Salmos

1. Feliz o homem que não procede conforme o conselho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores, nem se assenta entre os escarnecedores.

2. Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor e medita sua lei dia e noite.

3. Ele é como a árvore plantada na margem das águas correntes: dá fruto na época própria, sua folhagem não murchará jamais. Tudo o que empreende, prospera.

4. Os ímpios não são assim! Mas são como a palha que o vento leva.

5. Por isso não suportarão o juízo, nem permanecerão os pecadores na assembléia dos justos.

6. Porque o Senhor vela pelo caminho dos justos, ao passo que o dos ímpios leva à perdição.

1. Por que tumultuam as nações? Por que tramam os povos vãs conspirações?

2. Erguem-se, juntos, os reis da terra, e os príncipes se unem para conspirar contra o Senhor e contra seu Cristo.

3. Quebremos seu jugo, disseram eles, e sacudamos para longe de nós as suas cadeias!

4. Aquele, porém, que mora nos céus, se ri, o Senhor os reduz ao ridículo.

5. Dirigindo-se a eles em cólera, ele os aterra com o seu furor:

6. Sou eu, diz, quem me sagrei um rei em Sião, minha montanha santa.

7. Vou publicar o decreto do Senhor. Disse-me o Senhor: Tu és meu filho, eu hoje te gerei.

8. Pede-me; dar-te-ei por herança todas as nações; tu possuirás os confins do mundo.

9. Tu as governarás com cetro de ferro, tu as pulverizarás como um vaso de argila.

10. Agora, ó reis, compreendei isto; instruí-vos, ó juízes da terra.

11. Servi ao Senhor com respeito e exultai em sua presença;

12. prestai-lhe homenagem com tremor, para que não se irrite e não pereçais quando, em breve, se acender sua cólera. Felizes, entretanto, todos os que nele confiam.

1. Salmo de Davi, quando fugia de Absalão, seu filho. Senhor, como são numerosos os meus perseguidores! É uma turba que se dirige contra mim.

2. Uma multidão inteira grita a meu respeito: Não, não há mais salvação para ele em seu Deus!

3. Mas vós sois, Senhor, para mim um escudo; vós sois minha glória, vós me levantais a cabeça.

4. Apenas elevei a voz para o Senhor, ele me responde de sua montanha santa.

5. Eu, que me tinha deitado e adormecido, levanto-me, porque o Senhor me sustenta.

6. Nada temo diante desta multidão de povo, que de todos os lados se dirige contra mim.

7. Levantai-vos, Senhor! Salvai-me, ó meu Deus! Feris no rosto todos os que me perseguem, quebrais os dentes dos pecadores.

8. Sim, Senhor, a salvação vem de vós. Desça a vossa bênção sobre vosso povo.

1. Ao mestre de canto. Com instrumentos de corda. Salmo de Davi. Quando vos invoco, respondei-me, ó Deus de minha justiça, vós que na hora da angústia me reconfortastes. Tende piedade de mim e ouvi minha oração.

2. Ó poderosos, até quando tereis o coração endurecido, no amor das vaidades e na busca da mentira?

3. O Senhor escolheu como eleito uma pessoa admirável, o Senhor me ouviu quando o invoquei.

4. Tremei, mas sem pecar; refleti em vossos corações, quando estiverdes em vossos leitos, e calai.

5. Oferecei vossos sacrifícios com sinceridade e esperai no Senhor.

6. Dizem muitos: Quem nos fará ver a felicidade? Fazei brilhar sobre nós, Senhor, a luz de vossa face.

7. Pusestes em meu coração mais alegria do que quando abundam o trigo e o vinho.

8. Apenas me deito, logo adormeço em paz, porque a segurança de meu repouso vem de vós só, Senhor.

1. Ao mestre de canto. Com flautas. Salmo de Davi. Senhor, ouvi minhas palavras, escutai meus gemidos.

2. Atendei à voz de minha prece, ó meu rei, ó meu Deus.

3. É a vós que eu invoco, Senhor, desde a manhã; escutai a minha voz, porque, desde o raiar do dia, vos apresento minha súplica e espero.

4. Pois vós não sois um Deus a quem agrade o mal, o mau não poderia morar junto de vós;

5. os ímpios não podem resistir ao vosso olhar. Detestais a todos os que praticam o mal,

6. fazeis perecer aqueles que mentem, o homem cruel e doloso vos é abominável, ó Senhor.

7. Mas eu, graças à vossa grande bondade, entrarei em vossa casa. Prostrar-me-ei em vosso santuário, com o respeito que vos é devido, Senhor.

8. Conduzi-me pelas sendas da justiça, por causa de meus inimigos; aplainai, para mim, vosso caminho.

9. Porque em seus lábios não há sinceridade, seus corações só urdem projetos ardilosos. A garganta deles é como um sepulcro escancarado, com a língua distribuem lisonjas.

10. Deixai-os, Senhor, prender-se nos seus erros, que suas maquinações malogrem! Por causa do número de seus crimes, rejeitai-os, pois é contra vós que se revoltaram.

11. Regozijam-se, pelo contrário, os que em vós confiam, permanecem para sempre na alegria. Protegei-os e triunfarão em vós os que amam vosso nome.

12. Pois, vós, Senhor, abençoais o justo; vossa benevolência, como um escudo, o cobrirá.

1. Ao mestre de canto. Com instrumentos de corda. Em oitava. Salmo de Davi. Senhor, em vossa cólera não me repreendais, em vosso furor não me castigueis.

2. Tende piedade de mim, Senhor, porque desfaleço; sarai-me, pois sinto abalados os meus ossos.

3. Minha alma está muito perturbada; vós, porém, Senhor, até quando?...

4. Voltai, Senhor, livrai minha alma; salvai-me, pela vossa bondade.

5. Porque no seio da morte não há quem de vós se lembre; quem vos glorificará na habitação dos mortos?

6. Eu me esgoto gemendo; todas as noites banho de pranto minha cama, com lágrimas inundo o meu leito.

7. De amargura meus olhos se turvam, esmorecem por causa dos que me oprimem.

8. Apartai-vos de mim, vós todos que praticais o mal, porque o Senhor atendeu às minhas lágrimas.

9. O Senhor escutou a minha oração, o Senhor acolheu a minha súplica.

10. Que todos os meus inimigos sejam envergonhados e aterrados; recuem imediatamente, cobertos de confusão!

1. Lamentação de Davi, que cantou em honra do Senhor, por causa de Cus, o benjaminita. Senhor, ó meu Deus, é em vós que eu busco meu refúgio; salvai-me de todos os que me perseguem e livrai-me,

2. para que o inimigo não me arrebate como um leão, e me dilacere sem que ninguém me livre.

3. Senhor, ó meu Deus, se acaso fiz isso, se minhas mãos cometeram a iniqüidade,

4. se fiz mal ao homem pacífico, se oprimi os que me perseguiam sem motivo,

5. que o inimigo me persiga e me apanhe, que ele me pise vivo ao solo e atire a minha honra ao pó.

6. Levantai-vos, Senhor, na vossa cólera; erguei-vos contra o furor dos que me oprimem, erguei-vos para me defender numa causa que tomastes a vós.

7. Que a assembléia das nações vos circunde, presidi-a de um trono elevado.

8. O Senhor é o juiz dos povos. Fazei-me justiça, Senhor, segundo o meu justo direito, conforme minha integridade.

9. Ponde fim à malícia dos ímpios e sustentai o direito, ó Deus de justiça, que sondais os corações e os rins.

10. O meu escudo é Deus, ele salva os que têm o coração reto.

11. Deus é um juiz íntegro, um Deus perpetuamente vingador.

12. Se eles não se corrigem, ele afiará a espada, entesará o arco e visará.

13. Contra os ímpios apresentará dardos mortíferos, lançará flechas inflamadas.

14. Eis que o mau está em dores de parto, concebe a malícia e dá à luz a mentira.

15. Abre um fosso profundo, mas cai no abismo por ele mesmo cavado.

16. Sua malícia recairá em sua própria cabeça, e sua violência se voltará contra a sua fronte.

17. Eu, porém, glorificarei o Senhor por sua justiça, e salmodiarei ao nome do Senhor, o Altíssimo.

1. Ao mestre de canto. Com a gitiena. Salmo de Davi. Ó Senhor, nosso Deus, como é glorioso vosso nome em toda a terra! Vossa majestade se estende, triunfante, por cima de todos os céus.

