Salmos

1. Prece de Moisés, homem de Deus. Senhor, fostes nosso refúgio de geração em geração.

2. Antes que se formassem as montanhas, a terra e o universo, desde toda a eternidade vós sois Deus.

3. Reduzis o homem à poeira, e dizeis: Filhos dos homens, retornai ao pó,

4. porque mil anos, diante de vós, são como o dia de ontem que já passou, como uma só vigília da noite.

5. Vós os arrebatais: eles são como um sonho da manhã, como a erva virente,

6. que viceja e floresce de manhã, mas que à tarde é cortada e seca.

7. Sim, somos consumidos pela vossa severidade, e acabrunhados pela vossa cólera.

8. Colocastes diante de vós as nossas culpas, e nossos pecados ocultos à vista de vossos olhos.

9. Ante a vossa ira, passaram todos os nossos dias. Nossos anos se dissiparam como um sopro.

10. Setenta anos é o total de nossa vida, os mais fortes chegam aos oitenta. A maior parte deles, sofrimento e vaidade, porque o tempo passa depressa e desaparecemos.

11. Quem avalia a força de vossa cólera, e mede a vossa ira com o temor que vos é devido?

12. Ensinai-nos a bem contar os nossos dias, para alcançarmos o saber do coração.

13. Voltai-vos, Senhor - quanto tempo tardareis? E sede propício a vossos servos.

14. Cumulai-vos desde a manhã com as vossas misericórdias, para exultarmos alegres em toda a nossa vida.

15. Consolai-nos tantos dias quantos nos afligistes, tantos anos quantos nós sofremos.

16. Manifestai vossa obra aos vossos servidores, e a vossa glória aos seus filhos.

17. Que o beneplácito do Senhor, nosso Deus, repouse sobre nós. Favorecei as obras de nossas mãos. Sim, fazei prosperar o trabalho de nossas mãos.

1. Tu que habitas sob a proteção do Altíssimo, que moras à sombra do Onipotente,

2. dize ao Senhor: Sois meu refúgio e minha cidadela, meu Deus, em que eu confio.

3. É ele quem te livrará do laço do caçador, e da peste perniciosa.

4. Ele te cobrirá com suas plumas, sob suas asas encontrarás refúgio. Sua fidelidade te será um escudo de proteção.

5. Tu não temerás os terrores noturnos, nem a flecha que voa à luz do dia,

6. nem a peste que se propaga nas trevas, nem o mal que grassa ao meio-dia.

7. Caiam mil homens à tua esquerda e dez mil à tua direita, tu não serás atingido.

8. Porém verás com teus próprios olhos, contemplarás o castigo dos pecadores,

9. porque o Senhor é teu refúgio. Escolheste, por asilo, o Altíssimo.

10. Nenhum mal te atingirá, nenhum flagelo chegará à tua tenda,

11. porque aos seus anjos ele mandou que te guardem em todos os teus caminhos.

12. Eles te sustentarão em suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra.

13. Sobre serpente e víbora andarás, calcarás aos pés o leão e o dragão.

14. Pois que se uniu a mim, eu o livrarei; e o protegerei, pois conhece o meu nome.

15. Quando me invocar, eu o atenderei; na tribulação estarei com ele. Hei de livrá-lo e o cobrirei de glória.

16. Será favorecido de longos dias, e mostrar-lhe-ei a minha salvação.

1. Salmo. Cântico para o dia de sábado. É bom louvar ao Senhor e cantar salmos ao vosso nome, ó Altíssimo;

2. proclamar, de manhã, a vossa misericórdia, e, durante a noite, a vossa fidelidade,

3. com a harpa de dez cordas e com a lira, com cânticos ao som da cítara,

4. pois vós me alegrais, Senhor, com vossos feitos; exulto com as obras de vossas mãos.

5. Senhor, estupendas são as vossas obras! E quão profundos os vossos desígnios!

6. Não compreende estas coisas o insensato, nem as percebe o néscio.

7. Ainda que floresçam os ímpios como a relva, e floresçam os que praticam a maldade, eles estão à perda eterna destinados.

