1 Reis

1. Roboão foi a Siquém, porque todo o Israel se tinha juntado ali para proclamá-lo rei.

2. E chegou essa notícia aos ouvidos de Jeroboão no Egito, onde ainda estava refugiado para escapar à face do rei Salomão.

3. Mandaram, pois, buscá-lo no Egito, onde habitava. Então Jeroboão foi com toda a assembléia de Israel e disseram a Roboão:

4. Teu pai impôs-nos um jugo pesado; alivia agora a rude servidão e o pesado jugo que teu pai nos impôs, e seremos teus servos.

5. Ele respondeu-lhes: Ide-vos e voltai à minha presença dentro de três dias. E o povo retirou-se.

6. O rei Roboão consultou os anciãos que tinham servido ao seu pai Salomão durante a sua vida. Disse-lhes: Que me aconselhais responder a esse povo?

7. Se hoje fores amável com esse povo, responderam-lhe, e cederes, se lhe falares com benevolência, eles serão para sempre teus servos.

8. O rei, porém, deixando de lado o conselho dos anciãos, foi consultar os jovens que tinham crescido com ele e eram seus familiares.

9. Disse-lhes: E vós, que me aconselhais responder ao povo? Ele pede-me que eu alivie o jugo que lhe impôs meu pai.

10. Os jovens que tinham crescido com ele, responderam-lhe: Assim dirás a esse povo que te falou, dizendo: Teu pai tornou o nosso jugo pesado; tu, porém, alivia-nos - assim lhe dirás: Meu dedo mínimo é mais grosso que os rins de meu pai.

11. Se meu pai vos impôs um jugo pesado, eu o farei ainda mais pesado. Se ele vos castigou com açoites, eu vos castigarei com escorpiões.

12. Chegou o terceiro dia. Jeroboão, seguido de uma grande multidão, apresentou-se diante de Roboão, pois ele dissera: Voltai a mim dentro de três dias.

13. O rei falou com dureza ao povo. Sem fazer caso algum do conselho dos anciãos,

14. respondeu ao povo como lhe aconselharam os jovens: Meu pai impôs-vos um jugo pesado? Pois eu o tornarei ainda mais pesado. Meu pai vos castigou com açoites? Pois eu vos castigarei com escorpiões.

15. E o rei não atendeu ao povo, porque assim o dispusera o Senhor, para realizar a palavra que tinha dito a Jeroboão, filho de Nabat, por meio de Aías, de Silo.

16. Vendo que o rei não os atendia, o povo respondeu-lhe: Que temos nós a ver com Davi? Que temos nós de comum com o filho de Isaí? Vai, pois, para as tuas tendas, ó Israel! Cabe a ti tratar de tua casa, ó Davi! E os israelitas retiraram-se para as suas tendas.

17. Roboão reinou, no entanto, sobre os israelitas que habitavam em Judá.

18. O rei Roboão enviou Adurão, superintendente dos trabalhos, mas os israelitas apedrejaram-no e ele morreu. O rei subiu então precipitadamente no seu carro e fugiu para Jerusalém.

19. Desse modo, separou-se Israel da casa de Davi até o dia de hoje.

20. Ouvindo os filhos de Israel que Jeroboão tinha voltado, convidaram-no à sua assembléia e aclamaram-no rei de todo o Israel. Só a tribo de Judá ficou fiel à casa de Davi.

21. Roboão, quando chegou a Jerusalém, reuniu toda a casa de Judá e a tribo de Benjamim, cento e oitenta mil guerreiros de escol, a fim de pelejar contra a casa de Israel, e restituir todo o reino a Roboão, filho de Salomão.

22. Mas Deus falou a Seméias, homem de Deus:

23. Fala a Roboão, filho de Salomão, rei de Judá, bem como a toda a casa de Judá e de Benjamim, e a todo o resto do povo. Dize-lhes: Eis o que diz o Senhor:

24. Não façais guerra aos vossos irmãos, os israelitas. Volte cada um para a sua casa. Tudo isto se fez por minha vontade. Eles obedeceram à palavra do Senhor e voltaram, como lhes ordenara.

25. Jeroboão construiu Siquém na montanha de Efraim, e residiu ali. Depois deixou Siquém para edificar Fanuel.

26. E disse consigo mesmo: Pode bem ser que o reino volte para a casa de Davi.

27. Se o povo subir a Jerusalém para oferecer sacrifícios no templo do Senhor, e o seu coração se voltar para o seu senhor, Roboão, rei de Judá, matar-me-ão e se voltarão para Roboão, rei de Judá.

28. Depois de ter refletido bem, o rei mandou fazer dois bezerros de ouro e disse ao povo: Basta de peregrinações a Jerusalém! Eis aqui, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito.

29. Pôs um bezerro em Betel e outro em .

30. Isso foi uma ocasião de pecado, porque o povo ia até para adorar um desses bezerros.

31. Jeroboão construiu também templos em lugares altos, onde estabeleceu como sacerdotes homens tirados do meio do povo, e que não eram levitas.

32. Instituiu também uma festa no oitavo mês, no décimo quinto dia do mês, à semelhança da que se celebrava em Judá, e subiu ao altar. Fez o mesmo em Betel, sacrificando aos bezerros que tinha mandado fazer. Estabeleceu igualmente em Betel sacerdotes para os lugares altos que tinha edificado.

33. No décimo quinto dia do oitavo mês, isto é, no mês que tinha escolhido a seu bel-prazer, subiu ao altar que tinha edificado em Betel para celebrar a festa com os israelitas. Subiu ao altar para queimar o incenso.

1. Ora, estando ele de pé diante do altar para queimar o incenso, eis que sobreveio um homem de Deus, vindo de Judá por ordem do Senhor;

2. este se pôs a clamar contra o altar da parte do Senhor, nestes termos: Altar! Altar! Eis o que diz o Senhor: Na casa de Davi nascerá um filho que se chamará Josias; ele imolará sobre ti os sacerdotes dos lugares altos, que agora queimam ofertas sobre ti, e queimar-se-ão sobre ti ossos humanos.

3. Ao mesmo tempo anunciou o homem de Deus um prodígio, dizendo: Eis a prova de que é o Senhor quem fala: o altar vai-se fender e a cinza que está por cima se derramará por terra.

4. Ao ouvir a ameaça que o homem de Deus proferia contra o altar de Betel, o rei Jeroboão levantou a mão do altar, e disse: Prendei-o. Secou-se-lhe, porém, a mão que estendera contra o homem, de modo que não a pôde trazer a si.

5. O altar fendeu-se e espalhou-se a cinza que estava sobre ele, assim como o dissera o homem de Deus da parte do Senhor.

6. Então disse o rei ao homem de Deus: Aplaca o Senhor, teu Deus, e roga por mim para que me seja restituída a mão. O homem de Deus aplacou o Senhor, e o rei pôde trazer de novo a si a mão, que se tornou tal como era antes.

7. O rei disse ao homem de Deus: Vem comigo a minha casa para restaurar as tuas forças, e dar-te-ei um presente.

8. Mas o homem de Deus respondeu ao rei: Ainda que me desses a metade de tua casa, eu não iria contigo. Não comerei pão, nem beberei água nesse lugar,

9. porque o Senhor me ordenou que não comesse pão, nem bebesse água, e tampouco voltasse pelo mesmo caminho por onde vim.

10. Partiu, pois, de Betel por outro caminho e não tomou aquele por onde viera.

11. Ora, habitava em Betel um profeta já idoso, a quem seus filhos contaram tudo o que o homem de Deus fizera naquele dia em Betel, e o que ele dissera ao rei. O pai disse-lhes: Por onde se foi ele?