2. Da boca das crianças e dos pequeninos sai um louvor que confunde vossos adversários, e reduz ao silêncio vossos inimigos.

3. Quando contemplo o firmamento, obra de vossos dedos, a lua e as estrelas que lá fixastes:

4. Que é o homem, digo-me então, para pensardes nele? Que são os filhos de Adão, para que vos ocupeis com eles?

5. Entretanto, vós o fizestes quase igual aos anjos, de glória e honra o coroastes.

6. Destes-lhe poder sobre as obras de vossas mãos, vós lhe submetestes todo o universo.

7. Rebanhos e gados, e até os animais bravios,

8. pássaros do céu e peixes do mar, tudo o que se move nas águas do oceano.

9. Ó Senhor, nosso Deus, como é glorioso vosso nome em toda a terra!

1. Ao mestre de canto. Segundo a melodia A morte para o filho. Salmo de Davi. Eu vos louvarei, Senhor, de todo o coração, todas as vossas maravilhas narrarei.

2. Em vós eu estremeço de alegria, cantarei vosso nome, ó Altíssimo!

3. Porque meus inimigos recuaram, fraquejaram, pereceram ante a vossa face.

4. Pois tomastes a vós meu direito e minha causa, assentastes, ó justo Juiz, em vosso tribunal.

5. Com efeito, perseguistes as nações, destruístes o ímpio; apagastes, para sempre, o seu nome.

6. Meus inimigos pereceram, consumou-se sua ruína eterna; demolistes suas cidades, sua própria lembrança se acabou.

7. O Senhor, porém, domina eternamente; num trono sólido, ele pronuncia seus julgamentos.

8. Ele mesmo julgará o universo com justiça, com eqüidade pronunciará sentença sobre os povos.

9. O Senhor torna-se refúgio para o oprimido, uma defesa oportuna para os tempos de perigo.

10. Aqueles que conheceram vosso nome confiarão em vós, porque, Senhor, jamais abandonais quem vos procura.

11. Salmodiai ao Senhor, que habita em Sião; proclamai seus altos feitos entre os povos.

12. Porque, vingador do sangue derramado, ele se lembra deles e não esqueceu o clamor dos infelizes.

13. Tende piedade de mim, Senhor, vede a miséria a que me reduziram os inimigos; arrancai-me das portas da morte,

14. para que nas portas da filha de Sião eu publique vossos louvores, e me regozije de vosso auxílio.

15. Caíram as nações no fosso que cavaram; prenderam-se seus pés na armadilha que armaram.

16. O Senhor se manifestou e fez justiça, capturando o ímpio em suas próprias redes.

17. Que os pecadores caiam na região dos mortos, todos esses povos que olvidaram a Deus.

18. O pobre, porém, não ficará no eterno esquecimento; nem a esperança dos aflitos será frustrada para sempre.

19. Levantai-vos, Senhor! Não seja o homem quem tenha a última palavra! Que diante de vós sejam julgadas as nações.

20. Enchei-as de pavor, Senhor, para que saibam que não passam de simples homens.

1. {l} Senhor, por que ficais tão longe? Por que vos ocultais nas horas de angústia?

2. Enquanto o ímpio se enche de orgulho, é vexado o infeliz com as tribulações que aquele tramou.

3. O pecador se gloria até de sua cupidez, o cobiçoso blasfema e despreza a Deus.

4. Em sua arrogância, o ímpio diz: Não há castigo, Deus não existe. É tudo e só o que ele pensa.

5. Em todos os tempos, próspero é o curso de sua vida; vossos juízos estão acima de seu alcance; quanto a seus adversários, os despreza a todos.

6. Diz no coração: Nada me abalará, jamais terei má sorte.

7. De maledicência, astúcia e dolo sua boca está cheia; em sua língua só existem palavras injuriosas e ofensivas.

8. Põe-se de emboscada na vizinhança dos povoados, mata o inocente em lugares ocultos; seus olhos vigiam o infeliz.

9. Como um leão no covil, espreita, no escuro; arma ciladas para surpreender o infeliz, colhe-o, na sua rede, e o arrebata.

10. Curva-se, agacha-se no chão, e os infortunados caem em suas garras.

11. Depois diz em seu coração: Deus depressa se esquecerá, ele voltará a cabeça, nunca vê nada.

12. Levantai-vos, Senhor! Estendei a mão, e não vos esqueçais dos pobres.

13. Por que razão o ímpio despreza a Deus e diz em seu coração Não haverá castigo?

14. Entretanto, vós vedes tudo: observais os que penam e sofrem, a fim de tomar a causa deles em vossas mãos. É a vós que se abandona o infortunado, sois vós o amparo do órfão.

15. Esmagai, pois, o braço do pecador perverso; persegui sua malícia, para que não subsista.

16. O Senhor é rei eterno, as nações pagãs desaparecerão de seu domínio.

17. Senhor, ouvistes os desejos dos humildes, confortastes-lhes o coração e os atendestes.

18. Para que justiça seja feita ao órfão e ao oprimido, nem mais incuta terror o homem tirado do pó.

1. Ao mestre de canto. De Davi. É junto do Senhor que procuro refúgio. Por que dizer-me: Foge, velozmente, para a montanha, como um pássaro;

2. eis que os maus entesam seu arco, ajustam a flecha na corda, para ferir, de noite, os que têm o coração reto.

3. Quando os próprios fundamentos se abalam, que pode fazer ainda o justo?

4. Entretanto, o Senhor habita em seu templo, o Senhor tem seu trono no céu. Sua vista está atenta, seus olhares observam os filhos dos homens.

5. O Senhor sonda o justo como o ímpio, mas aquele que ama a injustiça, ele o aborrece.

6. Sobre os ímpios ele fará cair uma chuva de fogo e de enxofre; um vento abrasador de procela será o seu quinhão.

7. Porque o Senhor é justo, ele ama a justiça; e os homens retos contemplarão a sua face.

1. Ao mestre de canto. Uma oitava abaixo. Salmo de Davi. Salvai-nos, Senhor, pois desaparecem os homens piedosos, e a lealdade se extingue entre os homens.

2. Uns não têm para com os outros senão palavras mentirosas; adulação na boca, duplicidade no coração.

3. Que o Senhor extirpe os lábios hipócritas e a língua insolente.

4. Aqueles que dizem: Dominaremos pela nossa língua, nossos lábios trabalham para nós, quem nos será senhor?

5. Responde, porém, o Senhor: Por causa da aflição dos humildes e dos gemidos dos pobres, levantar-me-ei para lhes dar a salvação que desejam.

6. As palavras do Senhor são palavras sinceras, puras como a prata acrisolada, isenta de ganga, sete vezes depurada.

7. Vós, Senhor, haveis de nos guardar, defender-nos-eis sempre dessa raça maléfica,

8. porque os ímpios andam de todos os lados, enquanto a vileza se ergue entre os homens.

1. Ao mestre de canto. Salmo de Davi. Até quando, Senhor, de todo vos esquecereis de mim? Por quanto tempo ainda desviareis de mim os vossos olhares?

2. Até quando aninharei a angústia na minha alma, e, dia após dia, a tristeza no coração?

3. Até quando se levantará o meu inimigo contra mim? Olhai! Ouvi-me, Senhor, ó meu Deus!

4. Iluminai meus olhos com vossa luz, para eu não adormecer na morte, para que meu inimigo não venha a dizer: Venci-o;

5. e meus adversários não triunfem no momento de minha queda, eu que confiei em vossa misericórdia. Antes possa meu coração regozijar-se em vosso socorro!

6. Então cantarei ao Senhor pelos benefícios que me concedeu.

1. Ao mestre de canto. De Davi. Diz o insensato em seu coração: Não há Deus. Corromperam-se os homens, sua conduta é abominável, não há um só que faça o bem.

2. O Senhor, do alto do céu, observa os filhos dos homens, para ver se, acaso, existe alguém sensato que busque a Deus.

3. Mas todos eles se extraviaram e se perverteram; não há mais ninguém que faça o bem, nem um, nem mesmo um só.

4. Não se emendarão esses obreiros do mal, que devoram meu povo como quem come pão? Eles que não invocam o Senhor?

5. Mas irão tremer de pavor, porque Deus está com a raça dos justos;

6. pretendeis frustrar os planos do humilde, mas o Senhor é seu refúgio.

