Salmos

1. Ao mestre de canto. Hino dos filhos de Coré. Como a corça anseia pelas águas vivas, assim minha alma suspira por vós, ó meu Deus.

2. Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei contemplar a face de Deus?

3. Minhas lágrimas se converteram em alimento dia e noite, enquanto me repetem sem cessar: Teu Deus, onde está?

4. Lembro-me, e esta recordação me parte a alma, como ia entre a turba, e os conduzia à casa de Deus, entre gritos de júbilo e louvor de uma multidão em festa.

5. Por que te deprimes, ó minha alma, e te inquietas dentro de mim? Espera em Deus, porque ainda hei de louvá-lo:

6. ele é minha salvação e meu Deus. Desfalece-me a alma dentro de mim; por isso penso em vós do longínquo país do Jordão, perto do Hermon e do monte Misar.

7. Uma vaga traz outra no fragor das águas revoltas, todos os vagalhões de vossas torrentes passaram sobre mim.

8. Conceda-me o Senhor de dia a sua graça; e de noite eu cantarei, louvarei ao Deus de minha vida.

9. Digo a Deus: Ó meu rochedo, por que me esqueceis? Por que ando eu triste, sob a opressão do inimigo?

10. Sinto quebrarem-se-me os ossos, quando, em seus insultos, meus adversários me repetem todos os dias: Teu Deus, onde está ele?

11. Por que te deprimes, ó minha alma, e te inquietas dentro de mim? Espera em Deus, porque ainda hei de louvá-lo: ele é minha salvação e meu Deus.

1. Fazei-me justiça, ó Deus, e defendei minha causa contra uma nação ímpia. Livrai-me do homem doloso e perverso,

2. pois vós, ó meu Deus, sois a minha fortaleza; por que me repelis? Por que devo andar triste sob a opressão do inimigo?

3. Lançai sobre mim a vossa luz e fidelidade; que elas me guiem, e me conduzam ao vosso monte santo, aos vossos tabernáculos.

4. E me aproximarei do altar de Deus, do Deus de minha alegria e exultação. E vos louvarei com a cítara, ó Senhor, meu Deus!

5. Por que te deprimes, ó minha alma, e te inquietas dentro de mim? Espera em Deus, porque ainda hei de louvá-lo: ele é minha salvação e meu Deus.

1. Ao mestre de canto. Hino dos filhos de Coré. Ó Deus, ouvimos com os nossos próprios ouvidos, nossos pais nos contaram a obra que fizestes em seus dias, nos tempos de antanho.

2. Para implantá-los, expulsastes com as vossas mãos nações pagãs; para lhes dardes lugar, abatestes povos.

3. Com efeito, não foi com sua espada que conquistaram essa terra, nem foi seu braço que os salvou, mas foi vossa mão, foi vosso braço, foi o resplendor de vossa face, porque os amastes.

4. Meu Deus, vós sois o meu rei, vós que destes as vitórias a Jacó.

5. Por vossa graça repelimos os nossos inimigos, em vosso nome esmagamos nossos adversários.

6. Não foi em meu arco que pus minha confiança, nem foi minha espada que me salvou,

7. mas fostes vós que nos livrastes de nossos inimigos e confundistes os que nos odiavam.

8. Era em Deus que em todo o tempo nos gloriávamos, e seu nome sempre celebrávamos.

9. Agora, porém, nos rejeitais e confundis; e já não ides à frente de nossos exércitos.

10. Vós nos fizestes recuar diante do inimigo, e os que nos odiavam pilharam nossos bens.

11. Entregastes-nos como ovelhas para o corte, e nos dispersastes entre os pagãos.

12. Vendestes vosso povo por um preço vil, e pouco lucrastes com esta venda.

13. Fizeste-nos o opróbrio de nossos vizinhos, irrisão e ludíbrio daqueles que nos cercam.

14. Fizestes de nós a sátira das nações pagãs, e os povos nos escarnecem à nossa vista.

15. Continuamente estou envergonhado, a confusão cobre-me a face,

16. por causa dos insultos e ultrajes de um inimigo cheio de rancor.

17. E, apesar de todos esses males que nos sobrevieram, não vos esquecemos, não violamos a vossa aliança.

18. Nosso coração não se desviou de vós, nem nossos passos se apartaram de vossos caminhos,

19. para que nos esmagueis no lugar da aflição e nos envolvais de trevas...

20. Se houvéramos olvidado o nome de nosso Deus e estendido as mãos a um deus estranho,

21. porventura Deus não o teria percebido, ele que conhece os segredos do coração?

22. Mas por vossa causa somos entregues à morte todos os dias e tratados como ovelhas de matadouro.

23. Acordai, Senhor! Por que dormis? Despertai! Não nos rejeiteis continuamente!

24. Por que ocultais a vossa face e esqueceis nossas misérias e opressões?

25. Nossa alma está prostrada até o pó, e colado no solo o nosso corpo.

26. Levantai-vos em nosso socorro e livrai-nos, pela vossa misericórdia.

1. Ao mestre de canto. Segundo a melodia: Os lírios. Hino dos filhos de Coré. Canto nupcial. Transbordam palavras sublimes do meu coração. Ao rei dedico o meu canto. Minha língua é como o estilo de um ágil escriba.

2. Sois belo, o mais belo dos filhos dos homens. Expande-se a graça em vossos lábios, pelo que Deus vos cumulou de bênçãos eternas.

3. Cingi-vos com vossa espada, ó herói; ela é vosso ornamento e esplendor.

4. Erguei-vos vitorioso em defesa da verdade e da justiça. Que vossa mão se assinale por feitos gloriosos.

5. Aguçadas são as vossas flechas; a vós se submetem os povos; os inimigos do rei perdem o ânimo.

6. Vosso trono, ó Deus, é eterno, de eqüidade é vosso cetro real.

7. Amais a justiça e detestais o mal, pelo que o Senhor, vosso Deus, vos ungiu com óleo de alegria, preferindo-vos aos vossos iguais.

8. Exalam vossas vestes perfume de mirra, aloés e incenso; do palácio de marfim os sons das liras vos deleitam.

9. Filhas de reis formam vosso cortejo; posta-se à vossa direita a rainha, ornada de ouro de Ofir.

10. Ouve, filha, vê e presta atenção: esquece o teu povo e a casa de teu pai.

11. De tua beleza se encantará o rei; ele é teu senhor, rende-lhe homenagens.

12. Habitantes de Tiro virão com seus presentes, próceres do povo implorarão teu favor.

13. Toda formosa, entra a filha do rei, com vestes bordadas de ouro.

14. Em roupagens multicores apresenta-se ao rei, após ela vos são apresentadas as virgens, suas companheiras.

15. Levadas entre alegrias e júbilos, ingressam no palácio real.

16. Tomarão os vossos filhos o lugar de vossos pais, vós os estabelecereis príncipes sobre toda a terra.

17. Celebrarei vosso nome através das gerações. E os povos vos louvarão eternamente.

1. Ao mestre de canto. Dos filhos de Coré. Cântico para voz de soprano. Deus é nosso refúgio e nossa força, mostrou-se nosso amparo nas tribulações.