8. Vós, porém, Senhor, sois o Altíssimo por toda a eternidade.

9. Eis que vossos inimigos, Senhor, vossos inimigos hão de perecer, serão dispersados todos os artesãos do mal.

10. Exaltastes a minha cabeça como a do búfalo, e com óleo puríssimo me ungistes.

11. Meus olhos vêem os inimigos com desprezo, e meus ouvidos ouvem com prazer o que aconteceu aos que praticam o mal.

12. Como a palmeira, florescerão os justos, elevar-se-ão como o cedro do Líbano.

13. Plantados na casa do Senhor, nos átrios de nosso Deus hão de florir.

14. Até na velhice eles darão frutos, continuarão cheios de seiva e verdejantes,

15. para anunciarem quão justo é o Senhor, meu rochedo, e como não há nele injustiça.

1. O Senhor é rei e se revestiu de majestade, ele se cingiu com um cinto de poder. A terra, que com firmeza ele estabeleceu, não será abalada.

2. Desde toda a eternidade vosso trono é firme e vós, vós desde sempre existis.

3. Elevam os rios, Senhor, elevam os rios a sua voz, e fazem eclodir o fragor de suas ondas.

4. Porém, mais poderoso que a voz das grandes águas, mais poderoso que os vagalhões do mar, mais poderoso é o Senhor nas alturas do céu.

5. Vossas promessas são sempre dignas de fé, e a vossa casa, Senhor, é santa na duração dos séculos.

1. Senhor, Deus justiceiro, Deus das vinganças, aparecei em vosso esplendor.

2. Levantai-vos, juiz da terra, castigai os soberbos como eles merecem.

3. Até quando, Senhor, triunfarão os ímpios?

4. Até quando se desmandarão em discursos arrogantes, e jactanciosos estarão esses obreiros do mal?

5. Eles esmagam o povo, Senhor, e oprimem vossa herança.

6. Trucidam a viúva e o estrangeiro, tiram a vida aos órfãos.

7. E dizem: O Senhor não vê, o Deus de Jacó não presta atenção nisso!

8. Tratai de compreender, ó gente estulta. Insensatos, quando cobrareis juízo?

9. Pois não ouvirá quem fez o ouvido? O que formou o olho não verá?

10. Aquele que dá lições aos povos não há de punir, ele que ensina ao homem o saber...

11. O Senhor conhece os pensamentos dos homens, e sabe que são vãos.

12. Feliz o homem a quem ensinais, Senhor, e instruís em vossa lei,

13. para lhe dar a paz no dia do infortúnio, enquanto uma cova se abre para o ímpio,

14. porque o Senhor não rejeitará o seu povo, e não há de abandonar a sua herança.

15. Mas o julgamento com justiça se fará, e a seguirão os retos de coração.

16. Quem se erguerá por mim contra os malfeitores? Quem será meu defensor contra os artesãos do mal?

17. Se o Senhor não me socorresse, em breve a minha alma habitaria a região do silêncio.

18. Quando penso: Vacilam-me os pés, sustenta-me, Senhor, a vossa graça.

19. Quando em meu coração se multiplicam as angústias, vossas consolações alegram a minha alma.

20. Acaso poderá aliar-se a vós um tribunal iníquo, que pratica vexames sob a aparência de lei?

21. Atentam contra a alma do justo, e condenam o sangue inocente.

22. Mas o Senhor certamente será o meu refúgio, e meu Deus o rochedo em que me abrigo.

23. Ele fará recair sobre eles suas próprias maldades, ele os fará perecer por sua própria malícia. O Senhor, nosso Deus, os destruirá.

1. Vinde, manifestemos nossa alegria ao Senhor, aclamemos o Rochedo de nossa salvação;

2. apresentemo-nos diante dele com louvores, e cantemos-lhe alegres cânticos,

3. porque o Senhor é um Deus imenso, um rei que ultrapassa todos os deuses;

4. nas suas mãos estão as profundezas da terra, e os cumes das montanhas lhe pertencem.