7. Ah, que venha de Sião a salvação de Israel! Quando o Senhor tiver mudado a sorte de seu povo, Jacó exultará e Israel se alegrará.

1. Salmo de Davi. Senhor, quem há de morar em vosso tabernáculo? Quem habitará em vossa montanha santa?

2. O que vive na inocência e pratica a justiça, o que pensa o que é reto no seu coração,

3. cuja língua não calunia; o que não faz mal a seu próximo, e não ultraja seu semelhante.

4. O que tem por desprezível o malvado, mas sabe honrar os que temem a Deus; o que não retrata juramento mesmo com dano seu,

5. não empresta dinheiro com usura, nem recebe presente para condenar o inocente. Aquele que assim proceder jamais será abalado.

1. Poema de Davi. Guardai-me, ó Deus, porque é em vós que procuro refúgio.

2. Digo a Deus: Sois o meu Senhor, fora de vós não há felicidade para mim.

3. Quão admirável tornou Deus o meu afeto para com os santos que estão em sua terra.

4. Numerosos são os sofrimentos que suportam aqueles que se entregam a estranhos deuses. Não hei de oferecer suas libações de sangue e meus lábios jamais pronunciarão o nome de seus ídolos.

5. Senhor, vós sois a minha parte de herança e meu cálice; vós tendes nas mãos o meu destino.

6. O cordel mediu para mim um lote aprazível, muito me agrada a minha herança.

7. Bendigo o Senhor porque me deu conselho, porque mesmo de noite o coração me exorta.

8. Ponho sempre o Senhor diante dos olhos, pois ele está à minha direita; não vacilarei.

9. Por isso meu coração se alegra e minha alma exulta, até meu corpo descansará seguro,

10. porque vós não abandonareis minha alma na habitação dos mortos, nem permitireis que vosso Santo conheça a corrupção.

11. Vós me ensinareis o caminho da vida, há abundância de alegria junto de vós, e delícias eternas à vossa direita.

1. Súplica de Davi. Ouvi, Senhor, uma causa justa! Atendei meu clamor! Escutai minha prece, de lábios sem malícia.

2. Venha de vós o meu julgamento, e vossos olhos reconheçam que sou íntegro.

3. Podeis sondar meu coração, visitá-lo à noite, prová-lo pelo fogo, não encontrareis iniqüidade em mim.

4. Minha boca não pecou, como costumam os homens; conforme as palavras dos vossos lábios, segui os caminhos da lei.

5. Meus passos se mantiveram firmes nas vossas sendas, meus pés não titubearam.

6. Eu vos invoco, pois me atendereis, Senhor; inclinai vossos ouvidos para mim, escutai minha voz.

7. Mostrai a vossa admirável misericórdia, vós que salvais dos adversários os que se acolhem à vossa direita.

8. Guardai-me como a pupila dos olhos, escondei-me à sombra de vossas asas,

9. longe dos pecadores, que me querem fazer violência. Meus inimigos me rodeiam com furor.

10. Seu coração endurecido se fecha à piedade; só têm na boca palavras arrogantes.

11. Eis que agora me cercam, espreitam para me prostrar por terra;

12. qual leão que se atira ávido sobre a presa, e como o leãozinho no seu covil.

13. Levantai-vos, Senhor, correi-lhe ao encontro, derrubai-o; com vossa espada livrai-me do pecador,

14. com vossa mão livrai-me dos homens, desses cuja única felicidade está nesta vida, que têm o ventre repleto de bens, cujos filhos vivem na abundância e deixam ainda aos seus filhos o que lhes sobra.

15. Mas eu, confiado na vossa justiça, contemplarei a vossa face; ao despertar, saciar-me-ei com a visão de vosso ser.

1. Ao mestre de canto. De Davi, servo do Senhor, que dirigiu as palavras deste cântico ao Senhor, no dia em que ficou livre de todos os seus inimigos e das mãos de Saul. Disse: Eu vos amo, Senhor, minha força!

2. O Senhor é o meu rochedo, minha fortaleza e meu libertador. Meu Deus é a minha rocha, onde encontro o meu refúgio, meu escudo, força de minha salvação e minha cidadela.

3. Invoco o Senhor, digno de todo louvor, e fico livre dos meus inimigos.

4. Circundavam-me os vagalhões da morte, torrentes devastadoras me atemorizavam,

5. enlaçavam-se as cadeias da habitação dos mortos, a própria morte me prendia em suas redes.

6. Na minha angústia, invoquei o Senhor, gritei para meu Deus: do seu templo ele ouviu a minha voz, e o meu clamor em sua presença chegou aos seus ouvidos.

7. A terra vacilou e tremeu, os fundamentos das montanhas fremiram, abalaram-se, porque Deus se abrasou em cólera:

8. suas narinas exalavam fumaça; sua boca, fogo devorador, brasas incandescentes.

9. Ele inclinou os céus e desceu, calcando aos pés escuras nuvens.

10. Cavalgou sobre um querubim e voou, planando nas asas do vento.

11. Envolveu-se nas trevas como se fossem véu, fez para si uma tenda das águas tenebrosas, densas nuvens.

12. Do esplendor de sua presença suas nuvens avançaram: saraiva e centelhas de fogo.

13. Dos céus trovejou o Senhor, o Altíssimo fez ressoar a sua voz.

14. Lançou setas e dispersou os inimigos, fulminou relâmpagos e os desbaratou.

15. E apareceu descoberto o leito do mar, ficaram à vista os fundamentos da terra, ante a vossa ameaçadora voz, ó Senhor, ante o furacão de vossa cólera.

16. Do alto estendeu a sua mão e me pegou, e retirou-me das águas profundas,

17. livrou-me de inimigo poderoso, dos meus adversários mais fortes do que eu.

18. Investiram contra mim no dia do meu infortúnio, mas o Senhor foi o meu arrimo;

19. pôs-me a salvo e livrou-me, porque me ama.

20. O Senhor me tratou segundo a minha inocência, retribuiu-me segundo a pureza de minhas mãos,

21. porque guardei os caminhos do Senhor e não pequei separando-me do meu Deus.

22. Tenho diante dos olhos todos os seus preceitos e não me desvio de suas leis.

23. Ando irrepreensivelmente diante dele, guardando-me do meu pecado.

24. O Senhor retribuiu-me segundo a minha justiça, segundo a pureza de minhas mãos diante dos seus olhos.

25. Com quem é bondoso vos mostrais bondoso, com o homem íntegro vos mostrais íntegro;

26. puro com quem é puro; prudente com quem é astuto.

27. Os humildes salvais, os semblantes soberbos humilhais.

28. Senhor, sois vós que fazeis brilhar o meu farol, sois vós que dissipais as minhas trevas.

29. Convosco afrontarei batalhões, com meu Deus escalarei muralhas.

30. Os caminhos de Deus são perfeitos, a palavra do Senhor é pura. Ele é o escudo de todos os que nele se refugiam.

31. Pois quem é Deus senão o Senhor? Quem é o rochedo, senão o nosso Deus?

32. É Deus quem me cinge de coragem e aplana o meu caminho.

33. Torna os meus pés velozes como os das gazelas e me instala nas alturas.

34. Adestra minhas mãos para o combate e meus braços para o tiro de arco.

35. Vós me dais o escudo que me salva. Vossa destra me sustém, e vossa bondade me engrandece.

36. Alargais o caminho a meus passos, para meus pés não resvalarem.

37. Dou caça aos inimigos e os alcanço, e não volto sem que os tenha aniquilado.

38. De tal sorte os despedaço, que não mais poderão levantar-se: eles ficam caídos a meus pés.

39. Vós me cingis de coragem para a luta e ante mim dobrais os meus adversários.

40. Afugentais da minha presença os meus inimigos e reduzis ao silêncio os que me aborrecem.

41. Gritam por socorro, mas não há quem os salve; clamam ao Senhor, mas não responde...

42. Eu os disperso como o pó que o vento leva, e os esmago como o barro das estradas.

43. Vós me livrais das revoltas do povo e me colocais à frente das nações; povos que eu desconhecia se tornaram meus servos.