12. Seus filhos mostraram-lhe o caminho que tomara o homem de Deus vindo de Judá, ao partir.

13. Ele disse aos seus filhos: Selai o meu jumento. Tendo-o eles selado, montou nele o profeta,

14. e partiu em busca do homem de Deus. Encontrou-o sentado ao pé de um terebinto, e disse-lhe: És tu o homem de Deus que veio de Judá?

15. Sim, respondeu ele. O velho profeta continuou: Vem comigo para comeres em minha casa.

16. Não posso voltar, respondeu ele, nem ir contigo à tua casa. Não comerei pão, nem beberei água contigo nesse lugar,

17. porque recebi do Senhor a ordem de não comer pão, nem beber água, nem tampouco voltar pelo mesmo caminho por onde vim.

18. Mas eu sou também profeta como tu, insistiu o outro. Ora, um anjo me falou da parte do Senhor: Leva-o contigo à tua casa e dá-lhe de comer. Era mentira.

19. O homem de Deus voltou com ele e comeu em sua casa.

20. Enquanto estavam à mesa, o Senhor falou ao profeta que o tinha feito voltar,

21. e este interpelou o homem de Deus, vindo de Judá, nestes termos: Eis o que diz o Senhor: Desobedeceste à palavra do Senhor e não cumpriste a ordem que o Senhor, teu Deus, te havia dado:

22. voltaste e comeste num lugar do qual Deus te dissera: Não comerás pão ali, nem beberás água. Por isso teu cadáver não será levado ao sepulcro de teus pais.

23. Depois de ter comido, o velho profeta mandou selar um jumento para o seu hóspede, e este partiu.

24. Enquanto caminhava, o homem de Deus encontrou no caminho um leão, que o matou. Seu cadáver ficou estendido no caminho, tendo ao seu lado o jumento e o leão.

25. Alguns que passavam por ali, vendo o cadáver estendido por terra e junto dele o leão, foram e divulgaram a notícia na cidade onde morava aquele velho profeta.

26. Ouvindo isto, o velho profeta, que tinha levado à sua casa o homem de Deus, exclamou: É o homem de Deus que foi desobediente à ordem do Senhor; e o Senhor o entregou a um leão que o despedaçou e matou, como o Senhor lho predissera.

27. E disse em seguida aos seus filhos: Selai o meu jumento. Eles selaram-no,

28. o profeta partiu, e encontrou o cadáver estendido no caminho, tendo ao seu lado o jumento e o leão. O leão não tinha devorado o cadáver, nem dilacerado o jumento.

29. Tomou então o profeta o cadáver do homem de Deus, pô-lo em cima do seu jumento, e levou-o para a cidade a fim de pranteá-lo e dar-lhe sepultura.

30. Depositou-o em seu próprio túmulo, e pranteou-o, dizendo: Ai, meu irmão!

31. Depois do enterro disse o ancião aos seus filhos: Quando eu morrer, sepultar-me-eis no túmulo onde repousa o homem de Deus; depositareis os meus ossos junto do seus.

32. Porque se cumprirá a ameaça que ele fez da parte do Senhor contra o altar de Betel e contra todos os templos dos lugares altos das cidades da Samaria.

33. Depois dessas coisas, Jeroboão não se converteu de sua péssima vida, mas continuou a tomar homens do meio do povo e constituí-los sacerdotes dos lugares altos: a todo o que desejasse, investia no cargo sacerdotal e o estabelecia nos lugares altos.

34. Isto tornou-se para a casa de Jeroboão um ocasião de pecado, que causou a sua perda e o seu extermínio da face da terra.

1. Por aquele tempo, Abias, filho de Jeroboão, caiu doente. Jeroboão disse à sua mulher:

2. Disfarça-te, para que não conheçam que és minha mulher, e vai a Silo, onde está o profeta Aías, o qual me predisse que eu reinaria sobre este povo.

3. Toma contigo dez pães, bolos e um pote de mel, e vai ter com ele. Ele te dirá o que vai acontecer com o menino.

4. Assim fez a mulher de Jeroboão: pôs-se a caminho para Silo, e foi à casa de Aías. Este já não podia ver, porque a velhice lhe tinha obscurecido os olhos.

5. Mas o Senhor disse-lhe: Eis que aí vem a mulher de Jeroboão para consultar-te a respeito de seu filho doente. Dir-lhe-ás isto e isto. Ao chegar, ela se fará passar por outra.

6. Ouvindo o ruído dos seus passos, ao entrar pela porta, Aías disse-lhe: Entra, mulher de Jeroboão; por que te queres fazer passar por outra? Tenho uma triste mensagem para ti.

7. Vai e dize a Jeroboão: Eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: Elevei-te do meio do povo, para fazer de ti o príncipe de meu povo de Israel.

8. Dividi o reino da casa de Davi para dar-te uma parte. Tu, porém, não seguiste o exemplo de meu servo Davi, que guardava os meus mandamentos e me seguia de todo o seu coração, fazendo sempre o que me era agradável.

9. Fizeste maiores males que todos os que te precederam, e chegaste até a fazer para ti deuses estranhos e figuras fundidas, provocando a minha ira; lançaste-me para trás das costas!

10. Por isso farei vir males maiores sobre a casa de Jeroboão; exterminarei de Israel toda a sua família, até o último dos varões, escravo ou livre; varrerei a casa de Jeroboão como se varre o lixo, até que não fique mais nada.

11. Todo membro da casa de Jeroboão que morrer na cidade será devorado pelos cães; e os que morrerem no campo serão comidos pelas aves do céu. É o Senhor quem o diz.

12. Volta, pois, para a tua casa. Logo que puseres os pés na cidade, o menino morrerá.

13. Todo o Israel o chorará e o sepultará, porque este será o único da família de Jeroboão que terá uma sepultura, visto ter sido o único desta família em quem o Senhor, Deus de Israel, encontrou algo de bom.

14. O Senhor suscitará em Israel um rei que exterminará a casa de Jeroboão. Mas que digo? Isto já acontece!

15. O Senhor vai ferir Israel. Como o caniço é levado pelas águas, assim o Senhor os tirará dessa boa terra que ele deu aos seus pais e os dispersará para além do Eufrates, porque fabricaram para si ídolos que provocam a cólera do Senhor.

16. O Senhor abandonará Israel, por causa dos pecados de Jeroboão, que pecou e arrastou também Israel ao seu pecado.

17. A mulher de Jeroboão levantou-se e partiu. Ao entrar em Tersa, no momento em que entrava pela porta da casa, o menino morreu.

18. Sepultaram-no e todo o Israel o pranteou, assim como o Senhor o predisse pelo seu servo, o profeta Aías.

19. O resto das ações de Jeroboão, a história de suas campanhas e de seu governo, tudo isto está consignado no livro das crônicas dos reis de Israel.

20. O seu reinado durou vinte e dois anos. Depois disso, adormeceu com seus pais, e seu filho Nadab sucedeu-lhe no trono.

21. Roboão, filho de Salomão, reinou sobre Judá. Tinha quarenta e um anos quando começou a reinar, e reinou dezessete anos em Jerusalém, a cidade que o Senhor escolheu entre todas as tribos de Israel para ali estabelecer o seu nome. Sua mãe chamava-se Naama, a amonita.

22. O povo de Judá fez o mal diante do Senhor, e com os seus pecados excitaram-lhe o zelo mais do que tinham feito os seus pais.

23. Edificaram para si lugares altos, estelas e ídolos asserás sobre todas as colinas e debaixo de tudo que fosse árvore verde.

24. Até prostitutas {sagradas} houve na terra. Imitaram todas as abominações dos povos que o Senhor tinha expulsado de diante dos israelitas.

25. No quinto ano do reinado de Roboão, Sesac, rei do Egito, atacou Jerusalém

26. e tomou os tesouros do templo do Senhor, os do palácio real, roubou tudo, até mesmo os escudos de ouro que Salomão tinha mandado fazer.