5. Dele é o mar, ele o criou; assim como a terra firme, obra de suas mãos.

6. Vinde, inclinemo-nos em adoração, de joelhos diante do Senhor que nos criou.

7. Ele é nosso Deus; nós somos o povo de que ele é o pastor, as ovelhas que as suas mãos conduzem. Oxalá ouvísseis hoje a sua voz:

8. Não vos torneis endurecidos como em Meribá, como no dia de Massá no deserto,

9. onde vossos pais me provocaram e me tentaram, apesar de terem visto as minhas obras.

10. Durante quarenta anos desgostou-me aquela geração, e eu disse: É um povo de coração desviado, que não conhece os meus desígnios.

11. Por isso, jurei na minha cólera: Não hão de entrar no lugar do meu repouso.

1. Cantai ao Senhor um cântico novo. Cantai ao Senhor, terra inteira.

2. Cantai ao Senhor e bendizei o seu nome, anunciai cada dia a salvação que ele nos trouxe.

3. Proclamai às nações a sua glória, a todos os povos as suas maravilhas.

4. Porque o Senhor é grande e digno de todo o louvor, o único temível de todos os deuses.

5. Porque os deuses dos pagãos, sejam quais forem, não passam de ídolos. Mas foi o Senhor quem criou os céus.

6. Em seu semblante, a majestade e a beleza; em seu santuário, o poder e o esplendor.

7. Tributai ao Senhor, famílias dos povos, tributai ao Senhor a glória e a honra,

8. tributai ao Senhor a glória devida ao seu nome. Trazei oferendas e entrai nos seus átrios.

9. Adorai o Senhor, com ornamentos sagrados. Diante dele estremece a terra inteira.

10. Dizei às nações: O Senhor é rei. E {a terra} não vacila, porque ele a sustém. Governa os povos com justiça.

11. Alegrem-se os céus e exulte a terra, retumbe o oceano e o que ele contém,

12. regozijem-se os campos e tudo o que existe neles. Jubilem todas as árvores das florestas

13. com a presença do Senhor, que vem, pois ele vem para governar a terra: julgará o mundo com justiça, e os povos segundo a sua verdade.

1. O Senhor reina! Que a terra exulte de alegria, que se rejubile a multidão das ilhas.

2. Está envolvido em escura nuvem, seu trono tem por fundamento a justiça e o direito.

3. Ele é precedido por um fogo que devora em redor os inimigos.

4. Seus relâmpagos iluminam o mundo, a terra estremece ao vê-los.

5. Na presença do Senhor, fundem-se as montanhas como a cera, em presença do Senhor de toda a terra.

6. Os céus anunciam a sua justiça e todos os povos contemplam a sua glória.

7. São confundidos os que adoram estátuas e se gloriam em seus ídolos; pois os deuses se prostram diante do Senhor.

8. Ouve e se alegra Sião, exultam as cidades de Judá por causa de vossos juízos, Senhor.

9. Porque vós, Senhor, sois o soberano de toda a terra, vós sois o Altíssimo entre todos os deuses.

10. O Senhor ama os que detestam o mal, ele vela pelas almas de seus servos e os livra das mãos dos ímpios.

11. A luz resplandece para o justo, e a alegria é concedida ao homem de coração reto.

12. Alegrai-vos, ó justo, no Senhor, e dai glória ao seu santo nome.

1. Cantai ao Senhor um cântico novo, porque ele operou maravilhas. Sua mão e seu santo braço lhe deram a vitória.

2. O Senhor fez conhecer a sua salvação. Manifestou sua justiça à face dos povos.

3. Lembrou-se de sua bondade e de sua fidelidade em favor da casa de Israel. Os confins da terra puderam ver a salvação de nosso Deus.

