palavras são despidas de sabedoria.

36. Oxalá que fosse provado até o fim, Porque respondeu como os iníquos!

37. Pois ao seu pecado acrescenta a rebelião, Ele bate as mãos no meio de nós, E multiplica as suas palavras contra Deus.

1. Disse mais Eliú:

2. Acaso pensas que isto é o teu direito, Ou dizes: Maior é a minha justiça do que a de Deus,

3. Para que digas: Que te aproveitará? E: Que proveito tenho mais do que se eu tivera pecado?

4. Eu te responderei a ti E aos teus companheiros também.

5. Olha para os céus, e vê; E contempla o firmamento que é mais alto do que tu.

6. Se pecas, que mal lhe causas tu? E se as tuas transgressões se multiplicam, que lhe fazes?

7. Se és justo, que lhe dás? Ou que recebe ele da tua mão?

8. A tua maldade pode fazer o mal ao homem teu semelhante; E a tua justiça pode ser útil ao filho do homem.

9. Por causa da multidão das opressões gritam os homens, Clamam por auxílio em razão dos braços dos poderosos;

10. Mas ninguém diz: Onde está Deus meu Criador, Que inspira canções durante a noite;

11. Que nos ensina mais do que às bestas da terra, E nos faz mais sábios do que as aves do céu?

12. Ali clamam (mas ninguém há que responda) Por causa da sabedoria dos maus.

13. É em vão que se grita, Deus não ouvirá, O Todo-poderoso não o levará em conta.

14. Ainda que dizes que não o vês, A tua causa está diante dele; portanto espera-o.

15. Mas agora, porque não visita com a sua ira, Nem faz muito caso da arrogância,

16. Por isso começa a falar vãmente; Multiplica sem ciência palavras.

1. Prosseguiu ainda Eliú:

2. Espera-me um pouco, e te mostrarei, Porque ainda tenho alguma cousa a dizer a favor de Deus.

3. De longe trarei o meu conhecimento, E ao meu Criador atribuirei a justiça.

4. Pois, na verdade, as minhas palavras não são falsas: Está contigo um que tem perfeito conhecimento.

5. Eis que Deus é grande, e não despreza a ninguém: É grande no poder do entendimento.

6. Ele não preserva a vida do iníquo, Mas faz justiça aos aflitos.

7. Dos justos não aparta os seus olhos; Mas juntamente com os reis sobre o trono Fá-los sentar para sempre, e são exaltados.

8. Se estiverem presos em grilhões, E atados com as cordas da aflição,

9. Ele lhes faz ver as suas obras, As suas transgressões e que se têm portado com soberba.

10. Abre-lhes também o ouvido para receberem a instrução, E ordena que se tornem da iniqüidade.

11. Se o ouvirem e o servirem, Passarão os seus dias em prosperidade, E os seus anos em prazeres.

12. Mas se não ouvirem, perecerão à espada, E morrerão na sua cegueira.

13. Porém os ímpios de coração se entregam à colera; Não clamam a Deus por socorro, quando os põe em grilhões.

14. Perdem a vida na sua mocidade, E morrem como os sodomitas.

15. Ele livra o aflito por meio da sua aflição, E na opressão lhe abre o ouvido.

16. Na verdade te haveria tirado da angústia Para um lugar espaçoso, onde não há estreiteza; E as iguarias da sua mesa seriam cheias de gordura.

17. Mas estás de completo acordo com o juízo do iníquo: O juízo e a justiça tomarão conta de ti.

18. Não permitas, pois, que a ira te induza a escarnecer; Nem te desvie a grandeza do resgate.

19. Bastarão, porventura, as tuas riquezas, para que não estejas em aperto, Ou todas as forças da tua fortaleza?

20. Não suspires pela noite, Em que povos são cortados do seu lugar.

21. Guarda, não declines para a iniqüidade, Pois isso escolhes antes que a aflição.

22. Eis que Deus em seu poder procede com alteza; Quem ensina como ele?

23. Quem lhe prescreveu o seu caminho? Ou quem poderá dizer: Praticaste a injustiça?

24. Lembra-te de magnificares as suas obras, De que têm cantado os homens.

25. Todos os homens têm olhado para elas; O homem as comtempla de longe.

26. Eis que Deus é grande, e não o conhecemos; O número dos seus anos não se pode esquadrinhar.

27. Pois suga as gotas de água, Que do seu vapor se tornam em chuva,

28. A qual as nuvens derramam E fazem cair abundantemente sobre o homem.

29. Também pode alguém, porventura, entender o expandir das nuvens, Os trovões do seu pavilhão?

30. Eis que ao redor de si estende a sua luz, E cobre o fundo do mar.

31. Pois por estas cousas julga o povo; Ele dá alimento em abundância.

32. Cobre as mãos com o relâmpago, E dá-lhe ordem contra o agressor.

33. O fragor da tempestade dá notícias a respeito dele, Também o gado o faz a respeito do temporal que vem subindo.

1. Sobre isto treme também o meu coração, salta do seu lugar.

2. Dai ouvidos ao estrondo da voz de Deus, E ao sonido que sai da sua boca.

3. Ele o envia por sob a extensão do céu, E o seu relâmpago até as extremidades da terra.

4. Depois ruge uma voz; Troveja com a sua voz majestosa; Não retarda os raios quando a sua voz é ouvida.

5. Troveja Deus maravilhosamente com a sua voz, Faz grandes cousas que não podemos compreender.

6. Pois diz à neve: Cai sobre a terra; Di-lo também às chuvas, Até as chuvas mais fortes.

7. Põe um selo à mão de cada homem, Para que o conheçam todos os homens que fez.

8. Então as feras entram nos esconderijos, E ficam nos seus covis.

9. Da câmara do sul sai o tufão, E do norte o frio.

10. Ao sopro de Deus forma-se o gêlo, E as amplas águas são congeladas.

11. Carrega de umidade a densa nuvem, E estende a sua nuvem de relâmpagos,

12. Que faz evoluções sobre a sua direção, Para efetuar tudo o que lhe ordena, Sobre a superfície do mundo habitável:

13. Ou seja para a correção (ou seja para sua terra), Ou para misericórdia, que ele a faça vir.

14. Inclina, , os teus ouvidos a isto, Pára e considera as maravilhas de Deus.

15. Acaso sabes como Deus lhes dá as suas ordens, E faz brilhar o relâmpago da sua nuvem?

16. Porventura sabes o equilíbrio das nuvens, As maravilhas daquele que é perfeito em conhecimento.

17. Tu cujos vestidos são quentes, Quando a terra está quieta por causa do siroco?

18. Acaso podes, como ele, estender o firmamento, Que é sólido como um espelho fundido?

19. Ensina-nos o que lhe diremos, Pois ignorantes nós não podemos dirigir-lhe a palavra.

20. Ser-lhe-á dito que quero discutir? Desejaria um homem ser aniquilado?

21. Eis que o homem não pode olhar para o sol que brilha no firmamento, Quando o vento tem passado e o deixa limpo.

22. Do norte vem o áureo esplendor, Deus está cercado de majestade terrível.

23. Quanto ao Todo-poderoso não o podemos compreender; grande é em poder: Não perverterá o juízo e a plenitude da justiça.

24. Portanto os homens o temem: Ele não se importa com os que se julgam sábios.

Significados: , Deus.

Você está lendo na edição TB, Sociedade Bíblica Britânica, em Português.
Este lívro compôe o Antigo Testamento, tem 42 capítulos, e 1070 versículos.