44. Gente estranha me serve abnegadamente e me obedece à primeira intimação.

45. Gente estranha desfalece e sai tremendo de seus esconderijos.

46. Viva o Senhor e bendito seja o meu rochedo! Exaltado seja Deus, que me salva!

47. Deus, que me proporciona a vingança e avassala nações a meus pés.

48. Sois vós que me libertais dos meus inimigos, me exaltais acima dos meus adversários e me salvais do homem violento.

49. Por isso vos louvarei, ó Senhor, entre as nações e celebrarei o vosso nome.

50. Ele prepara grandes vitórias a seu rei e faz misericórdia a seu ungido, a Davi e a sua descendência para sempre.

1. Ao mestre de canto. Salmo de Davi. Narram os céus a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.

2. O dia ao outro transmite essa mensagem, e uma noite à outra a repete.

3. Não é uma língua nem são palavras, cujo sentido não se perceba,

4. porque por toda a terra se espalha o seu ruído, e até os confins do mundo a sua voz; aí armou Deus para o sol uma tenda.

5. E este, qual esposo que sai do seu tálamo, exulta, como um gigante, a percorrer seu caminho.

6. Sai de um extremo do céu, e no outro termina o seu curso; nada se furta ao seu calor.

7. A lei do Senhor é perfeita, reconforta a alma; a ordem do Senhor é segura, instrui o simples.

8. Os preceitos do Senhor são retos, deleitam o coração; o mandamento do Senhor é luminoso, esclarece os olhos.

9. O temor do Senhor é puro, subsiste eternamente; os juízos do Senhor são verdadeiros, todos igualmente justos.

10. Mais desejáveis que o ouro, que uma barra de ouro fino; mais doces que o mel, que o puro mel dos favos.

11. Ainda que vosso servo neles atente, guardando-os com todo o cuidado;

12. quem pode, entretanto, ver as próprias faltas? Purificai-me das que me são ocultas.

13. Preservai, também, vosso servo do orgulho; não domine ele sobre mim, então serei íntegro e limpo de falta grave.

14. Aceitai as palavras de meus lábios e os pensamentos de meu coração, na vossa presença, Senhor, minha rocha e meu redentor.

1. Ao mestre de canto. Salmo de Davi. Que o Senhor te escute no dia da provação, e te proteja o nome do Deus de Jacó.

2. Do seu santuário ele te socorra, e de Sião ele te sustente.

3. Lembre-se de tuas ofertas, e aceite os teus sacrifícios.

4. Conceda-te o que teu coração anela, e realize todos os teus desejos.

5. Possamos nós alegrar-nos com tua vitória e levantar as bandeiras em nome de nosso Deus. Sim, que o Senhor realize todos os teus pedidos.

6. Já sei que o Senhor reservou a vitória para seu ungido, e o ouviu do alto de seu santuário pelo poder de seu braço vencedor.

7. Uns põem sua força nos carros, outros nos cavalos. Nós, porém, a temos em nome do Senhor, nosso Deus.

8. Eles fraquejaram e foram vencidos, mas nós, de pé, continuamos firmes.

9. Senhor, dai a vitória ao rei, e ouvi-nos no dia em que vos invocamos.

1. Ao mestre de canto. Salmo de Davi. Senhor, alegra-se o rei com o vosso poder, e muito exulta com o vosso auxílio!

2. Realizastes os anseios de seu coração, não rejeitastes a prece de seus lábios.

3. Com preciosas bênçãos fostes-lhe ao encontro, pusestes-lhe na cabeça coroa de puríssimo ouro.

4. Ele vos pediu a vida, vós lha concedestes, uma vida cujos dias serão eternos.

5. Grande é a sua glória, devida à vossa proteção; vós o cobristes de majestade e esplendor.

6. Sim, fizestes dele o objeto de vossas eternas bênçãos, de alegria o cobristes com a vossa presença,

7. pois o rei confiou no Senhor. Graças ao Altíssimo não será abalado.

8. Que tua mão, ó rei, apanhe teus inimigos, que tua mão atinja os que te odeiam.

9. Tu os tornarás como fornalha ardente, quando apareceres diante deles. Que o Senhor em sua cólera os consuma, e que o fogo os devore.

10. Faze desaparecer da terra a posteridade deles e a sua descendência dentre os filhos dos homens.

11. Se intentarem fazer-te mal, tramando algum plano, não o conseguirão,

12. porque os porás em fuga, dirigindo teu arco contra a face deles.

13. Erguei-vos, Senhor, em vossa potência! Cantaremos e celebraremos o vosso poder.

1. Ao mestre de canto. Segundo a melodia A corça da aurora. Salmo de Davi. Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? E permaneceis longe de minhas súplicas e de meus gemidos?

2. Meu Deus, clamo de dia e não me respondeis; imploro de noite e não me atendeis.

3. Entretanto, vós habitais em vosso santuário, vós que sois a glória de Israel.

4. Nossos pais puseram sua confiança em vós, esperaram em vós e os livrastes.

5. A vós clamaram e foram salvos; confiaram em vós e não foram confundidos.

6. Eu, porém, sou um verme, não sou homem, o opróbrio de todos e a abjeção da plebe.

7. Todos os que me vêem zombam de mim; dizem, meneando a cabeça:

8. Esperou no Senhor, pois que ele o livre, que o salve, se o ama.

9. Sim, fostes vós que me tirastes das entranhas de minha mãe e, seguro, me fizestes repousar em seu seio.

10. Eu vos fui entregue desde o meu nascer, desde o ventre de minha mãe vós sois o meu Deus.

11. Não fiqueis longe de mim, pois estou atribulado; vinde para perto de mim, porque não há quem me ajude.

12. Cercam-me touros numerosos, rodeiam-me touros de Basã;

13. contra mim eles abrem suas fauces, como o leão que ruge e arrebata.

14. Derramo-me como água, todos os meus ossos se desconjuntam; meu coração tornou-se como cera, e derrete-se nas minhas entranhas.

15. Minha garganta está seca qual barro cozido, pega-se no paladar a minha língua: vós me reduzistes ao pó da morte.

16. Sim, rodeia-me uma malta de cães, cerca-me um bando de malfeitores. Traspassaram minhas mãos e meus pés:

17. poderia contar todos os meus ossos. Eles me olham e me observam com alegria,

18. repartem entre si as minhas vestes, e lançam sorte sobre a minha túnica.

19. Porém, vós, Senhor, não vos afasteis de mim; ó meu auxílio, bem depressa me ajudai.

20. Livrai da espada a minha alma, e das garras dos cães a minha vida.

21. Salvai-me a mim, mísero, das fauces do leão e dos chifres dos búfalos.

22. Então, anunciarei vosso nome a meus irmãos, e vos louvarei no meio da assembléia.

23. Vós que temeis o Senhor, louvai-o; vós todos, descendentes de Jacó, aclamai-o; temei-o, todos vós, estirpe de Israel,

24. porque ele não rejeitou nem desprezou a miséria do infeliz, nem dele desviou a sua face, mas o ouviu, quando lhe suplicava.

25. De vós procede o meu louvor na grande assembléia, cumprirei meus votos na presença dos que vos temem.

26. Os pobres comerão e serão saciados; louvarão o Senhor aqueles que o procuram: Vivam para sempre os nossos corações.

27. Hão de se lembrar do Senhor e a ele se converter todos os povos da terra; e diante dele se prostrarão todas as famílias das nações,

28. porque a realeza pertence ao Senhor, e ele impera sobre as nações.

29. Todos os que dormem no seio da terra o adorarão; diante dele se prostrarão os que retornam ao pó.

30. Para ele viverá a minha alma, há de servi-lo minha descendência. Ela falará do Senhor às gerações futuras

31. e proclamará sua justiça ao povo que vai nascer: Eis o que fez o Senhor.

1. Salmo de Davi. O Senhor é meu pastor, nada me faltará.

2. Em verdes prados ele me faz repousar. Conduz-me junto às águas refrescantes,

3. restaura as forças de minha alma. Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome.

4. Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo. Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo.

5. Preparais para mim a mesa à vista de meus inimigos. Derramais o perfume sobre minha cabeça, e transborda minha taça.

6. A vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me por todos os dias de minha vida. E habitarei na casa do Senhor por longos dias.

1. Salmo de Davi. Do Senhor é a terra e tudo o que ela contém, a órbita terrestre e todos os que nela habitam,

2. pois ele mesmo a assentou sobre as águas do mar e sobre as águas dos rios a consolidou.