27. Em sua substituição, o rei Roboão mandou fazer escudos de bronze, e os entregou aos chefes da guarda da porta do palácio real.

28. Cada vez que o rei se dirigia ao templo do Senhor, os guardas levavam esses escudos; depois tornavam a colocá-los no corpo da guarda.

29. O resto da história de Roboão e seus atos, tudo está consignado no livro das Crônicas dos reis de Judá.

30. Jeroboão e Roboão estiveram continuamente em hostilidades.

31. Roboão adormeceu com os seus pais e foi sepultado com eles na cidade de Davi. Sua mãe chamava-se Naama, a amonita. Seu filho Abião sucedeu-lhe no trono.

1. No décimo oitavo ano do reinado de Jeroboão, filho de Nabat, Abião tornou-se rei de Judá.

2. Reinou três anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Maaca, filha de Absalão.

3. Abião entregou-se a todos os pecados que seu pai tinha cometido antes dele. Seu coração não era inteiramente fiel ao Senhor, como o de seu pai Davi.

4. Todavia, o Senhor, seu Deus, em atenção a Davi, conservou-lhe uma lâmpada em Jerusalém: deu-lhe um filho que lhe sucedeu, e deixou subsistir Jerusalém.

5. Porque Davi tinha feito o que era reto aos olhos do Senhor, e não se tinha jamais desviado em toda a sua vida de um só dos mandamentos que recebera, exceto o que se passou com Urias, o hiteu.

6. Houve hostilidades contínuas entre Roboão e Jeroboão durante toda a sua vida.

7. O resto da história de Abião e seus atos, tudo se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Judá. Abião e Jeroboão guerrearam também entre si.

8. Depois disso, Abião adormeceu com seus pais e foi sepultado na cidade de Davi. Seu filho Asa sucedeu-lhe no trono.

9. No vigésimo ano de Jeroboão, rei de Israel, Asa tornou-se rei de Judá, e reinou quarenta e um anos em Jerusalém.

10. Sua mãe chamava-se Maaca, filha de Absalão.

11. Asa fez o que é reto aos olhos do Senhor, como Davi, seu pai.

12. Expulsou da terra as prostitutas {sagradas} e acabou com todos os ídolos que seus pais tinham feito.

13. Além disso, destituiu da dignidade de rainha sua própria mãe Maaca, por ter feito essa vergonha de asserá. Asa despedaçou esse ídolo e queimou-o no vale de Cedron.

14. Embora não tenham desaparecido os lugares altos, o coração de Asa foi inteiramente devotado ao Senhor durante toda a sua vida.

15. Pôs no templo do Senhor todos os objetos consagrados por seu pai e por ele mesmo, a prata, o ouro e os utensílios.

16. Asa e Baasa, rei de Israel, guerrearam-se mutuamente durante toda a sua vida.

17. Baasa, rei de Israel, atacou Judá e fortificou Ramá, a fim de bloquear todas as suas comunicações com Asa, rei de Judá.

18. Asa, porém, tomando toda a prata e o ouro que restavam nas reservas do templo do Senhor e do palácio real, pô-los nas mãos de seus servos que enviou a Ben-Hadad, filho de Tabremon, filho de Hezion, rei da Síria, que residia em Damasco, com esta mensagem:

19. Façamos aliança, assim como foram aliados o teu pai e o meu. Mando-te um presente de prata e ouro, e peço-te que rompas tua aliança com Baasa, rei de Israel, para que ele cesse de me importunar.

20. Ben-Hadad acedeu ao desejo do rei Asa; mandou seus generais contra as cidades de Israel, e devastou Aion, , Abel, Bet-Maaca, todo o Cenerot com a terra de Neftali.

21. Ao saber disso, Baasa abandonou a fortificação de Ramá e retirou-se para Tersa.

22. Então o rei Asa convocou toda a tribo de Judá, sem exceção de ninguém, para tirar as pedras e a madeira de que Baasa se tinha servido para as fortificações de Ramá. Com esse material, Asa fortificou Gabaa de Benjamim e Masfa.

23. O resto da história de Asa, seus grandes feitos, seus atos e as cidades que construiu, tudo isso se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Judá. Com a velhice sobreveio-lhe a gota nos pés.

24. Adormeceu com seus pais e foi sepultado com eles na cidade de Davi, seu pai. Seu filho Josafá sucedeu-lhe no trono.

25. No segundo ano de Asa, rei de Judá, Nadab, filho de Jeroboão, tornou-se rei de Israel. Reinou dois anos em Israel.

26. Ele fez o mal aos olhos do Senhor, imitou o seu pai, entregando-se ao pecado ao qual Jeroboão havia arrastado Israel.

27. Baasa, filho de Aías, da casa de Issacar, conspirou contra ele, e assassinou-o diante de Gebeton dos filisteus, no tempo em que Nadab e todo o Israel sitiavam essa cidade.

28. Baasa, no terceiro ano de Asa, rei de Judá, cometeu esse crime e sucedeu-lhe no trono.

29. Logo que subiu ao trono, exterminou toda a casa de Jeroboão, não deixando alma viva. Exterminou-os completamente, como havia predito o Senhor pelo seu servo Aías, de Silo,

30. por causa dos pecados que Jeroboão cometeu e levou Israel a cometer, provocando assim a cólera do Senhor, Deus de Israel.

31. O resto da história de Nadab e suas ações, tudo está consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.

32. Asa e Baasa, rei de Israel, guerrearam-se mutuamente durante todo o tempo de sua vida.

33. No terceiro ano de Asa, rei de Judá, Baasa, filho de Aías, tornou-se rei de Israel. Residia em Tersa, e reinou vinte e quatro anos.

34. Baasa fez o mal diante do Senhor; andou no caminho de Jeroboão, e entregou-se ao pecado ao qual Jeroboão arrastara Israel.

1. A palavra do Senhor foi dirigida a Jeú, filho de Hanani, contra Baasa, nestes termos:

2. Levantei-te do pó e estabeleci-te príncipe do meu povo de Israel; tu, porém, andaste pelo caminho de Jeroboão, e levaste meu povo de Israel a cometer pecados que excitam a minha cólera.

3. Por isso vou varrer Baasa e sua casa, e farei da sua casa o que fiz da casa de Jeroboão, filho de Nabat.

4. Todo membro da família de Baasa que morrer na cidade, será comido pelos cães; o que morrer no campo, comê-lo-ão as aves do céu.

5. O resto da história de Baasa, suas ações e seus grandes feitos, tudo isso se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.

6. Baasa adormeceu com seus pais e foi enterrado em Tersa. Seu filho Ela sucedeu-lhe no trono.

7. O oráculo do Senhor, transmitido pelo profeta Jeú, filho de Hanani, fora pronunciado contra Baasa e sua casa, não só por causa de todo o mal que ele tinha feito aos olhos do Senhor, irritando-o com o seu proceder e imitando a casa de Jeroboão, mas também porque Baasa tinha destruído essa casa.

8. No vigésimo sexto ano de Asa, rei de Judá, Ela, filho de Baasa, tornou-se rei de Israel. Residia em Tersa e reinou dois anos.

9. Seu servo Zambri, que comandava a metade de sua cavalaria, conspirou contra ele. Numa ocasião em que ele bebia e se embriagava em Tersa, na casa de Arsa, intendente de seu palácio nessa cidade,

10. entrou Zambri e o assassinou, sucedendo-lhe no trono, no vigésimo sétimo ano de Asa, rei de Judá.

11. Logo que ficou rei e sentou-se no trono, mandou exterminar toda a casa de Baasa, não deixando vivo nenhum filho varão, nenhum parente, nenhum amigo.