2. Por isso a terra pode tremer, nada tememos; as próprias montanhas podem se afundar nos mares.

3. Ainda que as águas tumultuem e estuem e venham abalar os montes, está conosco o Senhor dos exércitos, nosso protetor é o Deus de Jacó.

4. Os braços de um rio alegram a cidade de Deus, o santuário do Altíssimo.

5. Deus está no seu centro, ela é inabalável; desde o amanhecer, já Deus lhe vem em socorro.

6. Agitaram-se as nações, vacilaram os reinos; apenas ressoou sua voz, tremeu a terra.

7. Está conosco o Senhor dos exércitos, nosso protetor é o Deus de Jacó.

8. Vinde admirar as obras do Senhor, os prodígios que ele fez sobre a terra.

9. Reprimiu as guerras em toda a extensão da terra; partiu os arcos, quebrou as lanças, queimou os escudos.

10. Parai, disse ele, e reconhecei que sou Deus; que domino sobre as nações e sobre toda a terra.

11. Está conosco o Senhor dos exércitos, nosso protetor é o Deus de Jacó.

1. Ao mestre de canto. Salmo dos filhos de Coré. Povos, aplaudi com as mãos, aclamai a Deus com vozes alegres,

2. porque o Senhor é o Altíssimo, o temível, o grande Rei do universo.

3. Ele submeteu a nós as nações, colocou os povos sob nossos pés,

4. escolheu uma terra para nossa herança, a glória de Jacó, seu amado.

5. Subiu Deus por entre aclamações, o Senhor, ao som das trombetas.

6. Cantai à glória de Deus, cantai; cantai à glória de nosso rei, cantai.

7. Porque Deus é o rei do universo; entoai-lhe, pois, um hino!

8. Deus reina sobre as nações, Deus está em seu trono sagrado.

9. Reuniram-se os príncipes dos povos ao povo do Deus de Abraão, pois a Deus pertencem os grandes da terra, a ele, o soberanamente grande.

1. Cântico. Salmo dos filhos de Coré. Grande é o Senhor e digno de todo louvor, na cidade de nosso Deus. O seu monte santo,

2. colina magnífica, é uma alegria para toda a terra. O lado norte do monte Sião é a cidade do grande rei.

3. Deus se mostrou em seus palácios um baluarte seguro.

4. Eis que se unem os reis para atacar juntamente.

5. Apenas a vêem, atônitos de medo e estupor, fogem.

6. Aí o terror se apodera deles, uma angústia como a de mulher em parto,

7. ou como quando o vento do oriente despedaça as naus de Társis.

8. Como nos contaram, assim o vimos na cidade do Senhor dos exércitos, na cidade de nosso Deus; Deus a sustenta eternamente!

9. Ó Deus, relembremos a vossa misericórdia no interior de vosso templo.

10. Como o vosso nome, ó Deus, assim vosso louvor chega até os confins do mundo. Vossa mão direita está cheia de justiça.

11. Que o monte Sião se alegre. Que as cidades de Judá exultem, à vista de vossos juízos!

12. Relanceai o olhar sobre Sião, dai-lhe a volta, contai suas torres,

13. considerai suas fortificações, examinai seus palácios, para narrardes às gerações futuras:

14. como Deus é grande, nosso Deus dos séculos eternos; é ele o nosso guia.

1. Ao mestre de canto. Salmo dos filhos de Coré. Escutai, povos todos; atendei, todos vós que habitais a terra,

2. humildes e poderosos, tanto ricos como pobres.

3. Dirão os meus lábios palavras de sabedoria, e o meu coração meditará pensamentos profundos.

4. Ouvirei, atento, as sentenças inspiradas por Deus; depois, ao som da lira, explicarei meu oráculo.

5. Por que ter medo nos dias de infortúnio, quando me cerca a malícia dos meus inimigos?

6. Eles confiam em seus bens, e se vangloriam das grandes riquezas.

7. Mas nenhum homem a si mesmo pode salvar-se, nem pagar a Deus o seu resgate.

8. Caríssimo é o preço da sua alma, jamais conseguirá

9. prolongar indefinidamente a vida e escapar da morte,

10. porque ele verá morrer o sábio, assim como o néscio e o insensato, deixando a outrem os seus bens.

11. O túmulo será sua eterna morada, sua perpétua habitação, ainda que tenha dado a regiões inteiras o seu nome,

12. pois não permanecerá o homem que vive na opulência: ele é semelhante ao gado que se abate.

13. Este é o destino dos que estultamente em si confiam, tal é o fim dos que só vivem em delícias.

14. Como um rebanho serão postos no lugar dos mortos; a morte é seu pastor e os justos dominarão sobre eles. Depressa desaparecerão suas figuras, a região dos mortos será sua morada.

15. Deus, porém, livrará minha alma da habitação dos mortos, tomando-me consigo.

16. Não temas quando alguém se torna rico, quando aumenta o luxo de sua casa.

17. Em morrendo, nada levará consigo, nem sua fortuna descerá com ele aos infernos.

18. Ainda que em vida a si se felicitasse: Hão de te aplaudir pelos bens que granjeaste.

19. Ele irá para a companhia de seus pais, que nunca mais verão a luz.

20. O homem que vive na opulência e não reflete é semelhante ao gado que se abate.

1. Salmo de Asaf. Falou o Senhor Deus e convocou toda a terra, desde o levante até o poente.

2. Do alto de Sião, ideal de beleza, Deus refulgiu:

3. nosso Deus vem vindo e não se calará. Um fogo abrasador o precede; ao seu redor, furiosa tempestade.

4. Do alto ele convoca os céus e a terra para julgar seu povo:

5. Reuni os meus fiéis, que selaram comigo aliança pelo sacrifício.

6. E os céus proclamam sua justiça, porque é o próprio Deus quem vai julgar.

7. Escutai, ó meu povo, que eu vou falar: Israel, vou testemunhar contra ti. Deus, o teu Deus, sou eu.

8. Não te repreendo pelos teus sacrifícios, pois teus holocaustos estão sempre diante de mim.

9. Não preciso do novilho do teu estábulo, nem dos cabritos de teus apriscos,

10. pois minhas são todas as feras das matas; há milhares de animais nos meus montes.