3. Quem será digno de subir ao monte do Senhor? Ou de permanecer no seu lugar santo?

4. O que tem as mãos limpas e o coração puro, cujo espírito não busca as vaidades nem perjura para enganar seu próximo.

5. Este terá a bênção do Senhor, e a recompensa de Deus, seu Salvador.

6. Tal é a geração dos que o procuram, dos que buscam a face do Deus de Jacó.

7. Levantai, ó portas, os vossos dintéis! Levantai-vos, ó pórticos antigos, para que entre o Rei da glória!

8. Quem é este Rei da glória? É o Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na batalha.

9. Levantai, ó portas, os vossos dintéis! Levantai-vos, ó pórticos antigos, para que entre o Rei da glória!

10. Quem é este Rei da glória? É o Senhor dos exércitos! É ele o Rei da glória.

1. De Davi. Para vós, Senhor, elevo a minha alma.

2. Meu Deus, em vós confio: não seja eu decepcionado! Não escarneçam de mim meus inimigos!

3. Não, nenhum daqueles que esperam em vós será confundido, mas os pérfidos serão cobertos de vergonha.

4. Senhor, mostrai-me os vossos caminhos, e ensinai-me as vossas veredas.

5. Dirigi-me na vossa verdade e ensinai-me, porque sois o Deus de minha salvação e em vós eu espero sempre.

6. Lembrai-vos, Senhor, de vossas misericórdias e de vossas bondades, que são eternas.

7. Não vos lembreis dos pecados de minha juventude e dos meus delitos; em nome de vossa misericórdia, lembrai-vos de mim, por causa de vossa bondade, Senhor.

8. O Senhor é bom e reto, por isso reconduz os extraviados ao caminho reto.

9. Dirige os humildes na justiça, e lhes ensina a sua via.

10. Todos os caminhos do Senhor são graça e fidelidade, para aqueles que guardam sua aliança e seus preceitos.

11. Por amor de vosso nome, Senhor, perdoai meu pecado, por maior que seja.

12. Que advém ao homem que teme o Senhor? Deus lhe ensina o caminho que deve escolher.

13. Viverá na felicidade, e sua posteridade possuirá a terra.

14. O Senhor se torna íntimo dos que o temem, e lhes manifesta a sua aliança.

15. Meus olhos estão sempre fixos no Senhor, porque ele livrará do laço os meus pés.

16. Olhai-me e tende piedade de mim, porque estou só e na miséria.

17. Aliviai as angústias do meu coração, e livrai-me das aflições.

18. Vede minha miséria e meu sofrimento, e perdoai-me todas as faltas.

19. Vede meus inimigos, são muitos, e com ódio implacável me perseguem.

20. Defendei minha alma e livrai-me; não seja confundido eu que em vós me acolhi.

21. Protejam-me a inocência e a integridade, porque espero em vós, Senhor.

22. Ó Deus, livrai Israel de todas as suas angústias.

1. De Davi. Fazei-me justiça, Senhor, pois tenho andado retamente e, confiando em vós, não vacilei.

2. Sondai-me, Senhor, e provai-me; escrutai meus rins e meu coração.

3. Tenho sempre diante dos olhos vossa bondade, e caminho na vossa verdade.

4. Entre os homens iníquos não me assento, nem me associo aos trapaceiros.

5. Detesto a companhia dos malfeitores, com os ímpios não me junto.

6. Na inocência lavo as minhas mãos, e conservo-me junto de vosso altar, Senhor,

7. para publicamente anunciar vossos louvores, e proclamar todas as vossas maravilhas.

8. Senhor, amo a habitação de vossa casa, e o tabernáculo onde reside a vossa glória.

9. Não leveis a minha alma com a dos pecadores, nem me tireis a vida com a dos sanguinários,

10. cujas mãos são criminosas, e cuja destra está cheia de subornos.

11. Eu, porém, procedo com retidão. Livrai-me e sede-me propício.

12. Meu pé está firme no caminho reto; nas assembléias, bendirei ao Senhor.

1. De Davi. O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem temerei? O Senhor é o protetor de minha vida, de quem terei medo?

2. Quando os malvados me atacam para me devorar vivo, são eles, meus adversários e inimigos, que resvalam e caem.

3. Se todo um exército se acampar contra mim, não temerá meu coração. Se se travar contra mim uma batalha, mesmo assim terei confiança.

4. Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário.

5. Assim, no dia mau ele me esconderá na sua tenda, ocultar-me-á no recôndito de seu tabernáculo, sobre um rochedo me erguerá.

6. Mas desde agora ele levanta a minha cabeça acima dos inimigos que me cercam; e oferecerei no tabernáculo sacrifícios de regozijo, com cantos e louvores ao Senhor.

7. Escutai, Senhor, a voz de minha oração, tende piedade de mim e ouvi-me.

8. Fala-vos meu coração, minha face vos busca; a vossa face, ó Senhor, eu a procuro.

9. Não escondais de mim vosso semblante, não afasteis com ira o vosso servo. Vós sois o meu amparo, não me rejeiteis. Nem me abandoneis, ó Deus, meu Salvador.

10. Se meu pai e minha mãe me abandonarem, o Senhor me acolherá.

11. Ensinai-me, Senhor, vosso caminho; por causa dos adversários, guiai-me pela senda reta.

12. Não me abandoneis à mercê dos inimigos, contra mim se ergueram violentos e falsos testemunhos.

13. Sei que verei os benefícios do Senhor na terra dos vivos!

14. Espera no Senhor e sê forte! Fortifique-se o teu coração e espera no Senhor!

1. De Davi. É para vós, Senhor, que ergo meu clamor. Ó meu apoio, não fiqueis surdo à minha voz; não suceda que, vós não me ouvindo, eu me vá unir aos que desceram para o túmulo.

2. Ouvi a voz de minha súplica quando clamo, quando levanto as mãos para o vosso templo santo.

3. Não me deixeis perecer com os pecadores e com os que praticam a iniqüidade, que dizem ao próximo palavras de paz, mas guardam a maldade no coração.

4. Tratai-os de acordo com as suas ações, e conforme a malícia de seus crimes. Retribuí-lhes segundo a obra de suas mãos; dai-lhes o que merecem,

5. pois não atendem às ações do Senhor nem às obras de suas mãos. Que Ele os abata e não os levante.

6. Bendito seja o Senhor, que ouviu a voz de minha súplica; nele confiou meu coração e fui socorrido.

7. O Senhor é a minha força e o meu escudo! Por isso meu coração exulta e o louvo com meu cântico.

8. O Senhor é a força do seu povo, uma fortaleza de salvação para o que lhe é consagrado.

9. Salvai, Senhor, vosso povo e abençoai a vossa herança; sede seu pastor, levai-o nos braços eternamente.

1. Salmo de Davi. Tributai ao Senhor, ó filhos de Deus, tributai ao Senhor glória e poder!

2. Rendei-lhe a glória devida ao seu nome; adorai o Senhor com ornamentos sagrados.

3. Ouve-se a voz do Senhor sobre as águas! O Deus de grandeza atroou: o Senhor trovejou sobre as águas imensas!

4. A voz do Senhor faz-se ouvir com poder! A voz do Senhor faz-se ouvir com majestade!

5. Fendem-se os cedros à voz do Senhor, quebra o Senhor os cedros do Líbano.

6. Faz saltar o Líbano como um novilho, e o Sarion como um búfalo novo.

7. A voz do Senhor despede relâmpagos,

8. A voz do Senhor abala o deserto. O Senhor faz tremer o deserto de Cades.

9. A voz do Senhor retorce os carvalhos, desnuda as florestas. E em seu templo todos bradam: glória!

10. O Senhor preside ao dilúvio, o Senhor trona como rei para sempre.

11. O Senhor há de dar fortaleza ao seu povo! O Senhor abençoará o seu povo, dando-lhe a paz!

1. Salmo. Cântico para a dedicação da casa de Deus. De Davi. Eu vos exaltarei, Senhor, porque me livrastes, não permitistes que exultassem sobre mim meus inimigos.

2. Senhor, meu Deus, clamei a vós e fui curado.

3. Senhor, minha alma foi tirada por vós da habitação dos mortos; dentre os que descem para o túmulo, vós me salvastes.

4. Ó vós, fiéis do Senhor, cantai sua glória, dai graças ao seu santo nome.