12. Desse modo, exterminou toda a casa de Baasa, assim como o Senhor o predissera contra Baasa pela boca do profeta Jeú.

13. Tal foi o castigo de todos os pecados que Baasa e seu filho Ela tinham cometido e levado Israel a cometer, provocando com o culto dos ídolos a cólera do Senhor, Deus de Israel.

14. resto da história de Ela e suas ações, tudo está consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.

15. No vigésimo sétimo ano de Asa, rei de Judá, Zambri reinou em Tersa durante sete dias. O exército sitiava Gebeton dos filisteus.

16. Quando o exército, que estava acampado ali, ouviu dizer que Zambri tinha conspirado contra o rei e o assassinara, todo o Israel constituiu imediatamente como seu rei o general Amri.

17. Este partiu de Gebeton com todo o Israel e veio sitiar Tersa.

18. Zambri, vendo a cidade tomada, retirou-se para o fortim do palácio real e incendiou o palácio. Morreu assim

19. pelos pecados que tinha cometido, fazendo o mal aos olhos do Senhor, imitando o proceder de Jeroboão e entregando-se ao pecado ao qual Jeroboão arrastara Israel.

20. O resto da história de Zambri e sua conjuração, tudo está consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.

21. Então se dividiu o povo de Israel em duas facções: metade era por Tebni, filho de Ginet, e queria fazê-lo rei, e metade por Amri.

22. O partido de Amri prevaleceu contra o de Tebni, filho de Ginet. Tebni morreu, e reinou Amri.

23. No trigésimo primeiro ano de Asa, rei de Judá, Amri tornou-se rei de Israel e reinou durante doze anos. Depois de ter reinado seis anos em Tersa,

24. comprou o monte de Samaria a Somer por duzentos talentos de prata. Construiu uma cidade nesse monte e chamou-a Samaria, do nome de Somer, a quem pertencera o monte.

25. Amri fez o mal aos olhos do Senhor, mais ainda que todos os seus predecessores.

26. Andou por todo o caminho de Jeroboão, filho de Nabat, e nos pecados com que este fizera pecar Israel, provocando com seus ídolos a cólera do Senhor, Deus de Israel.

27. O resto da história de Amri, suas ações e seus grandes feitos, tudo isso se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.

28. Amri adormeceu com seus pais e foi sepultado em Samaria. Seu filho Acab sucedeu-lhe no trono.

29. No trigésimo oitavo ano de Asa, rei de Judá, Acab, filho de Amri, tornou-se rei de Israel e reinou vinte e dois anos sobre Israel em Samaria.

30. Acab, filho de Amri, fez o mal aos olhos do Senhor, e mais ainda que todos os seus predecessores.

31. Como se lhe não bastasse o andar nos pecados de Jeroboão, filho de Nabat, desposou ainda Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios, e chegou até a render culto a Baal, prostrando-se diante dele.

32. Erigiu um altar a Baal no templo que lhe edificou em Samaria.

33. Acab fez também a asserá, irritando assim o Senhor, Deus de Israel, mais ainda que todos os seus predecessores no trono de Israel.

34. No tempo de Acab, Hiel de Betel reconstruiu Jericó. Lançou-lhe os alicerces ao preço de Abirão, seu primogênito, e pôs-lhe as portas ao preço de Segub, seu último filho, assim como o Senhor o predissera pela boca de Josué, filho de Num.

1. Elias, o tesbita, um habitante de Galaad, veio dizer a Acab: Pela vida do Senhor, Deus de Israel, a quem sirvo, não haverá nestes anos orvalho nem chuva, senão quando eu o disser.

2. Em seguida, a palavra do Senhor foi-lhe dirigida nestes termos:

3. Vai-te daqui; retira-te para as bandas do oriente e vai esconder-te na torrente de Carit, que está defronte do Jordão.

4. Beberás da torrente, e ordenei aos corvos que te alimentem.

5. Elias partiu, pois, segundo a palavra do Senhor, e estabeleceu-se junto à torrente de Carit, defronte do Jordão.

6. Os corvos traziam-lhe pão e carne, pela manhã e pela tarde, e ele bebia a água da torrente.

7. Passado algum tempo, secou-se a torrente, porque não chovia mais na terra.

8. Então o Senhor disse-lhe:

9. Vai para Sarepta de Sidon e fixa-te ali: ordenei a uma viúva desse lugar que te sustente.

10. Elias pôs-se a caminho para Sarepta. Chegando à porta da cidade, viu uma viúva que ajuntava lenha. Chamou-a e disse-lhe: Por favor, vai buscar-me um pouco de água numa vasilha para que eu beba.

11. E indo ela buscar-lhe a água, gritou-lhe Elias: Traze-me também um pedaço de pão.

12. Pela vida de Deus, respondeu a mulher, não tenho pão cozido: só tenho um punhado de farinha na panela e um pouco de óleo na ânfora; estava justamente apanhando dois pedaços de lenha para preparar esse resto para mim e meu filho, a fim de o comermos, e depois morrermos.

13. Elias replicou: Não temas; volta e faze como disseste; mas prepara-me antes com isso um pãozinho, e traze-mo; depois prepararás o resto para ti e teu filho.

14. Porque eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: a farinha que está na panela não se acabará, e a ânfora de azeite não se esvaziará, até o dia em que o Senhor fizer chover sobre a face da terra.

15. A mulher foi e fez o que disse Elias. Durante muito tempo ela teve o que comer, e a sua casa, e Elias.

16. A farinha não se acabou na panela nem se esgotou o óleo da ânfora, como o Senhor o tinha dito pela boca de Elias.

17. Algum tempo depois, o filho desta mulher, dona da casa, adoeceu, e seu mal era tão grave que já não respirava.

18. A mulher disse a Elias: Que há entre nós dois, homem de Deus? Vieste, pois, à minha casa para lembrar-me os meus pecados e matar o meu filho?

19. Dá-me o teu filho, respondeu-lhe Elias. Ele tomou-o dos braços de sua mãe e levou-o ao quarto de cima onde dormia e deitou-o em seu leito.

20. Em seguida, orou ao Senhor, dizendo: Senhor, meu Deus, até a uma viúva, que me hospeda, quereis afligir, matando-lhe o filho?

21. Estendeu-se em seguida sobre o menino por três vezes, invocando de novo o Senhor: Senhor, meu Deus, rogo-vos que a alma deste menino volte a ele.

22. O Senhor ouviu a oração de Elias: a alma do menino voltou a ele, e ele recuperou a vida.

23. Elias tomou o menino, desceu do quarto superior ao interior da casa e entregou-o à mãe, dizendo: Vê: teu filho vive.

24. A mulher exclamou: Agora vejo que és um homem de Deus e que a palavra de Deus está verdadeiramente em teus lábios.

1. Passado muito tempo, foi a palavra de Deus dirigida a Elias no terceiro ano, nestes termos: Vai apresentar-te diante de Acab, eu vou fazer chover sobre a terra.

2. Elias partiu e foi apresentar-se a Acab. A fome devastava violentamente a Samaria.

3. Acab mandou chamar Abdias, seu intendente. Abdias era um homem fervoroso adorador do Senhor.

4. Quando Jezabel massacrou os profetas do Senhor, Abdias tomou cem profetas e escondeu-os em duas cavernas, cinqüenta numa e cinqüenta noutra, onde lhes tinha providenciado o que comer e beber.

5. Acab disse-lhe: Percorre a terra; vai a todas as fontes e a todas as torrentes; talvez encontremos erva para conservar a vida aos cavalos e aos burros, evitando assim abater uma parte de nossos animais.

6. E repartiram entre si a terra para percorrê-la. Acab foi por um lado, sozinho, e Abdias tomou uma direção contrária.

7. Enquanto Abdias caminhava, eis que veio Elias ao seu encontro. Abdias reconheceu-o e prostrou-se com o rosto por terra, dizendo: És tu, meu senhor Elias?