11. Conheço todos os pássaros do céu, e tudo o que se move nos campos.

12. Se tivesse fome, não precisava dizer-te, porque minha é a terra e tudo o que ela contém.

13. Porventura preciso comer carne de touros, ou beber sangue de cabrito?...

14. Oferece, antes, a Deus um sacrifício de louvor e cumpre teus votos para com o Altíssimo.

15. Invoca-me nos dias de tribulação, e eu te livrarei e me darás glória.

16. Ao pecador, porém, Deus diz: Por que recitas os meus mandamentos, e tens na boca as palavras da minha aliança?

17. Tu que aborreces meus ensinamentos e rejeitas minhas palavras?

18. Se vês um ladrão, te ajuntas a ele, e com adúlteros te associas.

19. Dás plena licença à tua boca para o mal e tua língua trama fraudes.

20. Tu te assentas para falar contra teu irmão, cobres de calúnias o filho de tua própria mãe.

21. Eis o que fazes, e eu hei de me calar? Pensas que eu sou igual a ti? Não, mas vou te repreender e te lançar em rosto os teus pecados.

22. Compreendei bem isto, vós que vos esqueceis de Deus: não suceda que eu vos arrebate e não haja quem vos salve.

23. Honra-me quem oferece um sacrifício de louvor; ao que procede retamente, a este eu mostrarei a salvação de Deus.

1. Ao mestre de canto. Salmo de Davi, quando o profeta Natã foi encontrá-lo, após o pecado com Betsabé. Tende piedade de mim, Senhor, segundo a vossa bondade. E conforme a imensidade de vossa misericórdia, apagai a minha iniqüidade.

2. Lavai-me totalmente de minha falta, e purificai-me de meu pecado.

3. Eu reconheço a minha iniqüidade, diante de mim está sempre o meu pecado.

4. Só contra vós pequei, o que é mau fiz diante de vós. Vossa sentença assim se manifesta justa, e reto o vosso julgamento.

5. Eis que nasci na culpa, minha mãe concebeu-me no pecado.

6. Não obstante, amais a sinceridade de coração. Infundi-me, pois, a sabedoria no mais íntimo de mim.

7. Aspergi-me com um ramo de hissope e ficarei puro. Lavai-me e me tornarei mais branco do que a neve.

8. Fazei-me ouvir uma palavra de gozo e de alegria, para que exultem os ossos que triturastes.

9. Dos meus pecados desviai os olhos, e minhas culpas todas apagai.

10. Ó meu Deus, criai em mim um coração puro, e renovai-me o espírito de firmeza.

11. De vossa face não me rejeiteis, e nem me priveis de vosso santo Espírito.

12. Restituí-me a alegria da salvação, e sustentai-me com uma vontade generosa.

13. Então aos maus ensinarei vossos caminhos, e voltarão a vós os pecadores.

14. Deus, ó Deus, meu salvador, livrai-me da pena desse sangue derramado, e a vossa misericórdia a minha língua exaltará.

15. Senhor, abri meus lábios, a fim de que minha boca anuncie vossos louvores.

16. Vós não vos aplacais com sacrifícios rituais; e se eu vos ofertasse um sacrifício, não o aceitaríeis.

17. Meu sacrifício, ó Senhor, é um espírito contrito, um coração arrependido e humilhado, ó Deus, que não haveis de desprezar.

18. Senhor, pela vossa bondade, tratai Sião com benevolência, reconstruí os muros de Jerusalém.

19. Então aceitareis os sacrifícios prescritos, as oferendas e os holocaustos; e sobre vosso altar vítimas vos serão oferecidas.

1. Ao mestre de canto. Hino de Davi. Quando Doeg, o idumeu, veio dizer a Saul: Davi entrou na casa de Aquimelec. Por que te glorias de tua malícia, ó infame prepotente?

2. Continuamente maquinas a perdição; tua língua é afiada navalha, tecedora de enganos.

3. Tu preferes o mal ao bem, a mentira à lealdade.

4. Só gostas de palavras perniciosas, ó língua pérfida!

5. Por isso Deus te destruirá, há de te excluir para sempre; ele te expulsará de tua tenda, e te extirpará da terra dos vivos.

6. Vendo isto, tomados de medo, os justos zombarão de ti, dizendo:

7. Eis o homem que não tomou a Deus por protetor, mas esperou na multidão de suas riquezas e se prevaleceu de seus próprios crimes.

8. Eu sou, porém, como a virente oliveira na casa de Deus: confio na misericórdia de Deus para sempre.

9. Louvar-vos-ei eternamente pelo que fizestes e cantarei vosso nome, na presença de vossos fiéis, porque é bom.

1. Ao mestre de canto. Em melodia triste. Hino de Davi. Diz o insensato em seu coração: Não há Deus. Corromperam-se os homens, seu proceder é abominável, não há um só que pratique o bem.

2. O Senhor, do alto do céu, observa os filhos dos homens para ver se, acaso, existe alguém sensato que busque a Deus.

3. Todos eles, porém, se extraviaram e se perverteram; não há mais ninguém que faça o bem, nem um, nem mesmo um só.

4. Não se emendarão esses obreiros do mal? Eles que devoram meu povo como quem come pão, não invocarão o Senhor?

5. Foram tomados de terror, não havendo nada para temer. Porque Deus dispersou os ossos dos que te assediam; foram confundidos porque Deus os rejeitou.

6. Ah, que venha de Sião a salvação de Israel! Quando Deus tiver mudado a sorte de seu povo, Jacó exultará e Israel se alegrará.

1. Ao mestre de canto. Com instrumentos de corda. Hino de Davi, quando os zifeus vieram dizer a Saul: Davi encontra-se escondido entre nós. Pela honra de vosso nome, salvai-me, meu Deus! Por vosso poder, fazei-me justiça.

2. Ó meu Deus, escutai minha oração, atendei às minhas palavras,

3. pois homens soberbos insurgiram-se contra mim; homens violentos odeiam a minha vida: não têm Deus em sua presença.

4. Mas eis que Deus vem em meu auxílio, o Senhor sustenta a minha vida.

5. Fazei recair o mal em meus adversários e, segundo vossa fidelidade, destruí-os.

6. De bom grado oferecer-vos-ei um sacrifício, cantarei a glória de vosso nome, Senhor, porque é bom,

7. pois me livrou de todas as tribulações, e pude ver meus inimigos derrotados.