4. Aclamai o Senhor, povos todos da terra; regozijai-vos, alegrai-vos e cantai.

5. Salmodiai ao Senhor com a cítara, ao som do saltério e com a lira.

6. Com a tuba e a trombeta elevai aclamações na presença do Senhor rei.

7. Estruja o mar e tudo o que contém, o globo inteiro e os que nele habitam.

8. Que os rios aplaudam, que as montanhas exultem em brados de alegria

9. diante do Senhor que chega, porque ele vem para governar a terra. Ele governará a terra com justiça, e os povos com eqüidade.

1. O Senhor reina, tremem os povos; seu trono está sobre os querubins: vacila a terra.

2. Grande é o Senhor em Sião, elevado acima de todos os povos.

3. Seja celebrado vosso grande e temível nome, porque ele é Santo.

4. Reina o Rei poderoso que ama a justiça; sois vós que estabeleceis o que é reto, sois vos que exerceis em Jacó o direito e a justiça.

5. Exaltai ao Senhor, nosso Deus, e prostrai-vos ante o escabelo de seus pés, porque ele é Santo.

6. Entre seus sacerdotes estavam Moisés e Aarão, e Samuel um dos que invocaram o seu nome: clamavam ao Senhor, que os atendia.

7. Falava-lhes na coluna de nuvem, eles guardavam os seus preceitos e a lei que lhes havia dado.

8. Senhor, nosso Deus, vós os ouvistes, fostes para eles um Deus propício, ainda quando puníeis as suas injustiças.

9. Exaltai ao Senhor, nosso Deus, e prostrai-vos ante sua montanha santa, porque santo é o Senhor, nosso Deus.

1. Salmo de ação de graças. Aclamai o Senhor, por toda a terra.

2. Servi o Senhor com alegria. Vinde, entrai exultantes em sua presença.

3. Sabei que o Senhor é Deus: ele nos fez, e a ele pertencemos. Somos o seu povo e as ovelhas de seu rebanho.

4. Entrai cantando sob seus pórticos, vinde aos seus átrios com cânticos; glorificai-o e bendizei o seu nome,

5. porque o Senhor é bom, sua misericórdia é eterna e sua fidelidade se estende de geração em geração.

1. Salmo de Davi. Cantarei a bondade e a justiça. A vós, Senhor, salmodiarei.

2. Pelo caminho reto quero seguir. Oh, quando vireis a mim? Caminharei na inocência de coração, no seio de minha família.

3. Não proporei ante meus olhos nenhum pensamento culpável. Terei horror àquele que pratica o mal, não será ele meu amigo.

4. Estará sempre longe de mim o coração perverso, não quero conhecer o mal.

5. Exterminarei o que em segredo caluniar seu próximo. Não suportarei homem arrogante e de coração vaidoso.

6. Meus olhos se voltarão para os fiéis da terra, para fazê-los habitar comigo. Será meu servo o homem que segue o caminho reto.

7. O fraudulento não há de morar jamais em minha casa. Não subsistirá o mentiroso ante meus olhos.

8. Todos os dias extirparei da terra os ímpios, banindo da cidade do Senhor os que praticam o mal.

1. Prece de um aflito que desabafa sua angústia diante do Senhor. Senhor, ouvi a minha oração, e chegue até vós o meu clamor.

2. Não oculteis de mim a vossa face no dia de minha angústia. Inclinai para mim o vosso ouvido. Quando vos invocar, acudi-me prontamente,

3. porque meus dias se dissipam como a fumaça, e como um tição consomem-se os meus ossos.

4. Queimando como erva, meu coração murcha, até me esqueço de comer meu pão.

5. A violência de meus gemidos faz com que se me peguem à pele os ossos.

6. Assemelho-me ao pelicano do deserto, sou como a coruja nas ruínas.

7. Perdi o sono e gemo, como pássaro solitário no telhado.

8. Insultam-me continuamente os inimigos, em seu furor me atiram imprecações.

9. Como cinza do mesmo modo que pão, lágrimas se misturam à minha bebida,

10. devido à vossa cólera indignada, pois me tomastes para me lançar ao longe.