8. Sim, sou eu. Vai dizer ao teu amo: Elias está aí.

9. Abdias replicou: Que pecado cometi eu, para que entregues assim o teu servo nas mãos de Acab, para ele me matar?

10. Pela vida de Deus, não há nação, nem reino aonde meu amo não te tenha mandado buscar. E diziam: Elias não está aqui; e ele fazia jurar reino e povo que não te haviam achado.

11. E agora tu me dizes: Vai dizer ao teu amo: Elias está aí.

12. Mas quando eu me apartar de ti, o Espírito do Senhor te levará para não sei onde, e Acab, informado por mim, não te encontrando, matar-me-á. Ora, o teu servo teme o Senhor desde a sua juventude.

13. Porventura não foi dito ao meu senhor o que eu fiz quando Jezabel massacrava os profetas do Senhor? Escondi cem deles, cinqüenta numa caverna e cinqüenta noutra, e os sustentei ali.

14. E agora tu me dizes: Vai dizer ao teu amo: Elias está aí! Ele me matará!

15. Elias respondeu-lhe: Pela vida do Senhor dos Exércitos a quem sirvo, hoje mesmo me apresentarei diante de Acab.

16. Abdias correu para junto de Acab e deu-lhe a nova. Acab saiu ao encontro de Elias.

17. Ao vê-lo, Acab lhe disse: Eis-te aqui, o perturbador de Israel!

18. Não sou eu o perturbador de Israel, respondeu Elias, mas tu, sim, e a casa de teu pai, porque abandonastes os preceitos do Senhor e tu seguiste aos Baal.

19. Convoca, pois, à montanha do Carmelo, junto de mim, todo o Israel com os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas de asserá, que comem à mesa de Jezabel.

20. Mandou Acab avisar a todos os israelitas e reuniu os profetas no monte Carmelo.

21. Elias, aproximando-se de todo o povo, disse: Até quando claudicareis dos dois pés? Se o Senhor é Deus, segui-o, mas se é Baal, segui a Baal! O povo nada respondeu.

22. Elias continuou: Eu sou o único dos profetas do Senhor que fiquei, enquanto os de Baal são quatrocentos e cinqüenta.

23. Dê-se-nos, portanto, um par de novilhos: eles escolherão um, fá-lo-ão em pedaços, e o colocarão sobre a lenha, mas sem meter fogo por baixo; eu tomarei o outro novilho e pô-lo-ei sobre a lenha, sem meter fogo por baixo.

24. Depois disso, invocareis o nome de vosso deus, e eu invocarei o nome do Senhor. Aquele que responder pelo fogo, esse será reconhecido como o {verdadeiro} Deus. Todo o povo respondeu: É boa a proposta.

25. Então disse Elias aos profetas de Baal: Escolhei vós primeiro um novilho e preparai-o, porque sois mais numerosos, e invocai o vosso deus, mas não ponhais fogo.

26. Eles tomaram o novilho que lhes foi dado e fizeram-no em pedaços. Em seguida, puseram-se a invocar o nome de Baal desde a manhã até o meio-dia, gritando: Baal, responde-nos! Mas não houve voz, nem resposta. E dançavam ao redor do altar que tinham levantado.

27. Sendo já meio-dia, Elias escarnecia-os, dizendo: Gritai com mais força, pois {seguramente!} ele é deus; mas estará entretido em alguma conversa, ou ocupado, ou em viagem, ou estará dormindo... e isso o acordará.

28. Eles gritavam, com efeito, em alta voz, e retalhavam-se segundo o seu costume, com espadas e lanças, até se cobrirem de sangue.

29. Passado o meio-dia, enquanto continuavam em seus transes proféticos, chegou a hora da oblação. Mas não houve voz, nem resposta, nem sinal algum de atenção.

30. Então Elias disse ao povo: Aproximai-vos de mim, e todos se aproximaram. Elias reparou o altar demolido do Senhor.

31. Tomou doze pedras, segundo o número das doze tribos saídas dos filhos de Jacó, a quem o Senhor dissera: Tu te chamarás Israel.

32. E erigiu com essas pedras um altar ao Senhor. Fez em volta do altar uma valeta, com a capacidade de duas medidas de semente.

33. Dispôs a lenha e colocou sobre ela o boi feito em pedaços.

34. E disse: Enchei quatro talhas de água e derramai-a em cima do holocausto e da lenha. Depois disse: Fazei isso segunda vez. Tendo-o eles feito, disse: Ainda uma terceira vez. Eles obedeceram.

35. A água correu em volta do altar e a valeta ficou cheia.

36. Chegou a hora da oblação. O profeta Elias adiantou-se e disse: Senhor, Deus de Abraão, de Isaac e de Israel, saibam todos hoje que sois o Deus de Israel, que eu sou vosso servo e que por vossa ordem fiz todas estas coisas.

37. Ouvi-me, Senhor, ouvi-me: que este povo reconheça que vós, Senhor, sois Deus, e que sois vós que converteis os seus corações!

38. Então, subitamente, o fogo do Senhor baixou do céu e consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, a poeira e até mesmo a água da valeta.

39. Vendo isso, o povo prostrou-se com o rosto por terra, e exclamou: O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!

40. Elias disse-lhes: Tomai agora os profetas de Baal; não deixeis escapar um só deles! Tendo-os o povo agarrado, Elias levou-os ao vale de Cison e ali os matou.

41. Então Elias disse a Acab: Vai, come e bebe, porque já ouço o ruído de uma grande chuva.

42. Voltou Acab para comer e beber, enquanto Elias subiu ao cimo do monte Carmelo, onde se encurvou por terra, pondo a cabeça entre os joelhos.

43. Disse ao seu servo: Sobe um pouco, e olha para as bandas do mar. Ele subiu, olhou {o horizonte} e disse: Nada. Por sete vezes, Elias disse-lhe: Volta e {olha}.

44. Na sétima vez o servo respondeu: Eis que, sobe do mar uma pequena nuvem, do tamanho da palma da mão. Elias disse-lhe: Vai dizer a Acab que prepare o seu carro e desça, para que a chuva não o detenha.

45. Num instante, o céu se cobriu de nuvens negras, soprou o vento e a chuva caiu torrencialmente. Acab subiu ao seu carro e partiu para Jezrael.

46. A mão do Senhor veio sobre Elias, o qual, tendo cingido os rins, passou adiante de Acab e chegou à entrada de Jezrael.

1. Quando Acab contou a Jezabel tudo o que fizera Elias, e como ele passara ao fio da espada todos os profetas de Baal,

2. a rainha mandou um mensageiro a Elias para dizer-lhe: Que os deuses me tratem com o último rigor, se amanhã, a esta mesma hora, eu não fizer de tua vida o que fizeste da deles.

3. Elias teve medo, e partiu para salvar a sua vida. Chegando a Bersabéia, em Judá, deixou ali o seu servo,

4. e andou pelo deserto um dia de caminho. Sentou-se debaixo de um junípero e desejou a morte: Basta, Senhor, disse ele; tirai-me a vida, porque não sou melhor do que meus pais.

5. Deitou-se por terra, e adormeceu debaixo do junípero. Mas eis que um anjo tocou-o, e disse: Levanta-te e come.

6. Elias olhou e viu junto à sua cabeça um pão cozido debaixo da cinza, e um vaso de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir.

7. Veio o anjo do Senhor uma segunda. vez, tocou-o e disse: Levanta-te e come, porque tens um longo caminho a percorrer.

8. Elias levantou-se, comeu e bebeu e, com o vigor daquela comida, andou quarenta dias e quarenta noites, até Horeb, a montanha de Deus.