1. Ao mestre de canto. Com instrumentos de corda. Hino de Davi. Prestai ouvidos, ó Deus, à minha oração, não vos furteis à minha súplica;

2. Escutai-me e atendei-me. Na minha angústia agito-me num vaivém, perturbo-me

3. à voz do inimigo, sob os gritos do pecador. Eles lançam o mal contra mim, e me perseguem com furor.

4. Palpita-me no peito o coração, invade-me um pavor de morte.

5. Apoderam-se de mim o terror e o medo, e o pavor me assalta.

6. Digo-me, então: tivesse eu asas como a pomba, voaria para um lugar de repouso;

7. ir-me-ia bem longe morar no deserto.

8. Apressar-me-ia em buscar um abrigo contra o vendaval e a tempestade.

9. Destruí-os, Senhor, confundi-lhes as línguas, porque só vejo violência e discórdia na cidade.

10. Dia e noite percorrem suas muralhas, no seu interior só há injustiça e opressão.

11. Grassa a astúcia no seu meio, a iniqüidade e a fraude não deixam suas praças.

12. Se o ultraje viesse de um inimigo, eu o teria suportado; se a agressão partisse de quem me odeia, dele me esconderia.

13. Mas eras tu, meu companheiro, meu íntimo amigo,

14. com quem me entretinha em doces colóquios; com quem, por entre a multidão, íamos à casa de Deus.

15. Que a morte os colha de improviso, que eles desçam vivos à mansão dos mortos. Porque entre eles, em suas moradas, só há perversidade.

16. Eu, porém, bradarei a Deus, e o Senhor me livrará.

17. Pela tarde, de manhã e ao meio-dia lamentarei e gemerei; e ele ouvirá minha voz.

18. Dar-me-á a paz, livrando minha alma dos que me acossam, pois numerosos são meus inimigos.

19. O Senhor me ouvirá e os humilhará, ele que reina eternamente, porque não se emendem nem temem a Deus.

20. Cada um deles levanta a mão contra seus amigos. Todos violam suas alianças.

21. De semblante mais brando do que o creme, trazem, contudo, no coração a hostilidade; suas palavras são mais untuosas do que o óleo, porém, na verdade, espadas afiadas.

22. Depõe no Senhor os teus cuidados, porque ele será teu sustentáculo; não permitirá jamais que vacile o justo.

23. E vós, ó meu Deus, vós os precipitareis no fundo do abismo da morte. Os homens sanguinários e ardilosos não alcançarão a metade de seus dias! Quanto a mim, é em vós, Senhor, que ponho minha esperança.

1. Ao mestre de canto. Conforme: Muda pomba de longínquas terras. Cântico de Davi, quando vai para junto dos filisteus, em Get. Tende piedade de mim, ó Deus, porque aos pés me pisam os homens; sem cessar eles me oprimem combatendo.

2. Meus inimigos continuamente me espezinham, são numerosos os que me fazem guerra.

3. Ó Altíssimo, quando o terror me assalta, é em vós que eu ponho a minha confiança.

4. É em Deus, cuja promessa eu proclamo, sim, é em Deus que eu ponho minha esperança; nada temo: que mal me pode fazer um ser de carne?

5. O dia inteiro eles me difamam, seus pensamentos todos são para o meu mal;

6. Reúnem-se, armam ciladas, observam meus passos, e odeiam a minha vida.

7. Tratai-os segundo a sua iniqüidade. Ó meu Deus, em vossa cólera, prostrai esses povos.

8. Vós conheceis os caminhos do meu exílio, vós recolhestes minhas lágrimas em vosso odre; não está tudo escrito em vosso livro?

9. Sempre que vos invocar, meus inimigos recuarão: bem sei que Deus está por mim.

10. É em Deus, cuja promessa eu proclamo,

11. é em Deus que eu ponho minha esperança; nada temo: que mal me pode fazer um ser de carne?

12. Os votos que fiz, ó Deus, devo cumpri-los; oferecer-vos-ei um sacrifício de louvor,

13. porque da morte livrastes a minha vida, e da queda preservastes os meus pés, para que eu ande na presença de Deus, na luz dos vivos.

1. Ao mestre de canto. Não destruas. Cântico de Davi, quando fugiu para a caverna, perseguido por Saul. Tende piedade de mim, ó Deus, tende piedade de mim, porque a minha alma em vós procura o seu refúgio. Abrigo-me à sombra de vossas asas, até que a tormenta passe.

2. Clamo ao Deus Altíssimo, ao Deus que me cumula de benefícios.

3. Mande ele do céu auxílio que me salve, cubra de confusão meus perseguidores; envie-me Deus a sua graça e fidelidade.

4. Estou no meio de leões, que devoram os homens com avidez. Seus dentes são como lanças e flechas, suas línguas como espadas afiadas.

5. Elevai-vos, ó Deus, no mais alto dos céus, e sobre toda a terra brilhe a vossa glória.

6. Ante meus pés armaram rede; fizeram-me perder a coragem. Cavaram uma fossa diante de mim; caiam nela eles mesmos.

7. Meu coração está firme, ó Deus, meu coração está firme; vou cantar e salmodiar.

8. Desperta-te, ó minha alma; despertai, harpa e cítara! Quero acordar a aurora.

9. Entre os povos, Senhor, vos louvarei; salmodiarei a vós entre as nações,

10. porque aos céus se eleva a vossa misericórdia, e até as nuvens a vossa fidelidade.

11. Elevai-vos, ó Deus, nas alturas dos céus, e brilhe a vossa glória sobre a terra inteira.

1. Ao mestre de canto. Não destruas. Cântico de Davi. Será que realmente fazeis justiça, ó poderosos do mundo? Será que julgais pelo direito, ó filhos dos homens?

2. Não, pois em vossos corações cometeis iniqüidades, e vossas mãos distribuem injustiças sobre a terra.

3. Desde o seio materno se extraviaram os ímpios, desde o seu nascimento se desgarraram os mentirosos.

4. Semelhante ao das serpentes é o seu veneno, ao veneno da víbora surda que fecha os ouvidos

5. para não ouvir a voz dos fascinadores, do mágico que enfeitiça habilmente.

6. Ó Deus, quebrai-lhes os dentes na própria boca; parti as presas dos leões, ó Senhor.

7. Que eles se dissipem como as águas que correm, e fiquem suas flechas despontadas.

8. Passem como o caracol que deslizando se consome, sejam como o feto abortivo que não verá o sol.

9. Antes que os espinhos cheguem a aquecer vossas panelas, que o turbilhão os arrebate enquanto estão ainda verdes.

10. O justo terá a alegria de ver o castigo dos ímpios, e lavará os pés no sangue deles.

11. E os homens dirão: Sim, há recompensa para o justo; sim, há um Deus para julgar a terra.

1. Para o mestre de canto. Não destruas. Cântico de Davi, quando Saul mandou cercar-lhe a casa para o matar. Livrai-me, ó meu Deus, dos meus inimigos, defendei-me dos meus adversários.