11. Os meus dias se esvaecem como a sombra da noite e me vou murchando como a relva.

12. Vós, porém, Senhor, sois eterno, e vosso nome subsiste em todas as gerações.

13. Levantai-vos, pois, e sede propício a Sião; é tempo de compadecer-vos dela, chegou a hora...

14. porque vossos servos têm amor aos seus escombros e se condoem de suas ruínas.

15. E as nações pagãs reverenciarão o vosso nome, Senhor, e os reis da terra prestarão homenagens à vossa glória.

16. Quando o Senhor tiver reconstruído Sião, e aparecido em sua glória,

17. quando ele aceitar a oração dos desvalidos e não mais rejeitar as suas súplicas,

18. escrevam-se estes fatos para a geração futura, e louve o Senhor o povo que há de vir,

19. porque o Senhor olhou do alto de seu santuário, do céu ele contemplou a terra;

20. para escutar os gemidos dos cativos, para livrar da morte os condenados;

21. para que seja aclamado em Sião o nome do Senhor, e em Jerusalém o seu louvor,

22. no dia em que se hão de reunir os povos, e os reinos para servir o Senhor.

23. Deus esgotou-me as forças no meio do caminho, abreviou-me os dias.

24. Meu Deus, peço, não me leveis no meio da minha vida, vós cujos anos são eternos.

25. No começo criastes a terra, e o céu é obra de vossas mãos.

26. Um e outro passarão, enquanto vós ficareis. Tudo se acaba pelo uso como um traje. Como uma veste, vós os substituís e eles hão de sumir.

27. Mas vós permaneceis o mesmo e vossos anos não têm fim.

28. Os filhos de vossos servos habitarão seguros, e sua posteridade se perpetuará diante de vós.

1. Salmo de Davi. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que existe em mim bendiga o seu santo nome.

2. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e jamais te esqueças de todos os seus benefícios.

3. É ele que perdoa as tuas faltas, e sara as tuas enfermidades.

4. É ele que salva tua vida da morte, e te coroa de bondade e de misericórdia.

5. É ele que cumula de benefícios a tua vida, e renova a tua juventude como a da águia.

6. O Senhor faz justiça, dá o direito aos oprimidos.

7. Revelou seus caminhos a Moisés, e suas obras aos filhos de Israel.

8. O Senhor é bom e misericordioso, lento para a cólera e cheio de clemência.

9. Ele não está sempre a repreender, nem eterno é o seu ressentimento.

10. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos castiga em proporção de nossas faltas,

11. porque tanto os céus distam da terra quanto sua misericórdia é grande para os que o temem;

12. tanto o oriente dista do ocidente quanto ele afasta de nós nossos pecados.

13. Como um pai tem piedade de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão dos que o temem,

14. porque ele sabe de que é que somos feitos, e não se esquece de que somos pó.

15. Os dias do homem são semelhantes à erva, ele floresce como a flor dos campos.

16. Apenas sopra o vento, já não existe, e nem se conhece mais o seu lugar.

17. É eterna, porém, a misericórdia do Senhor para com os que o temem. E sua justiça se estende aos filhos de seus filhos,

18. sobre os que guardam a sua aliança, e, lembrando, cumprem seus mandamentos.

19. Nos céus estabeleceu o Senhor o seu trono, e o seu império se estende sobre o universo.

20. Bendizei ao Senhor todos os seus anjos, valentes heróis que cumpris suas ordens, sempre dóceis à sua palavra.

21. Bendizei ao Senhor todos os seus exércitos, ministros que executais sua vontade.

22. Bendizei ao Senhor todas as suas obras, em todos os lugares onde ele domina. Bendize, ó minha alma, ao Senhor.

1. Bendize, ó minha alma, o Senhor! Senhor, meu Deus, vós sois imensamente grande! De majestade e esplendor vos revestis,

2. envolvido de luz como de um manto. Vós estendestes o céu qual pavilhão,

3. acima das águas fixastes vossa morada. De nuvens fazeis vosso carro, andais nas asas do vento;

4. fazeis dos ventos os vossos mensageiros, e dos flamejantes relâmpagos vossos ministros.