9. Chegando ali, passou a noite numa caverna. Então a palavra do Senhor foi-lhe dirigida: Que fazes aqui, Elias?

10. Ele respondeu: Estou devorado de zelo pelo Senhor, o Deus dos exércitos. Porque os israelitas abandonaram a vossa aliança, derrubaram os vossos altares e passaram os vossos profetas ao fio da espada. Só eu fiquei, e querem tirar-me a vida.

11. O Senhor desse-lhe: Sai e conserva-te em cima do monte na presença do Senhor: ele vai passar. Nesse momento passou diante do Senhor um vento impetuoso e violento, que fendia as montanhas e quebrava os rochedos; mas o Senhor não estava naquele vento. Depois do vento, a terra tremeu; mas o Senhor não estava no tremor de terra.

12. Passado o tremor de terra, acendeu-se um fogo; mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo ouviu-se o murmúrio de uma brisa ligeira.

13. Tendo Elias ouvido isso, cobriu o rosto com o manto, saiu e pôs-se à entrada da caverna. Uma voz disse-lhe: Que fazes aqui, Elias?

14. Ele respondeu: Consumo-me de zelo pelo Senhor, Deus dos exércitos. Porque os israelitas abandonaram a vossa aliança, derrubaram os vossos altares e passaram os vossos profetas ao fio da espada. Só eu fiquei, e agora querem tirar-me a vida.

15. O Senhor disse-lhe: Retoma o caminho do deserto, na direção de Damasco. Ali chegando, ungirás Hazael como rei da Síria,

16. Jeú, filho de Namsi, como rei de Israel, e Eliseu, filho de Safat, de Abel-Meula, como profeta em teu lugar.

17. Todo o que escapar à espada de Hazael, será morto por Jeú, e o que escapar à de Jeú, será morto por Eliseu.

18. Mas reservarei em Israel sete mil homens, que não dobraram os joelhos diante de Baal, e cujos lábios não o beijaram.

19. Elias, partindo dali, encontrou Eliseu, filho de Safat, lavrando com doze juntas de bois diante dele; ele mesmo conduzia a duodécima junta. Elias aproximou-se e jogou o seu manto sobre ele.

20. Eliseu, deixando imediatamente os seus bois, correu atrás de Elias, e disse: Deixa-me ir beijar meu pai e minha mãe, depois te seguirei. Vai, disse-lhe Elias, mas volta, porque sabes o que te fiz.

21. Eliseu, deixando Elias, tomou uma junta de bois e imolou-os. Com a lenha do arado cozeu as carnes e deu-as a comer à sua gente. Em seguida partiu e seguiu Elias, para servi-lo.

1. Ben-Hadad, rei da Síria, mobilizou todo o seu exército. Tinha com ele trinta e dois reis, cavalos e carros. Subiu, pôs o cerco diante de Samaria e atacou-a.

2. Mandou mensageiros a Acab, rei de Israel, na cidade, com esta mensagem:

3. Eis o que diz Ben-Hadad: Tua prata e teu ouro são meus. São minhas as tuas mulheres e os mais belos de teus filhos.

4. Como tu dizes, meu senhor e rei, respondeu Acab, eu sou teu com tudo o que me pertence.

5. Mas os mensageiros voltaram e disseram: Isto diz Ben-Hadad: Mandou-te dizer: dá-me tua prata e teu ouro, tuas mulheres e teus filhos.

6. Amanhã, pois, a esta mesma hora, mandarei os meus servos à tua casa; eles a revistarão, assim como as casas de teus servos; tomarão com as suas mãos tudo o que lhes aprouver.

7. Então o rei de Israel convocou todos os anciãos da terra e disse-lhes: Considerai e vede que esse homem quer a nossa perda. Quando me mandou pedir minhas mulheres, meus filhos, minha prata e meu ouro, nada lhe recusei.

8. Os anciãos e todo o povo disseram-lhe: Não lhe dês ouvidos, nem o atendas em nada.

9. Acab respondeu aos mensageiros de Ben-Hadad: Dizei ao rei, meu senhor: estou pronto a fazer o que pediste ao teu servo da primeira vez; mas o que agora exiges, não o posso consentir. Os mensageiros foram-se e deram tal resposta ao rei.

10. Ben-Hadad mandou dizer a Acab: Que os deuses me tratem com o mais extremo rigor, se o pó da Samaria bastar para encher o côncavo da mão dos guerreiros que me seguem!

11. O rei de Israel, respondendo, disse: Dizei-lhe que aquele que põe o seu cinturão não deve gloriar-se como aquele que o tira.

12. Recebendo esta resposta, Ben-Hadad, que estava bebendo nas suas tendas com os reis, disse à sua gente: Aos vossos postos! E eles ordenaram as tropas para o ataque à cidade.

13. Nesse momento, um profeta aproximou-se de Acab, rei de Israel, e disse-lhe: Eis o que diz o Senhor: Vês esta imensa multidão? Pois declaro-te que hoje te entrego nas mãos, para que saibas que eu sou o Senhor.

14. Acab perguntou: Por quem será ela entregue? O profeta respondeu: Assim fala o Senhor: Por meio dos servos dos chefes de províncias. Quem começará o combate? Tu mesmo.

15. Acab passou em revista os servos dos chefes de províncias, e encontrou duzentos e trinta e dois. Depois contou todo o povo dos israelitas, e viu que eram sete mil.

16. Saíram ao meio-dia, quando Ben-Hadad bebia e se embriagava nas tendas com os trinta e dois reis, seus auxiliares.

17. Os servos dos chefes de províncias tinham saído em primeiro lugar. Ben-Hadad mandou ver o que se passava. Disseram-lhe: São alguns homens que saem de Samaria.

18. O rei disse: Venham eles para tratar de paz, ou venham para combater, capturai-os vivos.

19. Os servos dos chefes de províncias saíram, pois, da cidade, seguidos do exército.

20. Cada um deles feriu o seu homem. Os sírios fugiram, perseguidos por Israel; Ben-Hadad, rei da Síria, fugiu a cavalo com alguns cavaleiros.

21. Então o rei de Israel saiu e feriu cavalos e carros, causando uma grande ruína aos sírios.

22. O profeta foi ter com o rei de Israel e disse-lhe: Vai, cobra ânimo e examina o que te é preciso fazer, porque no próximo ano voltará o rei da Síria para atacar-te.

23. Os servos do rei da Síria disseram ao seu soberano: O seu deus é um deus dos montes; por isso foram mais fortes do que nós. Se os atacarmos na planície, veremos se não somos os mais fortes.

24. Eis o que tens de fazer: Destitui todos os reis e substitui-os por governadores.

25. Levanta um exército semelhante ao que perdeste, uma cavalaria equivalente e outro tanto de carros. Combateremos na planície e com toda a certeza seremos mais fortes do que eles. O rei ouviu e seguiu o seu conselho.

26. No ano seguinte, Ben-Hadad, depois de ter passado em revista os sírios, avançou até Afec para combater Israel.

27. Os israelitas recenseados e providos de víveres foram contra os sírios e acamparam diante deles. Eram como dois pequenos rebanhos de cabras, enquanto os sírios cobriam toda a terra.

28. Então o homem de Deus aproximou-se do rei de Israel e disse-lhe: Isto diz o Senhor: Porque os sírios disseram: O Senhor é um deus dos montes e não das planícies - vou entregar-te nas mãos essa imensa multidão, a fim de que saibas que eu sou o Senhor.

29. Durante sete dias ficaram acampados um em face do outro. No sétimo dia deu-se a batalha; os israelitas mataram num só dia cem mil sírios.

30. O resto fugiu para a cidade de Afec, mas as muralhas caíram sobre os vinte e sete mil sobreviventes. Ben-Hadad, que se refugiara na cidade, escondia-se de quarto em quarto.