2. Livrai-me dos que praticam o mal, salvai-me dos homens sanguinários.

3. Vede: armam ciladas para me tirar a vida, homens poderosos conspiram contra mim.

4. Senhor, não há em mim crime nem pecado. Sem que eu tenha culpa, eles acorrem e atacam. Despertai-vos, vinde para mim e vede,

5. porque vós, Senhor dos exércitos, sois o Deus de Israel. Erguei-vos para castigar esses pagãos, não tenhais misericórdia desses pérfidos.

6. Eles voltam todas as noites, latindo como cães, e percorrem a cidade toda.

7. Eis que se jactam à boca cheia, tendo nos lábios só injúrias, e dizem: Pois quem é que nos ouve?

8. Mas vós, Senhor, vos rides deles, zombais de todos os pagãos.

9. Ó vós que sois a minha força, é para vós que eu me volto. Porque vós, ó Deus, sois a minha defesa.

10. Ó meu Deus, vós sois todo bondade para mim. Venha Deus em meu auxílio, faça-me deleitar pela perda de meus inimigos.

11. Destruí-os, ó meu Deus, para que não percam o meu povo; conturbai-os, abatei-os com vosso poder, ó Deus, nosso escudo.

12. Cada palavra de seus lábios é um pecado. Que eles, surpreendidos em sua arrogância, sejam as vítimas de suas próprias calúnias e maldições.

13. Destruí-os em vossa cólera, destruí-os para que não subsistam, para que se saiba que Deus reina em Jacó e até os confins da terra.

14. Todas as noites eles voltam, latindo como cães, rondando pela cidade toda.

15. Vagueiam em busca de alimento; não se fartando, eles se põem a uivar.

16. Eu, porém, cantarei vosso poder, e desde o amanhecer celebrarei vossa bondade. Porque vós sois o meu amparo, um refúgio no dia da tribulação.

17. Ó vós, que sois a minha força, a vós, meu Deus, cantarei salmos porque sois minha defesa. Ó meu Deus, vós sois todo bondade para mim.

1. Ao mestre de canto. Conforme: A lei é como o lírio. Poema didático de Davi, quando guerreou contra os sírios da Mesopotâmia e os sírios de Soba e quando Joab, voltando, derrotou doze mil edomitas no vale do Sal. Ó Deus, vós nos rejeitastes, rompestes nossas fileiras, estais irado; restabelecei-nos.

2. Fizestes nossa terra tremer e a fendestes; reparai suas brechas, pois ela vacila.

3. Impusestes duras provas ao vosso povo, fizestes-nos sorver um vinho atordoante.

4. Mas aos que vos temem destes um estandarte, a fim de que das flechas escapassem.

5. Para que vossos amigos fiquem livres, ajudai-nos com vossa destra, ouvi-nos.

6. Deus falou no seu santuário: Triunfarei, repartindo Siquém; medirei com o cordel o vale de Sucot.

7. Minha é a terra de Galaad, minha a de Manassés; Efraim é o elmo de minha cabeça; Judá, o meu cetro;

8. Moab é a bacia em que me lavo. Sobre Edom atirarei minhas sandálias, cantarei vitória sobre a Filistéia.

9. Quem me conduzirá à cidade fortificada? Quem me levará até Edom?

10. Quem, senão vós, ó Deus, que nos repelistes e já não saís à frente de nossas forças?

11. Dai-nos auxílio contra o inimigo, porque é vão qualquer socorro humano.

12. Com o auxílio de Deus faremos proezas, ele abaterá nossos inimigos.

1. Ao mestre de canto. Com instrumentos de corda. De Davi. Ouvi, ó Deus, o meu clamor, atendei à minha oração.

2. Dos confins da terra clamo a vós, quando me desfalece o coração.

3. Haveis de me elevar sobre um rochedo e me dar descanso, porque vós sois o meu refúgio, uma torre forte contra o inimigo.

4. Habite eu sempre em vosso tabernáculo, e me abrigue à sombra de vossas asas!

5. Pois vós, ó meu Deus, ouvistes os meus votos, destes-me a recompensa dos que temem vosso nome.

6. Acrescentai dias aos dias do rei, que seus anos atinjam muitas gerações.

7. Reine ele na presença de Deus eternamente, dai-lhe por salvaguarda vossa graça e fidelidade.

8. Assim, cantarei sempre o vosso nome e cumprirei todos os dias os meus votos.

1. Ao mestre de canto. Segundo Iditum. Salmo de Davi. Só em Deus repousa minha alma, só dele me vem a salvação.

2. Só ele é meu rochedo, minha salvação; minha fortaleza: jamais vacilarei.

3. Até quando, juntos, atacareis o próximo para derribá-lo como a uma parede já inclinada, como a um muro que se fendeu?

4. Sim, de meu excelso lugar pretendem derrubar-me; eles se comprazem na mentira. Enquanto me bendizem com os lábios, amaldiçoam-me no coração.

5. Só em Deus repousa a minha alma, é dele que me vem o que eu espero.

6. Só ele é meu rochedo e minha salvação; minha fortaleza: jamais vacilarei.

7. Só em Deus encontrarei glória e salvação. Ele é meu rochedo protetor, meu refúgio está nele.

8. Ó povo, confia nele de uma vez por todas; expandi, em sua presença, os vossos corações. Nosso refúgio está em Deus.

9. Os homens não passam de um sopro, e de uma mentira os filhos dos homens. Eles sobem na concha da balança, pois todos juntos são mais leves que o vento.

10. Não confieis na violência, nem espereis vãmente no roubo; crescendo vossas riquezas, não prendais nelas os vossos corações.

11. Numa só palavra de Deus compreendi duas coisas: a Deus pertence o poder,

12. ao Senhor pertence a bondade. Pois vós dais a cada um segundo suas obras.

1. Salmo de Davi, quando se achava no deserto de Judá. Ó Deus, vós sois o meu Deus, com ardor vos procuro. Minha alma está sedenta de vós, e minha carne por vós anela como a terra árida e sequiosa, sem água.