5. Porque a sua indignação dura apenas um momento, enquanto sua benevolência é para toda a vida. Pela tarde, vem o pranto, mas, de manhã, volta a alegria.

6. Eu, porém, disse, seguro de mim: Não serei jamais abalado.

7. Senhor, foi por favor que me destes honra e poder, mas quando escondestes vossa face fiquei aterrado.

8. A vós, Senhor, eu clamo, e imploro a misericórdia de meu Deus.

9. Que proveito vos resultará de retomar-me a vida, de minha descida ao túmulo? Porventura vos louvará o meu pó? Apregoará ele a vossa fidelidade?

10. Ouvi-me, Senhor, e tende piedade de mim; Senhor, vinde em minha ajuda.

11. Vós convertestes o meu pranto em prazer, tirastes minhas vestes de penitência e me cingistes de alegria.

12. Assim, minha alma vos louvará sem calar jamais. Senhor, meu Deus, eu vos bendirei eternamente.

1. Ao mestre de canto. Salmo de Davi. Junto de vós, Senhor, me refugio. Não seja eu confundido para sempre; por vossa justiça, livrai-me!

2. Inclinai para mim vossos ouvidos, apressai-vos em me libertar. Sede para mim uma rocha de refúgio, uma fortaleza bem armada para me salvar.

3. Pois só vós sois minha rocha e fortaleza: haveis de me guiar e dirigir, por amor de vosso nome.

4. Vós me livrareis das ciladas que me armaram, porque sois minha defesa.

5. Em vossas mãos entrego meu espírito; livrai-me, ó Senhor, Deus fiel.

6. Detestais os que adoram ídolos vãos. Eu, porém, confio no Senhor.

7. Exultarei e me alegrarei pela vossa compaixão, porque olhastes para minha miséria e ajudastes minha alma angustiada.

8. Não me entregastes às mãos do inimigo, mas alargastes o caminho sob meus pés.

9. Tende piedade de mim, Senhor, porque vivo atribulado, de tristeza definham meus olhos, minha alma e minhas entranhas.

10. Realmente, minha vida se consome em amargura, e meus anos em gemidos. Minhas forças se esgotaram na aflição, mirraram-se os meus ossos.

11. Tornei-me objeto de opróbrio para todos os inimigos, ludíbrio dos vizinhos e pavor dos conhecidos. Fogem de mim os que me vêem na rua.

12. Fui esquecido dos corações como um morto, fiquei rejeitado como um vaso partido.

13. Sim, eu ouvi o vozerio da multidão; em toda parte, o terror! Conspirando contra mim, tramam como me tirar a vida.

14. Mas eu, Senhor, em vós confio. Digo: Sois vós o meu Deus.

15. Meu destino está nas vossas mãos. Livrai-me do poder de meus inimigos e perseguidores.

16. Mostrai semblante sereno ao vosso servo, salvai-me pela vossa misericórdia.

17. Senhor, não fique eu envergonhado, porque vos invoquei: Confundidos sejam os ímpios e, mudos, lançados na região dos mortos.

18. Fazei calar os lábios mentirosos que falam contra o justo com insolência, desprezo e arrogância.

19. Quão grande é, Senhor, vossa bondade, que reservastes para os que vos temem e com que tratais aos que se refugiam em vós, aos olhos de todos.

20. Sob a proteção de vossa face os defendeis contra as conspirações dos homens. Vós os ocultais em vossa tenda contra as línguas maldizentes.

21. Bendito seja o Senhor, que usou de maravilhosa bondade, abrigando-me em cidade fortificada.

22. Eu, porém, tinha dito no meu temor: Fui rejeitado de vossa presença. Mas ouvistes antes o brado de minhas súplicas, quando clamava a vós.

23. Amai o Senhor todos os seus servos! Ele protege os que lhe são fiéis. Sabe, porém, retribuir, castigando com rigor aos que procedem com soberba.

24. Animai-vos e sede fortes de coração todos vós, que esperais no Senhor.

1. De Davi. Hino. Feliz aquele cuja iniqüidade foi perdoada, cujo pecado foi absolvido.

2. Feliz o homem a quem o Senhor não argúi de falta, e em cujo coração não há dolo.

3. Enquanto me conservei calado, mirraram-se-me os ossos, entre contínuos gemidos.

4. Pois, dia e noite, vossa mão pesava sobre mim; esgotavam-se-me as forças como nos ardores do verão.

5. Então eu vos confessei o meu pecado, e não mais dissimulei a minha culpa. Disse: Sim, vou confessar ao Senhor a minha iniqüidade. E vós perdoastes a pena do meu pecado.

6. Assim também todo fiel recorrerá a vós, no momento da necessidade. Quando transbordarem muitas águas, elas não chegarão até ele.

7. Vós sois meu asilo, das angústias me preservareis e me envolvereis na alegria de minha salvação.

8. Vou te ensinar, dizeis, vou te mostrar o caminho que deves seguir; vou te instruir, fitando em ti os meus olhos:

9. não queiras ser sem inteligência como o cavalo, como o muar, que só ao freio e à rédea submetem seus ímpetos; de outro modo não se chegam a ti.

10. São muitos os sofrimentos do ímpio. Mas quem espera no Senhor, sua misericórdia o envolve.

11. Ó justos, alegrai-vos e regozijai-vos no Senhor. Exultai todos vós, retos de coração.

1. Exultai no Senhor, ó justos, pois aos retos convém o louvor.

2. Celebrai o Senhor com a cítara, entoai-lhe hinos na harpa de dez cordas.

3. Cantai-lhe um cântico novo, acompanhado de instrumentos de música,

4. porque a palavra do Senhor é reta, em todas as suas obras resplandece a fidelidade:

5. ele ama a justiça e o direito, da bondade do Senhor está cheia a terra.

6. Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e pelo sopro de sua boca todo o seu exército.

7. Ele junta as águas do mar como num odre, e em reservatórios encerra as ondas.

8. Tema ao Senhor toda a terra; reverenciem-no todos os habitantes do globo.

9. Porque ele disse e tudo foi feito, ele ordenou e tudo existiu.

10. O Senhor desfaz os planos das nações pagãs, reduz a nada os projetos dos povos.

11. Só os desígnios do Senhor permanecem eternamente e os pensamentos de seu coração por todas as gerações.

12. Feliz a nação que tem o Senhor por seu Deus, e o povo que ele escolheu para sua herança.

13. O Senhor olha dos céus, vê todos os filhos dos homens.

14. Do alto de sua morada observa todos os habitantes da terra,

15. ele que formou o coração de cada um e está atento a cada uma de suas ações.

16. Não vence o rei pelo numeroso exército, nem se livra o guerreiro pela grande força.

17. O cavalo não é penhor de vitória, nem salva pela sua resistência.

18. Eis os olhos do Senhor pousados sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua bondade,

19. a fim de livrar-lhes a alma da morte e nutri-los no tempo da fome.

20. Nossa alma espera no Senhor, porque ele é nosso amparo e nosso escudo.

21. Nele, pois, se alegra o nosso coração, em seu santo nome confiamos.

22. Seja-nos manifestada, Senhor, a vossa misericórdia, como a esperamos de vós.

1. De Davi. Quando simulou alienação na presença de Abimelec e, despedido por ele, partiu. Bendirei continuamente ao Senhor, seu louvor não deixará meus lábios.