31. Seus servos disseram-lhe: Ouve: nós temos ouvido dizer que os reis de Israel são clementes. Ponhamos sacos sobre nossos rins e cordas ao nosso pescoço, e vamos ter com o rei de Israel; talvez ele te poupe a vida.

32. Cingiram-se, pois, com sacos pelos rins, puseram cordas em volta do pescoço, e apresentaram-se ao rei de Israel, dizendo: Teu servo Ben-Hadad roga-te: Concede-me a vida! Ele está ainda vivo?, perguntou Acab; mas ele é meu irmão!

33. Tomando bom augúrio dessas palavras, os sírios tomaram logo a palavra de sua boca e disseram-lhe: Ben-Hadad é teu irmão! Trazei-mo, disse o rei. Veio Ben-Hadad à presença de Acab, e este mandou-o subir ao seu carro.

34. Vou restituir-te, disse Ben-Hadad, as cidades que meu pai tomou do teu. Terás um quarteirão em Damasco, como meu pai o tinha em Samaria. Eu, disse Acab, feita esta aliança, te deixarei partir. Acab fez um tratado com Ben-Hadad e deixou-o ir livre.

35. Então um dos filhos dos profetas disse ao seu companheiro, por ordem do Senhor: Fere-me. Mas o outro recusou.

36. Porque não ouviste a voz do Senhor, disse-lhe o primeiro, logo que me tiveres deixado, serás morto por um leão. Mal se havia afastado, um leão o encontrou e o matou.

37. O profeta, encontrando depois outro homem, disse-lhe: Fere-me. Este homem lançou-se contra ele e o feriu.

38. Então postou-se o profeta no caminho por onde devia passar o rei, pondo nos olhos uma faixa que o tornava irreconhecível.

39. Tendo o rei passado, ele pôs-se a gritar-lhe: Teu servo estava em pleno combate, quando alguém lhe trouxe um homem, dizendo: Guarda este homem! Se ele desaparecer, a tua vida responderá pela sua, ou então pagarás um talento de prata.

40. Mas andando o teu servo ocupado daqui e dali, o prisioneiro desapareceu. O rei de Israel disse-lhe: Esta é a tua sentença; tu mesmo a pronunciaste.

41. Então o outro tirou subitamente a faixa que lhe cobria os olhos, e o rei viu que ele era um dos profetas.

42. Ele disse ao rei: Eis o que diz o Senhor: Pois que deixaste escapar de tuas mãos o homem que eu tinha votado ao interdito, tua vida responderá pela sua, e teu povo pelo seu povo.

43. O rei de Israel voltou para a sua casa sombrio e irritado, e chegou a Samaria.

1. Passado tudo isso, aconteceu o seguinte: Nabot de Jezrael possuía uma vinha nessa cidade, ao lado do palácio de Acab, rei de Samaria.

2. Acab disse a Nabot: Cede-me tua vinha, para que eu a transforme numa horta, porque está junto de minha casa. Dar-te-ei em troca uma vinha melhor, ou se o preferires, pagar-te-ei em dinheiro o seu valor.

3. Nabot, porém, respondeu a Acab: Deus me livre de ceder-te a herança de meus pais!

4. Acab voltou para a sua casa sombrio e irritado, por ter Nabot de Jezrael recusado ceder-lhe a herança de seus pais. Estendeu-se na cama com o rosto voltado para a parede, e não quis comer.

5. Jezabel, sua mulher, veio ter com ele e disse-lhe: Por que estás de mau humor e não queres comer?

6. Ele respondeu: Falei a Nabot de Jezrael, propondo-lhe que me vendesse a sua vinha, ou, se o preferisse, que a trocasse comigo por outra melhor; mas ele respondeu-me: Não te cederei a minha vinha.

7. Jezabel, sua mulher, disse-lhe: Não és tu, porventura, o rei de Israel? Vamos! Come, não te incomodes. Eu te darei a vinha de Nabot de Jezrael.

8. Escreveu ela, então, uma carta em nome do rei, selou-a com o selo real, e mandou-a aos anciãos e aos notáveis da cidade, concidadãos de Nabot.

9. Eis o que dizia na carta: Promulgai um jejum, fazei sentar Nabot num lugar de honra,

10. e mandai vir diante dele dois homens inescrupulosos que o acusem, dizendo: Este amaldiçoou a Deus e ao rei. - Conduzi-o em seguida para fora da cidade e apedrejai-o até que morra!

11. Os homens da cidade, os anciãos e os notáveis, concidadãos de Nabot, fizeram o que ordenava Jezabel, segundo o conteúdo da carta que lhes tinha mandado.

12. Promulgaram um jejum e fizeram Nabot sentar-se num lugar de honra.

13. Vieram então os dois miseráveis, colocaram-se diante dele e fizeram publicamente a deposição seguinte contra ele: Nabot amaldiçoou a Deus e ao rei. Depois disto, levaram-no para fora da cidade, onde foi apedrejado e morreu.

14. E mandaram dizer a Jezabel: Nabot foi apedrejado e morto.

15. Quando ela soube que Nabot fora apedrejado e morto, foi dizer a Acab: Vai e toma posse da vinha que Nabot de Jezrael te recusara vender. Ele já não vive; está morto.

16. Acab, tendo ouvido dizer que Nabot morrera, levantou-se e dirigiu-se para a sua vinha, para tomar posse dela.

17. Então a palavra do Senhor foi dirigida a Elias, o tesbita:

18. Vai; desce ao encontro de Acab, rei de Israel, que mora em Samaria, ei-lo que desce a tomar posse da vinha de Nabot.

19. Dir-lhe-ás: Isto diz o Senhor: Mataste, e agora usurpas! - E ajuntarás: Eis o que diz o Senhor: No mesmo lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabot, lamberão também o teu.

20. Acab exclamou: Encontraste-me de novo, ó meu inimigo? Sim!, respondeu Elias. Porque te vendeste para fazer o mal aos olhos do Senhor.

21. Farei cair o mal sobre ti, varrer-te-ei, exterminarei da família de Acab em Israel todo varão, seja escravo ou livre.

22. Farei de tua casa o que fiz da de Jeroboão, filho de Nabat, e da de Baasa, filho de Aías, porque me provocaste à ira e arrastaste Israel ao pecado.

23. E eis agora o que diz o Senhor contra Jezabel: Os cães devorarão Jezabel na terra de Jezrael.

24. Todo membro da família de Acab que morrer na cidade será devorado pelos cães, e o que morrer no campo será comido pelas aves do céu.

25. Com efeito, não houve ninguém que praticasse tanto o mal aos olhos do Senhor como Acab, excitado como era por sua mulher Jezabel.

26. Levou a abominação ao extremo, seguindo os ídolos dos amorreus, que o Senhor tinha expulsado de diante dos israelitas.

27. Ouvindo estas palavras, Acab rasgou suas vestes, cobriu-se com um saco e jejuou; dormia, envolto no saco e andava a passos lentos.

28. Então a Palavra do Senhor foi dirigida a Elias, o tesbita, nestes termos:

29. Viste como Acab se humilhou diante de mim? Pois que ele assim procedeu, não mandarei o castigo durante a sua vida, mas nos dias de seu filho farei vir a catástrofe sobre a sua casa.

1. Três anos se passaram sem lutas entre a Síria e Israel.

2. No terceiro ano, Josafá, rei de Judá, veio ter com o rei de Israel.

3. Este tinha dito aos seus servos: Sabeis porventura que Ramot de Galaad é nossa, e que nós temos descuidado de retomá-la do rei da Síria?

4. E disse a Josafá; Queres vir comigo à guerra contra Ramot de Galaad? Josafá respondeu: Farei o que fizeres: meu povo fará o que fizer o teu, e minha cavalaria fará o que fizer a tua.