2. Quero vos contemplar no santuário, para ver vosso poder e vossa glória.

3. Porque vossa graça me é mais preciosa do que a vida, meus lábios entoarão vossos louvores.

4. Assim vos bendirei em toda a minha vida, com minhas mãos erguidas vosso nome adorarei.

5. Minha alma saciada como de fino manjar, com exultante alegria meus lábios vos louvarão.

6. Quando, no leito, me vem vossa lembrança, passo a noite toda pensando em vós.

7. Porque vós sois o meu apoio, exulto de alegria, à sombra de vossas asas.

8. Minha alma está unida a vós, sustenta-me a vossa destra.

9. Quanto aos que me procuram perder, cairão nas profundezas dos abismos,

10. serão passados a fio de espada, e se tornarão pasto dos chacais.

11. O rei, porém, se alegrará em Deus. Será glorificado todo o que jurar pelo seu nome, enquanto aos mendazes lhes será tapada a boca.

1. Ao mestre de canto. Salmo de Davi. Ouvi, Senhor, minha lastimosa voz. Do terror do inimigo protegei a minha vida,

2. preservai-me da conspiração dos maus, livrai-me da multidão dos malfeitores.

3. Eles aguçam suas línguas como espadas, desferem como flechas palavras envenenadas,

4. para atirarem, do esconderijo, sobre o inocente, a fim de feri-lo de improviso, não temendo nada.

5. Obstinam-se em seus maus desígnios, concertam, às ocultas, como armar seus laços, dizendo: Quem é que nos verá?

6. Planejam crimes e ocultam os seus planos; insondáveis são o espírito e o coração de cada um deles.

7. Mas Deus os atinge com as suas setas, eles são feridos de improviso.

8. Sua própria língua lhes preparou a ruína. Meneiam a cabeça os que os vêem.

9. Tomados de temor, proclamam ser obra de Deus, e reconhecem o que ele fez.

10. Alegra-se o justo no Senhor e nele confia. E triunfam todos os retos de coração.

1. Ao mestre de canto. Salmo de Davi. Cântico. A vós, ó Deus, convém o louvor em Sião, é a vós que todos vêm cumprir os seus votos,

2. vós que atendeis as preces. Todo homem acorre a vós,

3. por causa de seus pecados. Oprime-nos o peso de nossas faltas: vós no-las perdoais.

4. Feliz aquele que vós escolheis, e chamais para habitar em vossos átrios. Possamos nós ser saciados dos bens de vossa casa, da santidade de vosso templo.

5. Vós nos atendeis com os estupendos prodígios de vossa justiça, ó Deus, nosso salvador. Vós sois a esperança dos confins da terra, e dos mais longínquos mares.

6. Vós que, com a vossa força, sustentais montanhas, cingido de vosso poder.

7. Vós que aplacais os vagalhões do mar, o bramir de suas vagas e o tumultuar das nações pagãs.

8. À vista de vossos prodígios, temem-vos os habitantes dos confins da terra; saciais de alegria os extremos do oriente e do ocidente.

9. Visitastes a terra e a regastes, cumulando-a de fertilidade. De água encheu-se a divina fonte e fizestes germinar o trigo. Assim, pois, fertilizastes a terra:

10. irrigastes os seus sulcos, nivelastes e as sua glebas; amolecendo-as com as chuvas, abençoastes a sua sementeira.

11. Coroaste o ano com os vossos benefícios; onde passastes ficou a fartura.

12. Umedecidas as pastagens do deserto, revestem-se de alegria as colinas.

13. Os prados são cobertos de rebanhos, e os vales se enchem de trigais. Só há júbilo e cantos de alegria.

1. Ao mestre de canto. Cântico. Salmo. Aclamai a Deus, toda a terra,

2. Cantai a glória de seu nome, rendei-lhe glorioso louvor.

3. Dizei a Deus: Vossas obras são estupendas! Tal é o vosso poder que os próprios inimigos vos glorificam.

4. Diante de vós se prosterne toda a terra, e cante em vossa honra a glória de vosso nome.

5. Vinde contemplar as obras de Deus: ele fez maravilhas entre os filhos dos homens.

6. Mudou o mar em terra firme; atravessaram o rio a pé enxuto; eis o motivo de nossa alegria.

7. Domina pelo seu poder para sempre, seus olhos observam as nações pagãs; que os rebeldes não levantem a cabeça.

8. Bendizei, ó povos, ao nosso Deus, publicai seus louvores.

9. Foi ele quem conservou a vida de nossa alma, e não permitiu resvalassem nossos pés.

10. Pois vós nos provastes, ó Deus, acrisolastes-nos como se faz com a prata.

11. Deixastes-nos cair no laço, carga pesada pusestes em nossas costas.

12. Submetestes-nos ao jugo dos homens, passamos pelo fogo e pela água; mas, por fim, nos destes alívio.

13. É, pois, com holocaustos que entrarei em vossa casa, pagarei os votos que fiz para convosco,

14. votos proferidos pelos meus lábios, quando me encontrava na tribulação.

15. Oferecerei em holocausto as mais belas ovelhas, com os mais gordos carneiros; imolarei touros e cabritos.

16. Vinde, ouvi vós todos que temeis ao Senhor. Eu vos narrarei quão grandes coisas Deus fez à minha alma.

17. Meus lábios o invocaram, com minha língua o louvei.

18. Se eu intentasse no coração o mal, não me teria ouvido o Senhor.

19. Mas Deus me ouviu; atendeu a voz da minha súplica.

20. Bendito seja Deus que não rejeitou a minha oração, nem retirou de mim a sua misericórdia.

1. Ao mestre de canto. Com instrumentos de corda. Salmo. Cântico. Tenha Deus piedade de nós e nos abençoe, faça resplandecer sobre nós a luz da sua face,

2. para que se conheçam na terra os seus caminhos e em todas as nações a sua salvação.

3. Que os povos vos louvem, ó Deus, que todos os povos vos glorifiquem.

4. Alegrem-se e exultem as nações, porquanto com eqüidade regeis os povos e dirigis as nações sobre a terra.

5. Que os povos vos louvem, ó Deus, que todos os povos vos glorifiquem.

6. A terra deu o seu fruto, abençoou-nos o Senhor, nosso Deus.

7. Sim, que Deus nos abençoe, e que o reverenciem até os confins da terra.

1. Ao mestre de canto. Salmo de Davi. Cântico. Levanta-se Deus; eis que se dispersam seus inimigos, e fogem diante dele os que o odeiam.

2. Eles se dissipam como a fumaça, como a cera que se derrete ao fogo. Assim perecem os maus diante de Deus.

3. Os justos, porém, exultam e se rejubilam em sua presença, e transbordam de alegria.

4. Cantai à glória de Deus, cantai um cântico ao seu nome, abri caminho para o que em seu carro avança pelo deserto. Senhor é o seu nome, exultai em sua presença.