5. Fundastes a terra em bases sólidas que são eternamente inabaláveis.

6. Vós a tínheis coberto com o manto do oceano, as águas ultrapassavam as montanhas.

7. Mas à vossa ameaça elas se afastaram, ao estrondo de vosso trovão estremeceram.

8. Elevaram-se as montanhas, sulcaram-se os vales nos lugares que vós lhes destinastes.

9. Estabelecestes os limites, que elas não hão de ultrapassar, para que não mais tornem a cobrir a terra.

10. Mandastes as fontes correr em riachos, que serpeiam por entre os montes.

11. Ali vão beber os animais dos campos, neles matam a sede os asnos selvagens.

12. Os pássaros do céu vêm aninhar em suas margens, e cantam entre as folhagens.

13. Do alto de vossas moradas derramais a chuva nas montanhas, do fruto de vossas obras se farta a terra.

14. Fazeis brotar a relva para o gado, e plantas úteis ao homem, para que da terra possa extrair o pão

15. e o vinho que alegra o coração do homem, o óleo que lhe faz brilhar o rosto e o pão que lhe sustenta as forças.

16. As árvores do Senhor são cheias de seiva, assim como os cedros do Líbano que ele plantou.

17. Lá constroem as aves os seus ninhos, nos ciprestes a cegonha tem sua casa.

18. Os altos montes dão abrigo às cabras, e os rochedos aos arganazes.

19. Fizestes a lua para indicar os tempos; o sol conhece a hora de se pôr.

20. Mal estendeis as trevas e já se faz noite, entram a rondar os animais das selvas.

21. Rugem os leõezinhos por sua presa, e pedem a Deus o seu sustento.

22. Mas se retiram ao raiar do sol, e vão se deitar em seus covis.

23. É então que o homem sai para o trabalho, e moureja até o entardecer.

24. Ó Senhor, quão variadas são as vossas obras! Feitas, todas, com sabedoria, a terra está cheia das coisas que criastes.

25. Eis o mar, imenso e vasto, onde, sem conta, se agitam animais grandes e pequenos.

26. Nele navegam as naus e o Leviatã que criastes para brincar nas ondas.

27. Todos esses seres esperam de vós que lhes deis de comer em seu tempo.

28. Vós lhes dais e eles o recolhem; abris a mão, e se fartam de bens.

29. Se desviais o rosto, eles se perturbam; se lhes retirais o sopro, expiram e voltam ao pó donde saíram.

30. Se enviais, porém, o vosso sopro, eles revivem e renovais a face da terra.

31. Ao Senhor, glória eterna; alegre-se o Senhor em suas obras!

32. Ele, cujo olhar basta para fazer tremer a terra, e cujo contato inflama as montanhas.

33. Enquanto viver, cantarei à glória do Senhor, salmodiarei ao meu Deus enquanto existir.

34. Possam minhas palavras lhe ser agradáveis! Minha única alegria se encontra no Senhor.

35. Sejam tirados da terra os pecadores e doravante desapareçam os ímpios. Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Aleluia.

1. Aleluia. Celebrai o Senhor, aclamai o seu nome, apregoai entre as nações as suas obras.

2. Cantai-lhe hinos e cânticos, anunciai todas as suas maravilhas.

3. Gloriai-vos do seu santo nome; rejubile o coração dos que procuram o Senhor.

4. Recorrei ao Senhor e ao seu poder, procurai continuamente sua face.

5. Recordai as maravilhas que operou, seus prodígios e julgamentos por seus lábios proferidos,

6. ó descendência de Abraão, seu servidor, ó filhos de Jacó, seus escolhidos!

7. É ele o Senhor, nosso Deus; suas sentenças comandam a terra inteira.

8. Ele se lembra eternamente de sua aliança, da palavra que empenhou a mil gerações,

9. que garantiu a Abraão, e jurou a Isaac,

10. e confirmou a Jacó irrevogavelmente, e a Israel como aliança eterna,

11. quando disse: Dar-te-ei a terra de Canaã, como parte de vossa herança.