5. E continuando a falar ao rei de Israel, Josafá ajuntou: Consulta antes de tudo, eu te peço, o oráculo do Senhor.

6. O rei de Israel, tendo reunido os profetas, que eram em número de quatrocentos, perguntou-lhes: Devo eu ir atacar Ramot de Galaad, eu devo-me abster? Eles responderam: Vai; o Senhor a entregará nas mãos do rei.

7. Mas Josafá replicou: Haverá porventura algum outro profeta do Senhor por aqui, a quem possamos consultar?

8. Sim, respondeu o rei de Israel, há ainda outro por quem poderíamos consultar o Senhor; mas eu o detesto, porque ele não profetiza jamais o bem, e sim sempre o mal: é Miquéias, filho de Jemla. Josafá disse: Não fale o rei assim.

9. Chamou então o rei de Israel um eunuco e deu-lhe esta ordem: Traze-me aqui depressa Miquéias, filho de Jemla.

10. O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, sentaram cada um no seu trono, revestidos de suas insígnias reais, na praça que está à entrada da porta de Samaria, e todos os profetas profetizavam diante deles.

11. Sedecias, filho de Canaana, fez para si uns chifres de ferro, e disse: Eis o que diz o Senhor: com estes chifres ferirás os sírios até que sejam exterminados.

12. E todos os profetas profetizavam da mesma maneira, dizendo: Sobe a Ramot de Galaad: serás vencedor, porque o Senhor entregará a cidade nas mãos do rei.

13. Entretanto, o mensageiro que fora buscar Miquéias dizia-lhe: Os profetas são unânimes em predizer a vitória do rei. Que o teu oráculo seja conforme o deles. Predize bom êxito.

14. Miquéias, porém, respondeu: Por Deus que eu só direi o que o Senhor me disser.

15. Quando ele se apresentou ao rei, este disse-lhe: Miquéias, devemos nós ir atacar Ramot de Galaad, ou não? Vai, respondeu Miquéias, serás vencedor; o Senhor a entregará nas mãos do rei.

16. O rei disse-lhe: Quantas vezes será preciso conjurar-te a que só digas a verdade em nome do Senhor?

17. Ao que Miquéias respondeu: Vejo todo o Israel espalhado pelas montanhas como um rebanho sem pastor. O Senhor disse: Essa gente não tem um guia; volte cada um em paz para a sua casa!

18. O rei de Israel disse a Josafá: Não te disse eu que ele nunca profetiza o bem, mas sempre o mal?

19. Miquéias replicou: Ouve o oráculo do Senhor: Eu, vi o Senhor sentado no seu trono e todo o exército dos céus ao redor dele, à direita e à esquerda.

20. O Senhor disse: Quem seduzirá Acab, para que ele suba e pereça em Ramot de Galaad? Um disse uma coisa e outro, outra.

21. Então um espírito adiantou-se e apresentou-se diante do Senhor, dizendo: Eu irei seduzi-lo. O Senhor perguntou: De que modo?

22. Ele respondeu: Irei e serei um espírito de mentira na boca de seus profetas. - É isto, replicou o Senhor. Conseguirás seduzi-lo. Vai e faze como disseste.

23. O Senhor pôs um espírito de mentira na boca de todos os profetas aqui presentes, mas é a tua perda que o Senhor decretou.

24. Nesse momento, Sedecias, filho de Canaana, aproximou-se de Miquéias e deu-lhe uma bofetada, dizendo: Por onde saiu de mim o espírito do Senhor para falar a ti?

25. Tu o verás, respondeu Miquéias, no dia em que fores de quarto em quarto para te esconder.

26. Então o rei de Israel ordenou: Prende Miquéias; leva-o à casa de Amon, governador da cidade, e de Joás, filho do rei.

27. Dize-lhes: Esta é a ordem do rei: Metei este homem na prisão e alimentai-o com um pão de miséria, até que eu volte são e salvo.

28. Ao que respondeu Miquéias: Se voltares são e salvo, será um sinal de que o Senhor não falou por mim. E ajuntou: Ouvi, povo, tudo isso!

29. O rei de Israel subiu com Josafá, rei de Judá, a Ramot de Galaad.

30. Disse-lhe: Vou disfarçar-me para ir ao combate; tu, porém, conserva as tuas vestes. E o rei de Israel disfarçou-se antes de entrar em combate.

31. Ora, o rei da Síria tinha dado aos seus trinta e dois chefes de carros a seguinte ordem: Não atacareis ninguém, pequeno ou grande, mas unicamente o rei de Israel.

32. Os chefes de carros, tendo visto Josafá, disseram entre si: Aquele é seguramente o rei de Israel. E o atacaram. Josafá soltou o seu grito {de guerra},

33. e os chefes de carros, vendo que não era o rei de Israel, afastaram-se dele.

34. Nesse momento, estirando um homem o seu arco ao acaso, feriu o rei de Israel entre as junturas da couraça. O rei disse ao condutor de seu carro: Volta a rédea, leva-me para fora do campo de batalha, porque estou ferido.

35. Mas o combate foi naquele dia tão violento, que o rei teve que ficar de pé em seu carro diante dos sírios. Morreu ao cair da tarde. O sangue corria de sua ferida e inundava o seu carro.

36. Ao pôr-do-sol, ouviu-se um clamor que corria por todo o exército: Volte cada um para a sua cidade e para a sua casa!

37. Morreu o rei! Levaram-no para Samaria e enterraram-no ali.

38. Quando lavaram o carro na piscina de Samaria, os cães lamberam o sangue do rei, e as prostitutas banhavam-se ali, conforme o oráculo do Senhor.

39. O resto da história de Acab, suas ações, o palácio de marfim que construiu, as cidades que edificou, tudo isso se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.

40. Acab adormeceu com os seus pais, e seu filho Ocozias sucedeu-lhe no trono.

41. No quarto ano de Acab, rei de Israel, Josafá, filho de Asa, tornou-se rei de Judá.

42. Tinha trinta e cinco anos quando começou a reinar, e reinou vinte e cinco anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Azuba, filha de Salai.

43. Andou em todos os caminhos de Asa, seu pai, e não se desviou deles. Fez o que é bom aos olhos do Senhor.

44. Todavia, não desapareceram os lugares altos, onde o povo continuava sacrificando e queimando incenso.

45. Josafá viveu em paz com o rei de Israel.

46. O resto da história de Josafá, seus grandes feitos e suas campanhas, tudo se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Judá.

47. Expulsou da terra as prostitutas {sagradas} que ainda restavam do tempo de seu pai.

48. Não havia então rei em Edom, mas um governador que exercia as funções de rei.

49. Josafá construiu um navio de Társis para ir buscar ouro em Ofir. Mas não pôde ir, porque o seu navio naufragou em Asiongaber.

50. Ocozias, filho de Acab, disse a Josafá: Deixa os meus servos embarcar com os teus. Mas Josafá não quis.

51. Josafá adormeceu com os seus pais, e foi sepultado com eles na cidade de Davi. Seu filho Jorão sucedeu-lhe no trono.

52. No décimo sétimo ano de Josafá, rei de Judá, Ocozias, filho de Acab, tornou-se rei de Israel em Samaria, e reinou dois anos sobre Israel.

53. Fez o mal aos olhos do Senhor: seguiu os caminhos de seu pai e de sua mãe, e de Jeroboão, filho de Nabat, que tinha arrastado Israel ao pecado.

54. Prestou culto a Baal e prostrou-se diante dele, provocando desse modo a cólera do Senhor, Deus de Israel, como o fizera seu pai.

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Este lívro compôe o Antigo Testamento, tem 22 capítulos, e 817 versículos.