5. É o pai dos órfãos e o protetor das viúvas, esse Deus que habita num templo santo.

6. Aos abandonados Deus preparou uma casa, conduz os cativos à liberdade e ao bem-estar; só os rebeldes ficam num deserto ardente.

7. Ó Deus, quando saíeis à frente de vosso povo, quando avançáveis pelo deserto,

8. a terra tremia, os próprios céus rorejavam diante de vós, o monte Sinai estremecia na presença do Deus de Israel.

9. Sobre vossa herança fizestes cair generosa chuva, e restaurastes suas forças fatigadas.

10. Vosso rebanho fixou habitação numa terra que vossa bondade, ó Deus, lhe havia preparado.

11. Apenas o Senhor profere uma palavra, tornam-se numerosas as mulheres que anunciam a boa nova:

12. Fogem, fogem os reis dos exércitos; os habitantes partilham os despojos.

13. Enquanto entre os rebanhos repousáveis, as asas da pomba refulgiam como prata, e de ouro era o brilho de suas penas.

14. Quando o Todo-poderoso dispersava os reis, caía a neve sobre o Salmon.

15. Os montes de Basã são elevados, alcantilados são os montes de Basã.

16. Montes escarpados, por que invejais a montanha que Deus escolheu para morar, para nela estabelecer uma habitação eterna?

17. São milhares e milhares os carros de Deus: do Sinai vem o Senhor ao seu santuário.

18. Subindo nas alturas levastes os cativos; recebestes homens como tributos, aqueles que recusaram habitar com o Senhor Deus.

19. Bendito seja o Senhor todos os dias; Deus, nossa salvação, leva nossos fardos:

20. nosso Deus é um Deus que salva, da morte nos livra o Senhor Deus.

21. Sim, Deus parte a cabeça de seus inimigos, o crânio hirsuto do que persiste em seus pecados.

22. Dissera o Senhor: Ainda que seja de Basã, eu os farei voltar, eu os trarei presos das profundezas do mar,

23. para que banhes no sangue os teus pés, e a língua de teus cães receba dos inimigos seu quinhão.

24. Contemplam a vossa chegada, ó Deus, a entrada do meu Deus, do meu rei, no santuário;

25. Vêm na frente os cantores, atrás os tocadores de cítara; no meio, as jovens tocando tamborins.

26. Bendizei a Deus nas vossas assembléias, bendizei ao Senhor, filhos de Israel!

27. Eis Benjamim, o mais jovem, que vai na frente; depois os príncipes de Judá, com seus esquadrões; os príncipes de Zabulon, os príncipes de Neftali.

28. Mostrai, ó Deus, o vosso poder, esse poder com que atuastes em nosso favor.

29. Pelo vosso templo em Jerusalém, ofereçam-vos presentes os reis!

30. Reprimi a fera dos canaviais, a manada dos touros com os novilhos das nações pagãs. Que eles se prosternem com barras de prata. Dispersai as nações que se comprazem na guerra.

31. Aproximem-se os grandes do Egito, estenda a Etiópia suas mãos para Deus.

32. Reinos da terra, cantai à glória de Deus, cantai um cântico ao Senhor,

33. que é levado pelos céus, pelos céus eternos; eis que ele fala, sua voz é potente:

34. Reconhecei o poder de Deus! Sua majestade se estende sobre Israel, sua potência aparece nas nuvens.

35. De seu santuário, temível é o Deus de Israel; é ele que dá ao seu povo a força e o poder. Bendito seja Deus!

1. Ao mestre de canto. Segundo a melodia: Os lírios. Salvai-me, ó Deus, porque as águas me vão submergir.

2. Estou imerso num abismo de lodo, no qual não há onde firmar o pé. Vim a dar em águas profundas, encobrem-me as ondas.

3. Já cansado de tanto gritar, enrouqueceu-me a garganta. Finaram-se-me os olhos, enquanto espero meu Deus.

4. Mais numerosos que os cabelos de minha cabeça são os que me detestam sem razão. São mais fortes que meus ossos os meus injustos inimigos. Porventura posso restituir o que não roubei?

5. Vós conheceis, ó Deus, a minha insipiência, e minhas faltas não vos são ocultas.

6. Os que esperam em vós, ó Senhor, Senhor dos exércitos, por minha causa não sejam confundidos. Que os que vos procuram, ó Deus de Israel, não tenham de que se envergonhar por minha causa,

7. pois foi por vós que eu sofri afrontas, cobrindo-se-me o rosto de confusão.

8. Tornei-me um estranho para meus irmãos, um desconhecido para os filhos de minha mãe.

9. É que o zelo de vossa casa me consumiu, e os insultos dos que vos ultrajam caíram sobre mim.

10. Por mortificar minha alma com jejuns, só recebi ultrajes.

11. Por trocar minhas roupas por um saco, tornei-me ludíbrio deles.

12. Falam de mim os que se assentam às portas da cidade, escarnecem-me os que bebem vinho.

13. Minha oração, porém, sobe até vós, Senhor, na hora de vossa misericórdia, ó Deus. Na vossa imensa bondade, escutai-me, segundo a fidelidade de vosso socorro.

14. Tirai-me do lodo, para que não me afunde. Livrai-me dos que me detestam, salvai-me das águas profundas.

15. Não me deixeis submergir nas muitas águas, nem me devore o abismo. Nem se feche sobre mim a boca do poço.

16. Ouvi-me, Senhor, pois que vossa bondade é compassiva; em nome de vossa misericórdia, voltai-vos para mim.

17. Não escondais ao vosso servo a vista de vossa face; atendei-me depressa, pois estou muito atormentado.

18. Aproximai-vos de minha alma, livrai-me de meus inimigos.

19. Bem vedes minha vergonha, confusão e ignomínia. Ante vossos olhos estão os que me perseguem:

20. seus ultrajes abateram meu coração e desfaleci. Esperei em vão quem tivesse compaixão de mim, quem me consolasse, e não encontrei.

21. Puseram fel no meu alimento, na minha sede deram-me vinagre para beber.

22. Torne-se a sua mesa um laço para eles, e uma armadilha para os seus amigos.

23. Que seus olhos se escureçam para não mais ver, que seus passos sejam sempre vacilantes.

24. Despejai sobre eles a vossa cólera, e os atinja o fogo de vossa ira.

25. Seja devastada a sua morada, não haja quem habite em suas tendas,

26. porque perseguiram aquele a quem atingistes, e aumentaram a dor daquele a quem feristes.