12. Quando não passavam de um reduzido número, minoria insignificante e estrangeiros na terra,

13. e andavam errantes de nação em nação, de reino em reino,

14. não permitiu que os oprimissem, e castigou a reis por causa deles.

15. Não ouseis tocar nos que me são consagrados, nem maltratar os meus profetas.

16. E chamou a fome sobre a terra, e os privou do pão que os sustentava.

17. Diante deles enviara um homem: José, que fora vendido como escravo.

18. Apertaram-lhe os pés entre grilhões, com cadeias cingiram-lhe o pescoço,

19. até que se cumpriu a profecia, e o justificou a palavra de Deus.

20. Então o rei ordenou que o soltassem, o soberano de povos o livrou,

21. e o nomeou senhor de sua casa e governador de seus domínios,

22. para, a seu bel-prazer, dar ordens a seus príncipes, e a seus anciãos, lições de sabedoria.

23. Então Israel penetrou no Egito, Jacó foi viver na terra de Cam.

24. Deus multiplicou grandemente o seu povo, e o tornou mais forte que seus inimigos.

25. Depois, de tal modo lhes mudou os corações, que com aversão trataram o seu povo, e com perfídia, os seus servidores.

26. Mas Deus lhes suscitou Moisés, seu servo, e Aarão, seu escolhido.

27. Ambos operaram entre eles prodígios e milagres na terra de Cam.

28. Mandou trevas e se fez noite, resistiram, porém, às suas palavras.

29. Converteu-lhes as águas em sangue, matando-lhes todos os seus peixes.

30. Infestou-lhes a terra de rãs, até nos aposentos reais.

31. A uma palavra sua vieram nuvens de moscas, mosquitos em todo o seu território.

32. Em vez de chuva lhes mandou granizo e chamas devorantes sobre a terra.

33. Devastou-lhes as vinhas e figueiras, e partiu-lhes as árvores de seus campos.

34. A seu mandado vieram os gafanhotos, e lagartas em quantidade enorme,

35. que devoraram toda a erva de suas terras e comeram os frutos de seus campos.

36. Depois matou os primogênitos do seu povo, primícias de sua virilidade.

37. E Deus tirou os hebreus carregados de ouro e prata; não houve, nas tribos, nenhum enfermo.

38. Alegraram-se os egípcios com sua partida, pelo temor que os hebreus lhes tinham causado.

39. Para os abrigar Deus estendeu uma nuvem, e para lhes iluminar a noite uma coluna de fogo.

40. A seu pedido, mandou-lhes codornizes, e os fartou com pão vindo do céu.

41. Abriu o rochedo e jorrou água como um rio a correr pelo deserto,

42. pois se lembrava da palavra sagrada, empenhada a seu servo Abraão.

43. E fez sair, com júbilo, o seu povo, e seus eleitos com grande exultação.

44. Deu-lhes a terra dos pagãos e desfrutaram das riquezas desses povos,

45. sob a condição de guardarem seus mandamentos e observarem fielmente suas lei

1. Aleluia. Louvai o Senhor porque ele é bom, porque a sua misericórdia é eterna.

2. Quem contará os poderosos feitos do Senhor? Quem poderá apregoar os seus louvores?

3. Felizes aqueles que observam os preceitos, aqueles que, em todo o tempo, fazem o que é reto.

4. Lembrai-vos de mim, Senhor, pela benevolência que tendes com o vosso povo. Assisti-me com o vosso socorro,

5. para que eu prove a felicidade de vossos eleitos, compartilhe do júbilo de vosso povo e me glorie com os que constituem vossa herança.

6. Como nossos pais, nós também pecamos, cometemos a iniqüidade, praticamos o mal.

7. Nossos pais, no Egito, não prezaram os vossos milagres, esqueceram a multidão de vossos benefícios e se revoltaram contra o Altíssimo no mar Vermelho.