2. Glorie-se a minha alma no Senhor; ouçam-me os humildes, e se alegrem.

3. Glorificai comigo ao Senhor, juntos exaltemos o seu nome.

4. Procurei o Senhor e ele me atendeu, livrou-me de todos os temores.

5. Olhai para ele a fim de vos alegrardes, e não se cobrir de vergonha o vosso rosto.

6. Vede, este miserável clamou e o Senhor o ouviu, de todas as angústias o livrou.

7. O anjo do Senhor acampa em redor dos que o temem, e os salva.

8. Provai e vede como o Senhor é bom, feliz o homem que se refugia junto dele.

9. Reverenciai o Senhor, vós, seus fiéis, porque nada falta àqueles que o temem.

10. Os poderosos empobrecem e passam fome, mas aos que buscam o Senhor nada lhes falta.

11. Vinde, meus filhos, ouvi-me: eu vos ensinarei o temor do Senhor.

12. Qual é o homem que ama a vida, e deseja longos dias para gozar de felicidade?

13. Guarda tua língua do mal, e teus lábios das palavras enganosas.

14. Aparta-te do mal e faze o bem, busca a paz e vai ao seu encalço.

15. Os olhos do Senhor estão voltados para os justos, e seus ouvidos atentos aos seus clamores.

16. O Senhor volta a sua face irritada contra os que fazem o mal, para apagar da terra a lembrança deles.

17. Apenas clamaram os justos, o Senhor os atendeu e os livrou de todas as suas angústias.

18. O Senhor está perto dos contritos de coração, e salva os que têm o espírito abatido.

19. São numerosas as tribulações do justo, mas de todas o livra o Senhor.

20. Ele protege cada um de seus ossos, nem um só deles será quebrado.

21. A malícia do ímpio o leva à morte, e os que odeiam o justo serão castigados.

22. O Senhor livra a alma de seus servos; não será punido quem a ele se acolhe.

1. De Davi. Lutai, Senhor, contra os que me atacam; combatei meus adversários.

2. Empunhai o broquel e o escudo, e erguei-vos em meu socorro.

3. Brandi a lança e sustai meus perseguidores. Dizei à minha alma: Eu sou a tua salvação.

4. Sejam confundidos e envergonhados os que odeiam a minha vida, recuem humilhados os que tramam minha desgraça.

5. Sejam como a palha levada pelo vento, quando o anjo do Senhor vier acossá-los.

6. Torne-se tenebroso e escorregadio o seu caminho, quando o anjo do Senhor vier persegui-los,

7. porquanto sem razão me armaram laços; para me perder, cavaram um fosso sem motivo.

8. Venha sobre eles de improviso a ruína; apanhe-os a rede por eles mesmos preparada, caiam eles próprios na cova que abriram.

9. Então a minha alma exultará no Senhor, e se alegrará pelo seu auxílio.

10. Todas as minhas potências dirão: Senhor, quem é semelhante a vós? Vós que livrais o desvalido do opressor, o mísero e o pobre de quem os despoja.

11. Surgiram apaixonadas testemunhas, interrogaram-me sobre faltas que ignoro,

12. pagaram-me o bem com o mal. Oh, desolação para a minha alma!

13. Contudo, quando eles adoeciam, eu me revestia de saco, extenuava-me em jejuns e rezava.

14. Andava triste, como se tivesse perdido um amigo, um irmão; abatido, me vergava como quem chora por sua mãe.

15. Quando tropecei, eles se reuniram para se alegrar; eles me dilaceraram sem parar.

16. Puseram-me à prova, escarneceram de mim, rangeram os dentes contra mim.

17. Senhor, até quando assistireis impassível a este espetáculo? Arrancai desses leões a minha vida, livrai-me a alma de seus rugidos.

18. Vou render-vos graças publicamente, eu vos louvarei na presença da multidão.

19. Não se regozijem de mim meus pérfidos inimigos, nem tramem com os olhos os que me odeiam sem motivo,

20. pois nunca têm palavras de paz: e armam ciladas contra a gente tranqüila da terra,

21. escancaram para mim a boca, dizendo: Ah! Ah! Com os nossos olhos, nós o vimos!

22. Vós também, Senhor, vistes! Não guardeis silêncio. Senhor, não vos aparteis de mim.

23. Acordai e levantai-vos para me defender, ó meu Deus e Senhor meu, em prol de minha causa!

24. Julgai-me, Senhor, segundo vossa justiça. Ó meu Deus, que não se regozijem à minha custa!

25. Não pensem em seus corações: Ah, tivemos sorte! Não digam: Nós o devoramos!

26. Sejam confundidos todos juntos e se envergonhem os que se alegram com meus males, cubram-se de pejo e ignomínia os que se levantam orgulhosamente contra mim.

27. Mas exultem e se alegrem os favoráveis à minha causa e digam sem cessar: Glorificado seja o Senhor, que quis a salvação de seu servo!

28. E a minha língua proclamará vossa justiça, dando-vos perpétuos louvores.

1. Ao mestre de canto. De Davi, servo do Senhor. A iniqüidade fala ao ímpio no seu coração; não existe o temor a Deus ante os seus olhos,

2. porque ele se gloria de que sua culpa não será descoberta nem detestada por ninguém.

3. Suas palavras são más e enganosas; renunciou a proceder sabiamente e a fazer o bem.

4. Em seu leito ele medita o crime, anda pelo mau caminho, não detesta o mal.

5. Senhor, vossa bondade chega até os céus, vossa fidelidade se eleva até as nuvens.

6. Vossa justiça é semelhante às montanhas de Deus, vossos juízos são profundos como o mar. Vós protegeis, Senhor, os homens como os animais.

7. Como é preciosa a vossa bondade, ó Deus! À sombra de vossas asas se refugiam os filhos dos homens.

8. Eles se saciam da abundância de vossa casa, e lhes dais de beber das torrentes de vossas delícias,

9. porque em vós está a fonte da vida, e é na vossa luz que vemos a luz.

10. Continuai a dar vossa bondade aos que vos honram, e a vossa justiça aos retos de coração.

11. Não me calque o pé do orgulhoso, não me faça fugir a mão do pecador.

12. Eis que caíram os fautores da iniqüidade, foram prostrados para não mais se erguer.

1. De Davi. Não te irrites por causa dos que agem mal, nem invejes os que praticam a iniqüidade,

2. pois logo eles serão ceifados como a erva dos campos, e como a erva verde murcharão.

3. Espera no Senhor e faze o bem; habitarás a terra em plena segurança.

4. Põe tuas delícias no Senhor, e os desejos do teu coração ele atenderá.

5. Confia ao Senhor a tua sorte, espera nele, e ele agirá.

6. Como a luz, fará brilhar a tua justiça; e como o sol do meio-dia, o teu direito.

7. Em silêncio, abandona-te ao Senhor, põe tua esperança nele. Não invejes o que prospera em suas empresas, e leva a bom termo seus maus desígnios.

8. Guarda-te da ira, depõe o furor, não te exasperes, que será um mal,

9. porque os maus serão exterminados, mas os que esperam no Senhor possuirão a terra.

10. Mais um pouco e não existirá o ímpio; se olhares o seu lugar, não o acharás.

11. Quanto aos mansos, possuirão a terra, e nela gozarão de imensa paz.

12. O ímpio conspira contra o justo, e para ele range os seus dentes.

13. Mas o Senhor se ri dele, porque vê o destino que o espera.

14. Os maus empunham a espada e retesam o arco, para abater o pobre e miserável e liquidar os que vão no caminho reto.

15. Sua espada, porém, lhes traspassará o coração, e seus arcos serão partidos.

16. O pouco que o justo possui vale mais que a opulência dos ímpios;

17. porque os braços dos ímpios serão quebrados, mas os justos o Senhor sustenta.

18. O Senhor vela pela vida dos íntegros, e a herança deles será eterna.

19. Não serão confundidos no tempo da desgraça e nos dias de fome serão saciados.

20. Porém, os ímpios perecerão e os inimigos do Senhor fenecerão como o verde dos prados; desaparecerão como a fumaça.

21. O ímpio pede emprestado e não paga, enquanto o justo se compadece e dá,

22. porque aqueles que o Senhor abençoa possuirão a terra, mas os que ele amaldiçoa serão destruídos.

23. O Senhor torna firmes os passos do homem e aprova os seus caminhos.

24. Ainda que caia, não ficará prostrado, porque o Senhor o sustenta pela mão.

25. Fui jovem e já sou velho, mas jamais vi o justo abandonado, nem seus filhos a mendigar o pão.

26. Todos os dias empresta misericordiosamente, e abençoada é a sua posteridade.

27. Aparta-te do mal e faze o bem, para que permaneças para sempre,

28. porque o Senhor ama a justiça e não abandona os seus fiéis. Os ímpios serão destruídos, e a raça dos ímpios exterminada.

29. Os justos possuirão a terra, e a habitarão eternamente.

30. A boca do justo fala sabedoria e a sua língua exprime a justiça.

31. Em seu coração está gravada a lei de Deus; não vacilam os seus passos.

32. O ímpio espreita o justo, e procura como fazê-lo perecer.

33. Mas o Senhor não o abandonará em suas mãos e, quando for julgado, não o condenará.

34. Põe tu confiança no Senhor, e segue os seus caminhos. Ele te exaltará e possuirás a terra; a queda dos ímpios verás com alegria.