27. Deixai-os acumular falta sobre falta, e jamais sejam por vós reconhecidos como justos.

28. Sejam riscados do livro dos vivos, e não se inscrevam os seus nomes entre os justos.

29. Eu, porém, miserável e sofredor, seja protegido, ó Deus, pelo vosso auxílio.

30. Cantarei um cântico de louvor ao nome do Senhor, e o glorificarei com um hino de gratidão.

31. E isto a Deus será mais agradável que um touro, do que um novilho com chifres e unhas.

32. Ó vós, humildes, olhai e alegrai-vos; vós que buscais a Deus, reanime-se o vosso coração,

33. porque o Senhor ouve os necessitados, e seu povo cativo não despreza.

34. Louvem-no os céus e a terra, os mares e tudo o que neles se move.

35. Sim, Deus salvará Sião e reconstruirá as cidades de Judá; para aí hão de voltar e a possuirão.

36. A linhagem de seus servos a receberá em herança, e os que amam o seu nome aí fixarão sua morada.

1. Ao mestre de canto. De Davi. Para servir de lembrança. Comprazei-vos, ó Deus, em me livrar; depressa, Senhor, vinde em meu auxílio.

2. Sejam confundidos e humilhados os que odeiam a minha vida. Recuem e corem de vergonha os que se comprazem com meus males.

3. Afastem-se, cobertos de confusão, os que me dizem: Ah! Ah!

4. Pelo contrário, exultem e se alegrem em vós todos os que vos procuram. Que repitam sem cessar: Glória ao Senhor! aqueles que desejam vosso auxílio.

5. Quanto a mim, sou pobre e desvalido. Socorrei-me, ó Deus, sois meu protetor e libertador. Senhor, não tardeis mais.

1. É em vós, Senhor, que procuro meu refúgio; que minha esperança não seja para sempre confundida.

2. Por vossa justiça, livrai-me, libertai-me; inclinai para mim vossos ouvidos e salvai-me.

3. Sede-me uma rocha protetora, uma cidadela forte para me abrigar: e vós me salvareis, porque sois meu rochedo e minha fortaleza.

4. Meu Deus, livrai-me da mãos do iníquo, das garras do inimigo e do opressor,

5. porque vós sois, ó meu Deus, minha esperança. Senhor, desde a juventude vós sois minha confiança.

6. Em vós eu me apoiei desde que nasci, desde o seio materno sois meu protetor; em vós eu sempre esperei.

7. Tornei-me para a turba um objeto de admiração, mas vós tendes sido meu poderoso apoio.

8. Minha boca andava cheia de vossos louvores, cantando continuamente vossa glória.

9. Na minha velhice não me rejeiteis, ao declinar de minhas forças não me abandoneis.

10. Porque falam de mim meus inimigos e os que me observam conspiram contra mim,

11. dizendo: Deus o abandonou; persegui-o e prendei-o, porque não há ninguém para o livrá-lo.

12. Ó Deus, não vos afasteis de mim. Meu Deus, apressai-vos em me socorrer.

13. Sejam confundidos e pereçam os que atentam contra minha vida, sejam cobertos de vergonha e confusão os que procuram minha desgraça.

14. Eu, porém, hei de esperar sempre, e, dia após dia, vos louvarei mais.

15. Minha boca proclamará vossa justiça e vossos auxílios de todos os dias, sem poder enumerá-los todos.

16. Os portentos de Deus eu narrarei, só a vossa justiça hei de proclamar, Senhor.

17. Vós me tendes instruído, ó Deus, desde minha juventude, e até hoje publico as vossas maravilhas.

18. Na velhice e até os cabelos brancos, ó Deus, não me abandoneis, a fim de que eu anuncie à geração presente a força de vosso braço, e vosso poder à geração vindoura,

19. e vossa justiça, ó Deus, que se eleva à altura dos céus, pela qual vós fizestes coisas grandiosas. Senhor, quem vos é comparável?

20. Vós me fizestes passar por numerosas e amargas tribulações para, de novo, me fazer viver e dos abismos da terra novamente me tirar.

21. Aumentai minha grandeza, e de novo consolai-me.

22. Celebrarei então vossa fidelidade nas cordas da lira, eu vos cantarei na harpa, ó Santo de Israel.

23. Meus lábios e minha alma que resgatastes exultarão de alegria quando eu cantar a vossa glória.

24. E, dia após dia, também minha língua exaltará vossa justiça, porque ficaram cobertos de vergonha e confusão aqueles que buscavam minha perdição.

1. De Salomão. Ó Deus, confiai ao rei os vossos juízos. Entregai a justiça nas mãos do filho real,

2. para que ele governe com justiça vosso povo, e reine sobre vossos humildes servos com eqüidade.

3. Produzirão as montanhas frutos de paz ao vosso povo; e as colinas, frutos de justiça.

4. Ele protegerá os humildes do povo, salvará os filhos dos pobres e abaterá o opressor.

5. Ele viverá tão longamente como dura o sol, tanto quanto ilumina a lua, através das gerações.

6. Descerá como a chuva sobre a relva, como os aguaceiros que embebem a terra.

7. Florescerá em seus dias a justiça, e a abundância da paz até que cesse a lua de brilhar.

8. Ele dominará de um ao outro mar, desde o grande rio até os confins da terra.

9. Diante dele se prosternarão seus inimigos, e seus adversários lamberão o pó.

10. Os reis de Társis e das ilhas lhe trarão presentes, os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão seus dons.

11. Todos os reis hão de adorá-lo, hão de servi-lo todas as nações.

12. Porque ele livrará o infeliz que o invoca, e o miserável que não tem amparo.

13. Ele se apiedará do pobre e do indigente, e salvará a vida dos necessitados.

14. Ele o livrará da injustiça e da opressão, e preciosa será a sua vida ante seus olhos.

15. Assim ele viverá e o ouro da Arábia lhe será ofertado; por ele hão de rezar sempre e o bendirão perpetuamente.

16. Haverá na terra fartura de trigo, suas espigas ondularão no cume das colinas como as ramagens do Líbano; e o povo das cidades florescerá como as ervas dos campos.

17. Seu nome será eternamente bendito, e durará tanto quanto a luz do sol. Nele serão abençoadas todas as tribos da terra, bem-aventurado o proclamarão todas as nações.

18. Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, que, só ele, faz maravilhas.

19. Bendito seja eternamente seu nome glorioso, e que toda a terra se encha de sua glória. Amém! Amém!

20. Aqui terminam as preces de Davi, filho de Jessé.

Você está lendo Salmos na edição VC, Versão Católica, em Português.
Este lívro compôe o Antigo Testamento, tem 150 capítulos, e 2461 versículos.