8. Mas ele os poupou para a honra de seu nome, para tornar patente o seu poder.

9. Ameaçou o mar e ele se tornou seco, e os conduziu por entre as ondas como através de um deserto.

10. Livrou-os das mãos daquele que os odiava, e os salvou do poder inimigo.

11. As águas recobriram seus adversários, nenhum deles escapou.

12. Então acreditaram em sua palavra, e cantaram os seus louvores.

13. Depressa, porém, esqueceram suas obras, e não confiaram em seus desígnios.

14. Entregaram-se à concupiscência no deserto, e tentaram a Deus na solidão.

15. Ele lhes concedeu o que pediam, mas os feriu de um mal mortal.

16. Em seus acampamentos invejaram Moisés e Aarão, o eleito do Senhor.

17. Abriu-se a terra e tragou Datã, e sepultou os sequazes de Abiron.

18. Um fogo devassou as suas tropas e as chamas consumiram os ímpios.

19. Fabricaram um bezerro de ouro no sopé do Horeb, e adoraram um ídolo de ouro fundido.

20. Eles trocaram a sua glória pela estátua de um touro que come feno.

21. Esqueceram a Deus que os salvara, que obrara prodígios no Egito,

22. maravilhas na terra de Cam, estupendos feitos no mar Vermelho.

23. Já cogitava em exterminá-los se Moisés, seu eleito, não intercedesse junto dele para impedir que sua cólera os destruísse.

24. Depois, eles desprezaram uma terra de delícias, desconfiados de sua palavra.

25. Em suas tendas se puseram a murmurar, e desobedeceram ao Senhor.

26. Então, com a mão alçada, ele jurou que havia de prostrá-los no deserto

27. e dispersar sua descendência entre as nações pagãs, disseminando-os por toda a terra.

28. Aderiram também ao Baal de Fegor, comeram vítimas oferecidas a deuses sem vida.

29. E, provocando-o com seus crimes, uma peste irrompeu entre eles.

30. Mas levantou-se Finéias para fazer justiça; cessou a peste.

31. Seu zelo lhe foi imputado como mérito, de geração em geração, para sempre.

32. Em seguida, irritaram a Deus nas águas de Meribá, e adveio o mal a Moisés por causa deles.

33. Porque o provocaram tanto, palavras temerárias saíram-lhe dos lábios.

34. Não exterminaram os povos, como o Senhor lhes havia ordenado,

35. mas se misturaram com as nações pagãs e aprenderam seus costumes.

36. Prestaram culto aos seus ídolos, que se tornaram um laço para eles.

37. Imolaram os seus filhos e suas filhas aos demônios.

38. Derramaram o sangue inocente: o sangue de seus filhos e de suas filhas, que aos ídolos de Canaã sacrificaram; seu país ficou manchado com esse sangue.

39. Eles se contaminaram com homicídios, e se prostituíram com seus crimes.

40. Então se inflamou contra seu povo a cólera divina, e Deus teve aversão de sua herança.

41. Ele os entregou nas mãos das nações pagãs, e foram dominados pelos que os odiavam.

42. Oprimiram-nos os seus inimigos, foram submetidos ao seu jugo.

43. Muitas vezes ele os libertou; mas sua conduta o exasperou, de tal modo que foram abatidos por causa de suas iniqüidades.

44. Entretanto, vendo a sua aflição, ouviu-lhes as orações.

45. Em favor deles lembrou-se de sua aliança, e por sua misericórdia deles se apiedou.

46. E fez com que encontrassem a clemência junto aos que os tinham aprisionado.

47. Salvai-nos, Senhor, nosso Deus, e recolhei-nos de entre as nações, para que possamos celebrar o vosso santo nome e ter a satisfação de vos louvar.

48. Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, pelos séculos dos séculos! E que todo o povo diga: Amém!

Você está lendo Salmos na edição VC, Versão Católica, em Português.
Este lívro compôe o Antigo Testamento, tem 150 capítulos, e 2461 versículos.