35. Vi o ímpio cheio de arrogância, a expandir-se com um cedro frondoso.

36. Apenas passei e já não existia; procurei-o por toda a parte e nem traço dele encontrei.

37. Observa o homem de bem, considera o justo, pois há prosperidade para o pacífico.

38. Os pecadores serão exterminados, a geração dos ímpios será extirpada.

39. Vem do Senhor a salvação dos justos, que é seu refúgio no tempo da provocação.

40. O Senhor os ajuda e liberta; arranca-os dos ímpios e os salva, porque se refugiam nele.

1. Salmo de Davi. Para servir de lembrança. Senhor, em vossa cólera não me repreendais, em vosso furor não me castigueis,

2. porque as vossas flechas me atingiram, e desceu sobre mim a vossa mão.

3. Vossa cólera nada poupou em minha carne, por causa de meu pecado nada há de intacto nos meus ossos.

4. Porque minhas culpas se elevaram acima de minha cabeça, como pesado fardo me oprimem em demasia.

5. São fétidas e purulentas as chagas que a minha loucura me causou.

6. Estou abatido, extremamente recurvado, todo o dia ando cheio de tristeza.

7. Inteiramente inflamados os meus rins; não há parte sã em minha carne.

8. Ao extremo enfraquecido e alquebrado, agitado o coração, lanço gritos lancinantes.

9. Senhor, diante de vós estão todos os meus desejos, e meu gemido não vos é oculto.

10. Palpita-me o coração, abandonam-me as forças, e me falta a própria luz dos olhos.

11. Amigos e companheiros fogem de minha chaga, e meus parentes permanecem longe.

12. Os que odeiam a minha vida, armam-me ciladas; os que me procuram perder, ameaçam-me de morte; não cessam de planejar traições.

13. Eu, porém, sou como um surdo: não ouço; sou como um mudo que não abre os lábios.

14. Fiz-me como um homem que não ouve, e que não tem na boca réplicas a dar.

15. Porque é em vós, Senhor, que eu espero; vós me atendereis, Senhor, ó meu Deus.

16. Eis meu desejo: Não se alegrem com minha perda; não se ensoberbeçam contra mim, quando meu pé resvala;

17. pois estou prestes a cair, e minha dor é permanente.

18. Sim, minha culpa eu a confesso, meu pecado me atormenta.

19. Entretanto, são vigorosos e fortes os meus inimigos, e muitos os que me odeiam sem razão.

20. Retribuem-me o mal pelo bem, hostilizam-me porque quero fazer o bem.

21. Não me abandoneis, Senhor. Ó meu Deus, não fiqueis longe de mim.

22. Depressa, vinde em meu auxílio, Senhor, minha salvação!

1. Ao mestre de canto, a Iditum. Salmo de Davi. Disse comigo mesmo: Velarei sobre os meus atos, para não mais pecar com a língua. Porei um freio em meus lábios, enquanto o ímpio estiver diante de mim.

2. Fiquei mudo, mas sem resultado, porque minha dor recrudesceu.

3. Meu coração se abrasava dentro de mim, meu pensamento se acendia como um fogo, então eu me pus a falar:

4. Fazei-me conhecer, Senhor, o meu fim, e o número de meus dias, para que eu veja como sou efêmero.

5. A largura da mão: eis a medida de meus dias, diante de vós minha vida é como um nada; todo homem não é mais que um sopro.

6. De fato, o homem passa como uma sombra, é em vão que ele se agita; amontoa, sem saber quem recolherá.

7. E agora, Senhor, que posso esperar? Minha confiança está em vós.

8. Livrai-me de todas as faltas, não me abandoneis ao riso dos insensatos.

9. Calei-me, já não abro a boca, porque sois vós que operais.

10. Afastai de mim esse flagelo, pois sucumbo ao rigor de vossa mão.

11. Quando punis o homem, fazendo-lhe sentir a sua culpa, consumis, como o faria a traça, o que ele tem de mais caro. Verdadeiramente, apenas um sopro é o homem.

12. Ouvi, Senhor, a minha oração, escutai os meus clamores, não fiqueis insensível às minhas lágrimas. Diante de vós não sou mais que um viajor, um peregrino, como foram os meus pais.

13. Afastai de mim a vossa ira para que eu tome alento, antes que me vá para não mais voltar.

1. Ao mestre de canto. Salmo de Davi. Esperei no Senhor com toda a confiança. Ele se inclinou para mim, ouviu meus brados.

2. Tirou-me de uma fossa mortal, de um charco de lodo; assentou-me os pés numa rocha, firmou os meus passos;

3. pôs-me nos lábios um novo cântico, um hino à glória de nosso Deus. Muitos verão essas coisas e prestarão homenagem a Deus, e confiarão no Senhor.

4. Feliz o homem que pôs sua esperança no Senhor, e não segue os idólatras nem os apóstatas.

5. Senhor, meu Deus, são maravilhosas as vossas inumeráveis obras e ninguém vos assemelha nos desígnios para conosco. Eu quisera anunciá-los e divulgá-los, mas são mais do que se pode contar.

6. Não vos comprazeis em nenhum sacrifício, em nenhuma oferenda, mas me abristes os ouvidos: não desejais holocausto nem vítima de expiação.

7. Então eu disse: Eis que eu venho. No rolo do livro está escrito de mim:

8. fazer vossa vontade, meu Deus, é o que me agrada, porque vossa lei está no íntimo de meu coração.

9. Anunciei a justiça na grande assembléia, não cerrei os meus lábios, Senhor, bem o sabeis.

10. Não escondi vossa justiça no coração, mas proclamei alto vossa fidelidade e vossa salvação. Não ocultei a vossa bondade nem a vossa fidelidade à grande assembléia.

11. E vós, Senhor, não me recuseis vossas misericórdias; protejam-me sempre vossa graça e vossa fidelidade,

12. porque males sem conta me cercaram. Minhas faltas me pesaram, a ponto de não agüentar vê-las; mais numerosas que os cabelos de minha cabeça. Sinto-me desfalecer.

13. Comprazei-vos, Senhor, em me livrar. Depressa, Senhor, vinde em meu auxílio.

14. Sejam confundidos e humilhados os que procuram arrebatar-me a vida. Recuem e corem de vergonha os que se comprazem com meus males.

15. Fiquem atônitos, cheios de confusão, os que me dizem: Bem feito! Bem feito!

16. Ao contrário, exultem e se alegrem em vós todos os que vos procuram; digam sem cessar aqueles que desejam vosso auxílio: Glória ao Senhor.

17. Quanto a mim, sou pobre e desvalido, mas o Senhor vela por mim. Sois meu protetor e libertador: ó meu Deus, não tardeis.

1. Ao mestre de canto. Salmo de Davi. Feliz quem se lembra do necessitado e do pobre, porque no dia da desgraça o Senhor o salvará.

2. O Senhor há de guardá-lo e o conservará vivo, há de torná-lo feliz na terra e não o abandonará à mercê de seus inimigos.

3. O Senhor o assistirá no leito de dores, e na sua doença o reconfortará.

4. Quanto a mim, eu vos digo: Piedade para mim, Senhor; sarai-me, porque pequei contra vós.

5. Meus inimigos falam de mim maldizendo: Quando há de morrer e se extinguir o seu nome?

6. Se alguém me vem visitar, fala hipocritamente. Seu coração recolhe calúnias e, saindo fora, se apressa em divulgá-las.

7. Todos os que me odeiam murmuram contra mim, e só procuram fazer-me mal.

8. Um mal mortal, dizem eles, o atingiu; ei-lo deitado, para não mais se levantar.

9. Até o próprio amigo em que eu confiava, que partilhava do meu pão, levantou contra mim o calcanhar.

10. Ao menos vós, Senhor, tende piedade de mim; erguei-me, para eu lhes dar a paga que merecem.

11. Nisto verei que me sois favorável, se meu inimigo não triunfar de mim.

12. Vós, porém, me conservareis incólume, e na vossa presença me poreis para sempre.

13. Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, de eternidade em eternidade! Assim seja! Assim seja!

Você está lendo Salmos na edição VC, Versão Católica, em Português.
Este lívro compôe o Antigo Testamento, tem 150 capítulos, e 2461 versículos.